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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> CAATINGA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Os animais vertebrados  do Bioma Caatinga</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Adrian Antonio Garda<sup>I</sup>; Mar&iacute;lia Bruzzi Lion<sup>II</sup>;  S&eacute;rgio Maia de Queiroz Lima<sup>III</sup>; Daniel Oliveira Mesquita<sup>IV</sup>;  Helder Farias Pereira de Araujo<sup>V</sup>; Marcelo Felgueiras Napoli<sup>VI</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professor associado do Departamento de Bot&acirc;nica e Zoologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Natal-RN    <br> <sup>II</sup>Pesquisadora associada e bolsista PNPD do Programa de P&oacute;s- Gradua&ccedil;&atilde;o em Ecologia da UFRN, Natal-RN    <br> <sup>III</sup>Professor adjunto do Departamento de Bot&acirc;nica e Zoologia da UFRN, Natal-RN    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup>IV</sup>Professor associado do Departamento de Sistem&aacute;tica e Ecologia da Universidade Federal da Para&iacute;ba (UFPB), Jo&atilde;o Pessoa-PB    <br> <sup>V</sup>Professor adjunto do Departamento de Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas da UFPB, Areia-PB    <br> <sup>VI</sup>Professor associado do Departamento de Zoologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Salvador-BA.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O Brasil &eacute; um pa&iacute;s megadiverso, mundialmente conhecido por suas exuberantes florestas tropicais. Devido &agrave; impressionante diversidade biol&oacute;gica nessas regi&otilde;es, &aacute;reas mais secas ou menos florestais, como a Caatinga, receberam menos aten&ccedil;&atilde;o ao longo da hist&oacute;ria. De cientistas a leigos, de ambientalistas a tomadores de decis&atilde;o, muitos conferiram maior import&acirc;ncia, conscientemente ou n&atilde;o, &agrave;s grandes florestas brasileiras. Com os zo&oacute;logos n&atilde;o foi diferente, por&eacute;m mais especificamente na ornitologia (estudo das aves) e na mastozoologia (estudo dos mam&iacute;feros), &aacute;reas com grande contingente de pesquisadores que lidam com esp&eacute;cies mais carism&aacute;ticas , foram produzidos os primeiros trabalhos sobre a fauna de vertebrados da regi&atilde;o. Coincidentemente, esses grupos taxon&ocirc;micos possuem as menores taxas de endemismo (esp&eacute;cies exclusivas) na Caatinga e riqueza de esp&eacute;cies moderadas quando comparado &agrave;s florestas Amaz&ocirc;nica e Atl&acirc;ntica. Ainda assim, mesmo entre esses grupos, o n&uacute;mero total de esp&eacute;cies que habitam a Caatinga est&aacute; longe de ser desprez&iacute;vel, como veremos. Tudo isso, aliado &agrave;s paisagens semi&aacute;ridas e aos piores &iacute;ndices de desenvolvimento humano levaram a Caatinga &agrave; marginaliza&ccedil;&atilde;o intelectual e pol&iacute;tica, com resultados pr&aacute;ticos temerosos: apenas 7,5% do bioma atualmente est&aacute; sob alguma forma de prote&ccedil;&atilde;o em unidades de conserva&ccedil;&atilde;o (mais de 98% na forma mais branda, de &aacute;rea de prote&ccedil;&atilde;o ambiente - APA), sendo apenas 1,13 % em &aacute;rea de prote&ccedil;&atilde;o integral &#91;1&#93;. Assim, durante muito tempo prevaleceu a vis&atilde;o de que a Caatinga teria baixa diversidade e pouca import&acirc;ncia para a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nada mais longe da realidade: a Caatinga, assim como o resto do Brasil, &eacute; tamb&eacute;m megadiversa. A riqueza e o endemismo de vertebrados da Caatinga impressionam, ficando sem sombra de d&uacute;vida entre as regi&otilde;es semi&aacute;ridas mais biodiversas do mundo. Al&eacute;m disso, &eacute; um bioma crucial para o entendimento do efeito das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas que ocorreram no passado sobre nosso continente e, portanto, chave para compreendermos os poss&iacute;veis desdobramentos futuros das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas atuais. Ao longo dos 1,8 milh&atilde;o de anos que correspondem ao Pleistoceno (entre 1,8 milh&otilde;es e 11,7 mil anos atr&aacute;s), os ciclos de glacia&ccedil;&atilde;o e aquecimento fizeram com que as florestas tropicais se expandissem e se contra&iacute;ssem. Os repetidos contatos entre Amaz&ocirc;nia e Floresta Atl&acirc;ntica influenciaram esses dois biomas e contribu&iacute;ram para a diversifica&ccedil;&atilde;o da fauna da Caatinga &#91;2-6&#93;. Hoje, como um grande museu, a hist&oacute;ria desses ciclos e da diversifica&ccedil;&atilde;o da Caatinga e de biomas vizinhos ainda pode ser vista nos enclaves de floresta &uacute;mida no centro e nas margens do bioma. O trabalho de gera&ccedil;&otilde;es pioneiras e de novos pesquisadores vem, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, revelando a riqueza, a hist&oacute;ria e a identidade da Caatinga.