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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> CAATINGA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Socioecologia da Caatinga</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ulysses Paulino de Albuquerque<sup>I</sup>; Felipe P. L. Melo<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professor associado da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenador geral do Instituto Nacional de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (INCT) Etnobiologia, Bioprospec&ccedil;&atilde;o e Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza    <br> <sup>II</sup>Docente da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), membro do corpo docente permanente do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Biologia Vegetal, pesquisador colaborador do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste e chefe do Laborat&oacute;rio de Ecologia Aplicada</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A CAATINGA PARA AL&Eacute;M DA POBREZA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No primeiro cap&iacute;tulo do livro <i>Vidas secas</i>, Graciliano Ramos introduz ao leitor o imagin&aacute;rio mais comum que se tem sobre a Caatinga nordestina:</font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"Na plan&iacute;cie avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem tr&ecirc;s l&eacute;guas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, atrav&eacute;s dos galhos pelados da catinga rala." </i>&#91;1&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O autor representa o desafio da conviv&ecirc;ncia com o semi&aacute;rido na sua principal e marcante caracter&iacute;stica, o dif&iacute;cil acesso &agrave; &aacute;gua e suas consequ&ecirc;ncias. Durante a evolu&ccedil;&atilde;o da humanidade, a nossa esp&eacute;cie ocupou, se adaptou culturalmente e "domesticou" v&aacute;rios e diferentes ambientes. Essa domestica&ccedil;&atilde;o dos sistemas naturais demandou ajustes para viver nas mais diversas situa&ccedil;&otilde;es - tanto que somos a esp&eacute;cie dominante e que habita praticamente todos os lugares do planeta. A nossa capacidade de produzir cultura e de transmitir informa&ccedil;&otilde;es, dentre outras habilidades, colaborou para esse sucesso ecol&oacute;gico. Nos diferentes ambientes, os seres humanos desenvolveram diversas estrat&eacute;gias para dar conta das adversidades e explorar as potencialidades de cada local. Isso n&atilde;o &eacute; diferente na Caatinga, ou em qualquer outro ecossistema.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entender essa rela&ccedil;&atilde;o dos seres humanos com o seu ambiente tem sido a motiva&ccedil;&atilde;o de muitos pesquisadores, particularmente no que se refere &agrave; forma como nos apropriamos da natureza. Acumulamos muita informa&ccedil;&atilde;o sobre a utilidade de plantas e de animais da Caatinga, partindo de uma abordagem mais descritiva desse tipo de informa&ccedil;&atilde;o. Recentemente, uma grande mudan&ccedil;a de abordagem &eacute; representada pelo conceito de socioecossistema, que considera os diversos elementos humanos, inclusive seus sistemas de uso e explora&ccedil;&atilde;o dos recursos naturais, como parte da paisagem. Os socioecossistemas oferecem propriedades emergentes muito inspiradoras para entender as rela&ccedil;&otilde;es pessoas-natureza, frutos da combina&ccedil;&atilde;o dos sistemas sociais e dos ecossistemas, e como um influencia o outro. Portanto, entender a presen&ccedil;a do ser humano na Caatinga implica compreender todos os processos que mant&ecirc;m, geram e regulam essa complexa rela&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O SOCIOECOSSISTEMA FORMADO PELO CAATINGUEIRO (O POVO DA CAATINGA) E A CAATINGA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As regi&otilde;es semi&aacute;ridas do mundo s&atilde;o muito populosas, o que parece contrariar o senso comum, uma vez que tais regi&otilde;es s&atilde;o culturalmente associadas com limita&ccedil;&atilde;o e escassez de recursos naturais. O nordeste do Brasil, por exemplo, que possui uma grande faixa no semi&aacute;rido, tem uma popula&ccedil;&atilde;o de aproximadamente 56 milh&otilde;es de pessoas. A ocupa&ccedil;&atilde;o do semi&aacute;rido foi facilitada pelas caracter&iacute;sticas de uma paisagem mais aberta, que, sem d&uacute;vida, colaborou para os processos de migra&ccedil;&atilde;o para essas regi&otilde;es. A Caatinga n&atilde;o &eacute; uma exce&ccedil;&atilde;o, e sua paisagem aberta, com &aacute;rvores e arbustos distribu&iacute;dos esparsamente, representou um cen&aacute;rio prop&iacute;cio para o estabelecimento de popula&ccedil;&otilde;es humanas que ali desenvolveram diferentes estrat&eacute;gias de sobreviv&ecirc;ncia e reprodu&ccedil;&atilde;o social.