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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[História demográfica e evolutiva humana e de outros primatas: contribuições do laboratório de pesquisa fundado por Francisco Mauro Salzano]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   ANTROPOLOGIABIOL&Oacute;GICA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>História demográfica e evolutiva humana e de outros primatas: contribuições do laboratório de pesquisa fundado por Francisco Mauro Salzano</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Maria Cátira Bortolini</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora titular do Departamento de Gen&eacute;tica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atual coordenadora do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Gen&eacute;tica e Biologia Molecular (PPGBM). &Eacute; tamb&eacute;m pesquisadora respons&aacute;vel pelo Laborat&oacute;rio de Evolu&ccedil;&atilde;o Humana e Molecular (LEHM)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A hist&oacute;ria do Departamento de Gen&eacute;tica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) teve in&iacute;cio com o modesto Laborat&oacute;rio de <i>Drosophila</i>, fundado por Ant&ocirc;nio Rodrigues Cordeiro em 1949, na ent&atilde;o Faculdade de Filosofia. O pequeno laborat&oacute;rio atraiu alguns jovens estudantes de hist&oacute;ria natural da &eacute;poca, dentre eles, Francisco Mauro Salzano, que se graduou no ano seguinte, obtendo seu t&iacute;tulo de doutor na Universidade de S&atilde;o Paulo, em 1955, sob a supervis&atilde;o de Crodowaldo Pavan. O Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Gen&eacute;tica e Biologia Molecular (PPGBM) da UFRGS, por sua vez, teve origem em 1954, gra&ccedil;as ao apoio da rec&eacute;m-criada Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes), de alguns convidados estrangeiros (William W. Millstead, ecologista, e J. Ives Townsend, geneticista), bem como dos professores Cordeiro, Casemiro Victorio Tondo e do ent&atilde;o contratado Salzano. O PPGBM tem hoje nota 7, m&aacute;xima da Capes, o que denota seu n&iacute;vel de excel&ecirc;ncia internacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Salzano, que faleceu em 28 de setembro de 2018, deixou um legado que se confunde com a hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia brasileira e mundial. Ele foi o autor/co-autor de 1.511 contribui&ccedil;&otilde;es para a literatura cient&iacute;fica (532 artigos, 60 cap&iacute;tulos e 21 livros). Um total de 89 teses e disserta&ccedil;&otilde;es foram defendidas sob sua supervis&atilde;o, todas juntas ao PPGBM.  Ele foi membro das Academias de Ci&ecirc;ncias do Brasil e dos Estados Unidos. Recebeu o t&iacute;tulo de professor em&eacute;rito da UFRGS e de doutor <i>honoris causa </i>da Universidade Paul Sabatier, Fran&ccedil;a, e da Universidade da Costa Rica. Recebeu dezenas de condecora&ccedil;&otilde;es, incluindo membro da Ordem Nacional do M&eacute;rito Cient&iacute;fico na classe da gr&atilde;-cruz e Pr&ecirc;mio Almirante &Aacute;lvaro Alberto para Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (ambos do governo federal do Brasil).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda, Salzano produziu as obras e reflex&otilde;es oportunas sobre bio&eacute;tica, em tempos que o termo ainda era desconhecido. Por exemplo, na d&eacute;cada de 1960, foi um dos poucos especialistas convidados pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) para elaborar os princ&iacute;pios a serem seguidos em pesquisas gen&eacute;ticas e evolutivas com seres humanos &#91;1, 2&#93;. Esses documentos forneceram diretrizes que inspiraram muitos procedimentos, normativas e leis posteriores, e que incluem: respeito &agrave; privacidade dos volunt&aacute;rios, bem como conforto e bem-estar dos mesmos; acesso a servi&ccedil;os m&eacute;dicos, odontol&oacute;gicos e outros servi&ccedil;os biom&eacute;dicos; explica&ccedil;&otilde;es claras sobre poss&iacute;veis desdobramentos da pesquisa e respeito &agrave; integridade cultural da popula&ccedil;&atilde;o investigada. Continuou se preocupando com a &eacute;tica nas pesquisas e no avan&ccedil;o de discursos anti-ci&ecirc;ncia ao longo de sua carreira, como pode ser observado em v&aacute;rias de suas obras &#91;3&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n2/a12fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As investiga&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas de Salzano come&ccedil;aram com a <i>Drosophila</i>, organismo modelo em gen&eacute;tica. Por&eacute;m, depois de sua passagem pelos Estados Unidos, no laborat&oacute;rio de James V. Neel, seu interesse voltou-se para a gen&eacute;tica humana, em especial para os estudos de povos nativos americanos. Nesse contexto, foi fundado o agora chamado Laborat&oacute;rio de Evolu&ccedil;&atilde;o Humana e Molecular (LEHM), ao qual Salzano esteve vinculado at&eacute; seus &uacute;ltimos dias de vida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OS