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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br>   MEIO AMBIENTE</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Existe alternativa para o uso dos rejeitos de minera&ccedil;&atilde;o?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patricia Piacentini</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n2/a04fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A minera&ccedil;&atilde;o &eacute; uma atividade econ&ocirc;mica importante para o pa&iacute;s. Dados do Instituto Brasileiro de Minera&ccedil;&atilde;o (Ibram) apontam que o setor respondeu, em 2017, por 16,7% do PIB industrial brasileiro. &Eacute; uma produ&ccedil;&atilde;o que ultrapassa os dois bilh&otilde;es de toneladas por ano e gera 180 mil empregos diretos e mais dois milh&otilde;es de indiretos. "Os bens minerais s&atilde;o componentes essenciais de grande parte dos produtos utilizados pela sociedade moderna, tendo um papel fundamental tanto para a economia quanto para a popula&ccedil;&atilde;o. Cada brasileiro consome, em m&eacute;dia, anualmente, cerca de 5,4 toneladas de insumos de origem mineral. Considerando uma expectativa de vida de 70 anos, esse consumo alcan&ccedil;a 328 toneladas, sendo gerados tr&ecirc;s mil toneladas de rejeitos por habitante", destaca Sandra L&uacute;cia de Moraes, engenheira e pesquisadora do Centro de Tecnologia de Metalurgia e Materiais do Instituto de Pesquisas Tecnol&oacute;gicas do Estado de S&atilde;o Paulo (IPT).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>GERA&Ccedil;&Atilde;O DE REJEITOS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A gera&ccedil;&atilde;o de rejeitos &eacute; uma consequ&ecirc;ncia dessa atividade. De acordo com Maur&iacute;cio Guimar&atilde;es Bergerman, engenheiro de minas e professor da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), a atividade mineral produz dois tipos principais de res&iacute;duos (subprodutos da extra&ccedil;&atilde;o sem valor comercial). "Um deles s&atilde;o os materiais est&eacute;reis, compostos por fragmentos grosseiros de rocha (com alguns cent&iacute;metros de tamanho), res&iacute;duos da lavra (explora&ccedil;&atilde;o da jazida mineral). S&atilde;o materiais dispostos em pilhas, chamadas pilhas de est&eacute;ril, que costumam ser est&aacute;veis. N&atilde;o temos relatos de problemas significativos com elas. O outro tipo s&atilde;o os rejeitos, produtos do beneficiamento mineral, que s&atilde;o mais finos (de alguns mil&iacute;metros a fra&ccedil;&otilde;es de mil&iacute;metros) e s&atilde;o dispostos em barragens de rejeitos", explica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns bens da minera&ccedil;&atilde;o geram apenas materiais est&eacute;reis em sua produ&ccedil;&atilde;o, como o caso da brita para a constru&ccedil;&atilde;o civil. Assim, n&atilde;o existe a necessidade de um beneficiamento desse material: tudo que sai da terra ou &eacute; produto ou vai para a pilha de est&eacute;ril. "Mas, com os minerais met&aacute;licos (ferro, cobre, zinco etc.), &eacute; necess&aacute;rio um processamento da rocha lavrada para a retirada dos minerais portadores dos elementos de interesse, que est&atilde;o finamente disseminados na rocha. A ideia &eacute; reduzir o tamanho da rocha at&eacute; liberar esses minerais. Nesse caso, o rejeito do processo de beneficiamento, ser&aacute; necessariamente fino", explica Bergerman.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><a href="/img/revistas/cic/v71n2/a04fig02.jpg"><img src="/img/revistas/cic/v71n2/a04fig02tb.jpg">    <br>   <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Clique para ampliar</font></a></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A composi&ccedil;&atilde;o do rejeito da flota&ccedil;&atilde;o (processo de beneficiamento) varia de mina para mina. "No caso das usinas de min&eacute;rios de ferro (como as de Mariana e Brumadinho), a composi&ccedil;&atilde;o &eacute; essencialmente quartzo, argilominerais e minerais portadores de ferro, como hematita, magnetita e goetita. Existe ainda uma parcela de produtos qu&iacute;micos usados no beneficiamento", esclarece o engenheiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um levantamento realizado pelo IPT, complementando os dados gerados pelo Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea), em 2012, indica que cerca de 4,86 bilh&otilde;es de toneladas de rejeitos foram acumuladas entre 2009 e 2014 no Brasil, levando em considera&ccedil;&atilde;o apenas 15 subst&acirc;ncias minerais de um total de 70 que o pa&iacute;s produz. "Desse total, as produ&ccedil;&otilde;es de min&eacute;rio de ferro, ouro e fosfato superaram individualmente o patamar de um bilh&atilde;o de toneladas, sendo que somente ferro e ouro j&aacute; s&atilde;o respons&aacute;veis por mais da metade do total de rejeitos gerados. Isso indica que n&atilde;o apenas uma ou duas aplica&ccedil;&otilde;es podem resolver o problema, mas muitas alternativas com potencial de uso de grandes quantidades dos rejeitos precisam ser desenvolvidas", aponta