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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br>   MEIO AMBIENTE</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Polui&ccedil;&atilde;o do ar: a vil&atilde;  da p&oacute;s modernidade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Alice Wassall</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n1/a08fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em outubro de 2018, a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) publicou o relat&oacute;rio "Polui&ccedil;&atilde;o do ar e a sa&uacute;de infantil". O documento &eacute; enf&aacute;tico: a polui&ccedil;&atilde;o do ar &eacute; uma das grandes amea&ccedil;as &agrave; sa&uacute;de e as maiores v&iacute;timas s&atilde;o as crian&ccedil;as. Mais de uma em cada quatro mortes de crian&ccedil;as com menos de cinco anos est&aacute; relacionada direta ou indiretamente a riscos ambientais e 93% de todas as crian&ccedil;as do mundo vivem em ambientes com n&iacute;vel de polui&ccedil;&atilde;o do ar maior do que o recomendado pela OMS. E por que crian&ccedil;as est&atilde;o mais expostas &agrave; polui&ccedil;&atilde;o? Simples: &eacute; mais perto do ch&atilde;o que os poluentes atingem as maiores concentra&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, elas respiram mais r&aacute;pido que os adultos, absorvendo mais poluentes. Entre as principais conclus&otilde;es, o relat&oacute;rio aponta que a polui&ccedil;&atilde;o do ar afeta o desenvolvimento neurol&oacute;gico, dificulta o desenvolvimento ps&iacute;quico e motor e prejudica a fun&ccedil;&atilde;o pulmonar em crian&ccedil;as, mesmo em n&iacute;veis baixos de exposi&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n1/a08fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A situa&ccedil;&atilde;o piora em pa&iacute;ses da &Aacute;frica, Sudeste Asi&aacute;tico, Mediterr&acirc;neo Oriental e Pac&iacute;fico Ocidental. Nestas regi&otilde;es o n&uacute;mero de doen&ccedil;as atribu&iacute;das &agrave; polui&ccedil;&atilde;o do ar &eacute; ainda maior, especialmente porque as crian&ccedil;as ficam expostas a poluentes provenientes da queima de querosene e madeira dentro de suas pr&oacute;prias casas para suprir necessidades b&aacute;sicas como aquecimento, cozimento de alimentos e ilumina&ccedil;&atilde;o. A polui&ccedil;&atilde;o do ar &eacute; um problema cr&ocirc;nico em moradias de baixa renda e assentamentos tempor&aacute;rios. Vincular pobreza &agrave; alta exposi&ccedil;&atilde;o e aos riscos para sa&uacute;de ambiental n&atilde;o &eacute; exagerado pois s&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es profundamente relacionadas. Em entrevista para o jornal <i>The Guardian </i>(29 out 2018), o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Polui&ccedil;&atilde;o do ar &eacute; o novo tabaco. O ar contaminado est&aacute; envenenando milh&otilde;es de crian&ccedil;as e arruinando suas vidas. Isso &eacute; indesculp&aacute;vel - toda crian&ccedil;a deve ser capaz de respirar ar puro para que possa crescer com toda a sua pot&ecirc;ncia".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para se ter uma ideia, estima-se que a polui&ccedil;&atilde;o dom&eacute;stica foi respons&aacute;vel pela morte prematura de 3,8 milh&otilde;es de pessoas em 2016. Isso representa 6,7% da mortalidade global, um n&uacute;mero muito maior do que a soma de mortes confirmadas por mal&aacute;ria, tuberculose, mal&aacute;ria e Aids. Ningu&eacute;m est&aacute; a salvo da polui&ccedil;&atilde;o do ar, nem nos pa&iacute;ses desenvolvidos. De acordo com o relat&oacute;rio <i>O impacto global da doen&ccedil;a respirat&oacute;ria</i>, publicado em 2017 pelo F&oacute;rum Internacional de Doen&ccedil;as Respirat&oacute;rias, estima-se que a m&aacute; qualidade do ar na Europa reduziu a expectativa de vida em cerca de oito meses.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RETRATO DA POLUI&Ccedil;&Atilde;O BRASILEIRA</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em entrevista &agrave; r&aacute;dio CBN Vit&oacute;ria (26 mar 2018) o m&eacute;dico patologista Paulo Saldiva, professor da Faculdade de Medicina e diretor do Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados, ambos na Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), relata que cada duas horas de tr&acirc;nsito na cidade de S&atilde;o Paulo equivalem a fumar um cigarro por dia, em termos de ingest&atilde;o de polui&ccedil;&atilde;o do ar, e que o morador de S&atilde;o Paulo perde, em m&eacute;dia, um ano e meio de vida por causa da polui&ccedil;&atilde;o. Saldiva, que &eacute; autor do livro <i>Vida urbana e sa&uacute;de - os desafios dos habitantes das metr&oacute;poles</i> (Contexto, 2018), destaca que, na maior cidade do Brasil, 4,5 mil pessoas morrem por ano em decorr&ecirc;ncia dos efeitos da polui&ccedil;&atilde;o do ar. Na regi&atilde;o metropolitana s&atilde;o 7,5 mil e no estado de S&atilde;o Paulo 18 mil. De acordo com a World Resources Institute Brasil (WRI), somente em S&atilde;o Paulo os custos da mortalidade e morbidade provocados pela polui&ccedil;&atilde;o do ar giram em torno de US$ 208 milh&otilde;es ao ano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os pesquisadores Adriana Gioda, Gisele Tonietto e Antonio Ponce de Leon, no artigo "Exposi&ccedil;&atilde;o ao uso da lenha para coc&ccedil;&atilde;o no Brasil e sua rela&ccedil;&atilde;o com os agravos &agrave; sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o" publicado em 2017 na revista <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva</i>, explicam que no Brasil estudos sobre o impacto do uso de m&eacute;todos rudimentares para coc&ccedil;&atilde;o s&atilde;o escassos, impossibilitando ter dados concretos sobre o tema. A partir de dados do IBGE, os autores estimam que entre 25 a 33 milh&otilde;es de brasileiros ainda utilizam lenha para aquecimento e coc&ccedil;&atilde;o. Em estudos realizados em comunidades ind&iacute;genas eles observaram um n&uacute;mero alto de interna&ccedil;&otilde;es hospitalares de crian&ccedil;as menores de cinco anos por infec&ccedil;&atilde;o aguda do trato respirat&oacute;rio inferior.