ESTUDOS SOBRE A DIVERSIDADE GEN&Eacute;TICA DOS NATIVOS AMERICANOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No LEHM foram e s&atilde;o desenvolvidos estudos que se enquadram em grandes linhas de pesquisa do PPGBM &#91;4&#93;, de modo que, por suas depend&ecirc;ncias, passaram dezenas de estudantes, docentes e servidores. Junto com colaboradores, produziu-se conhecimento inovador e foram publicados centenas de artigos, cap&iacute;tulos e livros cient&iacute;ficos, al&eacute;m de material de divulga&ccedil;&atilde;o. Tendo em vista que seria demasiado longo descrever, mesmo que brevemente, todos os temas de estudos produzidos por membros do LEHM, aqui ser&atilde;o destacados somente alguns deles, com o intuito de ilustrar a abrang&ecirc;ncia das investiga&ccedil;&otilde;es realizadas e suas rela&ccedil;&otilde;es com a antropologia biol&oacute;gica. O prop&oacute;sito deste texto n&atilde;o &eacute; o de fazer uma revis&atilde;o exaustiva dos assuntos, pois muitos artigos relevantes poderiam ficar de fora das cita&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o obstante, reconhece-se a import&acirc;ncia que outros centros de pesquisa no Brasil tiveram e t&ecirc;m na gera&ccedil;&atilde;o do conhecimento universal no contexto da gen&eacute;tica hist&oacute;rica, antropol&oacute;gica, evolutiva e em &aacute;reas afins, como &eacute; o caso do grupo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) liderado por S&eacute;rgio Danilo Pena.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os primeiros resultados oriundos do LEHM foram publicados nas d&eacute;cadas de 1950-60 e mostravam, pela primeira vez, o padr&atilde;o geral da diversidade gen&eacute;tica, bem como algumas condi&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas raras, em nativos americanos. Esses estudos (ver revis&atilde;o em &#91;5&#93;), que na &eacute;poca se utilizavam da variabilidade nos grupos sangu&iacute;neos e em outras prote&iacute;nas (marcadores agora denominados de "cl&aacute;ssicos"), revelaram que ca&ccedil;adores-coletores nativos americanos t&ecirc;m menor variabilidade gen&eacute;tica dentro das popula&ccedil;&otilde;es e possuem n&iacute;veis altos de estrutura&ccedil;&atilde;o, ou seja, de diversidade entre popula&ccedil;&otilde;es, quando comparados aos n&uacute;meros observados em grupos nativos de outros continentes. Posteriormente, a partir de investiga&ccedil;&otilde;es feitas com o DNA, corroboramos esse padr&atilde;o geral &#91;6&#93;, indicando baixo fluxo g&ecirc;nico e tamanho populacional efetivo pequeno, o que favorece a a&ccedil;&atilde;o da deriva gen&eacute;tica (mudan&ccedil;as devidas a flutua&ccedil;&otilde;es casuais), pelo menos nos grupos nativos identificados, com base na dieta e h&aacute;bitos de vida como ca&ccedil;adores-coletores. Nos Andes, por outro lado, o padr&atilde;o &eacute; contrastante, com pouca estrutura&ccedil;&atilde;o, indicando tamanhos populacionais grandes e intenso fluxo g&ecirc;nico &#91;7&#93;, compat&iacute;vel com a hist&oacute;ria da regi&atilde;o - onde ainda em tempos anteriores &agrave; chegada de Cristov&atilde;o Colombo, imp&eacute;rios organizados e grandes cidades emergiram &#91;8&#93;. Vale ressaltar que alguns desses grupos ca&ccedil;adores-coletores tamb&eacute;m desenvolveram algumas pr&aacute;ticas agr&iacute;colas incipientes, como visto nas ro&ccedil;as de mandioca. N&atilde;o obstante, o padr&atilde;o gen&eacute;tico segue sendo t&iacute;pico de ca&ccedil;adores-coletores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Antes da era do DNA, Neel e Salzano &#91;9&#93; tamb&eacute;m forneceram a descri&ccedil;&atilde;o do conceito de fiss&atilde;o-fus&atilde;o, que prop&otilde;e que fiss&otilde;es (rupturas) em grupos de ca&ccedil;adores-coletores ocorrem ao longo de linhas de parentesco e s&atilde;o mais comumente associadas a tens&otilde;es sociais. O grupo emergente a partir da fiss&atilde;o, formado normalmente por parentes, pode formar novo aldeamento, juntar-se a outra aldeia ou at&eacute; mesmo reingressar na aldeia original depois de algum tempo. O conceito foi revisitado cerca de 30 anos depois pelo pr&oacute;prio Salzano &#91;10&#93; e utilizado por n&oacute;s para explicar os diferentes padr&otilde;es de dispers&atilde;o dos grupos falantes de l&iacute;nguas Tupi e J&ecirc;, com base nas sequ&ecirc;ncias do DNA mitocondrial (mtDNA) &#91;11&#93;. Demonstramos que os tupis exibiam o padr&atilde;o cl&aacute;ssico de isolamento por dist&acirc;ncia, enquanto os grupos J&ecirc; apresentaram um modo n&atilde;o linear de dispers&atilde;o. Sugerimos ainda que a mem&oacute;ria coletiva (envolvendo as raz&otilde;es que levaram &agrave; ruptura, por exemplo) e outros processos culturais seriam fatores determinantes nos eventos de fiss&atilde;o-fus&atilde;o, estando tamb&eacute;m indiretamente ligados ao padr&atilde;o de estrutura gen&eacute;tica, evolu&ccedil;&atilde;o e dispers&atilde;o de popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas ca&ccedil;adores-coletoras da Am&eacute;rica do Sul.