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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BRASIL    <br>   UNIVERSIDADE</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>30 anos de autonomia das estaduais paulistas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mariana Garcia de Castro Alves</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Decreto nº 29.598/1989, assinado pelo ent&atilde;o governador Orestes Qu&eacute;rcia (1938-2010), que deu autonomia de gest&atilde;o financeira &agrave;s universidades estaduais paulistas vem sendo celebrado como marca de uma decis&atilde;o acertada que elevou a Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a posi&ccedil;&otilde;es significativas em rankings de produtividade. Pelo decreto, um percentual fixo da arrecada&ccedil;&atilde;o do Imposto sobre Circula&ccedil;&atilde;o de Mercadorias e Servi&ccedil;os (ICMS) passou a ser destinado &agrave;s universidades. Inicialmente estabelecido em 8,4%, em 1995, no governo de Luiz Antonio Fleury Filho, o percentual foi ampliado para 9,57% do ICMS. Reafirmado anualmente nas leis or&ccedil;ament&aacute;rias da Assembleia Legislativa, o texto que garante o repasse de percentual consta apenas desse decreto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Evento realizado em 15 de agosto na USP comemorou os trinta anos do decreto. Com organiza&ccedil;&atilde;o do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), a comemora&ccedil;&atilde;o ocorreu junto com reuni&atilde;o dos conselhos universit&aacute;rios da USP, Unesp e Unicamp, na qual mo&ccedil;&atilde;o de apoio &agrave; autonomia foi aprovada. Essa forma de autonomia financeira n&atilde;o &eacute; adotada em nenhuma outra unidade da federa&ccedil;&atilde;o e nem nas universidades federais. &Uacute;nico no mundo, o modelo permitiu n&iacute;veis de excel&ecirc;ncia &agrave;s tr&ecirc;s institui&ccedil;&otilde;es. Atualmente, mais de um ter&ccedil;o (35%) de toda a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica nacional indexada na base de dados Web of Science vem da USP, Unesp e Unicamp.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONDI&Ccedil;&Atilde;O PARA ESTABILIDADE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A estabilidade or&ccedil;ament&aacute;ria, conquistada com a autonomia, veio resolver muitas quest&otilde;es das universidades paulistas. "O problema da inseguran&ccedil;a financeira era muito aflitivo para as universidades", lembra Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, ent&atilde;o secret&aacute;rio de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia e um dos respons&aacute;veis pela proposta que culminou na autonomia. Segundo Belluzo, a inseguran&ccedil;a or&ccedil;ament&aacute;ria tinha um impacto muito negativo sobre os programas de pesquisa: "a pesquisa exige um fluxo de recursos regular: voc&ecirc; n&atilde;o pode interromper uma pesquisa no meio porque isso gera danos nos resultados", pontua.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presidente do Cruesp e reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, compara o per&iacute;odo anterior &agrave; autonomia com o que ocorre hoje nas universidades federais: "De fato, tudo o que as federais precisam, fora os sal&aacute;rios, acaba sendo negociado no minist&eacute;rio. A autonomia permitiu manter a estabilidade para que as universidades (estaduais paulistas) tivessem condi&ccedil;&otilde;es de preparar o seu planejamento estrat&eacute;gico, estabelecer prioridades e, com isso, crescer, sempre dentro de um limite financeiro", ressalta Knobel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONJUNTURA DA &Eacute;POCA </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A discuss&atilde;o pela autonomia foi demorada, principalmente pelo debate sobre os crit&eacute;rios para o estabelecimento do porcentual, conta Belluzzo. "Eu estava fora do governo, mas o governador de ent&atilde;o, Orestes Qu&eacute;rcia, me falou 'olha, eu queria que voc&ecirc; viesse aqui para implantar a autonomia financeira porque acho que isso n&atilde;o &eacute; legal, fica todo tempo com conflitos at&eacute; entre os secret&aacute;rios'", conta o economista da Unicamp. Naquele momento, as universidades estavam