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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Percolação: problemas fáceis de enunciar e difíceis de resolver!]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS     <br> MATEM&Aacute;TICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Percola&ccedil;&atilde;o: problemas f&aacute;ceis de enunciar e  dif&iacute;ceis de resolver!</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bernardo N. B. de Lima<sup>I</sup>; Maria Eul&aacute;lia Vares<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professor associado do Departamento de Matem&aacute;tica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). E-mail: <a href="mailto:bnblima@mat.ufmg.br">bnblima@mat.ufmg.br</a>     <br> <sup>II</sup>Professora titular do Instituto de Matem&aacute;tica da Univerisdade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E-mail: <a href="mailto:eulalia@im.ufrj.br">eulalia@im.ufrj.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se procurarmos nos principais dicion&aacute;rios da l&iacute;ngua portuguesa, o termo percola&ccedil;&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de lixivia&ccedil;&atilde;o, que &eacute; o movimento de fluido em meio poroso, com o fluido extraindo subst&acirc;ncias sol&uacute;veis do meio por onde "percola". Por exemplo, certamente j&aacute; escutamos que as &aacute;guas subterr&acirc;neas percolam no solo e entre as fraturas e fendas das rochas. Outro exemplo muito importante para n&oacute;s matem&aacute;ticos &eacute; o caf&eacute;: ao prepar&aacute;-lo, a &aacute;gua percola atrav&eacute;s de um meio poroso, o p&oacute; de caf&eacute;, extraindo subst&acirc;ncias deste meio, o que &eacute; facilmente observado devido &agrave;s mudan&ccedil;as de cor, odor e sabor do fluido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Motivados por um problema aplicado - desenvolver um modelo probabil&iacute;stico de m&aacute;scaras de g&aacute;s para trabalhadores de minas de carv&atilde;o -, S. R. Broadbent e J. M. Hammersley, em 1957 &#91;2&#93;, introduziram o modelo de percola&ccedil;&atilde;o como o conhecemos em matem&aacute;tica. O meio poroso ser&aacute; um grafo &#120126; = (&#120141;, &#120124;) formado por um conjunto &#120141; de v&eacute;rtices e um conjunto &#120124; de elos, que s&atilde;o as liga&ccedil;&otilde;es conectando pares de v&eacute;rtices. Uma imagem que podemos ter em mente &eacute; a de uma rede de canos (elos) como a que distribui &aacute;gua em nossas cidades. De um ponto de vista mais formal, o grafo mais utilizado &eacute; a rede hiperc&uacute;bica <i>d</i>-dimensional, &#120131;<sup><i>d</i></sup>, cujos v&eacute;rtices s&atilde;o os pontos do espa&ccedil;o euclidiano <i>d</i>-dimensional com coordenadas inteiras e os elos unem dois v&eacute;rtices que diferem em apenas uma coordenada por uma unidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O car&aacute;ter aleat&oacute;rio do modelo se manifesta atribuindo-se a cada elo o estado <i>aberto</i> ou <i>fechado</i> para a passagem do fluido. Em termos precisos, al&eacute;m do grafo temos um par&acirc;metro, <i>p</i>, um n&uacute;mero real no intervalo &#91;0,1&#93; que denota a probabilidade de cada elo estar aberto. O modelo de percola&ccedil;&atilde;o de Bernoulli com par&acirc;metro <i>p</i> &eacute; aquele em que cada elo est&aacute; aberto com probabilidade <i>p</i>, fechado com probabilidade 1 - <i>p</i>, e os estados aberto e fechado para cada elo s&atilde;o vari&aacute;veis aleat&oacute;rias independentes. Em "matematiqu&ecirc;s" o modelo &eacute; descrito pelo espa&ccedil;o de probabilidade (</font>&#937;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, &#119964; , &#8473;<sub><i>p</i></sub>), onde </font>&#937;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">= {0, 1}<sup>&#120124;</sup>, o espa&ccedil;o amostral, &eacute; o conjunto com todas as configura&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis para os estados aberto (ou 1) e fechado (ou 0) dos elos; &#119964; &eacute; a <i>&#963;</i>-&aacute;lgebra gerada pelos eventos cil&iacute;ndricos de </font>&#937;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">e &#8473;<sub><i>p</i></sub> &eacute; a medida de probabilidade subjacente - o sub&iacute;ndice <i>p</i> &eacute; para enfatizar que o estado