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Caatinga, sem sombra de d&uacute;vidas, a distribui&ccedil;&atilde;o irregular de chuvas representou, para os primeiros ocupantes, e ainda representa, um grande desafio. O fato de as chuvas se concentrarem em poucos meses e de, n&atilde;o raro, acontecer de a chuva de todo um ano cair em poucas semanas levou as pessoas a ajustarem suas atividades produtivas (coleta de frutos, ca&ccedil;a e cultivo) a essa caracter&iacute;stica. Esse ciclo muito marcante de chuvas regula, assim, toda a din&acirc;mica e os processos ecol&oacute;gicos locais que, por sua vez, afetam a maneira e a intensidade como os seres humanos exploram a Caatinga. Dessa forma, em regi&otilde;es &aacute;ridas e semi&aacute;ridas, os seres humanos voltam toda a sua aten&ccedil;&atilde;o para otimizar a utiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, seja investindo em irriga&ccedil;&atilde;o, seja construindo po&ccedil;os ou pequenos lagos artificiais sobre terrenos rochosos. Contudo, na Caatinga, existe uma grande limita&ccedil;&atilde;o para adotar algumas dessas estrat&eacute;gias. Por isso, as pessoas usualmente plantam na &eacute;poca da chuva, esperando que essas chuvas sejam boas e suficientes para garantir a colheita, e criam animais mais r&uacute;sticos e resistentes &agrave; seca como os bodes (<a href="#fig1">Figura 1</a>). Essa depend&ecirc;ncia de um sistema natural cujo clima &eacute; por natureza inst&aacute;vel &eacute;, em parte, uma das raz&otilde;es das dificuldades socioecon&ocirc;micas da Caatinga &#91;3&#93;.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n4/a12fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, a maioria das demais atividades locais est&aacute; ligada &agrave; disponibilidade de plantas e animais que, por sua vez, dependem da chuva. O investimento na coleta de recursos vegetais, por exemplo, varia em fun&ccedil;&atilde;o do prop&oacute;sito desses recursos. H&aacute; cerca de 390 esp&eacute;cies de &aacute;rvores e ervas usadas para fins medicinais, cuja coleta &eacute; basicamente direcionada para a extra&ccedil;&atilde;o de cascas do caule, independentemente da &eacute;poca do ano. A esse respeito, os pesquisadores do Laborat&oacute;rio de Ecologia e Evolu&ccedil;&atilde;o de Sistemas Socioecol&oacute;gicos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) perceberam um padr&atilde;o de uso de recursos muito curioso: as pessoas tendem a coletar as cascas do caule de uma &aacute;rvore para uso medicinal mesmo que as folhas estejam dispon&iacute;veis e que estas, a princ&iacute;pio, tenham melhor propriedade terap&ecirc;utica. &Eacute; o caso de <i>Myracrodruon urundeuva</i> (aroeira de sert&atilde;o), que tem se mostrado uma planta muito promissora do ponto de vista m&eacute;dico. Essa evid&ecirc;ncia, somada ao fato de que as pessoas tendem tamb&eacute;m a negligenciar as plantas herb&aacute;ceas que crescem na &eacute;poca chuvosa, sugere que a estrat&eacute;gia que regula a rela&ccedil;&atilde;o das pessoas com o ambiente na Caatinga &eacute; a da seguran&ccedil;a. Isso quer dizer que &eacute; melhor selecionar para uso algo que esteja sempre dispon&iacute;vel do que investir em um recurso cuja presen&ccedil;a &eacute; incerta (mesmo com as chuvas). Apesar do &ecirc;xito dessa estrat&eacute;gia, &eacute; muito prov&aacute;vel que recursos valiosos desapare&ccedil;am desses socioecossistemas, uma vez que n&atilde;o ser&atilde;o mais alvo dos processos de transmiss&atilde;o social respons&aacute;veis pela dissemina&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es entre indiv&iacute;duos de uma popula&ccedil;&atilde;o e entre diferentes gera&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todos os grupos humanos t&ecirc;m as suas estrat&eacute;gias limitadas pelas incertezas do ambiente e pela disponibilidade de recursos do ecossistema. Normalmente, as plantas da Caatinga s&atilde;o de m&uacute;ltiplo uso, o