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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Arte e inovação: reflexões a partir do filme Nise, o coração da loucura]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> ENSAIOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Arte e inova&ccedil;&atilde;o: reflex&otilde;es a partir do filme <i>Nise, o cora&ccedil;&atilde;o da loucura</i></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Lecy Sartori</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Antrop&oacute;loga e p&oacute;s-doutoranda do Instituto de Sa&uacute;de e Sociedade da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp). E- mail: <a href="mailto:lecysartori@gmail.com">lecysartori@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da "arte do inconsciente" apresento o modo como o trabalho da psiquiatra Nise da Silveira possibilitou a inven&ccedil;&atilde;o de outra rela&ccedil;&atilde;o com os internos do hosp&iacute;cio Pedro II, no Rio de Janeiro, em meados da d&eacute;cada de 1940. O ponto de partida s&atilde;o algumas reflex&otilde;es sobre o filme <i>Nise, o cora&ccedil;&atilde;o da loucura</i> (2015). De forma geral, destaco as interven&ccedil;&otilde;es psiqui&aacute;tricas operadas na &eacute;poca para mostrar um contraste entre os tratamentos que eram prescritos no hospital e as pr&aacute;ticas implementadas por ela. A ideia principal &eacute; apresentar o trabalho de Nise, sua contribui&ccedil;&atilde;o para a teoria psicanal&iacute;tica e seu reconhecimento por meio da funda&ccedil;&atilde;o do Museu do Inconsciente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O filme <i>Nise, o cora&ccedil;&atilde;o da loucura</i> &eacute; dirigido por Roberto Berliner, formado pela Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Foi produtor de filmes como: <i>Bruna Surfistinha</i> (2011) e <i>Gabriel e a montanha</i> (2017). Atuou no centro de documenta&ccedil;&atilde;o da TV Globo e foi diretor de reportagem do seriado <i>Juba e Lula,</i> na mesma emissora. Al&eacute;m de dirigir videoclipes premiados e conduzir a produtora TVZero, Berliner dirigiu a s&eacute;rie <i>Free jazz,</i> que estreou em 1996 e documentou tend&ecirc;ncias musicais em diferentes cidades. Em 1997, inaugurou o projeto "Som da rua" e registrou, em minidocument&aacute;rios, a vida de artistas de rua em todo o pa&iacute;s. Dirigiu os document&aacute;rios <i>Angola</i> (1991) e <i>Todos os cora&ccedil;&otilde;es do mundo</i> (1995). Parece-me que o seu reconhecimento foi intenso ap&oacute;s o document&aacute;rio A <i>pessoa &eacute; para o que nasce,</i> de 2003, que angariou pr&ecirc;mios em festivais nacionais (melhor filme no 15º Cine Cear&aacute;) e internacionais (melhor filme no festival Play Doc, Espanha). Emocionou o p&uacute;blico com o document&aacute;rio <i>Hebert de perto</i> (2009). Em 2008, lan&ccedil;ou <i>Pindorama - a verdadeira hist&oacute;ria dos sete an&otilde;es.</i> Seu &uacute;ltimo document&aacute;rio foi a A <i>farra do circo,</i> que estreou em 2014 - mesmo ano do lan&ccedil;amento do longa-metragem <i>Julio sumiu.</i></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n2/a14fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2015, estreou o filme <i>Nise, o cora&ccedil;&atilde;o da loucura,</i> que narra a experi&ecirc;ncia de Nise da Silveira (interpretada pela atriz Gloria Pires) no Centro Psiqui&aacute;trico do Engenho de Dentro (primeiro hosp&iacute;cio do Brasil, inaugurado com o nome de Pedro II, em 1852), na cidade do Rio de Janeiro. Ap&oacute;s oito anos de ex&iacute;lio, entre os anos de 1936 e 1944, que decorreram aos 18 meses de