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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   MULTILINGUISMO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o: o multilinguismo em oito quadros</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Gilvan M&uuml;ller de Oliveira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor associado da Universidade Federal de Santa Catarina  (UFSC), onde coordena a C&aacute;tedra Unesco em Pol&iacute;ticas Lingu&iacute;sticas para o Multilinguismo  (UCLPM/UFSC) (2018-22), que envolve 22 universidades em 13 pa&iacute;ses. Contato: <a href="mailto:gimioliz@gmail.com">gimioliz@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Este N&uacute;cleo Tem&aacute;tico, organizado pela C&aacute;tedra Unesco em Pol&iacute;ticas Lingu&iacute;sticas para o Multilinguismo (UCLPM), com sede na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florian&oacute;polis, insere-se no &acirc;mbito do Ano Internacional das L&iacute;nguas Ind&iacute;genas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, para chamar a aten&ccedil;&atilde;o da comunidade cient&iacute;fica brasileira e dos demais pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa para problem&aacute;ticas e oportunidades do atual momento hist&oacute;rico em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; diversidade lingu&iacute;stica e cultural do mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A C&aacute;tedra Unesco em Pol&iacute;ticas Lingu&iacute;sticas para o Multilinguismo &eacute; uma rede de pesquisa constitu&iacute;da de universidades, institutos, redes especializadas e academias de 13 pa&iacute;ses em quatro continentes para gerar conhecimento sobre os diferentes contextos do multilinguismo, sobre as pol&iacute;ticas lingu&iacute;sticas desenvolvidas nesses contextos e as suas implica&ccedil;&otilde;es para o desenvolvimento sustent&aacute;vel dos cidad&atilde;os, comunidades lingu&iacute;sticas, regi&otilde;es e pa&iacute;ses.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os produtos da C&aacute;tedra - publica&ccedil;&otilde;es, eventos, mobilidade acad&ecirc;mica, capacita&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, servi&ccedil;os de consultoria a comunidades lingu&iacute;sticas e governos - dialogam com os Objetivos para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS) das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que em sua maioria n&atilde;o podem ser cumpridos a contento - por exemplo na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o, da sa&uacute;de, da paz&hellip; - a n&atilde;o ser que as l&iacute;nguas dos implicados nos processos de desenvolvimento sejam levadas em conta. A C&aacute;tedra pretende, assim, que ningu&eacute;m fique para tr&aacute;s em termos lingu&iacute;sticos e que as l&iacute;nguas possam ser entendidas crescentemente como direitos e ao mesmo tempo como recursos das suas comunidades lingu&iacute;sticas, rumo a um recurso compartilhado que se chama <b>multilinguismo</b>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Ano Internacional das L&iacute;nguas Ind&iacute;genas ora em curso &eacute; uma das iniciativas na mesma dire&ccedil;&atilde;o, &eacute; uma observ&acirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para 2019, coordenada pela Unesco, com o objetivo de promover a conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre os perigos por que passam as l&iacute;nguas ind&iacute;genas em todo o mundo, e para favorecer o estabelecimento de v&iacute;nculos entre as l&iacute;nguas, o desenvolvimento, a paz e a reconcilia&ccedil;&atilde;o. As amea&ccedil;as pelas quais passam as l&iacute;nguas ind&iacute;genas s&atilde;o um sintoma das amea&ccedil;as contra a vida e os direitos sociais e econ&ocirc;micos dos povos ind&iacute;genas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cerca de 370 milh&otilde;es de pessoas constituem os povos ind&iacute;genas hoje, distribu&iacute;dos em quase cinco mil culturas diferentes em 90 pa&iacute;ses, ou pouco menos do que a metade de todos os pa&iacute;ses do mundo. A maioria das 2.442 l&iacute;nguas amea&ccedil;adas de extin&ccedil;&atilde;o no mundo hoje s&atilde;o ind&iacute;genas, em conformidade com o <i>Atlas Unesco das L&iacute;nguas do Mundo em Perigo</i> <sup>&#91;</sup><a name="1b"></a><a href="#1a">1</a><sup>&#93;</sup>. Todas as 180 l&iacute;nguas ind&iacute;genas brasileiras (274 pelos crit&eacute;rios de autodeclara&ccedil;&atilde;o do Censo Demogr&aacute;fico do IBGE de 2010) est&atilde;o inclu&iacute;das em uma das cinco categorias do &iacute;ndice de vitalidade negativa do <i>Atlas</i>: vulner&aacute;vel, definitivamente em perigo, severamente em perigo, criticamente em perigo e extinta, o que nos d&aacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da tem&aacute;tica para o Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para mais al&eacute;m dos muitos aspectos relativos &agrave;s l&iacute;nguas ind&iacute;genas propriamente ditas, este dossi&ecirc; traz uma amostra da complexidade do multilinguismo hoje no mundo, das suas muitas camadas e imbrica&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Teresa Moure, no primeiro artigo, afirma que na Galiza, sua