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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   MULTILINGUISMO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Multilinguismo na &Aacute;frica do Sul</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Christopher Stroud<sup>I</sup>; Jason Richardson<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Professor s&ecirc;nior de lingu&iacute;stica e diretor do Centro de Pesquisa em Multilinguismo e Diversidades (CMDR) da Universidade do Cabo Ocidental    <br>   <sup>II</sup>Membro j&uacute;nior da CMDR</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A &Aacute;frica do Sul, ainda hoje, continua sendo um pa&iacute;s dividido pela viol&ecirc;ncia e pela desigualdade racial. Um dos principais desafios para o seu povo &eacute; criar novos futuros atrav&eacute;s das divis&otilde;es raciais historicamente constitu&iacute;das, encontrando maneiras de envolvimento entre si atrav&eacute;s da diferen&ccedil;a. Nesse sentido, o <b>multilinguismo</b> mant&eacute;m a promessa de oferecer uma maneira de superar as diferen&ccedil;as e abrir espa&ccedil;os para o engajamento e a empatia com o outro. No entanto, nosso argumento neste artigo &eacute; que o multilinguismo sempre foi e continua sendo um local "epist&ecirc;mico" para gerenciar a diversidade racializada constru&iacute;da. As constru&ccedil;&otilde;es contempor&acirc;neas do multilinguismo, tanto na pol&iacute;tica quanto na pr&aacute;tica cotidiana, continuam a refor&ccedil;ar as divis&otilde;es racializadas herdadas dos usos hist&oacute;ricos da linguagem como uma ferramenta do colonialismo e um mecanismo de governabilidade no apartheid, o sistema de explora&ccedil;&atilde;o e o racismo institucional sancionado pelo Estado. Para ilustrar isso, tra&ccedil;amos na pr&oacute;xima se&ccedil;&atilde;o as maneiras pelas quais as constru&ccedil;&otilde;es do multilinguismo est&atilde;o entrela&ccedil;adas com a racializa&ccedil;&atilde;o como um bloco de constru&ccedil;&atilde;o do imagin&aacute;rio sul-africano. Em seguida, focamos particularmente nas constru&ccedil;&otilde;es/pr&aacute;ticas atuais do multilinguismo que centram a decolonialidade, a transforma&ccedil;&atilde;o social, a educa&ccedil;&atilde;o e os meios de subsist&ecirc;ncia e que encapsulam a din&acirc;mica de uma sociedade em transforma&ccedil;&atilde;o. Isso revela tens&otilde;es no multilinguismo racializado, bem como as limita&ccedil;&otilde;es inerentes &agrave;s constru&ccedil;&otilde;es herdadas do multilinguismo para novos modos de coexist&ecirc;ncia entre diferen&ccedil;as racializadas. Sugerimos que, atualmente, existam algumas oportunidades para definir uma compreens&atilde;o mais construtiva do multilinguismo dentro dos discursos predominantes das vis&otilde;es liberais iluministas sobre linguagem e ra&ccedil;a. Como conclus&atilde;o, sugerimos que ordens lingu&iacute;sticas alternativas exigem um repensar decolonial do papel da(s) l&iacute;ngua(s) na vida epist&ecirc;mica, social e pol&iacute;tica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>SENTIDOS DO MULTILINGUISMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O relato oficial atual do multilinguismo na &Aacute;frica do Sul desde a dispensa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica em 1996 delimita 11 idiomas oficiais em uma popula&ccedil;&atilde;o de 56 milh&otilde;es. Essa representa&ccedil;&atilde;o do multilinguismo &eacute; o reconhecimento e repatriamento pelo Estado democr&aacute;tico das l&iacute;nguas ind&iacute;genas que foram "invisibilizadas" pelo apartheid. No entanto, &eacute; uma conceitua&ccedil;&atilde;o do multilinguismo entre uma multid&atilde;o, pois a paisagem multil&iacute;ngue da &Aacute;frica do Sul foi interpretada e representada de v&aacute;rias formas em diferentes momentos hist&oacute;ricos, &agrave; medida que diversas representa&ccedil;&otilde;es e valores das l&iacute;nguas e de suas rela&ccedil;&otilde;es &#91;1, p. 3&#93; surgiram de momentos turbulentos de mudan&ccedil;a social e pol&iacute;tica. Diferentes multilinguismos refletem a complexa sociopol&iacute;tica do colonialismo e do apartheid, o sistema sancionado e institucionalizado de segrega&ccedil;&atilde;o racial, bem como a dispensa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do pa&iacute;s ap&oacute;s o apartheid, desde 1994. Acima de tudo, o multilinguismo tem sido parte de muitas tentativas do Estado e de suas institui&ccedil;&otilde;es ao longo da hist&oacute;ria para gerenciar a racializa&ccedil;&atilde;o, um pilar fundamental de seu projeto. Marx &#91;2&#93; comenta como o Estado "emerge como ator central na cria&ccedil;&atilde;o de ra&ccedil;a, pois &eacute; objeto de contesta&ccedil;&atilde;o e responde a v&aacute;rios desafios da sociedade em que est&aacute; inserida" (p. 163) e que "identidades raciais &#91;&hellip; &#93; n&atilde;o desaparecem rapidamente, mesmo que as condi&ccedil;&otilde;es que as refor&ccedil;am mudem" (p. 207). Na &Aacute;frica do Sul, como o Estado-na&ccedil;&atilde;o se envolveu com a turbul&ecirc;ncia da "mudan&ccedil;a", diferentes no&ccedil;&otilde;es de ra&ccedil;a se substitu&iacute;ram. Rassool comenta sobre as "longas hist&oacute;rias de racializa&ccedil;&atilde;o, substitui&ccedil;&atilde;o, retra&ccedil;&atilde;o e retra&ccedil;&atilde;o" &#91;3, p.1&#93; do povo sul-africano. Em todas essas conjunturas, reorganiza&ccedil;&otilde;es e mudan&ccedil;as turbulentas de estado e ra&ccedil;a, o multilinguismo serviu como espa&ccedil;o epist&ecirc;mico e articula&ccedil;&atilde;o semi&oacute;tica de diferentes ordens normativas racializadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos distinguir quatro per&iacute;odos distintos refletidos nas ideologias do multilinguismo que correspondem <i>grosso modo</i> a grandes mudan&ccedil;as na pol&iacute;tica e na economia do pa&iacute;s: i) o colonialismo, ii) o apartheid, iii) o acordo negociado e iv) a dispensa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica. Tra&ccedil;amos semelhan&ccedil;as estrutural-ideol&oacute;gicas subjacentes entre constru&ccedil;&otilde;es aparentemente diferentes do multilinguismo, e tentamos identificar o subtexto de ideologias paralelas e emergentes do multilinguismo <i>ainda a serem claramente articuladas</i>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Colonialismo</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O entendimento colonial das l&iacute;nguas e de seus falantes era parte integrante da gest&atilde;o do encontro colonial-imperial. Fundamentalmente, as constru&ccedil;&otilde;es de linguagem e diversidade lingu&iacute;stica europeias foram mapeadas no espa&ccedil;o lingu&iacute;stico da &Aacute;frica colonizada. O historiador Patrick Harries observa, com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; atividade lingu&iacute;stica mission&aacute;ria com a l&iacute;ngua tsonga na prov&iacute;ncia Transvaal, no nordeste do pa&iacute;s, que "muitas das verdades lingu&iacute;sticas que os mission&aacute;rios su&iacute;&ccedil;os consideravam cientificamente incontest&aacute;veis eram, na verdade, constru&ccedil;&otilde;es sociais cujas ra&iacute;zes podem ser atribu&iacute;das aos c&oacute;digos de pensamento europeus do s&eacute;culo XIX" &#91;4, p. 162&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma dessas "verdades" foi o mapeamento de idiomas para unidades de organiza&ccedil;&atilde;o limitadas, como tribos e cl&atilde;s. Essas eram no&ccedil;&otilde;es pr&eacute;-feudais europeias de organiza&ccedil;&atilde;o social que permitiam que os mission&aacute;rios categorizassem e gerenciassem "com efici&ecirc;ncia" as pessoas, de acordo com os termos que eles conheciam em seus pr&oacute;prios contextos. Da mesma forma, os colonizadores usaram paradigmas/modelos europeus de migra&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e de mistura de povos e suas l&iacute;nguas para explicar o que eles entendiam como hibridismo lingu&iacute;stico desenfreado e diversidade ca&oacute;tica da ecologia lingu&iacute;stica africana. Os mission&aacute;rios encontraram categoriza&ccedil;&otilde;es prontas dos tra&ccedil;os culturais e do esp&iacute;rito de suas tribos, mapeando-os em um modelo de rivalidade franco-alem&atilde;o onde, por exemplo, os zulus eram considerados ferozes, mas industriosos &#91;4, p. 163&#93;. Uma consequ&ecirc;ncia disso foi a cria&ccedil;&atilde;o de um imagin&aacute;rio de l&iacute;nguas ancestrais compartilhadas entre tribos, que se tornaram distintas pela separa&ccedil;&atilde;o e pela guerra, mas poss&iacute;vel de serem recuperaras por meio de ferramentas de reconstru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Veronelli refere-se &agrave; no&ccedil;&atilde;o de <b>colonialidade da linguagem</b> como a "colonialidade do poder em sua forma lingu&iacute;stica: um processo de desumaniza&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da racializa&ccedil;&atilde;o no n&iacute;vel da comunica&ccedil;&atilde;o" &#91;5, p. 408&#93;. A colonialidade refere-se aos padr&otilde;es de poder, controle e sistemas hegem&ocirc;nicos de conhecimento que continuam a determinar formas de controle e significado entre as ordens sociais, mesmo ap&oacute;s o colonialismo como uma ordem social, militar ou econ&ocirc;mica. O outro eixo da colonialidade &eacute; a modernidade, a organiza&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica das rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o. O nexo colonialidade-modernidade que sustenta as pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas sul-africanas do multilinguismo racializado do colonialismo at&eacute; hoje.