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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> ARTE E CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ci&ecirc;ncia e teatro como objeto de pesquisa</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carla Almeida, Luiz Bento<sup>I</sup>; Gabriela Jardim<sup>II</sup>; Ma&iacute;ra Freire<sup>III</sup>; Lu&iacute;s Amorim<sup>V</sup>; Marina Ramalho<sup>VI</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Jornalista, doutora em educa&ccedil;&atilde;o, gest&atilde;o e difus&atilde;o em bioci&ecirc;ncias e pesquisadora na &aacute;rea de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da Casa de Oswaldo Cruz (Fiocruz), onde integra o N&uacute;cleo de Estudos da Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica do Museu da Vida. E-mail: <a href="mailto:almeidacarlafiocruz@gmail.com">almeidacarlafiocruz@gmail.com</a>    <br> <sup>II</sup>Bi&oacute;logo, doutor em ecologia e divulgador de ci&ecirc;ncias da Funda&ccedil;&atilde;o Cecierj (SECTIDS-RJ)    <br> <sup>III</sup>Bi&oacute;loga, doutora em zoologia e divulgadora de ci&ecirc;ncias do Museu Ci&ecirc;ncia e Vida/Funda&ccedil;&atilde;o Cecierj    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup>IV</sup>Graduada em turismo, mestre em museologia e patrim&ocirc;nio pela Unirio e divulgadora de ci&ecirc;ncia no Museu Ci&ecirc;ncia e Vida/Funda&ccedil;&atilde;o Cecierj    <br> <sup>V</sup>Jornalista, mestre em ensino em bioci&ecirc;ncias e sa&uacute;de e coordenador do N&uacute;cleo de Estudos da Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica do Museu da Vida, Casa de Oswaldo Cruz (Fiocruz)    <br> <sup>VI</sup>Jornalista, doutora em educa&ccedil;&atilde;o, gest&atilde;o e difus&atilde;o em bioci&ecirc;ncias e pesquisadora em divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da Casa de Oswaldo Cruz (Fiocruz), onde integra o N&uacute;cleo de Estudos da Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica do Museu da Vida</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O di&aacute;logo entre a ci&ecirc;ncia e o teatro &eacute; antigo. Com forte presen&ccedil;a na literatura, a ci&ecirc;ncia vem inspirando uma s&eacute;rie de dramaturgos ao longo da hist&oacute;ria. Desde <i>Dr. Fausto,</i> de fins do s&eacute;culo XVI, at&eacute; a contempor&acirc;nea <i>Copenhagen,</i> pe&ccedil;as sobre personagens, temas e acontecimentos do universo cient&iacute;fico j&aacute; ganharam os palcos de diversos teatros. O fato &eacute; que a vida de cientistas, seus dilemas &eacute;ticos e morais, suas descobertas e os seus impactos s&atilde;o um prato cheio para a dramaturgia e, por meio dela, tem sido poss&iacute;vel compartilhar parte dessa hist&oacute;ria com um grupo grande de pessoas que v&atilde;o ao teatro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais recentemente, a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica tem lan&ccedil;ado m&atilde;o, de forma cada vez mais recorrente e diversa, de elementos teatrais em suas iniciativas pr&aacute;ticas. Nesse contexto, v&aacute;rios argumentos t&ecirc;m sido mobilizados em prol da uni&atilde;o entre ci&ecirc;ncia e teatro. Os divulgadores entusiastas dessa parceria e alguns autores que se debru&ccedil;aram sobre o tema argumentam que, por meio das artes c&ecirc;nicas, &eacute; poss&iacute;vel: mobilizar sentidos e emo&ccedil;&otilde;es &#91;1&#93;; abordar temas complexos de forma envolvente &#91;2,3&#93;; tratar aspectos controversos, &eacute;ticos e pol&iacute;ticos da ci&ecirc;ncia; explorar o lado humano dos cientistas &#91;4&#93;; desconstruir a suposta frieza da atividade cient&iacute;fica e aproxim&aacute;-la do p&uacute;blico &#91;5&#93;; e, por fim, estimular a reflex&atilde;o sobre o avan&ccedil;o do conhecimento humano e suas implica&ccedil;&otilde;es &#91;6&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com esses e outros objetivos, museus e centros de ci&ecirc;ncia t&ecirc;m contemplado a interface ci&ecirc;ncia e teatro em suas programa&ccedil;&otilde;es. Em levantamento recente, Medeiros e Marandino &#91;7&#93; identificaram, no Brasil, 14 museus de ci&ecirc;ncia que realizam atividades teatrais, incluindo desde a conta&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;ria at&eacute; o teatro mais convencional, passando por esquetes, circo, dan&ccedil;a, shows de ci&ecirc;ncia, repentes, entre outras. Independentemente do tipo de atividade, o que se observa em rela&ccedil;&atilde;o ao teatro nesses espa&ccedil;os &eacute; uma diversidade enorme de experi&ecirc;ncias. Em alguns museus as atividades teatrais s&atilde;o espor&aacute;dicas, enquanto em outros integram a programa&ccedil;&atilde;o permanente; uns contam com equipes amadoras, outros, com profissionais; uns se baseiam em dramaturgia j&aacute; existente, outros criam seus pr&oacute;prios textos e espet&aacute;culos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para al&eacute;m dos museus de ci&ecirc;ncias, h&aacute; grupos universit&aacute;rios e companhias independentes trabalhando na interse&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia e teatro, com bagagens e