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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> 70 ANOS DA SBPC</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>30 anos da  Constitui&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde;</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Chris Bueno</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n4/a04fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Direito &agrave; vida, &agrave; liberdade, &agrave; seguran&ccedil;a e acesso universal &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, &agrave; sa&uacute;de, &agrave; cultura. Essas foram algumas das maiores mudan&ccedil;as trazidas pela Constitui&ccedil;&atilde;o Brasileira de 1988, que acabou ficando conhecida como a "Constitui&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde;". A Constituinte marcou a volta da democracia no pa&iacute;s e ainda introduziu na lei brasileira os princ&iacute;pios fundamentais de cidadania e dignidade da pessoa humana. Al&eacute;m disso, contou com a participa&ccedil;&atilde;o efetiva da popula&ccedil;&atilde;o e de v&aacute;rias entidades e organiza&ccedil;&otilde;es - entre elas, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), que teve um papel crucial na inser&ccedil;&atilde;o de cap&iacute;tulos e artigos sobre ci&ecirc;ncia, tecnologia, educa&ccedil;&atilde;o e direitos humanos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ano de 2018 &eacute; um ano de dupla comemora&ccedil;&atilde;o, pois &eacute; marcado pelo trig&eacute;simo anivers&aacute;rio da atual Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira e pelo septuag&eacute;simo anivers&aacute;rio da SBPC. Os 70 anos de hist&oacute;ria da Sociedade foram marcados pela luta pelo desenvolvimento cient&iacute;fico e social brasileiro. E durante o per&iacute;odo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, a SBPC marcou presen&ccedil;a, defendendo os direitos humanos e batalhando pelo direito &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e &agrave; sa&uacute;de do povo brasileiro. "A SBPC, ao longo desses 70 anos de exist&ecirc;ncia, tem sido n&atilde;o apenas um espa&ccedil;o de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica da ci&ecirc;ncia, como tamb&eacute;m tem exercido um importante e fundamental papel de luta pela defesa da pesquisa cient&iacute;fica no pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, atuou ativamente em defesa dos direitos humanos, da cidadania, da educa&ccedil;&atilde;o e da democracia", aponta Gra&ccedil;a Caldas, jornalista e pesquisadora do Laborat&oacute;rio de Estudos Avan&ccedil;ados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil tornou-se o principal s&iacute;mbolo do processo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o nacional, depois de mais de duas d&eacute;cadas de ditadura militar. Ela se contrap&ocirc;s diretamente &agrave; Constituinte anterior, de 1967, considerada a mais autorit&aacute;ria das constitui&ccedil;&otilde;es brasileiras: entre suas medidas, estabelecia a suspens&atilde;o dos direitos pol&iacute;ticos de qualquer cidad&atilde;o, a censura da imprensa e o poder absoluto para o presidente fechar o Congresso Nacional. Assim, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 buscava retomar o caminho da democracia e a recupera&ccedil;&atilde;o dos direitos dos cidad&atilde;os. "A ditadura deixou como sua marca indel&eacute;vel a viola&ccedil;&atilde;o dos direitos civis. A express&atilde;o 'para que nunca mais se repita' tornou-se, e permanece, um guia para os trabalhos relativos &agrave; educa&ccedil;&atilde;o em/para direitos humanos", explica Roseli Fischmann, professora da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). "A Constituinte operou, de fato, como mobilizadora e catalizadora da defini&ccedil;&atilde;o de pautas em prol dos direitos humanos e significou a reconquista da cidadania e  da democracia".