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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Observar é preciso: a cidade e os "ilustres hóspedes"]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   100 ANOS DO ECLIPS EDESOBRAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Observar &eacute; preciso: a cidade e os "ilustres h&oacute;spedes"</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Joyce Mota Rodrigues</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nascida em Tau&aacute;-CE, &eacute; licenciada em hist&oacute;ria pela Universidade Estadual Vale do Acara&uacute; / Sobral - CE, especialista em hist&oacute;ria e cultura ind&iacute;gena afro-brasileira pela Ateneu e mestre em hist&oacute;ria social pelo Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria Social da Universidade Federal do Cear&aacute; (UFC), com publica&ccedil;&atilde;o do livro Entre telesc&oacute;pios e potes de barro: expedi&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas do eclipse solar na comprova&ccedil;&atilde;o da teoria da relatividade em Sobral — CE / 1919 (Ed. - Curitiba: Appris, 2019).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobral, Cear&aacute;, maio de 1919. Parecia ser uma manh&atilde; de sol como outra qualquer, supostamente pacata e mon&oacute;tona. Vizinhos nas cal&ccedil;adas conversando, comentando assuntos e "causos" sobre o cotidiano da cidade. Na cozinha, moradores enchiam suas canecas com caf&eacute; quentinho tirado do bule; outros debulhavam o feij&atilde;o que seria servido no almo&ccedil;o e no jantar com alguma "mistura"; alguns mascavam fumo ao dirigirem-se para a "lida"; e havia aqueles que liam o jornal com as not&iacute;cias sobre a regi&atilde;o Nordeste.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A cidade estava movimentada como era de costume, contudo as conversas com tons de sabedoria e adivinha&ccedil;&atilde;o sobre o que aconteceria naquele m&ecirc;s eram recorrentes. Cada um, &agrave; sua maneira, procurava entender e explicar aos demais o que estaria por vir. Afinal, n&atilde;o era todo dia que visitantes de outros pa&iacute;ses e do Rio de Janeiro chegavam a Sobral em busca de conhecer e intervir numa cidade que, apesar do acesso por ferrovia, n&atilde;o possu&iacute;a eletricidade, tampouco atrativos para tal visita&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Homens da ci&ecirc;ncia" mobilizados; um pol&iacute;tico da regi&atilde;o que cederia sua casa para estrangeiros acomodarem-se &#91;1&#93; providenciava para eles &aacute;gua em abund&acirc;ncia; bagagens que n&atilde;o paravam de chegar &agrave; &aacute;rea interna do Jockey Club &#91;2&#93;, suspendendo as corridas de cavalos no hip&oacute;dromo, com objetos nunca vistos na cidade; pedreiros trabalhando arduamente para melhor instalar os instrumentos trazidos de al&eacute;m-mar; uma s&eacute;rie de recomenda&ccedil;&otilde;es publicadas nos jornais sobre como a popula&ccedil;&atilde;o deveria se comportar no dia em que o eclipse seria observado e registrado. Alguns desses visitantes n&atilde;o falavam coisa que se pudesse compreender - um engenheiro, aparentemente o &uacute;nico habitante da cidade que falava ingl&ecirc;s, passou a acompanh&aacute;-los &#91;3&#93;. Tal movimenta&ccedil;&atilde;o era diferente. Extraordin&aacute;ria!</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O cotidiano d&aacute; lugar ao incomum, o evento que ficou conhecido como "o eclipse solar de 1919". &Eacute; prov&aacute;vel que o evento em si - o eclipse total do Sol - n&atilde;o tenha sido assim t&atilde;o inusitado. Outros eclipses aconteceram antes desse. Possivelmente, os instrumentos suntuosos, pesados e embalados em grandes caixotes tenham causado mais espanto e indaga&ccedil;&otilde;es. Os jornais explicitavam a expectativa com rela&ccedil;&atilde;o aos astr&ocirc;nomos, cientistas ou "ilustres h&oacute;spedes". Os observadores mostravam os aparelhos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, tentavam explicar para que serviam e o motivo pelo qual eles estavam ali na cidade. Tudo era motivo para perguntas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo vem de uma pesquisa &#91;4&#93; que se refere ao avan&ccedil;o ocorrido na hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX. Situa-se na cidade de Sobral &#91;5&#93;, localizada no interior do estado brasileiro do Cear&aacute;. Na pesquisa, analiso a documenta&ccedil;&atilde;o produzida pelos membros das expedi&ccedil;&otilde;es expondo o percurso da viagem, a acomoda&ccedil;&atilde;o dos viajantes na cidade e o processo de obten&ccedil;&atilde;o dos dados acerca do eclipse. As expedi&ccedil;&otilde;es eram compostas por estudiosos - chamados cordialmente de visitantes e cientistas pela popula&ccedil;&atilde;o -  que foram &agrave; Sobral observar e registrar por meio de chapas fotogr&aacute;ficas o eclipse solar de 1919.