<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252018000400014</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602018000400014</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vegetação e flora da Caatinga]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fernandes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Moabe Ferreira]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="AFF"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Queiroz]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luciano Paganucci de]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="AFF"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AF1">
<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Feira de Santana Programa de Pós-Graduação em Botânica ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="AF2">
<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Feira de Santana  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>10</month>
<year>2018</year>
</pub-date>
<volume>70</volume>
<numero>4</numero>
<fpage>51</fpage>
<lpage>56</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252018000400014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252018000400014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252018000400014&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br> CAATINGA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vegeta&ccedil;&atilde;o e flora  da Caatinga</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Moabe Ferreira Fernandes<sup>I</sup>; Luciano Paganucci de Queiroz<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Doutorando no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Bot&acirc;nica da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), desenvolvendo tese sobre biogeografia e evolu&ccedil;&atilde;o da flora da Caatinga    <br> <sup>II</sup>Professor titular de bot&acirc;nica da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) na Bahia</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Em toda a parte somente se observa o quadro desolador da lenta destrui&ccedil;&atilde;o. Assim n&oacute;s vimos essas caatingas medonhas quando, com numerosos companheiros, as atravessamos nos primeiros meses do ano de 1818, entre o rio Paragua&ccedil;u e o rio de S&atilde;o Francisco. Durante cinco dias nenhuma fonte, nenhum orvalho ofereceu refrig&eacute;rio aos viajantes extenuados; acossados pelo medo e terror da morte, percorremos dia e noite atrav&eacute;s da solid&atilde;o abrasada, e invadidos por pressentimentos amea&ccedil;adores, parecia-nos que a fant&aacute;stica brenha amea&ccedil;ava arremessar-se sobre n&oacute;s: uma estranha assombra&ccedil;&atilde;o causada pela miragem." &#91;1&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A descri&ccedil;&atilde;o acima ressalta a forte impress&atilde;o causada no naturalista b&aacute;varo Karl Martius ao cruzar a Caatinga da Bahia na esta&ccedil;&atilde;o seca. Caatinga &eacute; o nome dado ao tipo de vegeta&ccedil;&atilde;o dominante no nordeste do Brasil, que ocupa todos os estados da regi&atilde;o Nordeste, com exce&ccedil;&atilde;o do Maranh&atilde;o, e o norte de Minas Gerais. Essa vegeta&ccedil;&atilde;o &eacute; constitu&iacute;da principalmente por &aacute;rvores baixas e arbustos profusamente ramificados, frequentemente armados com espinhos ou ac&uacute;leos, geralmente com folhas pequenas, entremeados com plantas suculentas (geralmente cactos), e um estrato herb&aacute;ceo formado por plantas anuais (principalmente ter&oacute;fitos), brom&eacute;lias terrestres e cactos rasteiros. Al&eacute;m disso, a vegeta&ccedil;&atilde;o &eacute; fortemente sazonal, apresentando um aspecto luxuriante na esta&ccedil;&atilde;o chuvosa, quando as &aacute;rvores e arbustos apresentam folhas novas e flores em profus&atilde;o. Isso contrasta fortemente com o aspecto desolador da esta&ccedil;&atilde;o seca, quando as plantas est&atilde;o despidas da folhagem e quase n&atilde;o se nota sinal de vida. Em <i>Os sert&otilde;es</i>, Euclides da Cunha sintetizou esse contraste em uma frase cortante: "Barbaramente est&eacute;reis; maravilhosamente exuberantes" &#91;2&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A CAATINGA NO CONTEXTO DOS BIOMAS GLOBAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O dom&iacute;nio fitogeogr&aacute;fico da Caatinga pode ser delimitado por uma precipita&ccedil;&atilde;o anual m&aacute;xima de 1.000 mm de chuva, a grosso modo coincidindo com o tra&ccedil;ado pol&iacute;tico do semi&aacute;rido. Isso circunscreve uma &aacute;rea de cerca de 912.000 km<sup>2</sup>. No entanto, este amplo espa&ccedil;o &eacute; bastante heterog&ecirc;neo e inclui representantes de diversos biomas globais, al&eacute;m da vegeta&ccedil;&atilde;o localmente conhecida como Caatinga. Esses tipos de vegeta&ccedil;&atilde;o ocorrem de forma fragmentada em meio &agrave; vastid&atilde;o