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse retorno &agrave; democracia, a participa&ccedil;&atilde;o popular foi fundamental. Por isso, cidad&atilde;os e entidades representativas (associa&ccedil;&otilde;es, sindicatos e movimentos sociais) puderam se organizar para elaborar emendas e encaminhar suas sugest&otilde;es para a Assembleia Nacional Constituinte, instaurada em 1987 e liderada por Ulysses Guimar&atilde;es. E a participa&ccedil;&atilde;o foi alta: 15 milh&otilde;es de brasileiros assinaram mais de 50 emendas ao texto b&aacute;sico. Foi a primeira vez que emendas populares foram permitidas em uma constituinte brasileira e que se realizaram audi&ecirc;ncias e consultas p&uacute;blicas no Congresso. Ao todo, mais de 80 mil emendas foram propostas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A SBPC formou uma Comiss&atilde;o de Estudos para a Constituinte, coordenada pelo soci&oacute;logo Jos&eacute; Albertino Rodrigues, professor da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos, para discutir propostas para a nova Constitui&ccedil;&atilde;o. O resultado foi um documento de 15 p&aacute;ginas com propostas para as &aacute;reas de ci&ecirc;ncia e tecnologia, educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, espa&ccedil;o territorial, meio ambiente e popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas. "Os pesquisadores atuaram como assessores, muitas vezes informais, na Constituinte. Por isso, podemos dizer que as sociedades cient&iacute;ficas tiveram papel decisivo nesse processo, e de modo especial a SBPC que j&aacute; havia se notabilizado na luta contra a ditadura, tendo voz potente e de alcance internacional", completa Fischmann.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CI&Ecirc;NCIA &amp; TECNOLOGIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, promulgada em 5 de outubro, &eacute; a primeira que manifesta de modo expl&iacute;cito a import&acirc;ncia estrat&eacute;gica da ci&ecirc;ncia e da tecnologia para o desenvolvimento socioecon&ocirc;mico do Brasil. O primeiro par&aacute;grafo do Artigo 218 determina que "a pesquisa cient&iacute;fica b&aacute;sica receber&aacute; tratamento priorit&aacute;rio do Estado, tendo em vista o bem p&uacute;blico e o progresso das ci&ecirc;ncias". Assim, a Constituinte estabelece que &eacute; responsabilidade do Estado promover o progresso da ci&ecirc;ncia visando o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social e o bem-estar da popula&ccedil;&atilde;o. "A SBPC foi parceira, juntamente com muitas outras entidades cient&iacute;ficas, na luta pela valoriza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia e da tecnologia no pa&iacute;s", enfatiza Ildeu de Castro Moreira, atual presidente da SBPC. "&Eacute; uma luta que se iniciou h&aacute; muito tempo e que se mant&eacute;m at&eacute; hoje, para mostrar a import&acirc;ncia que a ci&ecirc;ncia tem  para o desenvolvimento do pa&iacute;s, tanto social quanto econ&ocirc;mico, e at&eacute; mesmo na quest&atilde;o da soberania nacional. A ci&ecirc;ncia  est&aacute; intrinsicamente atrelada  a tudo isso".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n4/a04fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra quest&atilde;o importante que ficou determinada na Constitui&ccedil;&atilde;o, e que teve contribui&ccedil;&atilde;o da SBPC e de outras sociedades cient&iacute;ficas, foi sobre a energia nuclear. Depois da crise do petr&oacute;leo de 1973, o governo pensou em investir mais pesadamente em energia nuclear, mas a SBPC e as sociedades cient&iacute;ficas foram veementemente contra. Desta forma, ficou estabelecido que  obras e instala&ccedil;&otilde;es que utilizem energia nuclear s&oacute; seriam implantadas ap&oacute;s aprova&ccedil;&atilde;o popular, atrav&eacute;s de plebiscito. Do mesmo modo, ficou vedada a constru&ccedil;&atilde;o, o armazenamento e o transporte de armas nucleares em territ&oacute;rio nacional.