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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   100 ANOS DO ECLIPS EDESOBRAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Alfredo Tolmasquim<sup>I</sup>; Ildeu de Castro Moreira<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Diretor de desenvolvimento cient&iacute;fico do Museu do Amanh&atilde;, no Rio de Janeiro    <br>   <sup>II</sup>Docente no Instituto de F&iacute;sica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O eclipse total do Sol tem encantado e amedrontado os seres humanos desde os tempos mais remotos. Caraterizado pela passagem da Lua na frente do disco solar, as pessoas eram surpreendidas pelo encobrimento do Sol e o repentino escurecimento do dia. Praticamente todas as sociedades antigas criaram seus mitos e explica&ccedil;&otilde;es sobre o eclipse do Sol. Para os chineses, drag&otilde;es e c&atilde;es gigantescos devoravam o astro, para os vikings eram grandes lobos, j&aacute; para os tupis-guaranis era a on&ccedil;a que devorava os irm&atilde;os Sol e Lua. Para muitas dessas comunidades, era preciso fazer muito barulho para espantar o monstro que engolia o Sol. Para algumas tribos africanas, era um sinal de que os deuses estavam bravos, e era preciso que os vizinhos fizessem as pazes para que a luz retornasse. Enquanto para muitos povos o eclipse do Sol era visto como um an&uacute;ncio do fim do mundo, para outros era um sinal de fertilidade, quando o masculino (Sol) e o feminino (Lua) se encontravam, e indicava tempos de fartura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m para astr&ocirc;nomos e cientistas de diversas &aacute;reas, os eclipses totais do Sol t&ecirc;m um significado muito importante, embora por outros motivos. Eles aprenderam, ao longo dos s&eacute;culos, a calcular as &oacute;rbitas e os movimentos dos corpos celestes e a prever quando e de onde seria poss&iacute;vel observar o fen&ocirc;meno astron&ocirc;mico. A partir dessa capacidade de previs&atilde;o, era poss&iacute;vel se preparar para observar o eclipse, fazer medidas e aproveitar a ocasi&atilde;o em que o Sol &eacute; encoberto pela Lua para tentar responder a novas quest&otilde;es, em particular sobre a estrutura do astro e sobre o comportamento da luz. Em 1912, em Cristina (MG), houve uma tentativa frustrada de uma comiss&atilde;o astron&ocirc;mica argentina, chefiada por Charles Dillon Perrine, de se medir a deflex&atilde;o da luz durante um eclipse solar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tentativa bem sucedida veio a ocorrer no eclipse solar de 29 de maio de 1919, que foi  observ&aacute;vel em uma faixa que ia do Nordeste/Norte brasileiro &agrave; costa oeste da &Aacute;frica. Uma comiss&atilde;o brasileira do Observat&oacute;rio Nacional aproveitou a ocasi&atilde;o para estudar os fen&ocirc;menos que ocorriam na parte mais externa do Sol - a coroa solar -, poss&iacute;vel de ser observada quando o restante do disco solar est&aacute; ocultado. Uma comiss&atilde;o americana, por sua vez, estava interessada em estudar a influ&ecirc;ncia do Sol sobre o magnetismo terrestre e sobre as propriedades eletrost&aacute;ticas do ar, comparando o momento em que a Lua se interp&otilde;e entre o Sol e a Terra com as demais ocasi&otilde;es, quando a Terra &eacute; atingida diretamente pelos raios solares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Provavelmente, esse eclipse seria apenas mais um entre tantos outros que ocorrem de tempos em tempos se n&atilde;o fosse o objetivo de duas comiss&otilde;es astron&ocirc;micas brit&acirc;nicas de comprovar um dos fen&ocirc;menos previstos na teoria da relatividade geral: a deflex&atilde;o da luz proveniente das estrelas quando passasse pr&oacute;xima ao Sol. Essa teoria, que Albert Einstein havia elaborado quatro anos antes, propunha uma nova explica&ccedil;&atilde;o para o movimento dos corpos no espa&ccedil;o, contrapondo-se &agrave; teoria gravitacional de Isaac Newton formulada dois s&eacute;culos antes e que era amplamente aceita.