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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   ANTROPOLOGIABIOL&Oacute;GICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Devolvendo a identidade: a antropologia forense no Brasil</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Eugénia Cunha</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diretora da Delega&ccedil;&atilde;o Sul do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ci&ecirc;ncias Forenses em Lisboa, Portugal, e professora catedr&aacute;tica no Departamento de Ci&ecirc;ncias da Vida/Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, no mesmo pa&iacute;s. &Eacute; tamb&eacute;m vice-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Antropologia Forense (Abraf)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Numa &eacute;poca em que a palavra forense, do latim <i>forum</i>, ainda continua em voga, a antropologia forense continua a se beneficiar de alguma popularidade. Mas a verdade &eacute; que a resolu&ccedil;&atilde;o de casos criminais atrav&eacute;s da antropologia forense &eacute; que tem trazido essa disciplina para os holofotes. Num pa&iacute;s de dimens&atilde;o continental como o Brasil, o desenvolvimento da disciplina apresenta assimetrias, e a congrega&ccedil;&atilde;o dos peritos tardou a acontecer. Este pequeno artigo pretende dar a conhecer o desenvolvimento e a utilidade da antropologia forense no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O QUE &Eacute; A ANTROPOLOGIA FORENSE?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Importa esclarecer qual o objeto de estudo dessa disciplina que lida principalmente com restos humanos e que muito se tem desenvolvido nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas. Corpos em adiantado estado de decomposi&ccedil;&atilde;o, em que os tra&ccedil;os faciais j&aacute; n&atilde;o permitem qualquer tipo de reconhecimento, esqueletos, ossos, fragmentos &oacute;sseos, ossos/corpos queimados s&atilde;o todos materiais que podem ser considerados casos de antropologia forense. Conv&eacute;m referir ainda que os antrop&oacute;logos forenses tamb&eacute;m trabalham com indiv&iacute;duos vivos, nomeadamente na estimativa da idade tanto de menores sem documenta&ccedil;&atilde;o como de indiv&iacute;duos mais idosos que nunca souberam exatamente a idade que t&ecirc;m e que, numa dada fase da vida, precisam da valida&ccedil;&atilde;o legal da idade.  Para ver com mais detalhe quais as atribui&ccedil;&otilde;es atuais da antropologia forense ver Cunha (2017) &#91;1&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A PER&Iacute;CIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Identifica&ccedil;&atilde;o (quem era a v&iacute;tima)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E como &eacute; que uma per&iacute;cia antropol&oacute;gica consegue devolver a identidade a restos humanos? A identifica&ccedil;&atilde;o, nesse caso, &eacute; um processo cient&iacute;fico, e n&atilde;o &eacute; o mesmo que o reconhecimento. Obviamente que nos casos de antropologia forense o reconhecimento &eacute; praticamente imposs&iacute;vel, mas mesmo que n&atilde;o o fosse nunca poderia ser suficiente para se devolver um corpo &agrave; fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma vez feita a recupera&ccedil;&atilde;o dos vest&iacute;gios humanos - a qual deve ser efetuada com a participa&ccedil;&atilde;o de antrop&oacute;logos forenses -,  a identifica&ccedil;&atilde;o inicia-se pela avalia&ccedil;&atilde;o dos fatores gen&eacute;ricos de identidade, denominado perfil biol&oacute;gico, que engloba quatro par&acirc;metros: a ancestralidade, isto &eacute;, a origem geogr&aacute;fica; a idade &agrave; morte, mais concretamente o grupo et&aacute;rio; o sexo e a