<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252018000100013</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602018000100013</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Breve panorama da matemática brasileira]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Viana]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marcelo]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="AFF"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AF1">
<institution><![CDATA[,Impa  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<volume>70</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>43</fpage>
<lpage>47</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252018000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252018000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252018000100013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS     <br> MATEM&Aacute;TICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Breve panorama da matem&aacute;tica brasileira</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Marcelo Viana</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Doutorado no Impa</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>HIST&Oacute;RIA SUCINTA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em termos mundiais, o Brasil &eacute; um novato no mundo da ci&ecirc;ncia e, de modo especial, da matem&aacute;tica. Por tr&aacute;s dessa realidade hist&oacute;rica est&aacute;, em larga medida, o desenvolvimento tardio de nosso sistema de universidades e centros de pesquisa. Ao in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, quando finalmente come&ccedil;aram a ser criadas institui&ccedil;&otilde;es como o Instituto Butant&atilde;, a Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, o foco estava em &aacute;reas prementes, tais como sa&uacute;de p&uacute;blica e produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. A matem&aacute;tica estava longe de ser uma prioridade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro semin&aacute;rio de matem&aacute;tica foi organizado em 1935 pela Faculdade de Filosofia, Ci&ecirc;ncias e Letras (FLCL) da rec&eacute;m-criada Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). A FLCL-USP tamb&eacute;m criou um peri&oacute;dico matem&aacute;tico e, nas d&eacute;cadas de 1940 e 1950, contratou por per&iacute;odos de 1 - 2 anos diversos matem&aacute;ticos estrangeiros de renome, tais como Andr&eacute; Weil, Oscar Zariski, Jean Dieudonn&eacute; e Alexander Grothendieck.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No plano nacional, o ano de 1951 constitui um marco fundamental, com a cria&ccedil;&atilde;o das duas principais ag&ecirc;ncias federais de fomento, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico) e a Capes (Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior). A partir da&iacute; o ritmo de desenvolvimento mudou radicalmente. O Instituto de Matem&aacute;tica Pura e Aplicada (Impa) foi criado pelo CNPq no ano seguinte, e o Brasil aderiu &agrave; Uni&atilde;o Matem&aacute;tica Internacional (IMU) em 1954. Al&eacute;m disso, em 1957 o Impa deu in&iacute;cio &agrave; s&eacute;rie bienal de Col&oacute;quios Brasileiros de Matem&aacute;tica, em torno dos quais se construiu boa parte da matem&aacute;tica brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1962, Leopoldo Nachbin tornou-se o primeiro brasileiro convidado a dar uma palestra no Congresso Internacional de Matem&aacute;ticos (ICM), em Estocolmo, Su&eacute;cia. Foi seguido por Mauricio Peixoto no ICM 1974, em Vancouver, Canad&aacute;. A Sociedade Brasileira de Matem&aacute;tica foi criada em 1969, por ocasi&atilde;o do 7º Col&oacute;quio Brasileiro de Matem&aacute;tica e atualmente representa o pa&iacute;s na IMU e na Uni&atilde;o Matem&aacute;tica da Am&eacute;rica Latina e do Caribe (Umalca), al&eacute;m de ser membro fundador do Conselho de Matem&aacute;tica das Am&eacute;ricas (MCofA).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentro da estrutura da IMU, o Brasil foi promovido ao Grupo II em 1978, ao Grupo III em 1981 e, mais recentemente, em 2005, ao Grupo IV. Durante esse tempo, matem&aacute;ticos brasileiros v&ecirc;m dando contribui&ccedil;&otilde;es muito significativas ao funcionamento da Uni&atilde;o. Jacob Palis (Impa) foi membro do comit&ecirc; executivo durante 24 anos, sendo oito como secret&aacute;rio geral (1991-1998) e quatro como presidente (1999-2002). Paulo Cordaro (USP) foi membro da comiss&atilde;o de desenvolvimento e interc&acirc;mbio em 2007-2010. Marcelo Viana (Impa) foi membro do comit&ecirc; executivo durante oito anos, quatro deles como vice-presidente (2011-2014).