prop&oacute;sitos diversos. Especialmente para esses grupos, o evento Ci&ecirc;ncia em Cena tem se consolidado como um espa&ccedil;o importante de troca de experi&ecirc;ncias sobre a intera&ccedil;&atilde;o entre esses dois campos. O evento, criado em 2007 pelo N&uacute;cleo</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ouroboros de Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica - inserido no Departamento de Qu&iacute;mica da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFScar) -, chegou em 2017 &agrave; sua d&eacute;cima primeira edi&ccedil;&atilde;o. Realizado entre 13 e 17 de agosto do ano passado, o XI Ci&ecirc;ncia em Cena contou com a apresenta&ccedil;&atilde;o de 17 pe&ccedil;as teatrais, a realiza&ccedil;&atilde;o de 10 oficinas e a participa&ccedil;&atilde;o de cerca de 200 pessoas &#91;8&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se por um lado as iniciativas unindo ci&ecirc;ncia e teatro s&atilde;o cada vez mais numerosas na divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, por outro, a literatura acad&ecirc;mica sobre o tema ainda &eacute; escassa e, em grande medida, estrangeira. Isso significa que conhecemos pouco o conjunto do que est&aacute; sendo feito no campo e sabemos menos ainda sobre como o teatro tem de fato contribu&iacute;do para a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. A fim de compreender melhor as diversas facetas da interface ci&ecirc;ncia e teatro, um grupo formado por divulgadores da ci&ecirc;ncia e pesquisadores da &aacute;rea do Museu Ci&ecirc;ncia e Vida/Funda&ccedil;&atilde;o Cecierj (Centro de Educa&ccedil;&atilde;o a Dist&acirc;ncia do Estado do Rio de Janeiro) e do Museu da Vida/Fiocruz - dentre os quais est&atilde;o os autores deste artigo - iniciou, em fins de 2014, um projeto de pesquisa sobre o tema. A proposta do grupo &eacute; analisar uma s&eacute;rie de experi&ecirc;ncias teatrais, especialmente em museus de ci&ecirc;ncias, com o intuito de conhecer os p&uacute;blicos dessas atividades e seus h&aacute;bitos culturais; entender como recebem as atividades teatrais oferecidas por essas institui&ccedil;&otilde;es e os fatores que interferem nessa recep&ccedil;&atilde;o; e verificar o diferencial do teatro em meio a outras estrat&eacute;gias de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Tamb&eacute;m estamos interessados em atestar o potencial da interface ci&ecirc;ncia e teatro para aquisi&ccedil;&atilde;o de capital cultural.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CI&Ecirc;NCIA E ARTE N0 MUSEU CI&Ecirc;NCIA E VIDA E N0 MUSEU DA VIDA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O projeto aqui apresentado une profissionais e pesquisadores de dois museus que compartilham caracter&iacute;sticas comuns: s&atilde;o espa&ccedil;os interativos de divulga&ccedil;&atilde;o e engajamento na ci&ecirc;ncia, voltados ao p&uacute;blico amplo, escolar e espont&acirc;neo; est&atilde;o situados em regi&otilde;es desprivilegiadas, onde moram indiv&iacute;duos com acesso escasso a servi&ccedil;os b&aacute;sicos e a op&ccedil;&otilde;es de cultura e entretenimento; e reconhecem a import&acirc;ncia e investem, cada um a seu modo, em atividades de lazer educativo e cultural, como veremos a seguir.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Museu Ci&ecirc;ncia e Vida &eacute; um centro interativo de ci&ecirc;ncias localizado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, regi&atilde;o com um dos &iacute;ndices sociais e educacionais mais baixos do estado do Rio de Janeiro e carente de equipamentos culturais e op&ccedil;&otilde;es de lazer. Aberto ao p&uacute;blico em julho de 2010, o museu, que integra o programa de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da Funda&ccedil;&atilde;o Cecierj, &eacute; fruto de uma pol&iacute;tica p&uacute;blica voltada &agrave;s necessidades locais, tendo sido pensado e planejado para suprir, em parte, a falta de oferta cultural na regi&atilde;o. Dentre as atividades desenvolvidas pelo museu, destacam-se as exposi&ccedil;&otilde;es, sess&otilde;es de planet&aacute;rio, oficinas interativas e encontros com cientistas, voltadas ao p&uacute;blico escolar e espont&acirc;neo. O centro tamb&eacute;m promove exibi&ccedil;&otilde;es de filmes e apresenta&ccedil;&otilde;es musicais, buscando se consolidar como um espa&ccedil;o de entretenimento para os moradores da Baixada Fluminense. Al&eacute;m disso, visando diversificar sua programa&ccedil;&atilde;o e ao mesmo tempo oferecer novas op&ccedil;&otilde;es de lazer cultural, o Museu Ci&ecirc;ncia e Vida, seguindo a tend&ecirc;ncia de diversos espa&ccedil;os de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, tem investido em iniciativas que mesclam ci&ecirc;ncia e arte, mais especificamente ci&ecirc;ncia e teatro. Entre outubro de 2014 e fevereiro de 2015, promoveu duas atividades teatrais - a pe&ccedil;a <i>Rossum e Asimov</i> e a visita teatralizada &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o "A heran&ccedil;a da Terra: salvar o planeta do Pequeno Pr&iacute;ncipe" -, sobre as quais falaremos mais adiante. E desde 2015 realiza esporadicamente o