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim como diversas fisionomias caracterizam o Cerrado, a Floresta Atl&acirc;ntica e a Amaz&ocirc;nia, a Caatinga &eacute; marcada por ambientes extremamente diversos. Essa variabilidade influenciou na biodiversidade local, permitindo o uso de sua &aacute;rea por esp&eacute;cies de biomas vizinhos e influenciando na evolu&ccedil;&atilde;o de linhagens exclusivas daquele bioma. A confus&atilde;o entre o que chamamos de vegeta&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica da Caatinga (florestas sazonalmente secas) e o bioma como um todo levou pesquisadores a excluir esp&eacute;cies de &aacute;reas &uacute;midas das primeiras compila&ccedil;&otilde;es acerca de sua riqueza e do seu endemismo. Um exemplo cr&iacute;tico do efeito dessa abordagem equivocada foi o n&uacute;mero significativamente subestimado de esp&eacute;cies de anf&iacute;bios. A inclus&atilde;o de &aacute;reas &uacute;midas contribuiu para um aumento de 75% na riqueza conhecida de esp&eacute;cies de anf&iacute;bios da Caatinga (<a href="/img/revistas/cic/v70n4/a10tab01.jpg">Tabela 1</a>) e o aumento no esfor&ccedil;o amostral com novos levantamentos de fauna elevou substancialmente a riqueza conhecida de serpentes &#91;7&#93;, lagartos &#91;6&#93;, peixes &#91;5&#93; e mesmo mam&iacute;feros &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje, sabemos que algo pr&oacute;ximo a 1.400 esp&eacute;cies de vertebrados ocorrem na Caatinga e 23% destas s&atilde;o end&ecirc;micas (<a href="#fig1">Figura 1</a>), ou seja, somente ocorrem nesse bioma (<a href="/img/revistas/cic/v70n4/a10tab01.jpg">Tabela 1</a>). Aproximadamente metade das esp&eacute;cies de peixes e lagartos s&atilde;o end&ecirc;micas da Caatinga e a taxa de descri&ccedil;&atilde;o de novas esp&eacute;cies de peixes, anf&iacute;bios e r&eacute;pteis ainda &eacute; muito alta. A t&iacute;tulo de exemplo, das 20 esp&eacute;cies de anf&iacute;bios end&ecirc;micas do bioma, 16 foram descritas depois de 2006! Igualmente, muitos novos registros e descri&ccedil;&otilde;es de novas esp&eacute;cies, resultantes de intensos trabalhos de campo e de cuidadosos estudos taxon&ocirc;micos, contribu&iacute;ram para o aumento da diversidade conhecida de aves e mam&iacute;feros. O nosso conhecimento sobre a fauna de vertebrados da Caatinga aumentou muito nos &uacute;ltimos 20 anos, mas muito ainda h&aacute; por ser feito. Aqui, oferecemos um panorama geral do conhecimento da riqueza, diversidade, ecologia e conserva&ccedil;&atilde;o dos animais vertebrados da Caatinga.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n4/a10fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PEIXES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os peixes da Caatinga apresentados aqui correspondem somente &agrave;s esp&eacute;cies registradas nos corpos d'&aacute;gua dentro do bioma, incluindo os enclaves &uacute;midos e excluindo-se por&ccedil;&otilde;es das bacias inseridas em outros biomas adjacentes. Essa ictiofauna (conjunto das esp&eacute;cies de peixes existente numa determinada regi&atilde;o biogeogr&aacute;fica) &eacute; composta por uma mistura de esp&eacute;cies bastante diversa, de raias de &aacute;gua doce a peixes el&eacute;tricos, abrigando desde esp&eacute;cies de grande porte que vivem em grandes rios perenes e que s&atilde;o usados na pesca comercial at&eacute; peixes de menor porte e distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica mais restrita, como bagres de caverna. Apesar da Caatinga possuir uma modesta rede hidrogr&aacute;fica de cursos d'&aacute;gua, boa parte intermitente, mais da metade das 371 esp&eacute;cies nativas da regi&atilde;o s&atilde;o end&ecirc;micas &#91;5&#93;. Al&eacute;m disso, outras 32 esp&eacute;cies de peixes aguardam descri&ccedil;&atilde;o formal pela ci&ecirc;ncia. No total, 386 esp&eacute;cies s&atilde;o conhecidas para o bioma (incluindo as ex&oacute;ticas introduzidas pela aquicultura, aquarismo ou controle de pragas). Ap&oacute;s o barramento dos principais rios do semi&aacute;rido, algumas esp&eacute;cies foram introduzidas para piscicultura, alterando a composi&ccedil;&atilde;o da biota aqu&aacute;tica e &agrave;s vezes resultando na degrada&ccedil;&atilde;o da qualidade da &aacute;gua.