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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Educação escolar indígena no Brasil: multilinguismo e interculturalidade em foco]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   MULTILINGUISMO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Educa&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena no Brasil: multilinguismo e interculturalidade em foco</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Edleise Mendes</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora associada da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde atua na gradua&ccedil;&atilde;o em letras e no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em L&iacute;ngua e Cultura (PPGLinC). Possui variadas publica&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea da lingu&iacute;stica aplicada, especialmente no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica, com especial interesse no ensino e na forma&ccedil;&atilde;o de professores de l&iacute;nguas, no desenvolvimento de materiais e abordagens com enfoque intercultural e decolonial</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CEN&Aacute;RIO INICIAL: OS DESAFIOS DA DIVERSIDADE</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Em diferentes contextos de contato entre l&iacute;nguas e culturas, enfrentamos os desafios de compreender a diversidade atrav&eacute;s do modo como as pessoas, dependendo da situa&ccedil;&atilde;o, interagem com outras, comunicam-se e projetam suas identidades. No contexto contempor&acirc;neo do ensino de l&iacute;nguas, esses espa&ccedil;os cada vez mais complexos exigem de gestores, pesquisadores e professores a elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas lingu&iacute;sticas que promovam a cria&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas de di&aacute;logo intercultural capazes de construir a coopera&ccedil;&atilde;o entre pessoas e sociedades. Nessa perspectiva, as l&iacute;nguas podem desempenhar um papel importante como mediadoras, atuando como espa&ccedil;os de negocia&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento, atrav&eacute;s da valoriza&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a e da promo&ccedil;&atilde;o da diversidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil &eacute; um pa&iacute;s diverso do ponto de vista lingu&iacute;stico e cultural e est&aacute; entre os dez pa&iacute;ses mais multil&iacute;ngues do mundo, entre os quais est&atilde;o a &Iacute;ndia, a Indon&eacute;sia e a China, por exemplo. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), foram registradas no Censo de 2010, 274 l&iacute;nguas ind&iacute;genas faladas, e a essas se somam em torno de 50 l&iacute;nguas de imigra&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da Libras (L&iacute;ngua Brasileira de Sinais) e do portugu&ecirc;s, que &eacute; a l&iacute;ngua majorit&aacute;ria. Essa enorme diversidade representa um grande desafio para o sistema educacional, sobretudo quando consideramos as comunidades falantes de outras l&iacute;nguas que n&atilde;o o portugu&ecirc;s, como as comunidades ind&iacute;genas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com dados da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio (Funai), a popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena brasileira, desde 1500 at&eacute; a d&eacute;cada de 1970, decresceu bastante e muitos povos e suas l&iacute;nguas foram extintos, tendo a popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena saltado de tr&ecirc;s milh&otilde;es em 1500 para 70 mil em 1957 (<a href="/img/revistas/cic/v71n4/a13tab01.jpg">tabela e gr&aacute;fico 1</a>).  Embora os relatos hist&oacute;ricos lamentem esse exterm&iacute;nio e ressaltem o impacto desse acontecimento para o Brasil, grande parte da popula&ccedil;&atilde;o brasileira n&atilde;o percebe que, de certo modo, outras formas de exterm&iacute;nio continuam em curso no pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da d&eacute;cada de 1970, como mostram a <a href="/img/revistas/cic/v71n4/a13tab01.jpg">tabela</a> e o <a href="/img/revistas/cic/v71n4/a13tab01.jpg">gr&aacute;fico 1</a>, a popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena come&ccedil;ou a crescer, principalmente, porque os mecanismos de monitoramento dessa popula&ccedil;&atilde;o mudaram, com a inclus&atilde;o dos ind&iacute;genas no Censo demogr&aacute;fico nacional a partir de 1991.