deten&ccedil;&atilde;o pelo porte de livros marxistas, Nise retoma o exerc&iacute;cio de sua fun&ccedil;&atilde;o como psiquiatra na institui&ccedil;&atilde;o. Nesse contexto, a m&eacute;dica se depara com os procedimentos considerados "modernos" (como a eletroconvulsoterapia &#91;1&#93;, o choque insul&iacute;nico e a lobotomia), que atestavam a cientificidade da psiquiatria como um saber m&eacute;dico. Impedida de clinicar, depois da recusa em prescrever tais procedimentos aos pacientes do hospital, ela foi realocada para o setor de terapia ocupacional. Nesse espa&ccedil;o, Nise constr&oacute;i o ateli&ecirc; de pintura e desenvolve a sua assist&ecirc;ncia aos clientes (forma como eram denominados os pacientes) por meio de recursos art&iacute;sticos, abolindo interven&ccedil;&otilde;es violentas, incentivando as rela&ccedil;&otilde;es de afeto e o conv&iacute;vio com animais dom&eacute;sticos. As cenas do longa-metragem foram filmadas, durante dois meses, no Instituto Nise da Silveira, antigo Hospital Psiqui&aacute;trico Pedro II.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PSICOCIRURGIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O filme suscita algumas discuss&otilde;es interessantes, por exemplo, sobre o discurso de cientificidade da psiquiatria vigente na d&eacute;cada de 1950, que afirmava a efetividade de m&eacute;todos como a lobotomia (ou psicocirurgia ou leucotomia pr&eacute;-frontal) e a eletroconvulsoterapia a partir da constata&ccedil;&atilde;o de que os pacientes deixavam de ser agressivos e, assim, poderiam receber a alta hospitalar. Na hist&oacute;ria da psiquiatria, o procedimento da leucotomia foi considerado uma t&eacute;cnica inovadora e seus entusiastas procuravam minimizar os impactos negativos (ou sequelas). A psicocirurgia era indicada para paciente que apresentavam sintomas delirantes, tens&atilde;o obsessiva compulsiva e s&iacute;ndromes de ansiedade cr&ocirc;nica &#91;2&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, a psicocirurgia recebeu um grande apoio dos psiquiatras e neurocirurgi&otilde;es, sendo que alguns deles participaram de um conclave para eleger o neurologista portugu&ecirc;s Ant&ocirc;nio Egas Moniz (inventor da t&eacute;cnica da leucotomia em 1935 &#91;3&#93;) ao pr&ecirc;mio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1949 (indicado pela inven&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica da encefalograf&iacute;a arterial). Um desses m&eacute;dicos foi o neuro-cirurgi&atilde;o Aloysio Mattos Pimenta, que realizou a primeira leucotomia no hospital psiqui&aacute;trico do Juqueri, em 1936. Segundo Pimenta, a efic&aacute;cia da psicocirurgia era medida por meio dos resultados cl&iacute;nicos "bastante favor&aacute;veis" &#91;2&#93;, que foram constatados em uma pesquisa realizada com o neurologista Paulino Longo e com o psiquiatra Joy Arruda. Conforme o resultado da pesquisa, das 21 pessoas operadas 1/3 n&atilde;o melhoraram, cinco pessoas melhoraram um pouco, tr&ecirc;s melhoraram, seis foram curadas; ainda, sete continuaram hospitalizadas, oito receberam alta e seis receberam alta e se tornaram incapacitadas para o trabalho. Para os pesquisadores, o sucesso da lobotomia era maior quando executada de forma precoce ou "antes que a doen&ccedil;a mental determinasse o rebaixamento mental irremov&iacute;vel" &#91;2&#93;. Esse discurso legitimava a indica&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica para as crian&ccedil;as esquizofr&ecirc;nicas. Al&eacute;m das crian&ccedil;as, os casos de ansiedade cr&ocirc;nica e esquizofrenia paranoide eram os que mais se beneficiavam com a psicocirurgia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de