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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sem inovar no formato, vídeos sobre ciência ocupam espaço na internet]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br>   DIVULGA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Sem inovar no formato, v&iacute;deos sobre ci&ecirc;ncia ocupam espa&ccedil;o na internet</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Raphaela Velho</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n1/a18fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; faz algum tempo que a divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica chegou ao mundo digital e passou a usar diversos formatos e linguagens da internet. No entanto, a despeito de v&aacute;rios estudos recentes, ainda se sabe muito pouco sobre o papel dos v&iacute;deos na divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Foi com o intuito de cobrir essa lacuna que os pesquisadores Bienvenido Le&oacute;n, da Universidade  de Navarra, na Espanha, e Michael  Bourk, da Universidade de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia do Kuwait, publicaram o livro <i>Communicating science and technology through online video</i> (Routledge, 2018). O volume &eacute; resultado de uma pesquisa internacional - o projeto <i>Videonline</i> - que durou tr&ecirc;s anos e envolveu dezenove pesquisadores de nove universidades em cinco pa&iacute;ses. O objetivo dessa grande empreitada foi estudar v&iacute;deos de ci&ecirc;ncia por meio de diferentes metodologias, buscando analisar desde a acur&aacute;cia da informa&ccedil;&atilde;o veiculada at&eacute; o papel do entretenimento nos v&iacute;deos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>V&Iacute;DEOS PARA QU&Ecirc;?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>corpus</i> selecionado pelos pesquisadores do projeto constou de 826 v&iacute;deos - 300 sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, 268 sobre vacina&ccedil;&atilde;o e 258 sobre nanotecnologia. No cap&iacute;tulo dois, Jos&eacute; Garc&iacute;a-Avil&eacute;s e Alicia de Lara, ambos da Universidade Miguel Hern&aacute;ndez, na Espanha, prop&otilde;em uma classifica&ccedil;&atilde;o desse material em dezoito categorias, distribu&iacute;das entre v&iacute;deos de formato tipicamente televisivo (como jornal de not&iacute;cias, entrevista e document&aacute;rio) e v&iacute;deos de formato "web", feitos para serem vistos pela internet (vlogs, v&iacute;deos promocionais, v&iacute;deos de humor). A videoconfer&ecirc;ncia gravada, webdocument&aacute;rios e shows de televis&atilde;o foram os mais populares, g&ecirc;neros que (exceto pelos webdocument&aacute;rios) fazem parte da chamada <i>legacy media</i> - a m&iacute;dia tradicional, ou "velha". No cap&iacute;tulo seguinte, Maria Erviti, da Universidade de Navarra, tamb&eacute;m na Espanha, mostra que diferentes produtores responderam por v&iacute;deos com diferentes temas e formatos: canais de televis&atilde;o geraram a maior parte dos v&iacute;deos sobre vacinas, enquanto institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e usu&aacute;rios produziram a maior parte dos v&iacute;deos sobre nanotecnologia. Ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o online, por outro lado, produziram maior quantidade de v&iacute;deos sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A presen&ccedil;a do cientista no <i>corpus</i> tamb&eacute;m foi analisada. Cientistas apareceram em 41,5% dos v&iacute;deos: em mais da metade daqueles sobre vacinas, em 46,5% que trataram de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e em pouco menos de 30% sobre nanotecnologia. A maioria dos pesquisadores eram homens de mais de 35 anos, enquanto mulheres cientistas apareciam em apenas 26% dos v&iacute;deos. Com rela&ccedil;&atilde;o aos objetivos, Erviti constatou que mais da metade (58,2%) das unidades analisadas miravam na informa&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico, principalmente aqueles sobre vacina&ccedil;&atilde;o (73,8%), enquanto sensibiliza&ccedil;&atilde;o para o tema aparece em segundo lugar (15,9%), com destaque para os v&iacute;deos sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas (31,3% deles tinha esse objetivo). V&iacute;deos comerciais e de infoentretenimento (um tipo de conte&uacute;do que apresenta fatos de uma maneira divertida) ficaram na casa dos 10% da amostra, enquanto o entretenimento puro e objetivos educacionais foram praticamente irrelevantes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>(FAZER) RIR &Eacute; O MELHOR REM&Eacute;DIO?