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SELE&Ccedil;&Atilde;O NATURAL, EVOLU&Ccedil;&Atilde;O BIOL&Oacute;GICA, POVOAMENTO E COLONIZA&Ccedil;&Atilde;O DA AM&Eacute;RICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O papel da sele&ccedil;&atilde;o natural na hist&oacute;ria evolutiva dos nativos americanos come&ccedil;ou a ser revelado mais recentemente por pesquisadores do LEHM. Por exemplo, em &#91;12&#93; descrevemos que uma muta&ccedil;&atilde;o no gene ABCA1, que acarreta a presen&ccedil;a de uma ciste&iacute;na na posi&ccedil;&atilde;o 230 da prote&iacute;na de membrana ABCA1 - ligada ao fluxo de colesterol -, ocorreu na Am&eacute;rica. Ainda, a alta frequ&ecirc;ncia desta variante (230Cis, do tipo "econ&ocirc;mica") na Am&eacute;rica Central teria tido uma vantagem seletiva durante os per&iacute;odos de escassez de alimentos experimentados pelos mesoamericanos durante a implementa&ccedil;&atilde;o da agricultura baseada no milho - e a consequente mudan&ccedil;a de estilo de vida em dire&ccedil;&atilde;o ao sedentarismo. Hoje, no entanto, tal variante faria parte do repert&oacute;rio gen&eacute;tico que confere suscetibilidade &agrave; obesidade e &agrave;s doen&ccedil;as cardiovasculares e metab&oacute;licas correlacionadas, devido &agrave; vasta oferta de alimentos cal&oacute;ricos e baixa atividade f&iacute;sica a que est&atilde;o sujeitos indiv&iacute;duos em sociedades urbanas modernas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em outro estudo com genes de metabolismo, observamos frequ&ecirc;ncias significativamente maiores para o alelo econ&ocirc;mico rs429358C de APOE em popula&ccedil;&otilde;es nativas ca&ccedil;adores-coletoras, quando comparados com os agricultores andinos &#91;13&#93;. O produto de APOE se constitui num componente fundamental das lipoprote&iacute;nas de baixa densidade e de um grupo de lipoprote&iacute;nas de alta densidade. Merece destaque tamb&eacute;m o estudo em que mostramos que nativos americanos que vivem em uma gama diversa de ambientes compartilham de forma surpreendente a assinatura da sele&ccedil;&atilde;o positiva em genes codificadores das dessaturases de &aacute;cidos graxos (FADS; &#91;14&#93;). Sugerimos que esse achado estaria relacionado &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o local ao clima frio e dieta rica em gordura animal que ocorreu na Ber&iacute;ngia, quando ali estiveram, por milhares de anos, os ancestrais de todos os nativos americanos (ver detalhes abaixo).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, outro exemplo envolve genes da via do TP53, essenciais na manuten&ccedil;&atilde;o da integridade do genoma. Nossos estudos mostram que algumas combina&ccedil;&otilde;es al&eacute;licas estariam potencialmente envolvidas na adapta&ccedil;&atilde;o humana &agrave; grande altitude e condi&ccedil;&otilde;es associadas (baixa concentra&ccedil;&atilde;o de O<sub>2</sub> e alta radia&ccedil;&atilde;o UV, por exemplo) encontradas nos Andes &#91;15&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; coloniza&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica, Bonatto e Salzano &#91;16&#93; foram pioneiros no uso de sequ&ecirc;ncias de DNA mitocondrial (mtDNA) para desvendar o papel de Ber&iacute;ngia (territ&oacute;rio de aproximadamente 1 milh&atilde;o de km<sup>2</sup> que ligava a Am&eacute;rica e a &Aacute;sia e que emergiu devido &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar durante o &uacute;ltimo m&aacute;ximo glacial no Pleistoceno tardio) para a forma&ccedil;&atilde;o do repert&oacute;rio gen&eacute;tico exclusivo nativo americano, o que foi corroborado por estudos posteriores tamb&eacute;m com dados em n&iacute;vel de DNA &#91;17&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda sobre esse tema, vale destacar os nossos estudos com abordagens interdisciplinares &#91;18, 19&#93;, em que discutimos v&aacute;rios aspectos que dificultavam vis&otilde;es integradoras sobre o povoamento inicial da Am&eacute;rica a partir de diferentes &aacute;reas do conhecimento. Desmistificamos a ideia de que os povos do Novo e Velho Mundo permaneceram em isolamento reprodutivo completo ap&oacute;s o desaparecimento de Ber&iacute;ngia. A variabilidade da popula&ccedil;&atilde;o fundadora, intensa evolu&ccedil;&atilde;o local na Ber&iacute;ngia e dentro do continente americano, al&eacute;m de um baixo por&eacute;m sistem&aacute;tico fluxo g&ecirc;nico entre a Am&eacute;rica do Norte e a &Aacute;sia (na regi&atilde;o do c&iacute;rculo polar &aacute;rtico) podem explicar a diversidade gen&eacute;tica e morfol&oacute;gica dentro do continente americano sem que se recorra a propostas menos parcimoniosas quando se considera uma vis&atilde;o interdisciplinar - j&aacute; que algumas delas podem fazer sentido para um tipo de evid&ecirc;ncia (morfologia craniana), mas n&atilde;o para outros (gen&eacute;tica e lingu&iacute;stica, por exemplo) e vice-versa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As trajet&oacute;rias hist&oacute;ricas, culturais, demogr&aacute;ficas e