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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Entrevista com Carlos Mussi, diretor do escritório da Cepal em Brasília]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br> 70 ANOS DA CEPAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p> <font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Entrevista com  Carlos Mussi, diretor do escrit&oacute;rio da Cepal em Bras&iacute;lia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patricia Mariuzzo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe, Cepal, foi estabelecida pela resolu&ccedil;&atilde;o 106 (VI) do Conselho Econ&ocirc;mico e Social, de 25 de fevereiro de 1948, e come&ccedil;ou a funcionar nesse mesmo ano. &Eacute; uma das cinco comiss&otilde;es regionais das Na&ccedil;&otilde;es Unidas e sua sede est&aacute; em Santiago do Chile. Foi fundada para contribuir ao desenvolvimento econ&ocirc;mico da Am&eacute;rica Latina, coordenar as a&ccedil;&otilde;es encaminhadas &agrave; sua promo&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;ar as rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas dos pa&iacute;ses entre si e com as outras na&ccedil;&otilde;es do mundo. Posteriormente, seu trabalho foi ampliado aos pa&iacute;ses do Caribe e se incorporou o objetivo de promover o desenvolvimento social. A Cepal teve papel destacado na constitui&ccedil;&atilde;o de um pensamento sobre a economia da Am&eacute;rica Latina, com nomes como Celso Furtado, Maria da Concei&ccedil;&atilde;o Tavares, Jos&eacute; Serra, Luiz Gonzaga Belluzzo e Jo&atilde;o Manuel Cardoso de Mello. Nos &uacute;ltimos 10 anos a Comiss&atilde;o tem trabalhado no sentido de desenvolver trabalhos de pesquisa e coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica que favore&ccedil;am o cumprimento da  Agenda 2030 para o desenvolvimento sustent&aacute;vel. Este ano, juntamente com os eventos ligados &agrave;s comemora&ccedil;&otilde;es dos seus 70 anos, a Cepal lan&ccedil;ou o livro <i>A inefici&ecirc;ncia da desigualdade</i>, no qual analisa como a desigualdade reduz a efici&ecirc;ncia din&acirc;mica das economias da Am&eacute;rica Latina e do Caribe. Nesta entrevista para a revista <i>Ci&ecirc;ncia&amp;Cultura, </i>o diretor do escrit&oacute;rio da Cepal em Bras&iacute;lia, Carlos Henrique Fialho Mussi, fala sobre esse documento e sobre as propostas da Cepal para superar a desigualdade nos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina. Segundo ele, que &eacute; economista pela UnB, a igualdade n&atilde;o somente &eacute; um princ&iacute;pio &eacute;tico e irredut&iacute;vel, mas uma forma de estruturar uma sociedade mais justa com cidadania e garantia de acesso aos seus direitos b&aacute;sicos, sejam os direitos humanos, pol&iacute;ticos, sociais ou econ&ocirc;micos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n4/a06fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Ci&ecirc;ncia&amp;Cultura: Este ano a Cepal completa 70 anos de atua&ccedil;&atilde;o na elabora&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias para o desenvolvimento dos pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e Caribe. H&aacute; cerca de 10 anos, a Cepal tem colocado a quest&atilde;o da igualdade no centro das propostas de estrat&eacute;gias de desenvolvimento da Am&eacute;rica Latina e este ano a Comiss&atilde;o lan&ccedil;ou a publica&ccedil;&atilde;o A inefici&ecirc;ncia da desigualdade. O que levou a esse direcionamento?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Mussi:</b> Desde 2010, a Cepal tem apresentado propostas ligadas ao tema da igualdade. Nesses &uacute;ltimos oito anos, nos relat&oacute;rios apresentados a cada dois anos em sua principal reuni&atilde;o com os pa&iacute;ses membros, a Cepal tem desenvolvido o conceito da igualdade sob diferentes perspectivas. Come&ccedil;amos analisando o momento de discutir a igualdade como objetivo final, al&eacute;m das quest&otilde;es de equidade ou de igualdade de oportunidades. Em seguida, apresentamos a necessidade de mudan&ccedil;as estruturais nas nossas economias e de estabelecer pactos para implementar essas mudan&ccedil;as. No documento apresentado em 2016 colocamos a discuss&atilde;o de estilos de desenvolvimento e crit&eacute;rios para analis&aacute;-los a partir de efici&ecirc;ncias sobre a estrutura produtiva, a demanda agregada e a sustentabilidade ambiental. Da&iacute;, chegamos a trazer a discuss&atilde;o de como a desigualdade reduz a produtividade e consequentemente gera a inefici&ecirc;ncia que observamos em nosso desenvolvimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: E qual seria esse conceito de igualdade? A que ele se refere?