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rosa e colaboradores &#91;5&#93;, na primeira compila&ccedil;&atilde;o de peixes da Caatinga, subdividiram o bioma em quatro ecorregi&otilde;es aqu&aacute;ticas: Maranh&atilde;o-Piau&iacute; (MAPI), cuja principal bacia &eacute; a do rio Parna&iacute;ba; Nordeste M&eacute;dio-Oriental (NEMO), composta por bacias menores, a maioria com regime tempor&aacute;rio; S&atilde;o Francisco (SFRE), representada pela bacia hom&ocirc;nima com longo trecho no bioma; e Mata Atl&acirc;ntica Nordeste (MANE) ou Bacias do Leste, que abrange as drenagens costeiras ao sul da foz do rio S&atilde;o Francisco, com trecho superior na Caatinga. Uma atualiza&ccedil;&atilde;o da ictiofauna do bioma resultou em um aumento de 146 esp&eacute;cies  60,8% a mais que a lista anterior. Atualmente, a quantidade de esp&eacute;cies de peixes descritas por ecorregi&atilde;o &eacute; a seguinte: MAPI, 147; NEMO, 103; SFRE; 178; e MANE, 101 esp&eacute;cies &#91;5&#93;. Apesar dos esfor&ccedil;os recentes, muitas &aacute;reas permanecem pouco exploradas, como tribut&aacute;rios do rio S&atilde;o Francisco, na Bahia, e as bacias costeiras do Nordeste M&eacute;dio-Oriental &#91;5&#93;. Do total de 371 esp&eacute;cies, apenas 14 ocorrem nas quatro ecorregi&otilde;es, o que, juntamente com a baixa similaridade entre as mesmas (15,9% em m&eacute;dia), mostra como a biodiversidade de cada uma delas &eacute; &uacute;nica. Isso &eacute; particularmente preocupante com rela&ccedil;&atilde;o ao ambicioso projeto de transposi&ccedil;&atilde;o do rio S&atilde;o Francisco, que come&ccedil;ou a operar em mar&ccedil;o 2017 (no eixo leste), bombeando &aacute;gua do maior rio da Caatinga para os principais rios tempor&aacute;rios do Nordeste M&eacute;dio-Oriental, nos estados do Cear&aacute;, Rio Grande do Norte, Para&iacute;ba e Pernambuco. A mudan&ccedil;a no regime de rios (intermitentes para perenes) e a mistura de faunas de ecorregi&otilde;es bastante distintas podem resultar no empobrecimento das bacias receptoras e na homogeneiza&ccedil;&atilde;o da fauna aqu&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os rios da Caatinga tamb&eacute;m est&atilde;o sujeitos aos impactos resultantes do desmatamento da vegeta&ccedil;&atilde;o ciliar que aumenta o assoreamento dos rios, &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e ao uso desordenado dos recursos h&iacute;dricos. Al&eacute;m disso, poucas unidades de conserva&ccedil;&atilde;o (UCs) da Caatinga foram criadas considerando as drenagens da paisagem e pouqu&iacute;ssima informa&ccedil;&atilde;o acerca das esp&eacute;cies de peixes em UCs da Caatinga est&atilde;o dispon&iacute;veis. Apesar do papel ineg&aacute;vel das UCs na prote&ccedil;&atilde;o da fauna de peixes do bioma, um grande n&uacute;mero de esp&eacute;cies end&ecirc;micas, amea&ccedil;adas e habitat-especialistas permanecem sem prote&ccedil;&atilde;o. Com efeito, nenhuma das 33 esp&eacute;cies amea&ccedil;adas de peixes da Caatinga foi registrada dentro de qualquer UC do bioma. Assim, &eacute; necess&aacute;rio um maior direcionamento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas voltadas para conserva&ccedil;&atilde;o da biota aqu&aacute;tica e uso sustent&aacute;vel dos recursos h&iacute;dricos, especialmente sob a perspectiva de uma maior escassez de &aacute;gua. No caso dos peixes &eacute; importante identificar e proteger as &aacute;reas de ref&uacute;gios durante as longas estiagens, pois elas atuam como fonte para o repovoamento dos rios na esta&ccedil;&atilde;o chuvosa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ANF&Iacute;BIOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Somente neste s&eacute;culo tivemos as primeiras compila&ccedil;&otilde;es publicadas sobre os anf&iacute;bios da Caatinga, onde foram registradas inicialmente 48 esp&eacute;cies &#91;8&#93; e, mais recentemente, 56 &#91;9&#93;. A inclus&atilde;o das chamadas &#147;zonas de exce&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica&#148; como parte da Caatinga, notadamente localizadas em &aacute;reas montanhosas e que abrigam relictos (esp&eacute;cies encontradas em certas &aacute;reas isoladas, remanescentes de fauna outrora amplamente distribu&iacute;da) de Mata Atl&acirc;ntica e Amaz&ocirc;nia (enclaves m&eacute;sicos), praticamente dobrou esse n&uacute;mero. Hoje reconhecemos 98 esp&eacute;cies de anf&iacute;bios para a Caatinga, distribu&iacute;das em 12 fam&iacute;lias &#91;10&#93;. Dentre essas esp&eacute;cies, 20 foram consideradas end&ecirc;micas, 14 das quais restritas aos enclaves m&eacute;sicos (12 na Chapada Diamantina e quatro nos brejos de altitude do Cear&aacute;). Somente quatro esp&eacute;cies end&ecirc;micas estiveram associadas aos ambientes de baixada caracterizados pela t&iacute;pica vegeta&ccedil;&atilde;o xerof&iacute;tica (vegetais que desenvolvem estruturas especiais para sobreviver em meio semi&aacute;rido e des&eacute;rtico) da Caatinga. Outras 13 esp&eacute;cies tiveram distribui&ccedil;&otilde;es quase que exclusivas para o bioma Caatinga, ocorrendo apenas pontualmente fora dele, em suas margens, e poderiam ser consideradas end&ecirc;micas sob crit&eacute;rio menos rigoroso &#91;10&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A distribui&ccedil;&atilde;o espacial dessas esp&eacute;cies