de cada elo &eacute; 1 ou aberto com probabilidade <i>p</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dados dois v&eacute;rtices <i>x, y </i>&#8712; &#120141;, dizemos que eles est&atilde;o conectados em uma configura&ccedil;&atilde;o </font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8712; </font>&#937;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">se existe um caminho de elos abertos em </font>&#937;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">conectando os v&eacute;rtices <i>x</i> e <i>y</i>. Utilizaremos a nota&ccedil;&atilde;o (<i>x&#8596;y</i>) para denotar o conjunto de tais configura&ccedil;&otilde;es. Recorrendo &agrave; met&aacute;fora do fluido em meio poroso, em que o fluido penetra todos os elos abertos que encontra pela frente, dizer que <i>x</i> e <i>y</i> est&atilde;o conectados quer dizer que se injetarmos fluido sob press&atilde;o no v&eacute;rtice <i>x</i> o v&eacute;rtice <i>y</i> ficar&aacute; molhado. Dado um v&eacute;rtice <i>x</i> &#8712; &#120141; e uma configura&ccedil;&atilde;o de elos abertos e fechados </font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8712; </font>&#937;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, definimos o aglomerado de <i>x</i> na configu&ccedil;&atilde;o </font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, <i>C</i><sub><i>x</i></sub>(</font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">), como o conjunto dos v&eacute;rtices conectados a <i>x</i> por um caminho de elos abertos na configura&ccedil;&atilde;o </font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, isto &eacute;, os v&eacute;rtices que ficar&atilde;o molhados ao introduzirmos o fluido em <i>x</i>; dito de modo mais preciso, <i>C</i><sub><i>x</i></sub>(</font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) = {<i>y </i>&#8712; &#120141;; <i>x &#8596;y</i> in </font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">}. Em grafos transitivos, como a rede hiperc&uacute;bica <i>d</i>-dimensional &#120131;<sup><i>d</i></sup>, <i>C</i><sub><i>x</i></sub> &eacute; um conjunto aleat&oacute;rio cuja distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; a mesma para todo v&eacute;rtice <i>x</i>; desse modo, sem perda de generalidade podemos nos fixar em um v&eacute;rtice como a origem e denotaremos simplesmente por <i>C</i> o aglomerado da origem. Podemos pensar em </font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">como um subgrafo aleat&oacute;rio de &#120131;<sup><i>d</i></sup>, neste caso <i>C</i><sub><i>x</i></sub>(</font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) seria a componente conexa de </font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">que cont&eacute;m o v&eacute;rtice <i>x</i>. A <a href="#fig1">Figura 1</a> ilustra o modelo de percola&ccedil;&atilde;o na rede quadrada.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira pergunta que fazemos &eacute; sobre o tamanho do aglomerado <i>C</i>. Observe que seu n&uacute;mero de v&eacute;rtices &eacute; um n&uacute;mero natural, mas pode tamb&eacute;m ser infinito; logo, &eacute; natural surgir a pergunta: qual a probabilidade do aglomerado da origem ser infinito? Ou seja, para a vari&aacute;vel aleat&oacute;ria <i>C </i>: </font>&#937;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8594;&#8469;&#8746;{&#8734;}, quanto vale &#8473;<sub><i>p</i></sub> {</font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8712; </font>&#937;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">;  #<i>C</i>(</font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) = &#8734;}? Utilizaremos a nota&ccedil;&atilde;o mais curta (0 &#8596; &#8734;) para denotar o evento {</font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8712; </font>&#937;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">;  #<i>C</i>(</font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) = &#8734;}. Deste modo &eacute; natural definir a fun&ccedil;&atilde;o <i>&#952;</i>(<i>p</i>), a probabilidade de percola&ccedil;&atilde;o, como:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11for01.jpg"></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como definida acima, a fun&ccedil;&atilde;o <i>&#952;</i>(<i>p</i>) indica a probabilidade do aglomerado da origem ter tamanho infinito quando cada elo