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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br> DIVULGA&Ccedil;&Atilde;O CIENT&Iacute;FICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Leopoldo de Meis: inspira&ccedil;&atilde;o e criatividade  ao falar de ci&ecirc;ncia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patricia Piacentini</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Um cientista que poder&iacute;amos chamar de 'amplo espectro', ou, mais ainda, um cientista completo. Ele contribuiu com a defini&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas cient&iacute;ficas, estimulou pessoas leigas a gostarem de ci&ecirc;ncia", &eacute; assim que Helena Nader, professora da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp) e presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), definiu o cientista Leopoldo de Meis em uma homenagem na 67ª reuni&atilde;o anual da entidade, que ocorreu em 2015. O bioqu&iacute;mico, professor em&eacute;rito e fundador do Instituto de Bioqu&iacute;mica M&eacute;dica (IBqM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - hoje Instituto de Bioqu&iacute;mica M&eacute;dica Leopoldo de Meis - faleceu em 2014 e deixou n&atilde;o s&oacute; saudades, mas uma rica contribui&ccedil;&atilde;o em sua &aacute;rea do conhecimento, muita inspira&ccedil;&atilde;o e exemplos de solu&ccedil;&otilde;es criativas na divulga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia. "Ele foi uma dessas pessoas raras, que conseguem, sempre com grande compet&ecirc;ncia, empenhar-se em distintas atividades", descreve Luiz Davidovich, f&iacute;sico da UFRJ e presidente da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Meis nasceu no Egito em 1º de mar&ccedil;o de 1938, mas cresceu em N&aacute;poles, na It&aacute;lia. Quando tinha nove anos sua fam&iacute;lia se mudou para o Brasil. Formou-se em medicina na UFRJ, mas descobriu sua verdadeira voca&ccedil;&atilde;o no laborat&oacute;rio de bioqu&iacute;mica, no Instituto Oswaldo Cruz, sob a influ&ecirc;ncia do professor Walter Oswaldo Cruz (1910-1697). Assim, abra&ccedil;ou a carreira cient&iacute;fica, que o projetou internacionalmente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n3/a16fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PERTO DO NOBEL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trabalhou nas linhas de pesquisa na &aacute;rea de bioenerg&eacute;tica, com os mecanismos de transdu&ccedil;&atilde;o de energia em sistemas biol&oacute;gicos, transporte ativo de &iacute;ons, e s&iacute;ntese e hidr&oacute;lise de ATP (adenosina trifosfato). Os resultados est&atilde;o em 205 trabalhos cient&iacute;ficos em revistas nacionais e internacionais, al&eacute;m de muitos pr&ecirc;mios recebidos no Brasil e exterior. "Era um cientista extremamente criativo e que, incansavelmente, testava suas hip&oacute;teses experimentais na bancada. E sempre discutia com todos as teorias e a interpreta&ccedil;&atilde;o dos dados. Eu conheci o Leopoldo ainda no primeiro per&iacute;odo do curso de medicina, em 1979, quando cursei a disciplina de bioqu&iacute;mica", recorda Jerson Lima Silva, professor do IBqM e diretor cient&iacute;fico da Funda&ccedil;&atilde;o Carlos Chagas Filho de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Vivian Rumjanek, professora da UFRJ e companheira de Meis, ele possu&iacute;a uma curiosidade enorme por todas as &aacute;reas e uma capacidade de perceber detalhes e ir atr&aacute;s dos significados. "Enfim, como todo bom cientista, ele tinha uma mente original. Trabalhava muito, fazendo seus pr&oacute;prios experimentos na bancada, at&eacute; perto de sua morte. Acima de tudo, Leopoldo era uma pessoa inspiradora", conta ela.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Silva, Meis era um grande s&aacute;bio. "Ficava atento a tudo e a todos procurando incentivar, nos mais jovens, a carreira cient&iacute;fica. Suas descobertas com a ATPase de c&aacute;lcio revolucionaram a &aacute;rea de ATPases transportadoras de &iacute;ons. Todas as descobertas mais importantes dessa &aacute;rea foram feitas por Leopoldo e seu grupo. De certa forma, foi injusto ele n&atilde;o ter sido agraciado com o Nobel para as ATPases. Ele estava na 'shortlist', mas isso acontece o tempo todo", lamenta Silva, que conviveu com o professor e teve sua carreira influenciada por ele em v&aacute;rios momentos. Al&eacute;m dos trabalhos cient&iacute;ficos na &aacute;rea de bioenerg&eacute;tica, Meis teve atua&ccedil;&atilde;o na cienciometria, com o objetivo de medir o impacto da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica nacional. Juntamente com Jacqueline Leta, professora da UFRJ, publicou o livro <i>O perfil da ci&ecirc;ncia brasileira</i>, lan&ccedil;ado em 1990, que