de anf&iacute;bios n&atilde;o &eacute; homog&ecirc;nea na Caatinga, com valores de riqueza potencial de esp&eacute;cies variando de baixo a alto &#91;10&#93;. As &aacute;reas de menor riqueza potencial coincidiram com os resultados obtidos por Camardelli e Napoli &#91;11&#93;. Dentre essas &aacute;reas, teve destaque toda a margem oeste do bioma, coincidentemente fora da influ&ecirc;ncia da Mata Atl&acirc;ntica e historicamente com menor amostragem. A maior parte das &aacute;reas quentes est&atilde;o localizadas ao longo da margem leste do pol&iacute;gono que define o bioma Caatinga, pr&oacute;ximo &agrave; zona de contato com a Mata Atl&acirc;ntica, entre elas as ecorregi&otilde;es do Raso da Catarina e do Planalto da Borborema, &aacute;reas de transi&ccedil;&atilde;o na Bahia e brejos de altitude nos estados de Pernambuco e Para&iacute;ba. H&aacute; ainda aquelas que s&atilde;o mais interioranas e presentes em zonas de altitude, como a ecorregi&atilde;o Chapada Diamantina, na Bahia (por&ccedil;&atilde;o norte da Serra do Espinha&ccedil;o), e a Chapada do Araripe, localizada na divisa dos estados do Cear&aacute;, Pernambuco e Piau&iacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os maiores vil&otilde;es que amea&ccedil;am os anf&iacute;bios nesse bioma s&atilde;o a degrada&ccedil;&atilde;o do ambiente e o desflorestamento, as &aacute;reas de prote&ccedil;&atilde;o ambiental insuficientes, a desertifica&ccedil;&atilde;o e as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Dentre as esp&eacute;cies com algum grau de amea&ccedil;a destacam-se aquelas situadas em &aacute;reas florestais m&eacute;sicas, que tamb&eacute;m sofrem press&atilde;o da agricultura e do turismo, j&aacute; que est&atilde;o sob climas mais amenos e det&ecirc;m apreciada beleza c&ecirc;nica. Al&eacute;m disso, como j&aacute; mencionado, 14 das 20 esp&eacute;cies de anf&iacute;bios end&ecirc;micas para o bioma est&atilde;o restritas aos enclaves m&eacute;sicos e, indubitavelmente, outras tantas esp&eacute;cies end&ecirc;micas ainda ser&atilde;o descritas nos pr&oacute;ximos anos para essas &aacute;reas (16 das 20 esp&eacute;cies de anf&iacute;bios end&ecirc;micos foram descritas a partir de 2006). Por outro lado, ao menos 24 esp&eacute;cies de anf&iacute;bios est&atilde;o restritas &agrave;s &aacute;reas de vegeta&ccedil;&atilde;o de caatinga localizadas em baixadas e, portanto, n&atilde;o contempladas pela prote&ccedil;&atilde;o de enclaves m&eacute;sicos. Considerando-se as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais, as esp&eacute;cies de anf&iacute;bios que ocupam &aacute;reas mais quentes e secas, intuitivamente, estar&atilde;o ainda mais vulner&aacute;veis. &Eacute; necess&aacute;rio, portanto, que sejam direcionados esfor&ccedil;os para a conserva&ccedil;&atilde;o dessas esp&eacute;cies, al&eacute;m, &eacute; claro, daquelas presentes nos enclaves m&eacute;sicos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>R&Eacute;PTEIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A fauna de r&eacute;pteis da Caatinga &eacute; rica em lagartos &#91;6&#93;, serpentes &#91;7&#93; e anfisbenas &#91;12&#93;. Al&eacute;m disso, apesar de n&uacute;meros aparentemente pequenos de tartarugas (7 esp&eacute;cies) e crocodilianos (3 esp&eacute;cies) &#91;9&#93;, esses valores tornam-se significativos quando consideramos que existem 31 esp&eacute;cies de quel&ocirc;nios no Brasil e 23 de crocodilianos em todo o mundo. Atualmente s&atilde;o conhecidas 224 esp&eacute;cies de r&eacute;pteis para a Caatinga, 30% delas end&ecirc;micas (<a href="/img/revistas/cic/v70n4/a10tab01.jpg">Tabela 1</a>). Dessas, temos 112 serpentes (22 end&ecirc;micas), 79 lagartos (38 end&ecirc;micos) e 23 anfisbenias (9 end&ecirc;micas). A riqueza conhecida praticamente dobrou desde a primeira compila&ccedil;&atilde;o, realizada em 2003, assim como o n&uacute;mero de esp&eacute;cies end&ecirc;micas reconhecidas. Esse aumento se deu tanto pela coleta de esp&eacute;cies de outros biomas nas margens ou em ilhas &uacute;midas dentro da Caatinga, como pela descri&ccedil;&atilde;o de novas esp&eacute;cies exclusivas do bioma, principalmente de lagartos. Com efeito, lagartos possuem n&iacute;veis de endemismo similares aos de peixes, na casa do 50% (<a href="/img/revistas/cic/v70n4/a10tab01.jpg">Tabela 1</a>), e a riqueza potencial estimada de lagartos para o bioma indica as Paleodunas do Rio S&atilde;o Francisco e regi&otilde;es de Pernambuco, Para&iacute;ba e Rio Grande do Norte como as potencialmente mais ricas em esp&eacute;cies na Caatinga.