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma dessas expedi&ccedil;&otilde;es, composta pelos astr&ocirc;nomos Arthur Eddington e Edwin Cottingham, observou o eclipse na Ilha do Pr&iacute;ncipe, na costa oeste da &Aacute;frica, na &eacute;poca pertencente &agrave; Portugal, e a outra, formada por Andrew Crommelin e Charles Davidson, observou o fen&ocirc;meno da cidade de Sobral, no Cear&aacute;. As sete excelentes chapas fotogr&aacute;ficas tiradas em Sobral apresentaram resultados bem mais precisos do que as duas da Ilha do Pr&iacute;ncipe. O Brasil se tornou, assim, o local onde foi realizada a principal observa&ccedil;&atilde;o astron&ocirc;mica que proporcionou uma evid&ecirc;ncia muito forte para a confirma&ccedil;&atilde;o e a aceita&ccedil;&atilde;o da teoria da relatividade geral de Einstein, que alteraria profundamente a  nossa vis&atilde;o sobre o universo. Quando Einstein esteve no Brasil em 1925, seis anos ap&oacute;s o eclipse, ele escreveu uma dedicat&oacute;ria aos brasileiros: "A teoria que minha mente formulou foi respondida pelo ensolarado c&eacute;u do Brasil".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em maio de 2019 foram comemorados em v&aacute;rios locais do Brasil e do mundo, e especialmente em Sobral, os 100 anos da observa&ccedil;&atilde;o do eclipse total do Sol que mudou a hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia. Neste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico apresentamos textos de pesquisadores brasileiros e portugueses que nos ajudam a compreender o contexto, o significado e os resultados obtidos durante o eclipse de 1919.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro deles, escrito por Jorge Casti&ntilde;eiras e Lu&iacute;s Carlos Bassalo Crispino, e intitulado <b>Relatividade geral: fundamentos e primeira comprova&ccedil;&atilde;o experimental</b>, explica no que consiste a teoria da relatividade geral e porque a observa&ccedil;&atilde;o da deflex&atilde;o da luz medida durante o eclipse foi decisiva para a sua comprova&ccedil;&atilde;o. Para tal, eles partem de Galileu Galilei para explicar tr&ecirc;s princ&iacute;pios b&aacute;sicos da f&iacute;sica: <i>o princ&iacute;pio da relatividade</i>, que estabelece que o movimento &eacute; relativo ao seu observador; <i>o princ&iacute;pio da invari&acirc;ncia da velocidade da luz</i>; e <i>o princ&iacute;pio da equival&ecirc;ncia</i>, que estabelece a equival&ecirc;ncia entre a massa gravitacional e massa inercial de um corpo. Esses conceitos foram tomados por Einstein como ponto de partida para a constru&ccedil;&atilde;o de sua teoria da relatividade geral e conduziram &agrave; supera&ccedil;&atilde;o das leis do movimento e da gravita&ccedil;&atilde;o universal enunciadas por Isaac Newton em 1686. O texto apresenta ainda os diversos instrumentos utilizados, tanto em Pr&iacute;ncipe como em Sobral, e os resultados obtidos, que levaram &agrave; verifica&ccedil;&atilde;o do desvio e &agrave; medida do &acirc;ngulo de deflex&atilde;o da luz.