estatura. Estes quatro par&acirc;metros possibilitam criar um perfil que, uma vez confrontado com os dados das supostas v&iacute;timas, permite fazer exclus&otilde;es. Ou seja, se a v&iacute;tima analisada for uma mulher, com uma idade entre 20 e 30 anos, de ascend&ecirc;ncia europeia e com uma estatura entre 160 e 165 cm, e se na listagem de desaparecidos s&oacute; constarem homens, naturalmente que pode ser feita uma exclus&atilde;o. Mas se em uma outra rela&ccedil;&atilde;o de desaparecidos constarem cinco mulheres com esse perfil, os fatores de identidade podem fazer o "desempate".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em outras palavras, uma vez diminu&iacute;do o leque de indiv&iacute;duos desaparecidos na an&aacute;lise comparativa, examinam-se os fatores individualizantes, ou seja, as caracter&iacute;sticas &uacute;nicas tais como variantes anat&ocirc;micas, les&otilde;es &oacute;sseas, marcas de cirurgias, entre outros. Sendo essas particularidades individualizantes e exclusivas de cada indiv&iacute;duo, a sua confronta&ccedil;&atilde;o com os dados antemortem dos desaparecidos, especificamente com a informa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e imagiol&oacute;gica, pode permitir a identifica&ccedil;&atilde;o positiva &#91;2&#93;.  H&aacute; assim duas grandes etapas no processo de identifica&ccedil;&atilde;o: a primeira &eacute; uma fase reconstrutiva, em que se tenta captar o m&aacute;ximo de informa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do exame do corpo, e a segunda, uma etapa comparativa, em que essa mesma informa&ccedil;&atilde;o &eacute; comparada com as caracter&iacute;sticas da suposta v&iacute;tima.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A avalia&ccedil;&atilde;o do sexo faz-se para os indiv&iacute;duos adultos prioritariamente com base nos ossos da bacia. Os ossos p&eacute;lvicos femininos, ao estarem adaptados ao parto, t&ecirc;m uma s&eacute;rie de particularidades - bacia mais baixa e larga, por exemplo - que permitem uma boa discrimina&ccedil;&atilde;o entre os dois sexos. Atualmente, &eacute; poss&iacute;vel, atrav&eacute;s da an&aacute;lise m&eacute;trica da bacia, quantificar a probabilidade de ser homem ou mulher, o que constitui um resultado muito mais objetivo. Tamb&eacute;m o cr&acirc;nio (Fig.1) e os ossos longos permitem uma boa avalia&ccedil;&atilde;o sexual.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A estimativa da idade &agrave; morte remete sempre para um grupo et&aacute;rio, ou seja, para um intervalo de idade, e nunca para um valor preciso. Para os n&atilde;o adultos  (com menos de 20 anos), h&aacute; um conjunto grande de indicadores &oacute;sseos e dent&aacute;rios (desenvolvimento e erup&ccedil;&atilde;o) que resultam numa boa aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; idade. J&aacute; a estimativa da idade dos adultos &eacute; bastante mais problem&aacute;tica. Quanto mais velho for o indiv&iacute;duo, mais amplo &eacute; o intervalo et&aacute;rio estimado. H&aacute; toda uma s&eacute;rie de altera&ccedil;&otilde;es degenerativas no esqueleto que s&atilde;o avaliadas, desde a s&iacute;nfise p&uacute;bica na p&eacute;lvis &agrave;s costelas. O modo como os v&aacute;rios indicadores s&atilde;o cruzados tem-se revelado crucial para a obten&ccedil;&atilde;o de bons resultados. J&aacute; para avaliar a regi&atilde;o geogr&aacute;fica de origem (a ancestralidade), o cr&acirc;nio, particularmente a face (Fig.1), &eacute; a zona esquel&eacute;tica mais informativa. Atrav&eacute;s de uma an&aacute;lise m&eacute;trica e n&atilde;o m&eacute;trica &eacute; tamb&eacute;m poss&iacute;vel quantificar a probabilidade de ancestralidade africana, europeia ou asi&aacute;tica. Finalmente, a estatura &eacute; calculada com base no