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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MUNDO    <br>   BIODIVERSIDADE</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ra&iacute;zes do estar bem</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vict&oacute;ria Fl&oacute;rio</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n2/a07fig01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As plantas - um dos maiores e mais diversos grupos de seres vivos da Terra - produzem in&uacute;meras subst&acirc;ncias qu&iacute;micas. Essas subst&acirc;ncias, armazenadas em diferentes partes do vegetal (ra&iacute;zes, cascas, folhas e frutos), s&atilde;o amino&aacute;cidos, lip&iacute;dios e carboidratos que podem ser usados como anti-inflamat&oacute;rios, anest&eacute;sicos e analg&eacute;sicos. Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS), entre 60 e 80% da popula&ccedil;&atilde;o mundial depende do uso de plantas medicinais ou de medicamentos desenvolvidos a partir de seus ativos para o tratamento de patologias que v&atilde;o de simples processos inflamat&oacute;rios at&eacute; doen&ccedil;as neurodegenerativas, como o Alzheimer. Em um pa&iacute;s como o Brasil, a biodiversidade favorece a pesquisa e o desenvolvimento de medicamentos fitoter&aacute;picos e f&aacute;rmacos, mas tamb&eacute;m h&aacute; entraves, como a falta de registro dessas esp&eacute;cies e de literatura sobre os aspectos legais de acesso &agrave;s plantas. Nesse sentido, a diversidade de plantas na Am&eacute;rica Latina e seu potencial terap&ecirc;utico est&atilde;o sendo discutidos, neste m&ecirc;s de maio, em Petr&oacute;polis, durante o Simp&oacute;sio Latino-Americano de Farmacobot&acirc;nica realizado em conjunto com o Simp&oacute;sio Brasileiro de Farmacognosia, organizado pela Sociedade Brasileira de Farmacognosia (SBFgnosia).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NO RASTRO DAS PLANTAS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Os pesquisadores da farmacognosia buscam subst&acirc;ncias com potencial farmac&ecirc;utico produzidas pelas plantas e animais. Um dos exemplos mais antigos de uso medicinal de plantas &eacute; o da morfina - com mais de quatro mil anos - extra&iacute;da da papoula. "O uso de subst&acirc;ncias como a morfina est&aacute; associado &agrave; sua capacidade de fazer sonhar e afastar a dor", conta a especialista Vanderlan da Silva Bolzani, professora titular do Instituto de Qu&iacute;mica da Universidade Estadual Paulista, em Araraquara, que j&aacute; identificou mais de 600 subst&acirc;ncias com potencial medicinal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Subst&acirc;ncias como morfina ou cafe&iacute;na podem ser usadas para inibir sintomas do mal de Alzheimer e da doen&ccedil;a de Parkinson. J&aacute; a artem&iacute;sia cont&eacute;m uma subst&acirc;ncia usada para tratar mal&aacute;ria e as flores do hibisco, nativas do Caribe e norte da Am&eacute;rica do Sul, t&ecirc;m atividade sobre o sistema cardiovascular baixando a press&atilde;o arterial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Depois de identificado o potencial farmac&ecirc;utico de determinada planta, um especialista em bot&acirc;nica identifica a esp&eacute;cie e s&oacute; ent&atilde;o s&atilde;o feitos extratos para isolar os constituintes qu&iacute;micos. "Passar um caf&eacute; &eacute; uma maneira de extrair subst&acirc;ncias dos gr&atilde;os de caf&eacute;, como a cafe&iacute;na e outros compostos que conferem odor &agrave; bebida", ilustra o pesquisador Luiz Carlos Klein Jr., da Universidade do Vale do Itaja&iacute;, em Santa Catarina. Entretanto, "tomar um ch&aacute; da flor do hibisco n&atilde;o &eacute; o mesmo que consumir o medicamento produzido a partir dela", explica o pesquisador da Universidade de Buenos Aires, Argentina, Marcelo Luiz Wagner.