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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> ENSAIOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A Amaz&ocirc;nia no antropoceno</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ima C&eacute;lia Guimar&atilde;es Vieira<sup>I</sup>; Peter Mann de Toledo<sup>II</sup>; Hor&aacute;cio Higuchi<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>PhD em ecologia, pesquisadora do Museu Paraense Emilio Goeldi-MPEG/MCTIC. <a href="mailto:ima@museu-goeldi.br">ima@museu-goeldi.br</a>    <br> <sup>II</sup>PhD em geologia, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais-Inpe/MCTIC    <br> <sup>III</sup>PhD em biologia evolutiva e de organismos, pesquisador do Museu Paraense Emilio Goeldi/MCTIC</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde que surgiu na Terra, h&aacute; pelo menos duzentos mil anos (1), o homem moderno vem alterando o mundo continuamente para adequ&aacute;-lo &agrave;s suas necessidades. As mudan&ccedil;as irrevers&iacute;veis que o homem impingiu a um mundo din&acirc;mico de quatro bilh&otilde;es e meio de anos, cujo passado de transforma&ccedil;&otilde;es e renova&ccedil;&otilde;es radicais se devia apenas a fatores e processos naturais de longa dura&ccedil;&atilde;o ou efeito, agora fizeram-no reconhecer sua pr&oacute;pria import&acirc;ncia como fundador de uma nova &eacute;poca geol&oacute;gica: o Antropoceno.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o h&aacute; unanimidade entre os cientistas sobre quando teria come&ccedil;ado o Antropoceno, ou mesmo se essa terminologia &eacute; tecnicamente v&aacute;lida sob a vis&atilde;o da escala temporal da geologia hist&oacute;rica. J&aacute; se prop&ocirc;s iniciar essa &eacute;poca praticamente junto com o Holoceno (tornando-o redundante com uma idade j&aacute; formalmente reconhecida); no per&iacute;odo das grandes navega&ccedil;&otilde;es do final do s&eacute;culo XV; no advento da revolu&ccedil;&atilde;o industrial, trezentos anos mais tarde. No final de julho de 2016, um grupo de trabalho sob os ausp&iacute;cios da Comiss&atilde;o Internacional de Estratigrafia recomendou o evento chamado de Grande Acelera&ccedil;&atilde;o como o come&ccedil;o do Antropoceno, considerando como marco inicial a dispers&atilde;o por todo o planeta dos res&iacute;duos radiativos das detona&ccedil;&otilde;es de artefatos nucleares, pouco ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial (2). Outros candidatos a marcadores com efeitos planet&aacute;rios inclu&iacute;am a profus&atilde;o de pl&aacute;stico industrial, a contamina&ccedil;&atilde;o dos solos por fertilizantes de nitrog&ecirc;nio e a cria&ccedil;&atilde;o em massa da galinha, cujos restos f&oacute;sseis seriam encontrados em todas as escava&ccedil;&otilde;es paleontol&oacute;gicas do futuro (2,3).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assimilar o conceito do Antropoceno como uma &eacute;poca geol&oacute;gica, nos remete a uma an&aacute;lise e compreens&atilde;o temporal que vai muito al&eacute;m de nossas gera&ccedil;&otilde;es mais pr&oacute;ximas, ou mesmo do per&iacute;odo inicial do surgimento das civiliza&ccedil;&otilde;es modernas. Como ponto de reflex&atilde;o, Stager (4) aponta que, pelos processos naturais, o excedente de gases de efeito-estufa emitidos pela queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, carv&atilde;o e florestas, particularmente o di&oacute;xido de carbono, levar&aacute; 100 mil anos para sua completa assimila&ccedil;&atilde;o na geosfera. Estes &iacute;ndices na atmosfera ir&atilde;o modificar padr&otilde;es clim&aacute;ticos alterando, por exemplo, a extens&atilde;o e intensidade do pr&oacute;ximo per&iacute;odo glacial. Ao se entender que estamos na fase final de um per&iacute;odo interglacial, que come&ccedil;ou h&aacute; dez mil anos, e que nos pr&oacute;ximos mil&ecirc;nios deveremos enfrentar outra mudan&ccedil;a de estado do sistema clim&aacute;tico, torna-se necess&aacute;rio compreender a dimens&atilde;o dessas altera&ccedil;&otilde;es no planeta e suas consequ&ecirc;ncias neste per&iacute;odo de crise ambiental (5).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cabe &agrave; humanidade escolher os caminhos a seguir, uma vez que a ci&ecirc;ncia j&aacute; demonstrou o alcance de nossa influ&ecirc;ncia na Terra.