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao contr&aacute;rio do que vemos para anf&iacute;bios, a maioria das esp&eacute;cies de lagartos end&ecirc;micas n&atilde;o est&aacute; restrita a enclaves m&eacute;sicos, sendo concentradas principalmente nas paleodunas do rio S&atilde;o Francisco e na regi&atilde;o do raso da Catarina &#91;6&#93;. As esp&eacute;cies de lagartos podem ser agrupadas de acordo com seus padr&otilde;es de distribui&ccedil;&atilde;o: i) ampla distribui&ccedil;&atilde;o na Caatinga (16 esp&eacute;cies); ii) distribui&ccedil;&atilde;o relictual, para esp&eacute;cies que ocupam hoje &aacute;reas que s&atilde;o remanescentes de destrui&ccedil;&otilde;es maiores no passado (15 esp&eacute;cies); iii) distribui&ccedil;&otilde;es limitadas dentro da Caatinga (6 esp&eacute;cies); iv) esp&eacute;cies relacionadas &agrave;s paleodunas do rio S&atilde;o Francisco (12 esp&eacute;cies); v) esp&eacute;cies limitadas a afloramentos rochosos da Serra do Espinha&ccedil;o (8 esp&eacute;cies); e vi) esp&eacute;cies de biomas adjacentes, como cerrados e restingas (9 esp&eacute;cies).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para serpentes, outro grupo bastante diverso na Caatinga, um efeito da topografia da regi&atilde;o parece evidente, com grupos de esp&eacute;cies associados a &aacute;reas altas e outros a regi&otilde;es de baixada &#91;7&#93;. Embora esteja clara a import&acirc;ncia dos ambientes adjacentes e &uacute;midos para a diversidade de r&eacute;pteis da Caatinga, est&aacute; cada vez mais evidente que, antes considerada depauperada e pobre em esp&eacute;cies end&ecirc;micas, ela na verdade abriga riqueza e endemismo compar&aacute;veis a outros biomas neotropicais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Trabalhos pioneiros dividiram a Caatinga em oito ecorregi&otilde;es com base em informa&ccedil;&otilde;es sobre solo, clima, vegeta&ccedil;&atilde;o, geomorfologia, geologia e conhecimento de especialistas &#91;13&#93;. Ecorregi&otilde;es s&atilde;o unidades grandes de terra e &aacute;gua definidas por fatores bi&oacute;ticos e abi&oacute;ticos que influenciam as comunidades naturais que l&aacute; ocorrem. As ecorregi&otilde;es servem como unidades de planejamento para a cria&ccedil;&atilde;o de unidades de conserva&ccedil;&atilde;o, por exemplo. Para lagartos e serpentes, grande parte das ecorregi&otilde;es da Caatinga definidas segundo os crit&eacute;rios acima s&atilde;o recuperadas quando comparamos os n&iacute;veis de esp&eacute;cies end&ecirc;micas dentro do bioma &#91;6, 7, 11&#93;. Ou seja, a distribui&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies end&ecirc;micas de r&eacute;pteis suporta as ecorregi&otilde;es e centros de endemismo sugeridos para outros grupos de seres vivos e com metodologias distintas. Essa congru&ecirc;ncia &eacute; fundamental para o planejamento sistem&aacute;tico da conserva&ccedil;&atilde;o da Caatinga, pois permite subdividir o bioma em &aacute;reas relativamente independentes e, assim, garantir a prote&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AVES</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Hoje conhecemos 548 esp&eacute;cies de aves para a Caatinga, um n&uacute;mero que vem crescendo principalmente devido &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o de pessoas que praticam a observa&ccedil;&atilde;o desses animais, o que demonstra a import&acirc;ncia da ci&ecirc;ncia-cidad&atilde; no fornecimento de informa&ccedil;&otilde;es sobre a biodiversidade em regi&otilde;es tropicais. Um total de 509 esp&eacute;cies s&atilde;o consideradas residentes, porque se reproduzem na regi&atilde;o; 22 esp&eacute;cies s&atilde;o migrantes visitantes do hemisf&eacute;rio norte e 10 s&atilde;o migrantes de regi&otilde;es mais ao sul da Am&eacute;rica do Sul. Ainda, algumas das esp&eacute;cies que se reproduzem na regi&atilde;o realizam migra&ccedil;&otilde;es ou movimentos regionais, de acordo com a distribui&ccedil;&atilde;o das chuvas &#91;3&#93;. A reprodu&ccedil;&atilde;o da grande maioria das esp&eacute;cies de aves na Caatinga ocorre durante o per&iacute;odo chuvoso. Embora a precipita&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m se relacione com uma maior abund&acirc;ncia de recursos, como alimentos, o que mais influencia diretamente a frequ&ecirc;ncia reprodutiva das aves &eacute; o aumento da quantidade de vegeta&ccedil;&atilde;o nesse per&iacute;odo &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do total, 67 esp&eacute;cies ou subsp&eacute;cies se originaram na regi&atilde;o e s&atilde;o categorizadas em tr&ecirc;s grandes grupos: 1) um composto por t&aacute;xons com distribui&ccedil;&atilde;o restrita a enclaves de habitats dentro do limite da Caatinga (ex. soldadinho-do-araripe - <i>Antilophia bokermanni</i>); 2) outro composto por t&aacute;xons que ocorrem nos ambientes deciduais, mas com distribui&ccedil;&atilde;o relativamente ampla na regi&atilde;o (ex. rabo-branco-de-cauda-larga - <i>Anopetia gounellei</i>); 3) e, por fim, o grupo de esp&eacute;cies cuja ocorr&ecirc;ncia &eacute; associada