seca da Caatinga, determinados por varia&ccedil;&otilde;es locais de clima e solo e s&atilde;o estrutural, funcional e floristicamente distintos das forma&ccedil;&otilde;es secas de Caatinga circundante. Assim, &eacute; poss&iacute;vel encontrar fragmentos de florestas tropicais &uacute;midas ou semidec&iacute;duas, conhecidas localmente como brejos de altitude, gra&ccedil;as &agrave; ocorr&ecirc;ncia de chuvas orogr&aacute;ficas em &aacute;reas geralmente n&atilde;o sujeitas a um per&iacute;odo de seca superior a tr&ecirc;s meses. Associadas com as &aacute;reas montanhosas, em locais de solo mais pobre, tamb&eacute;m ocorrem fragmentos de savanas, com uma flora relacionada com a do dom&iacute;nio do Cerrado do Brasil central. Os campos rupestres, que ocorrem na Chapada Diamantina (Bahia) em altitudes superiores a 900 metros associados a afloramentos de quartzitos e arenitos, constituem um outro tipo de vegeta&ccedil;&atilde;o com elevada diversidade, estimada em mais de 4.000 esp&eacute;cies de angiospermas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A vegeta&ccedil;&atilde;o t&iacute;pica da Caatinga, por sua vez, faz parte de um outro bioma global denominado de Florestas e Arbustais Tropicais Sazonalmente Secos - FATSS, ou SDTFW na sigla em ingl&ecirc;s &#91;3&#93;. Esse bioma compreende a vegeta&ccedil;&atilde;o tropical rica em plantas suculentas e pobre em gram&iacute;neas, n&atilde;o adaptada &agrave; ocorr&ecirc;ncia regular do fogo natural e que ocorre em regi&otilde;es com solo f&eacute;rtil e precipita&ccedil;&atilde;o bimodal (&lt;1800 mm/ano, com per&iacute;odos de, no m&iacute;nimo, 5 a 6 meses recebendo menos que 100mm &#91;3-5&#93;). A Caatinga &eacute; a maior e mais cont&iacute;nua &aacute;rea do bioma das FATSS no Novo Mundo. Outras &aacute;reas relevantes desse bioma podem ser encontradas formando um arco na Am&eacute;rica do Sul, incluindo o sudoeste do Brasil e o nordeste da Argentina (n&uacute;cleo Misiones), o noroeste da Argentina e o sudeste da Bol&iacute;via (n&uacute;cleo Piemonte), os vales secos andinos da Bol&iacute;via &agrave; Col&ocirc;mbia, a regi&atilde;o costeira do Equador e o noroeste da Am&eacute;rica do Sul (costa caribenha da Col&ocirc;mbia e Venezuela), estendendo-se para norte at&eacute; o M&eacute;xico atrav&eacute;s da costa do Pac&iacute;fico da Am&eacute;rica Central (<a href="/img/revistas/cic/v70n4/a14fig01.jpg">Figura 1</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em todas essas &aacute;reas de FATSS existe uma grande varia&ccedil;&atilde;o local na estrutura da vegeta&ccedil;&atilde;o, desde florestas (i.e., uma vegeta&ccedil;&atilde;o arb&oacute;rea com as copas das &aacute;rvores formando um dossel cont&iacute;nuo) at&eacute; arbustais xer&oacute;filos (i.e., uma vegeta&ccedil;&atilde;o com &aacute;rvores baixas e esparsas e um estrato arbustivo mais denso). Considerando esse gradiente estrutural, a import&acirc;ncia relativa das &aacute;rvores diminui, enquanto a dos arbustos e suculentas aumenta, das forma&ccedil;&otilde;es florestais para as arbustivas. No entanto, apesar da grande varia&ccedil;&atilde;o estrutural, existe uma unidade flor&iacute;stica entre as diferentes forma&ccedil;&otilde;es, o que justifica sua inclus&atilde;o em um mesmo bioma global.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As plantas das FATSS desenvolveram adapta&ccedil;&otilde;es para sobreviver &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es adversas que incluem precipita&ccedil;&atilde;o irregular e secas recorrentes. A caracter&iacute;stica mais marcante das plantas &eacute; a deciduidade da maior parte de suas &aacute;rvores e arbustos. &Eacute; esse atributo que confere o nome &agrave; vegeta&ccedil;&atilde;o, pois Caatinga significa "floresta branca" na l&iacute;ngua Tupi, fazendo men&ccedil;&atilde;o &agrave; penetra&ccedil;&atilde;o da luz at&eacute; o solo quando as &aacute;rvores est&atilde;o desfolhadas durante a esta&ccedil;&atilde;o seca. Al&eacute;m disso, as plantas geralmente possuem folhas pequenas, espinhos, h&aacute;bito suculento ou forma de vida terof&iacute;tica. Como a disponibilidade de &aacute;gua &eacute; um fator limitante ao desenvolvimento e ciclo de vida das plantas, h&aacute; uma sincronia entre a produ&ccedil;&atilde;o de folhas e flores com a esta&ccedil;&atilde;o chuvosa. A partir de precipita&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas, as folhas aparecem rapidamente e as plantas completam seus ciclos reprodutivos em um curto espa&ccedil;o de tempo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DIVERSIDADE DE PLANTAS E ENDEMISMO </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Caatinga possui a maior riqueza de esp&eacute;cies dentre os n&uacute;cleos de FATSS do Novo Mundo. Embora vastas &aacute;reas permane&ccedil;am inexploradas ou pouco coletadas &#91;6â€“8&#93;, o conhecimento