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A AMAZ&Ocirc;NIA EM TRANSFORMA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Amaz&ocirc;nia brasileira, no &acirc;mbito do Antropoceno, atividades humanas t&ecirc;m modificado irreversivelmente v&aacute;rios ecossistemas, em especial a floresta. A mais extensa floresta tropical do mundo &eacute; tamb&eacute;m a mais biodiversa e cont&eacute;m 1/6 de toda a &aacute;gua doce da Terra. Al&eacute;m disso, h&aacute; ali uma grande riqueza de comunidades humanas que souberam aproveitar a enorme produtividade biol&oacute;gica local. Seus usos da terra - colheita, plantio, ca&ccedil;a e pesca - tiveram baixo impacto na integridade da floresta. Mas a partir de meados dos anos 1960, a pol&iacute;tica governamental de ocupa&ccedil;&atilde;o do territ&oacute;rio, oferecendo terras baratas e cr&eacute;dito subsidiado, trouxe &agrave; regi&atilde;o grandes levas de migrantes que promoveram r&aacute;pido desmatamento e degrada&ccedil;&atilde;o florestal nas d&eacute;cadas seguintes (6,7). A popula&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia aumentou cinco vezes entre 1960 e 2010, alcan&ccedil;ando 25 milh&otilde;es em 2010, com proje&ccedil;&atilde;o de 27 milh&otilde;es de pessoas em 2015 (8), no entanto a popula&ccedil;&atilde;o rural era, em 1960, praticamente tr&ecirc;s vezes superior &agrave; popula&ccedil;&atilde;o urbana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Reconhece-se, portanto, que, desde a d&eacute;cada de 1960, o sistema socioecol&oacute;gico amaz&ocirc;nico encontra-se em fase de cont&iacute;nuo dinamismo caracterizado pela transi&ccedil;&atilde;o de diferentes fases - passando de um conjunto de ecossistemas relativamente intocado a um mosaico complexo de diferentes usos da terra. Assim como em outros biomas florestais tropicais, na Amaz&ocirc;nia h&aacute; v&aacute;rios elementos de press&atilde;o e de impacto humano, por&eacute;m reconhece-se como principais o desmatamento em larga escala, a degrada&ccedil;&atilde;o florestal e a expans&atilde;o agr&iacute;cola (9).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desmatamento, isto &eacute;, a "limpeza" de extensos trechos da floresta atrav&eacute;s de corte raso e queima, &eacute; realizado principalmente com a finalidade de transformar a floresta em pasto para cria&ccedil;&atilde;o de gado ou para a monocultura de alguma planta com alto valor de mercado. Tamb&eacute;m &eacute; feito para erguer povoados e vias de acesso. At&eacute; o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1970, o desmatamento da floresta era inferior a 1% do territ&oacute;rio amaz&ocirc;nico e atingiu quase 20% da regi&atilde;o em 2016 (10) - s&atilde;o cerca de 785 mil quil&ocirc;metros quadrados - um territ&oacute;rio maior do que o Maranh&atilde;o, o Piau&iacute; e o Cear&aacute; juntos - de floresta desmatada na Amaz&ocirc;nia, concentrada numa faixa curva (arco do desmatamento) que vai do leste do Par&aacute; at&eacute; o Acre, passando por Mato Grosso e Rond&ocirc;nia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A degrada&ccedil;&atilde;o florestal n&atilde;o &eacute; o mesmo que desmatamento. &Eacute; o empobrecimento progressivo da floresta, um processo destrutivo de longo prazo, que n&atilde;o &eacute; imediatamente observ&aacute;vel em todos os seus efeitos. Vista do alto, uma floresta degradada n&atilde;o parece obviamente afetada como uma floresta desmatada: ainda existe certa cobertura vegetal, mas ela &eacute; fragmentada, com falhas aqui e ali, causadas pelo corte de &aacute;rvores de interesse madeireiro, queimadas intencionais, abertura de trilhas para ca&ccedil;a etc. Muitas &aacute;rvores continuam de p&eacute;, mas a floresta n&atilde;o tem a mesma capacidade que tinha antes de sustentar a vida da fauna e flora que ali ocorrem. Levantamentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) (11) mostram que, de 2007 a 2013, uma m&eacute;dia de 14 mil km<sup>2</sup> (equivalente &agrave; metade da &aacute;rea do estado de Alagoas) foi degradada por ano. Os agentes principais da degrada&ccedil;&atilde;o florestal s&atilde;o a atividade madeireira predat&oacute;ria, que muitas vezes &eacute; desenvolvida de forma ilegal, e as queimadas e