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O uso de elementos de entretenimento para divulgar ci&ecirc;ncia &eacute; algo comum na televis&atilde;o; por&eacute;m, nos v&iacute;deos online, eles aparecem em uma escala muito menor. Isso foi o que Bourk, Le&oacute;n e Lloyd Davis, (este &uacute;ltimo da Universidade de Otago, na Nova Zel&acirc;ndia), descobriram ao analisar os v&iacute;deos separados por temas. Com base no trabalho de Winfried G&ouml;pfert (2006), os autores elaboraram quatro elementos que comp&otilde;e o conceito de entretenimento - a transforma&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do em uma hist&oacute;ria com protagonista, antagonista, conflito e resolu&ccedil;&atilde;o (<i>storifying science</i>); o uso de imagens atrativas e interessantes (<i>imaging science</i>); a personaliza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia por meio de figuras com as quais o espectador pode se identificar (<i>personalizing science</i>) e o uso de humor (<i>humourising science</i>). Ao observar como esses elementos se manifestavam nos v&iacute;deos classificados como de entretenimento ou infoentretenimento, eles perceberam que o uso de humor, imagens e uso de celebridades cient&iacute;ficas estava mais presente em v&iacute;deos sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica e que a "historiciza&ccedil;&atilde;o" (<i>storifying</i>) foi mais frequente em v&iacute;deos sobre vacinas. Formatos televisivos foram os maiores usu&aacute;rios de diferentes narrativas com enredo, de celebridades e do uso de humor. Por outro lado, poucos v&iacute;deos de empresas e institui&ccedil;&otilde;es utilizaram qualquer elemento de entretenimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aparente pouca representatividade dos formatos inovadores de v&iacute;deos de divulga&ccedil;&atilde;o &eacute; retomada por Davis e Le&oacute;n no cap&iacute;tulo 5, no qual os autores analisam o uso de jarg&atilde;o e n&iacute;vel de formalidade da fala. Segundo a pesquisa, apenas 14% dos v&iacute;deos usaram linguagem especializada (a maioria delas v&iacute;deos institucionais); produtoras profissionais usaram muito pouco o recurso, enquanto 15% dos v&iacute;deos gerados pelo usu&aacute;rio o fizeram. Quase todos os v&iacute;deos (84% deles) apresentaram a ci&ecirc;ncia de uma maneira formal, sendo que a informalidade foi mais comum nos conte&uacute;dos gerados por usu&aacute;rios. Leon e Davis tamb&eacute;m pesquisaram algumas estrat&eacute;gias narrativas, reportando apenas que pouco mais de 5% dos v&iacute;deos usavam &ldquo;conta&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;rias&rdquo; (<i>storytelling</i>) na narra&ccedil;&atilde;o, sendo que a maioria simplesmente expunha fatos e explica&ccedil;&otilde;es. A persuas&atilde;o argumentativa, desenhada para levar o espectador a assumir um certo ponto de vista, foi notada em maior quantidade em v&iacute;deos sobre vacina&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;a clim&aacute;tica; este tema tamb&eacute;m compreendeu muitos v&iacute;deos em que o narrador falava diretamente ao espectador. Por fim, t&eacute;cnicas visuais foram usadas com mod&eacute;stia; recursos como c&acirc;mera-r&aacute;pida (<i>time-lapse</i>), c&acirc;mera-lenta (<i>slow-motion</i>) e quadro-a-quadro (<i>stop-motion</i>) foram empregados em menos de 10% dos v&iacute;deos. Isso confirma a suposi&ccedil;&atilde;o dos autores que, pelo menos com rela&ccedil;&atilde;o aos v&iacute;deos da amostra, houve pouca inova&ccedil;&atilde;o quanto a formato e narra&ccedil;&atilde;o, o que, por sua vez, sugere que h&aacute; muito espa&ccedil;o a se explorar quanto &agrave; experimenta&ccedil;&atilde;o com esses recursos em v&iacute;deos de ci&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
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