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Mussi:</b> Esse conceito de igualdade ao qual a Cepal se refere diz respeito &agrave; titularidade de direitos para todos e todas. N&atilde;o somente &eacute; um princ&iacute;pio &eacute;tico e irredut&iacute;vel, mas uma forma de estruturar uma sociedade mais justa com cidadania e garantia de acesso aos seus direitos b&aacute;sicos, sejam os direitos humanos, pol&iacute;ticos, sociais e econ&ocirc;micos. Dizemos que a igualdade &eacute; o horizonte, que as mudan&ccedil;as estruturais s&atilde;o o caminho e a pol&iacute;tica &eacute; o instrumento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: E por que a desigualdade gera inefici&ecirc;ncia?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Mussi:</b> Uma sociedade desigual est&aacute; relacionada a uma estrutura heterog&ecirc;nea, com setores altamente produtivos convivendo com uma grande maioria de setores e empregos de baixa produtividade e com rendas muito baixas. Essa estrutura traz dificuldades para que existam pol&iacute;ticas de desenvolvimento abrangentes com resultados imediatos para a sua transforma&ccedil;&atilde;o. Isso pode ocorrer tanto por quest&otilde;es de falta de capacidades, como educa&ccedil;&atilde;o, tecnologia e financiamento, como por quest&otilde;es pr&oacute;prias de cada pa&iacute;s, no que chamamos da cultura de privil&eacute;gios que se apresenta em diferentes graus em todas as sociedades latino-americanas, que impedem a transforma&ccedil;&atilde;o produtiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: O estudo sobre a inefici&ecirc;ncia da desigualdade menciona a exist&ecirc;ncia de uma economia pol&iacute;tica da desigualdade. O senhor pode explicar o que significa essa economia e que barreiras ela representa?</b></i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Mussi:</b> A resposta a essa pergunta est&aacute; relacionada ao que identificamos como a cultura do privil&eacute;gio. As sociedades latino-americanas foram constru&iacute;das, tanto em seu lado da produ&ccedil;&atilde;o como de estruturas sociais, de forma muito concentrada, com a explora&ccedil;&atilde;o de alguns recursos naturais nos diferentes ciclos econ&ocirc;micos que observamos, ou na organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica centralizada, com a apropria&ccedil;&atilde;o do Estado por diferentes grupos de interesses. Para romper essa economia pol&iacute;tica da desigualdade, os pa&iacute;ses da regi&atilde;o devem buscar uma maior diversidade em sua capacidade produtiva, estimulando a inova&ccedil;&atilde;o e a amplia&ccedil;&atilde;o do conhecimento, e buscar maior descentraliza&ccedil;&atilde;o, transpar&ecirc;ncia e avalia&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para conhecermos os seus impactos e custos, especialmente a quais grupos essas pol&iacute;ticas favorecem e seus resultados finais para o resto da sociedade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n4/a06fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: A igualdade est&aacute; estritamente ligada aos temas da educa&ccedil;&atilde;o. Um estudo da Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE), intitulado "Um olhar sobre a educa&ccedil;&atilde;o" e divulgado em setembro, apontou que no Brasil mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o (52%), entre 25 e 64 anos, n&atilde;o tem ensino m&eacute;dio completo. Esses n&uacute;meros n&atilde;o s&atilde;o muito diferentes em boa parte dos demais da Am&eacute;rica Latina. Como a desigualdade de acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o afeta o sistema econ&ocirc;mico?