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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> FAPS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A SBPC e as funda&ccedil;&otilde;es  de amparo &agrave; pesquisa</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mariana Castro Alves</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um pa&iacute;s marcado por desigualdades sociais e regionais, as 26 funda&ccedil;&otilde;es de amparo &agrave; pesquisa (FAPs) s&atilde;o fundamentais para o desenvolvimento local em articula&ccedil;&atilde;o com o sistema de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o nacional. S&atilde;o 26 funda&ccedil;&otilde;es distribu&iacute;das em quase todos os estados da federa&ccedil;&atilde;o - a exce&ccedil;&atilde;o &eacute; Roraima - incluindo o Distrito Federal. &Oacute;rg&atilde;os da estrutura do poder executivo estadual, as FAPs auxiliam a pesquisa por meio da concess&atilde;o de bolsas e financiamento a projetos. Cada FAP tem sua constitui&ccedil;&atilde;o e regimento pr&oacute;prios e o or&ccedil;amento &eacute; ligado &agrave; receita estadual. O percentual repassado pode variar de acordo com cada legisla&ccedil;&atilde;o, de 0,5% a at&eacute; 2%, sendo corrente 1% da receita l&iacute;quida estadual. Para aumentar o n&uacute;mero de oportunidades para pesquisadores e institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa, fazem acordos com ag&ecirc;ncias nacionais como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq), a Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (Capes) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e organismos internacionais. "Nesse sentido, representam mecanismos de corre&ccedil;&atilde;o de assimetrias, constituindo um papel fundamental para o sistema nacional de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o", explica Maria Zaira Turchi, presidente do Conselho Nacional das Funda&ccedil;&otilde;es Estaduais de Amparo &agrave; Pesquisa (Confap) e da Fapeg (Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa de Goi&aacute;s).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n4/a03fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A despeito de seu papel fundamental no financiamento da pesquisa em n&iacute;vel local, restri&ccedil;&otilde;es or&ccedil;ament&aacute;rias t&ecirc;m atingido as FAPs atualmente. Uma das raz&otilde;es &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o de recursos dos conv&ecirc;nios junto ao governo federal. O contingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (FNDCT) impede a continuidade de alguns programas de apoio &agrave; pesquisa do CNPq e do programa de subven&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica para o desenvolvimento da inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, da Finep, por exemplo. Al&eacute;m disso, a queda na arrecada&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m afeta as FAPs: "Alguns estados v&ecirc;m enfrentando dificuldades financeiras que refletem na arrecada&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, no cumprimento pleno dos repasses financeiros previstos em lei para as funda&ccedil;&otilde;es", afirma Turchi. Mesmo assim, segundo ela, as funda&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m se empenhado para manter seus programas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CI&Ecirc;NCIA LOCAL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um exemplo &eacute; a Funda&ccedil;&atilde;o Arauc&aacute;ria, do Paran&aacute;. Criada no ano 2000, seu or&ccedil;amento corresponde hoje a 0,2% da receita tribut&aacute;ria do estado. Segundo sua assessoria de comunica&ccedil;&atilde;o, embora tenha sido atingida pela crise, o repasse vem sendo cumprido. De 2011 a 2018, a Funda&ccedil;&atilde;o Arauc&aacute;ria investiu um total de R$ 407,8 milh&otilde;es, concedendo recursos para 23,8 mil bolsas de estudo e 4,9 mil projetos de pesquisa. A import&acirc;ncia desses investimentos pode ser avaliada pela evolu&ccedil;&atilde;o dos programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o no estado. O Paran&aacute; tem hoje 326 programas de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o de excel&ecirc;ncia no Brasil, sendo a unidade da federa&ccedil;&atilde;o que teve a menor diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de notas, de acordo com a &uacute;ltima avalia&ccedil;&atilde;o quadrienal da Capes, em 2017.