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>EDUCA&Ccedil;&Atilde;O &amp; SA&Uacute;DE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A SBPC tamb&eacute;m teve participa&ccedil;&atilde;o significativa na elabora&ccedil;&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o de cap&iacute;tulos e artigos sobre educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de. "A perspectiva educacional sempre esteve presente na hist&oacute;ria da SBPC", destaca Caldas. Desta forma, durante a Assembleia Constituinte, a Sociedade apoiou o manifesto dos educadores para garantir o direito de todos os cidad&atilde;os brasileiros &agrave; educa&ccedil;&atilde;o em todos os n&iacute;veis, e o dever do Estado prover os meios para isso. "Essa &eacute; outra luta permanente da SBPC desde o princ&iacute;pio, pela melhoria da educa&ccedil;&atilde;o brasileira em todos os n&iacute;veis. N&oacute;s nos envolvemos nas discuss&otilde;es da cria&ccedil;&atilde;o da Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o (LDB) e no processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o e expans&atilde;o das universidades federais e tamb&eacute;m estamos brigando contra a reforma do ensino m&eacute;dio. Enfim, &eacute; uma luta cont&iacute;nua, sempre buscando o caminho para uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade. Porque a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; a base de tudo: voc&ecirc; n&atilde;o vai ter ci&ecirc;ncia de ponta ou inova&ccedil;&atilde;o sem educa&ccedil;&atilde;o, assim como n&atilde;o vai ter desenvolvimento social, nem mesmo cidadania, sem educa&ccedil;&atilde;o", afirmou Moreira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do mesmo modo, engajada com outras entidades e sociedades cient&iacute;ficas, a SBPC se envolveu na discuss&atilde;o para garantir o direito &agrave; sa&uacute;de por todos os cidad&atilde;os brasileiros - o que significa acesso universal e igualit&aacute;rio &agrave;s a&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os de promo&ccedil;&atilde;o, prote&ccedil;&atilde;o e recupera&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de em todos os n&iacute;veis, assegurado pelo Estado. "Tamb&eacute;m foi nosso objeto de discuss&atilde;o que a organiza&ccedil;&atilde;o das a&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os de sa&uacute;de incorporassem os resultados do conhecimento cient&iacute;fico desenvolvido nacionalmente, ressaltando o valor fundamental da ci&ecirc;ncia e da tecnologia nesse setor", enfatiza Moreira.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DIREITOS HUMANOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 trouxe o reconhecimento da pluralidade e a reconfigura&ccedil;&atilde;o de novos espa&ccedil;os sociais, permitindo pela primeira vez repensar as desigualdades sociais no pa&iacute;s. Isso permitiu atingir um novo patamar de discurso sobre os direitos humanos - e nessa discuss&atilde;o a SBPC tamb&eacute;m teve uma participa&ccedil;&atilde;o ativa. "A tem&aacute;tica dos direitos humanos e o combate &agrave;s desigualdades sociais no Brasil sempre estiveram presentes nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas da SBPC e em suas a&ccedil;&otilde;es", aponta Caldas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como ci&ecirc;ncia e tecnologia interagem com outros setores, a SBPC enfatizou nos artigos e cap&iacute;tulos propostos sua import&acirc;ncia para o desenvolvimento social e para o bem-estar da popula&ccedil;&atilde;o. "A ci&ecirc;ncia &eacute; necess&aacute;ria o tempo todo. O Brasil precisa dela para um desenvolvimento sustent&aacute;vel e inteligente, que contribua para a melhoria da qualidade de vida de todos ", afirmou Moreira. "N&oacute;s queremos um pa&iacute;s democr&aacute;tico, que respeite os direitos humanos e defenda a liberdade de pesquisa, de express&atilde;o e de comunica&ccedil;&atilde;o", complementou.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 trouxe  estabilidade pol&iacute;tica ao pa&iacute;s e entrou para a hist&oacute;ria pelo resgate da democracia e conquistas no campo da cidadania. Mas a luta continua. Apesar de todos os avan&ccedil;os feitos ao longo desses anos, ainda h&aacute; um caminho longo a seguir. "Se algo se aprendeu dos &uacute;ltimos anos no Brasil (e, de certa forma, no mundo), &eacute; que n&atilde;o se pode considerar os direitos conquistados como se estivessem garantidos de modo inquestion&aacute;vel", finaliza Fischmann.</font></p>      ]]></body>
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