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2014, Artur Avila, pesquisador e estudante egresso do Impa, ganhou a medalha Fields, considerada a premia&ccedil;&atilde;o mais prestigiosa da matem&aacute;tica. Trata-se do primeiro laureado que n&atilde;o s&oacute; nasceu e cresceu como recebeu toda a sua forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica, at&eacute; o doutorado, em um pa&iacute;s em desenvolvimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse mesmo ano de 2014 o Brasil foi distinguido com o direito de organizar  a Olimp&iacute;ada Internacional de Matem&aacute;tica, IMO 2017, que aconteceu de 12 a 23 de julho do ano passado, no Rio de Janeiro; e tamb&eacute;m o Congresso Internacional de Matem&aacute;ticos, ICM 2018, que acontecer&aacute; na mesma cidade, de 1 a 9 de agosto de 2018.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>&Aacute;REAS DE PESQUISA E DISTRIBUI&Ccedil;&Atilde;O GEOGR&Aacute;FICA</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os primeiros campos de pesquisa em matem&aacute;tica desenvolvidos no Brasil foram os de an&aacute;lise e de sistemas din&acirc;micos. Seguiram-se, logo depois, a geometria diferencial e o c&aacute;lculo das varia&ccedil;&otilde;es, levando naturalmente a equa&ccedil;&otilde;es diferenciais parciais, &aacute;lgebra e geometria alg&eacute;brica. Em seguida, desenvolveram-se a estat&iacute;stica, a teoria do controle, a otimiza&ccedil;&atilde;o e a teoria da probabilidade, tornando-se &aacute;reas importantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Campos mais recentes incluem a matem&aacute;tica discreta, especialmente combinat&oacute;ria, e v&aacute;rias &aacute;reas aplicadas: an&aacute;lise num&eacute;rica, din&acirc;mica dos fluidos, vis&atilde;o computacional e problemas inversos, para mencionar apenas algumas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre os desenvolvimentos bastante recentes mais interessantes, deve-se destacar o surgimento de uma nova gera&ccedil;&atilde;o de matem&aacute;ticos que trabalham em tend&ecirc;ncias modernas de geometria (simpl&eacute;tica, complexa etc.), &aacute;lgebra (n&atilde;o-comutativa, n&atilde;o associativa etc.) e matem&aacute;tica discreta, bem como a cria&ccedil;&atilde;o de grupos de pesquisa consider&aacute;veis &#8203;&#8203;em &aacute;lgebras de operadores, teoria de Lie e certas &aacute;reas da f&iacute;sica matem&aacute;tica, incluindo a teoria de calibre e a teoria das cordas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Impa, juntamente com as universidades estaduais de S&atilde;o Paulo e Campinas, as universidades federais do Rio de Janeiro, Bras&iacute;lia e Cear&aacute; e a Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro, s&atilde;o considerados os principais centros de pesquisa em matem&aacute;tica. Grupos de pesquisa de alto perfil tamb&eacute;m existem nas universidades federais de Minas Gerais, Pernambuco, S&atilde;o Carlos e Niter&oacute;i.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a13fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Especialmente desde o final da d&eacute;cada de 1990, foram criados grupos menores, mas muito produtivos, nas universidades federais do Amazonas, Par&aacute;, Para&iacute;ba, Campina Grande, Alagoas, Bahia, Goi&aacute;s, ABC, Paran&aacute;, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, al&eacute;m da Universidade Estadual de Maring&aacute;. Todas essas institui&ccedil;&otilde;es oferecem cursos de doutorado em matem&aacute;tica ou estat&iacute;stica para estudantes brasileiros e estrangeiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos concluir, assim, que a pesquisa em matem&aacute;tica atualmente encontra-se bem distribu&iacute;da no territ&oacute;rio brasileiro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VOLUME E QUALIDADE DAS PUBLICA&Ccedil;&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2016, autores trabalhando no Brasil produziram um total de 2349 artigos de pesquisa na &aacute;rea da matem&aacute;tica, passando de 253 em 1986, 530 em 1996 a 1155 em 2006.