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da observa&ccedil;&atilde;o desse fen&ocirc;meno foi poss&iacute;vel localizar a posi&ccedil;&atilde;o das estrelas, pois a claridade do Sol estaria ofuscada pela Lua para que, assim, se pudesse verificar, experimentalmente, a hip&oacute;tese da relatividade geral proposta pelo f&iacute;sico alem&atilde;o Albert Einstein (1879-1955) em 1915. A confirma&ccedil;&atilde;o do desvio da luz, a partir da observa&ccedil;&atilde;o do eclipse total do Sol em 1919 &eacute; considerada pela comunidade cient&iacute;fica um dos mais importantes acontecimentos da hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante de tal configura&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o necess&aacute;rias algumas explana&ccedil;&otilde;es para entender quem eram esses estrangeiros, qual a utilidade dos instrumentos e o que significou esse evento. Tamb&eacute;m, a compreens&atilde;o de que o cotidiano local foi modificado a partir da hist&oacute;ria de um "encontro": dos observadores integrantes das expedi&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas (brit&acirc;nica, brasileira e norte-americana) com a popula&ccedil;&atilde;o local e, por outro lado, da cidade com as comitivas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As tr&ecirc;s expedi&ccedil;&otilde;es possu&iacute;am objetivos distintos, eram trabalhos astron&ocirc;micos e geof&iacute;sicos com interesses espec&iacute;ficos. A expedi&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica, enviada pelo Observat&oacute;rio de Greenwich, na Inglaterra, prop&ocirc;s-se elucidar a teoria da relatividade publicada por Albert Einstein em 1915. A expedi&ccedil;&atilde;o brasileira, al&eacute;m de obter dados sobre a coroa solar, tinha a miss&atilde;o de aperfei&ccedil;oar a esta&ccedil;&atilde;o de meteorologia. Henrique Morize, chefe do grupo brasileiro, havia estado em Sobral tr&ecirc;s meses antes para iniciar o processo de instala&ccedil;&atilde;o. Esse empreendimento correspondia a uma demanda do Observat&oacute;rio Nacional do Rio de Janeiro e a esta&ccedil;&atilde;o foi aprimorada pelos pesquisadores da institui&ccedil;&atilde;o a servi&ccedil;o do governo federal &#91;6&#93;. A expedi&ccedil;&atilde;o norte-americana, por iniciativa de Louis Bauer, diretor do Departamento de Magnetismo Terrestre do Instituto Carnegie, al&eacute;m de estudar os efeitos do eclipse sobre o magnetismo terrestre e a eletricidade atmosf&eacute;rica, cederia alguns instrumentos para a expedi&ccedil;&atilde;o brasileira e, ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o dos resultados, somaria aos estudos da &uacute;ltima &#91;7&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As fontes descritas nesta pesquisa, a saber, jornais &#91;8&#93;, relat&oacute;rios &#91;9&#93;, di&aacute;rio &#91;10&#93;, revistas &#91;11&#93;, bem como a publica&ccedil;&atilde;o dos resultados da experi&ecirc;ncia por meio de um relat&oacute;rio escrito tanto por membros das expedi&ccedil;&otilde;es que foram &agrave; Sobral, como tamb&eacute;m pelos observadores que foram para a Ilha do Pr&iacute;ncipe &#91;12&#93;, s&atilde;o relevantes para a reflex&atilde;o acerca das tens&otilde;es entre diferentes possibilidades para a escrita das expedi&ccedil;&otilde;es do eclipse solar e seu "encontro" com a cidade de Sobral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais fontes foram organizadas, levando-se em considera&ccedil;&atilde;o os seguintes temas: escolha do lugar, organiza&ccedil;&atilde;o das expedi&ccedil;&otilde;es (integrantes, institui&ccedil;&otilde;es, financiamento), viagem, desembarque, coment&aacute;rios da popula&ccedil;&atilde;o de Sobral sobre o evento, impress&otilde;es dos observadores, prepara&ccedil;&atilde;o para observa&ccedil;&atilde;o do eclipse, o evento e seu registro fotogr&aacute;fico e, por fim, obten&ccedil;&atilde;o dos resultados colhidos durante o fen&ocirc;meno. Dessa forma, detenho-me no fato de Sobral ter sido escolhida para receber as expedi&ccedil;&otilde;es do eclipse solar, em 1919, por conta do clima da regi&atilde;o e da limpidez da atmosfera, prop&iacute;cias para a observa&ccedil;&atilde;o e os registros das chapas fotogr&aacute;ficas &#91;13&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a09fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As representa&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das pelos habitantes de Sobral sobre o evento de 1919 ressaltam apreens&atilde;o, medo catastr&oacute;fico - anunciava-se a possibilidade do fim do mundo (uma escurid&atilde;o entrando pelo dia) -, expectativa com os visitantes e curiosidade sobre o que iria acontecer. Os integrantes das expedi&ccedil;&otilde;es, por sua vez, trazem narrativas que observam o cotidiano de uma cidade tomada por grupos estrangeiros e que apontam um n&iacute;vel de civilidade "adequado" &agrave; aprecia&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As expedi&ccedil;&otilde;es brit&acirc;nica, norte-americana e brasileira transformaram, ao observar o eclipse solar de 1919, o tempo das rela&ccedil;&otilde;es sociais da cidade de Sobral. "Aqueles tr&ecirc;s astr&ocirc;nomos, vestidos de branco e mexendo em lunetas e microsc&oacute;pios" &#91;14&#93; foram motivo de coment&aacute;rios na cidade. Estudiosos, cientistas, observadores ou visitantes - o que a popula&ccedil;&atilde;o sobralense queria mesmo era saber a raz&atilde;o de tanta mobiliza&ccedil;&atilde;o. Afinal, o que eles vieram fazer? Certamente os habitantes de Sobral se indagavam sobre o que esse eclipse teria de importante. Imagina&ccedil;&otilde;es &agrave; parte, foi poss&iacute;vel encontrar momentos de curiosidade, medo, &acirc;nsia e indaga&ccedil;&otilde;es a partir do levantamento das fontes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PREPARA&Ccedil;&Atilde;O PARA A OBSERVA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A expectativa n&atilde;o era apenas em rela&ccedil;&atilde;o ao fen&ocirc;meno do eclipse. A popula&ccedil;&atilde;o precisava acompanhar o trabalho dos observadores: "Pode-se dizer que Sobral madrugou na curiosidade do eclipse. Porque, desde logo cedo, era desusado o movimento nas ruas, e grupos esparsos acumulavam-se nos pontos, de prefer&ecirc;ncia &agrave;s pra&ccedil;as, de onde o Sol era mais vis&iacute;vel" &#91;15&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">V&aacute;rias