evolutivas dos nativos americanos foram alteradas ap&oacute;s a chegada dos conquistadores e colonizadores europeus e dos escravos africanos. O impacto dessas grandes migra&ccedil;&otilde;es, que reuniram de forma volunt&aacute;ria ou for&ccedil;ada povos de diferentes continentes, foi determinante para mudar o curso da hist&oacute;ria tanto dos nativos americanos quanto dos migrantes. Parte dessa trajet&oacute;ria pode ser revelada com dados gen&eacute;ticos. Pesquisadores do LEHM v&ecirc;m se dedicando a isso h&aacute; d&eacute;cadas. Por exemplo, Salzano e Bortolini &#91;8&#93; estimaram que aproximadamente 43 milh&otilde;es de nativos em diferentes fases de desenvolvimento cultural e demogr&aacute;fico viviam na Am&eacute;rica Latina no in&iacute;cio da conquista europeia. Esse n&uacute;mero diminuiu rapidamente como consequ&ecirc;ncia de v&aacute;rios fatores, incluindo epidemias - como a tuberculose, que ainda hoje configura uma importante causa de morbidade e mortalidade entre ind&iacute;genas -, indicando que esses grupos s&atilde;o particularmente vulner&aacute;veis &#8203;&#8203;a essa enfermidade &#91;20, 21&#93;. Concomitantemente, com o triste desaparecimento f&iacute;sico e cultural dos povos nativos, houve a emerg&ecirc;ncia de uma sociedade nacional com ra&iacute;zes profundamente mesti&ccedil;as.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mesmo com o emprego de marcadores cl&aacute;ssicos j&aacute; era poss&iacute;vel ver como o Brasil era heterog&ecirc;neo e altamente miscigenado, assim como outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul &#91;8&#93;, muito al&eacute;m do que se poderia supor olhando tra&ccedil;os fenot&iacute;picos como a cor da pele. No entanto, os detalhes sobre esse complexo processo foram revelados somente ap&oacute;s o advento de estudos no n&iacute;vel do DNA, utilizando tanto marcadores uniparentais, de heran&ccedil;a exclusivamente materna (mtDNA) ou paterna (por&ccedil;&atilde;o n&atilde;o recombinante do cromossomo Y), quanto biparentais, heran&ccedil;a autoss&ocirc;mica que vem em igual parcela tanto do pai quanto da m&atilde;e. Tais estudos revelaram que a miscigena&ccedil;&atilde;o inicial envolveu principalmente homens europeus e mulheres ind&iacute;genas, caracterizando o processo como demograficamente assim&eacute;trico. Com a chegada dos escravos africanos, mais elementos foram introduzidos nesse cen&aacute;rio. Como resultado observamos que a maioria dos cromossomos Y nas popula&ccedil;&otilde;es brasileiras contempor&acirc;neas &eacute; de origem europeia, mas uma parcela significativa das linhagens do mtDNA tem origem amer&iacute;ndia ou africana, um panorama similar com o observado em outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina &#91;22&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mostramos tamb&eacute;m que os ga&uacute;chos contempor&acirc;neos carregam genomas mitocondriais de origem Charrua, um povo nativo dos pampas considerado extinto &#91;23&#93;. Esse achado revelou que a heran&ccedil;a Charrua ia al&eacute;m de uma vis&iacute;vel presen&ccedil;a na tradicional cultura ga&uacute;cha, o que despertou intenso interesse na &eacute;poca da publica&ccedil;&atilde;o, tanto da imprensa leiga quanto de outras &aacute;reas do conhecimento. Um bom exemplo &eacute; o trabalho de Kent e Santos &#91;24&#93;, em que os autores exploraram a articula&ccedil;&atilde;o entre a pesquisa de ancestralidade gen&eacute;tica feita pelos pesquisadores do LEHM e a constru&ccedil;&atilde;o social de identidades no Rio Grande do Sul.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O LEHM E O CANDELA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais recentemente, passamos a participar do Cons&oacute;rcio para An&aacute;lise da Diversidade e Evolu&ccedil;&atilde;o na Am&eacute;rica Latina (Candela), implementado em 2011 e executado at&eacute; os dias de hoje. O Candela envolveu a genotipagem em larga escala de uma amostra constitu&iacute;da por ~7.500 volunt&aacute;rios nascidos em cinco pa&iacute;ses (Brasil, M&eacute;xico, Chile, Peru e Col&ocirc;mbia).  Al&eacute;m dos dados gen&eacute;ticos, tamb&eacute;m foram obtidos fen&oacute;tipos vis&iacute;veis dos volunt&aacute;rios (<i>e.g.</i>, cor dos olhos, cabelo e pele; forma do cr&acirc;nio, boca e nariz), bem como dados relevantes do ponto de vista sociocultural e hist&oacute;rico. Com isso, dentre outras coisas, temos conseguido identificar novos genes e vari&aacute;veis associadas &agrave; diversidade morfol&oacute;gica normal das popula&ccedil;&otilde;es latino-americanas, sua din&acirc;mica de mesti&ccedil;agem, al&eacute;m de explorar a percep&ccedil;&atilde;o individual de pertencimento e se isso muda ou n&atilde;o a partir da informa&ccedil;&atilde;o sobre a ancestralidade gen&eacute;tica inferida. Portanto, o projeto Candela constitui-se na mais ambiciosa proposta de investiga&ccedil;&atilde;o, na Am&eacute;rica Latina, envolvendo an&aacute;lises que buscam desvendar como os genes influenciam a diversidade fenot&iacute;pica normal, bem