evento "Domingo Espacial", atividade l&uacute;dica e interativa sobre temas astron&ocirc;micos que ocupa diversos espa&ccedil;os do museu com hist&oacute;ria, ci&ecirc;ncia e artes c&ecirc;nicas &#91;9&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Inaugurado em 1999 no campus de Manguinhos da Fiocruz, o Museu da Vida se prop&otilde;e a ser um espa&ccedil;o de integra&ccedil;&atilde;o, no qual ci&ecirc;ncia, sa&uacute;de, hist&oacute;ria e cultura se unem para dialogar com a sociedade, por meio de exposi&ccedil;&otilde;es permanentes e tempor&aacute;rias, atividades interativas, produtos multim&iacute;dia e manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, com destaque para as artes c&ecirc;nicas. Um dos projetos permanentes do museu, que se materializa em dois espa&ccedil;os f&iacute;sicos - Tenda da Ci&ecirc;ncia Virg&iacute;nia Shall e Epidaurinho -, o Ci&ecirc;ncia em Cena foi concebido com o prop&oacute;sito de desenvolver pesquisa sobre ci&ecirc;ncia e arte e atividades de divulga&ccedil;&atilde;o e discuss&atilde;o de tem&aacute;ticas cient&iacute;ficas, a partir de diferentes linguagens art&iacute;sticas &#91;10&#93;. Com uma equipe multidisciplinar que inclui profissionais das artes c&ecirc;nicas, o Ci&ecirc;ncia em Cena apresenta ao p&uacute;blico do Museu da Vida produ&ccedil;&otilde;es teatrais com motes cient&iacute;ficos, em diferentes formatos. Localizado em meio a comunidades carentes, em uma regi&atilde;o com &iacute;ndice de desenvolvimento humano (IDH) baixo e com poucas op&ccedil;&otilde;es de lazer cultural, o museu torna-se, muitas vezes, um espa&ccedil;o n&atilde;o apenas de divulga&ccedil;&atilde;o e educa&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncia, mas tamb&eacute;m de primeiro contato com as artes c&ecirc;nicas - dessa forma, a equipe do Ci&ecirc;ncia em Cena desempenha ainda o papel de formador de plateia. Em seu repert&oacute;rio, constam cerca de vinte produ&ccedil;&otilde;es, entre pe&ccedil;as, esquetes, saraus cient&iacute;ficos e leituras dramatizadas. Ap&oacute;s serem apresentadas no museu, algumas delas itineram por outros espa&ccedil;os, ampliando seu alcance. Duas pe&ccedil;as desse repert&oacute;rio foram objeto de pesquisa do nosso grupo e ser&atilde;o descritas na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No &acirc;mbito acad&ecirc;mico, as iniciativas voltadas ao estudo das intera&ccedil;&otilde;es entre ci&ecirc;ncia e arte t&ecirc;m sido mais irregulares nos museus mencionados. No que tange ao Museu Ci&ecirc;ncia e Vida, o nosso projeto foi o primeiro a propor um olhar investigativo sobre o tema de maneira mais aprofundada. No Museu da Vida, existe um movimento de discuss&atilde;o e reflex&atilde;o constante sobre a tem&aacute;tica ci&ecirc;ncia e arte, n&atilde;o apenas no Ci&ecirc;ncia em Cena. O assunto tem motivado debates em uma s&eacute;rie de eventos promovidos pelo museu e sua experi&ecirc;ncia tem sido compartilhada de diversas formas - em encontros internos e externos, publica&ccedil;&otilde;es e apresenta&ccedil;&otilde;es de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em apresenta&ccedil;&atilde;o no XIV Congresso da Rede de Populariza&ccedil;&atilde;o da Ci&ecirc;ncia e da Tecnologia na Am&eacute;rica Latina e no Caribe (RedPop), realizado em maio de 2015, em Medel&iacute;n, Col&ocirc;mbia, cujo tema central foi arte, ci&ecirc;ncia e tecnologia, Leticia Guimar&atilde;es - integrante do Ci&ecirc;ncia em Cena - e colegas &#91;11, 12&#93; apresentaram uma reflex&atilde;o sobre o papel do teatro em museus de ci&ecirc;ncia, a partir da montagem do espet&aacute;culo <i>Aprendiz de feiticeiro</i> no Museu da Vida. Para os autores, a pe&ccedil;a e o debate promovido ap&oacute;s a apresenta&ccedil;&atilde;o desempenharam o duplo papel de populariza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e de democratiza&ccedil;&atilde;o da arte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em termos de pesquisas acad&ecirc;micas acerca das intera&ccedil;&otilde;es entre ci&ecirc;ncia e teatro, mais escassas, destaca-se o trabalho de Thelma Lopes, que coordenou o Ci&ecirc;ncia em Cena entre 2002 e 2010 e que hoje integra a equipe de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da Funda&ccedil;&atilde;o Cecierj. Lopes analisou no mestrado tr&ecirc;s vers&otilde;es da pe&ccedil;a <i>A vida de Galileu,</i> de Bertolt Brecht &#91;13&#93;, e no doutorado investigou o papel da interface ci&ecirc;ncia e teatro na educa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e o potencial da linguagem teatral na constru&ccedil;&atilde;o de imagens menos estereotipadas do cientista e artista &#91;14&#93;, trabalhos que renderam contribui&ccedil;&otilde;es para a literatura na &aacute;rea.