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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br>   CINEMA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>130 anos de Charlie Chaplin</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Amando Martinelli</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A cena na qual Carlitos divide uma garrafa de leite com um c&atilde;o de rua, no filme <i>Vida de cachorro </i>(1918), &eacute; uma, dentre tantas cenas memor&aacute;veis produzidas ao longo da prol&iacute;fica carreira de Charlie Chaplin. N&atilde;o &eacute; incomum que imagens associadas com a pureza e o sorriso do vagabundo mais cativante do cinema invadam a mente das pessoas diante de uma simples cita&ccedil;&atilde;o sobre o diretor, produtor, humorista, empres&aacute;rio, escritor, comediante, dan&ccedil;arino, roteirista e m&uacute;sico brit&acirc;nico Charlie Spencer Chaplin, que completaria 130 anos em 2019.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como parte dessa comemora&ccedil;&atilde;o, em outubro do ano passado foi lan&ccedil;ada uma biografia musical de Chaplin, baseada em transcri&ccedil;&otilde;es de 60 anos de partituras originais. O livro revela a hist&oacute;ria n&atilde;o contada do artista que tamb&eacute;m foi o compositor de famosas (e n&atilde;o t&atilde;o famosas) m&uacute;sicas que ele utilizou em seus filmes. Esse lan&ccedil;amento &eacute; uma das homenagens previstas para marcar seu anivers&aacute;rio de nascimento, dentro de uma vasta e merecida programa&ccedil;&atilde;o (<a href="https://www.charliechaplin.com/en/infos" target="_blank">https://www.charliechaplin.com/en/infos</a>). "Desde o come&ccedil;o de sua carreira Chaplin demonstra forte envolvimento com a m&uacute;sica. Ele aparece em alguns filmes tocando violino ou piano e apresenta um interesse em &oacute;peras e espet&aacute;culos musicais", explica a cineasta e pesquisadora Julhia Quadros. No entanto, segundo ela, a composi&ccedil;&atilde;o de trilhas sonoras come&ccedil;a somente em 1941.  "Chaplin n&atilde;o sabia escrever partituras, a princ&iacute;pio, e precisou de pessoas que transcrevessem as m&uacute;sicas que ele queria nos filmes", conta Quadros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n3/a15fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dar visibilidade &agrave; essa faceta art&iacute;stica menos lembrada desse artista m&uacute;ltiplo demonstra a pot&ecirc;ncia do talento de Chaplin, cuja obra &eacute; composta por 81 filmes, produzidos entre 1914 e 1967, e que tem na com&eacute;dia a express&atilde;o mais marcante, em uma trajet&oacute;ria emblematicamente representada na figura de Carlitos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale lembrar, entretanto, que o artista viveu e produziu no per&iacute;odo das grandes guerras e nunca deixou de se posicionar politicamente, ao contr&aacute;rio, esse assunto ocupou frequentemente o centro de suas tramas, por meio do humanismo contido nos filmes. Como recorda Quadros, "Chaplin percebe a pot&ecirc;ncia  da com&eacute;dia para discutir assuntos extremamente profundos e s&eacute;rios, investindo em roteiros que misturam com&eacute;dia e trag&eacute;dia, como ele define nos cr&eacute;ditos iniciais de <i>O garoto</i> (1921), um filme com um sorriso e, talvez, uma l&aacute;grima, reiterando a famosa defini&ccedil;&atilde;o de humor de Bernard Shaw".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda para a cineasta, "conforme a carreira avan&ccedil;a seus filmes tornam-se mais complexos em termos de conte&uacute;do. Dois exemplos s&atilde;o a cena do globo em <i>O grande ditador</i> (1940) ou a da linha de montagem em <i>Tempos modernos</i> (1936), onde ele explicita suas vis&otilde;es pol&iacute;ticas de forma criativa e impactante. As cr&iacute;ticas est&atilde;o l&aacute;, por meio das met&aacute;foras muito bem trabalhadas e toda ironia que a com&eacute;dia permite", complementa Quadros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LINGUAGEM &Uacute;NICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As contribui&ccedil;&otilde;es de Chaplin para o cinema s&atilde;o ineg&aacute;veis e cada vez mais valorizadas, seja pelas quest&otilde;es t&eacute;cnicas, seja na cria&ccedil;&atilde;o de personagens. "Com Carlitos, Chaplin expressava uma capacidade incr&iacute;vel de transformar objetos no que ele quisesse. Folhas viravam escovas de dentes, manequins ganhavam vida, escadas e portas se tornavam grandes obst&aacute;culos", lembra Quadros. Para ela, esse era o maior talento da constru&ccedil;&atilde;o visual de Chaplin: a ressignifica&ccedil;&atilde;o das coisas, que confere plasticidade &agrave; sua produ&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica e corrobora a narrativa de que ele estaria sempre &agrave; margem. "&Eacute; como se os objetos desfrutassem da mesma liberdade do vagabundo Carlitos. Isso resume seu principal talento, ou seja, algo caracter&iacute;stico da personagem evolui para a forma como ele se relaciona com o ambiente e com a cena em si, estabelecendo a&iacute; uma linguagem &uacute;nica em seus filmes, criando a linguagem cinematogr&aacute;fica chapliana", acredita a pesquisadora.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com uma obra t&atilde;o extensa e diversa, qual seria o melhor filme de Chaplin? Para Quadros, "Chaplin &eacute; um cineasta que se constr&oacute;i com a obra inteira". Mesmo assim, ela aponta <i>Twenty minutes of love</i> (1914), <i>Luzes da cidade</i> (1931) e <i>Luzes da ribalta</i> (1952) como os seus preferidos. "S&atilde;o escolhas que representam o melhor de todas as fases da carreira de Chaplin: o come&ccedil;o, com a experimenta&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica; o meio, em que ele j&aacute; teria atingido um dom&iacute;nio maior sobre seu estilo; e o final, em que ele rev&ecirc; diversos aspectos de sua vida", explica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As comemora&ccedil;&otilde;es dos 130 anos de Chaplin s&atilde;o uma oportunidade para impulsionar novos olhares e descobertas em torno desse incr&iacute;vel legado. "Acredito que &eacute; sempre importante exibir os filmes de Chaplin e discuti-los depois, criando assim, um olhar contempor&acirc;neo para a sua obra", finaliza Quadros.</font></p>      ]]></body>
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