reconhecido e publicamente discutido na 1ª Confer&ecirc;ncia Internacional de Psicocirurgia, em 1948, "um dos maiores inconvenientes do m&eacute;todo" &#91;4&#93; ou uma das piores consequ&ecirc;ncias f&iacute;sicas da leucotomia &eacute; "a diminui&ccedil;&atilde;o ou regress&atilde;o do estado mental das pessoas" &#91;3&#93;. Foram constatadas outras sequelas como as "altera&ccedil;&otilde;es de personalidade, a imprevisibilidade das rea&ccedil;&otilde;es, a regress&atilde;o geral e uma taxa de morbidade e mortalidade que se agravava a &#91;longo&#93; prazo" &#91;5&#93;. Segundo o psic&oacute;logo Walter Melo, a "lobotomia transforma uma desordem funcional numa doen&ccedil;a org&acirc;nica de car&aacute;ter irrevers&iacute;vel" &#91;6&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em uma das cenas finais do filme, em uma exposi&ccedil;&atilde;o dos quadros dos clientes, um dos psiquiatras questionou Nise acerca da efic&aacute;cia dos seus m&eacute;todos. Ela afirmou que seu instrumento era o pincel enquanto o dele era o picador de gelo. Nesse di&aacute;logo, Nise se refere ao instrumento utilizado na lobotomia para suprimir a conex&atilde;o do l&oacute;bulo frontal com o restante do c&eacute;rebro dos pacientes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O filme destaca o posicionamento de Nise contra os protocolos de tratamento psiqui&aacute;tricos defendidos por m&eacute;dicos daquela institui&ccedil;&atilde;o que procuravam a cura da doen&ccedil;a mental. Esses psiquiatras calculavam a efetividade do procedimento da lobotomia por meio do n&uacute;mero de altas m&eacute;dicas que diminu&iacute;am a superlota&ccedil;&atilde;o dos hospitais psiqui&aacute;tricos, um problema enfrentado pela administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da &eacute;poca. O filme evidencia que a escolha pela lobotomia era feita pelo m&eacute;dico e autorizada pela fam&iacute;lia, o paciente n&atilde;o consentia o procedimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pode-se observar no filme que Nise buscou impedir que um dos seus clientes fosse lobotomizado. Ao contatar sua fam&iacute;lia e mostrar a sua produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, Nise atestava a melhora geral em seu quadro cl&iacute;nico. Apesar de suas tentativas, n&atilde;o conseguiu impedir que tr&ecirc;s clientes do ateli&ecirc; de pintura passassem pelo procedimento cir&uacute;rgico. No entanto, Nise produziu uma an&aacute;lise comparativa das produ&ccedil;&otilde;es pl&aacute;sticas realizadas por eles antes e depois da psicocirurgia. Sua inten&ccedil;&atilde;o era evidenciar os efeitos do procedimento, como a separa&ccedil;&atilde;o entre o pensamento e os estados emocionais, perda da capacidade de s&iacute;ntese, de abstra&ccedil;&atilde;o, de cria&ccedil;&atilde;o, de planejamento. Diferente dos transtornos emocionais e da agita&ccedil;&atilde;o, os clientes, ap&oacute;s a lobotomia, pareciam aut&ocirc;matos. Suas reflex&otilde;es foram publicadas &#91;7&#93; com a inten&ccedil;&atilde;o de evitar que outras pessoas fossem submetidas &agrave; lobotomia. Mesmo com todo o empenho de Nise, a pr&aacute;tica da psicocirurgia n&atilde;o foi substitu&iacute;da de imediato, mas aos poucos pela subst&acirc;ncia clorpromazina, sintetizada no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1950. O uso da medica&ccedil;&atilde;o psicotr&oacute;pica foi o principal fator para a diminui&ccedil;&atilde;o da prescri&ccedil;&atilde;o da lobotomia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CURA PELA ARTE E PELO AFETO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Declaradamente