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No texto seguinte, <b>A participa&ccedil;&atilde;o brasileira no eclipse solar total de maio de 1919: observando a coroa solar para melhor defender a ci&ecirc;ncia</b>, Antonio Augusto Passos Videira nos remete &agrave; realidade brasileira da &eacute;poca. Podemos acompanhar o envolvimento dos astr&ocirc;nomos do Observat&oacute;rio Nacional na observa&ccedil;&atilde;o do eclipse, com as observa&ccedil;&otilde;es sobre a coroa solar, bem como dando suporte &agrave; comiss&atilde;o brit&acirc;nica. A partir principalmente dos relatos de Henrique Morize, diretor do Observat&oacute;rio Nacional e presidente da comiss&atilde;o brasileira, al&eacute;m de presidente da Sociedade Brasileira de Ci&ecirc;ncias, precursora da atual Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, &eacute; poss&iacute;vel perceber as dificuldades de se fazer ci&ecirc;ncia no Brasil naquela &eacute;poca (muitas delas persistem at&eacute; hoje). O eclipse de 1919 acontecia em um momento em que os cientistas brasileiros tentavam mostrar aos governantes a import&acirc;ncia de se fazer ci&ecirc;ncia, mesmo que sem uma utilidade pr&eacute;-definida, o que era chamado na &eacute;poca de "ci&ecirc;ncia pura".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em seguida, Joyce Mota Rodrigues, por meio do artigo <b>Observar &eacute; preciso: a cidade e os "illustres h&oacute;spedes"</b>, retrata a movimenta&ccedil;&atilde;o em Sobral para a observa&ccedil;&atilde;o do eclipse e o cotidiano das expedi&ccedil;&otilde;es brit&acirc;nica, americana e brasileira. Pela an&aacute;lise de artigos e anota&ccedil;&otilde;es dos cientistas, a autora mostra a vis&atilde;o dos astr&ocirc;nomos sobre os habitantes da cidade, enquanto que, por meio dos jornais locais, registra a forma como a popula&ccedil;&atilde;o de Sobral compreendia o eclipse e como via aquele grupo de cientistas brasileiros e estrangeiros. O artigo ilustra tamb&eacute;m as rela&ccedil;&otilde;es travadas entre os cientistas, as autoridades e a imprensa local, contrastando suas diferentes vis&otilde;es de mundo.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ildeu de Castro Moreira, no artigo <b>O eclipse solar de 1919, Einstein e a m&iacute;dia brasileira</b>, faz um mergulho nas not&iacute;cias publicadas nas revistas e jornais brasileiros sobre o eclipse de 1919. Ele analisou, de in&iacute;cio, o interesse e o tipo de cobertura da m&iacute;dia sobre o eclipse solar observado em 1912 no sul de Minas Gerais e em S&atilde;o Paulo. No caso do eclipse de 1919, foi investigada a cobertura dos peri&oacute;dicos brasileiros sobre o fen&ocirc;meno, o dia a dia dos astr&ocirc;nomos e os textos explicativos dos cientistas. Curiosamente, ao contr&aacute;rio do que ocorreu com as m&iacute;dias brit&acirc;nica e norte-americana, os resultados do eclipse de Sobral, que confirmaram a previs&atilde;o de Einstein, tiveram pouco espa&ccedil;o na m&iacute;dia brasileira, com exce&ccedil;&atilde;o de textos curtos escritos por Manoel Amoroso Costa e por Morize.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em seguida, Ana Sim&otilde;es nos conduz para a Ilha do Pr&iacute;ncipe. Amparada principalmente nas cartas trocadas por Arthur Eddington com a m&atilde;e Sarah Ann e com a irm&atilde; Winnifred, o artigo <b>O eclipse de 1919 e a teoria da relatividade: rumo &agrave; Ilha do Pr&iacute;ncipe</b> apresenta o dia a dia e as dificuldades enfrentadas pelos astr&ocirc;nomos ingleses que se dirigiram &agrave;quela regi&atilde;o. Por meio de seu relato, &eacute; poss&iacute;vel perceber a organiza&ccedil;&atilde;o e a infraestrutura necess&aacute;rias para um projeto de tal envergadura: escolher o melhor local para a observa&ccedil;&atilde;o, transportar duas toneladas de equipamentos por longas dist&acirc;ncias (7.200 