recomenda&ccedil;&otilde;es foram feitas pela imprensa local. Uma delas orientava o espectador para o momento da totalidade do eclipse: "Para observar o eclipse antes e depois da totalidade, basta olhar o Sol atravez de um vidro escuro, ou simplesmente enfuma&ccedil;ado, de maneira que os raios solares n&atilde;o possam danificar a vista" &#91;16&#93;. Relatos confirmaram o uso do material protetor para os olhos: "Muitos havia que desde o amanhecer, com os seus peda&ccedil;os de vidro esfuma&ccedil;ados, olhavam o Sol, insistentemente" &#91;15&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na cidade de Nova-Russas, tamb&eacute;m no Cear&aacute;, esse procedimento foi igualmente  utilizado<i>: </i>"A manh&atilde; apresentava um aspecto claro sem nuvens que viessem embotar o firmamento e interromper as observa&ccedil;&otilde;es dos que estavam munidos de vidros enfuma&ccedil;ados" &#91;17&#93;. Tudo parecia sob controle: a observa&ccedil;&atilde;o, a devida prote&ccedil;&atilde;o para a vista durante o eclipse e a calmaria.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bem, n&atilde;o t&atilde;o calmo assim. Em Sobral, o uso de vidros esfuma&ccedil;ados levantou uma breve suspeita: "Seria curioso indagar-se onde foram encontrar tantos peda&ccedil;os de vidro, pois quase sem exce&ccedil;&atilde;o todas as pessoas vistas na rua traziam seu pequeno 'telesc&oacute;pio'" &#91;15&#93;. Segundo os jornais, algumas casas tiveram suas janelas quebradas e os vidros roubados: "&#91;...&#93; parece que dentro em pouco, na phase aguda de eclipse, o vidro esgotou-se e o recurso que se apresentou foi o assalto &agrave;s vidra&ccedil;as". Atos como esse evidenciam que o dia do eclipse pode ter sido de aborrecimento tamb&eacute;m, principalmente para quem teve suas janelas depredadas: "A casa de um nosso vizinho, na sua aus&ecirc;ncia, pois andava tamb&eacute;m vendo o eclypse, sofreu um terr&iacute;vel ataque, e uma das portas de sua linda habita&ccedil;&atilde;o ficou sem duas l&acirc;minas das maiores e mais preciosas" &#91;15&#93;. A cidade extasiava-se com o evento que estava prestes a acontecer. Seriam apenas cinco minutos... que durariam mais do que o tempo cronometrado no rel&oacute;gio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar do epis&oacute;dio, o trabalho dos observadores prosseguia. Tudo deveria ser cuidadosamente acertado: "&#91;...&#93; os aparelhos aprestavam-se para o momento do eclypse". &Eacute; poss&iacute;vel imaginar a ansiedade dos cientistas com rela&ccedil;&atilde;o ao tempo, pois o c&eacute;u de Sobral, apesar de geralmente l&iacute;mpido em um per&iacute;odo de estiagem, amanheceu no dia do eclipse com amea&ccedil;a de chuva: "O tempo amanhecera pesado e amea&ccedil;ador". Isso colocaria a perder mais uma viagem de observa&ccedil;&atilde;o. Morize deveria estar demasiadamente preocupado, andando de uma barraca a outra, checando os instrumentos, verificando a posi&ccedil;&atilde;o dos telesc&oacute;pios: "O c&eacute;u totalmente encoberto &eacute; desesperador. &#91;...&#93; &Agrave;s 8h15min chuviscava, mas &agrave;s 8h56min, produziu-se uma abertura entre as nuvens, por onde se pode observar a totalidade. Durante mais de um minuto houve ainda alguns t&ecirc;nues vapores sobre o disco do Sol, que todavia n&atilde;o impediram as fotografias" (&#91;18&#93;, 29 de maio de 1919).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O c&eacute;u estava nublado, deixando entrever apenas breves feixes de luz solar, o que possibilitou a expedi&ccedil;&atilde;o fazer ajustes nos aparelhos e colocar "&#91;...&#93; a imagem do Sol na sua posi&ccedil;&atilde;o correcta na lente terrestre como tamb&eacute;m fazer um &uacute;ltimo ajustamento nos mecanismos de velocidade dos rel&oacute;gios". Com o reaparecimento do Sol e a calibragem dos instrumentos, as s&eacute;ries de fotografias da coroa solar foram plenamente executadas, conforme planejado: "O programa que prepar&aacute;mos foi realizado com sucesso: expuseram-se 19 chapas no telesc&oacute;pio astrogr&aacute;fico, com exposi&ccedil;&otilde;es alternativas de cinco e 10 segundos, e oito chapas na c&acirc;mara de quatro polegadas, com um tempo de exposi&ccedil;&atilde;o uniforme de 28 segundos" (&#91;19&#93;, p. 79).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>POR FIM, O ECLIPSE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> "Nesse momento a popula&ccedil;&atilde;o j&aacute; se adensava pelas pra&ccedil;as, num vosear rumoroso, e bra&ccedil;os sem conta apontavam para o Sol" &#91;15&#93;. A expectativa e ansiedade faziam com que os bondes min&uacute;sculos da empresa Thaumaturgo, "&#91;...&#93; apressados e sacolejantes, despejavam, a curto espa&ccedil;o, na Pra&ccedil;a do Patroc&iacute;nio, onde a multid&atilde;o se espremia em volta do acampamento dos astr&ocirc;nomos brasileiros, dezenas de curiosos" &#91;15&#93;. &Agrave;s 7h46 foi registrado o primeiro momento do eclipse, "&#91;...