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dados do &uacute;ltimo Censo demogr&aacute;fico realizado pelo IBGE mostram que, em 2010, a popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena brasileira era de 817.963 pessoas, das quais 502.783 viviam na zona rural e 315.180 habitavam as zonas urbanas brasileiras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As comunidades ind&iacute;genas est&atilde;o espalhadas nas cinco regi&otilde;es brasileiras, em todos os estados da federa&ccedil;&atilde;o, inclusive no Distrito Federal (DF). No entanto, &eacute; na regi&atilde;o Norte onde h&aacute; a maior concentra&ccedil;&atilde;o de ind&iacute;genas, com 305.873 pessoas, o que representa 37,4% do total, como mostra o <a href="#gra2">gr&aacute;fico 2</a>.</font></p>     <p><a name="gra2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n4/a13gra02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Norte, &eacute; o estado do Amazonas que apresenta o maior n&uacute;mero de ind&iacute;genas, representando 55% do total da regi&atilde;o. A regi&atilde;o Nordeste &eacute; a segunda com maior concentra&ccedil;&atilde;o de ind&iacute;genas, com 25,51% em rela&ccedil;&atilde;o ao total nacional. O Sul, por outro lado, apresenta a menor concentra&ccedil;&atilde;o de ind&iacute;genas do pa&iacute;s, com 9,1% do total.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As comunidades ind&iacute;genas, apesar de contarem com um maior monitoramento e prote&ccedil;&atilde;o do Estado do que h&aacute; algumas d&eacute;cadas, ainda convivem com muitos problemas, entre eles o acelerado processo de mudan&ccedil;a social, causado, sobretudo, pelo contato e aproxima&ccedil;&atilde;o com outras comunidades n&atilde;o ind&iacute;genas. Como resultado, essas comunidades vivem a constante amea&ccedil;a de invas&atilde;o de suas terras, a falta de recursos para o seu sustento devido &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, a pobreza, a prostitui&ccedil;&atilde;o, o alcoolismo, entre outros problemas. Esses aspectos afetar&atilde;o diretamente a organiza&ccedil;&atilde;o escolar dessas comunidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos &uacute;ltimos anos, por exemplo, temos assistido a uma regress&atilde;o das pol&iacute;ticas de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena, sobretudo a partir de 2016, quando os interesses e a&ccedil;&otilde;es governamentais voltam-se para o estudo de novas formas de explora&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas demarcadas e para a revis&atilde;o de direitos j&aacute; assegurados a essas comunidades, criando inseguran&ccedil;a e incerteza. Nesse cen&aacute;rio, mais uma vez, a quest&atilde;o educacional passa a ser secund&aacute;ria, visto que h&aacute; lutas mais urgentes a serem travadas pela sociedade, como a prote&ccedil;&atilde;o das reservas naturais contra a explora&ccedil;&atilde;o predat&oacute;ria e a defesa dos modos de vida de muitas comunidades ind&iacute;genas que hoje est&atilde;o sendo afetadas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A EDUCA&Ccedil;&Atilde;O ESCOLAR IND&Iacute;GENA DIFERENCIADA, INTERCULTURAL, BIL&Iacute;NGUE/MULTIL&Iacute;NGUE E COMUNIT&Aacute;RIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> A partir da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 &#91;1&#93;, a realidade para os ind&iacute;genas mudou porque eles deixaram de ser vistos como seres incapazes, tutelados e benefici&aacute;rios de pol&iacute;ticas assistencialistas, para tornarem-se valorizados de acordo com suas diferen&ccedil;as e com sua pluralidade &eacute;tnica, lingu&iacute;stica e cultural. A partir desse momento, novas pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es, baseadas em vis&otilde;es conceituais e jur&iacute;dicas mais democr&aacute;ticas e respeitosas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; diversidade, passaram a ser implementadas, assegurando &agrave;s comunidades ind&iacute;genas o direito de preservarem as suas l&iacute;nguas e culturas, a viverem em suas terras e a