comprimento dos ossos longos, sendo o f&eacute;mur, por ser o maior destes, o mais indicado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre os fatores individualizantes, as placas de osteoss&iacute;ntese (colocadas em cirurgias para consolidar fraturas), as marcas de cirurgia, os oste&oacute;fitos (vulgarmente conhecidos como bicos de papagaio) e fraturas &oacute;sseas antigas ilustram bem aquilo que se examina no esqueleto. Quando nenhum dos fatores &eacute; suficientemente individualizante, ou quando n&atilde;o h&aacute; elementos antemortem para a confronta&ccedil;&atilde;o, pode-se recorrer &agrave; aproxima&ccedil;&atilde;o facial, considerada uma sub&aacute;rea da antropologia forense. Esta requer peritos muito especializados, e o Brasil conta com alguns deles.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n2/a11fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As les&otilde;es traum&aacute;ticas &oacute;sseas (como morreu)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para al&eacute;m do papel fundamental na identifica&ccedil;&atilde;o, os antrop&oacute;logos forenses d&atilde;o uma contribui&ccedil;&atilde;o muito valiosa na an&aacute;lise das les&otilde;es traum&aacute;ticas &oacute;sseas. Estas, quando comprovadamente perimortais, ou seja, ocorridas por volta do momento de morte do indiv&iacute;duo, s&atilde;o cruciais para a avalia&ccedil;&atilde;o da causa e da circunst&acirc;ncia da morte, compet&ecirc;ncias exclusivas do m&eacute;dico-legista. Se &eacute; verdade e correto que o certificado de &oacute;bito s&oacute; pode ser assinado pelo perito m&eacute;dico, tal n&atilde;o consiste em um limite para a atua&ccedil;&atilde;o do antrop&oacute;logo forense. Pelo contr&aacute;rio, deve ser visto como um motivo para uma melhor coopera&ccedil;&atilde;o entre os v&aacute;rios peritos, uma forma de fomentar o trabalho em equipe.  Ora, sendo os ossos e os dentes os mais resistentes dos tecidos corporais, muitas vezes, sobretudo quando j&aacute; passou muito tempo desde o &oacute;bito, eles s&atilde;o o &uacute;nico testemunho do que aconteceu no momento da morte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os avan&ccedil;os na investiga&ccedil;&atilde;o sobre biomec&acirc;nica dos traumatismos &oacute;sseos t&ecirc;m levado a um aumento significativo tanto da quantidade como da qualidade de informa&ccedil;&atilde;o inferida atrav&eacute;s da an&aacute;lise das les&otilde;es traum&aacute;ticas perimortais, o que por sua vez tem implica&ccedil;&otilde;es marcantes na resolu&ccedil;&atilde;o de casos criminais e na justi&ccedil;a, nomeadamente na condena&ccedil;&atilde;o de homicidas. Veja-se o exemplo de um cr&acirc;nio totalmente esqueletizado com um pequeno orif&iacute;cio circular de entrada de um proj&eacute;til situado no centro do osso occipital (localizado na parte de tr&aacute;s da cabe&ccedil;a). A sua etiologia (causa) &eacute; altamente consistente com homic&iacute;dio, ou seja, a v&iacute;tima foi, muito provavelmente, executada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A viol&ecirc;ncia no Brasil &eacute;, infelizmente, fartamente conhecida, fazendo da necessidade de exames antropol&oacute;gicos algo &oacute;bvio. O fogo &eacute; cada vez mais um meio usado para oculta&ccedil;&atilde;o do crime. Os casos das mortes em microondas e em que os corpos s&atilde;o colocados dentro de pneus de autom&oacute;veis para serem queimados/destru&iacute;dos a temperaturas muito elevadas s&atilde;o dois exemplos mais flagrantes e, lamentavelmente, associados ao Brasil &#91;3&#93;. Nestes casos torna-se particularmente dif&iacute;cil discriminar uma fratura t&eacute;rmico induzida (provocada pela a&ccedil;&atilde;o do fogo) de uma fratura resultante de uma agress&atilde;o. Uma vez mais, os