km no caso de Sobral e 5.800 km para Pr&iacute;ncipe), montar uma infraestrutura no local para receber os instrumentos, entre outras exig&ecirc;ncias. O roteiro de Eddington e Cottingham come&ccedil;ou com a viagem de trem de Greenwich para Liverpool, depois de navio para Lisboa e, em seguida, para Funchal, na costa da Ilha da Madeira. Por fim, a comiss&atilde;o se dirigiu &agrave; vila de Santo Antonio na Ilha do Pr&iacute;ncipe e, de l&aacute;, alguns quil&ocirc;metros em lombo de burro at&eacute; a fazenda Sundy. Uma longa e dif&iacute;cil jornada transportando sens&iacute;veis equipamentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alfredo Tolmasquim apresenta a trajet&oacute;ria de Einstein e como o an&uacute;ncio do resultado da observa&ccedil;&atilde;o do eclipse de 1919 impactou sua vida. O texto <b>O impacto do eclipse de 1919 na vida e trajet&oacute;ria de Albert Einstein</b> possibilita que o leitor acompanhe o processo que o levou a Berlin poucos meses antes do in&iacute;cio do Primeira Guerra Mundial e as dificuldades de comunica&ccedil;&atilde;o entre os cientistas durante aquele conturbado per&iacute;odo. &Eacute; poss&iacute;vel tamb&eacute;m acompanhar a movimenta&ccedil;&atilde;o que envolveu o an&uacute;ncio da comprova&ccedil;&atilde;o da deflex&atilde;o da luz na sess&atilde;o conjunta da Royal Society e da Royal Astronomical Society e sua repercuss&atilde;o em diversos pa&iacute;ses, inclusive o Brasil. A fama adquirida a partir do an&uacute;ncio do resultado do eclipse influenciaria sua vida e moldaria sua trajet&oacute;ria futura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, temos o artigo de Roberto Vergara Caffarelli, <b>Einstein e o Brasil</b>, publicado originalmente na <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> de dezembro de 1979, quase 40 anos atr&aacute;s. O autor aborda a viagem que Einstein fez ao Brasil em 1925, quando passou uma semana no Rio de Janeiro, ent&atilde;o capital do pa&iacute;s. Atrav&eacute;s das not&iacute;cias publicadas nos jornais da &eacute;poca &eacute; poss&iacute;vel conhecer o dia a dia de Einstein, como foram suas palestras e a impress&atilde;o que ele deixava tanto nos jornalistas como em seus cicerones. Como nos demais pa&iacute;ses, sua visita foi um grande evento, com direito a encontro com o presidente Arthur Bernardes, ministros e prefeito. Ele deu palestras no Clube de Engenharia, na Escola Polit&eacute;cnica do Rio de Janeiro e na Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias. E, como n&atilde;o podia deixar de ser, foi levado aos principais pontos tur&iacute;sticos da cidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As observa&ccedil;&otilde;es do eclipse de 1919 s&atilde;o importantes para compreendermos a hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia em geral, e do Brasil, em particular. A comprova&ccedil;&atilde;o da teoria da relatividade geral e a fama de Einstein, s&atilde;o, contudo, exce&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao que ocorre na atividade cient&iacute;fica. Com seu cotidiano longe das manchetes de jornais e de grandes an&uacute;ncios p&uacute;blicos, a ci&ecirc;ncia acontece no dia a dia dos laborat&oacute;rios, das universidades e das bibliotecas e nas intera&ccedil;&otilde;es de milh&otilde;es de cientistas espalhados pelo mundo. &Eacute; resultado de um esfor&ccedil;o coletivo e, na maioria dos casos, an&ocirc;nimo, no qual se forja e se constr&oacute;i a compreens&atilde;o da humanidade sobre a natureza, a vida e a sociedade. Boa leitura!</font></p>      ]]></body>
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