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto outros pa&iacute;ses consideram a polui&ccedil;&atilde;o do ar, seja atmosf&eacute;rica ou dom&eacute;stica, como um fator de risco para as doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis (DCNT), colocando o problema no mesmo n&iacute;vel do tabagismo, no Brasil seguimos um caminho diferente. Rodolfo Dourado Maia Gomes, consultor da International Energy Iniciative (IEI Brasil), destaca que o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, apesar das abundantes evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas, n&atilde;o considera a polui&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica no plano de a&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas para o enfrentamento das DCNT no Brasil, 2011-2022. Na opini&atilde;o dele, a polui&ccedil;&atilde;o do ar ainda &eacute; tratada como assunto marginal. "A famigerada inspe&ccedil;&atilde;o veicular ganhou na m&iacute;dia uma conota&ccedil;&atilde;o muito mais centrada na obrigatoriedade do que na conscientiza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o sobre os s&eacute;rios impactos que a polui&ccedil;&atilde;o do ar causa na popula&ccedil;&atilde;o. &Eacute; desanimador! ", disse. Outra dificuldade, segundo ele, &eacute; minimizar a quest&atilde;o da polui&ccedil;&atilde;o do ar na zona rural. "Nossas pol&iacute;ticas e tomadores de decis&atilde;o est&atilde;o muito voltados para ambiente urbano, negligenciando as &aacute;reas rurais, onde as quest&otilde;es socioecon&ocirc;micas agravam o problema".</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n1/a08fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Instituto Energia e Meio Ambiente (Iema) disponibiliza a Plataforma da Qualidade do Ar, &uacute;nica ferramenta online no pa&iacute;s que re&uacute;ne dados de concentra&ccedil;&atilde;o de poluentes. De acordo com o Iema, dos 27 estados brasileiros apenas nove realizam o monitoramento da qualidade do ar. "Isto retrata a realidade nacional. As iniciativas para o combate &agrave; polui&ccedil;&atilde;o do ar n&atilde;o est&atilde;o &agrave; altura da import&acirc;ncia do tema qualidade do ar e sa&uacute;de", pondera.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DESAFIOS NO S&Eacute;CULO XXI</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O relat&oacute;rio "Cities alive - desingning for urban childhoods", elaborado pela Arup's Foresight, uma empresa inglesa que desenvolve solu&ccedil;&otilde;es para ambientes constru&iacute;dos, destaca a import&acirc;ncia de pensar a cidade para as crian&ccedil;as sem se distanciar da problem&aacute;tica da polui&ccedil;&atilde;o do ar e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS), definidos pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) na Agenda 2030. O objetivo central do relat&oacute;rio &eacute; mostrar que o planejamento urbano adequado deve considerar adultos e, especialmente, as crian&ccedil;as como indiv&iacute;duos co-criadores em todos os processos. Gil Penalosa, fundador e presidente do conselho da organiza&ccedil;&atilde;o canadense 8 80 Cities que trabalha com solu&ccedil;&otilde;es para mobilidade, alerta que &eacute; preciso pensar as cidades para os usu&aacute;rios mais vulner&aacute;veis – crian&ccedil;as, idosos e os pobres – e n&atilde;o adultos atl&eacute;ticos de 30 anos. &ldquo;N&oacute;s podemos e devemos proporcionar todos os dias atividades seguras, divertidas e estimulantes para as crian&ccedil;as na cidade&rdquo;, destaca Penalosa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ado&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;veis e tecnologias limpas para cozinhar e aquecer casas, a utiliza&ccedil;&atilde;o de meios de transporte menos poluentes e os investimentos em efici&ecirc;ncia energ&eacute;tica s&atilde;o algumas a&ccedil;&otilde;es para reduzir a polui&ccedil;&atilde;o do ar. Na &aacute;rea de planejamento urbano, a OMS recomenda reduzir a exposi&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as ao ar contaminado, mantendo as escolas e <i>playgrounds</i> longe das principais fontes de polui&ccedil;&atilde;o do ar, como estradas, f&aacute;bricas e usinas de energia. O relat&oacute;rio da OMS &eacute; um alerta para o desafio de combater a polui&ccedil;&atilde;o do ar, para que todos possam ocupar mais espa&ccedil;os ao ar livre. Quando se trata as crian&ccedil;as esse desafio n&atilde;o &eacute; apenas quest&atilde;o de sa&uacute;de, mas de futuro.</font></p>      ]]></body>
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