progressos na investiga&ccedil;&atilde;o sobre ossos queimados t&ecirc;m permitido resultados cada vez mais seguros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Avalia&ccedil;&atilde;o do tempo decorrido desde a morte (quando morreu)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra pergunta relevante &eacute;: quando o antrop&oacute;logo forense entra em cena? Essencialmente quando j&aacute; passou algum tempo desde o momento da morte, ou seja, quando o corpo j&aacute; est&aacute; em um adiantado estado de decomposi&ccedil;&atilde;o. Deveria tamb&eacute;m ser chamado para o exame do local, para a recupera&ccedil;&atilde;o e/ou escava&ccedil;&atilde;o dos ossos humanos, esta &uacute;ltima tamb&eacute;m uma compet&ecirc;ncia da arqueologia forense, uma disciplina que est&aacute; a dar os primeiros passos no Brasil &#91;4&#93;. Responder &agrave; quest&atilde;o de quando morreu pode ser particularmente dif&iacute;cil quando o corpo j&aacute; est&aacute; totalmente esqueletizado, j&aacute; que a decomposi&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo multifatorial onde h&aacute; que ter em conta v&aacute;rios par&acirc;metros. Por exemplo, um corpo com o cr&acirc;nio esqueletizado, as extremidades mumificadas e o t&oacute;rax saponificado (transforma&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica do corpo que o protege da decomposi&ccedil;&atilde;o) e que ainda preserve as roupas vestidas, ou seja, diretamente associadas ao corpo, estas poder&atilde;o dar uma contribui&ccedil;&atilde;o importante para a avalia&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo de tempo decorrido desde a morte. A etiqueta da roupa poder&aacute; remeter para o fabricante que, por sua vez, poder&aacute; dizer h&aacute; quanto tempo o modelo em causa foi fabricado, o qual estabelecer&aacute; um limite temporal. Ou seja, se o modelo foi fabricado h&aacute; 3 anos, a morte n&atilde;o poder&aacute; ter acontecido antes disso. Este &eacute; apenas um exemplo de como o exame antropol&oacute;gico &eacute; um exame hol&iacute;stico, em que tudo tem que ser levado em considera&ccedil;&atilde;o. Claro que h&aacute; tamb&eacute;m alguns m&eacute;todos de cronologia absoluta e relativa, onde entram disciplinas como a bot&acirc;nica, a qu&iacute;mica e a entomologia forenses.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; uma l&oacute;gica e necess&aacute;ria interliga&ccedil;&atilde;o entre as tr&ecirc;s grandes quest&otilde;es de um exame de antropologia forense: h&aacute; quanto tempo morreu, de que/como morreu e quem era. De nada vale dizer que foi uma morte violenta se n&atilde;o se souber quem era a pessoa. Por outro lado, se a morte tiver acontecido h&aacute; mais de 50 anos, por exemplo, o caso poder&aacute; estar prescrito, mostrando que a dimens&atilde;o legal do caso tamb&eacute;m &eacute; importante.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A ANTROPOLOGIA FORENSE NO BRASIL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, os n&uacute;meros de identifica&ccedil;&otilde;es positivas, ou seja, em que os corpos s&atilde;o identificados e devolvidos &agrave;s fam&iacute;lias, ainda s&atilde;o baixos. As raz&otilde;es para esses n&uacute;meros ficarem bem aqu&eacute;m do necess&aacute;rio e/ou desejado devem-se essencialmente &agrave; quase inexist&ecirc;ncia de bases de dados/listagens de desaparecidos. Sendo a identifica&ccedil;&atilde;o um processo comparativo, s&oacute; a confronta&ccedil;&atilde;o entre os dados <i>post</i> e <i>antemortem</i> poder&aacute; levar a um bom resultado. O pa&iacute;s tem ainda um longo caminho a percorrer no que se refere a bases de dados de desaparecidos &#91;5&#93;, e a aus&ecirc;ncia dessas informa&ccedil;&otilde;es faz com que muitos corpos sejam enterrados