<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252018000400005</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602018000400005</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Etnociência na Ufal]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ferreira]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lígia dos Santos]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="AFF"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AF1">
<institution><![CDATA[,Ufal Faculdade de Letras Núcleo de Estudos Afro-brasileiros ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<volume>70</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>14</fpage>
<lpage>15</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252018000400005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252018000400005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252018000400005&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br> SBPC AFRO E IND&Iacute;GENA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Etnoci&ecirc;ncia na Ufal</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>L&iacute;gia dos Santos Ferreira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora da Faculdade de Letras e diretora do N&uacute;cleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab) da Ufal. Foi coordenadora geral da SBPC Afro e Ind&iacute;gena da 70Âª Reuni&atilde;o Anual da SBPC</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rever&ecirc;ncia aos movimentos das cirandas, rodas, rituais afro-brasileiros e dan&ccedil;as do tor&eacute;, comuns &agrave;s comunidades tradicionais e povos origin&aacute;rios, unidos &agrave;s nossas ancestralidades e (re)exist&ecirc;ncias,  foram constru&iacute;dos os encontros cient&iacute;fico-pol&iacute;ticos e art&iacute;stico-culturais da SBPC Afro e Ind&iacute;gena, uma das atividades da 70Âª Reuni&atilde;o da SBPC, que aconteceu entre 22 e 28 de julho na Universidade Federal do Alagoas (Ufal), em Macei&oacute;, Alagoas, com o tema Ci&ecirc;ncia, Responsabilidade Social e Soberania.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com uma programa&ccedil;&atilde;o composta de oficinas, confer&ecirc;ncias, mesas-redondas e atividades culturais, a SBPC Afro e Ind&iacute;gena tem o objetivo de colocar em debate temas afro e ind&iacute;genas do Brasil contempor&acirc;neo, al&eacute;m de reflex&otilde;es sobre pr&aacute;ticas cient&iacute;ficas, conhecimentos tradicionais e &eacute;ticas em pesquisa de temas afro e ind&iacute;genas, articulados com toda a programa&ccedil;&atilde;o e atividades da reuni&atilde;o. Ao receber o convite para ser a coordenadora geral do evento compreendi a gigantesca responsabilidade que assumia naquele in&iacute;cio de 2017. Minha expectativa em contribuir com o evento de 2018 traduzia-se em um misto de alegria, desafio e o despontar de novas perspectivas para as nossas a&ccedil;&otilde;es e para a pr&oacute;pria SBPC.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PROJETO COLETIVO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Logo no in&iacute;cio do projeto solicitei a participa&ccedil;&atilde;o dos tr&ecirc;s campi da Ufal, o campus A. C. Sim&otilde;es, em Macei&oacute;, leste alagoano, o campus Arapiraca, localizado na cidade de Arapiraca, no agreste alagoano, e o campus Sert&atilde;o, em Delmiro Gouveia, munic&iacute;pio do sert&atilde;o alagoano. Para n&oacute;s, pesquisadores/as das quest&otilde;es &eacute;tnico-raciais na Ufal, a participa&ccedil;&atilde;o em um evento como a Reuni&atilde;o Anual da SBPC, que extrapola as quest&otilde;es puramente cient&iacute;ficas, era <i>devir</i> para al&eacute;m de Macei&oacute;, pois (re)existem atividades compartilhadas de ensino, pesquisa e extens&atilde;o sobre essas quest&otilde;es nas tr&ecirc;s mesorregi&otilde;es do estado (leste, agreste e sert&atilde;o). A SBPC Afro e Ind&iacute;gena teria que ser um projeto coletivo. Assim, por conta dessa atua&ccedil;&atilde;o e pelas lindas hist&oacute;rias que tem constru&iacute;do em torno das tem&aacute;ticas afro e ind&iacute;genas, convidei a pedagoga e coordenadora do Observat&oacute;rio da Diversidade &Eacute;tnico-Racial, G&ecirc;nero e Sexualidades, Ana Cristina Concei&ccedil;&atilde;o Santos, do campus Sert&atilde;o, e o professor do curso de arquitetura e urbanismo, Odair Barbosa de Moraes, do campus Arapiraca, para coordenarem junto comigo as atividades, integrados &agrave; for&ccedil;a e luta de outros/as colegas da institui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Somaram-se &agrave; equipe representantes das comunidades quilombolas, ind&iacute;genas, do movimento social negro e ainda pesquisadores/as, t&eacute;cnicos/as, estudantes, monitores/as, volunt&aacute;rios/as da Ufal e de outras institui&ccedil;&otilde;es, em especial, a Universidade Estadual de Ci&ecirc;ncia da Sa&uacute;de de Alagoas (Uncisal), Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Alagoas (Sintufal), Secretaria Municipal de Educa&ccedil;&atilde;o da Prefeitura de Macei&oacute;, Instituto Federal de Alagoas (Ifal), Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), Centro Universit&aacute;rio Tiradentes (Unit), Centro Universit&aacute;rio Cesmac, Instituto do Negro de Alagoas (Ineg), a Coordena&ccedil;&atilde;o Estadual das Comunidades Quilombolas do Estado do Alagoas Ganga Zumba e a