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Mussi:</b> A capacidade de qualquer pessoa, grupo e pa&iacute;s de se desenvolver est&aacute; ligada ao que Raul Prebisch, o principal fundador da Cepal, coloca: a "incorpora&ccedil;&atilde;o do progresso t&eacute;cnico". Hoje adicionar&iacute;amos n&atilde;o somente a incorpora&ccedil;&atilde;o, mas tamb&eacute;m a capacidade de gerar inova&ccedil;&atilde;o e novas tecnologias. Para isto precisamos de conhecimento, ou seja, de uma popula&ccedil;&atilde;o amplamente educada com ensino de boa qualidade. Os testes internacionais de educa&ccedil;&atilde;o como o PISA, da OCDE, colocam a grande maioria dos pa&iacute;ses da regi&atilde;o em seus menores n&iacute;veis. Esse resultado est&aacute; muito relacionado &agrave; como n&oacute;s, latino-americanos, damos prioridade &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, seja em grau de cobertura para que todos tenham acesso &agrave;s escolas, como tamb&eacute;m no sentido de trabalhar para melhorar a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o oferecida nas escolas e de estimular a pesquisa e a inova&ccedil;&atilde;o. A desigualdade no acesso, na qualidade e na perman&ecirc;ncia dos latino-americanos nas escolas faz com que fiquemos limitados, com a gera&ccedil;&atilde;o de empregos de baixa produtividade e consequentes baixos sal&aacute;rios. Isto n&atilde;o &eacute; um caminho para o desenvolvimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: Ainda sobre educa&ccedil;&atilde;o, diante da velocidade da difus&atilde;o da revolu&ccedil;&atilde;o digital, o que a Cepal recomenda como prioridades em termos de investimentos em educa&ccedil;&atilde;o?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Mussi:</b> Como mencionei, o progresso t&eacute;cnico &eacute; fundamental para o desenvolvimento. Portanto, a revolu&ccedil;&atilde;o digital em todos os seus aspectos &eacute; uma transforma&ccedil;&atilde;o do modo como produzimos, consumimos e pesquisamos. Por detr&aacute;s, est&atilde;o as decis&otilde;es de inova&ccedil;&atilde;o, investimentos, emprego e renda. Igualmente, essa nova tecnologia altera o modo como o Estado funciona na presta&ccedil;&atilde;o de seus servi&ccedil;os, na regula&ccedil;&atilde;o dos bens p&uacute;blicos e at&eacute; quando e como arrecadamos impostos. Juntamente com os pa&iacute;ses membros, a Cepal tem criado uma agenda digital que abrange certamente a quest&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o e a capacidade de gerar, gerenciar e usar essas novas tecnologias, mas tamb&eacute;m levanta o tema do acesso a elas e a governan&ccedil;a de nossos dados e recursos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: O &iacute;ndice de desenvolvimento regional (IDR) latino-americano de 2015, elaborado pela Cepal, identificou as macrorregi&otilde;es com as maiores defasagens relativas em mat&eacute;ria de desenvolvimento econ&ocirc;mico social. Entre elas est&atilde;o as regi&otilde;es Norte e Nordeste do Brasil. Considerando que a Cepal tamb&eacute;m tem se debru&ccedil;ado sobre o tema da bioeconomia como um instrumento para o desenvolvimento dos pa&iacute;ses latino-americanos, quais as oportunidades e desafios para essas regi&otilde;es brasileiras de gerar riquezas a partir de seus recursos naturais?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Mussi:</b> A hist&oacute;ria de nossa regi&atilde;o est&aacute; ligada &agrave; explora&ccedil;&atilde;o dos seus recursos naturais. Sempre estamos em fases diferentes nesses ciclos que envolvem os pre&ccedil;os e as quantidades exportadas por nossos pa&iacute;ses. Um desafio que muitas vezes n&atilde;o conseguimos superar &eacute; criar uma boa "governan&ccedil;a" na explora&ccedil;&atilde;o e no uso desses recursos. Hoje &eacute; fundamental n&atilde;o somente uma gest&atilde;o econ&ocirc;mica, mas uma gest&atilde;o sustent&aacute;vel desses recursos, que incorpore as quest&otilde;es ambientais e sociais. A bioeconomia ou novas tecnologias "verdes" s&atilde;o o avan&ccedil;o para um novo ciclo de uso de nossos recursos naturais. H&aacute; que prover essas regi&otilde;es com os instrumentos para se obter um desenvolvimento abrangente e inclusivo, ou seja, que n&atilde;o seja somente extrativo, sem v&iacute;nculos com a economia local, e que os seus benef&iacute;cios n&atilde;o fiquem concentrados e transferidos para outras localidades.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n4/a06fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: Um dos eixos defendidos pela Cepal dentro de uma estrat&eacute;gia que promova o desenvolvimento e a redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades na Am&eacute;rica Latina &eacute; um estado de bem-estar, com pol&iacute;ticas de desenvolvimento social inclusivo, que proporcionem benef&iacute;cios sociais de qualidade. Nesse sentido, como o senhor v&ecirc; medidas tomadas no Brasil como, por exemplo, o congelamento do teto de gastos por 20 anos (PEC 241)?