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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> ARTES VISUAIS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A radia&ccedil;&atilde;o Basquiat</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mariana Castro Alves</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O menino Jean-Michel Basquiat j&aacute; desenhava autom&oacute;veis e quadrinhos, mas foi com <i>Gray's anatomy</i>, publicado em 1858 pelo cirurgi&atilde;o ingl&ecirc;s Henry Gray (1827-1861), que seu interesse por ilustra&ccedil;&otilde;es foi despertado. Hospitalizado por conta de um atropelamento quando tinha apenas sete anos, ele se distraia com as mais de trezentas figuras do livro de anatomia, por meio das quais queria entender a extens&atilde;o das les&otilde;es causadas pelo acidente. Presente dado pela m&atilde;e, a publica&ccedil;&atilde;o influenciaria para sempre sua obra, permeada por desenhos de &oacute;rg&atilde;os e de partes do corpo humano. O livro tamb&eacute;m d&aacute; nome &agrave; sua banda, Gray, onde tocava clarinete e sintetizador nas noites da Baixa Manhattan no fim dos anos 1970. Entre her&oacute;is negros, pugilistas, m&uacute;sicos de jazz e personagens de hist&oacute;ria em quadrinhos, v&aacute;rias refer&ecirc;ncias s&atilde;o trabalhadas em uma po&eacute;tica visual sofisticada desse artista que morreu precocemente, aos 27 anos, e que se tornaria um dos &iacute;cones das artes pl&aacute;sticas da segunda metade do s&eacute;culo XX.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n2/a17fig01.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n2/a17fig01thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Parte desse universo pode ser vista em grande retrospectiva que re&uacute;ne mais de 80 pe&ccedil;as pertencentes ao colecionador israelense Jose Mugrabi. Promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), ao longo de 2018, a mostra passa por S&atilde;o Paulo, Bras&iacute;lia, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>VEIAS DA CIDADE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Depois da inf&acirc;ncia no Brooklin, ingressou numa escola alternativa de Manhattan chamada City-as-school, para alunos superdotados. Tinha 16 anos. "Essa escola usava a cidade como sala de aula, organizando est&aacute;gios que combinavam trabalho e estudo. Mesmo depois que saiu de l&aacute;, a cidade de Nova York continuou sendo sua escola", conta o curador da exposi&ccedil;&atilde;o do CCBB, Pieter Tjabbes. Foi l&aacute; que Basquiat conheceu o artista grafiteiro Al Diaz, com quem, sob o pseud&ocirc;nimo SAMO (acr&ocirc;nimo para "same old shit", "a mesma merda de sempre"), pintava mensagens enigm&aacute;ticas pelas ruas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aos 18 anos, passou a morar com amigos, vendendo cart&otilde;es postais e camisetas pintadas &agrave; m&atilde;o para sobreviver. Tocava em clubes como o Mudd, a primeira casa noturna de Nova York a abrigar uma galeria e, j&aacute; nessa &eacute;poca, Basquiat fazia parte da cena art&iacute;stica mais intelectualizada da cidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Marcus Bastos, professor do Departamento de Arte da PUC-SP, o contexto multicultural da Baixa Manhattan permite que o artista amadure&ccedil;a uma linguagem bastante particular no di&aacute;logo com a cultura da cidade e com quest&otilde;es ligadas ao racismo e ao preconceito nos Estados Unidos. "No final dos anos 1970, Nova York era uma cidade sob o efeito da recess&atilde;o econ&ocirc;mica. Entre outras coisas, isso fez surgir um circuito de experimenta&ccedil;&atilde;o onde se cruzavam tribos urbanas procurando novas formas de express&atilde;o, com o fortalecimento do punk, do hip hop, do grafite, do skate. Era nesse cen&aacute;rio de novas linguagens da arte urbana que Basquiat estava inserido", afirma.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MITOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se aos 19 anos n&atilde;o tinha dinheiro para comprar tinta, aos 24 suas pinturas alcan&ccedil;am os US$ 25 mil. "Depois que exp&ocirc;s na galeria de Annina Nosei, especializada em pintura contempor&acirc;nea, Basquiat passou a atrair muita aten&ccedil;&atilde;o. Criou-se uma mitologia de que ficava no subsolo, trancado como um escravo, produzindo em troca de coca&iacute;na, o que permitia uma produ&ccedil;&atilde;o em ritmo acelerado", conta o professor do Departamento de Artes Pl&aacute;sticas da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), Geraldo de Souza Dias Filho. "Houve um salto de qualidade quando foi para a galeria da assistente de Leo Castelli, a Mary Boone. Esse foi um segundo momento. O terceiro momento foi com Warhol", explica o professor da USP.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Basquiat produz com Andy Warhol (1928-1987) mais de cem quadros em grande formato - alguns dos quais est&atilde;o na exposi&ccedil;&atilde;o do CCBB. No ateli&ecirc;, Warhol normalmente projetava uma imagem sobre a tela e a&iacute; pintava &agrave; m&atilde;o. Basquiat trabalhava sobre a tela, pintando e acrescentando imagens e palavras. Em 1985, quando os quadros s&atilde;o expostos, a parceria &eacute; desfeita depois de cr&iacute;ticas negativas. A partir da&iacute; Basquiat torna-se cada vez mais recluso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1988, no ano seguinte ao falecimento de Warhol, Basquiat morre aos 27 anos, por "intoxica&ccedil;&atilde;o aguda por mistura de drogas", conforme indicado em sua aut&oacute;psia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LINGUAGEM</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A colagem din&acirc;mica de palavras e imagens em objetos como portas e esquadrias faz de Basquiat um dos maiores expoentes da cultura da remixagem. "A mistura de influ&ecirc;ncias e imagens de gigantes da hist&oacute;ria da arte, como Da Vinci, at&eacute; Looney Tunes, reflete seu extraordin&aacute;rio <i>insight</i> sobre o modo como as pessoas de sua gera&ccedil;&atilde;o enxergavam o mundo", diz o curador. "A liberdade composicional do pintor e fot&oacute;grafo norte-americano Cy Twombly (1928-2011), bem como sua integra&ccedil;&atilde;o de palavra, imagem e gestos, eram uma influ&ecirc;ncia reconhecida", aponta Tjabbes. Conforme explica Dias Filho, apesar das palavras estarem presentes nas artes pl&aacute;sticas desde a Idade M&eacute;dia, como em Fra Angelico (1387-1455), na arte moderna ocorre uma contamina&ccedil;&atilde;o do c&oacute;digo escrito e imag&eacute;tico. "Em Basquiat, as palavras preenchem os espa&ccedil;os, por isso, ele &eacute; muito mais visual que poeta", afirma. Nos Estados Unidos, entre o final de 1960 e os 1970, o minimalismo e uma arte conceitual dominavam as artes visuais. No entanto, nos anos 1980, a pintura, que tinha sido deixada de lado em favor da escultura, retorna e traz de volta a subjetividade do artista que se expressa por meio de figuras marcantes. Um exemplo &eacute; o pintor neo-expressionista Julian Schnabel, que em 1996 dirigiria o filme <i>Basquiat- tra&ccedil;os de uma vida. </i>Com esse ou outro r&oacute;tulo, os pre&ccedil;os de Basquiat crescem exponencialmente ap&oacute;s sua morte. Em 2017, um quadro de caveira negra foi arrebatado por US$ 110,5 milh&otilde;es em Nova York, tornando-se a sexta pe&ccedil;a mais cara j&aacute; vendida em leil&atilde;o.</font></p>      ]]></body>

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