inspirada por obras do fil&oacute;sofo holand&ecirc;s Baruch Spinoza (1632 - 1677), pela literatura de Machado de Assis (1839 - 1908) e pelas obras do poeta, ator e dramaturgo franc&ecirc;s Antonin Artaud (1896 - 1948), Nise da Silveira institui o ateli&ecirc; de pintura com a ajuda do artista pl&aacute;stico Almir Mavignier, que na &eacute;poca era estudante de pintura e funcion&aacute;rio do hospital. O objetivo do ateli&ecirc; era assistir os clientes e estimular a express&atilde;o art&iacute;stica (como a pintura, a modelagem e a m&uacute;sica). A express&atilde;o art&iacute;stica era entendida como uma forma de possibilitar ao indiv&iacute;duo exprimir as suas emo&ccedil;&otilde;es a partir da pr&aacute;tica ocupacional. Nas palavras de Nise: "a terapia ocupacional como a emo&ccedil;&atilde;o de lidar e suas consequ&ecirc;ncias" &#91;8&#93;. Essas atividades expressivas eram consideradas terap&ecirc;uticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas a&ccedil;&otilde;es de terapia ocupacional, acreditava-se que a rela&ccedil;&atilde;o de afeto era importante para promover um est&iacute;mulo de vida para as pessoas internadas na Casa das Palmeiras (espa&ccedil;o de reabilita&ccedil;&atilde;o dos internos do Centro Psiqui&aacute;trico do Engenho de Dentro). Uma forma de produzir afeto era estimulada por meio da rela&ccedil;&atilde;o que os clientes estabeleciam com os animais, c&atilde;es e gatos que assumiam a fun&ccedil;&atilde;o de "co-terapeutas" &#91;9&#93;. Segundo Nise, os clientes, ao cuidarem dos animais, produziam uma rela&ccedil;&atilde;o de responsabilidade e desenvolviam la&ccedil;os afetivos que, por sua vez, contribu&iacute;am para a sua pr&oacute;pria reabilita&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pav&atilde;o &#91;10&#93;, em sua etnograf&iacute;a, al&eacute;m de descrever a rela&ccedil;&atilde;o entre humano e animal na equoterapia, apresenta os efeitos que a terapia com cavalos provoca tanto no corpo, como na sa&uacute;de e no bem-estar humano. A autora explica que a zooterapia &eacute; estabelecida por meio de um v&iacute;nculo com o animal e com partes do seu corpo que emanam um potencial de cura ou uma capacidade agentiva. Essa rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica &eacute; composta por uma intencionalidade do cavalo e por sua capacidade de prever e perceber as a&ccedil;&otilde;es humanas. Diferente das rea&ccedil;&otilde;es que a equoterapia provoca no corpo f&iacute;sico, Nise observava como a rela&ccedil;&atilde;o de responsabilidade de cuidar e alimentar um animal promovia nos clientes um processo de organiza&ccedil;&atilde;o dos seus sentimentos. Foi o caso de um cliente que amenizou suas a&ccedil;&otilde;es consideradas agressivas, que eram investidas contra os trabalhadores do hospital, depois de estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o de afeto e responsabilidade por um c&atilde;o abandonado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ateli&ecirc; de pintura era um espa&ccedil;o de experimenta&ccedil;&atilde;o. Estimulados por Nise, os clientes experimentavam formas de manobrar suas emo&ccedil;&otilde;es por meio da produ&ccedil;&atilde;o de esculturas e pinturas. Para divulgar o trabalho realizado no ateli&ecirc; e as in&uacute;meras obras produzidas, em 1952, foi inaugurado o Museu de Imagens do Inconsciente. Nise, al&eacute;m de promover mostras p&uacute;blicas, organizou um grupo de estudo para discutir e analisar as express&otilde;es pl&aacute;sticas espont&acirc;neas, como as mandalas. Estudiosa da teoria do psicanalista su&iacute;&ccedil;o Carl Gustav Jung (19875 - 