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma consequ&ecirc;ncia importante desse crescimento &eacute; o fato da contribui&ccedil;&atilde;o brasileira para a produ&ccedil;&atilde;o mundial de matem&aacute;tica estar aumentando rapidamente, tanto em termos absolutos como em termos percentuais. Por exemplo, em 2005, quando o Brasil passou para o Grupo IV da IMU, o pa&iacute;s representava 1,43% da produ&ccedil;&atilde;o mundial em matem&aacute;tica (1043 artigos). At&eacute; 2016, esse n&uacute;mero cresceu para 2,35% (2076 artigos). Como compara&ccedil;&atilde;o, tanto o produto interno bruto (PIB) quanto a popula&ccedil;&atilde;o do Brasil representam cerca de 2,9% dos totais correspondentes do mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De um ponto de vista mais qualitativo, trabalhos de pesquisa de matem&aacute;ticos brasileiros aparecem regularmente na maioria dos principais peri&oacute;dicos internacionais (ver <a href="/img/revistas/cic/v70n1/a13tab01.jpg">Tabela 1</a>). De fato, n&atilde;o s&oacute; o n&uacute;mero dessas publica&ccedil;&otilde;es aumentou substancialmente ao longo das duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, mas a lista e os perfis de peri&oacute;dicos de alto n&iacute;vel nos quais autores brasileiros publicam regularmente tamb&eacute;m est&atilde;o se ampliando, refletindo a crescente diversidade da matem&aacute;tica produzida no pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n1/a13tab01.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a13tab01thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tabela 1 - Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse aumento de qualidade se refletiu tamb&eacute;m na crescente presen&ccedil;a de convidados brasileiros nos congressos internacionais de matem&aacute;ticos, seja como palestrante convidado ou como plenarista:</font></p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ICM 1962: Leopoldo Nachbin</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ICM 1974: Mauricio Peixoto</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ICM 1978: Manfredo do Carmo e Jacob J. Palis</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ICM 1982: P. Schweitzer</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ICM 1986: Ricardo Ma&ntilde;&eacute;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ICM 1990: C&eacute;sar Camacho</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ICM 1994: Ricardo Ma&ntilde;&eacute; e Marcelo Viana</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ICM 1998: Marcelo Viana (plenarista) e Wellington de Melo</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ICM 2002: Enrique Pujals</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ICM 2010: Artur Avila (plenarista) e Fernando Cod&aacute; Marques</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ICM 2014: Fernando Cod&aacute; Marques (plenarista), Belolipetsky, Carlos Gustavo Moreira e Vladas Sidoravicius.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ICM 2018: Carlos Gustavo Moreira (plenarista), Carolina Ara&uacute;jo, Ruy Exel, Vyacheslav Futorny, Lorenzo J. D&iacute;az, Umberto Hryniewicz, Andr&eacute;s Koropecki, Claudio Landim, Helena Lopes, Robert Morris, Tatiana Roque, Claudia Sagastiz&aacute;bal e Pedro Salom&atilde;o</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, matem&aacute;ticos brasileiros t&ecirc;m sido prestigiados com pr&ecirc;mios internacionais de primeira import&acirc;ncia, incluindo, em 2010, o Balzan Prize (Balzan Foundation, It&aacute;lia) para Jacob Palis e, em 2016, o Grand Prix Scientifique Louis D. (Institut de France) para Marcelo Viana. Destacam-se, ainda, o Ramanujan Prize (da IMU e ICTP) que foi dado a matem&aacute;ticos brasileiros quatro vezes: Marcelo Viana (2005), Enrique Pujals (2008), Fernando Cod&aacute; Marques (2012) e Eduardo Teixeira (2017).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>P&Oacute;S-GRADUA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em matem&aacute;tica foi criado no Impa em 1962. No final dessa d&eacute;cada, os programas de doutorado ainda eram escassos e concentrados no Rio de Janeiro e em S&atilde;o Paulo, com alguns programas de mestrado espalhados por outras cidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de um in&iacute;cio lento, o sistema cresceu de forma constante, de modo que, na virada do s&eacute;culo, existiam programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em matem&aacute;tica nas cinco regi&otilde;es geogr&aacute;ficas do Brasil. Desde ent&atilde;o, v&aacute;rios desses programas passaram a ter tamb&eacute;m doutorado e o sistema como um todo mais do que duplicou de tamanho (<a href="/img/revistas/cic/v70n1/a13gra03.jpg">Gr&aacute;fico 3</a>). Atualmente, existem 58 mestrados e 30 programas de doutorado em matem&aacute;tica, probabilidade e estat&iacute;stica no pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n1/a13gra01.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a13gra01thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gr&aacute;fico 1 - Clique para ampliar</font></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n1/a13gra02.