inc&ecirc;ndios florestais provocados por atividades humanas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Somando-se &aacute;rea de desmatamento por corte raso e mais a &aacute;rea de degrada&ccedil;&atilde;o florestal, estima-se que cerca de 47% da floresta amaz&ocirc;nica pode ter sido impactada diretamente por atividade humana. Tudo isso tem um impacto na diversidade biol&oacute;gica e cultural da regi&atilde;o. Com a perda de habitats e alimentos e a press&atilde;o da ca&ccedil;a, dezenas de plantas e animais de v&aacute;rios grupos v&ecirc;m sofrendo extin&ccedil;&otilde;es locais: esp&eacute;cies registradas h&aacute; mais de um s&eacute;culo por pesquisadores n&atilde;o s&atilde;o mais encontradas. O &uacute;ltimo levantamento mostra que 183 esp&eacute;cies de animais est&atilde;o amea&ccedil;adas de extin&ccedil;&atilde;o, sendo 122 end&ecirc;micos da regi&atilde;o (12), enquanto as plantas somam 86 esp&eacute;cies amea&ccedil;adas de extin&ccedil;&atilde;o (13). Na regi&atilde;o metropolitana de Bel&eacute;m, 47 esp&eacute;cies de aves desapareceram em 200 anos, das 329 encontrados por naturalistas e cientistas desde o s&eacute;culo XVIII (14). A extin&ccedil;&atilde;o de aves pode significar a perda de servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos e de esp&eacute;cies que regulam a popula&ccedil;&atilde;o de outros animais. Assim, o ambiente fica em desequil&iacute;brio, o que pode gerar um efeito "em cascata". As aves s&atilde;o um dos grupos de animais mais bem estudados no mundo e seu desaparecimento serve tamb&eacute;m como um sinal para a prov&aacute;vel perda de outros vertebrados, plantas e insetos nos remanescentes florestais da Amaz&ocirc;nia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O risco de extin&ccedil;&atilde;o ou de redu&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies devido &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o da floresta pode ser t&atilde;o grande quanto aquele causado pelo desmatamento. No Par&aacute;, estudos recentes (15) mostram que o n&uacute;mero de esp&eacute;cies que desapareceram em florestas degradadas &eacute; maior do que o ocasionado pelo desmatamento de toda a Amaz&ocirc;nia no per&iacute;odo de 2006 a 2015. Por outro lado, quase 1/4 das &aacute;reas alteradas e abandonadas ou postas de lado ap&oacute;s seu uso v&atilde;o se regenerando e podem voltar a sustentar seres vivos, mas de forma diferente da floresta original: as florestas secund&aacute;rias (capoeiras) assim formadas se verificaram capazes de manter parte da biodiversidade e do carbono e podem ter um papel importante para a conserva&ccedil;&atilde;o e para a gera&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos (16). Os dados do projeto Terraclass, desenvolvido pelo Inpe e Embrapa, evidenciam que, em 2014, essas florestas j&aacute; somavam cerca de 165 mil km<sup>2</sup> e s&atilde;o mais abundantes no estado do Par&aacute; (39% de sua &aacute;rea desmatada). Estudos da Rede Internacional de Pesquisa 2ndFOR mostram que, em uma regi&atilde;o onde a floresta densa foi desmatada, as florestas secund&aacute;rias podem levar 30 anos para recompor a biomassa original e 300 anos para igualar a diversidade de esp&eacute;cies de &aacute;rvores que existia no momento da destrui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas a regi&atilde;o amaz&ocirc;nica n&atilde;o &eacute; s&oacute; floresta, rio ou recursos minerais. A presen&ccedil;a do homem ali data de pelo menos treze mil anos, sendo que, pelo menos a partir dos &uacute;ltimos nove mil, ele vem transformando ativamente o ecossistema (17). Trechos de florestas em que predominam umas poucas esp&eacute;cies vegetais trazem ind&iacute;cios de que sejam resultado de interven&ccedil;&atilde;o humana, uma vez que as esp&eacute;cies ali presentes s&atilde;o em geral plantas utilizadas pelo homem para alimenta&ccedil;&atilde;o, constru&ccedil;&atilde;o, vestu&aacute;rio ou uso ritual (18). Os v&aacute;rios grupos sociais que sucederam os primeiros ocupantes n&ocirc;mades da Amaz&ocirc;nia souberam aproveitar a enorme produtividade biol&oacute;gica prim&aacute;ria com a qual desenvolveram m&uacute;ltiplas culturas. Da sele&ccedil;&atilde;o e plantio semissistem&aacute;tico (9 mil anos AP) &agrave; horticultura, plantio