&#93; atrav&eacute;s de uns delgados farrapos de nuvem, o Sol tornou-se vis&iacute;vel, e o primeiro contacto exterior do bel&iacute;ssimo phenomeno foi observado" &#91;15&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O mau tempo, contudo, provocava ansiedade at&eacute; o momento da totalidade do eclipse:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao aproximar-se a fase de eclipse total, a propor&ccedil;&atilde;o de nebulosidade diminuiu e assistiu-se a uma clareira extensa na regi&atilde;o do Sol, cerca de um minuto antes do segundo contacto. Os avisos foram dados a 58, 22 e 12 segundos antes do segundo contacto atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o da diminui&ccedil;&atilde;o da forma em quarto crescente na lente colocada no local de observa&ccedil;&atilde;o. Ao desaparecer a forma de quarto crescente, deu-se in&iacute;cio &agrave; observa&ccedil;&atilde;o com a palavra &lt;&lt;Come&ccedil;ar&gt;&gt;. A regi&atilde;o em redor do Sol estava sem nuvens, exceptuando um per&iacute;odo que durou cerca de um minuto, precisamente a meio da fase de totalidade. Nesse instante, o Sol ficou ligeiramente velado por uma nuvem pouco espessa, que impediu a tiragem de fotografias &agrave;s estrelas; contudo, a coroa solar interior permaneceu vis&iacute;vel a olho nu e as chapas expostas durante esta fase revelam-na, com uma grande proemin&ecirc;ncia muito bem definida (&#91;19&#93;, p. 79-80).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A temperatura caiu no momento da totalidade do eclipse: "O thermometro desceu &#91;...&#93; O sil&ecirc;ncio fez-se absoluto, permitindo ouvir-se nitidamente os estalidos seccos dos detetores das machinas photographicas, dentro do acampamento. &#91;...&#93; R&aacute;pidos 5 minutos!" &#91;15&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Importante destacar que o evento astron&ocirc;mico foi marcado pela ansiedade e por problemas no funcionamento dos aparelhos. O clima quente afetou n&atilde;o s&oacute; os observadores, com noites mal dormidas, mas tamb&eacute;m os materiais. Morize em seu relat&oacute;rio anotou em diversos momentos &#91;20&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A rea&ccedil;&atilde;o de populares, animais e plantas n&atilde;o foi passiva. Mesmo com todas as recomenda&ccedil;&otilde;es para a observa&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno, "&#91;...&#93; foi uma coisa de doido o dia do eclipse, aqui em Sobral" &#91;14&#93;. N&atilde;o s&oacute; em Sobral. Em Nova-Russas, as rea&ccedil;&otilde;es ao eclipse foram enviadas ao jornal <i>A Lucta</i>: "Durou a totalidade do eclipse um a dois minutos; as andorinhas em bando rodeiaram a nossa egreginha para se recolherem; as galinhas ainda curvaram as cabe&ccedil;as estirando os pesco&ccedil;os, mas n&atilde;o chegaram a subir os poleiros" &#91;17&#93;. Parte dos habitantes desses munic&iacute;pios reproduzia o temor de ver o dia transformar-se em noite. A experi&ecirc;ncia pret&eacute;rita do fen&ocirc;meno estava carregada de hist&oacute;rias de que o mundo iria acabar. J&aacute; os observadores tentavam tranquilizar a popula&ccedil;&atilde;o com explica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas que naturalizariam o extraordin&aacute;rio: "O eclipse solar &eacute; um facto natural, destitu&iacute;do de quaisquer consequ&ecirc;ncias nocivas. N&atilde;o anuncia pestes, nem secas, nem inunda&ccedil;&otilde;es" &#91;21&#93;. Como conciliar concep&ccedil;&otilde;es arcaicas, de tom sobrenatural, com o rigor e a postura exigida pela ci&ecirc;ncia?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir dessas quest&otilde;es, surgiram situa&ccedil;&otilde;es de maior ou menor conflito. Estrat&eacute;gias de organiza&ccedil;&atilde;o coletiva e individual foram postas em pr&aacute;tica. Muitas vezes, as recomenda&ccedil;&otilde;es estavam mascaradas em regras postas de "cima para baixo": "Assim fazendo, os habitantes desta futurosa cidade collaborar&atilde;o com as commiss&otilde;es e far&atilde;o jus ao agradecimento destas pelo exito alcan&ccedil;ado" &#91;14&#93;. O que n&atilde;o impediu que parte da popula&ccedil;&atilde;o reagisse &agrave; sua pr&oacute;pria maneira: "As mulheres, muitas delas de v&eacute;u na cabe&ccedil;a, rezavam o ter&ccedil;o. Uma boa parte do povo pensava que o mundo ia acabar mesmo, de tanta hist&oacute;ria que se contou." &#91;14&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, a imprensa desempenhava um papel, mesmo em pequenas cidades do interior do Brasil, que permitia acompanhar a rotina dos grandes acontecimentos, mas, sobretudo, os fatos que cercavam a vida cotidiana: "&#91;a imprensa&#93; oferece muitas not&iacute;cias nacionais ou internacionais, mas se enra&iacute;za acima de tudo no ambiente imediato dos leitores. Sendo uma janela aberta para o mundo, ela &eacute; ao mesmo tempo a express&atilde;o de um espa&ccedil;o de conv&iacute;vio ampliado" &#91;22&#93;. Algumas vezes, a leitura do jornal era realizada em lugares p&uacute;blicos para que o maior n&uacute;mero de pessoas se informasse sobre o que se passava na cidade. Era uma pr&aacute;tica que tamb&eacute;m se dava no &acirc;mbito dom&eacute;stico. Dessa forma, a rotina do evento do eclipse solar n&atilde;o foi acompanhada somente a olho nu, ela tamb&eacute;m foi mediada pela imprensa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REVELA&Ccedil;&Atilde;O E COMPARA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra quest&atilde;o que merece destaque &eacute; o local de revela&ccedil;&atilde;o das chapas, tamb&eacute;m chamado de "gabinete escuro", que foi cercado de intensos cuidados. Era preciso garantir a qualidade da revela&ccedil;&atilde;o das fotografias, passando por sucessivas verifica&ccedil;&otilde;es (&#91;18&#93;, 14 a 16 de maio de 1919). Um momento que traria resultados, provocando mudan&ccedil;as na forma de pensar os paradigmas da gravita&ccedil;&atilde;o universal. Davidson e Crommelin ressaltaram: "As chapas ficaram nos seus suportes at&eacute; serem reveladas. O processo de revela&ccedil;&atilde;o foi efectuado em s&eacute;rie durante a noite, todos os dias at&eacute; 5 de junho" (&#91;19&#93;, p. 80). O gabinete escuro apresentou as condi&ccedil;&otilde;es ideais para revelar as chapas fotogr&aacute;ficas, j&aacute; que seria um risco transport&aacute;-las.