est&aacute; aberto com probabilidade <i>p</i>. Podemos observar imediatamente que <i>&#952;</i>(0) = 0 e <i>&#952;</i>(1) = 1; al&eacute;m disso, &eacute; intuitivo acreditar que a fun&ccedil;&atilde;o <i>&#952;</i>(<i>p</i>) seja mon&oacute;tona n&atilde;o decrescente em <i>p</i>. Esta &uacute;ltima afirma&ccedil;&atilde;o &eacute; verdadeira e sua demonstra&ccedil;&atilde;o pode ser vista no Cap&iacute;tulo 1 de &#91;8&#93;, que &eacute; um texto cl&aacute;ssico de percola&ccedil;&atilde;o e refer&ecirc;ncia b&aacute;sica para todos aqueles que queiram se iniciar ou aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dada a monotonicidade da fun&ccedil;&atilde;o <i>&#952;</i>(<i>p</i>), &eacute; natural definirmos o ponto cr&iacute;tico do modelo, <i>p</i><sub><i>c</i></sub>, como aquele valor de <i>p</i> em que a fun&ccedil;&atilde;o <i>&#952;</i> deixa de ser zero, isto &eacute;, <i>p</i><sub><i>c</i></sub> = sup{<i>p </i>&#8712; &#91;0, 1&#93;; <i>&#952;</i>(<i>p</i>) = 0}. Observe que o ponto cr&iacute;tico &eacute; uma caracter&iacute;stica do grafo; portanto, se considerarmos nosso grafo como a rede hiperc&uacute;bica <i>d</i>-dimensional, temos que o ponto cr&iacute;tico &eacute; fun&ccedil;&atilde;o da dimens&atilde;o <i>d</i>. Deixamos como exerc&iacute;cio para o leitor verificar que para <i>d </i>= 1 temos que <i>p</i><sub><i>c</i></sub> = 1. O resultado abaixo, provado por Broadbent e Hammersley em &#91;2&#93;, pode ser considerado um marco na teoria matem&aacute;tica da percola&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Teorema 1</b> <i>Considere um modelo de percola&ccedil;&atilde;o de Bernoulli na rede hiperc&uacute;bica d-dimensional com d </i><u>&gt;</u> 2<i>. Ent&atilde;o existe p</i><sub><i>c</i></sub> =<i> p</i><sub><i>c </i></sub>(<i>d</i>) &#8712; (0, 1)<i> tal que: </i></font></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11equ01.jpg"></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O teorema acima nos diz que h&aacute; duas regi&otilde;es bem distintas do intervalo &#91;0,1&#93;. O intervalo &#91;0<i>, p</i><sub><i>c</i></sub>) &eacute; a fase subcr&iacute;tica onde a probabilidade da origem percolar &eacute; zero e o intervalo (<i>p</i><sub><i>c</i></sub>, 1&#93;, a fase supercr&iacute;tica, onde a probabilidade da origem percolar &eacute; estritamente positiva. O teorema nada diz sobre o que ocorre no ponto cr&iacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando <i>d </i>= 2 foi provado por H. Kesten &#91;11&#93; que <i>p</i><sub><i>c</i></sub> = &#189;. De fato a prova deu-se em duas partes e passaram-se vinte anos entre ambas: em &#91;10&#93; T. Harris provou que <i>&#952;</i>(&#189;) = 0 (em particular <i>p</i><sub><i>c </i></sub><u>&gt;</u> &#189;). Em dimens&otilde;es altas, <i>d </i><u>&gt;</u> 19, T. Hara e G. Slade &#91;9&#93; provaram, utilizando a t&eacute;cnica conhecida com expans&atilde;o em la&ccedil;os, que a probabilidade de percola&ccedil;&atilde;o no ponto cr&iacute;tico tamb&eacute;m &eacute; zero. Acredita-se que o mesmo seja v&aacute;lido para todo <i>d </i><u>&gt;</u> 2. Determinar se <i>&#952; (p</i><sub><i>c</i></sub>(<i>d</i>)) = 0 para 3 <u>&lt;</u> <i>d </i><u>&lt;</u> 18 &eacute; um problema ainda em aberto e certamente um dos problemas mais importantes da probabilidade atual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na discuss&atilde;o acima, os estados de elos distintos (aberto ou fechado) representam vari&aacute;veis aleat&oacute;rias independentes. A considera&ccedil;&atilde;o de uma classe importante de medidas mais gerais liga percola&ccedil;&atilde;o a modelos oriundos da mec&acirc;nica estat&iacute;stica. O exemplo mais b&aacute;sico corresponde ao cl&aacute;ssico modelo de Ising na rede quadrada (estende-se a outros grafos e aos chamados modelos de Potts). Daqui at&eacute; o final desta se&ccedil;&atilde;o, este ser&aacute; sempre o nosso grafo, &#120131;<sup>2</sup>. No modelo de Ising atribui-se a cada v&eacute;rtice <i>x</i> uma vari&aacute;vel aleat&oacute;ria <i>&#963;</i><sub><i>x</i></sub> que pode tomar dois valores, +1 ou -1, simulando duas poss&iacute;veis orienta&ccedil;&otilde;es de um spin. Tomando-se uma caixa finita &#923; = &#91;-<i>L, L</i>&#93; &#215; &#91;-<i>L, L</i>&#93; em &#120131;<sup>2</sup> considera-se uma fun&ccedil;&atilde;o energia