como qual seria o impacto da informa&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica no sentimento individual de pertencimento a um determinado grupo socialcultural e o quanto isso pode (ou n&atilde;o) variar ao longo dos pa&iacute;ses amostrados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">V&aacute;rios trabalhos v&ecirc;m sendo publicados pelas equipes do Candela. Por exemplo, em &#91;25&#93; estimamos a ancestralidade gen&eacute;tica de 7.342 volunt&aacute;rios e constatamos que a autopercep&ccedil;&atilde;o de ancestralidade, de modo geral, est&aacute; significantemente correlacionada com a ancestralidade inferida com os dados gen&eacute;ticos. No entanto, alguns atributos f&iacute;sicos (por exemplo, cor da pele) exercem forte influ&ecirc;ncia na autopercep&ccedil;&atilde;o de ancestralidade, constituindo-se em um elemento de confus&atilde;o. Em outras palavras, a autopercep&ccedil;&atilde;o pode facilmente n&atilde;o se correlacionar com a ancestralidade gen&eacute;tica inferida quando a cor da pele &eacute; usada como par&acirc;metro individual de pertencimento. Em outro estudo recente &#91;26&#93;, tamb&eacute;m envolvendo dados do Candela, identificamos novos genes e variantes que afetam a cor da pele, olhos ou cabelos. Al&eacute;m disso, descobrimos que uma das variantes derivadas do gene MFSD12, relacionada &agrave; cor de pele e que est&aacute; presente quase exclusivamente em asi&aacute;ticos e nativos americanos, foi selecionada na &Aacute;sia possivelmente num contexto relacionado &agrave; menor radia&ccedil;&atilde;o solar dessa regi&atilde;o comparada com a &Aacute;frica subsaariana.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PESQUISAS COM HUMANOS ARCAICOS E PRIMATAS N&Atilde;O-HUMANOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m de abordagens demogr&aacute;ficas e evolutivas envolvendo as mais variadas popula&ccedil;&otilde;es de <i>Homo sapiens</i>, pesquisas desenvolvidas no LEHM tamb&eacute;m focam nos chamados humanos arcaicos (<i>Homo neanderthalensis</i> e esp&eacute;cime de Denisova), j&aacute; extintos, mas cujo genoma &eacute; conhecido. Em um trabalho recente, sugerimos que um repert&oacute;rio gen&eacute;tico comum vinculado aos sistemas imunol&oacute;gico e comportamental foi mantido por sele&ccedil;&atilde;o balanceada (tipo de sele&ccedil;&atilde;o que mant&eacute;m muitas variantes gen&eacute;ticas) por milhares de anos, tanto em humanos arcaicos como em modernos. A implica&ccedil;&atilde;o dessa descoberta pode estar ligada ao sucesso evolutivo do g&ecirc;nero <i>Homo</i>, com sua capacidade criativa, o que &eacute; fundamental para a descoberta de inova&ccedil;&otilde;es culturais com impacto adaptativo &#91;27&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Primatas n&atilde;o-humanos tamb&eacute;m t&ecirc;m sido alvo de investiga&ccedil;&otilde;es no LEHM. Estudos com esp&eacute;cies de macacos no Novo Mundo (ou Platyrrhini) t&ecirc;m sido realizados buscando conex&otilde;es entre varia&ccedil;&otilde;es em n&iacute;vel de genoma com aquelas observadas em n&iacute;vel de fen&oacute;tipo, um dos maiores desafios que as ci&ecirc;ncias biom&eacute;dicas t&ecirc;m na atualidade.  Normalmente, os estudos dessa natureza s&atilde;o focados em popula&ccedil;&otilde;es humanas e a identifica&ccedil;&atilde;o de variantes em genes que possam estar correlacionadas com a diversidade normal e patol&oacute;gica dentro de nossa esp&eacute;cie. De menos interesse, mas n&atilde;o menos relevante e desafiador, s&atilde;o as investiga&ccedil;&otilde;es que buscam desvendar o perfil gen&eacute;tico por tr&aacute;s de tra&ccedil;os fenot&iacute;picos que caracterizam uma esp&eacute;cie como um todo, ou mesmo um grupo taxon&ocirc;mico maior (g&ecirc;nero, fam&iacute;lia, ordem etc.). Em outras palavras, como o(s) produto(s) de um gene (ou um grupo deles) e suas variantes se conectam com fen&oacute;tipos adaptativos encontrados numa determinada esp&eacute;cie ou g&ecirc;nero? Recentemente, mostramos que uma variante do neuro-horm&ocirc;nio ocitocina, o qual modula comportamentos sociais complexos, denominada de Pro<sup>8</sup>, estava presente em todas as esp&eacute;cies de macacos no Novo Mundo da fam&iacute;lia Cebidae (micos e saguis) investigadas. Essa variante se diferencia da forma comum de ocitocina (Leu<sup>8</sup>) encontrada na maioria dos mam&iacute;feros placent&aacute;rios pela presen&ccedil;a de uma prolina antes de uma leucina na posi&ccedil;&atilde;o oito da cadeia de amino&aacute;cidos da ocitocina.