aos ambientes deciduais encontrados na Caatinga, mas que podem ser tamb&eacute;m registrados em manchas de florestas secas adjacentes &agrave; regi&atilde;o (ex. arapa&ccedil;u-do-nordeste - <i>Xiphocolaptes falcirostris</i>) &#91;3&#93;. Ainda, existem outras esp&eacute;cies consideradas originalmente end&ecirc;micas, mas que expandiram rapidamente sua distribui&ccedil;&atilde;o devido &agrave; substitui&ccedil;&atilde;o de florestas ou savanas em regi&otilde;es adjacentes, ou mesmo por causa de solturas devido ao tr&aacute;fico ilegal no Brasil (ex. corrupi&atilde;o - <i>Icterus jamacaii</i>). De acordo com informa&ccedil;&otilde;es moleculares, as origens das esp&eacute;cies de aves end&ecirc;micas da Caatinga datam da metade do Mioceno at&eacute; o Holoceno. Alguns desses endemismos s&atilde;o associados &agrave; vegeta&ccedil;&atilde;o mais arbustiva e aberta, mas outros ocorrem estritamente em ambientes florestais, sejam deciduais ou enclaves de florestas &uacute;midas &#91;3&#93;. Isso sugere que a exist&ecirc;ncia de um mosaico de fisionomias com vegeta&ccedil;&atilde;o mais aberta e vegeta&ccedil;&atilde;o florestal n&atilde;o &eacute; recente na Caatinga.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As maiores riquezas de esp&eacute;cies, entre 210 e 259, foram registradas em localidades de transi&ccedil;&atilde;o e com a ocorr&ecirc;ncia de uma heterogeneidade de habitats. Ainda, &eacute; extremamente importante entender que essas localidades correspondem a ambientes em um bom estado de conserva&ccedil;&atilde;o quando comparadas &agrave; maior parte da regi&atilde;o Nordeste, como por exemplo no sudeste do Piau&iacute;. Vastas &aacute;reas dominadas por vegeta&ccedil;&atilde;o arbustiva podem ser observadas em uma grande regi&atilde;o da Caatinga, principalmente associadas &agrave;s depress&otilde;es entre serras e planaltos. Nessas localidades, a riqueza registrada variou entre 121 e 145 esp&eacute;cies de aves. As menores riquezas, entre 90 e 120 esp&eacute;cies, foram registradas em localidades em que a paisagem mantinha vegeta&ccedil;&atilde;o arbustiva, mas com grandes &aacute;reas abertas provenientes da modifica&ccedil;&atilde;o antr&oacute;pica para pastagens ou campos agr&iacute;colas &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em uma regi&atilde;o dominada por terras degradadas e com um clima mais quente e seco, espera-se que poucas esp&eacute;cies de aves consigam manter popula&ccedil;&otilde;es vi&aacute;veis com as modifica&ccedil;&otilde;es oriundas da a&ccedil;&atilde;o do ser humano. Para estimar como as esp&eacute;cies podem lidar com transforma&ccedil;&otilde;es do uso da terra e mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, pesquisadores usaram a experi&ecirc;ncia de campo e pesquisa bibliogr&aacute;fica para classificar cada esp&eacute;cie em tr&ecirc;s categorias de capacidade adaptativa: (a) alta capacidade, esp&eacute;cies que podem ser encontradas em ecossistemas antropog&ecirc;nicos distantes de qualquer ecossistema natural; (b) capacidade m&eacute;dia, esp&eacute;cies que podem ser encontradas em ecossistemas antropog&ecirc;nicos se e somente se esses ecossistemas estiverem pr&oacute;ximos a ecossistemas naturais; e (c) baixa capacidade, esp&eacute;cies encontradas apenas em paisagens compostas por ecossistemas intactos ou quase intocados. Com isso, foi verificado que 162 esp&eacute;cies tinham alta capacidade adaptativa, 207 tinham capacidade adaptativa m&eacute;dia e 179 apresentavam baixa capacidade adaptativa na Caatinga &#91;3&#93;. Das 35 esp&eacute;cies classificadas como amea&ccedil;adas pela IUCN (Uni&atilde;o Internacional para a Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza) ou pelo governo brasileiro, a maioria delas (83%) possui baixa capacidade adaptativa, com 17% exibindo capacidade adaptativa m&eacute;dia. A conserva&ccedil;&atilde;o a longo prazo dessa avifauna regional depende da prote&ccedil;&atilde;o da heterogeneidade ambiental em toda a regi&atilde;o. A prote&ccedil;&atilde;o e restaura&ccedil;&atilde;o dos ecossistemas naturais nos topos e encostas dos planaltos isolados, assim como nos vales dos rios, &eacute; a espinha dorsal de um plano de conserva&ccedil;&atilde;o da avifauna regional &#91;3&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MAM&Iacute;FEROS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os mam&iacute;feros da Caatinga s&atilde;o os menos estudados de todas as grandes regi&otilde;es ecol&oacute;gicas do Brasil &#91;4&#93;. Ainda assim, a fauna conhecida para a Caatinga hoje &eacute; de 183 esp&eacute;cies, 11 das quais s&atilde;o end&ecirc;micas &#91;4&#93;, n&uacute;meros que correspondem a um incremento significativo na riqueza conhecida nos &uacute;ltimos 14 anos (<a href="/img/revistas/cic/v70n4/a10tab01.jpg">Tabela 1</a>). Grande parte da diversidade &eacute; representada por roedores e morcegos e existem animais com distribui&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas variadas, de esp&eacute;cies restritas a esp&eacute;cies de ampla distribui&ccedil;&atilde;o. Os primeiros trabalhos, de antes da d&eacute;cada de 1990, consideraram a Caatinga pobre em esp&eacute;cies, com baixo endemismo, onde a maioria de suas esp&eacute;cies era um subconjunto da fauna do Cerrado e que as esp&eacute;cies da Caatinga n&atilde;o tinham adapta&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas ao clima semi&aacute;rido (apenas mudan&ccedil;as comportamentais para tolerar ambientes hostis).