que significa que, se uma esp&eacute;cie &eacute; utilizada como alimento, provavelmente tamb&eacute;m pode ser usada na medicina e at&eacute; mesmo como combust&iacute;vel. Obviamente h&aacute; exce&ccedil;&otilde;es, mas essa parece ser uma caracter&iacute;stica do uso de recursos em sociecossistemas de regi&otilde;es semi&aacute;ridas. O que levanta algumas quest&otilde;es, cujas respostas ainda s&atilde;o pouco conhecidas: quais s&atilde;o os efeitos que essas esp&eacute;cies, que concentram grande press&atilde;o de uso, est&atilde;o experimentando em decorr&ecirc;ncia desse uso continuado? Qual o grau de vulnerabilidade das pessoas que dependem desses recursos naturais?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mudan&ccedil;as c&iacute;clicas, sejam ambientais ou socioecon&ocirc;micas, tamb&eacute;m atuam regulando a organiza&ccedil;&atilde;o desses sociecossistemas de forma a modificar as estrat&eacute;gias de utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos. Um exemplo bem emblem&aacute;tico s&atilde;o as plantas aliment&iacute;cias silvestres. Na verdade, o conhecimento acerca dessas plantas est&aacute; se tornando cada vez mais raro, apesar de sua import&acirc;ncia como uma estrat&eacute;gia adaptativa para que as pessoas possam ter seguran&ccedil;a alimentar em per&iacute;odos de escassez. Muitas popula&ccedil;&otilde;es da Caatinga, embora conhe&ccedil;am um vasto leque de plantas aliment&iacute;cias, negligenciam a sua utiliza&ccedil;&atilde;o quando possuem acesso aos bens de consumo e alimentos industrializados. Curiosamente, existe um tabu de que se tratam de alimentos de menor qualidade e que conferem baixo status social. Algumas dessas plantas j&aacute; foram muito importantes em secas prolongadas em que o acesso a alimentos agricult&aacute;veis n&atilde;o existia. Muitas fam&iacute;lias conseguiram vencer esses per&iacute;odos se alimentando dos chamados alimentos emergenciais - plantas que, por uma raz&atilde;o ou outra, apresentam certa dificuldade no seu processamento para se tornarem comest&iacute;veis, mas que acabam por permitir a muitas fam&iacute;lias complementar a sua dieta. Uma importante planta aliment&iacute;cia que foge radicalmente do cen&aacute;rio anterior &eacute; o umbu (<i>Spondias tuberosa</i>) &#91;4&#93;. Considerada uma "planta sagrada", ela flora e frutifica no per&iacute;odo de seca, servindo como fonte de alimento para animais e pessoas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em associa&ccedil;&atilde;o com a estrat&eacute;gia de coleta de produtos vegetais, a pecu&aacute;ria e a agricultura, a ca&ccedil;a de animais silvestres &eacute; uma pr&aacute;tica antiga na regi&atilde;o que remonta &agrave;s primeiras migra&ccedil;&otilde;es humanas. Os principais alvos da ca&ccedil;a s&atilde;o os mam&iacute;feros, em especial as esp&eacute;cies de m&eacute;dio e grande porte, cuja ocorr&ecirc;ncia &eacute; cada vez mais rara, como &eacute; o caso de <i>Mazama gouazoubira</i> (veado catingueiro) e <i>Cabassous tatouay </i>(tatu de rabo mole). Tal escassez faz com que a prefer&ecirc;ncia dos ca&ccedil;adores se deslocasse para outros grupos de animais que oferecem caracter&iacute;sticas semelhantes, pelo menos em porte, como as esp&eacute;cies <i>Euphractus sexcinctus </i>(tatu peba) e <i>Tamandua tetradactyla </i>(tamandu&aacute;), altamente apreciadas pelo sabor de sua carne. Apesar da prefer&ecirc;ncia pelos mam&iacute;feros, as aves da fam&iacute;lia <i>Columbidae</i> (fam&iacute;lia dos pombos e rolinhas) s&atilde;o especialmente importantes em muitas localidades, bem como algumas esp&eacute;cies de r&eacute;pteis. Diferentemente de muitas regi&otilde;es do mundo, na Caatinga os estudos sugerem que a ca&ccedil;a ocorre cada vez menos para fins de subsist&ecirc;ncia, sendo muito frequente a ca&ccedil;a esportiva. Considerando, entretanto, que muitas das esp&eacute;cies ca&ccedil;adas s&atilde;o importantes dispersores de plantas, precisamos entender melhor o impacto da ca&ccedil;a na Caatinga em fun&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as ecol&oacute;gicas e culturais que existem dentro da regi&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O NEOECOSSISTEMA DA CAATINGA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das propriedades emergentes mais interessantes dos socioecossistemas s&atilde;o o grau de diferen&ccedil;as que eles