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado do Piau&iacute; (Fapepi) &eacute; outro exemplo de FAP que vem cumprindo os compromissos com bolsas e financiamento de projetos. Para isso, a Fapepi tem lan&ccedil;ado m&atilde;o de planejamento estrat&eacute;gico com foco no equil&iacute;brio financeiro. De acordo com o presidente em exerc&iacute;cio, Wellington Camar&ccedil;o, isso assegurou que a Fapepi n&atilde;o apenas resistisse &agrave; instabilidade, mas pudesse ampliar o seu or&ccedil;amento de R$ 2 milh&otilde;es para R$ 7 milh&otilde;es no per&iacute;odo de 2015 a 2017. "Isso aconteceu justamente porque o governo do estado reconheceu o papel essencial da Fapepi no desenvolvimento da pesquisa no Piau&iacute;". Fundada em 1993, a Fapepi faz diferen&ccedil;a no desenvolvimento cient&iacute;fico piauiense. Al&eacute;m do impulso &agrave; inova&ccedil;&atilde;o junto ao setor produtivo local, fornece bolsas de pesquisas individuais nos diversos n&iacute;veis; promove parcerias que possibilitam aquisi&ccedil;&atilde;o de equipamentos para laborat&oacute;rios; apoia eventos cient&iacute;ficos na capital Teresina e no interior; d&aacute; apoio a publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas locais e colabora para que pesquisadores participem de interc&acirc;mbios em outras regi&otilde;es do Brasil e tamb&eacute;m no exterior. O percentual de arrecada&ccedil;&atilde;o destinado &agrave; Fapepi &eacute; de 1%. Segundo Camar&ccedil;o, a luta &eacute; para que esse percentual se torne obrigat&oacute;rio e passe para 5% atrav&eacute;s de uma lei estadual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"As funda&ccedil;&otilde;es estaduais de amparo &agrave; pesquisa, em geral, t&ecirc;m um papel imprescind&iacute;vel de acompanhar muito mais especificamente as demandas da comunidade cient&iacute;fica e acad&ecirc;mica e vincul&aacute;-las &agrave;s necessidades e desafios mais priorit&aacute;rios dos estados", afirma o diretor-presidente da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), F&aacute;bio Guedes Gomes. Em Alagoas, a Fapeal &eacute; imprescind&iacute;vel para pesquisas na &aacute;rea da sa&uacute;de e recursos h&iacute;dricos. "Convivemos com problemas de sa&uacute;de muito particulares e as pesquisas j&aacute; est&atilde;o bastante avan&ccedil;adas, tanto na preven&ccedil;&atilde;o quanto no diagn&oacute;stico e cura, para casos de leishmaniose e fendas orais", relata Gomes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra grande contribui&ccedil;&atilde;o s&atilde;o as pesquisas que auxiliam a constru&ccedil;&atilde;o do Canal do Sert&atilde;o, uma das maiores obras h&iacute;dricas do pa&iacute;s, com 250 km de extens&atilde;o, hoje com 50% das obras conclu&iacute;das. "Somente a ci&ecirc;ncia, apoiada com recursos de uma funda&ccedil;&atilde;o como a nossa, pode auxiliar em projetos adequados de explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e uso e manejo dos recursos h&iacute;dricos para irriga&ccedil;&atilde;o", aponta Gomes. No caso Fapeal, embora recursos federais tenham diminu&iacute;do, pelo lado do governo estadual n&atilde;o tem acontecido contingenciamento. <i>"</i>Pelo contr&aacute;rio, em 2014 foram disponibilizados R$ 10,5 milh&otilde;es e iremos fechar 2018 com um volume de recursos da ordem de R$ 18 milh&otilde;es, alcan&ccedil;ando, portanto 0,6% da receita corrente l&iacute;quida do estado", informa. Desde 2015, foram investidos R$ 55 milh&otilde;es em 51 editais p&uacute;blicos, sendo 17 em coopera&ccedil;&atilde;o internacional, destes sendo R$ 42 milh&otilde;es destinados a 3 mil bolsas de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, mestrado, doutorado e extens&atilde;o tecnol&oacute;gica e R$ 13 milh&otilde;es a aux&iacute;lios para mais de 650 projetos de pesquisa. "Foram 150 eventos cient&iacute;ficos, acad&ecirc;micos e tecnol&oacute;gicos apoiados pela Fapeal durante esse per&iacute;odo, inclusive para a realiza&ccedil;&atilde;o da 70Âª Reuni&atilde;o Anual da SBPC que aconteceu em julho deste ano", lembra Gomes.