ordenado, corte-e-queima e dissemina&ccedil;&atilde;o de cultivos (5 mil anos AP) e, depois, o estabelecimento de n&uacute;cleos habitados e campos cultivados, constru&ccedil;&atilde;o de tesos e ac&uacute;mulo de descarte org&acirc;nico produzindo a "terra preta de &iacute;ndio" (3 mil anos AP), o homem vinha alterando a topografia, o solo e a vegeta&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia de maneira intensa (17,18), mas ainda n&atilde;o avassaladora. Entretanto, com a chegada dos europeus &agrave; regi&atilde;o, suas atividades colonialistas e extrativistas e o uso de meios tecnol&oacute;gicos de alto impacto, a explora&ccedil;&atilde;o dos recursos da floresta acelerou-se e levou &agrave; depauperiza&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e do solo, que atingiu n&iacute;veis cr&iacute;ticos a partir das pol&iacute;ticas desenvolvimentistas de meados dos anos 1960. Alguns grupos sociais que fugiam da opress&atilde;o do desenvolvimento colonialista - ind&iacute;genas, ribeirinhos, quilombolas, seringueiros, balateiros, castanheiros, a&ccedil;aizeiros, buritizeiros - conseguiram, no entanto, preservar partes da floresta com suas pr&aacute;ticas tradicionais, que encontraram eco no movimento ambientalista ocidental e t&ecirc;m contribu&iacute;do para o ordenamento territorial (19).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje, com seus territ&oacute;rios invadidos por madeireiros, grupos ind&iacute;genas e comunidades tradicionais s&atilde;o duramente atingidos pelas atividades transformadoras que devastam a floresta onde e da qual vivem. Com popula&ccedil;&atilde;o reduzida, &agrave;s vezes a um punhado de pessoas, esses grupos correm s&eacute;rio risco de desaparecer e com eles sua l&iacute;ngua, cultura e o conhecimento sobre a regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Novos e contradit&oacute;rios interesses se projetam e reconfiguram a paisagem da Amaz&ocirc;nia. &Eacute; sobre esta regi&atilde;o que se desencadeia todo um conjunto de obras de infraestrutura (portos, rodovias, hidrel&eacute;tricas) que abrem a regi&atilde;o a um novo padr&atilde;o de desenvolvimento, t&atilde;o predat&oacute;rio quanto o que foi desenvolvido na d&eacute;cada de 1970. As obras de infraestrutura previstas (<a href="/img/revistas/cic/v70n1/a15fig01.jpg">Figura 1</a>) entram em conflito com as unidades de conserva&ccedil;&atilde;o e terras ind&iacute;genas, de tal forma que 61% do total das UCs federais e estaduais da Amaz&ocirc;nia t&ecirc;m incid&ecirc;ncia de processos miner&aacute;rios e 57% delas t&ecirc;m trechos rodovi&aacute;rios dentro de seus limites, al&eacute;m de 27 usinas hidrel&eacute;tricas (UHE) e pequenas centrais hidrel&eacute;tricas (PCH) em opera&ccedil;&atilde;o, em constru&ccedil;&atilde;o ou planejadas (20). E, al&eacute;m disso, a legisla&ccedil;&atilde;o ambiental brasileira, vem sofrendo retrocesso de tal sorte que causar&aacute; enorme impacto na paisagem e nas popula&ccedil;&otilde;es locais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n1/a15fig01.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n1/a15fig01thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Figura 1 - Clique para ampliar</font></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, a transforma&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica dos ecossistemas florestais e n&atilde;o florestais da Amaz&ocirc;nia significa a destrui&ccedil;&atilde;o de um imenso patrim&ocirc;nio biol&oacute;gico, social e cultural no Antropoceno. As tend&ecirc;ncias de organiza&ccedil;&atilde;o social e desenvolvimento econ&ocirc;mico da regi&atilde;o refletem as principais amea&ccedil;as &agrave; regi&atilde;o: expans&atilde;o da fronteira agr&iacute;cola, r&aacute;pido crescimento da popula&ccedil;&atilde;o, obras de infraestrutura e ocupa&ccedil;&atilde;o ilegal de terras p&uacute;blicas e privadas. As pol&iacute;ticas de ordenamento do territ&oacute;rio e regulariza&ccedil;&atilde;o das propriedades s&atilde;o insuficientes ou ineficientes e, muitas vezes, acabam em conflitos fundi&aacute;rios. A atividade humana ditar&aacute; o futuro da Amaz&ocirc;nia e o planejamento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas integradas &eacute; crucial &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o desse bioma.