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Apartheid</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Constru&iacute;da a partir de condi&ccedil;&otilde;es institucionais e estruturais anteriores &#91;6&#93;, a segrega&ccedil;&atilde;o racial como um desenho abrangente da sociedade sul-africana foi formalmente introduzida com a elei&ccedil;&atilde;o do Partido Nacional em 1945. O apartheid tratava do racismo estrutural e institucionalizado atrav&eacute;s da implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas discriminat&oacute;rias racialmente confirmadas judicialmente, por exemplo, a proibi&ccedil;&atilde;o da Lei de Casamentos Mistos de 1949. Entre os anos 1960 e 1980, o apartheid era mais conhecido sob o disfarce da Lei de &Aacute;reas de Grupo, que reservava terras privilegiadas para brancos e removeu &agrave; for&ccedil;a outras ra&ccedil;as para &aacute;reas perif&eacute;ricas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ideia de pureza racial e homogeneidade nacional do apartheid encontrou uma potente resson&acirc;ncia no cultivo politicamente arquitetado de linguagem e multilinguismo como <b>fronteira racial</b>, um investimento maci&ccedil;o em distinguir pessoas e idiomas, seguindo o princ&iacute;pio de Estado-na&ccedil;&atilde;o europeu de um "<i>volk</i>", uma na&ccedil;&atilde;o, um idioma. Devido &agrave; avers&atilde;o dos afric&acirc;neres a considerar uma conceitualiza&ccedil;&atilde;o da sua l&iacute;ngua como "o resultado de um cruzamento entre o discurso dos primeiros colonos e a tagarelice de seus escravos negros" &#91;7, p. 20&#93;, o planejamento da l&iacute;ngua dos afric&acirc;neres foi organizado em torno de tr&ecirc;s princ&iacute;pios: (a) <b>purismo diacr&ocirc;nico</b>, isto &eacute;, a ideia de que "o afric&acirc;ner &eacute; t&atilde;o branco e puro quanto a ra&ccedil;a" &#91;8&#93;; (b) <b>albocentrismo</b>, em que apenas as vers&otilde;es da l&iacute;ngua falada pelos brancos poderiam ser objeto de estudo; e (c) <b>compartimenta&ccedil;&atilde;o</b>, onde diferentes variedades do afric&acirc;ner foram estudadas como fen&ocirc;menos distintos, com as formas ent&atilde;o contempor&acirc;neas do afric&acirc;ner padr&atilde;o vistas como descendentes diretas e lineares do holand&ecirc;s e sujeitas a mudan&ccedil;as sist&ecirc;micas por fatores internos unicamente &#91;8&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A &ecirc;nfase do apartheid no "trabalho fronteiri&ccedil;o" - e sua ado&ccedil;&atilde;o da ideia do s&eacute;culo XVIII de que l&iacute;nguas &uacute;nicas eram constitutivas do Estado-na&ccedil;&atilde;o - "justificaram" a cria&ccedil;&atilde;o artificial de territ&oacute;rios para grupos etnolinguisticamente definidos e um "estado balcanizado" (as chamadas p&aacute;trias ou bantust&otilde;es) &#91;9, p. 236&#93;. Todas as tentativas anteriores de harmonizar as l&iacute;nguas africanas &#91;9, 10, 11&#93; em alguns "agrupamentos" ortograficamente unificados, como forma de neutralizar a divis&atilde;o lingu&iacute;stica arquitetada no per&iacute;odo colonial, foram anuladas pelo apartheid com a forma&ccedil;&atilde;o de comit&ecirc;s de idiomas separados em 1957.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Acordo negociado</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O acordo negociado nos anos crepusculares do estado do apartheid teve como objetivo primordial a constru&ccedil;&atilde;o de uma ordem <b>n&atilde;o-racial</b>. O Congresso Nacional Africano (ANC) adotou o n&atilde;o-racialismo como um princ&iacute;pio fundador da nova democracia. No ex&iacute;lio, isso se traduziu ideologicamente no amplo uso do ingl&ecirc;s como l&iacute;ngua do movimento de liberta&ccedil;&atilde;o, uma l&iacute;ngua percebida como neutra e como meio para igualdade, aspira&ccedil;&otilde;es e desenvolvimento nacional &#91;9&#93;. Albert Lhutuli, um dos l&iacute;deres fundadores do partido, sempre fora explicitamente a favor do ingl&ecirc;s como l&iacute;ngua de unifica&ccedil;&atilde;o e havia anteriormente rejeitado veementemente a educa&ccedil;&atilde;o em idiomas africanos (a chamada educa&ccedil;&atilde;o bantu) como artif&iacute;cio estrat&eacute;gico em nome do estado