atual possibilita afirmar que ocorrem no m&iacute;nimo 3.150 esp&eacute;cies, distribu&iacute;das em 950 g&ecirc;neros e 152 fam&iacute;lias de angiospermas &#91;3&#93;. As fam&iacute;lias mais diversas s&atilde;o Leguminosae e Euphorbiaceae, que tamb&eacute;m s&atilde;o as fam&iacute;lias mais importantes em outros n&uacute;cleos de FATSS. Embora as gram&iacute;neas (fam&iacute;lia Poaceae) n&atilde;o representem um elemento importante da paisagem nas FATSS &#91;6&#93;, a Caatinga &eacute; relativamente rica em n&uacute;mero de esp&eacute;cies, particularmente nas forma&ccedil;&otilde;es mais abertas (como as forma&ccedil;&otilde;es popularmente conhecidas como Serid&oacute; no Rio Grande do Norte e Para&iacute;ba). Outra forma de vida importante na Caatinga &eacute; a das suculentas com fotoss&iacute;ntese MAC (Metabolismo &Aacute;cido das Crassul&aacute;ceas), sendo as principais fam&iacute;lias de suculentas Cactaceae e Bromeliaceae.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cerca de 23% do total de esp&eacute;cies conhecidas das FATSS da Caatinga s&atilde;o end&ecirc;micas. Esse n&uacute;mero tamb&eacute;m inclui a ocorr&ecirc;ncia de 29 g&ecirc;neros end&ecirc;micos, que tendem a possuir distribui&ccedil;&atilde;o muito restrita e ser localmente raros. Tais g&ecirc;neros end&ecirc;micos geralmente pertencem a linhagens relativamente antigas, algumas datando de cerca de 20 milh&otilde;es de anos &#91;3&#93;. A presen&ccedil;a de g&ecirc;neros end&ecirc;micos, supostamente muito antigos, &eacute; comum em diferentes n&uacute;cleos de FATSS &#91;9&#93;, embora nenhum outro n&uacute;cleo possua tantos g&ecirc;neros end&ecirc;micos quanto a Caatinga.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O longo e antigo isolamento dos n&uacute;cleos de FATSS entre si &#91;3&#93;, incluindo a Caatinga, explica v&aacute;rias das caracter&iacute;sticas biogeogr&aacute;ficas desse bioma. Ao contr&aacute;rio das florestas tropicais &uacute;midas, onde grandes &aacute;reas geogr&aacute;ficas s&atilde;o dominadas por um conjunto de poucas esp&eacute;cies de plantas, as FATSS tendem a apresentar esp&eacute;cies que s&atilde;o localmente abundantes (comumente dominantes), por&eacute;m geograficamente restritas. Essa restri&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica resulta em baixa similaridade entre &aacute;reas dominadas por vegeta&ccedil;&atilde;o de FATSS em escalas continental, regional e local &#91;10&#93;. Assim, a elevada diversidade beta (uma medida da dissimilaridade da biodiversidade entre diferentes comunidades) &eacute; regra entre as diferentes localidades dentro da Caatinga, mesmo considerando curtas dist&acirc;ncias &#91;11â€“12&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso espec&iacute;fico da Caatinga, essa grande heterogeneidade flor&iacute;stica reflete adapta&ccedil;&otilde;es da flora a condi&ccedil;&otilde;es locais de clima e solo. An&aacute;lises fitogeogr&aacute;ficas t&ecirc;m demonstrado que diferen&ccedil;as no solo exercem um papel fundamental nas diferen&ccedil;as ecol&oacute;gicas e flor&iacute;sticas e determinam a exist&ecirc;ncia de duas biotas principais: (i) a Caatinga do Cristalino, associada a solos com fertilidade moderada ou elevada da Depress&atilde;o Sertaneja; e (ii) a Caatinga Arenosa, associada a solos arenosos profundos e de baixa fertilidade. Um terceiro grupo flor&iacute;stico &eacute; representado pela Caatinga Arb&oacute;rea, que ocorre principalmente no norte de Minas Gerais e centro-sul da Bahia e tamb&eacute;m na borda oriental da Chapada Diamantina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A flora da Caatinga do Cristalino guarda maior semelhan&ccedil;a com a das outras &aacute;reas de FATSS do Novo Mundo. Este fato pode ser confirmado pelo compartilhamento de esp&eacute;cies, como o angico (<i>Anadenanthera colubrina</i>), a umburana-de-cheiro (<i>Amburana cearensis</i>) e a aroeira (<i>Myracrodruon urundeuva</i>). Uma grande propor&ccedil;&atilde;o da flora &eacute; composta por plantas n&atilde;o-lenhosas, principalmente ervas anuais (ca. 60% das esp&eacute;cies) &#91;8&#93;. A Caatinga do Cristalino ocupa aproximadamente 70% da &aacute;rea total e a vegeta&ccedil;&atilde;o que se estabelece aqui pode ser considerada a t&iacute;pica paisagem sertaneja. &Eacute; bom enfatizar que, por se estabelecerem em solos apropriados para a agricultura, grandes extens&otilde;es da &aacute;rea que seria ocupada pela Caatinga do Cristalino j&aacute; foram devastadas e/ou convertidas para a agricultura e cria&ccedil;&atilde;o de animais. &Eacute; evidente a qualquer viajante, perceber que ao longo da Depress&atilde;o Sertaneja, a vegeta&ccedil;&atilde;o original permanece apenas nos topos de serras, que s&atilde;o &aacute;reas de dif&iacute;cil acesso e, consequentemente, menos suscet&iacute;veis a dist&uacute;rbios