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hoje sabemos que ainda que a Caatinga possua riqueza e endemismo menores que os biomas vizinhos, est&aacute; longe de ser considerada pobre e sem identidade. Al&eacute;m disso, os valores de riqueza e endemismo vem aumentado ano a ano com a descri&ccedil;&atilde;o de novas esp&eacute;cies, revis&otilde;es taxon&ocirc;micas e expans&atilde;o de distribui&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies de ambientes vizinhos. Ainda, o padr&atilde;o de compartilhamento de esp&eacute;cies &eacute; mais complexo do que antes sugerido, com esp&eacute;cies sendo tamb&eacute;m compartilhadas com a Amaz&ocirc;nia, a Floresta Atl&acirc;ntica e o Chaco. Igualmente, as esp&eacute;cies n&atilde;o est&atilde;o distribu&iacute;das de forma homog&ecirc;nea na Caatinga, existem padr&otilde;es distintos de riqueza e uma hist&oacute;ria biogeogr&aacute;fica que apenas agora come&ccedil;a a ser descoberta. As esp&eacute;cies end&ecirc;micas, por sua vez, possuem associa&ccedil;&otilde;es com diferentes habitats e origens evolutivas diferentes, o que implica em uma hist&oacute;ria necessariamente complexa da origem e da evolu&ccedil;&atilde;o da Caatinga como um todo. A hip&oacute;tese da aus&ecirc;ncia de adapta&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas, por sua vez, &eacute; em geral confirmada. Isso porque apesar de existirem algumas, elas n&atilde;o s&atilde;o, nem de longe, t&atilde;o extremas como as de roedores de desertos, por exemplo &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As ordens mais representativas do bioma s&atilde;o Chiroptera (morcegos, com 90 esp&eacute;cies) e Rodentia (roedores, com 41 esp&eacute;cies), totalizando 71% da riqueza de mam&iacute;feros da Caatinga e 10 das 11 esp&eacute;cies end&ecirc;micas &#91;4&#93;. Para alguns grupos, grande parte das esp&eacute;cies brasileiras ocorre na Caatinga, como Carnivora (48% das esp&eacute;cies), Chiroptera (50%) e Cingulata (tatus, 64%). Apesar de menos de 20% dos roedores brasileiros ocorrerem na Caatinga, o grupo &eacute; particularmente interessante, pois 7 das 11 esp&eacute;cies end&ecirc;micas do bioma s&atilde;o Rodentia. Em contraste, a fauna de morcegos da Caatinga &eacute; mais rica e bastante representativa da fauna de Chiroptera do Brasil, mas curiosamente possui apenas tr&ecirc;s esp&eacute;cies end&ecirc;micas &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dados b&aacute;sicos sobre a ecologia de mam&iacute;feros na Caatinga s&atilde;o muito raros e, em geral, o pouco que sabemos est&aacute; restrito a pequenos mam&iacute;feros, com dados para mam&iacute;feros de m&eacute;dio e grande porte e morcegos ainda mais escassos &#91;4&#93;. Com o pouco que existe na literatura (e como seria esperado), sabemos que os mam&iacute;feros desse bioma dependem e respondem diretamente ao regime de chuvas. Em anos com chuvas mais intensas e, portanto, com maior disponibilidade de recursos alimentares, as popula&ccedil;&otilde;es de roedores costumam aumentar significativamente, dando origem a fen&ocirc;menos conhecidos como <i>ratadas</i>, marcados por aumentos explosivos na abund&acirc;ncia de roedores em um curto espa&ccedil;o de tempo &#91;4&#93;. Fisiologicamente, os dados atuais sugerem que existem poucas adapta&ccedil;&otilde;es de mam&iacute;feros da Caatinga ao estresse h&iacute;drico e que mudan&ccedil;as comportamentais parecem ser chave para esses animais lidarem com as limita&ccedil;&otilde;es na disponibilidade de &aacute;gua no bioma. Com efeito, algumas esp&eacute;cies mudam para ambientes mais &uacute;midos dentro da Caatinga em per&iacute;odos de escassez, enquanto outras alteram seu regime di&aacute;rio de atividade e dieta. Claramente, ainda s&atilde;o necess&aacute;rios muitos estudos para compreender a ecologia e o comportamento dos mam&iacute;feros da Caatinga.