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>QUALIDADE E TOXICIDADE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Obter o princ&iacute;pio ativo que ser&aacute; a base de um medicamento demora de oito a 12 anos e envolve processos para comprovar que os ativos est&atilde;o realmente presentes no extrato da planta at&eacute; a determina&ccedil;&atilde;o de sua pureza e teor. Por uma quest&atilde;o de seguran&ccedil;a p&uacute;blica, cada pa&iacute;s deveria estabelecer medidas para o controle da produ&ccedil;&atilde;o desse tipo de medicamento, mas a maioria adota c&oacute;digos de outros pa&iacute;ses, como dos Estados Unidos, Inglaterra ou Jap&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m do longo processo, a produ&ccedil;&atilde;o de um medicamento a partir de uma planta envolve riscos porque "o natural n&atilde;o &eacute; necessariamente bom", como observa Bolzani, que tamb&eacute;m &eacute; membro da coordena&ccedil;&atilde;o do programa Biota-Fapesp. Os ativos presentes nas plantas podem ser t&oacute;xicos para os seres humanos e, por isso, o controle de qualidade tamb&eacute;m deve incluir testes para verificar se podem ou n&atilde;o causar mal &agrave; sa&uacute;de. A Anvisa tem uma lista de esp&eacute;cies que n&atilde;o podem ser utilizadas na composi&ccedil;&atilde;o de produtos tradicionais fitoter&aacute;picos e outra com esp&eacute;cies com restri&ccedil;&otilde;es para o registro/notifica&ccedil;&atilde;o de medicamentos fitoter&aacute;picos. "As folhas da batata, por exemplo, apresentam alto n&iacute;vel de subst&acirc;ncias t&oacute;xicas", lembra Wagner. Ele tem estudado as propriedades de uma planta argentina chamada mu&eacute;rdago que no Brasil &eacute; conhecida como visco. Apesar de seu potencial diur&eacute;tico e como substituta das estatinas (utilizadas na preven&ccedil;&atilde;o de arteriosclerose, por exemplo), em altas doses ela &eacute; t&oacute;xica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"No Brasil, somente depois de cumprir exig&ecirc;ncias e c&oacute;digos adotados pelo Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, o produto pode ser distribu&iacute;do", pontua o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Gerson Pianetti, especialista em controle de medicamentos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>POTENCIAL DESPERDI&Ccedil;ADO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Entender o que as plantas podem oferecer em termos de novos medicamentos ainda representa um grande desafio para a ci&ecirc;ncia. "Existem estimativas de que, no mundo, apenas 15% da vegeta&ccedil;&atilde;o foi estudada quimicamente, percentual ainda menor quando se trata do Brasil", destaca Klein.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O territ&oacute;rio da Amaz&ocirc;nia, por exemplo, tem grande potencial para identifica&ccedil;&atilde;o de novos f&aacute;rmacos. Com uma &aacute;rea de sete milh&otilde;es de quil&ocirc;metros quadrados entre Peru, Col&ocirc;mbia, Venezuela, Equador, Bol&iacute;via, Suriname, Guiana Francesa e Brasil (pa&iacute;s detentor da maior por&ccedil;&atilde;o da floresta), a regi&atilde;o pode conter a chave para aumentar a colabora&ccedil;&atilde;o na pesquisa de f&aacute;rmacos na Am&eacute;rica do Sul. "N&atilde;o existe um setor industrial disposto a se arriscar nessa prospec&ccedil;&atilde;o e a pol&iacute;tica tampouco favorece investimentos de alta tecnologia", analisa Bolzani, especialista em plantas nativas da Amaz&ocirc;nia. "Investimento em tecnologia de produ&ccedil;&atilde;o de f&aacute;rmacos pode levar a Am&eacute;rica do Sul &agrave; independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o a produtos importados e caros", finaliza.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Fitoter&aacute;picos e SUS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2006, o Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) instituiu a Pol&iacute;tica Nacional de Plantas Medicinais e Fitoter&aacute;picos. A Rela&ccedil;&atilde;o Nacional de Plantas Medicinais de Interesse do SUS tem 71 esp&eacute;cies vegetais. "Atualmente, o SUS disponibiliza, em pelo menos 14 estados brasileiros, 12 medicamentos fitoter&aacute;picos", conta a especialista em qualidade Isabela Cesar, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A lista inclui a babosa (<i>Aloe vera</i>) para o tratamento de psor&iacute;ase e queimaduras, o salgueiro (<i>Salix alba</i>), utilizado para tratar dores lombares, c&aacute;scara-sagrada (<i>Rhamnus purshiana</i>) para pris&atilde;o de ventre, e espinheira-santa (<i>Maytenus ilicifolia) </i>para dist&uacute;rbios g&aacute;stricos.</font></p>      ]]></body>
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