antr&oacute;picos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas bacias sedimentares se estabelece a Caatinga Arenosa (tamb&eacute;m chamada de Caatinga Sedimentar ou Carrasco). Esse tipo de Caatinga difere do tipo tratado anteriormente no tocante &agrave; ecologia, grupos flor&iacute;sticos e hist&oacute;ria biogeogr&aacute;fica. Aqui, as esp&eacute;cies vegetais e o espectro de forma de vida tamb&eacute;m mudam consistentemente, sendo a vegeta&ccedil;&atilde;o composta principalmente por plantas lenhosas de pequeno porte (arbustos muito ramificados ou arvoretas) enquanto ervas e subarbustos s&atilde;o menos importantes do que na Caatinga do Cristalino &#91;3, 8&#93;. A Caatinga Arenosa geralmente abriga muitas esp&eacute;cies restritas ou que ocorrem de forma disjunta entre diferentes bacias sedimentares. A regi&atilde;o das dunas do S&atilde;o Francisco, por exemplo, &eacute; reconhecida pelo grande n&uacute;mero de esp&eacute;cies com distribui&ccedil;&atilde;o restrita, muitas das quais foram descritas apenas nos &uacute;ltimos 15 anos como <i>Croton arenosus</i> (Euphorbiaceae), <i>Aeschynomene sabulicola, Copaifera coriacea, Dioclea marginata, Mimosa xiquexiquensis, Pterocarpus monophyllus</i> (Leguminosae), <i>Glischrothamnus ulei</i> (Molluginaceae), <i>Diacrodon compressus e Sta&euml;lia catechosperma</i> (Rubiaceae).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em locais onde os solos s&atilde;o f&eacute;rteis e com um suprimento de &aacute;gua relativamente alto (maior que no cristalino) se desenvolve a Caatinga Arb&oacute;rea (tamb&eacute;m chamada "Mata Seca"). Essa vegeta&ccedil;&atilde;o tem fisionomia florestal e suporta o estabelecimento de &aacute;rvores mais altas e mais robustas, muitas das quais restritas a essa forma&ccedil;&atilde;o como <i>Cavanillesia umbellata</i> (barriguda-lisa; Malvaceae), <i>Aralia warmingiana</i> (Araliaceae), <i>Brasiliopuntia brasiliensis</i> (Cactaceae), <i>Cnidoscolus oligandrus, Goniorrhachis marginata, Peltophorum dubium, Samanea inopinata</i> (Leguminosae) e <i>Alseis floribunda</i> (Rubiaceae).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Aacute;reas rochosas tamb&eacute;m fornecem superf&iacute;cies abundantes para esp&eacute;cies de plantas rup&iacute;colas. Tais &aacute;reas t&ecirc;m origens geol&oacute;gicas distintas, mas em geral s&atilde;o rochas gran&iacute;ticas na superf&iacute;cie cristalina (conhecidas como inselbergues) ou arenitos nas &aacute;reas sedimentares. Esses ambientes possuem solo muito raso ou inexistente e alta incid&ecirc;ncia solar. Embora influenciadas pela vegeta&ccedil;&atilde;o circundante, s&atilde;o ocupadas por esp&eacute;cies com adapta&ccedil;&otilde;es para sobreviver a condi&ccedil;&otilde;es extremas. Esp&eacute;cies suculentas de brom&eacute;lias e cactos s&atilde;o especialmente adaptadas a esse tipo de ambiente, demonstrado pela onipresen&ccedil;a de esp&eacute;cies como a macambira-de-flecha (<i>Encholirium spectabile</i>; Bromeliaceae), o xique-xique (<i>Pilosocereus gounellei</i>) e o cabe&ccedil;a-de-frade (diferentes esp&eacute;cies de <i>Melocactus, Cactaceae</i>). Adicionalmente, &eacute; poss&iacute;vel encontrar ambientes relacionados a rochas calc&aacute;rias (carstes), os quais ocorrem principalmente ao longo da Chapada Diamantina, Chapada do Araripe, no norte de Minas Gerais e no sudoeste da Bahia. A fisionomia da vegeta&ccedil;&atilde;o sobre carstes se assemelha &agrave;quela encontrada nos inselbergues, contudo, al&eacute;m das suculentas, &eacute; poss&iacute;vel encontrar grandes &aacute;rvores crescendo em meio &agrave;s rochas calc&aacute;rias. Tais &aacute;reas apresentam ainda uma quantidade elevada de esp&eacute;cies end&ecirc;micas como <i>Luetzelburgia andrade-limae</i> (Leguminosae), <i>Allamanda calcicola</i> ( Apocynaceae), <i>Ficus bonijesulapensis</i> (Moraceae), <i>Ceiba rubriflora e Pseudobombax calcicola</i> (Malvaceae).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro ambiente muito importante para a diversidade de plantas na Caatinga &eacute; proporcionado pela exist&ecirc;ncia de corpos aqu&aacute;ticos relacionados a rios e lagos tempor&aacute;rios. A altern&acirc;ncia entre per&iacute;odos secos e &uacute;midos provavelmente selecionou esp&eacute;cies que podem persistir v&aacute;rios meses ou anos sem &aacute;gua formando bancos de sementes. Fam&iacute;lias essencialmente aqu&aacute;ticas como Pontederiaceae, Nymphaeaceae, Hydrocharitaceae e Cabombaceae est&atilde;o entre as linhagens mais importantes, assim como algumas fam&iacute;lias n&atilde;o inteiramente aqu&aacute;ticas como Cyperaceae e Poaceae. Considerando as angiospermas (macr&oacute;fitas aqu&aacute;ticas, plantas anf&iacute;bias e plantas terrestres que suportam satura&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica), h&aacute; um total de 227 esp&eacute;cies, distribu&iacute;das em 136 