de apartheid para dividir e excluir os africanos. Em conson&acirc;ncia com isso, o Projeto Nacional de L&iacute;ngua Inglesa (Nelp) foi criado em 1985 por iniciativa de Neville Alexander. O Nelp apresentou a ideia do ingl&ecirc;s como o idioma da conex&atilde;o, juntamente com um pequeno n&uacute;mero de l&iacute;nguas secund&aacute;rias como idiomas regionais. Alexander posteriormente sugeriu tamb&eacute;m a harmoniza&ccedil;&atilde;o de dois grupos de idiomas para "unificar a na&ccedil;&atilde;o" &#91;8&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dadas as experi&ecirc;ncias frustradas entre as col&ocirc;nias rec&eacute;m-independentes que escolheram os idiomas da antiga metr&oacute;pole colonial, era inevit&aacute;vel que a promo&ccedil;&atilde;o do ingl&ecirc;s pelo Nelp fosse criticamente questionada. Em 1987, ap&oacute;s contribui&ccedil;&otilde;es de Kathleen Heugh em particular, o multilinguismo nas l&iacute;nguas africanas foi reconhecido como uma condi&ccedil;&atilde;o essencial na luta mais ampla por uma &Aacute;frica do Sul livre, democr&aacute;tica e unida. Como resultado, o Nelp foi reformulado em 1987 como o Projeto Nacional de L&iacute;nguas (PNL) &#91;8&#93;. Em particular, a PNL enfatizou a import&acirc;ncia do uso educacional das l&iacute;nguas africanas para o desenvolvimento e acesso democr&aacute;ticos e equitativos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O per&iacute;odo anterior &agrave; inaugura&ccedil;&atilde;o de uma &Aacute;frica do Sul democr&aacute;tica foi de intenso trabalho para tra&ccedil;ar os contornos de uma pol&iacute;tica multil&iacute;ngue para o novo Estado. A confer&ecirc;ncia hist&oacute;rica realizada sob os ausp&iacute;cios da PNL &agrave; beira da democracia (1991, planejada em 1987), intitulada Abordagens Democr&aacute;ticas ao Planejamento e Padroniza&ccedil;&atilde;o da Linguagem, introduziu uma amplitude e complexidade sem precedentes de entendimentos sobre o multilinguismo no debate pol&iacute;tico. Al&eacute;m de reabrir as discuss&otilde;es sobre a harmoniza&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua africana das d&eacute;cadas de 1920 e 1940, a confer&ecirc;ncia apresentou no&ccedil;&otilde;es de multilinguismo como "mais do que a soma de l&iacute;nguas individuais e balcaniza&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica" e como uma "ecologia complexa de pr&aacute;ticas lingu&iacute;sticas &#91;...&#93; que abrangem as bases e pr&aacute;ticas fluidas das l&iacute;nguas para uma constru&ccedil;&atilde;o da linguagem mais convencional e hier&aacute;rquica " &#91;12&#93; - o que Heugh denominou <b>multilinguismo funcional</b> &#91;13&#93;. Durante o per&iacute;odo de 1992-1995, uma vis&atilde;o voltada para os recursos da linguagem veio complementar os discursos iniciais sobre direitos lingu&iacute;sticos. Talvez o mais importante, embora menos notado, tenha sido o desafio &agrave; exclusividade do Estado no planejamento de idiomas e a &ecirc;nfase colocada no envolvimento necess&aacute;rio de &oacute;rg&atilde;os n&atilde;o-governamentais. Lamentavelmente, poucas dessas ideias foram seguidas no lan&ccedil;amento concreto do estado democr&aacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em retrospecto, &eacute; not&aacute;vel que pouca aten&ccedil;&atilde;o foi dada aos fundamentos raciais da ordem lingu&iacute;stica herdada pelos planejadores de idiomas. Witz e colaboradores &#91;14&#93; observam como "a ideia de ra&ccedil;as distintas e grupos &eacute;tnicos estava de alguma forma presente nas pol&iacute;ticas de acomoda&ccedil;&atilde;o e reconcilia&ccedil;&atilde;o que deram origem &agrave; &Aacute;frica do Sul p&oacute;s-apartheid em 1994, com os sul-africanos enquadrados como uma "na&ccedil;&atilde;o arco-&iacute;ris" marcada pela diversidade e muitas culturas". Rassool &#91;3&#93; observa como "tanto a ra&ccedil;a foi constru&iacute;da atrav&eacute;s de estruturas e sistemas de regras, como tamb&eacute;m foi produzida atrav&eacute;s de articula&ccedil;&otilde;es e competi&ccedil;&otilde;es em diferentes se&ccedil;&otilde;es do amplo movimento de liberta&ccedil;&atilde;o, apesar de seu antiracismo declarado". A ideia de n&atilde;o-racialismo adotou uma abordagem liberal iluminista de tratamento igual para negros e brancos, de reconhecimento, de paridade de tratamento e de incorpora&ccedil;&atilde;o legislativa nas estruturas e espa&ccedil;os p&uacute;blicos do Estado. N&atilde;o significou, portanto, o desmantelamento da ideia de ra&ccedil;a como tal. Sem a ambi&ccedil;&atilde;o do n&atilde;o-racialismo, o reconhecimento das l&iacute;nguas ind&iacute;genas e de seus falantes n&atilde;o poderia se igualar ao reconhecimento das subjetividades coloniais profundamente racializadas imbricadas nas l&iacute;nguas africanas. Tampouco poderia oferecer uma interrup&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica dos mecanismos hist&oacute;ricos do multilinguismo na reprodu&ccedil;&atilde;o continuada dessas subjetividades. Como mais um modo de racializa&ccedil;&atilde;o, o multilinguismo se tornaria aparente na implanta&ccedil;&atilde;o do "estado p&oacute;s-racial".