que favorece o alinhamento de spins: um elo entre vizinhos com mesmo spin contribui com -1 para a energia; caso contr&aacute;rio, contribui com +1. A energia <i>H</i><sub>&#923;</sub>(<i>&#963;</i>) fica ent&atilde;o 2<i>n</i>(<i>&#963;</i>)-<i>N</i><sub>&#923;</sub>, onde <i>n</i>(<i>&#963;</i>) &eacute; o n&uacute;mero de elos que conectam v&eacute;rtices com spins distintos e <i>N</i><sub>&#923;</sub> &eacute; uma constante, simplesmente o n&uacute;mero total de elos no grafo restrito a &#923; (irrelevante na defini&ccedil;&atilde;o abaixo). Define-se uma medida de probabilidade no conjunto de todas as configura&ccedil;&otilde;es de spins na caixa &#923;</font></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11equ02.jpg"></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">onde </font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&gt; 0 representa o inverso da temperatura e <i>Z</i>(</font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, &#923;) &eacute; a constante de normaliza&ccedil;&atilde;o para que os pesos somem 1. Note que valores grandes de </font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">(baixas temperaturas) favorecem as configura&ccedil;&otilde;es de menor energia, ao passo que para valores altos da temperatura (</font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">pequeno), a entropia tem um papel mais importante, fazendo com que a medida tenda a ficar mais pr&oacute;xima de uma medida uniforme no conjunto de todas as configura&ccedil;&otilde;es. Esse jogo entre energia e entropia determina a exist&ecirc;ncia de uma temperatura cr&iacute;tica, que pode ser caracterizada da seguinte forma no caso do modelo de Ising: coloca-se uma condi&ccedil;&atilde;o externa constante e.g. toma-se <i>&#963;</i><sub><i>x</i></sub>=+1 para todo <i>x</i> na fronteira da caixa &#923; e seja &#181;<sub>&#923;</sub><sup>+</sup> a medida assim obtida. Existe um valor cr&iacute;tico </font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub><i>c</i></sub> tal que o valor m&eacute;dio de <i>&#963;</i><sub>0</sub> na origem tende a zero quando <i>L</i> tende a infinito se </font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&lt; </font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub><i>c</i></sub>, e tende a um valor positivo <i>m</i><sup>+</sup> (</font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) se </font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&gt; </font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub><i>c</i></sub>. Em outras palavras, existe uma mem&oacute;ria de longo alcance (o spin na origem lembra o que h&aacute; na fronteira cada vez mais distante) abaixo da temperatura cr&iacute;tica. Uma vers&atilde;o disto se aplica tamb&eacute;m quando <i>&#963;</i><sub><i>x</i></sub> toma valores em {1, 2, ..., <i>q</i>}, <i>q </i><u>&gt;</u> 2 inteiro, o que &eacute; conhecido como modelo de Potts.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A transi&ccedil;&atilde;o de fase no modelo de Ising tamb&eacute;m pode ser formulada ignorando condi&ccedil;&otilde;es externas, mas acrescentando um termo do tipo <i>h </i>&#931; <i>&#963;</i><sub><i>x</i></sub> &agrave; energia, onde <i>h</i> representa um campo magn&eacute;tico e a soma &eacute; sobre <i>x </i>&#8712; &#923;. Da mesma forma, quando a temperatura 1/ </font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">estiver abaixo de 1/ </font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub><i>c</i></sub> observa-se uma "magnetiza&ccedil;&atilde;o espont&acirc;nea", ou seja, o valor m&eacute;dio do spin na origem no limite <i>L </i>&#8594; &#8734; &eacute; uma fun&ccedil;&atilde;o <i>m</i>(</font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">,<i>h</i>) que tende a <i>m</i><sup>+</sup>(</font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) (-<i>m</i><sup>+</sup>(</font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">)) quando <i>h</i> tende a zero por valores positivos (negativos, respectivamente). A exist&ecirc;ncia de </font><i>&#946;</i><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub><i>c</i></sub> (finito e positivo) foi inicialmente obtida por R. Peierls &#91;15&#93;, sendo que L. Onsager &#91;14&#93; determinou o valor exato para o modelo de Ising. Onsager provou ademais que na temperatura