g&ecirc;neros e 54 fam&iacute;lias nas comunidades aqu&aacute;ticas dentro da Caatinga &#91;3&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BIOGEOGRAFIA E EVOLU&Ccedil;&Atilde;O DA FLORA </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A diversidade de substratos geol&oacute;gicos na Caatinga proporcionou um incr&iacute;vel teatro evolutivo para a radia&ccedil;&atilde;o de muitas linhagens singulares, sem paralelo em nenhuma outra &aacute;rea de FATSS &#91;3, 13&#93;. A despeito da incerteza relacionada ao tempo de origem da vegeta&ccedil;&atilde;o, dados geol&oacute;gicos, paleontol&oacute;gicos e de filogenias moleculares t&ecirc;m fornecido novas informa&ccedil;&otilde;es que contribuem para esclarecer a diversifica&ccedil;&atilde;o da flora da Caatinga. Embora dados paleoclim&aacute;ticos indiquem que o clima semi&aacute;rido tem predominado na regi&atilde;o desde o final do per&iacute;odo Terci&aacute;rio &#91;14&#93;, filogenias moleculares datadas indicam que linhagens end&ecirc;micas da Caatinga persistem desde o Mioceno m&eacute;dio, entre 15â€“10 milh&otilde;es de anos (<a href="/img/revistas/cic/v70n4/a14fig02.jpg">Figura 2</a>) &#91;3&#93;. Esse fato est&aacute; de acordo com eventos geol&oacute;gicos regionais, j&aacute; que a maior parte da &aacute;rea total &eacute; coberta por solos rasos, os quais foram gerados atrav&eacute;s do processo de pediplana&ccedil;&atilde;o durante o Terci&aacute;rio &#91;14&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Hip&oacute;teses anteriores afirmavam que a flora da Caatinga representava um conjunto de elementos pertencentes a biomas circundantes, os quais teriam se adaptado &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o favor&aacute;veis semi&aacute;ridas, vindos principalmente da Mata Atl&acirc;ntica. Tal hip&oacute;tese foi amplamente baseada na ideia (predominante at&eacute; recentemente) de que a flora da Caatinga representaria uma vers&atilde;o empobrecida das floras adjacentes, exibindo poucas linhagens ou esp&eacute;cies end&ecirc;micas &#91;15, 16&#93;. No entanto, filogenias de diferentes grupos de plantas demonstram que poucas linhagens de florestas &uacute;midas ou savanas mudaram seus nichos para a Caatinga, indicando que &eacute; dif&iacute;cil para uma linhagem de planta desenvolver os mecanismos necess&aacute;rios para imigrar e se estabelecer em um ambiente marcado pela disponibilidade h&iacute;drica pequena e err&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na realidade, a maioria das linhagens de Caatinga se originou a partir de ancestrais que ocupavam outros n&uacute;cleos de FATSS da regi&atilde;o Neotropical e, posteriormente, sofreram diversifi ca&ccedil;&atilde;o <i>in situ</i> na Caatinga &#91;3&#93;. Muitas dessas linhagens tiveram origem mesoamericana, especialmente em florestas secas do M&eacute;xico, mas as &aacute;reas que apresentam maior rela&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica com a Caatinga s&atilde;o a costa caribenha da Col&ocirc;mbia e Venezuela e a regi&atilde;o sudoeste da Am&eacute;rica do Sul (sudeste da Bol&iacute;via e norte da Argentina), as quais possivelmente estiveram conectadas com a Caatinga no Mioceno m&eacute;dio a tardio &#91;3&#93;. Especifi camente para o sudoeste da Am&eacute;rica do Sul, tal conex&atilde;o deve ter sido mais importante em termos relativos, levando em conta que essa &aacute;rea faz parte de um corredor de vegeta&ccedil;&otilde;es sujeitas a climas sazonalmente secos, tratado como "Diagonal Seca", que engloba a Caatinga, o Cerrado e o Chaco, onde ainda hoje h&aacute; fragmentos de fl orestas secas que s&atilde;o determinados basicamente por caracter&iacute;sticas ed&aacute;fi cas. Contrariamente, a Caatinga est&aacute; hoje separada das FATSS do noroeste da Am&eacute;rica do Sul por grandes extens&otilde;es de fl orestas &uacute;midas da Amaz&ocirc;nia que funcionam como uma barreira para a migra&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies entre essas &aacute;reas &#91;10&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em resumo, a flora das FATSS, incluindo a da Caatinga, &eacute; formada predominantemente por linhagens antigas que se diversificaram localmente em cada um dos seus n&uacute;cleos, formando biotas ricas em endemismos e fortemente distintas entre si. Essa heterogeneidade, tanto em escala continental quanto em escala local, coloca grandes desafios para a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade. No caso da Caatinga, menos de 2% de seus remanescentes est&atilde;o protegidos em unidades de conserva&ccedil;&atilde;o (UC's) efetivas &#91;7&#93;. A baixa similaridade flor&iacute;stica e o grande n&uacute;mero de esp&eacute;cies localmente end&ecirc;micas resulta em que diferentes &aacute;reas de Caatinga s&atilde;o &uacute;nicas e a perda de uma delas pode representar o desaparecimento de uma diversidade