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>A dispensa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A transi&ccedil;&atilde;o formal para a democracia ocorreu com a elei&ccedil;&atilde;o geral do ANC para o governo em 1994 e a reda&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1996. A nova pol&iacute;tica lingu&iacute;stica tornou-se parte central da substitui&ccedil;&atilde;o estrutural do Estado do apartheid. Alexander &#91;15&#93; observou que "a menos que os direitos humanos lingu&iacute;sticos, o status e o uso iguais das l&iacute;nguas africanas sejam traduzidos em pr&aacute;tica, a democratiza&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica do Sul &#91;o pa&iacute;s&#93; permanecer&aacute; no campo da mera ret&oacute;rica" (p.1). N&atilde;o &eacute; de surpreender que a implementa&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica de idiomas passou a se concentrar em estruturas institucionais, como a legaliza&ccedil;&atilde;o para incentivar a promo&ccedil;&atilde;o e o uso de idiomas africanos em todos os espa&ccedil;os p&uacute;blicos. A cren&ccedil;a no "multilinguismo" como um "instrumento" de justi&ccedil;a social e epistemol&oacute;gica foi incorporada na pol&iacute;tica nacional, nas institui&ccedil;&otilde;es estatais (educa&ccedil;&atilde;o sendo a &aacute;rea mais importante) e nas chamadas institui&ccedil;&otilde;es do cap&iacute;tulo 9, como o Pan South African Language Board (Pansalb), cujo objetivo era proteger os direitos de todos os idiomas e de seus falantes. Por meio do reconhecimento e da acomoda&ccedil;&atilde;o institucional da "diversidade", uma na&ccedil;&atilde;o outrora dividida seria unificada "maximizando o potencial democr&aacute;tico das forma&ccedil;&otilde;es sociais nas quais os sul-africanos viviam" &#91;16, p.9&#93;. Aqui, notamos o importante papel do <i>status quo</i> racial como ponto de partida para a pol&iacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tens&atilde;o identificada (embora n&atilde;o elaborada) na confer&ecirc;ncia de 1991 entre um multilinguismo das institui&ccedil;&otilde;es estatais e uma constru&ccedil;&atilde;o mais fluida e "de baixo para cima" veio &agrave; tona com a implementa&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica de L&iacute;ngua na Educa&ccedil;&atilde;o &#91;17&#93;. A reda&ccedil;&atilde;o do documento &eacute; "radicalmente" repleta de express&otilde;es como "fluidez" e do reconhecimento de uma variedade de pr&aacute;ticas e compromissos multil&iacute;ngues com os repert&oacute;rios dos alunos. No entanto, quando as propostas foram inseridas nos aspectos pr&aacute;ticos da escolariza&ccedil;&atilde;o cotidiana e institucionalizada, o que era uma constru&ccedil;&atilde;o expansiva, generosa e complexa do multilinguismo, assumiu uma rela&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica tradicional entre ingl&ecirc;s/afric&acirc;ner e idiomas africanos &#91;12&#93;. Ainda mais insidiosamente, as pol&iacute;ticas t&ecirc;m sustentado uma crescente monolingualiza&ccedil;&atilde;o como <i>modus operandi</i> no sistema escolar, e cada vez mais em &aacute;reas de grande diversidade. Est&aacute; al&eacute;m do escopo deste artigo se aprofundar nos detalhes concretos desses desenvolvimentos. No entanto, a padroniza&ccedil;&atilde;o da escolariza&ccedil;&atilde;o monol&iacute;ngue em ingl&ecirc;s &eacute; provavelmente parte de uma "captura" ou um "repovoamento" mais amplo de estruturas estatais e privadas pelas elites (pretas e brancas) para as quais o ingl&ecirc;s &eacute; um investimento de capital em mercados cada vez mais transnacionais de "brancura". Em outras palavras, apesar das boas inten&ccedil;&otilde;es de seus arquitetos, as institui&ccedil;&otilde;es estatais adotaram um clareamento monol&iacute;ngue crescente como motor dos privil&eacute;gios da elite.