cr&iacute;tica o valor m&eacute;dio, sob &#181;<sub>&#923;</sub><sup>+</sup>, do spin na origem tende a zero quando o volume cresce, i.e. <i>L </i>&#8594; &#8734;. Isto sem d&uacute;vida nos remete ao resultado de Harris-Kesten, e seria natural buscar pela rela&ccedil;&atilde;o entre os dois. Para isso precisamos olhar os modelos de forma mais geral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">C. M. Fortuin e P. W. Kasteleyn &#91;6&#93; introduziram, no final dos anos 1960, uma classe de medidas de percola&ccedil;&atilde;o que generalizam as medidas &#8473;<sub><i>p</i></sub> consideradas anteriormente. Dependem de dois par&acirc;metros: <i>p</i> como antes e <i>q </i>&#8712; (0, +&#8734;). Para <i>p, q</i> fixados, e restrita a um volume finito &#923; a probabilidade de uma configura&ccedil;&atilde;o de elos </font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#8712; {0, 1}<sup>&#120124;(&#923;)</sup> &eacute; dada por</font></p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11equ03.jpg"></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">onde <i>a</i>(</font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) (<i>f</i>(</font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">)) representa o n&uacute;mero de elos abertos (fechados), <i>c</i>(</font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) representa o n&uacute;mero de aglomerados (ou componentes conexas) de </font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, e <i>Z =Z </i>(&#923;, <i>p, q</i>) &eacute; novamente a constante de normaliza&ccedil;&atilde;o. O par&acirc;metro <i>q</i> introduz uma depend&ecirc;ncia de longo alcance. Consideraremos apenas o caso <i>q </i><u>&gt;</u> 1. Quando <i>q </i>= 1 temos simplesmente &#8473;<sub><i>p</i></sub>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se <i>q </i>= 2 e <i>p </i>= 1 - <i>e </i></font><sup>-<i>&#946;</i></sup><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">podemos associar uma configura&ccedil;&atilde;o de spins atribuindo o mesmo spin <i>&#963;</i><sub><i>x</i></sub> para todos os v&eacute;rtices <i>x</i> em cada dado aglomerado de </font>&#969;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, com probabilidade 1/2 e independente ao variarmos os aglomerados. Com isto recupera-se o modelo de Ising nos spins &#91;5&#93;. Para considerar condi&ccedil;&otilde;es externas constantes nos spins, podemos pensar que todos os elos com pelo menos um v&eacute;rtice fora de &#923; estejam abertos e nesta componente infinita os spins sejam todos iguais &agrave; condi&ccedil;&atilde;o externa (+1 ou -1). Em &#120131;<sup>2</sup>, estendendo a nota&ccedil;&atilde;o acima, tem-se ainda <i>&#952;</i>(<i>p</i><sub><i>c</i></sub>(2), 2) = 0, o que corresponde &agrave; unicidade da medida na temperatura cr&iacute;tica, como provada por Onsager; o valor <i>p</i><sub><i>c</i></sub>(<i>q</i>)= <img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11car01.jpg" align="absmiddle"> determina a temperatura cr&iacute;tica para o modelo de Potts em &#120131;<sup>2</sup>. A rela&ccedil;&atilde;o entre a percola&ccedil;&atilde;o de Fortuin- Kasteleyn e o correspondente modelo de spins (Ising/Potts) tem sido muito explorada em pesquisa recente, especialmente no caso planar, com resultados importantes, confirmando outra conjectura famosa, devida a R.J. Baxter: <i>&#952;</i>(<i>p</i><sub><i>c</i></sub>(<i>q</i>);<i> q</i>) = 0 vale para <i>q </i><u>&lt;</u> 4 (&#91;3&#93; e refer&ecirc;ncias) ao passo que para <i>q </i>&gt; 4 a transi&ccedil;&atilde;o de fase &eacute; descont&iacute;nua, i.e. <i>&#952;</i>(<i>p</i><sub><i>c</i></sub>(<i>q</i>)<i>, q</i>) &gt; 0 &#91;4&#93;. Conjectura-se resultado an&aacute;logo para dimens&otilde;es maiores, com uma fun&ccedil;&atilde;o <i>Q</i>(<i>d</i>) no lugar de <i>q </i>= 4 acima.