1961) sobre os arqu&eacute;tipos, Nise destacava as mandalas como s&iacute;mbolos que mostravam a tentativa de reorganiza&ccedil;&atilde;o da psique esquizofr&ecirc;nica. Contr&aacute;ria &agrave; ideia psicanal&iacute;tica de que esquizofr&ecirc;nicos n&atilde;o estabelecem rela&ccedil;&otilde;es de transfer&ecirc;ncia, Nise atestou a capacidade dos clientes em produzir rela&ccedil;&otilde;es afetivas manifestadas na pintura e na rela&ccedil;&atilde;o com os animais. Segundo Nise, a terapia ocupacional &eacute; uma forma de psicoterapia n&atilde;o verbal em que o indiv&iacute;duo se expressaria em uma linguagem arcaica, coletiva e universal.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No filme observamos como o ateli&ecirc; de pintura foi transformado, com a ajuda de Almir Mavignier, em um espa&ccedil;o de encontro entre artistas e cr&iacute;ticos de arte. A experi&ecirc;ncia no ateli&ecirc; fez com que muitos artistas questionassem a forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica e o modernismo figurativo (movimento art&iacute;stico que se inicia no fim do s&eacute;culo XIX) &#91;11&#93;. O cr&iacute;tico de arte M&aacute;rio Pedrosa, ao analisar as obras produzidas no ateli&ecirc;, formulou o conceito de "cria&ccedil;&atilde;o livre", que remete &agrave;s cria&ccedil;&otilde;es desprendidas de associa&ccedil;&otilde;es mentais j&aacute; executadas e de f&oacute;rmulas prontas. Segundo Pedrosa, a produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica precisaria estar desatada da atividade consciente - em suas palavras: o "que &eacute; a arte, afinal, do ponto de vista emotivo, sen&atilde;o a linguagem das for&ccedil;as inconscientes que atuam dentro de n&oacute;s?" &#91;12&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir do filme &eacute; poss&iacute;vel refletir sobre o modo como o saber psiqui&aacute;trico era operado, na d&eacute;cada de 1950, por meio de m&eacute;todos que visavam uma interven&ccedil;&atilde;o no corpo, um conhecimento fundamentado em um saber que procurava se constituir como uma psiquiatria cl&iacute;nica e neurol&oacute;gica. Esse modelo biol&oacute;gico da psiquiatria fisicalista &#91;13&#93; se constitu&iacute;a enquanto uma verdade apresentada por meio dos resultados das interven&ccedil;&otilde;es consideradas efetivas, que eram publicadas e expostas em congressos nacionais e internacionais. O que acontece nesse per&iacute;odo &eacute;, creio, o surgimento de uma pr&aacute;tica discursiva que legitima as interven&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas indicadas para "tratar" ou "curar" determinados comportamentos, como observamos no filme, agressivos e agitados. Apesar da constata&ccedil;&atilde;o dos efeitos nefastos da lobotomia, o dispositivo psiqui&aacute;trico &#91;14&#93; legitimava suas interven&ccedil;&otilde;es acionando os enunciados, os discursos de verdade e, por conseguinte, as publica&ccedil;&otilde;es e as apresenta&ccedil;&otilde;es em congressos. Por fim, o filme apresenta a inventividade do trabalho de Nise empreendido por meio da rela&ccedil;&atilde;o de afeto, seus resultados te&oacute;ricos e a sua import&acirc;ncia n&atilde;o apenas para as pessoas que viviam internadas, mas para os campos da psiquiatria e das artes pl&aacute;sticas em geral.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. O procedimento, denominado atualmente de eletroconvulsoterapia, deve ser consentido pelo usu&aacute;rio e realizado em hospital com anestesia (cf. resolu&ccedil;&atilde;o n. 1.640/2002). Para uma descri&ccedil;&atilde;o do procedimento indico o livro <i>O Capa-Branca: de funcion&aacute;rio a paciente de um dos maiores hospitais psiqui&aacute;tricos do Brasil</i> (escrito por Faria &amp; Sonim, publicado em 2014 pela editora Terceiro Nome) e a mat&eacute;    <!