pontilhadas de greves. A insatisfa&ccedil;&atilde;o era principalmente com sal&aacute;rios, corro&iacute;dos pelos altos &iacute;ndices inflacion&aacute;rios e defasados frente aos das federais. Os ares da redemocratiza&ccedil;&atilde;o em uma conjuntura espec&iacute;fica permitiram que a instabilidade or&ccedil;ament&aacute;ria fosse superada: "Teve o apoio muito decisivo do Ulisses &#91;Guimar&atilde;es, presidente do MDB e de quem Belluzzo era assessor&#93; e da maioria do pessoal da universidade", resume. A autonomia, entretanto, n&atilde;o foi inscrita constitucionalmente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DESAFIOS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Hoje, com o decl&iacute;nio da arrecada&ccedil;&atilde;o e o aumento de custos das universidades, o aperfei&ccedil;oamento do modelo entra em debate. "Um dos efeitos produzidos por essa depress&atilde;o na qual o Brasil entrou, por conta do tal do ajustamento, foi que a receita fiscal caiu muito", afirma Belluzzo. Como o ICMS &eacute; um imposto sobre o consumo, quando h&aacute; retra&ccedil;&atilde;o das transa&ccedil;&otilde;es, h&aacute; o decl&iacute;nio da arrecada&ccedil;&atilde;o. Isso afeta diretamente o or&ccedil;amento das universidades.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n4/a03fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para aperfei&ccedil;oar esse modelo, de acordo com Belluzzo, seria necess&aacute;rio criar um fundo de preven&ccedil;&atilde;o com aplica&ccedil;&otilde;es financeiras, bem administrado, para atender &agrave;s exig&ecirc;ncias de um per&iacute;odo de retra&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, planejar a expans&atilde;o e preservar o car&aacute;ter p&uacute;blico da universidade, sem cobran&ccedil;a de mensalidade. "Hoje os aposentados da previd&ecirc;ncia t&ecirc;m um peso enorme no or&ccedil;amento das universidades", constata. No caso da Unicamp, na &eacute;poca da assinatura do decreto, o comprometimento com aposentados era de 2% da folha. Hoje, atinge 35%.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na opini&atilde;o de Belluzzo, &eacute; preciso autocr&iacute;tica: "Como houve um per&iacute;odo de crescimento econ&ocirc;mico muito expressivo, sobretudo no per&iacute;odo Lula, em torno de 4%, a receita fiscal cresceu muito. Minha opini&atilde;o &eacute; que faltou cuidado. Algumas universidades montaram, outras n&atilde;o, um fundo de estabiliza&ccedil;&atilde;o para atender ao momento de queda da receita". Na vis&atilde;o de Knobel, o aprimoramento &eacute; necess&aacute;rio: "Nesse momento, a gente est&aacute; vivendo numa recess&atilde;o, ent&atilde;o &eacute; um modelo que a gente tem realizado com muito sucesso, mas eu n&atilde;o considero que seja um modelo fechado", afirma o reitor da Unicamp. Para Knobel, as universidades t&ecirc;m trabalhado nesse aprimoramento criando mecanismos de controle, de transpar&ecirc;ncia, e trazendo a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade em suas decis&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A proposta de federaliza&ccedil;&atilde;o de todos os impostos e o fim do ICMS em uma iminente reforma tribut&aacute;ria afetariam severamente as universidades estaduais, n&atilde;o apenas as paulistas. Essa &eacute; a preocupa&ccedil;&atilde;o atual nas discuss&otilde;es do Cruesp. Para o presidente do conselho, trata-se de um momento em que as universidades est&atilde;o sendo muito atacadas: "Momento de fragilidade institucional, em que essas quest&otilde;es devem ser colocadas de maneira muito clara", alerta. "A autonomia financeira &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o para voc&ecirc; garantir uma autonomia cient&iacute;fica, de investiga&ccedil;&atilde;o, de debates. Ela existe para proteger a verdadeira autonomia da universidade", esclarece Belluzzo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E Knobel completa: "uma autonomia plena se d&aacute; com essa conjun&ccedil;&atilde;o de fatores que a gente com muito esfor&ccedil;o e custo conseguiu construir aqui no estado de S&atilde;o Paulo e que tem resultados impressionantes dos quais nos orgulhamos muito", finaliza.</font></p>      ]]></body>
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