como desconhecidos, j&aacute; que nunca foram identificados. Algumas bases de dados estaduais, como &eacute; o caso da de Belo Horizonte (Minas Gerais), desenvolvida exclusivamente pelos peritos m&eacute;dico-legais daquela cidade, s&atilde;o exce&ccedil;&otilde;es. As identifica&ccedil;&otilde;es positivas s&atilde;o alcan&ccedil;adas tamb&eacute;m atrav&eacute;s de uma boa cumplicidade entre v&aacute;rias ci&ecirc;ncias, especialmente a antropologia e a gen&eacute;tica forense. Muitas vezes a antropologia forense cria a suspeita de identifica&ccedil;&atilde;o de uma dada pessoa, que depois &eacute; confirmada pela gen&eacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de haver algumas publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas sobre o desenvolvimento da disciplina no Brasil, ainda falta um levantamento mais exaustivo que englobe a sua origem e hist&oacute;ria. Sheila Mendon&ccedil;a de Sousa, antrop&oacute;loga biol&oacute;gica do Rio de Janeiro, pode ser considerada uma precursora da antropologia forense no Brasil &#91;6&#93;, j&aacute; que a aplica&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos e t&eacute;cnicas da &aacute;rea tem origem no campo da antropologia f&iacute;sica/ biol&oacute;gica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As raz&otilde;es para o tardio desenvolvimento da disciplina no Brasil, sobretudo quando comparado com outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, como a Argentina, t&ecirc;m sido imputadas &agrave; ditadura militar (1964-1985) e &agrave; falta de apoios e incentivos estatais &#91;4&#93;.  Apesar de existirem profissionais a fazer exames de antropologia forense nos institutos m&eacute;dico legais (IMLs) brasileiros h&aacute; pelo menos tr&ecirc;s d&eacute;cadas - como no caso de Bras&iacute;lia, onde o grupo de antropologia forense foi criado em 1992 -, a verdade &eacute; que somente em 2012 foi criada a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Antropologia Forense (Abraf). Ou seja, s&oacute; ent&atilde;o come&ccedil;a uma verdadeira intera&ccedil;&atilde;o entre os profissionais que tem resultado em um verdadeiro salto qualitativo e em uma maior visibilidade internacional dos trabalhos desenvolvidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As per&iacute;cias de antropologia forense s&atilde;o predominantemente feitas nos IMLs, com algumas exce&ccedil;&otilde;es, como &eacute; o caso de Porto Alegre, com o Departamento M&eacute;dico Legal (DML) do Instituto Geral de Per&iacute;cias (IGP), ou de Natal, com o Instituto T&eacute;cnico Cient&iacute;fico de Per&iacute;cia (ITEP-RN). S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Bras&iacute;lia, Belo Horizonte, Guarulhos e Goi&acirc;nia t&ecirc;m IMLs bem conhecidos, com muito bons peritos. O mesmo acontece em cidades menores como Aracaju e Jo&atilde;o Pessoa. Os peritos s&atilde;o sobretudo odontologistas e m&eacute;dicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Belo Horizonte conta, muito provavelmente, com a maior equipe de profissionais dedicados &agrave; antropologia forense  &#91;7&#93;, com cerca de nove profissionais que t&ecirc;m sido essenciais, entre muitos outros exemplos, na identifica&ccedil;&atilde;o das v&iacute;timas do tr&aacute;gico desastre em massa de Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019. Em Salvador, temos outro caso de equipe de refer&ecirc;ncia, que inclui duas m&eacute;dicas e duas odontologistas. O Servi&ccedil;o de Antropologia Forense de Porto Alegre foi criado em 1997 e, em 10 anos (1997-2006), examinou 334 casos &#91;8&#93;. J&aacute; o Rio de Janeiro conta apenas com um perito na &aacute;rea desde 2010, ano da cria&ccedil;&atilde;o do Servi&ccedil;o de Antropologia Forense (Safo) - desde ent&atilde;o coordenado