alcan&ccedil;am em rela&ccedil;&atilde;o aos sistemas naturais originais. As atividades humanas favorecem certas esp&eacute;cies, enquanto outras praticamente desaparecem por sobre-explora&ccedil;&atilde;o ou mesmo por competi&ccedil;&atilde;o. Esses "neoecossistemas"  formados por comunidades biol&oacute;gicas sujeitas &agrave;s press&otilde;es humanas podem variar enormemente em seu grau de dissimilaridade e funcionamento com respeito ao ecossistema original. Alguns neoecossistemas (i.e. socioecossistemas que diferem dos sistemas naturais originais) mant&ecirc;m composi&ccedil;&atilde;o e funcionamento pr&oacute;ximo ao similar, tanto na diversidade biol&oacute;gica quanto nos servi&ccedil;os para os seres humanos (ca&ccedil;a, pesca, plantas medicinais etc.). Outros, diferem tanto dos sistemas naturais originais que passam a atender somente &agrave;s necessidades humanas, guardando pouca ou nenhuma similaridade com seus ecossistemas de origem. Entender o que leva socioecossistemas a variar no seu grau de dissimilaridade e suas consequ&ecirc;ncias para popula&ccedil;&otilde;es humanas, e as esp&eacute;cies que o habitam, &eacute; fundamental para manejar qualquer bioma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Caatinga, temos provavelmente todos os extremos dos cen&aacute;rios de modifica&ccedil;&atilde;o desse rico ecossistema. De um lado, o uso e o conhecimento acumulado ao longo dos s&eacute;culos pelos caatingueiros permitiu que se desenvolvessem infinitas possibilidades de lidar com a aridez. O manejo dos caprinos "p&eacute;-duro" (ra&ccedil;a crioula de caprinos espontaneamente selecionada na Caatinga) e a utiliza&ccedil;&atilde;o de praticamente toda a flora para fins aliment&iacute;cios e medicinais permitiu que 28 milh&otilde;es de pessoas se estabelecessem nos dom&iacute;nios da Caatinga, conservando cerca de metade de toda sua vegeta&ccedil;&atilde;o original &#91;2&#93;. Por outro lado, pr&aacute;ticas equivocadas de agricultura n&atilde;o adaptadas ao clima semi&aacute;rido, excesso de pastejo por gado bovino e mesmo caprinos, provocaram desertifica&ccedil;&atilde;o em cerca de 11% da Caatinga. Al&eacute;m disso, atividades que degradam o bioma, como a explora&ccedil;&atilde;o madeireira para fins energ&eacute;ticos de ind&uacute;strias (p.e. gesso, olarias) e com&eacute;rcio (padarias e carvoarias), e sua convers&atilde;o em zonas de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola intensiva, s&atilde;o as principais respons&aacute;veis pelo desaparecimento da Caatinga.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AS MUDAN&Ccedil;AS NO CLIMA E OS SEUS EFEITOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estamos presenciando um aumento na frequ&ecirc;ncia e na severidade de eventos clim&aacute;ticos extremos (como secas) no Nordeste do Brasil, em fun&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas que est&atilde;o ocorrendo em uma escala global. Nesse contexto, uma pergunta central &eacute;: como essas mudan&ccedil;as afetar&atilde;o o futuro dos ecossistemas e das pessoas que vivem e dependem desses ecossistemas? Multiplicam-se, diante disso, estudos para entender os efeitos desses eventos clim&aacute;ticos sobre o funcionamento de socioecossistemas e de sua capacidade de manter a oferta de suas fun&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os &#91;5&#93;. Conhecemos pouco desses efeitos na Caatinga, mas sabemos que essas mudan&ccedil;as t&ecirc;m for&ccedil;ado as pessoas a ajustarem suas estrat&eacute;gias em diferentes n&iacute;veis &#91;3&#93;. Por exemplo, em algumas regi&otilde;es a planta chamada facheiro (<i>Pilosocereus pachycladus</i>) tem um uso nobre: com os seus clad&oacute;dios preparam-se doces para ocasi&otilde;es especiais (<a href="#fig2">Figura 2</a>). Em fun&ccedil;&atilde;o dos eventos de seca severa, entretanto, essas plantas v&ecirc;m sofrendo uma maior press&atilde;o de coleta, pois muitos pequenos criadores est&atilde;o usando a planta para alimentar suas cria&ccedil;&otilde;es de gado, v&iacute;timas da estiagem. Nesse sentido, se pensarmos em ajustes de estrat&eacute;gias para a capta&ccedil;&atilde;o e preserva&ccedil;&atilde;o de &aacute;gua, para a agricultura e para os sistemas de cura, e levarmos em conta que muitas dessas estrat&eacute;gias envolvem o uso de recursos naturais, deparamo-nos com um complexo sistema de causa e efeito que necessita ser entendido.