terem, consequentemente, uma educa&ccedil;&atilde;o diferenciada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Agrave;s comunidades ind&iacute;genas, desse modo, foi assegurado o direito a uma educa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, diferenciada, intercultural, bil&iacute;ngue/multil&iacute;ngue e comunit&aacute;ria, de acordo com a legisla&ccedil;&atilde;o nacional que estabelece as bases da educa&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena brasileira. Ainda de acordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 e a Lei Nacional de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o (LDB, 1996), a coordena&ccedil;&atilde;o nacional das pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena &eacute; de responsabilidade do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC), e cabe aos estados e munic&iacute;pios realizarem a&ccedil;&otilde;es para garantir esse direito aos povos ind&iacute;genas. No entanto, a maneira como as pol&iacute;ticas s&atilde;o organizadas para essas escolas tem sido desigual, inconstante e irregular, dependendo da regi&atilde;o e do governo estadual ou municipal que as executa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo a Funai, um dos maiores desafios da pol&iacute;tica indigenista brasileira, incluindo a pol&iacute;tica educacional, "&eacute; melhorar a integra&ccedil;&atilde;o e sinergia das a&ccedil;&otilde;es do governo federal em parceria com estados, munic&iacute;pios e sociedade civil, com vistas a maior efici&ecirc;ncia e efic&aacute;cia das pol&iacute;ticas" &#91;2&#93;.  O fato &eacute; que passados mais de 30 anos da promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, os povos ind&iacute;genas ainda enfrentam muitas dificuldades e conflitos, sobretudo, como j&aacute; ressaltei anteriormente, pela constante invas&atilde;o de suas terras por madeireiros, garimpeiros, agropecuaristas, empresas de explora&ccedil;&atilde;o de min&eacute;rios, entre outros, sempre orientados pelo lucro, em detrimento das vidas e da preserva&ccedil;&atilde;o dos povos ind&iacute;genas e suas l&iacute;nguas e culturas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na &aacute;rea de forma&ccedil;&atilde;o de professores, o acesso crescente ao ensino superior nos &uacute;ltimos 10 anos, atrav&eacute;s de vagas complementares e/ou vestibular espec&iacute;fico, al&eacute;m do estabelecimento de cursos especiais para a forma&ccedil;&atilde;o de professores ind&iacute;genas no n&iacute;vel superior - as licenciaturas interculturais ind&iacute;genas - t&ecirc;m contribu&iacute;do para melhorar o panorama. Uma das a&ccedil;&otilde;es importantes nesse campo, implementada em 2013, &eacute; o Programa Bolsa Perman&ecirc;ncia MEC (MEC/Funai), que fornece apoio financeiro a estudantes ind&iacute;genas que ingressam no ensino superior, como meio de suprir a dificuldade que eles t&ecirc;m em se manter nas cidades ao longo do seu per&iacute;odo de curso, sobretudo porque a maior parte deles &eacute; egressa de comunidades com poucos recursos financeiros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar desses avan&ccedil;os e de boas perspectivas de aprimoramento, a educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena e, consequentemente, a atua&ccedil;&atilde;o das l&iacute;nguas ind&iacute;genas nas escolas n&atilde;o &eacute; uma constante em todo o pa&iacute;s. De acordo com dados do Censo Escolar 2018 &#91;3&#93;, h&aacute; 3.085 escolas ind&iacute;genas no Brasil, com 285 mil estudantes e em torno de 20 mil professores. No entanto, esses mesmos dados mostram que h&aacute; apenas 1.961 professores ind&iacute;genas formados pelas licenciaturas interculturais ind&iacute;genas para atuar especificamente nessas escolas. Ainda que os n&uacute;meros sejam t&iacute;midos, diante do quantitativo total de professores, o surgimento dessas licenciaturas foi um grande ganho para a educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC), atrav&eacute;s de uma iniciativa que reuniu duas de suas secretarias - a Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o a Dist&acirc;ncia, Alfabetiza&ccedil;&atilde;o e Diversidade (Secad) e a Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o de Ensino Superior (Sesu) -, criou, a partir de 2000, o