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>&Aacute;FRICA DO SUL P&Oacute;S-RACIAL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A tens&atilde;o identificada na confer&ecirc;ncia entre a gest&atilde;o estatal da l&iacute;ngua e as iniciativas "de baixo para cima" chegou a caracterizar explicitamente os desenvolvimentos em torno do multilinguismo na &Aacute;frica do Sul nos &uacute;ltimos cinco anos. De maneira mais geral, vertentes complexas do debate hist&oacute;rico continuam a ressurgir em diferentes configura&ccedil;&otilde;es e com diferentes partes interessadas, e as constru&ccedil;&otilde;es ideol&oacute;gicas contempor&acirc;neas do multilinguismo s&atilde;o melhor vistas como caleidosc&oacute;pios de fragmentos herdados de multilinguismos passados &#8203;&#8203;e subtextos ou respostas contempor&acirc;neos a eles. Como observado acima, a educa&ccedil;&atilde;o tem sido - e continua sendo - um dos principais locais para a produ&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o de ideologias sobre o multilinguismo. A escola &eacute; onde o entrela&ccedil;amento complexo de subjetividades, corpos e est&eacute;tica com diferentes idiomas criados sob o colonialismo e o apartheid &eacute; mais vis&iacute;vel &#91;5, 18&#93;. Trata-se de um espa&ccedil;o no contexto sul-africano em que as rela&ccedil;&otilde;es inter-raciais e "interlinguais" acontecem diariamente; e onde as tens&otilde;es em constru&ccedil;&otilde;es de linguagem e multilinguismo diferentemente racializadas, bem como as tens&otilde;es entre as bases e as institui&ccedil;&otilde;es aparecem cada vez mais no centro das aten&ccedil;&otilde;es e encontram suas articula&ccedil;&otilde;es mais expl&iacute;citas. Por um lado, a escola &eacute; uma for&ccedil;a protot&iacute;pica para integra&ccedil;&atilde;o, segrega&ccedil;&atilde;o e disciplina; por outro, &eacute; tamb&eacute;m uma institui&ccedil;&atilde;o rica em potencial de mudan&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As pol&iacute;ticas e pr&aacute;ticas escolares refletem o peso dado ao ingl&ecirc;s na sociedade sul-africana em geral e a cren&ccedil;a de que os idiomas africanos constituem um obst&aacute;culo para aprend&ecirc;-lo. Os valores coloniais e do apartheid da inferioridade das l&iacute;nguas africanas e da superioridade das l&iacute;nguas metropolitanas permanecem fortes: a equa&ccedil;&atilde;o do ingl&ecirc;s com intelig&ecirc;ncia e capacidade acad&ecirc;mica e a transmiss&atilde;o de acordo com a capacidade do idioma servem para refor&ccedil;ar os pesos e valores indexados &agrave;s l&iacute;nguas inglesa e africanas e perpetuar uma mentalidade monol&iacute;ngue &#91;19, p. 669&#93;. A variedade de ingl&ecirc;s valorizada nas escolas &eacute; o ingl&ecirc;s sul-africano branco e os repert&oacute;rios "etnolingu&iacute;sticos" de brancura em geral &#91;19&#93;, enquanto o sotaque da cidade ou o ingl&ecirc;s negro s&atilde;o deslegitimizados. Os professores deixam de ensinar disciplinas de conte&uacute;do (como matem&aacute;tica) para corrigir os alunos em, por exemplo, pontos da pron&uacute;ncia do ingl&ecirc;s. Makoe e McKinney &#91;19&#93; observam que, apesar de sua profici&ecirc;ncia multil&iacute;ngue, os falantes de l&iacute;nguas africanas s&atilde;o vistos como monol&iacute;ngues deficientes e as escolas produzem ideologias dominantes de "homogeneidade e iniquidade lingu&iacute;stica" (p. 669).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As antigas escolas de elite (brancas) est&atilde;o retirando os idiomas africanos do curr&iacute;culo, de acordo com a Nova Pol&iacute;tica de Curr&iacute;culos do Departamento de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica, segundo a qual apenas um primeiro idioma adicional deve ser oferecido, e menos tempo &eacute; fornecido no curr&iacute;culo para qualquer outro idioma que n&atilde;o o ingl&ecirc;s e o afric&acirc;ner. De fato, os pais de l&iacute;nguas africanas tamb&eacute;m expressaram tristeza com a percep&ccedil;&atilde;o de que a variedade da l&iacute;ngua africana ensinada &eacute; degradada: as escolas ensinam "zulu de cozinha", de acordo com Ntombeble Nkosi (diretor executivo da Pansalb). Isso n&atilde;o &eacute; apenas um vi&eacute;s monol&iacute;ngue, mas um vi&eacute;s espec&iacute;fico da <b>l&iacute;ngua branca</b>, uma situa&ccedil;&atilde;o que reproduz as hierarquias e os regimes lingu&iacute;sticos do apartheid &#91;20&#93;. Um "posicionamento branco" predominante em quest&otilde;es de linguagem &eacute; bem captado nas palavras de um membro de uma proeminente Funda&ccedil;&atilde;o do Corpo Governante, que declarou publicamente em 2017 que "o afric&acirc;ner &eacute; uma linguagem muito mais f&aacute;cil de dominar. N&atilde;o h&aacute; cliques, o vocabul&aacute;rio e a estrutura fazem parte da mesma fam&iacute;lia de idiomas do ingl&ecirc;s e, portanto, s&atilde;o mais f&aacute;ceis de entender".