que n&atilde;o existe em nenhuma outra regi&atilde;o do mundo. J&aacute; que a sa&uacute;de dos remanescentes de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa tem rela&ccedil;&atilde;o com o desenvolvimento econ&ocirc;mico e social das comunidades onde est&atilde;o inseridos &#91;17&#93;, fica evidente que medidas efetivas para a conserva&ccedil;&atilde;o da Caatinga n&atilde;o passam exclusivamente pela cria&ccedil;&atilde;o de novas UC's. A dimens&atilde;o social tamb&eacute;m deve ser considerada e a cria&ccedil;&atilde;o de oportunidades e incentivos para o desenvolvimento sustent&aacute;vel das comunidades da regi&atilde;o Nordeste â€“ a regi&atilde;o mais pobre e com os menores valores de IDH (&iacute;ndice de desenvolvimento humano) no Brasil â€“ tamb&eacute;m &eacute; quest&atilde;o essencial para a conserva&ccedil;&atilde;o da Caatinga.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.  Martius, K. "A fisionomia do reino vegetal no Brasil". <i>Boletim Geogr&aacute;fico</i>, v. 8,  n. 95, p. 1294-1311, 1951, p. 1301 (Tradu&ccedil;&atilde;o Niemeyer, E.; Stellfeld,  C.    ). </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.  Cunha, E. <i>Os sert&otilde;es (Campanha de Canudos)</i>.  Rio de Janeiro: Laemmert &amp;  C. eds., 1902, p. 50.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.  Queiroz, L. P.; Cardoso, D.; Fernandes, M.; Moro, M. "Diversity and evolution  of flowering plants of the Caatinga domain". In: da Silva, J. C.;  Leal, I.; Tabarelli, M, (eds.), <i>Caatinga:  the largest tropical dry forest</i> <i>region in South America</i>.  Cham: Springer, 2017, p. 23-63.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 4.  Gentry A. H. "Diversity and floristic composition of neotropical dry forests".  In: Bullock, S. H.; Mooney, H. A.; Medina, E. (eds.), <i>Seasonally</i> <i>dry tropical forests</i>.  Cambridge: Cambridge University Press, 1995,  p. 146-194.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 5.  Murphy, P. G.; Lugo, A. E. "Ecology of tropical dry forest". <i>Annu. Rev.</i> <i>Ecol. Syst.</i>, v. 17,  1986, p. 67-88.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 6.  Pennington, R. T.; Lavin, M.; Oliveira-Filho, A. T. "Woody plant diversity, evolution  and ecology in the tropics: perspectives from seasonally dry tropical  forests". <i>Annu. Rev. Ecol. Evol. Syst.</i>,  v. 40, 2009, p.437-457.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 7.  Tabarelli, M.; Vicente, A. "Lacunas de conhecimento sobre as plantas lenhosas  da caatinga". In: Sampaio, E. V. S. B.; Giulietti, A. M.; Virg&iacute;nio, J.;  Gamarra-Rojas, C. F. L. (orgs.) <i>Vegeta&ccedil;&atilde;o  e flora da Caatinga</i>. Recife:  APNE/CNIP, 2002, p.119-129.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.  Moro, M. F.; Nic-Lughadha, E.; Filer, D. L.; de Ara&uacute;jo, F. S.; Martins, F. R. "A  catalogue of the vascular plants of the Caatinga Phytogeographical domain:  a synthesis of floristic and phytosociological surveys". <i>Phytotaxa</i>, v. 160,  2014, p.1-118.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.  Pennington, R. T.; Lewis, G. P.; Ratter, J. A. "An overview of the plant diversity,  biogeography and conservation of Neotropical savannas and  seasonally dry forests". In: Pennington, R. T.; Lewis, G. P.; Ratter, J. A.  (eds.), <i>Neotropical savannas and  seasonally dry forests: plant</i> <i>diversity, biogeography, and conservation</i>.  Boca Raton: CRC Press, 2006,  p. 193-211.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10.  Dryflor. "Plant diversity patterns in neotropical dry forests and their  conservation implications". <i>Science</i>,  v. 353, n. 6306, 2016, p.  1383-1387.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11.  Cardoso, D.; Queiroz, L.P. "Diversidade de Leguminosae nas Caatingas de  Tucano, Bahia: implica&ccedil;&otilde;es para a fitogeografia do semi-&aacute;rido do  Nordeste do Brasil". <i>Rodrigu&eacute;sia</i>,  v.58, 2007 , p.379â€“391.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12.  Moro, M. F.; Nic-Lughadha, E.; de Ara&uacute;jo, F. S.; Martins, F. R. "A  phytogeographical metaanalysis  of the semiarid Caatinga Domain in Brazil". <i>Bot. Rev.</i>,  v. 82, 2016, p. 91-148.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13.  Queiroz, L. P. "The Brazilian Caatinga: phytogeographical patterns inferred  from distribution data of the Leguminosae". In: Pennington, R.  T.; Lewis, G. P.; Ratter, J. A. (eds.), <i>Neotropical  savannas and seasonally</i> <i>dry forests: plant diversity, biogeography, and  conservation</i>. Boca  Raton: CRC Press, 2006, p. 121-158.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14.  Ab'S&aacute;ber, A. N. "O dom&iacute;nio morfoclim&aacute;tico semi-&aacute;rido das Caatingas brasileiras". <i>Geomorfologia</i>,  v. 43, 1974, p. 1-39.     </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15.  Rizzini, C. T. <i>Tratado de Fitogeografia do  Brasil, 2a. ed. </i>Rio de Janeiro: &Acirc;mbito  Cultural Edi&ccedil;&otilde;es, 1979, p. 748.    <!-- ref --> 16.  Andrade-Lima, D. "The Caatinga dominium". <i>Rev.  Bras. Bot.</i>, v. 4, 1981.  p.149-153.     </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17.  Janzen, D. "Tropical dry forests. The most endangered major tropical ecosystem".  In: Wilson, E. O. (ed.) <i>Biodiversity</i>.  Washington DC:  National Academy of Sciences; Smithsonian Institution, 1988. p. 130-137.    </font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Martius]]></surname>