Secretaria de Estado da Sa&uacute;de de Alagoas (Sesau). Segundo Moraes, a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades nos campi do interior foi uma oportunidade de discutir quest&otilde;es &eacute;tnico-raciais em Alagoas, dando voz &agrave;s comunidades para al&eacute;m do mundo acad&ecirc;mico e valorizando projetos de pesquisa e de extens&atilde;o universit&aacute;rios. J&aacute; Santos destacou a forte presen&ccedil;a das comunidades quilombolas e ind&iacute;genas, a socializa&ccedil;&atilde;o de pesquisas e o amadurecimento te&oacute;rico n&atilde;o s&oacute; para estudantes e pesquisadores/as, mas para toda a sociedade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ESCREVIV&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os temas que permearam as atividades da SBPC Afro e Ind&iacute;gena inclu&iacute;ram pol&iacute;ticas de a&ccedil;&otilde;es afirmativas, educa&ccedil;&atilde;o para as rela&ccedil;&otilde;es &eacute;tnico-raciais nos curr&iacute;culos da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e superior, produ&ccedil;&atilde;o de saberes afrodiasp&oacute;ricos, epistemic&iacute;dio, etnoci&ecirc;ncia, literatura, arte, cultura, enfim, diversas "escreviv&ecirc;ncias", termo usado pela escritora e militante do movimento social negro, Concei&ccedil;&atilde;o Evaristo, ao se referir &agrave; autoria que nasce do cotidiano, das lembran&ccedil;as, da experi&ecirc;ncia de vida do povo negro, em especial, das mulheres. "Escrevivemos" que a SPBC Afro e Ind&iacute;gena 2018 foi uma roda de discuss&otilde;es na/da academia, um movimento capaz de impulsionar a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, evidenciar os resultados das pol&iacute;ticas de a&ccedil;&otilde;es afirmativas, iniciadas em 2003, e estimular transforma&ccedil;&otilde;es nos espa&ccedil;os de poder no estado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n4/a05fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A participa&ccedil;&atilde;o na SBPC Afro e Ind&iacute;gena superou nossa expectativa: foram 1.275 inscritos no campus Sert&atilde;o; 951, em Arapiraca; 3.233 inscri&ccedil;&otilde;es em atividades individuais e 1.024 participantes em Macei&oacute;. Esses n&uacute;meros confirmam o que vivenciamos na pr&aacute;tica, no "ch&atilde;o da escola", como costumam falar os/as educadores/as da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. &Eacute; preciso fomentar atividades como essa e inserir esses temas na agenda das gest&otilde;es, sejam educacionais, sejam administrativas. Para isso &eacute; fundamental a destina&ccedil;&atilde;o de recursos financeiros, pois o que sempre observamos &eacute; a escassez ou a aus&ecirc;ncia de or&ccedil;amento para essas tem&aacute;ticas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O evento contou com tradutores-int&eacute;rpretes de l&iacute;ngua de sinais do curso de letras-libras da Ufal, em Macei&oacute;, que viabilizaram a tradu&ccedil;&atilde;o de momentos de imensa riqueza cient&iacute;fico-pol&iacute;tica e po&eacute;tica, ampliando nosso p&uacute;blico. Outro diferencial foi a cria&ccedil;&atilde;o do "Espa&ccedil;o Infantil Er&ecirc;, Ibeji e Curumim" para que crian&ccedil;as participassem da SBPC Afro e Ind&iacute;gena de forma l&uacute;dica e recreativa, por&eacute;m sem perder a etnocientificidade. A programa&ccedil;&atilde;o foi elaborada pelo N&uacute;cleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) da Ufal, pela professora do mestrado em ensino na sa&uacute;de da Faculdade de Medicina, &Acirc;ngela Maria Benedita Bahia de Brito, estudantes volunt&aacute;rios/as do curso de educa&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, com a orienta&ccedil;&atilde;o da professora e diretora do curso Leonea Santiago, e estudantes de pedagogia, enfermagem, filosofia e medicina, inclusive de outras institui&ccedil;&otilde;es. Entre as atividades culturais houve espa&ccedil;o para um desfile de moda organizado pelo Instituto Jarede Viana cuja proposta &eacute; a inser&ccedil;&atilde;o e inclus&atilde;o social de mulheres e uma exposi&ccedil;&atilde;o de artesanato da mestra Irin&eacute;a, quilombola da comunidade do Muqu&eacute;m. No &uacute;ltimo dia da Reuni&atilde;o ainda aconteceu uma viagem para a Serra da Barriga, que abrigava o Quilombo dos Palmares e que recebeu o t&iacute;tulo de patrim&ocirc;nio cultural do Mercosul em 2017.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalizo aqui este relato da experi&ecirc;ncia como coordenadora geral da SBPC Afro Ind&iacute;gena com imensa gratid&atilde;o, que permanecer&aacute; para sempre, a todas as pessoas que participaram desse momento de resist&ecirc;ncia, pertencimento, ocupa&ccedil;&atilde;o, intensas trocas de saberes tradicionais e cient&iacute;ficos, acolhimentos, afetos, abra&ccedil;os e amorosidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como nos ensinou a compositora Lia de Itamarac&aacute;, "Minha ciranda n&atilde;o &eacute; minha s&oacute;, ela &eacute; de todos n&oacute;s. A melodia principal quem guia &eacute; a primeira voz. Pra se dan&ccedil;ar ciranda, juntamos m&atilde;o com m&atilde;o, formando uma roda, cantando uma can&ccedil;&atilde;o". E que continue essa linda ciranda da SBPC Afro e Ind&iacute;gena. Em 2019, estaremos juntos/as em Mato Grosso do Sul! </font></p>      ]]></body>

</article>