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A primeira imagem s&oacute; foi revelada &agrave;s tr&ecirc;s horas da madrugada, por Davidson, depois de obter &aacute;gua suficientemente fria: "&#91;...&#93; A revela&ccedil;&atilde;o tornou-se ent&atilde;o poss&iacute;vel, mas somente durante a noite. O amolecimento da gelatina dos filmes foi objeto de s&eacute;rios cuidados, pois um deslocamento microsc&oacute;pico na revela&ccedil;&atilde;o viciaria completamente os resultados. Esse obst&aacute;culo foi superado pelo uso de formalina e pela cuidadosa manipula&ccedil;&atilde;o" &#91;10&#93;. Crommelin relata que o clima da regi&atilde;o possu&iacute;a temperatura da &aacute;gua normalmente acima de 25 graus cent&iacute;grados. Crommelin observou que a qualidade da revela&ccedil;&atilde;o s&oacute; foi alcan&ccedil;ada com a utiliza&ccedil;&atilde;o de arcaicos utens&iacute;lios de barro: "O &uacute;nico jeito foi recorrer a potes de barro usados comumente pela popula&ccedil;&atilde;o", frios o suficiente para "&#91;...&#93; fazer a temperatura da &aacute;gua descer a quase 20 graus" &#91;10, 23&#93;. &Eacute; poss&iacute;vel perceber que mesmo com modernos aparelhos, como telesc&oacute;pios e cel&oacute;statos, as expedi&ccedil;&otilde;es enfrentaram um problema de aparente simplicidade: como resfriar a &aacute;gua para revelar as fotos? "Conseguir gelo n&atilde;o foi poss&iacute;vel" &#91;10&#93;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No dia 7 de junho, quando o processo de revela&ccedil;&atilde;o foi encerrado, a expedi&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica embarcou para Fortaleza &#91;24&#93;, onde permaneceu at&eacute; o dia 9 de julho, voltando depois para Sobral para realizar as chapas de compara&ccedil;&atilde;o &#91;25&#93;. A expedi&ccedil;&atilde;o brasileira, por sua vez, depois do registro do eclipse teve "dia de descanso e de visitas" &#91;26&#93;. Retomados os trabalhos, era preciso desmontar os instrumentos &#91;27&#93; e partir para o Rio de Janeiro no Lloyd Brasileiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi preciso esperar alguns dias at&eacute; que a experi&ecirc;ncia fosse conclu&iacute;da por completo. Os resultados dessas chapas serviriam para tra&ccedil;ar uma compara&ccedil;&atilde;o com as fotografias tiradas no dia do eclipse para observar as posi&ccedil;&otilde;es das estrelas e ent&atilde;o confirmar de vez a teoria de Einstein &#91;24&#93;. Dessa maneira, os resultados n&atilde;o poderiam ainda ser confirmados, devendo-se afastar qualquer possibilidade de erro. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Crommelin e Davidson expuseram as condi&ccedil;&otilde;es para obter o material comparativo: apesar de terem sido tiradas com os mesmos instrumentos, as fotografias do eclipse de 29 de maio foram feitas durante o dia, enquanto as chapas de compara&ccedil;&atilde;o (14, 15, 17 e 18 de julho) foram obtidas no fim da tarde. Os brit&acirc;nicos, contudo, apresentaram uma boa argumenta&ccedil;&atilde;o para que as fotografias fossem aceitas para confirmar os registros obtidos: "Uma excelente caracter&iacute;stica inerente a estas fotografias &eacute; o facto de haver uma semelhan&ccedil;a essencial entre as imagens de estrelas nos dois conjuntos de fotografias" (&#91;19&#93;, p. 84). Al&eacute;m disso, as fotografias das chapas de compara&ccedil;&atilde;o baseavam-se em uma "chapa-padr&atilde;o", sendo intermedi&aacute;ria entre as chapas do eclipse e as chapas de compara&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RECONHECIMENTO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com n&uacute;mero suficiente de fotografias para servir de refer&ecirc;ncia, a equipe brit&acirc;nica come&ccedil;ou a desmontar os equipamentos. Davidson e Crommelin partiram de Sobral no dia 22 de julho em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; cidade de Camocim, para ent&atilde;o seguir viagem com destino &agrave; Inglaterra, sendo que parte da bagagem ficou sob a responsabilidade dos senhores Nicolau e Carneiro para envio posterior. No relat&oacute;rio, os brit&acirc;nicos reconheceram o esfor&ccedil;o do governo brasileiro: "Os observadores desejam agradecer &#91;...&#93; a ajuda inestim&aacute;vel que lhes foi prestada de modo a facilitar as viagens de ida e volta numa &eacute;poca particularmente dif&iacute;cil" (&#91;19&#93;, p. 82). Eles chegaram a Greenwich em 25 de agosto de 1919.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a publica&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio final da expedi&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica veio a p&uacute;blico o reconhecimento dos esfor&ccedil;os que as autoridades sobralenses empreenderam para oferecer condi&ccedil;&otilde;es adequadas de trabalho aos observadores: "Estes foram tratados como h&oacute;spedes do Governo (que lhes facultou meios de transporte, alojamento e m&atilde;o-de-obra)" &#91;28&#93;. Parte dessa satisfa&ccedil;&atilde;o e agradecimentos enfatizava as provid&ecirc;ncias tomadas por Morize, &agrave; &eacute;poca diretor do Observat&oacute;rio Nacional do Rio de Janeiro. N&atilde;o eram t&atilde;o somente os observadores que estavam agradecidos. A imprensa da regi&atilde;o afirmava que a popula&ccedil;&atilde;o sentiu-se lisonjeada em receber os  "&#91;...