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PERCOLA&Ccedil;&Atilde;O EM OUTRAS QUEST&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diremos que um par (</font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) de sequ&ecirc;ncias bin&aacute;rias </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">= (</font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub>1</sub>, </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub>2</sub>, ...) e </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">= (</font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub>1</sub>, </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub>2</sub>, ... ) &eacute; compat&iacute;vel se for poss&iacute;vel extrair uns de </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">e zeros de </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">de modo que sobrem duas sequ&ecirc;ncias infinitas id&ecirc;nticas. F&aacute;cil dar exemplos de pares compat&iacute;veis bem como de pares incompat&iacute;veis: </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">= 1 fica evidentemente compat&iacute;vel com qualquer sequ&ecirc;ncia </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">que tiver infinitos uns. Motivado por quest&otilde;es oriundas de agendamento em computa&ccedil;&atilde;o, P. Winkler &#91;16&#93; formulou o seguinte problema: supondo que </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub><i>n</i></sub> e </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub><i>m</i></sub> sejam todas vari&aacute;veis aleat&oacute;rias independentes, sendo que </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub><i>n</i></sub> (</font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub><i>n</i></sub>) vale 1 com probabilidade <i>q</i> (<i>p</i>) e vale 0 com probabilidade 1 - <i>q</i> (1 - <i>p</i>, respectivamente), podemos encontrar 0 &lt; <i>q, p </i>&lt; 1 de modo que o par seja compat&iacute;vel com probabilidade positiva? Trata-se pois da medida de probabilidade &#8473;<sub><i>q </i></sub>&#215; &#8473;<sub><i>p</i></sub> em {0, 1}<sup>&#8469;</sup> x {0, 1}<sup>&#8469;</sup> e pergunta-se se o conjunto dos pares compat&iacute;veis (</font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) tem probabilidade positiva. Espera-se uma resposta afirmativa se <i>q</i> pr&oacute;ximo a 1 e <i>p</i> pr&oacute;ximo a zero. Isto foi provado em &#91;7&#93; e &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cabe perguntar se podemos construir uma sequ&ecirc;ncia </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">com densidade positiva de zeros, e que seja compat&iacute;vel com um conjunto de probabilidade positiva para &#8473;<sub><i>p</i></sub> (o que chamamos <i>p</i>-compat&iacute;vel). Uma resposta abstrata decorre do resultado acima (pelo teorema de Fubini), mas ainda cabe perguntar se podemos construir uma tal sequ&ecirc;ncia explicitamente. Uma resposta parcial foi dada em &#91;13&#93;, onde se constr&oacute;i uma sequ&ecirc;ncia com muitos zeros em um sentido mais fraco (dimens&atilde;o de Hausdorff) que &eacute; <i>p</i>-compat&iacute;vel. Interessa salientar aqui que o problema pode ser visto como uma quest&atilde;o de percola&ccedil;&atilde;o, ou seja, a exist&ecirc;ncia de um caminho infinito aberto, a partir de um dado v&eacute;rtice. H&aacute; duas diferen&ccedil;as fundamentais em rela&ccedil;&atilde;o ao que tratamos antes: (i) mais natural pensar que agora s&atilde;o os v&eacute;rtices (em vez dos elos) que podem estar abertos ou fechados, e ademais os caminhos devem agora ser orientados em algum sentido, pois precisamos percorrer as sequ&ecirc;ncias na ordem dada; (ii) as vari&aacute;veis em uma mesma coluna s&atilde;o extremanente dependentes, em contraste com o exemplo discutido inicialmente. De fato a constru&ccedil;&atilde;o &eacute; feita em &#120141; = {0, 1, 2 ...}<sup>2</sup>, ap&oacute;s convenientemente utilizar uma transforma&ccedil;&atilde;o, </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11car02.jpg" align="absmiddle"> , </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11car03.jpg" align="absmiddle">, das sequ&ecirc;ncias bin&aacute;rias </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">que supomos terem infinitos zeros e infinitos uns. As coordenadas de </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11car02.jpg" align="absmiddle"> e </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11car03.jpg" align="absmiddle"> s&atilde;o os sucessivos comprimentos das filas de uns entre dois zeros sucessivos em </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">. Um v&eacute;rtice (<i>u, v</i>) ser&aacute; declarado aberto se </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11car02.jpg" align="absmiddle"> <sub><i>u</i></sub><u>&gt;</u> </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11car03.jpg" align="absmiddle"> <sub><i>v</i></sub>, de onde vemos a depend&ecirc;ncia em cada coluna. A <a href="#fig2">Figura 2</a> ilustra com simula&ccedil;&otilde;es correspondentes a (</font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, </font>&#958;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">) Bernoulli.