por Marcos Paulo Salles Machado (IML-AP). &Agrave; semelhan&ccedil;a dos outros servi&ccedil;os de antropologia forense, tamb&eacute;m este est&aacute; ligado ao Departamento de Pol&iacute;cia T&eacute;cnico Cient&iacute;fica da Pol&iacute;cia Civil, tutelado pela Secretaria de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica. Ou seja, pode ser considerado como uma unidade da pol&iacute;cia. No Safo, de 2011 a 2017 foram analisados 196 casos &#91;9&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro centro de refer&ecirc;ncia &eacute; o Laborat&oacute;rio de Antropologia Forense do Centro de Medicina Legal (Cemel), criado em 2005 por Marco Aur&eacute;lio Guimar&atilde;es na Faculdade de Medicina de Ribeir&atilde;o Preto da Universidade de S&atilde;o Paulo (FMRP-USP). Esse centro analisou 66 casos de indiv&iacute;duos totalmente esqueletizados de 1999 a 2009. Como se pode verificar pelos exemplos dados, &eacute; muito dif&iacute;cil fazer uma an&aacute;lise comparativa da frequ&ecirc;ncia de casos nos v&aacute;rios IMLs j&aacute; que, sobretudo, a forma como s&atilde;o contabilizados n&atilde;o &eacute; uniforme.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A USP tem liderado a investiga&ccedil;&atilde;o em antropologia forense feita no Brasil &#91;10&#93;, e verifica-se que s&atilde;o sobretudo os odont&oacute;logos que publicam na &aacute;rea.  Um dos grandes problemas encontrados ao longo dos anos &eacute; a falta de capacita&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica entre os profissionais &#91;11&#93;. A partir de 2012 surgiram a&ccedil;&otilde;es pontuais da Academia de Pol&iacute;cia (Acadepol) e workshops promovidos pela Cruz Vermelha Internacional. Em 2014, surge o primeiro curso de especializa&ccedil;&atilde;o em antropologia forense, em Salvador, que capacitou como especialistas tr&ecirc;s das peritas do IML Nina Rodrigues. Em 2017 foi criado o curso de especializa&ccedil;&atilde;o em antropologia forense e direitos humanos da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp), com o apoio do Centro de Arqueologia e Antropologia Forenses (Caaf) da mesma universidade. Merecem tamb&eacute;m destaque as forma&ccedil;&otilde;es tuteladas pela Pol&iacute;cia Federal, especialmente as de 2017, coordenadas por Carlos Palhares, que tiveram um papel mobilizador e agregador com peritos de quase todos os estados do Brasil. O fato de, no pa&iacute;s, serem sobretudo odontologistas a fazer per&iacute;cias antropol&oacute;gicas &eacute; um caso praticamente &iacute;mpar no panorama mundial, s&oacute; encontrando paralelo no Sri Lanka. Seria importante que outras forma&ccedil;&otilde;es de base, como a biologia e a antropologia biol&oacute;gica pudessem ser reconhecidas para a pr&aacute;tica de antropologia forense, o que ainda n&atilde;o aconteceu. N&atilde;o menos importante &eacute; a certifica&ccedil;&atilde;o internacional dos peritos, que &eacute; uma garantia de qualidade - algumas especialistas brasileiras come&ccedil;aram a faz&ecirc;-lo, havendo j&aacute; algumas certificadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O j&aacute; referido artigo de Gorka e Plens &#91;10&#93; identificou 34 institui&ccedil;&otilde;es onde s&atilde;o feitas investiga&ccedil;&otilde;es em antropologia forense no Brasil. Entre elas, as faculdades de odontologia lideram a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, a dizer, a USP, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de Goi&aacute;s (UFG). Tamb&eacute;m os centros de investiga&ccedil;&atilde;o que t&ecirc;m cole&ccedil;&otilde;es osteol&oacute;gicas identificadas t&ecirc;m, mais recentemente, sido beneficiados por esses verdadeiros "laborat&oacute;rios de investiga&ccedil;&atilde;o" que s&atilde;o as cole&ccedil;&otilde;es. O