-- ref -->ria "Eletrochoque" da <i>Revista Piau&iacute;</i>, 21.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Longo, P. W.; Pimenta, A. M.; Arruda, J. "Lobotomia pr&eacute;-frontal. Resultados cl&iacute;nicos em hospital privado". Trabalho do Servi&ccedil;o de Neuro-Psiquiatria do Instituto Paulista (diretor-cl&iacute;nico: Prof. Paulino W. Longo), apresentado ao Congresso Internacional de Neurocirurgia, realizado em Lisboa. <i>Arq. Neuro-Psiquiatr. </i>&#91;internet&#93; v.7, n. 2, p. 126-140. Apr./Jun., 1949.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Cabral F. G.; Gusm&atilde;o, S.; Silveira, R. L. "Egas Moniz e a neurocirurgia brasileira". &#91;internet&#93; <i>Arq Bras Neurocir</i> v.19, n.3, p.136-139. 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Correia, M.; Marinho, M. G. S. M. C. "A 1ª Confer&ecirc;ncia Internacional de Psicocirurgia e a influ&ecirc;ncia dos cientistas brasileiros na atribui&ccedil;&atilde;o do pr&ecirc;mio Nobel a Egas Moniz". <i>Hist&oacute;ria da psiquiatria: ci&ecirc;ncia, pr&aacute;ticas e tecnologias de uma especialidade m&eacute;dica.</i> S&atilde;o Paulo &#91;internet&#93; p. 11-28. 2012.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Ibidem, p. 22.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Melo, W. "Nise da Silveira e o campo da sa&uacute;de mental (1944-1952): contribui&ccedil;&otilde;es, embates e transforma&ccedil;&otilde;es". <i>Mnemosine</i> v.5, n. 2, p. 30-52. 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Foram publicadas no I Congresso Mundial de Psiquiatria, realizado em Paris (1950),    <!-- ref --> no I Congresso Latino Americano de Sa&uacute;de Mental, realizado em S&atilde;o Paulo (1954),    <!-- ref --> e na revista <i>Medicina, Cirurgia e Farm&aacute;cia,</i> sob o t&iacute;tulo: "Contribui&ccedil;&atilde;o ao estudo dos efeitos da leucotomia sobre a atividade criadora".    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Silveira, N. da. <i>Do mundo da caral&acirc;mpia &agrave; emo&ccedil;&atilde;o de lidar</i>. &#91;v&iacute;deo youtube&#93; 1992.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Silveira, N. da. <i>Gatos, a emo&ccedil;&atilde;o de lidar.</i> L&eacute;o Christiano Editorial. Rio de Janeiro. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Pav&atilde;o, L. C. "Montaria a cavalo: um convite ao estudo antropol&oacute;gico sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre humanos e animais na equoterapia". <i>Revista Latinoamericana de Estudios Cr&iacute;ticos Animales,</i> v. 2, p. 99-115. 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Toledo, M. S. R. de. "Entre a arte e a terapia: as 'imagens do inconsciente' e o surgimento de novos artistas". <i>PROA: Revista de Antropologia e Arte</i>, v. 1, n. 3, 2011/2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Pedrosa, M. <i>Arte, necessidade vital.</i> Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil. 1949.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Magaldi, F. S. "Imagens do inconsciente: pessoa e visualidade no projeto m&eacute;dico-cient&iacute;fico de Nise da Silveira". <i>V Reuni&atilde;o de Antropologia da Ci&ecirc;ncia e da Tecnologia</i> - Porto Alegre. P. 1-16. 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Foucault, M. 2006. O poder psiqui&aacute;trico. Curso dado no Coll&egrave;ge de France (1973-1974). Editora Martins Fontes, S&atilde;o Paulo.    </font></p>      ]]></body><back>
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