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma rea&ccedil;&atilde;o &agrave; racializa&ccedil;&atilde;o da linguagem - que ali&aacute;s tamb&eacute;m ilustra claramente as caracter&iacute;sticas corporais invasivas da "ideologia da linguagem" - vem de uma escola de elite de meninas da Cidade do Cabo. A escola costumava penalizar as crian&ccedil;as por falarem isiXhosa nas depend&ecirc;ncias da escola, anotando formalmente a transgress&atilde;o em um livro especial. A proibi&ccedil;&atilde;o de idiomas era uma parte de um discurso disciplinar "negro" mais extenso, formalizado no c&oacute;digo de conduta, que estipulava que os alunos deveriam manter seus "cabelos arrumados". Os estudantes foram literalmente castigados com as pr&oacute;prias fibras de seu corpo negro e levaram o assunto amplamente &agrave;s m&iacute;dias sociais na tentativa de alterar c&oacute;digos de conduta e propriedade antiquados modelados na brancura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um uso adicional e menos institucionalizado de v&aacute;rios idiomas como forma de contornar as categorias raciais oficiais da l&iacute;ngua est&aacute; no importante estudo de Kerfoot &#91;21&#93; com alunos do ensino fundamental em um bairro de baixa renda na Cidade do Cabo. Sua pesquisa mostrou como o uso estrat&eacute;gico dos repert&oacute;rios pelos alunos em encontros com diferen&ccedil;as (raciais) contribuiu com novos recursos de constru&ccedil;&atilde;o de identidade - tamb&eacute;m como forma de moldar novas ordens de intera&ccedil;&atilde;o -, hierarquias de valor reestruturadas, indexicalidades subvertidas e, &agrave;s vezes, categorias raciais ressignificadas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Qualquer no&ccedil;&atilde;o singular de multilinguismo obscurece a longa e inst&aacute;vel ideia de linguagem e oculta a complexidade e multiplicidade <i>de facto</i> do multilinguismo como resposta plural a momentos de transi&ccedil;&atilde;o turbulenta. Ao longo da hist&oacute;ria da &Aacute;frica do Sul, estruturas, pol&iacute;ticas e institui&ccedil;&otilde;es do Estado envolveram-se com constru&ccedil;&otilde;es do Estado-na&ccedil;&atilde;o profundamente racializadas, com o objetivo de construir, separar e desempoderar "ra&ccedil;as n&atilde;o-brancas" ou com o objetivo de promover a transforma&ccedil;&atilde;o social atrav&eacute;s da abordagem de desigualdades historicamente baseadas na ra&ccedil;a. Em ambos os casos, o padr&atilde;o &eacute; uma celebra&ccedil;&atilde;o da "brancura", em si uma constru&ccedil;&atilde;o em constante mudan&ccedil;a &#91;22&#93;, profundamente enredada na mercantiliza&ccedil;&atilde;o transnacional e neoliberal. Construtos do multilinguismo t&ecirc;m sido centrais como locais epistemol&oacute;gicos e estrat&eacute;gicos para o jogo da din&acirc;mica estatal racializada. Eles foram fortemente determinados pelas fronteiras raciais, desde o in&iacute;cio do primeiro contato colonial at&eacute; hoje. Como parte de um regime discursivo mais amplo, ou bateria de procedimentos hist&oacute;ricos e discursos institucionalizados, eles ajudaram a invisibilizar ou disciplinar o corpo negro, ou tentaram estiliz&aacute;-lo e suas rela&ccedil;&otilde;es com a brancura. Analisamos brevemente como fragmentos de ideologias do multilinguismo institucionalmente racializadas aparecem nos pensamentos e pr&aacute;ticas contempor&acirc;neos do cotidiano, e focamos especificamente em como os falantes desdobram e tentam contornar (nem sempre com sucesso) essas constru&ccedil;&otilde;es da linguagem em sua pr&aacute;tica cotidiana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como conclus&atilde;o breve, &eacute; claramente necess&aacute;rio repensar o multilinguismo como uma "semi&oacute;tica da relacionalidade", a articula&ccedil;&atilde;o na(s) l&iacute;ngua(s) (ou outras formas de semiose) das rela&ccedil;&otilde;es entre indiv&iacute;duos, grupos e/ou institui&ccedil;&otilde;es, e seu papel como local de contesta&ccedil;&atilde;o racial. Um multilinguismo repensado pode fornecer um espa&ccedil;o necess&aacute;rio para pensar o "desfazer" da ra&ccedil;a.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTA E REFER&Ecirc;NCIAS:</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Woorlard, K. A. "Introduction language ideology as a field of inquiry". In: Schieffelin, B. B.; Woolard, K. A.; Kroskrity, P. V. (eds) <i>Language ideologies: Practice and theory</i>, vol. 16. Oxford University Press. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Marx, A. "Race-making and the Nation-State". <i>World Politics</i>, 48(2), 180-208. 