Brasil conta hoje com, pelo menos, sete cole&ccedil;&otilde;es de esqueletos identificados que est&atilde;o come&ccedil;ando a permitir a valida&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos a serem aplicados na resolu&ccedil;&atilde;o dos casos forenses. Alguns desses centros, como &eacute; o caso do Centro de Estudos em Antropologia Forense (Ceaf) da Universidade de Pernambuco (UPE), participam ativamente no ensino e na divulga&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias forenses, como &eacute; o caso do mestrado em ci&ecirc;ncias forenses da UPE, em Recife, &uacute;nico no pa&iacute;s. Uma revista dedicada &agrave; antropologia forense acaba de ser criada: o primeiro n&uacute;mero do <i>Brazilian Journal of Forensic Anthropology &amp; Legal Medicine</i> est&aacute; no prelo, gra&ccedil;as &agrave; din&acirc;mica da Abraf.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O papel da antropologia forense na identifica&ccedil;&atilde;o de restos mortais dos desaparecidos da ditadura merece ser destacado. O Grupo de Trabalho de Perus (GTP), sediado em S&atilde;o Paulo e criado em 2014, tem analisado centenas de esqueletos encontrados em uma vala comum do cemit&eacute;rio de Perus (oficialmente Cemit&eacute;rio Dom Bosco), localizado na zona norte da cidade de S&atilde;o Paulo. Ap&oacute;s anos de pesquisa, o GTP viu o seu esfor&ccedil;o recompensado com a identifica&ccedil;&atilde;o positiva de duas das v&iacute;timas, em 2018. As valas comuns se configuram como uma grave viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos e s&atilde;o um crime que n&atilde;o prescreve. O GTP pode ser considerado como uma das respostas &agrave; condena&ccedil;&atilde;o do Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2011, que levou a uma intensifica&ccedil;&atilde;o dos grupos de trabalho de repara&ccedil;&atilde;o, justi&ccedil;a de transi&ccedil;&atilde;o (referente aos reparos &agrave;s viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos), direito &agrave; mem&oacute;ria e &agrave; verdade. O Grupo de Trabalho do Araguaia, estabelecido em 2011, tamb&eacute;m merece ser salientado. Ele tem localizado os prisioneiros pol&iacute;ticos desaparecidos em &aacute;reas rurais &#91;12&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Igualmente merecedor de refer&ecirc;ncias &eacute; a integra&ccedil;&atilde;o de peritos especialistas em antropologia forense nas equipes de <i>disaster victim identification</i> (identifica&ccedil;&atilde;o de v&iacute;timas de desastres; DVI). Neste aspeto, o Brasil apresenta um bom n&iacute;vel internacional e est&aacute; perfeitamente capacitado para fornecer uma resposta r&aacute;pida e eficiente, como &eacute; o caso do mais recente desastre de massa que afetou o pa&iacute;s, em Brumadinho, j&aacute; aqui referido, mas tamb&eacute;m de outros, como os acidentes dos voos 1907 da Gol, em 2006, e 447 da Air France, em 2009.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A comunidade de peritos de antropologia forense do Brasil atua n&atilde;o somente nos casos do cotidiano, como tamb&eacute;m nas &aacute;reas de desastres de massa e de crimes contra a humanidade. &Eacute; evidente o esfor&ccedil;o da maior parte dos peritos para se atualizar e acompanhar o desenvolvimento da disciplina, o que pode ser visto, por exemplo, no entusiasmo com que participam nas a&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o, na qualidade das per&iacute;cias realizadas, nas apresenta&ccedil;&otilde;es dos congressos da Abraf e na recente cria&ccedil;&atilde;o de uma revista cient&iacute;fica da especialidade por parte dessa associa&ccedil;&atilde;o. A Abraf sem d&uacute;vida tem alavancado e dinamizado a disciplina. Ainda assim, falta uma maior visibilidade internacional do trabalho desenvolvido no Brasil, que pode ser conseguido por uma maior participa&ccedil;&atilde;o em congressos internacionais e, sobretudo, por mais publica&ccedil;&otilde;es em revistas internacionais revisadas pelos pares.