terra, a l&iacute;ngua tamb&eacute;m est&aacute; enferma, como as l&iacute;nguas ind&iacute;genas, e que os galegos s&atilde;o, por muitas raz&otilde;es, ind&iacute;genas no contexto da lusofonia. Realiza com o seu artigo uma importante reflex&atilde;o sobre o conceito de ind&iacute;gena e sua extens&atilde;o, e nos mostra como as din&acirc;micas lingu&iacute;sticas dos Estados Na&ccedil;&atilde;o e da globaliza&ccedil;&atilde;o amea&ccedil;am mesmo comunidades lingu&iacute;sticas muito maiores e mais numerosas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Christopher Stroud e Jason Richardson mostrar&atilde;o que ainda que o multilinguismo ofere&ccedil;a uma maneira de superar as diferen&ccedil;as e abrir espa&ccedil;os para o engajamento e a empatia com os outros, as suas constru&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas na &Aacute;frica do Sul, tanto na pol&iacute;tica quanto na pr&aacute;tica cotidiana, continuam a refor&ccedil;ar as divis&otilde;es racializadas herdadas dos usos hist&oacute;ricos da linguagem como ferramentas do colonialismo, atrav&eacute;s dos mecanismos de governan&ccedil;a no apartheid, o sistema de explora&ccedil;&atilde;o e de racismo institucional sancionado pelo Estado. Abrem uma discuss&atilde;o fundamental sobre os modelos de gest&atilde;o das l&iacute;nguas pelos Estados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No momento seguinte o dossi&ecirc; focaliza, no artigo de Umarani Pappuswamy e no artigo de Bapuji Mendem e Arulmozi Selvaraj (este dispon&iacute;vel somente na vers&atilde;o on-line da <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> no SciELO), o complexo multilinguismo da &Iacute;ndia. O primeiro apresenta um quadro da diversidade lingu&iacute;stica do pa&iacute;s, &agrave; luz dos dados do Censo Lingu&iacute;stico da &Iacute;ndia e discute em seguida dois t&oacute;picos inter-relacionados, o estatuto das minorias &eacute;tnicas e as pol&iacute;ticas de revers&atilde;o da perda lingu&iacute;stica. O segundo explorar&aacute; uma vertente hist&oacute;rica, demonstrando como se conformou, ao longo dos s&eacute;culos, a sociedade indiana multil&iacute;ngue.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais adiante, Gatut Susanto e Suparmi nos apresentam um panorama sobre outro dos pa&iacute;ses mais multil&iacute;ngues do mundo, a Indon&eacute;sia, focalizando as pol&iacute;ticas de registro, conserva&ccedil;&atilde;o, promo&ccedil;&atilde;o e revitaliza&ccedil;&atilde;o das l&iacute;nguas ind&iacute;genas do pa&iacute;s. A compara&ccedil;&atilde;o entre as discuss&otilde;es para a &Iacute;ndia e a Indon&eacute;sia trazem para o p&uacute;blico de l&iacute;ngua portuguesa muitas informa&ccedil;&otilde;es novas e sugest&otilde;es importantes para o trabalho com as l&iacute;nguas ind&iacute;genas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Edleise Mendes mant&eacute;m o foco no multilinguismo e na interculturalidade, abordando a situa&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena do Brasil. Al&eacute;m de apresentar um panorama da situa&ccedil;&atilde;o, discute se e em que medida a interculturalidade como princ&iacute;pio operacional est&aacute; presente nas escolas ind&iacute;genas brasileiras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dois &uacute;ltimos artigos trazem para o palco outro dos grandes contextos do multilinguismo do s&eacute;culo XXI: as migra&ccedil;&otilde;es internacionais e a conforma&ccedil;&atilde;o de cidades plurinacionais e de Estados p&oacute;s-nacionais. Vicent Climent-Ferrando tematiza o interessant&iacute;ssimo caso de Barcelona, Espanha, demonstrando que as cidades se tornaram um laborat&oacute;rio de experimenta&ccedil;&atilde;o com o multilinguismo. Magomed Omarov, por sua vez, discute a situa&ccedil;&atilde;o e as pol&iacute;ticas para os imigrantes internacionais na Federa&ccedil;&atilde;o Russa, o quarto maior receptor de imigrantes no mundo, com mais de 11 milh&otilde;es, e nos apresenta as tens&otilde;es que a imigra&ccedil;&atilde;o provoca na natureza e nas a&ccedil;&otilde;es do Estado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As identidades, o racismo, as minorias, os conflitos &eacute;tnicos, as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, a educa&ccedil;&atilde;o, as migra&ccedil;&otilde;es, os direitos, a economia, entre outros, s&atilde;o temas discutidos neste N&uacute;cleo Tem&aacute;tico pelos pesquisadores da C&aacute;tedra Unesco em Pol&iacute;ticas Lingu&iacute;sticas para o Multilinguismo, quase todos coordenadores da C&aacute;tedra nas suas respectivas universidades em sete diferentes pa&iacute;ses e em quatro continentes. A an&aacute;lise e o fomento do multilinguismo vai se constituindo assim, mais e mais, no s&eacute;culo XXI, como uma lingu&iacute;stica das sociedades, associada, via pol&iacute;ticas lingu&iacute;sticas, com equidade, desenvolvimento e justi&ccedil;a social.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1a"></a><a href="#1b">1</a>. <a href="http://www.unesco.org/languages-atlas/index.php" target="_blank">http://www.unesco.org/languages-atlas/index.php</a></font> ]]></body><back>
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