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Mussi:</b> Constata-se que tanto economias mais desenvolvidas quanto em desenvolvimento t&ecirc;m um n&iacute;vel de concentra&ccedil;&atilde;o de renda muito semelhante se excluirmos a a&ccedil;&atilde;o do Estado nas rendas de seus habitantes. Ao incluir a interven&ccedil;&atilde;o do Estado, por meio da tributa&ccedil;&atilde;o e de seus gastos e transfer&ecirc;ncias, observa-se uma substancial queda na concentra&ccedil;&atilde;o de renda nos pa&iacute;ses desenvolvidos e praticamente nenhuma altera&ccedil;&atilde;o no caso dos pa&iacute;ses latino-americanos. Isso demonstra a dificuldade que o nosso Estado tem em atuar de maneira efetiva em melhorar o estado de bem-estar, medido por acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, &agrave; sa&uacute;de e &agrave; seguridade social, entre outros. Um diagn&oacute;stico comum &eacute; que o estado de bem-estar prometido e desejado por n&oacute;s latino-americanos est&aacute; muito al&eacute;m da nossa capacidade de financi&aacute;-lo (baixa renda per capita ou, em alguns casos, por menor capacidade de arrecada&ccedil;&atilde;o). Pa&iacute;ses com maior carga tribut&aacute;ria e com sistemas de bem-estar mais amplos e estruturados como o Brasil t&ecirc;m esse desafio de conferir efici&ecirc;ncia ao uso dos recursos p&uacute;blicos, para que exista uma melhor aloca&ccedil;&atilde;o deles e que n&atilde;o se dependa somente do aumento dos impostos para pagar maiores gastos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: Um dos desafios para superar as desigualdades na Am&eacute;rica Latina e Caribe &eacute; combater uma cultura do privil&eacute;gio que tem ra&iacute;zes hist&oacute;ricas, ligadas ao processo de coloniza&ccedil;&atilde;o e que se dissemina de forma estrutural e institucional. Como o sistema tribut&aacute;rio vigente na Am&eacute;rica Latina colabora com essa cultura? O que a Cepal sugere nesse sentido?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Mussi:</b> O sistema tribut&aacute;rio da regi&atilde;o reflete bem essa cultura de privil&eacute;gios ao limitar a tributa&ccedil;&atilde;o sobre renda e riqueza e o gasto ser direcionado para subs&iacute;dios e ren&uacute;ncias fiscais que trazem poucos resultados para toda a sociedade. A nossa sugest&atilde;o est&aacute; em uma proposta de reformas fiscais progressistas, que diminuam o peso dos impostos para as pessoas de menor renda e que exista uma prioridade para gastos que tenham maior impacto sobre todos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>C&amp;C: A Cepal defende a tese de que os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e do Caribe devem implementar um novo paradigma de desenvolvimento baseado em um grande impulso ambiental. O que isso significa? Um dos eixos desse modelo &eacute; a ado&ccedil;&atilde;o de uma macroeconomia para o desenvolvimento. No que essa estrat&eacute;gia se traduz, especialmente no caso brasileiro?</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Mussi:</b> Dentro da an&aacute;lise sobre estilos de desenvolvimento e o objetivo da igualdade com efici&ecirc;ncia da sustentabilidade ambiental, surge a proposta para um novo ciclo de investimentos em novas tecnologias sustent&aacute;veis ou verdes para construir uma sociedade com menor uso de carbono e que incorpore a&ccedil;&otilde;es para enfrentar as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas que est&atilde;o ocorrendo. Em resumo, chamamos como um grande impulso ambiental um conjunto de pol&iacute;ticas coordenadas para estimular esses investimentos e gerar a demanda e os est&iacute;mulos para sua boa execu&ccedil;&atilde;o. Afinal, a regi&atilde;o tem como base econ&ocirc;mica seus recursos naturais e h&aacute; muitas oportunidades para gerar tecnologia, obras e empregos sustent&aacute;veis. A decis&atilde;o de investir tem como base a forma como os empreendedores veem o futuro e as suas expectativas sobre o retorno de seu capital. Vari&aacute;veis chave como cr&eacute;dito, infla&ccedil;&atilde;o, taxa de juros e taxa de c&acirc;mbio s&atilde;o fundamentais para esse processo de decis&atilde;o. Por meio da proposta de uma macroeconomia do desenvolvimento, a Cepal alerta para que a gest&atilde;o macroecon&ocirc;mica n&atilde;o seja limitada a resultados de curto prazo, mas que considere os ganhos e custos de movimentos nessas vari&aacute;veis no m&eacute;dio e longo prazos.</font></p>      ]]></body>

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