Moraes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PROCESSAMENTO DO MIN&Eacute;RIO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Segundo Renata Rodriguez, especialista  em tratamento biol&oacute;gico de efluentes industriais e professora da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), a ind&uacute;stria de minera&ccedil;&atilde;o faz uso de grandes volumes de &aacute;gua em seus processos produtivos. "Como consequ&ecirc;ncia, temos a produ&ccedil;&atilde;o de elevados volumes de efluentes l&iacute;quidos, que devem ser armazenados em barragens ou destinados ao tratamento para remo&ccedil;&atilde;o de todos os compostos poluidores antes que a &aacute;gua retorne ao meio ambiente". Para alguns tipos de efluentes podem ser utilizados reagentes qu&iacute;micos em etapas que envolvem a precipita&ccedil;&atilde;o de uma fase s&oacute;lida, que possa ser separada da fase l&iacute;quida. "As desvantagens desse m&eacute;todo s&atilde;o o alto custo dos produtos e a produ&ccedil;&atilde;o de uma lama (fase s&oacute;lida) de dif&iacute;cil disposi&ccedil;&atilde;o. No caso do tratamento de &aacute;guas &aacute;cidas de minera&ccedil;&atilde;o (aquelas com pH abaixo de 5,0), os custos operacionais estimados s&atilde;o cerca de R$ 1,00 a R$ 9,00/m3, dependendo dos poluentes e do pH do efluente em quest&atilde;o", explica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como alternativa, acrescenta Rodriguez, atualmente existem tecnologias que empregam o uso de reagentes contendo sulfeto, que levam &agrave; precipita&ccedil;&atilde;o de sulfetos met&aacute;licos, produtos que t&ecirc;m potencial de comercializa&ccedil;&atilde;o ou, ainda, o uso de sistemas mais avan&ccedil;ados que levam &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de uma fase s&oacute;lida mais concentrada, o que reduz os volumes de disposi&ccedil;&atilde;o e armazenamento e, consequentemente, os custos. "Entretanto, essas escolhas sempre v&atilde;o depender da localiza&ccedil;&atilde;o da mina, do tipo de min&eacute;rio extra&iacute;do, dos rejeitos produzidos e da qualidade final que se deseja obter para a &aacute;gua que retorna ao meio ambiente", ressalta.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>USO DAS BARRAGENS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> De acordo com Bergerman, as barragens s&atilde;o utilizadas normalmente devido ao menor custo. Mas existem alternativas que permitem sua elimina&ccedil;&atilde;o parcial ou total. "Os rejeitos podem ser dispostos a seco, em pilhas (como &eacute; feito com o material est&eacute;ril que sai da mina), ap&oacute;s processos de desaguamento (peneiramento, espessamento, filtragem e, eventualmente, secagem). H&aacute;, no Brasil e no mundo, diversos exemplos de minera&ccedil;&otilde;es que operam com esses sistemas. S&atilde;o processos que funcionam bem, mas que agregam custos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o. No caso de algumas minas de ferro, com volume de produ&ccedil;&atilde;o muito grande, os processos para desaguamento do rejeito tamb&eacute;m teriam custos altos", comenta o engenheiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ele acrescenta que h&aacute; possibilidade de usos alternativos dos rejeitos, como fabrica&ccedil;&atilde;o de tijolos. "Cada rejeito precisa ser analisado individualmente, mas a implementa&ccedil;&atilde;o de processos industriais para esse reaproveitamento esbarra, normalmente, em quest&otilde;es econ&ocirc;micas e log&iacute;sticas. Apenas uma pequena parcela dos rejeitos de uma mina permitiria fabricar todos os tijolos de que o Brasil precisa. Mas o custo de transporte desses materiais inviabilizaria a opera&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de destruir  cadeias produtivas por todo  o pa&iacute;s", acredita.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>TECNOLOGIAS PARA MINERA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O aperfei&ccedil;oamento dos processos de produ&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento de t&eacute;cnicas para processar res&iacute;duos seguem como desafios para a ci&ecirc;ncia. Segundo Lucia de Moraes, do IPT, o teor do bem mineral e outros fatores relativos &agrave; efici&ecirc;ncia do processo, fazem com que os rejeitos tenham alto percentual de material de interesse que n&atilde;o s&atilde;o recuperados e acabam descartados em pilhas ou barragens de rejeitos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"A abordagem de economia circular &eacute; extremamente aderente a esse contexto. Ela se baseia na ideia de desenvolvimento como um ciclo positivo cont&iacute;nuo que preserva e aprimora o capital natural, otimiza a produ&ccedil;&atilde;o de recursos e reduz riscos sist&ecirc;micos, administrando estoques finitos e fluxos renov&aacute;veis. Esse conceito abrange a necessidade de transformar os res&iacute;duos em insumos para a produ&ccedil;&atilde;o de novos produtos", conclui a pesquisadora do IPT.</font></p>      ]]></body>
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