&#93; dois conhecidos s&aacute;bios" &#91;29&#93;. Uma carta de agradecimento escrita pelo astr&ocirc;nomo real sir Frank Watson Dyson, vinda do Observat&oacute;rio Real em Greenwich, foi publicada no jornal <i>Correio da Semana</i> quase um ano ap&oacute;s a observa&ccedil;&atilde;o do eclipse solar. Nela o cientista corroborou a impress&atilde;o positiva que a expedi&ccedil;&atilde;o j&aacute; manifestara sobre a hospitalidade do prefeito de Sobral &#91;30&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os resultados satisfat&oacute;rios e a comprova&ccedil;&atilde;o da hip&oacute;tese geral da relatividade foram divulgados em uma sess&atilde;o conjunta da Royal Society e da Royal Astronomical Society, na Inglaterra, em 6 de novembro de 1919. Uma s&eacute;rie de artigos e confer&ecirc;ncias foi publicada a partir dessa data &#91;31&#93;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muito do &ecirc;xito da experi&ecirc;ncia em Sobral s&oacute; foi poss&iacute;vel devido &agrave; estrutura com que os observadores puderam dispor. Como ponto de observa&ccedil;&atilde;o, a cidade ofereceu &agrave;s expedi&ccedil;&otilde;es um c&eacute;u l&iacute;mpido, sem promessas de chuva. Para os habitantes de Sobral, o ano de 1919 anunciava a modernidade com a comprova&ccedil;&atilde;o da teoria da relatividade de Einstein e tamb&eacute;m trazia de volta a infeliz perspectiva de um longo per&iacute;odo de estiagem. Homens de ci&ecirc;ncia com seus sofisticados aparelhos estabeleceram uma nova maneira de a humanidade encarar sua rela&ccedil;&atilde;o com o tempo e o espa&ccedil;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por fim, e n&atilde;o menos importante, este artigo prop&ocirc;s-se a observar o olhar da ci&ecirc;ncia sobre uma cidade localizada no "Norte do Brasil", apropriando-se de elementos da comunidade - como os potes de barro. A hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia tem um ponto de inflex&atilde;o importante a partir da geografia e do clima. A seca &eacute; comum para quem vive em regi&otilde;es onde a m&aacute; distribui&ccedil;&atilde;o da chuva prejudica o modo de vida do sertanejo, no entanto, tal caracter&iacute;stica clim&aacute;tica, apesar de adversa, foi prop&iacute;cia para esse acontecimento cient&iacute;fico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	As casas em que ficariam instalados eram da fam&iacute;lia Saboya, propriet&aacute;ria da f&aacute;brica de algod&atilde;o em Sobral, as &uacute;nicas com capacidade para acomodar os viajantes e os instrumentos. As duas resid&ecirc;ncias foram cedidas pelo coronel Vicente Saboya e Jos&eacute; Saboya de Albuquerque.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.	"Jockey-Club Sobralense". <i>Correio da Semana</i>. Sobral, 24 de agosto de 1918.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107629&pid=S0009-6725201900030000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.	Dois int&eacute;rpretes foram colocados &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o dos ingleses desde o momento do desembarque em Camocim - CE e durante todo o tempo que a equipe brit&acirc;nica esteve na regi&atilde;o: Leoc&aacute;dio Ara&uacute;jo, que estudara agricultura nos Estados Unidos e fazia parte da comiss&atilde;o agr&iacute;cola a servi&ccedil;o do governo do estado do Cear&aacute;; e John Sandford, um norte-americano radicado na regi&atilde;o. Segundo Crommelin, "&#91;...&#93; muito do nosso sucesso &eacute; devido ao seu confi&aacute;vel interesse e gentileza". Ver &#91;10&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.	O interesse pelo tema surgiu na gradua&ccedil;&atilde;o, participando do projeto "Museu do Eclipse: Parque de Experimentos Interativos em Sobral", financiado pelo CNPq de maio/2007 a setembro/2008, em que atuei como bolsista.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5.	"At&eacute; a eleva&ccedil;&atilde;o da povoa&ccedil;&atilde;o &agrave; categoria de vila em 1773, o povoado manteve-se com o nome de Cai&ccedil;ara, quando ent&atilde;o passou a chamar-se Vila Distinta e Real de Sobral. Uma ordem r&eacute;gia de 22 de julho de 1766 determinou a necessidade da exist&ecirc;ncia de, no m&iacute;nimo, 50 fogos na sede da povoa&ccedil;&atilde;o a ser transformada em vila. No in&iacute;cio da d&eacute;cada de setenta, a povoa&ccedil;&atilde;o j&aacute; contava com 75 casas, o que indica uma relativa prosperidade, e com um n&uacute;cleo estruturado que possibilitava a instala&ccedil;&atilde;o de mais atividades e a atra&ccedil;&atilde;o de um n&uacute;mero maior de pessoas". In: Barbosa, M. E. J.et al. <i>Sobral - patrim&ocirc;nio nacional/Sobral - hist&oacute;rico e evolu&ccedil;&atilde;o urbana</i>. Sobral, Prefeitura Municipal de Sobral, 2000. p. 14-15.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107633&pid=S0009-6725201900030000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.	Hamb&uacute;rguer, A. I. et al. (orgs.). <i>As ci&ecirc;ncias nas rela&ccedil;&otilde;es Brasil-Fran&ccedil;a (1850-1950)</i>. S&atilde;o Paulo: Universidade de S&atilde;o Paulo: Fapesp, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107635&pid=S0009-6725201900030000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7.	Paty, M.. "A recep&ccedil;&atilde;o da relatividade no Brasil e a influ&ecirc;ncia das tradi&ccedil;&otilde;es europeias". In: Hamb&uacute;rguer, A. I. et al. (orgs.). <i>As ci&ecirc;ncias nas rela&ccedil;&otilde;es Brasil-Fran&ccedil;a (1850-1950)</i>. S&atilde;o Paulo: Universidade de S&atilde;o Paulo: Fapesp, 1996. p. 149.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107637&pid=S0009-6725201900030000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. <i>Correio da Semana, A Lucta, A Ordem</i> (Sobral), <i>Folha do Littoral</i> (Camocim), <i>O Jornal,Jornal do Brasil, Jornal do Commercio</i> (Rio de Janeiro).</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.	