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>AGRADECIMENTOS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aos coordenadores deste N&uacute;mero Tem&aacute;tico por me darem a oportunidade de escrever sobre os meus quase 20 anos de visitas de trabalho a v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es brasileiras de antropologia forense. Aos meus j&aacute; muitos amigos e colegas brasileiros de antropologia forense pela partilha de conhecimento e amizade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Cunha, E. "Considera&ccedil;&otilde;es sobre a antropologia forense na atualidade". In: <i>Revista Brasileira de Odontologia Legal - RBOL</i>, 4 (2), p. 110-117, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Cunha, E.; Cattaneo, C. "Historical routes and current practice for personal identification". In: Ferrara, S. D. (ed.). <i>P5 Medicine and justice</i>. Cham: Springer International Publishing, p. 398-411, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Dur&atilde;o, C.; Machado, M. P.; Daruge J&uacute;nior, E. "Death in the 'microwave oven': a form of execution by carbonization". In: <i>Forensic Science International</i>, 253, p.e1-3,2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Guimar&atilde;es, M. A.; Francisco, R. A.; de Abreu e Souza, R.; Evison, M. P. "Forensic archaeology and anthropology in Brazil". In: Groen, M.; M&aacute;rquez-Grant, N.; Janaway, R. (eds.). <i>Forensic archaeology: current trends and future prospects</i>. New York: Wiley, p. 215-222, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Calmon, M. "Banco de dados de desaparecidos: estado da arte nacional e internacional". Artigo apresentado na III CONAF, Jo&atilde;o Pessoa, Brazil. 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Mendon&ccedil;a de Souza, S. "Bioarqueologia e antropologia forense". In: <i>Anais I Encontro de Arqueologia de Mato Grosso do Sul</i>. Campo Grande: Museu de Arqueologia da UFMS, p. 89-113, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Lemos, Y.; Righi, H. A.; Scaramussa, F. S.; Marias, E. C.; Ara&uacute;jo, R. M.; Cardoso, M. A. "Homic&iacute;dio por pistola finca-pinos". In: <i>Revista de Criminal&iacute;stica e Medicina e Medicina Legal</i>, 2, p. 14-19, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Vaz, M.; Benfica, F. S. "The experience of the forensic anthropology service of the medical examiner's office in Porto Alegre, Brazil". In: <i>Forensic Science International</i>, 6, 179 (2-3), p. e45-9, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Calmon Silva, M.; Machado, M. P. S. "A retrospective study of the forensic anthropology cases investigated by the Legal Medicine Institute in Rio de Janeiro, Brazil, from 2011 through 2017". In: <i>Proceedings of the American Academy of Forensic Sciences</i>. 71st Annual Scientific Meeting. Baltimore: 180, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. G&oacute;rka, K.; Plens, C. R. "In search of identity - the field of forescic  anthropology in Brazil. Art 1: analysis of scientific production". No prelo.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Lessa, A. "Per&iacute;cias forenses e justi&ccedil;a criminal sob a &oacute;tica da antropologia forense no Brasil". In: <i>Seguran&ccedil;a, Justi&ccedil;a e Cidadania</i>, 44, p. 153-154, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Arns, P. E. <i>Brasil: nunca mais - um relato para a hist&oacute;ria</i>. 3 ed. Petr&oacute;polis: Vozes. 1996.    </font></p>      ]]></body><back>
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