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a13gra02thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gr&aacute;fico 2 - Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n1/a13gra03.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a13gra03thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gr&aacute;fico 3 - Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Historicamente, a grande maioria dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o foi concebida para o meio acad&ecirc;mico, ou seja, para a forma&ccedil;&atilde;o de professores universit&aacute;rios e pesquisadores. Essa tend&ecirc;ncia come&ccedil;ou a mudar na d&eacute;cada de 1990, com a cria&ccedil;&atilde;o de programas chamados "profissionais", cujo objetivo &eacute; qualificar recursos humanos para trabalhar em ambientes n&atilde;o necessariamente acad&ecirc;micos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atualmente, existem seis programas de mestrado profissional em matem&aacute;tica, em &aacute;reas como matem&aacute;tica industrial, m&eacute;todos matem&aacute;ticos em finan&ccedil;as e treinamento de professores. Entre esses &uacute;ltimos, a rede nacional Profmat acolhe cerca de 1.600 novos estudantes a cada ano, em cerca de 100 campi em todos os estados brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deve-se notar tamb&eacute;m que o n&uacute;mero total de alunos em programas de doutoramento em matem&aacute;tica duplicou na &uacute;ltima d&eacute;cada, de modo que, at&eacute; 2013, ultrapassou o n&uacute;mero de alunos em programas de mestrado acad&ecirc;mico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O n&uacute;mero de alunos matriculados em programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em matem&aacute;tica, probabilidade e estat&iacute;stica tamb&eacute;m vem aumentando (o Profmat n&atilde;o est&aacute; inclu&iacute;do). Em 2016, havia 1373 estudantes de doutorado, em compara&ccedil;&atilde;o com 677 em 2007. O n&uacute;mero de estudantes de mestrado cresceu mais devagar: 1138 em 2016, e 901 em 2007.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Agora, em 2018, o Brasil acaba de ascender ao grupo de elite (Grupo V) da IMU, a que pertencem as principais pot&ecirc;ncias mundiais na matem&aacute;tica. A decis&atilde;o, tomada mediante vota&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses membros da Uni&atilde;o, &eacute; mais uma demonstra&ccedil;&atilde;o contundente do extraordin&aacute;rio progresso alcan&ccedil;ado pela pesquisa matem&aacute;tica no pa&iacute;s em pouco mais de seis d&eacute;cadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso significa que novos desafios se colocam, &agrave; escala da import&acirc;ncia que o pa&iacute;s adquiriu no cen&aacute;rio internacional da &aacute;rea. Como transferir esse &ecirc;xito para a pr&aacute;tica do ensino da matem&aacute;tica nas nossas escolas? Como elevar ainda mais a pesquisa no pa&iacute;s, aumentando <a href="/img/revistas/cic/v70n1/a13gra04.jpg">Gr&aacute;fico 4</a> – N&uacute;mero de alunos de doutorado em matem&aacute;tica no Brasil (fonte: Capes) ao mesmo tempo o seu escopo tem&aacute;tico? Como melhorar a imagem da matem&aacute;tica na nossa popula&ccedil;&atilde;o e colocar em valor a sua import&acirc;ncia para o desenvolvimento do pa&iacute;s? Como disseminar o conhecimento e o gosto pela matem&aacute;tica na nossa sociedade?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n1/a13gra04.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a13gra04thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Gr&aacute;fico 4 - Clique para ampliar</font></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A iniciativa do Bi&ecirc;nio da Matem&aacute;tica 2017-2018, constru&iacute;da a partir da circunst&acirc;ncia hist&oacute;ria da realiza&ccedil;&atilde;o no nosso pa&iacute;s da IMO 2017 e do ICM 2018, busca dar in&iacute;cio a um grande esfor&ccedil;o para responder a essas quest&otilde;es, conscientizando a comunidade acad&ecirc;mica para a necessidade de se envolver ativamente nelas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Marcelo Viana</b> nasceu no Rio de Janeiro e cresceu em Portugal, onde realizou seus estudos at&eacute; a gradua&ccedil;&atilde;o. Voltou ao Brasil para fazer o doutorado no Impa, institui&ccedil;&atilde;o onde se tornou pesquisador e que atualmente dirige. Trabalha em sistemas din&acirc;micos e teoria erg&oacute;dica. Preside o comit&ecirc; organizador do ICM 2018. Com seus filhos (7 e 10), est&aacute; redescobrindo a matem&aacute;tica de um novo &acirc;ngulo.</i></font></p>      ]]></body>

</article>