Programa de Apoio &agrave; Forma&ccedil;&atilde;o Superior e Licenciaturas Interculturais Ind&iacute;genas (Prolind), que tem como objetivo "apoiar financeiramente cursos de licenciatura especificamente destinados &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de professores de escolas ind&iacute;genas, as chamadas licenciaturas ind&iacute;genas ou licenciaturas interculturais" &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir do trabalho do Prolind e de especialistas convidados para discutir a quest&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o superior de professores ind&iacute;genas, surgiram, em 2005, as diretrizes pol&iacute;tico-pedag&oacute;gicas do Prolind, publicadas no edital n.º 5/2005/ Sesu/Secad-MEC. A partir desse primeiro edital, diferentes institui&ccedil;&otilde;es de n&iacute;vel superior p&uacute;blicas (federais e estaduais) enviaram seus projetos. Hoje, s&atilde;o pouco mais de 20 institui&ccedil;&otilde;es que oferecem essas licenciaturas. Isso se d&aacute; pelo fato de que somente nos anos de 2008 e 2009 foram lan&ccedil;ados outros instrumentos, como o primeiro edital de 2005, possibilitando a cria&ccedil;&atilde;o de novos projetos &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m dessa iniciativa, &eacute; importante salientar o permanente e importante trabalho de forma&ccedil;&atilde;o de professores desenvolvido por muitos estados e munic&iacute;pios, sobretudo da regi&atilde;o Norte do pa&iacute;s, mas n&atilde;o somente, nos diferentes projetos dos magist&eacute;rios ind&iacute;genas, muito anteriores &agrave; implanta&ccedil;&atilde;o das licenciaturas interculturais ind&iacute;genas. Tal trabalho tem sido desenvolvido, sobretudo, a partir da d&eacute;cada de 1990,  embora os dados a esse respeito sejam de dif&iacute;cil consolida&ccedil;&atilde;o. Considerando-se informa&ccedil;&otilde;es atuais, por exemplo, ressalto a atua&ccedil;&atilde;o da Secretaria de Estado da Educa&ccedil;&atilde;o do Governo do Amazonas, que, dentro do Projeto Pirayawara, alcan&ccedil;ou, em 2019, 37 munic&iacute;pios do estado e formou, at&eacute; o momento, 288 professores, projetando para 2020 mais 424 docentes que receber&atilde;o o diploma do magist&eacute;rio ind&iacute;gena. Esse projeto tem como principal objetivo "a formula&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica que atribua lugar e fun&ccedil;&atilde;o &agrave; escola ind&iacute;gena, com o intuito de proporcionar a forma&ccedil;&atilde;o desses professores com efetiva participa&ccedil;&atilde;o da comunidade" &#91;5&#93;. Com um curr&iacute;culo diferenciado, com base em uma metodologia que valoriza os conhecimentos tradicionais das comunidades beneficiadas, o projeto atingiu os ind&iacute;genas das etnias Bar&eacute;, Tukano e Makunadeb.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar dessas importantes iniciativas, ainda &eacute; necess&aacute;rio que as comunidades ind&iacute;genas ampliem o n&uacute;mero de professores formados para trabalhar na rede escolar por meio do ensino superior. Isto se d&aacute; porque, embora as a&ccedil;&otilde;es das secretarias estaduais (atrav&eacute;s dos magist&eacute;rios ind&iacute;genas) e as licenciaturas interculturais ind&iacute;genas venham contribuindo para a forma&ccedil;&atilde;o de professores para atuarem nesse contexto espec&iacute;fico, em diferentes idiomas e em diferentes partes do pa&iacute;s, as oportunidades e vagas ainda s&atilde;o insuficientes para atender &agrave;s necessidades das comunidades ind&iacute;genas em todo o Brasil, de modo a assegurar, de fato, uma educa&ccedil;&atilde;o bil&iacute;ngue e intercultural.