Morize, H. "Resultados obtidos pela Commiss&atilde;o Brasileira do Eclipse de 29 de maio de 1919". <i>Revista de Sciencias</i>. Brasil: v. 4, n. 3, junho - julho 1920.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107640&pid=S0009-6725201900030000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> Crommelin, A.; Davidson, C. R. "III - A expedi&ccedil;&atilde;o ao Sobral". Cottingham, E.; Eddington, A. S. "A expedi&ccedil;&atilde;o &agrave; Ilha do Pr&iacute;ncipe". In: <i>Eddington e Einstein: verifica&ccedil;&atilde;o experimental da teoria da relatividade generalizada na Ilha do Pr&iacute;ncipe</i>. Santos. A. N.; Auretta, C. (orgs.). 1a. ed. Lisboa: Gradiva, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107641&pid=S0009-6725201900030000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10.	Crommelin, A. "The eclipse expedition to Sobral". <i>The Observatory </i>(Provided by the Nasa Astrophysics Data System), v. 42, n. 544, 1919. p. 368-371 (Di&aacute;rio traduzido por Emerson Ferreira de Almeida, mestre em f&iacute;sica pela Universidade Federal do Cear&aacute;, diretor t&eacute;cnico cient&iacute;fico do Museu do Eclipse/ Secretaria da Cultura e Turismo de Sobral e professor da Universidade Estadual Vale do Acara&uacute; UVA/Sobral/CE).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107643&pid=S0009-6725201900030000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. <i>Observatory, Conquest</i> (Davidson), <i>Revista de Sciencias</i> e <i>Revista Trimensal do Instituto do Cear&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107645&pid=S0009-6725201900030000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></i>.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12.	Eddington, A. S.; Dyson, F. W.; Davidson, C. R. "Uma determina&ccedil;&atilde;o da deflex&atilde;o de luz pelo campo gravitacional do sol, a partir de observa&ccedil;&otilde;es realizadas no eclipse total de 29 de maio de 1919". In: Santos. A. N.; Auretta, C. (orgs.). <i>Eddington e Einstein: verifica&ccedil;&atilde;o experimental da teoria da relatividade generalizada na Ilha do Pr&iacute;ncipe</i>. 1a. ed., Lisboa: Gradiva, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107647&pid=S0009-6725201900030000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13.	Localizada no semi&aacute;rido, Sobral foi escolhida porque est&aacute; situada no lugar de maior sombreamento da Lua. A regi&atilde;o pode possibilitar melhores condi&ccedil;&otilde;es de observa&ccedil;&atilde;o do c&eacute;u, ou seja, &eacute; pouco prov&aacute;vel ficar nublado na maior parte do ano, o que possibilita visualizar um grande n&uacute;mero de estrelas brilhantes. Sobre isso, ver: Eisenstaedt, J.; Videira, A. A. P. "A prova cearense das teorias de Einstein". In: <i>Ci&ecirc;ncia Hoje,</i> v. 20, n. 115, nov./1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107649&pid=S0009-6725201900030000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14.	Serpa, E. "Sobral, Cear&aacute;. Aqui se provou que Einstein estava certo". <i>Jornal do Brasil</i>, Rio de Janeiro, 26 mar&ccedil;o de 1979.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107651&pid=S0009-6725201900030000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15.	"De Sobral - o eclipse do dia 29" (do correspondente). <i>Folha do Littoral</i>. Camocim, 8 de junho de 1919.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107653&pid=S0009-6725201900030000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16.	"Eclipse solar total de 29 de maio de 1919". <i>Correio da Semana</i>. Sobral, 17 de maio de 1919.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107655&pid=S0009-6725201900030000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17.	"O eclipse". <i>A Lucta</i>. Sobral, 4 de junho de 1919.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107657&pid=S0009-6725201900030000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18.	Morize, H. "Resultados obtidos pela Commiss&atilde;o Brasileira do Eclipse de 29 de maio de 1919". <i>Revista de Sciencias</i>. Brasil: v. 4, n. 3, junho - julho 1920.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107659&pid=S0009-6725201900030000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Crommelin, A.; Davidson, C. R. "III - A expedi&ccedil;&atilde;o ao Sobral". In: Santos, A. N.; Auretta, C. (orgs.). <i>Eddington e Einstein: verifica&ccedil;&atilde;o experimental da teoria da relatividade generalizada na Ilha do Pr&iacute;ncipe</i>. 1a. ed. Lisboa: Gradiva, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107661&pid=S0009-6725201900030000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20.	"A noite esteve quente"; "Dia muito quente"; "Muito mosquito na primeira da noite. C&eacute;u claro. Vento quase nulo"; "Levantei-me &agrave;s 6h ap&oacute;s noite m&aacute; devido aos mosquitos". Ver (&#91;18&#93;, 14 a 28 de maio de 1919).</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21.	"Eclipse solar total de 29 de maio de 1919". <i>Correio da Semana</i>. Sobral, 24 de maio de 1919.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107664&pid=S0009-6725201900030000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22.	Prost, A. "Transi&ccedil;&otilde;es e interfer&ecirc;ncias". In: Prost, A; Vicent, G. (orgs.). <i>Hist&oacute;ria da vida privada. 5: da Primeira Guerra a nossos dias.</i> S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 1992. p. 42. Trad: Denise Bottmann.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107666&pid=S0009-6725201900030000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">23.	