mostrou os dados do crescimento da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTISTA DA CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O professor e bioqu&iacute;mico deixou sua marca tamb&eacute;m nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a educa&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncia. "Leopoldo possu&iacute;a uma grande preocupa&ccedil;&atilde;o social. Fez um trabalho important&iacute;ssimo relacionado &agrave; inclus&atilde;o de jovens de baixa renda, dando-lhes a oportunidade de entrar na universidade p&uacute;blica atrav&eacute;s de seu projeto "Jovens Talentosos", diz Rumjanek. Nesse projeto, adolescentes da periferia da cidade do Rio de Janeiro podiam ter contato com a pr&aacute;tica cient&iacute;fica no IBqM. "A ideia envolvia todo o instituto e passou a ser um grande modelo para o restante do pa&iacute;s. Essa iniciativa levou &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de dezenas de doutores altamente talentosos", destaca Silva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Meis trabalhou ainda na difus&atilde;o da ci&ecirc;ncia, com o lan&ccedil;amento de materiais did&aacute;ticos que tivessem um formato e linguagem atraentes para o p&uacute;blico jovem. A ideia era expor o conhecimento de uma forma diferenciada para despertar interesse e emo&ccedil;&atilde;o. "O cientista tem os seus momentos de emo&ccedil;&atilde;o, o problema &eacute; como transmitir isso. Os bons cientistas, os que se destacam, falam dessas emo&ccedil;&otilde;es, falam da intui&ccedil;&atilde;o", disse Meis em entrevista &agrave; revista <i>Pesquisa Fapesp</i> (ed.70, 2001).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir disso, lan&ccedil;ou livros com hist&oacute;rias em quadrinhos sobre ci&ecirc;ncia como O m&eacute;todo cient&iacute;fico, de 1996, e <i>A respira&ccedil;&atilde;o e a 1ª lei da termodin&acirc;mica ou a alma da mat&eacute;ria</i>, de 1998, ambos em parceria com Diuc&ecirc;nio Rangel, cartunista e doutor em qu&iacute;mica biol&oacute;gica pelo IBqM/UFRJ. Criou tamb&eacute;m pe&ccedil;as de teatro, na qual atuou e que foram encenadas em diferentes cidades do pa&iacute;s, e at&eacute; filmes com imagens de computa&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica, como A evolu&ccedil;&atilde;o do conhecimento, <i>A contra&ccedil;&atilde;o muscular, Luz, trevas e o m&eacute;todo cient&iacute;fico - guerreiros valentes do impens&aacute;vel e A mitoc&ocirc;ndria em tr&ecirc;s atos</i>. Os filmes podem ser acessados no You Tube.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Davidovich, Meis preocupava-se em "trabalhar a claridade dos demais", ou seja, em aumentar o conhecimento cient&iacute;fico da popula&ccedil;&atilde;o, principalmente os jovens. "Por isso mesmo uniu a ci&ecirc;ncia &agrave; arte de forma admir&aacute;vel, percorrendo o pa&iacute;s com suas pe&ccedil;as teatrais baseadas em conceitos cient&iacute;ficos claramente expostos, mobilizando estudantes e p&oacute;s-doutores que se tornavam 'artistas da ci&ecirc;ncia'. Reunia sistematicamente, aproveitando as f&eacute;rias de ver&atilde;o, estudantes de ensino m&eacute;dio em seu laborat&oacute;rio, estimulando a curiosidade e a paix&atilde;o pelo conhecimento. V&aacute;rios desses estudantes s&atilde;o hoje cientistas ativos, que se lembram com gratid&atilde;o do ambiente estimulante de pesquisa proporcionado por Leopoldo", enfatiza. Silva salienta que o Instituto de Bioqu&iacute;mica M&eacute;dica da UFRJ abra&ccedil;ou as ideias de Meis. "A nossa p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em qu&iacute;mica biol&oacute;gica tem uma &aacute;rea de concentra&ccedil;&atilde;o em divulga&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o e gest&atilde;o de ci&ecirc;ncias. Essa iniciativa foi acompanhada por v&aacute;rios outros programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s e at&eacute; do exterior", explica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n3/a16fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As iniciativas de Meis de arte e educa&ccedil;&atilde;o na ci&ecirc;ncia continuam vivas com diversos grupos no pa&iacute;s. "Os grupos da Rede Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o e Ci&ecirc;ncia - Novos Talentos da Rede P&uacute;blica, formada por ele e envolvendo grupos de cientistas de v&aacute;rias partes do Brasil, continuam produzindo revistas ilustradas, v&iacute;deos, pe&ccedil;as de teatro, e isso tudo &eacute; resultado do entusiasmo contagiante do Leopoldo pela &aacute;rea. A Rede continua existindo e agora leva o nome dele – Rede Nacional Leopoldo de Meis de Educa&ccedil;&atilde;o e Ci&ecirc;ncia", destaca Rumjanek.</font></p>      ]]></body>

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