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando-se, por exemplo, a cria&ccedil;&atilde;o das licenciaturas interculturais ind&iacute;genas, em 2005, somente nos anos de 2008 e 2009 foram abertos outros editais para a inclus&atilde;o de novos projetos e a consequente participa&ccedil;&atilde;o de novas institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior p&uacute;blicas, federais e estaduais. Isto n&atilde;o significa, necessariamente, um retrocesso em rela&ccedil;&atilde;o a uma pol&iacute;tica de forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para professores ind&iacute;genas, mas sim uma certa estagna&ccedil;&atilde;o ou lentid&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao atendimento das demandas nacionais. Se considerarmos o crescimento do n&uacute;mero de estudantes ind&iacute;genas que avan&ccedil;am na escolariza&ccedil;&atilde;o e alcan&ccedil;am o ensino m&eacute;dio, podemos antever uma grande defasagem entre as oportunidades de vagas oferecidas e um grande p&uacute;blico potencial que poderia estar sendo formado para atuar nas mais de tr&ecirc;s mil escolas ind&iacute;genas do Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro grande e importante desafio relaciona-se &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de materiais bil&iacute;ngues, que considerem as l&iacute;nguas maternas de cada uma das comunidades beneficiadas, ao inv&eacute;s do uso de materiais gen&eacute;ricos, produzidos em escala nacional, e que n&atilde;o atendem aos anseios das comunidades escolares. Esse aspecto tem sido um grande impedimento para que os objetivos de uma educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena multil&iacute;ngue e multicultural se efetive.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tokarnia, que entrevistou gestores e professores da rede escolar ind&iacute;gena, registra que "ir para a escola e assistir aulas em outro idioma, n&atilde;o conhecer a pr&oacute;pria hist&oacute;ria, aprender a hist&oacute;ria de outro povo e ter exemplos estranhos &agrave; realidade em que se vive &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o que parece irreal" &#91;6&#93;. Essa, no entanto, &eacute; a realidade de muitas crian&ccedil;as e jovens ind&iacute;genas, ela afirma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Censo Escolar de 2015 tamb&eacute;m mostrou que pouco mais de 50% das escolas ind&iacute;genas t&ecirc;m materiais did&aacute;ticos espec&iacute;ficos para o grupo &eacute;tnico, embora os relatos de professores, gestores e pesquisadores, em muitas partes do pa&iacute;s, afirmem que esse n&uacute;mero &eacute; muito mais baixo do que o apontado pelo Censo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O terceiro grande desafio, que afeta diretamente a implementa&ccedil;&atilde;o dos aspectos j&aacute; ressaltados anteriormente, &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de um sistema de avalia&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena eficiente, que possa acompanhar e avaliar o desempenho dos diferentes agentes no sistema escolar, desde a efetiva&ccedil;&atilde;o dos planos pol&iacute;ticos e pedag&oacute;gicos estabelecidos pelas redes municipais e estaduais at&eacute; o desempenho dos agentes em cada contexto escolar, como gestores, professores, entre outros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao apresentar as a&ccedil;&otilde;es desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Evaluaci&oacute;n Educativa (Inee) do M&eacute;xico, Schmelkes &#91;7&#93; ressalta que o objetivo de toda avalia&ccedil;&atilde;o educacional deve ser contribuir para a melhoria da educa&ccedil;&atilde;o, desse modo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"&#91;&hellip;&#93; avalia&ccedil;&otilde;es com uma abordagem intercultural devem servir  para a melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem, bem como outros indicadores educacionais como acesso escolar e reten&ccedil;&atilde;o, com o objetivo de diminuir a iniquidade nesses indicadores e no desempenho educacional, e para promover o desenvolvimento de uma sociedade que valoriza sua diversidade" &#91;7&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse breve cen&aacute;rio nos mostra que falta um incremento de pol&iacute;ticas mais efetivas para que a educa&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena, tal como assegurada em lei, possa de fato se efetivar. Como ressalta Sobrinho &#91;8&#93;, as escolas ind&iacute;genas n&atilde;o podem ser vistas como um conjunto homog&ecirc;neo e singular, visto que elas possuem um hist&oacute;rico de implanta&ccedil;&atilde;o diferenciado em cada comunidade, pois s&atilde;o reivindicadas por seus povos a partir de interesses e necessidades distintos, apesar das finalidades educacionais serem comuns. Desse modo, a escola, "sendo uma institui&ccedil;&atilde;o de origem n&atilde;o