<given-names><![CDATA[K.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A fisionomia do reino vegetal no Brasil]]></article-title>
<source><![CDATA[Boletim Geográfico]]></source>
<year>1951</year>
<volume>8</volume>
<numero>95</numero>
<issue>95</issue>
<page-range>1294-1311</page-range><page-range>1301</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cunha]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os sertões (Campanha de Canudos)]]></source>
<year>1902</year>
<page-range>50</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Laemmert & C]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Queiroz]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cardoso]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Fernandes]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Moro]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Diversity and evolution of flowering plants of the Caatinga domain]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[da Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Leal]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Tabarelli]]></surname>
<given-names><![CDATA[M]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Caatinga: the largest tropical dry forest region in South America]]></source>
<year>2017</year>
<page-range>23-63</page-range><publisher-loc><![CDATA[Cham ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Springer]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gentry]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Diversity and floristic composition of neotropical dry forests]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Bullock]]></surname>
<given-names><![CDATA[S. H.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mooney]]></surname>
<given-names><![CDATA[H. A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Medina]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Seasonally dry tropical forests]]></source>
<year>1995</year>
<page-range>146-194</page-range><publisher-loc><![CDATA[Cambridge ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cambridge University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Murphy]]></surname>
<given-names><![CDATA[P. G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lugo]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ecology of tropical dry forest]]></article-title>
<source><![CDATA[Annu. Rev. Ecol. Syst.]]></source>
<year>1986</year>
<volume>17</volume>
<page-range>67-88</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pennington]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lavin]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Oliveira-Filho]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Woody plant diversity, evolution and ecology in the tropics: perspectives from seasonally dry tropical forests]]></article-title>
<source><![CDATA[Annu. Rev. Ecol. Evol. Syst.]]></source>
<year>2009</year>
<volume>40</volume>
<page-range>437-457</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Tabarelli]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Vicente]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Lacunas de conhecimento sobre as plantas lenhosas da caatinga]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Sampaio]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. V. S. B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Giulietti]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Virgínio]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Gamarra-Rojas]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. F. L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Vegetação e flora da Caatinga]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>119-129</page-range><publisher-loc><![CDATA[Recife ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[APNE/CNIP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moro]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nic-Lughadha]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Filer]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[de Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Martins]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A catalogue of the vascular plants of the Caatinga Phytogeographical domain: a synthesis of floristic and phytosociological surveys]]></article-title>