Sobre isso, h&aacute; uma explica&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica: "Em algumas regi&otilde;es do Brasil, principalmente aquelas com pouco acesso &agrave; energia el&eacute;trica, &eacute; comum as pessoas utilizarem potes de barro para conservar &aacute;gua a uma temperatura um pouco mais fria que a do ambiente. Este fen&ocirc;meno, que para muitos ainda &eacute; considerado uma "crendice popular", pode ser explicado tamb&eacute;m pela compreens&atilde;o do que ocorre nas mudan&ccedil;as de estados f&iacute;sicos da mat&eacute;ria e na troca de calor entre dois corpos. A porosidade do barro permite que uma pequena parte da &aacute;gua contida no pote, ao passar por esses poros e entrar em contato com o ambiente externo, passem do estado l&iacute;quido para o estado gasoso (evapora&ccedil;&atilde;o). Este processo de evapora&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua l&iacute;quida (menor energia cin&eacute;tica) para o estado de vapor (maior energia cin&eacute;tica) necessita absorver energia para ocorrer. No caso do pote de barro, a &aacute;gua que evapora, retira energia (calor) do pote e do restante da &aacute;gua que n&atilde;o evaporou, fazendo com que, ao perder energia, tanto o pote como a &aacute;gua, se resfriem". Le&atilde;o, M. "Uma conversa sobre 'coisas' da qu&iacute;mica". Dispon&iacute;vel em: <a href="http://marceloufrpe.blogspot.com.br/2010/08/agua-fria-em-pote-de-barro.html" target="_blank">http://marceloufrpe.blogspot.com.br/2010/08/agua-fria-em-pote-de-barro.html</a>. Acesso em: 01 de setembro de 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107668&pid=S0009-6725201900030000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">24.	"O eclipse total do Sol". <i>Correio da Semana</i>, Sobral, 7 junho de 1919.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107670&pid=S0009-6725201900030000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">25.	Sobre o per&iacute;odo, sabe-se apenas que Davidson e Crommelin ficaram hospedados no Semin&aacute;rio Diocesano de Fortaleza. Studart, G. "Ephemerides Cearenses". <i>Revista Trimensal do Instituto do Cear&aacute;</i>. Anno XXXV, 1921, p.339-348. Dispon&iacute;vel: <a href="http://institutodoceara.org.br/Rev-apresentacao/RevPorAno/1921/1921-EphemeridesCearenses1919e1920.pdf" target="_blank">http://institutodoceara.org.br/Rev-apresentacao/RevPorAno/1921/1921-EphemeridesCearenses1919e1920.pdf</a>. Acesso em 11 de agosto de 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107672&pid=S0009-6725201900030000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">26. "Come&ccedil;a-se a desmontar os instrumentos. Revelam-se as fotografias. As da objetiva de Zeiss f/35 tomadas sem movimento de relojoaria deram tr&ecirc;s placas instant&acirc;neas regulares. As da teleobjetiva deram tr&ecirc;s placas instant&acirc;neas regulares. As da teleobjetiva de Zeiss n&atilde;o deram nada; &#91;...&#93; A do espectr&oacute;grafo de quartz de Heyde nada deu, nem mesmo o espectro de compara&ccedil;&atilde;o. Parece que ou o caixilho n&atilde;o foi aberto ou a placa foi nela invertida, ficando para a frente a capa do antehalo que &eacute; opaca. Os dois pequenos espectr&oacute;grafos deram os limbos de coroa sobre um fundo de espectro cont&iacute;nuo." (&#91;18&#93;, 30 e 31 maio de 1919).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">27.	Durante a desmontagem dos instrumentos, a expedi&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica marcou as posi&ccedil;&otilde;es originais dos aparelhos para que fossem tiradas chapas de compara&ccedil;&atilde;o com o m&aacute;ximo de fidedignidade quanto ao posicionamento. Os espelhos e os mecanismos dos rel&oacute;gios precisariam estar na mesma posi&ccedil;&atilde;o. A import&acirc;ncia dessas chapas, era validar o experimento a partir da observa&ccedil;&atilde;o do Sol em outra posi&ccedil;&atilde;o no m&ecirc;s de julho. Ver &#91;24, p.82&#93;.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">28.	Dyson, F. W.; Eddington, A. S.; Davidson, C. R. <i>V - Conclus&otilde;es Gerais</i>, 1920. p.130-131.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107676&pid=S0009-6725201900030000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">29. "Drs. Crommelin e Davidson". <i>Correio da Semana,</i> Sobral, 26 julho de 1919.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107678&pid=S0009-6725201900030000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">30.	"&#91;...&#93; Londres, 25 de novembro, de 1919. - Caro senhor, como Presidente do Comittee da Sociedade Real e da Real Sociedade Astron&ocirc;mica que organizou a expedi&ccedil;&atilde;o para observa&ccedil;&atilde;o do Eclipse de 29 de maio de 1919, escrevo-lhe para agradecer a grande assist&ecirc;ncia dada por V.S. aos observadores. &#91;...&#93; Eu conhe&ccedil;o de experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria das difficuldades de uma expedi&ccedil;&atilde;o de eclipse e posso avaliar assim o valor do auxilio que V.S. dispensou t&atilde;o bondosamente". "Eclipse de 29 de maio de 1919". <i>Correio da Semana</i>, Sobral, 24 janeiro de 1920.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107680&pid=S0009-6725201900030000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">31.	"&#91;...&#93; os Physicos e Astronomos Inglezes est&atilde;o ainda comentando o facto e ainda o far&atilde;o por algum tempo". "Eclipse de 29 de maio de 1919". <i>Correio da Semana</i>, Sobral, 24 janeiro de 1920.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=107682&pid=S0009-6725201900030000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
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