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa sobre o tema "ci&ecirc;ncia e arte" vem se consolidando no N&uacute;cleo de Estudos da Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica (NEDC) do Museu da Vida. J&aacute; foram desenvolvidos estudos sobre a presen&ccedil;a da ci&ecirc;ncia no cinema &#91;15&#93;, especificamente em curtas de anima&ccedil;&atilde;o &#91;16&#93;, na m&uacute;sica&#91;17&#93; e na literatura de cordel &#91;18&#93;, por exemplo. Tais trabalhos t&ecirc;m ajudado a identificar e a mapear a inser&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e de temas correlatos em manifesta&ccedil;&otilde;es art&iacute;sticas, especialmente no contexto brasileiro. Por outro lado, analisam a representa&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e dos cientistas nessas express&otilde;es culturais, nos ajudando a compreender as percep&ccedil;&otilde;es sobre a ci&ecirc;ncia que circulam na sociedade. Entre outras iniciativas do NEDC nessa seara, cabe destacar a sua participa&ccedil;&atilde;o na organiza&ccedil;&atilde;o de um suplemento da revista <i>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de-Manguinhos</i> sobre ci&ecirc;ncia e arte &#91;19&#93; e do simp&oacute;sio "Ci&ecirc;ncia e Arte", realizado na Fiocruz em outubro de 2006, que teve como um dos frutos a publica&ccedil;&atilde;o <i>Mem&oacute;rias do Simp&oacute;sio Ci&ecirc;ncia e Arte 2006</i> &#91;20&#93;. No que tange ao teatro especificamente, sua intera&ccedil;&atilde;o com a ci&ecirc;ncia &eacute; um tema de interesse recente no NEDC, sendo este projeto o primeiro passo para uma an&aacute;lise mais sistem&aacute;tica sobre o assunto que o n&uacute;cleo pretende empreender nos pr&oacute;ximos anos (ver os resultados adiante).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ESTUDOS DE CASO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre outubro de 2014 e dezembro de 2016, estudamos quatro atividades teatrais realizadas em museus de ci&ecirc;ncias: a pe&ccedil;a <i>Rossum e Asimov</i> e a visita teatralizada &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o "A heran&ccedil;a da Terra: salvar o planeta do Pequeno Pr&iacute;ncipe", no Museu Ci&ecirc;ncia e Vida; e as pe&ccedil;as <i>O rapaz da rabeca e a mo&ccedil;a Rebeca</i> e <i>A vida de Galileu</i>, no Museu da Vida. As quatro atividades possuem car&aacute;teres bastante distintos, e foram realizadas em diferentes condi&ccedil;&otilde;es. <i>Rossum e Asimov</i> &eacute; uma pe&ccedil;a infantil sobre rob&oacute;tica, que foi encenada no audit&oacute;rio do Museu Ci&ecirc;ncia e Vida, tendo como cen&aacute;rio um laborat&oacute;rio onde dois "palha&ccedil;os-cientistas" trabalham na constru&ccedil;&atilde;o de m&aacute;quinas mirabolantes. A visita teatralizada ocorreu no espa&ccedil;o da exposi&ccedil;&atilde;o "A heran&ccedil;a da Terra...", que tratou da obra do autor franc&ecirc;s Antoine de Saint-Exup&eacute;ry. Nessa atividade, um ator fazia o papel do escritor, que recitava trechos de seus livros e cartas e percorria e comentava os pain&eacute;is da mostra com um grupo de visitantes. O museu, que n&atilde;o conta com uma equipe dedicada ao teatro e n&atilde;o possui atividades teatrais em sua programa&ccedil;&atilde;o permanente, contratou atores para ambas as iniciativas - no caso de <i>Rossum e Asimov,</i> a pe&ccedil;a foi constru&iacute;da em conjunto com a dire&ccedil;&atilde;o do museu.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n2/a11fig01.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n2/a11fig01thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Adaptada da obra do cordelista cearense Jos&eacute; Mapurunga, o espet&aacute;culo <i>O rapaz da rabeca...</i> aborda o tema da Aids, com foco na preven&ccedil;&atilde;o e no preconceito, por meio de uma hist&oacute;ria de amor proibido &agrave; la <i>Romeu e Julieta.</i> Concebida, dirigida e produzida pela equipe do Ci&ecirc;ncia em Cena, a pe&ccedil;a &eacute; encenada no formato teatro de arena, tendo a m&uacute;sica - tocada ao vivo - e o humor como elementos marcantes, e voltada especialmente ao p&uacute;blico adolescente/jovem. Por fim, <i>A vida de Galileu,</i> texto cl&aacute;ssico de Bertolt Brecht, que, como indica o t&iacute;tulo, conta a hist&oacute;ria do f&iacute;sico italiano Galileu Galilei, teve seu texto adaptado para encena&ccedil;&atilde;o no museu. Para a sua montagem, foram contratados profissionais externos - diretor, t&eacute;cnicos e elenco -, al&eacute;m da participa&ccedil;&atilde;o de integrantes do Ci&ecirc;ncia em Cena.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estudo das atividades descritas envolveu diferentes procedimentos e instrumentos metodol&oacute;gicos, de car&aacute;ter quantitativo e qualitativo. Em geral, seguimos as seguintes etapas: conversas com a produ&ccedil;&atilde;o (diretores e atores); familiariza&ccedil;&atilde;o com o espet&aacute;culo (leitura dos textos, acompanhamento dos ensaios e assist&ecirc;ncia da pe&ccedil;a); constru&ccedil;&atilde;o dos instrumentos de coleta de dados (ficha de observa&ccedil;&atilde;o, question&aacute;rios, entrevistas p&oacute;s-espet&aacute;culo); realiza&ccedil;&atilde;o de testes e ajustes; aplica&ccedil;&atilde;o dos instrumentos; e, por fim, an&aacute;lise - etapa que ainda se encontra em desenvolvimento para os espet&aacute;culos encenados no Museu da Vida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n2/a11tab01.