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Stringer, C. P. <i>Phil. Trans. R. Soc. B.</i> 371.20150237. 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Steffen, W.; Crutzen, P. J. &amp; McNeill, J. R. <i>Ambio,</i> 36, 8, 614-621. 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Zalasiewicz, J.; Williams, M.; Fortey, R.; Smith, A.; Barry, T.;  Coe, A.; Bown, P.; Rawson, P.; Gale, A.; Gibbard, P.; Gregory, J.; Hounslow, M.; Kerr, A.; Pearson, P.; Knox, R.; Powell, J.; Waters, C.; Marshall, J.; Oates, M.; Stone, <i>P. Phil. Trans. R. Soc. A</i>. 369, 1036-1055. 2011.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Stager, C. 2012. <i>Our future earth: the next 100,000 years of life on the planet</i>. Reino Unido: Duckworth Overlook. 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Palsson, G; Szerszynski, B.; Sorlin, S.; John, M.; Avril, B.; Crumley, C.; Hackmann, H.; Holm, P.; Ingram, J.; Kirman, A.; Buendia, M.;  Weehuizen, R. <i>Environmental Science &amp; Policy</i>, 28, 3-13. 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Becker, B. <i>Amaz&ocirc;nia</i>. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica, 1994.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Fearnside, P.M<i>. Conserv Biol</i>. 19, 680-688. 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.  IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica). 2017. Diretoria de Pesquisas. Dados de 2015 baseado nas proje&ccedil;&otilde;es contidas em <a href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_populacao/2013/default.shtm" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/projecao_da_populacao/2013/default.shtm</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.  Vieira, I. C. G.; Toledo, P. M. de; Silva, J. M .C. da; Higuchi, H. <i>Brazilian Journal of Biology</i>, 68, 631-637. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Prodes - Monitoramento da Floresta Amaz&ocirc;nica por Sat&eacute;lite. <a href="http://www.obt.inpe.br/prodes" target="_blank">www.obt.inpe.br/prodes</a>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. Degrad - Mapeamento da Degrada&ccedil;&atilde;o Florestal na Amaz&ocirc;nia Brasileira. Dispon&iacute;vel em <a href="http://www.obt.inpe.br/degrad" target="_blank">www.obt.inpe.br/degrad</a>. Acesso em 10 de agosto de 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conserva&ccedil;&atilde;o da Biodiversidade). <i>Livro Vermelho da Fauna Brasileira Amea&ccedil;ada de Extin&ccedil;&atilde;o</i>. Minist&eacute;rio do Meio Ambiente. Bras&iacute;lia, 76 p. 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Loyola, R.; Machado, N.; Nova, D. V.; Martins, E.; Martinelli, G. &Aacute;reas priorit&aacute;rias para conserva&ccedil;&atilde;o e uso sustent&aacute;vel da flora brasileira amea&ccedil;ada de extin&ccedil;&atilde;o. Instituto de Pesquisas do Jardim Bot&acirc;nico do Rio de Janeiro. 82 p. 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Moura, N. G.; Lees, A. C.; Aleixo, A.; Barlow, J.; Dantas, S. M.; Ferreira, J. et al. <i>Conserv. Biol</i>., 28, 1271-1281. 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Barlow, J. et al. <i>Nature,</i> 535,144-147. 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Vieira, I.; Gardner, T.; Ferreira, J.;  Lees, A.; Barlow, J. <i>Forests</i>, 5, 1737-1752. 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Roosevelt, A. C. <i>Anthropocene,</i> 4: 69-87. 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Yadvinder, M.; Gardner, T.; Goldsmith, G.; Silman, M.; Zelazowski, P. <i>Annu. Rev. Environ. Resour,</i> 39, 125-5. 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Toledo, P.; Dalla-Nora, E.; Vieira I.; Aguiar, A. &amp; Ara&uacute;jo, R. <i>Current opinion in environmental sustainability</i>, v. 26-27, 77-83. 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. ISA 2015. Unidades de Conserva&ccedil;&atilde;o na Amaz&ocirc;nia brasileira: press&otilde;es e amea&ccedil;as 2015. Dispon&iacute;vel em <a href="https://www.socioambiental.org/sites/blog.socioambiental.org/files/nsa/arquivos/mapa_09set.pdf" target="_blank">https://www.socioambiental.org/sites/blog.socioambiental.org/files/nsa/arquivos/mapa_09set.pdf</a></font> ]]></body><back>
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