1996. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.jstor.org/stable/25053960" target="_blank">http://www.jstor.org/stable/25053960</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.  Rassool, C. "The politics of nonracialism in South Africa". <i>Public Culture</i>, 1 may 2019,31(2): 343-371. 2019. Doi: <a href="https://doi.org/10.1215 /08992363-7286861" target="_blank">https://doi.org/10.1215 /08992363-7286861</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Harries, P. "The roots of ethnicity: discourse and the policy of language construction in South Africa". <i> Africa Affairs,</i> 87 (346): 25-52. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Veronelli, G. "A coalitional approach to theorizing decolonial communication". <i>Hypatia,</i> 31(2): 404-422. 2016.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Um momento importante (n&atilde;o abordado aqui) foi a derrota racializada na guerra sul-africana dos afric&acirc;neres pelos brit&acirc;nicos e a forma&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o da &Aacute;frica do Sul. Rasool observa que os afric&acirc;nderes, uma popula&ccedil;&atilde;o crioula de ascend&ecirc;ncia escrava e khoesana, definitivamente acabaram ficando brancos somente nesse momento. Essa brancura deveria se afirmar no nacionalismo afric&acirc;ner e depois no apartheid.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Barnouw, A. J. <i>Language and race problems in South Africa</i>. Springer, Dordrecht. 1934.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Valkhoff, M. F. "Descriptive bibliography of the linguistics of afrikaans: a survey of major works and authors". In: Sebeok, T. A. (ed). <i>Current trends in linguistics. The hague: Mounton &amp; Co</i>, pp.455-500. 1971.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Heugh, K. 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<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Nhlapo, J. <i>Bantu Babel: will the Bantu languages live?</i> The Sixpenny Library (vol. 4). Cape Town: The African Bookman. 1944.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Nhlapo, J. <i>Nguni and Sotho</i>. Cape Town: The African Bookman. 1945.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Heugh, K.; Stroud, C. "Multilingualism in South African education". In: Hickey, R. (ed.). <i>English in multilingual South Africa</i>. Cambridge: Cambridge University Press. 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Heugh, K. "Draft outline: a plan to operationalise language as an economic resource". Prepared for the Sub-Committee on Language as an Economic Resource, Langtag. 22 March. 1996.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Witz, L.; Gray, M.; Rassool, C. <i>Unsettling history: making South African pasts</i>. Ann Arbor: Univarsity of Michigan Press. 2017.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Alexander, N. "The political economy of the harmonisation of the Nguni and the Sotho languages". <i>Lexikos 8,</i> (8): 269-275. 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Alexander, N. "The african renaissance and the use of african languages in tertiary education". <i>Praesa Occasional Papers n. 13</i>. Cape Town, RSA: Praesa. 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Department of Education. <i>Language in Education Policy.</i> Pretoria: Department of Education. 1997.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18. Williams, Q. E.; Stroud, C. "Linguistic citizenship: language and politics in postnational modernities". In: Milani, T. (ed.). <i>Language and citizenship: broadening the agenda,</i> pp. 89-112. Amsterdam: John Benjamins Publishing Company. 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">19. Mckinney, C. <i>Language and power in post-colonial school: ideologies in practice</i>. New York and London: Routledge. 2016.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">20. Makoe, P.; McKinney, C. "Linguistic ideologies in multilingual South African suburban schools". <i>Journal of Multilingual and Multicultural Development, </i>35(7). Doi: 10.1080/01434632.2014.908889. pp. 1-16. 2014.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">21. Kerfoot, C. "Speaking of, for, and with others: some methodological considerations." <i>Stellenbosch Papers in Linguistics Plus</i>, <i>49</i>(1), pp.331-341. 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">22. Alcoff, L. M. <i>The future of whiteness</i>. Cambridge John Wiley &amp; Sons. 2015.    </font></p>      ]]></body><back>
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