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n2/a11tab01thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tabela 1 - Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cada procedimento metodol&oacute;gico nos permitiu observar aspectos diferentes da recep&ccedil;&atilde;o da pe&ccedil;a. Por meio da ficha de observa&ccedil;&atilde;o, registramos as expectativas dos visitantes logo antes do in&iacute;cio da pe&ccedil;a, suas rea&ccedil;&otilde;es imediatas durante o espet&aacute;culo e as condi&ccedil;&otilde;es de recep&ccedil;&atilde;o. Com o question&aacute;rio, verificamos o grau de satisfa&ccedil;&atilde;o dos espectadores com a pe&ccedil;a, os pontos altos e baixos do espet&aacute;culo de acordo com sua avalia&ccedil;&atilde;o e suas vis&otilde;es sobre os principais temas e mensagens da pe&ccedil;a. Buscamos tamb&eacute;m compreender como diferentes fatores - sociodemogr&aacute;ficos, h&aacute;bitos culturais, entre outros - contribu&iacute;ram para sua recep&ccedil;&atilde;o do espet&aacute;culo. Por fim, as entrevistas realizadas ap&oacute;s as apresenta&ccedil;&otilde;es nos permitiram explorar o contexto da visita, as motiva&ccedil;&otilde;es dos espectadores e seus conhecimentos pr&eacute;vios sobre a obra e os temas abordados. Essas entrevistas possibilitaram ainda uma reflex&atilde;o mais profunda sobre o espet&aacute;culo por parte do espectador consultado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para a an&aacute;lise estat&iacute;stica dos dados quantitativos coletados, utilizamos o software SPSS - ap&oacute;s a tabula&ccedil;&atilde;o de todos os question&aacute;rios em planilhas de Excel. J&aacute; para analisar os dados qualitativos e discutir os resultados dos nossos estudos, nos embasamos em referenciais te&oacute;ricos de distintos campos, particularmente da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, dos estudos de visitante, das ci&ecirc;ncias sociais (em especial Pi&egrave;rre Bourdieu e seu conceito de capital cultural) e dos estudos de recep&ccedil;&atilde;o (em particular Jes&uacute;s Mart&iacute;n-Barbero e seu conceito de media&ccedil;&otilde;es). Buscamos tamb&eacute;m conceitos das teorias do teatro; utilizamos especialmente uma revis&atilde;o dos estudos no campo de autoria de Patrice Pavis, al&eacute;m de considera&ccedil;&otilde;es sobre a recep&ccedil;&atilde;o teatral de Marco de Marinis e Fl&aacute;vio Desgranges.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESULTADOS PRELIMINARES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Analisados isoladamente, os resultados dos estudos de caso n&atilde;o podem ser extrapolados para todo o universo das iniciativas teatrais com mote cient&iacute;fico - as atividades s&atilde;o muito diversas, bem como seus prop&oacute;sitos e contextos de recep&ccedil;&atilde;o. No entanto, quando examinamos conjuntamente nossos dados, podemos fazer algumas constata&ccedil;&otilde;es mais gerais a respeito da interface ci&ecirc;ncia e teatro no contexto da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica - particularmente em museus de ci&ecirc;ncias - e, a partir delas, come&ccedil;ar a responder algumas de nossas perguntas de pesquisa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tanto os visitantes do Museu Ci&ecirc;ncia e Vida quanto do Museu da Vida - ambos localizados em regi&otilde;es com alto &iacute;ndice de viol&ecirc;ncia e poucas op&ccedil;&otilde;es de lazer cultural, habitadas por popula&ccedil;&atilde;o em geral de baixa renda e baixa escolaridade - t&ecirc;m alguma familiaridade com e certo interesse por teatro. No entanto, por diversos motivos, s&atilde;o frequentadores eventuais desses espa&ccedil;os. Em outras palavras, poucos t&ecirc;m o teatro como um h&aacute;bito cultural enraizado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitas vezes os visitantes - especialmente aqueles que visitam o museu em grupos escolares - v&atilde;o ao museu sem saber que ter&atilde;o uma experi&ecirc;ncia teatral e, nesses casos, o teatro emerge, em geral, como uma surpresa positiva. Por outro lado, isso significa que raramente existe uma prepara&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via para a ida ao teatro, como corroboram Rosseto &#91;21&#93; e Ferreira &#91;22&#93;. &Eacute; comum, portanto, que os visitantes saibam pouco sobre a obra a que v&atilde;o assistir, seu contexto hist&oacute;rico e o tema que aborda. Somando isto ao fato de conhecerem pouco o universo teatral, pode-se dizer que a experi&ecirc;ncia com o teatro que os visitantes t&ecirc;m no museu &eacute;, em geral, descontextualizada em diversos n&iacute;veis. Isto, por sua vez, pode ser um obst&aacute;culo para que essa experi&ecirc;ncia seja plena - o que De Marinis &#91;23&#93; chama de "intera&ccedil;&atilde;o significante" - e atinja seu potencial m&aacute;ximo de aproveitamento e, em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, que os objetivos da produ&ccedil;&atilde;o/dire&ccedil;&atilde;o sejam plenamente alcan&ccedil;ados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda assim, podemos dizer que os visitantes ficam, em geral, satisfeitos com a experi&ecirc;ncia que t&ecirc;m no museu e com a atividade teatral da qual participam. A grande maioria avalia muito bem as pe&ccedil;as, valorizando tanto as tem&aacute;ticas abordadas quanto os recursos art&iacute;sticos explorados - nos nossos estudos de caso, especialmente o humor, a m&uacute;sica (no caso espec&iacute;fico de <i>O rapaz da rabeca...)