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Descrevemos ainda a variante Val<sup>3</sup>Pro<sup>8</sup>, presente em esp&eacute;cies de <i>Saguinus</i>, g&ecirc;nero que tamb&eacute;m pertence ao clado Cebidae. Esp&eacute;cies da fam&iacute;lia <i>Pitheciidae</i>, por sua vez, apresentavam duas formas de ocitocina, Ala<sup>8</sup> e Thr<sup>8</sup>, o que definitivamente quebrou o paradigma de que Leu<sup>8</sup> estaria presente em todos os mam&iacute;feros placent&aacute;rios. Al&eacute;m disso, verificamos que as altera&ccedil;&otilde;es no receptor dessa mol&eacute;cula estavam com sinal de sele&ccedil;&atilde;o positiva e estariam coevoluindo com Pro<sup>8</sup>. Sendo assim, foi poss&iacute;vel sugerir que pelo menos algumas das variantes descritas teriam desempenhado um papel chave na trajet&oacute;ria evolutiva bem-sucedida dos ceb&iacute;deos, caracterizados por terem pequeno porte, partos gemelares, monogamia social e cuidado paterno &#91;28&#93;. Para avan&ccedil;ar no conhecimento funcional das potencialmente adaptativas variantes Cebidae<sup>8</sup>Pro e <i>Saguinus</i><sup>3</sup>Val<sup>8</sup>Pro, conduzimos experimentos <i>in vitro</i> e <i>in vivo</i>.  Demonstramos que as variantes adaptativas citadas acima teriam papel chave na dessensibiliza&ccedil;&atilde;o de todo o sistema &#91;29&#93;. Para os testes <i>in vivo</i>, as variantes sintetizadas Cebidae<sup>8</sup>Pro e <i>Saguinus</i><sup>3</sup>Val<sup>8</sup>Pro foram administradas via <i>spray</i> intranasal em 48 casais de ratos WTG (<i>Rattus norvegicus</i>). De acordo com par&acirc;metros e protocolos bem estabelecidos para estudos de comportamento, foi poss&iacute;vel observar um aumento do comportamento materno, bem como cuidados paternos incomuns em ratos &#91;29&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n2/a12fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outras variantes potencialmente funcionais e com relev&acirc;ncia adaptativa para os Platyrrhini foram tamb&eacute;m encontradas na regi&atilde;o promotora do gene do receptor da ocitocina &#91;30&#93;, bem como na regi&atilde;o codificadora de importante receptor da serotonina, vinculado a canais de c&aacute;lcio &#91;31&#93;. Como um todo, esses achados indicam que h&aacute; um repert&oacute;rio gen&eacute;tico envolvendo sistemas de neurotransmissores que teriam contribu&iacute;do para a emerg&ecirc;ncia de fen&oacute;tipos adaptativos, incluindo comportamentos complexos, em primatas do Novo Mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em outro estudo, sugerimos que variantes em genes dos receptores do sistema da ocitocina e de seu neuro-horm&ocirc;nio par&aacute;logo, a vasopressina, poderiam estar envolvidos em altera&ccedil;&otilde;es comportamentais e fisiol&oacute;gicas que s&atilde;o encontradas em esp&eacute;cies de mam&iacute;feros placent&aacute;rios domesticadas pelo homem atrav&eacute;s de sele&ccedil;&atilde;o artificial, tais como cachorro, gato, cabra, cavalo, porco, dentre outros &#91;32&#93;. Al&eacute;m disso, abordagens que consideram grande profundidade de tempo evolutivo, capazes de resgatar a evolu&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias inteiras de genes, e o impacto dessas para a emerg&ecirc;ncia de novidades adaptativas, tamb&eacute;m t&ecirc;m sido empregadas nos estudos conduzidos por equipes do LEHM &#91;33&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como mensagem final, posso dizer que a trajet&oacute;ria de sucesso do LEHM como centro de gera&ccedil;&atilde;o do conhecimento e de forma&ccedil;&atilde;o de recursos humanos com potencial multiplicador tem sido poss&iacute;vel, por d&eacute;cadas, n&atilde;o somente pela extraordin&aacute;ria generosidade, capacidade intelectual e agregadora de seu fundador, mas tamb&eacute;m pela inestim&aacute;vel colabora&ccedil;&atilde;o de milhares de pessoas, incluindo volunt&aacute;rios, estudantes, servidores e docentes da UFRGS e de outros centros de pesquisa no Brasil e exterior. Al&eacute;m disso, o apoio sempre presente das ag&ecirc;ncias de financiamento p&uacute;blicas brasileiras, atrav&eacute;s das concess&otilde;es de recursos e bolsas (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico (CNPq), Capes e Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), foi de fundamental import&acirc;ncia. Desse modo, s&oacute; posso concluir dizendo que me sinto extremamente afortunada por fazer parte dessa hist&oacute;ria, esperando que meu trabalho possa fazer jus a ela. Longa vida ao LEHM!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	WHO. <i>Research in population genetics of primitive groups</i>. World Health Organization, Geneva. 1964.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.	WHO. <i>Research on human population genetics</i>. World Health Organization, Geneva. 1968.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.	Salzano, F. M. "Bioethics, population studies, and geneticophobia". In: <i>Journal of Community Genetics</i>, 6, p. 197-200. 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.	Ver: <a href="http://www.ufrgs.br/ppgbm/ensino-e-pesquisa/linhas-de-pesquisa/" target="_blank">http://www.ufrgs.br/ppgbm/ensino-e-pesquisa/linhas-de-pesquisa/</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5.	Salzano, F. M.; Calegari-Jacques, S. <i>South American Indians: a case study in evolution</i>. Oxford University Press, Oxford. 1988.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.	