</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v70n4/a12fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Parque Nacional do Catimbau (PE), est&aacute; em andamento um projeto ecol&oacute;gico de longa dura&ccedil;&atilde;o (cuja sigla &eacute; PELD Catimbau) que busca entender quais os efeitos da combina&ccedil;&atilde;o entre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es humanas nos socioecossistemas da Caatinga. At&eacute; o momento, os resultados desse projeto indicam que, de forma geral, uma poss&iacute;vel redu&ccedil;&atilde;o da precipita&ccedil;&atilde;o tem seu efeito negativo potencializado pelas a&ccedil;&otilde;es humanas. Isso significa dizer que &aacute;reas mais degradadas da Caatinga possuem menor resili&ecirc;ncia &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, tornando o ecossistema original e as popula&ccedil;&otilde;es humanas mais vulner&aacute;veis &agrave;s adversidades do clima. Ou seja, o socioecossistema da Caatinga por completo est&aacute; em risco devido &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e suas consequ&ecirc;ncias sobre as popula&ccedil;&otilde;es humanas e sistemas naturais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Caatinga parece ser o sistema natural que mais sentir&aacute; os efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Essas mudan&ccedil;as ter&atilde;o efeitos n&atilde;o somente na biota natural, mas igualmente nas pessoas que habitam a regi&atilde;o. Espera-se, como consequ&ecirc;ncia das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, uma forte redu&ccedil;&atilde;o da quantidade de terras agricult&aacute;veis e uma mudan&ccedil;a no regime de chuvas na regi&atilde;o. Isso pode levar a mais eventos de migra&ccedil;&atilde;o humana e ao aumento de diversas doen&ccedil;as infectocontagiosas. Portanto, quantificar, descrever e entender os socioecossistemas da Caatinga s&atilde;o a chave para a gera&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas que permitam gerar adapta&ccedil;&atilde;o e enfrentamento &agrave;s adversidades provenientes da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica que se avizinha.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DESAFIOS  E OPORTUNIDADES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Novamente, Graciliano Ramos apresenta outra faceta da Caatinga, s&oacute; que esta &eacute; grandemente desconhecida:</font></p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>"A catinga ressuscitaria, a semente do gado voltaria ao curral, ele, Fabiano, seria o vaqueiro daquela fazenda morta. Chocalhos de badalos de ossos animariam a solida&#771;o. Os meninos, gordos, vermelhos, brincariam no chiqueiro das cabras, Sinha Vit</i>o&#769;<i>ria vestiria saias de ramagens vistosas. As vacas povoariam o curral. E a catinga ficaria toda verde." </i>&#91;1&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse trecho revela o ciclo cont&iacute;nuo e intermin&aacute;vel de morte (na seca) e renascimento (na chuva) na Caatinga, ciclo a que se acostumou o habitante do semi&aacute;rido na sua conviv&ecirc;ncia com um dos ecossistemas mais intrigantes e complexos do Brasil. Do ponto de vista ecol&oacute;gico, ainda estamos compreendendo como esse ecossistema funciona, conhecimento essencial n&atilde;o s&oacute; para fazer avan&ccedil;ar os saberes b&aacute;sicos de ecologia, mas tamb&eacute;m para entender a sua situa&ccedil;&atilde;o futura, que depender&aacute; da combina&ccedil;&atilde;o entre os efeitos das mudan&ccedil;as no clima e a antiga e certamente cont&iacute;nua presen&ccedil;a da esp&eacute;cie humana. Ironicamente, &eacute; justamente dessa presen&ccedil;a humana que pode vir o conhecimento necess&aacute;rio para adaptar o sociecossistema da Caatinga a um futuro de incertezas e varia&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Caatinga tem cerca de 50% de sua &aacute;rea degradada e parte importante disso est&aacute; se transformando em desertos. O que fazer, portanto, com a Caatinga degradada? Uma resposta intuitiva para essa pergunta &eacute;: recuper&aacute;-la. No entanto, restaurar sistemas semi&aacute;ridos &eacute; um grande desafio na atualidade porque pouca ou nenhuma tecnologia foi desenvolvida ou adaptada para essa finalidade. N&atilde;o sabemos sequer como a Caatinga se regenera naturalmente, em que velocidade e quais esp&eacute;cies ocorrem em quais est&aacute;gios para poder, ao menos, reproduzir esse processo em uma eventual recupera&ccedil;&atilde;o com plantio. Portanto, muita pesquisa ainda precisar&aacute; ser feita para que alcancemos um n&iacute;vel aceit&aacute;vel, economicamente vi&aacute;vel e socialmente justo de restaura&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica para a Caatinga.