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AS FAPS E A SBPC</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde a sua cria&ccedil;&atilde;o, em 1948, a SBPC tem atuado na linha de frente das discuss&otilde;es e na mobiliza&ccedil;&atilde;o da comunidade cient&iacute;fica nos estados, junto aos poderes executivo e legislativo, para a cria&ccedil;&atilde;o e manuten&ccedil;&atilde;o das funda&ccedil;&otilde;es de amparo &agrave; pesquisa. A defesa das FAPs pela SBPC tem ocorrido desde a cria&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (Fapesp), em 1962, modelo para todo o pa&iacute;s. Em 1964 &eacute; criada a Fapergs, do Rio Grande do Sul. Em 1980, &eacute; fundada a Faperj, do Rio de Janeiro. Em 1985, nasce a Fapemig, de Minas Gerais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v70n4/a03fig02.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v70n4/a03fig02thumb.jpg">    <br> <font size="2" face="verdana, arial, helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos anos 1990 foram criadas as demais FAPs, tamb&eacute;m a partir do esfor&ccedil;o da SBPC, principalmente pelo trabalho das secretarias regionais. Cientistas da SBPC tiveram papel fundamental para que fosse inclu&iacute;da na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 a vincula&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria para ci&ecirc;ncia e tecnologia. Durante esse processo, a SBPC conclamava suas secretarias regionais para desenvolver o mesmo trabalho nos estados junto aos parlamentares constituintes. Assim, a maioria das constitui&ccedil;&otilde;es estaduais passou a incluir uma vincula&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria e estabeleceu que seriam criadas e mantidas funda&ccedil;&otilde;es de amparo &agrave; pesquisa. No Cear&aacute;, por exemplo, "foram feitos contatos com l&iacute;deres partid&aacute;rios e outras autoridades para que a ideia fosse, pouco a pouco, acatada pelos parlamentares", conforme afirma a pesquisadora Elvira de S&aacute; Morais, pesquisadora da Universidade Estadual do Cear&aacute; (UECE), no livro <i>A UECE e a pol&iacute;tica estadual de ensino superior</i> (AnnaBlume, 2000). A lei da cria&ccedil;&atilde;o da Funda&ccedil;&atilde;o Cearense de Amparo &agrave; Pesquisa (Funcap) foi aprovada em 1990. Em 1991, 18 estados j&aacute; contavam com vincula&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria para ci&ecirc;ncia e tecnologia em suas constitui&ccedil;&otilde;es, conforme contou o f&iacute;sico Ennio Candotti, presidente de honra da SBPC e diretor do Museu da Amaz&ocirc;nia (Musa), em entrevista para a revista <i>Universidade e Sociedade</i>, da Andes (ano 1, n.2, nov.1991, p. 56).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o antrop&oacute;logo do Museu Nacional, Ot&aacute;vio Velho, a cria&ccedil;&atilde;o das FAPs tem rela&ccedil;&atilde;o com essas secretarias. "A face p&uacute;blica da SBPC se restringia &agrave;s reuni&otilde;es anuais at&eacute; a d&eacute;cada de 1970. A partir de ent&atilde;o, a SBPC multiplica suas atividades em todo o pa&iacute;s com o impulso das secretarias regionais", conta o antrop&oacute;logo, tamb&eacute;m presidente de honra da SBPC. Na opini&atilde;o da presidente da Confap, as secretarias regionais seguem sendo fundamentais na defesa dasFAPs como institui&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas para o desenvolvimento de cada estado e regi&atilde;o e para o sistema nacional de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. "Em seus f&oacute;runs e reuni&otilde;es, a SBPC tem apoiado a amplia&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o das FAPs, o cumprimento da vincula&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento estadual e o repasse regular dos recursos financeiros", finaliza Turchi.</font></p>      ]]></body>
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