</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a11fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; v&aacute;rias quest&otilde;es envolvendo sequ&ecirc;ncias aleat&oacute;rias que podem ser colocadas dessa forma. N&atilde;o vamos entrar nos detalhes do exemplo. O que pudemos fazer com este m&eacute;todo foi: para cada &#120598; &gt; 0 constru&iacute;mos uma sequ&ecirc;ncia </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub>&#120598;</sub> cujo conjunto de zeros &eacute; um fractal de dimens&atilde;o de Hausdorff pelo menos 1- &#120598; e para o qual podemos tomar <i>p</i><sub>&#120598;</sub> &gt; 0 de modo que </font>&#951;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sub>&#120598;</sub> ser&aacute; <i>p</i>-compat&iacute;vel, para todo <i>p </i>&gt; <i>p</i><sub>&#120598;</sub>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Basu, R.; Sly, A. "Lipschitz embeddings of random sequences". <i>Probab. Theory Relat. Fields</i> 159, 721-775, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Broadbent, S. R. and Hammersley, J. M. "Percolation process I. Cristals and mazes". <i>Proceedings of the Cambridge Philosophical Society</i> 53, 629-641, 1957.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Duminil-Copin, H. "Parafermionic observables and their applications to planar statistical physics models", <i>Ensaios Matem&aacute;ticos</i> 25, Brazilian Mathematical Society, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Duminil-Copin, H.; Gagnebin, M.; Harel; M.; Manolescu, I.; Tassion, V. "Discontinuity of the phase transition for the planar random-cluster and Potts models with <i>q</i>&gt;4". arXiv:1611.09877.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Edwards, R. G. and Sokal A. D. "Generalization of the Fortuin-Kasteleyn-Swendsen-Wang representation and Monte Carlo algorithm". <i>Phys. Rev D.</i> 38, 2009-2012, 1988.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Fortuin, C. M. and Kasteleyn, P.W. "On the random cluster model I. Introduction and relation to other models". <i>Physica</i> 57, 536-564, 1972.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. G&aacute;cs, P. "Compatible sequences and a slow Winkler percolation". <i>Combin. Probab. Comput.</i> 6, 815-856, 2004.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Grimmett, G. R. <i>Percolation</i>, 2nd edition. Springer-Verlag, Berlin, 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Hara, T. and Slade, G. "Mean field critical behavior for percolation in high dimentions". <i>Communications in Mathmatical Physics</i> 128, 333-391, 1990.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Harris, T.E. "A lower bound for the critical probability in a certain percolation process". <i>Proc. Cam. Philos. Soc.</i> 56, 13-20, 1960.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Kesten, H. "The critical probability of bond percolation on the square lattice equals 1/2". <i>Communications in Mathmatical Physics</i> 74, 41-59, 1980.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Kesten, H. <i>Percolation theory for mathematicians</i>. Birkh&auml;user, Boston, 1982.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Kesten, H.; de Lima, B. N. B.; Sidoravicius, V.; Vares, M. E. "On the compatibility of binary sequences". <i>Communications on Pure and Applied Mathematics (Print)</i>, 67, 871-905, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Onsager, L. "Crystal statistics. I. A two-dimensional model with an order-disorder transition". <i>Phys. Rev.</i> 65, 117-149, 1944.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Peierls, P. "On Ising's model of ferromagnetism". <i>Math. Proc. Camb. Phil. Soc.</i> 32, 477-481, 1936.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Winkler, P. "Dependent percolation and colliding random walks". <i>Random Structures &amp; Algorithms</i> 16, 58-84, 2000.    </font></p>      ]]></body><back>
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