</i> e a atua&ccedil;&atilde;o (sobretudo no caso de <i>A vida de Galileu). </i>Um aspecto enfaticamente elogiado &eacute; o "casamento" de tem&aacute;ticas cient&iacute;ficas com as artes c&ecirc;nicas, vista por muitos como uma combina&ccedil;&atilde;o acertada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, muitos que conferem nota m&aacute;xima &agrave; pe&ccedil;a nos question&aacute;rios n&atilde;o justificam suas avalia&ccedil;&otilde;es ou as justificam com elogios simples, tais como: "&Oacute;tima!"; "Muito boa!"; "Legal"; "Adorei!". Isso pode ser um indicativo de que os espectadores t&ecirc;m dificuldade de avaliar mais criticamente os espet&aacute;culos - ou simplesmente que t&ecirc;m pouca motiva&ccedil;&atilde;o para responder o question&aacute;rio. Observamos tamb&eacute;m que, quando discorrem mais detalhadamente, os espectadores tendem a focar mais os temas e a trama e menos o acontecimento teatral. Este comportamento pode ser uma consequ&ecirc;ncia da pouca experi&ecirc;ncia com o teatro. Como defende Desgranges &#91;24&#93;, &eacute; da experi&ecirc;ncia que vem o prazer, o gosto pela frui&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e parte da instrumentaliza&ccedil;&atilde;o que o indiv&iacute;duo deve ter para ler e interpretar o teatro, relacionando-o com sua realidade. Vale destacar, no entanto, que, em alguns casos, visitantes com alguma experi&ecirc;ncia teatral indicaram notas baixas de satisfa&ccedil;&atilde;o por esperarem uma estrutura teatral completa (cen&aacute;rio, ilumina&ccedil;&atilde;o, figurino, entre outros), o que n&atilde;o foi o caso das atividades realizadas no Museu Ci&ecirc;ncia e Vida, em especial da visita teatralizada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No que diz respeito aos objetivos institucionais relativos &agrave; montagem das pe&ccedil;as nos museus de ci&ecirc;ncias e &agrave;s mensagens preferenciais das mesmas, pensadas do ponto de vista da produ&ccedil;&atilde;o/dire&ccedil;&atilde;o, observamos que nem sempre coincidem com a experi&ecirc;ncia vivenciada e os sentidos constru&iacute;dos pelos espectadores no teatro/ museu. Para embasar essa constata&ccedil;&atilde;o, daremos um exemplo. Ao propor a encena&ccedil;&atilde;o de <i>O rapaz da rabeca...,</i> a equipe do Ci&ecirc;ncia em Cena (Museu da Vida) tinha em mente sobretudo provocar uma reflex&atilde;o sobre o preconceito que ainda existe em torno da Aids no Brasil. No entanto, a equipe se deparou com um p&uacute;blico &aacute;vido por informa&ccedil;&otilde;es sobre diferentes aspectos da doen&ccedil;a, desde os modos de cont&aacute;gio at&eacute; as novas formas de tratamento. Isso fez com que o grupo buscasse mais informa&ccedil;&otilde;es sobre o tema e redirecionasse o debate realizado ap&oacute;s o espet&aacute;culo. Como mostram os estudos de recep&ccedil;&atilde;o latino-americanos embasados na obra de Mart&iacute;n-Barbero &#91;25&#93;, a interpreta&ccedil;&atilde;o de mensagens depende de v&aacute;rios fatores - ou media&ccedil;&otilde;es, na terminologia de Mart&iacute;n-Barbero - pessoais, culturais e contextuais. Por isso n&atilde;o &eacute; surpreendente que espectadores construam sentidos diferentes ao ver o mesmo espet&aacute;culo - que, na verdade, nunca &eacute; o mesmo. O que n&atilde;o deve ser visto como algo negativo, pelo contr&aacute;rio; s&oacute; prova que o espectador n&atilde;o est&aacute; sendo um receptor passivo. Ele &eacute; um ser interpretante e produtor de sentidos. Isso nos faz lembrar, portanto, que a produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o det&eacute;m o controle sobre as mensagens que circulam a partir do espet&aacute;culo e de como elas s&atilde;o ou n&atilde;o incorporadas &agrave; vida dos espectadores.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSIDERA&Ccedil;OES FINAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste artigo, contextualizamos as iniciativas de ci&ecirc;ncia e teatro no campo da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, dando destaque para as iniciativas do Museu Ci&ecirc;ncia e Vida/Funda&ccedil;&atilde;o Cecierj e do Museu da Vida/Fiocruz; apresentamos nosso projeto de pesquisa e seus objetivos; mostramos os estudos de caso realizados at&eacute; aqui e compartilhamos alguns dos resultados - ainda preliminares. Tudo o que temos lido, visto e analisado ao longo desse percurso indica que a intera&ccedil;&atilde;o ci&ecirc;ncia e teatro pode e tem rendido bons frutos para a divulga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia, de diversas formas e em diferentes n&iacute;veis. Ela tem possibilitado a abordagem de temas s&eacute;rios e complexos de forma l&uacute;dica e envolvente, como pudemos ver, por exemplo, no caso da pe&ccedil;a <i>O rapaz da rabeca...,</i> que traz &agrave; tona quest&otilde;es relacionadas &agrave; doen&ccedil;a e &agrave; sexualidade. Por meio dessa atividade, tamb&eacute;m verificamos que o teatro pode ser um importante ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nossos estudos de caso e outros trabalhos mostram tamb&eacute;m que iniciativas teatrais com motes cient&iacute;ficos t&ecirc;m permitido o acesso ao teatro a um p&uacute;blico pouco familiarizado e com acesso restrito a essa forma de arte, e tem proporcionado a esse p&uacute;blico, al&eacute;m de informa&ccedil;&atilde;o, prazer e divers&atilde;o. Essa associa&ccedil;&atilde;o com prazer e divers&atilde;o &eacute; importante para desenvolver o gosto pelo teatro, para a forma&ccedil;&atilde;o de plateia. Mesmo sem dominar os c&oacute;digos que permitam uma an&aacute;lise mais profunda do teatro - o que poder&iacute;amos chamar de "capital teatral", numa apropria&ccedil;&atilde;o-adapta&ccedil;&atilde;o do conceito de capital cultural de Bourdieu -, o espectador pode ser impactado pela experi&ecirc;ncia est&eacute;tica e sensorial do teatro e isso pode ter um desdobramento significativo na sua vida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, se o objetivo da alian&ccedil;a entre ci&ecirc;ncia e teatro &eacute; formar indiv&iacute;duos cr&iacute;ticos e engajados e promover a cidadania - proposta ambiciosa que est&aacute; presente no discurso tanto da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica quanto das artes c&ecirc;nicas contempor&acirc;neas -, talvez n&atilde;o baste oferecer espet&aacute;culos a um p&uacute;blico pouco preparado para a ida ao teatro e pouco estimulado para pensar criticamente sobre essa experi&ecirc;ncia. Como indicam os dados de nossos e de outros estudos, o conhecimento pr&eacute;vio sobre a obra e sua tem&aacute;tica, assim como o dom&iacute;nio de certos c&oacute;digos e linguagens, tanto da ci&ecirc;ncia quanto do teatro, s&atilde;o importantes para uma incurs&atilde;o significativa nesses dois mundos. Precisamos, tanto no Museu Ci&ecirc;ncia e Vida quanto no Museu da Vida, pensar em como enfrentar concretamente esse desafio, talvez a partir de uma articula&ccedil;&atilde;o maior entre esses museus e as escolas e fam&iacute;lias que os visitam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, cabe dizer que, para quem pesquisa este campo, os desafios parecem ainda maiores. Precisamos lidar com as dificuldades log&iacute;sticas de se fazer pesquisa em museus, a come&ccedil;ar pela sensibiliza&ccedil;&atilde;o dos visitantes sobre a import&acirc;ncia de estud&aacute;-los. H&aacute; ainda que se consolidar conceitos, metodologias e procedimentos anal&iacute;ticos de investiga&ccedil;&atilde;o da intera&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia e teatro no campo da divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Para aqueles grupos de pesquisa que atuam em museus de ci&ecirc;ncias, tamb&eacute;m cabe pensar em formas de integrar melhor a teoria e a pr&aacute;tica. Se existe uma possibilidade real de aplica&ccedil;&atilde;o da pesquisa, essa possibilidade deve ser aproveitada. Esta &eacute; uma forma concreta de dar retorno do nosso trabalho &agrave; sociedade. Por isso estimulamos que um maior n&uacute;mero de pessoas se junte a n&oacute;s no esfor&ccedil;o de compreender como o teatro e a ci&ecirc;ncia podem, juntos, contribuir para a divulga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Fruguglietti, S. "The theatre, (art) and science: between amazement and applause!", <i>JCOM,</i> 8, 2. 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Black, D. R.; Goldowsky, A. "Science theater as an interpretive technique in a Science Museum". In: <i>Annual Meeting of the National Association for Research in Science Teaching.</i> 1999.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Richards, L. "Teatro, mediadores, cientistas punk e visitas-guiadas: os altos e baixos da interpreta&ccedil;&atilde;o ao vivo no Science Museum de Londres". In: Massarani, L.; Almeida, C. <i>Workshop Sul-Americano &amp; Escola de Media&ccedil;&atilde;o em Museus e Centros Ci&ecirc;ncia.</i> Rio de Janeiro: Museu da Vida COC Fiocruz. 2008. pp 133-142.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Moreira, L. M.; Marandino, M. "O teatro em museus e centros de ci&ecirc;ncias no Brasil", <i>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de-Manguinhos,</i> 22, supl. 2015. pp 1735-1748.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Lopes, T. "Luz, arte, ci&ecirc;ncia... a&ccedil;&atilde;o!" <i>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de-Manguinhos,</i> 12, 2005. pp 401-418.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Palma, C. "Arte e ci&ecirc;ncia no palco", <i>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de-Manguinhos,</i> v.13, supl., pp 233-246. 2006. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pi-d=S0104-59702006000500014&amp;lng=en&amp;nrm=iso" target="_blank">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pi-d=S0104-59702006000500014&amp;lng=en&amp;nrm=iso</a>&gt;    .</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Moreira, L. M.; Marandino, M., <i>op cit.