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Restaurar ecologicamente a Caatinga n&atilde;o &eacute; suficiente para garantir que o socioecossistema da regi&atilde;o volte a funcionar para o caatingueiro e para a biodiversidade. Precisamos unir tanto os conhecimentos cient&iacute;ficos sobre o funcionamento e amea&ccedil;as &agrave; Caatinga, quanto aquele conhecimento tradicional que permitiu que o caatingueiro aproveitasse sua biodiversidade e convivesse com suas adversidades. No&ccedil;&otilde;es mais modernas de restaura&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica incluem o aproveitamento de esp&eacute;cies nativas e inclusive ex&oacute;ticas, de forma que uma por&ccedil;&atilde;o restaurada de Caatinga atenda &agrave;s mais variadas necessidades do caatingueiro e da biodiversidade que habitam esse ecossistema. Portanto, um dos desafios mais importantes para a conserva&ccedil;&atilde;o da Caatinga &eacute; o aproveitamento de s&eacute;culos de conhecimento tradicional acumulado aliado &agrave;s t&eacute;cnicas e vis&otilde;es cient&iacute;ficas de restaura&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na atualidade, a no&ccedil;&atilde;o de conserva&ccedil;&atilde;o sem reparti&ccedil;&atilde;o de benef&iacute;cios n&atilde;o faz mais sentido, muito menos na Caatinga, onde ainda habita uma grande densidade de pessoas pobres e dependentes de recursos naturais. As oportunidades para proteger &aacute;reas longe da presen&ccedil;a humana s&atilde;o raras, talvez inexistentes, na Caatinga. Precisamos pensar em formas de garantir a seguran&ccedil;a h&iacute;drica, alimentar e energ&eacute;tica dessa popula&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo em que recuperamos &aacute;reas degradadas com restaura&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica, manejamos sistemas ecologicamente funcionais de maneira sustent&aacute;vel e protegemos a diversidade biol&oacute;gica, social e cultural da Caatinga. Essas no&ccedil;&otilde;es um tanto &oacute;bvias s&atilde;o desafios pol&iacute;ticos gigantescos para conseguir reduzir a pobreza humana no semi&aacute;rido sem dilapidar os sistemas naturais com modelos de desenvolvimento ultrapassados e geradores de desigualdade que continuamos, infelizmente, a reproduzir. A Caatinga possui esse potencial, de ser a pr&oacute;pria esperan&ccedil;a da renova&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o. Graciliano Ramos, parece, sabia disso.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Ramos, G. <i>Vidas secas</i>. 110Âª edi&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro. Ed. &Aacute;tica, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Melo, F P. L. "The socio-ecology of the Caatinga: understanding how natural resource use shapes an ecosystem". In: Silva, J. M. C.; Leal, I. R.; Tabarelli, M. <i>Caatinga: the largest tropical dry-forest region in South America. </i>Springer, Cham. 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Albuquerque, U. P.; Ara&uacute;jo, E. L.; Castro, C. C.; Alves, R. R. N. "People and natural resources in the Caatinga." In: Silva, J. M. C.; Leal, I. R.; Tabarelli, M. <i>Caatinga: the largest tropical dry-forest region in South America. </i>Springer, Cham. 2017.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Lins Neto, E. M.; Peroni, N.; Casas, A.; Parra, F.; Aguirre, X.; Guill&eacute;n, S.; Albuquerque, U. P. "Brazilian and mexican experiences in the study of incipient domestication". <i>Journal of Ethnobiology and Ethnomedicine,</i> 10:33, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Oliveira, R. C. L.; Albuquerque, U. P.; Silva, T. L. L.; Ferreira J&uacute;nior, W. S.; Chaves, L. S.; Ara&uacute;jo, E. L. "Religiousness/spirituality do not necessarily matter: effect on risk perception and adaptive strategies in the semi-arid region of NE Brazil". <i>Global Ecology and Conservation, </i>11: 125-133, 2017.     </font></p>      ]]></body><back>
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