Bortolini, M. C.; Salzano, F. M.; Zago, M. A.; Da Silva J&uacute;nior, W. A.; Weimer, T. de A. "Genetic variability in two Brazilian ethnic groups: a comparison of mitochondrial and protein data". In: <i>American Journal of Physical Anthropology</i>, 103 (2), p. 147-56. 1997.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7.	Tarazona-Santos, E.; Carvalho-Silva, D. R.; Pettener, D.; Luiselli, D.; De Stefano, G. F.; Labarga, C. M.; Richards O.; Tyler-Smith, C.; Pena, S. D.; Santos, F. R. "Genetic differentiation in South Amerindians is related to environmental and cultural diversity: evidence from the Y chromosome". In: <i>American Journal Human Genetics</i>, 68, p.1485-1496. 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.	Salzano, F. M.; Bortolini, M. C. <i>Genetics and evolution of Latin American populations</i>. Cambridge: Cambridge University Press. 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.	Neel, J. V.; Salzano, F. M. "Further studies on the Xavante Indians. X. Some hypotheses-generalizations resulting from these studies". In: <i>American Journal of Human Genetics</i>, 19, p.554-574. 1967.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10.	Salzano, F. M. "The fission-fusion concept". In: <i>Current Anthropology</i>, 50, p.959-959. 2009.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11.	Ramallo, V.; Bisso-Machado, R.; Bravi, C.; Coble, M. D.; Salzano, F. M.; H&uuml;nemeier, T.; Bortolini, M. C. "Demographic expansions in South America: enlightening a complex scenario with genetic and linguistic data". <i>American Journal of Physical Anthropology</i>, 150, p. 453-463. 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12.	H&uuml;nemeier T.; G&oacute;mez-Vald&eacute;s, J.; Ballesteros-Romero, M.; de Azevedo, S.; Mart&iacute;nez-Abad&iacute;as, N.; Esparza, M.; Sj&oslash;vold, T.; Bonatto, S. L.; Salzano, F. M.; Bortolini, M. C.; Gonz&aacute;lez-Jos&eacute;, R. "Cultural diversification promotes rapid phenotypic evolution in Xav&aacute;nte Indians". In: <i>Proceedings of the National Academy of Sciences USA</i>, 109, p. 73-7. 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13.	Reales, G.; Rovaris, D. L.; Jacovas, V. C.; H&uuml;nemeier, T.; Sandoval, J. R.; Salazar-Granara, A.; Demarchi, D. A.; Tarazona-Santos, E.; Felkl, A. B.; Serafini, M. A.; Salzano, F. M.; Bisso-Machado, R.; Comas, D.; Paix&atilde;o-C&ocirc;rtes, V. R.; Bortolini, M. C. "A tale of agriculturalists and hunter-gatherers: exploring the thrifty genotype hypothesis in native South Americans". In: <i>American Journal of Physical Anthropology</i>, 163, p.591-601, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14.	Amorim, C. E.; Nunes, K.; Meyer, D.; Comas, D.; Bortolini, M. C.; Salzano, F. M.; H&uuml;nemeier, T. "Genetic signature of natural selection in first Americans". In: <i>Proceedings of the National Academy of Sciences USA</i>, 114, p.2195-2199, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15.	Jacovas, V. C.; Couto-Silva, C. M.; Nunes, K.; Lemes, R. B.; de Oliveira, M. Z.; Salzano, F. M.; Bortolini, M. C.; H&uuml;nemeier, T. "Selection scan reveals three new loci related to high altitude adaptation in Native Andeans". In: <i>Scientific Reports</i>, 8, p. 12733, 2018.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16.	Bonatto, S. L.; Salzano, F. M. "A single and early migration for the peopling of the Americas supported by mitochondrial DNA sequence data". In: <i>Proceedings of the National Academy of Sciences USA</i>, 94, p.1866- 1871, 1997.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17.	Skoglund, P.; Mallick, S.; Bortolini, M. C.; Chennagiri, N.; H&uuml;nemeier, T.; Petzl-Erler, M. L.; Salzano, F. M.; Patterson, N.; Reich, D. "Genetic evidence for two founding populations of the Americas". In: <i>Nature</i>, 525, p. 104-108, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18.	Gonz&aacute;lez-Jos&eacute; R.; Bortolini, M. C.; Santos, F. R.; Bonatto, S. L. "The peopling of America: craniofacial shape variation on a continental scale and its interpretation from an interdisciplinary view". In: <i>American Journal of Physical Anthropology</i>, 137, p. 175-187, 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19.	Bortolini, M. C.; Gonz&aacute;lez-Jos&eacute;, R.; Bonatto, S. L.; Santos, F. R. "Reconciling pre-Columbian settlement hypotheses requires integrative, multidisciplinary, and model-bound approaches". In: <i>Proceeding of the National Academy of Sciences USA</i>, 111, p. E213-214, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20.	Ayres, M.; Salzano, F. M. "Tuberculosis survey in Caiapos Indians from Xingu". In: <i>J Bras Doencas Torac</i>, 4, p.24-26, 1968.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21.	Zembrzuski, V. M.; Basta, P. C.; Callegari-Jacques, S. M.; Santos, R. V.; Coimbra, C. E.; Salzano, F. M.; Hutz, M. H "Cytokine genes are associated with tuberculin skin test response in a native Brazilian population". In: <i>Tuberculosis</i>, 90, p. 44-49, 2010.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22.	Salzano, F. M.; Sans, M. "Interethnic admixture and the evolution of Latin American populations". In:<i> Genetics and Molecular Biology</i>, 37, p.151-170, 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23.	