</i></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Para mais informa&ccedil;&otilde;es sobre o evento Ci&ecirc;ncia em Cena, consultar: Liberato, T. "Tema cient&iacute;fico serve de contexto para pe&ccedil;as e atrai p&uacute;blico leigo". <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura,</i> 66, 4, pp 63-65. 2014.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Desde 2015, o Museu Ci&ecirc;ncia e Vida passa por dificuldades financeiras que decorrem da crise generalizada do estado do Rio de Janeiro, o que vem afetando a realiza&ccedil;&atilde;o de suas atividades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Lopes, T., <i>op cit.</i></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Guimar&atilde;es, L.; Aguilar, P.; Costa, T. "Aprendiz de feiticeiro e o duplo papel do teatro em um museu de ci&ecirc;ncias: A forma&ccedil;&atilde;o de plateia infantojuvenil com engajamento nas descobertas cient&iacute;ficas". In: <i>Congreso RedPOP2015 Libro de Memorias.</i> Medellin: Parque Explora e RedPOP, 1, pp 1786-1793. 2015.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Lopes, T. "Ci&ecirc;ncia em cena: discutindo ci&ecirc;ncia por meio do teatro". <i>Presen&ccedil;a Pedag&oacute;gica</i>, 6, 31. 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Lopes, T. "O palco de Brecht e o c&eacute;u de Galileu: tudo se move: teatro e ci&ecirc;ncia nas tr&ecirc;s vers&otilde;es dram&aacute;ticas da pe&ccedil;a <i>Vida de Galileu,</i> de Bertolt Brecht". Tese (mestrado em teatro) - Centro de Letras e Artes, Universidade do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Lopes, T. "Integrando a percep&ccedil;&atilde;o de estudantes &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de pe&ccedil;a teatral: uma alternativa de educa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em di&aacute;logo com as artes". Tese (doutorado) - Instituto Oswaldo Cruz, P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ensino em Bioci&ecirc;ncias e Sa&uacute;de, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Massarani, L. "Ci&ecirc;ncia, sociedade, c&acirc;mera... a&ccedil;&atilde;o!" In: Oliveira, B. J. (org.). <i>Hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia no cinema 2 - O retorno.</i> Belo Horizonte: Aegumentum, Scientia UFMG. 2007. pp 131-143.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Reznik, G. "Imagem da ci&ecirc;ncia e de cientistas em curtas de anima&ccedil;&atilde;o". Disserta&ccedil;&atilde;o (mestrado em hist&oacute;ria das ci&ecirc;ncias e das t&eacute;cnicas e epistemologia) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Moreira, I. de C.; Massarani, L. "(En)canto cient&iacute;fico: temas de ci&ecirc;ncia em letras da m&uacute;sica popular brasileira". <i>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de-Manguinhos</i>, 13, supl., pp 159-175. 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Almeida, C.; Massarani, L.; Moreira, I. "Representations of science and technology in cordel literature". <i>Bakhtiniana: Revista de Estudos do Discurso,</i> 11, pp 5-25. 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. <i>Hist&oacute;ria, Ci&ecirc;ncias, Sa&uacute;de-Manguinhos,</i> 13, supl. (Di&aacute;logo entre ci&ecirc;ncia e arte), Rio de Janeiro, out. 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Massarani, L. (org.) <i>Mem&oacute;rias do Simp&oacute;sio Ci&ecirc;ncia e Arte 2006.</i> Rio de Janeiro: Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz. 2007.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. Rosseto, R. <i>O espectador e a rela&ccedil;&atilde;o do ensino do teatro com o teatro contempor&acirc;neo.</i> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.fap.pr.gov.br/arquivos/File/RevistaCientifica3/10_Robson_Rosseto.pdf" target="_blank">http://www.fap.pr.gov.br/arquivos/File/RevistaCientifica3/10_Robson_Rosseto.pdf</a>. Acesso 1 set 2017.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. Ferreira, T. <i>A escola no teatro e o teatro na escola.</i> 2ª ed. Porto Alegre: Media&ccedil;&atilde;o. 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23. De Marinis, M. <i>En busca del actor y del espectador: compreender el teatro II.</i> Buenos Aires: Galerna. 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24. Desgranges, F. <i>A pedagogia do espectador.</i> S&atilde;o Paulo: Hucitec. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">25. Mart&iacute;n-Barbero, J. "Am&eacute;rica Latina e os anos recentes: o estudo da recep&ccedil;&atilde;o em comunica&ccedil;&atilde;o social". In: De Sousa, M. W. (org.). <i>Sujeito, o lado oculto do receptor.</i> S&atilde;o Paulo: Brasiliense. 1995. pp 39-68.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">26. Este trabalho n&atilde;o seria poss&iacute;vel sem a contribui&ccedil;&atilde;o das equipes envolvidas nas atividades analisadas em ambos os museus. Gostar&iacute;amos de agradecer especialmente &agrave; equipe do Ci&ecirc;ncia em Cena, do Museu da Vida, pela fundamental colabora&ccedil;&atilde;o, em v&aacute;rios n&iacute;veis, para a realiza&ccedil;&atilde;o desta pesquisa.</font></p>      ]]></body><back>
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