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um n&uacute;mero expressivo de esp&eacute;cies de vertebrados ocorre na Caatinga. O aumento vertiginoso no n&uacute;mero de esp&eacute;cies conhecidas para o bioma nos &uacute;ltimos 15 anos mostra o qu&atilde;o pouco conhec&iacute;amos da Caatinga. Al&eacute;m disso, as taxas de descri&ccedil;&atilde;o de novas esp&eacute;cies e extens&atilde;o de distribui&ccedil;&otilde;es geogr&aacute;ficas indicam que ainda h&aacute; muito por fazer e que, portanto, esses n&uacute;meros s&atilde;o subestimados. Somado a isso, uma rede de unidades de conserva&ccedil;&atilde;o pequena, a press&atilde;o humana resultante de &iacute;ndices de desenvolvimento humano baixos e as iminentes mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, tornam a conserva&ccedil;&atilde;o dos vertebrados na Caatinga desafiadora.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Fonseca, C. R.; Antongiovanni, M.; Matsumoto, M.; Bernard, E.; Venticinque, E. M. In: <i>Biodiversity, ecosystems services and sustainable development in Caatinga: the largest tropical dry forest region in South America. </i>Filho, E. M.; Leal, I. R.; Tabarelli, M. (eds.) Springer-Verlag, Berlin, 2017, pp. 429-443.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Gehara, M.<i> et al. "</i>Estimating synchronous demographic changes across populations using hABC and its application for a herpetological community from northeastern Brazil". <i>Molecular Ecology</i> 26, 4756-4771,2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Araujo, H. F. P.; Silva, J. M. C. In: <i>Biodiversity, ecosystems services and sustainable development in Caatinga: the largest tropical dry forest region in South America. </i>Filho, E. M.; Leal, I. R.; Tabarelli, M. (eds.) Springer-Verlag, Berlin, 2017, pp. 210.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Carmignotto, A. P.; Ast&uacute;a, D. In: <i>Biodiversity, ecosystems services and sustainable development in Caatinga: the largest tropical dry forest region in South America. </i>Filho, E. M.; Leal, I. R.; Tabarelli, M. (eds.) Springer-Verlag, Berlin, 2017, pp. 211-254.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Lima, S. M. Q.; Ramos, T. P. A.; Da Silva, M. J.; Rosa, R. S. In: <i>Biodiversity, ecosystems services and sustainable development in Caatinga: the largest tropical dry forest region in South America. </i>Filho, E. M.; Leal, I. R.; Tabarelli, M. (eds.) Springer-Verlag, Berlin, 2017, pp. 97-131.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Mesquita, D. O.; Costa, G. C.; Garda, A. A.; Delfim, F. R. In: <i>Biodiversity, ecosystems services and sustainable development in Caatinga: the largest tropical dry forest region in South America. </i>Filho, E. M.; Leal, I. R.; Tabarelli, M. (eds.) Springer-Verlag, Berlin, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Guedes, T. B.; Sawaya, R. J.; Nogueira, C. d. C. "Biogeography, vicariance and conservation of snakes of the neglected and endangered Caatinga region, north-eastern Brazil". <i>Journal of Biogeography</i> 41, 919-931,2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Rodrigues, M. T. In: <i>Ecologia e conserva&ccedil;&atilde;o da Caatinga. </i>Leal, I. R.; Tabarelli, M.; Silva, J. M. C. (eds.) Editora Universit&aacute;ria da UFPE, Recife, 2003, pp. 181&#150;236.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Albuquerque, U. P.<i> et al.</i>, "Caatinga revisited: ecology and conservation of an important seasonal dry forest". <i>The Scientific World Journal</i> 2012, 205182,2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Garda, A. A.<i> et al. </i>In: <i>Biodiversity, ecosystems services and sustainable development in Caatinga: the largest tropical dry forest region in South America. </i>Filho, E. M.; Leal, I. R.; Tabarelli, M. (eds.) Springer-Verlag, Berlin, 2017, pp. 133-149.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Camardelli, M.; Napoli, M. F.  "Amphibian conservation in the Caatinga biome and semiarid region of Brazil". <i>Herpetologica</i> 68, 31-47, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Ribeiro, L. B.; Gomides, S. C.; Costa, H. C.  "A new species of <i>Amphisbaena</i> from Northeastern Brazil (Squamata: Amphisbaenidae)". <i>Journal of Herpetology</i> 52, 234-241, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Velloso, A. L.; Sampaio, E. V. S. B.; Pareyn, S. G. S. <i>Ecorregi&otilde;es  propostas para o bioma Caatinga</i>. Instituto de Conserva&ccedil;&atilde;o Ambiental The Nature Conservancy do Brasil, 2002, pp. 76.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Leal, I. R.; Tabarelli, M.; Silva, J. M. C. <i>Ecologia e conserva&ccedil;&atilde;o da Caatinga</i>. Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2003, pp. 806.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Silva, J. M. C. d.; Leal, I. R.; Tabarelli, M. <i>Biodiversity, ecosystems services and sustainable development in Caatinga: the largest tropical dry forest region in South America</i>.  Springer-Verlag, Berim, 2017, pp. 482.    </font></p>      ]]></body><back>
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