<source><![CDATA[Phytotaxa]]></source>
<year>2014</year>
<volume>160</volume>
<page-range>1-118</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Pennington]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lewis]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ratter]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[An overview of the plant diversity, biogeography and conservation of Neotropical savannas and seasonally dry forests]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Pennington]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lewis]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ratter]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Neotropical savannas and seasonally dry forests: plant diversity, biogeography, and conservation]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>193-211</page-range><publisher-loc><![CDATA[Boca Raton ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[CRC Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="journal">
<collab>Dryflor</collab>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Plant diversity patterns in neotropical dry forests and their conservation implications]]></article-title>
<source><![CDATA[Science]]></source>
<year>2016</year>
<volume>353</volume>
<numero>6306</numero>
<issue>6306</issue>
<page-range>1383-1387</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cardoso]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Queiroz]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Diversidade de Leguminosae nas Caatingas de Tucano, Bahia: implicações para a fitogeografia do semi-árido do Nordeste do Brasil]]></article-title>
<source><![CDATA[Rodriguésia]]></source>
<year>2007</year>
<volume>58</volume>
<page-range>379-391</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Moro]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nic-Lughadha]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[de Araújo]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Martins]]></surname>
<given-names><![CDATA[F. R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[A phytogeographical metaanalysis of the semiarid Caatinga Domain in Brazil]]></article-title>
<source><![CDATA[Bot. Rev.]]></source>
<year>2016</year>
<volume>82</volume>
<page-range>91-148</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Queiroz]]></surname>
<given-names><![CDATA[L. P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Brazilian Caatinga: phytogeographical patterns inferred from distribution data of the Leguminosae]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Pennington]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lewis]]></surname>
<given-names><![CDATA[G. P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ratter]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Neotropical savannas and seasonally dry forests: plant diversity, biogeography, and conservation]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>121-158</page-range><publisher-loc><![CDATA[Boca Raton ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[CRC Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<label>14</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ab'Sáber]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O domínio morfoclimático semi-árido das Caatingas brasileiras]]></article-title>
<source><![CDATA[Geomorfologia]]></source>
<year>1974</year>
<volume>43</volume>
<page-range>1-39</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<label>15</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rizzini]]></surname>
<given-names><![CDATA[C. T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Tratado de Fitogeografia do Brasil]]></source>
<year>1979</year>
<edition>2a</edition>
<page-range>748</page-range><publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Âmbito Cultural Edições]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<label>16</label><nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Andrade-Lima]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Caatinga dominium]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev. Bras. Bot.]]></source>
<year>1981</year>
<volume>4</volume>
<page-range>149-153</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<label>17</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Janzen]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Tropical dry forests. The most endangered major tropical ecosystem]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Wilson]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Biodiversity]]></source>
<year>1988</year>
<page-range>130-137</page-range><publisher-loc><![CDATA[Washington^eDC DC]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[National Academy of SciencesSmithsonian Institution]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