Marrero, A. R.; Silva-Junior, W. A.; Bravi, C. M.; Hutz, M. H.; Petzl-Erler,M. L.; Ruiz-Linares, A.; Salzano, F. M.; Bortolini, M. C. "Demographic and  evolutionary trajectories of the Guarani and Kaingang natives of Brazil". In: <i>American Journal of Physical Anthropology</i>, 132, p. 301-10, 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24.	Kent, M.; Santos, R. V. "Os charruas vivem nos ga&uacute;chos: a vida social de uma pesquisa de resgate gen&eacute;tico de uma etnia ind&iacute;gena extinta no sul do Brasil". In: <i>Horizontes Antropol&oacute;gicos</i>, 37, p.  341-372, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">25.	Ruiz-Linares, A; Adhikari, K.; Acu&ntilde;a-Alonzo, V.; Quinto-Sanchez, M.; Jaramillo, C.; Arias, W.; Fuentes, M.; Pizarro, M.; Everardo, P.; de Avila, F.; G&oacute;mez-Vald&eacute;s, J.; Le&oacute;n-Mimila, P.; Hunemeier, T.; Ramallo, V.; Silva de Cerqueira, C. C.; Burley, M. W.; Konca, E.; de Oliveira, M. Z.; Veronez, M. R.; Rubio-Codina, M.; Attanasio, O.; Gibbon, S.; Ray, N.; Gallo, C.; Poletti, G.; Rosique, J.; Schuler-Faccini, L.; Salzano, F. M.; Bortolini, M. C.; Canizales-Quinteros, S.; Rothhammer, F.; Bedoya, G.; Balding, D.; Gonzalez-Jos&eacute;, R. "Admixture in Latin America: geographic structure, phenotypic diversity and self-perception of ancestry based on 7,342 individuals". In: <i>PLoS Genetics</i>, 10:e1004572, 2014.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">26.	Adhikari, K.; Mendoza-Revilla J.; Sohail, A.; Fuentes-Guajardo, M.; Lampert, J.; Chac&oacute;n-Duque, J. C.; Hurtado, M.; Villegas, V.; Granja, V.; Acu&ntilde;a-Alonzo, V.; Jaramillo, C.; Arias, W.; Lozano, R. B.; Everardo, P.; G&oacute;mez-Vald&eacute;s, J.; Villamil-Ram&iacute;rez, H.; Silva de Cerqueira, C. C.; Hunemeier, T.; Ramallo, V.; Schuler-Faccini, L.; Salzano, F. M.;  Gonzalez-Jos&eacute;, R.;&nbsp;Bortolini, M. C.; Canizales-Quinteros, S.; Gallo, C.; Poletti, G.; Bedoya, G.; Rothhammer, F.; Tobin, D. J.; Fumagalli, M.; Balding, D.; Ruiz-Linares, A.  "GWAS in Latin Americans highlights the convergent evolution of lighter skin pigmentation in Eurasia". In: <i>Nature Communications</i>, 10, p. 358, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">27.	Viscardi, L. H.; Paix&atilde;o-C&ocirc;rtes, V. R.; Comas, D.; Salzano, F. M.; Rovaris, D.; Bau, C. D.; Amorim, C. E. G.; Bortolini, M. C. "Searching for ancient balanced polymorphisms shared between neanderthals and modern humans". In: <i>Genetics and Molecular Biology</i>, 41, p. 67-81, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">28.	Vargas-Pinilla, P.; Paix&atilde;o-C&ocirc;rtes, V. R.; Par&eacute;, P.; Tovo-Rodrigues, L.; Vieira, C. M. A. G.; Xavier, A.; Comas, D.; Pissinatti, A.; Sinigaglia, M.; Rigo, M. M.;&nbsp; Vieira, G. F.; Lucion, A. B.; Salzano, F. M.; Bortolini,  M. C. "Evolutionary pattern in the OXT-OXTR system in primates: coevolution and positive selection footprints". In: <i>Proceedings of the National Academy of Sciences USA</i>, 112p. 88-93, 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 29.	Parreiras-e-Silva, L. T.; Vargas-Pinilla, P.; Duarte, D. A.; Longo, D.; Espinoza Pardo, G. V.; DulorFinkler, A.; Paix&atilde;o-C&ocirc;rtes, V. R.; Par&eacute;, P.; Rovaris, D. L.; Oliveira, E. B.; Caceres, R. A.; Gon&ccedil;alves, G. L.; Bouvier, M.; Salzano, F. M.; Lucion, A. B.; Costa-Neto, C. M.; Bortolini, M. C. "Functional New World monkey oxytocin forms elicit an altered signaling profile and promotes parental care in rats". In: <i>Proceedings of the National Academy of Sciences USA</i>, 14, p. 9044-9049, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">30.	Vargas-Pinilla,&nbsp;P.; Babb, P.; Nunes, L.; Par&eacute;, P.; Rosa, G.; Felkl, A.; Longo, D.; Salzano, F. M.; Paix&atilde;o-C&ocirc;rtes, V. R.; Gon&ccedil;alves, G. L.; Bortolini, M. C. "Progesterone response element variation in the OXTR promoter region and paternal care in New World monkeys". In: <i>Behavior Genetics</i>, 47, p. 77-87, 2016.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">31.	Reales, G. M.; Paix&atilde;o-C&ocirc;rtes, V. R.; Cybis, G. B.; Gon&ccedil;alves, G. L.; Pissinatti, A.; Salzano, F. M.; Bortolini, M. C. "Serotonin, behavior, and natural selection in New World monkeys". In: <i>Journal of Evolutionary Biology</i>, 31, p. 1180-1192, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">32.	Fam, B. S. O.; Par&eacute;, P.; Felkl, A. B.; Vargas-Pinilla, P.; Paix&atilde;o-C&ocirc;rtes, V. R.; Viscardi, L. H.; Bortolini, M. C. "Oxytocin and arginine vasopressin systems in the domestication process". In: <i>Genetics and Molecular Biology</i>, 41p. 235-242, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">33.	Paix&atilde;o-C&ocirc;rtes, V. R.; Salzano, F. M.; Bortolini, M. C. "Origins and evolvability of the PAX family". In: <i>Seminars in Cell and Developmental Biology</i>, 44, p.64-74, 2015.    </font></p>      ]]></body><back>
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