ind&iacute;gena, &eacute; ressignificada pelos povos ind&iacute;genas de acordo com seu projeto societ&aacute;rio, e a legisla&ccedil;&atilde;o em vigor garante-lhe um tratamento diferenciado, de acordo com as especificidades de cada povo" &#91;8&#93;. Nessa perspectiva, toda a organiza&ccedil;&atilde;o escolar deve respeitar as especificidades de cada comunidade, as quais devem ser evidenciadas nos curr&iacute;culos, nos materiais did&aacute;ticos produzidos, nas abordagens de ensino, na avalia&ccedil;&atilde;o e na forma&ccedil;&atilde;o de professores, entre outros aspectos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>UMA ESCOLA BIL&Iacute;NGUE E INTERCULTURAL? ALGUNS APONTAMENTOS CR&Iacute;TICOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, muitos estudos e pesquisas desenvolvidos no campo do ensino/aprendizagem de l&iacute;nguas e de outros conte&uacute;dos escolares t&ecirc;m-se dedicado a discutir a import&acirc;ncia da cultura e das rela&ccedil;&otilde;es interculturais como dimens&otilde;es integrantes do processo de aprendizagem. Essa preocupa&ccedil;&atilde;o tem como princ&iacute;pio o fato de que ensinar e aprender no espa&ccedil;o escolar s&atilde;o processos complexos, que envolvem mais do que ensinar conte&uacute;dos, mas significam a constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento partilhado, produzido em espa&ccedil;os h&iacute;bridos de negocia&ccedil;&atilde;o cultural e identit&aacute;ria. Nesses espa&ccedil;os de negocia&ccedil;&atilde;o, as l&iacute;nguas representam um papel muito importante como mediadoras interculturais. Para se compreender esse papel, &eacute; importante que compreendamos o sentido que damos &agrave; l&iacute;ngua nesse contexto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A l&iacute;ngua n&atilde;o faz parte da cultura ou vice-versa, a l&iacute;ngua &eacute; a pr&oacute;pria cultura - uma <i>linguacultura</i>. Assim, olhar para a l&iacute;ngua &eacute; olhar para os indiv&iacute;duos que a utilizam e os contextos hist&oacute;rico, cultural, pol&iacute;tico e econ&ocirc;mico em que as intera&ccedil;&otilde;es ocorrem. Al&eacute;m disso, produzir conhecimento sobre a l&iacute;ngua e dentro dela &eacute; necessariamente olhar para o que est&aacute; al&eacute;m dela. Uma linguacultura &eacute; o pr&oacute;prio lugar de intera&ccedil;&atilde;o, &eacute; pr&aacute;tica social, &eacute; o modo como somos e agimos no mundo, e que n&atilde;o se mant&eacute;m presa a uma ideia de pa&iacute;s ou na&ccedil;&atilde;o. Ela representa uma certa maneira de interpretar a realidade e de inserir um grupo social no mundo que o cerca.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da mesma forma, a cultura n&atilde;o &eacute; algo que est&aacute; fora do que produzimos ao viv&ecirc;-la. N&atilde;o &eacute; apenas um conte&uacute;do a ser ensinado e transmitido de pai para filho, como um ba&uacute; de recorda&ccedil;&otilde;es. A cultura precisa ser entendida como uma rede, uma matriz geradora de sentidos, como uma complexa rede de significados que s&atilde;o interpretados por elementos que fazem parte da mesma realidade social, que a modificam e s&atilde;o modificados por ela. A cultura &eacute; uma dimens&atilde;o que n&atilde;o existe sem a realidade social que lhe serve de ambiente - &eacute; a vida em sociedade e as rela&ccedil;&otilde;es dos indiv&iacute;duos que moldam e definem os fen&ocirc;menos culturais, e n&atilde;o o contr&aacute;rio &#91;9, 10, 11, 12, 13&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso do Brasil, n&atilde;o existe uma cultura brasileira singular, mas culturas que interagem no mesmo espa&ccedil;o de conviv&ecirc;ncia, experimentando movimentos de aproxima&ccedil;&atilde;o e de tens&atilde;o, regulados pelas rela&ccedil;&otilde;es de poder e pelo tr&acirc;nsito de identidades. A cultura brasileira, como todas as culturas, &eacute; um caleidosc&oacute;pio, uma multiplicidade de refer&ecirc;ncias que s&atilde;o interpretadas por todos aqueles que dela se aproximam. As comunidades ind&iacute;genas, dentro desse caleidosc&oacute;pio, ampliam esse car&aacute;ter complexo e multidimensional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando esses princ&iacute;pios e ideias, podemos entender que o intercultural n&atilde;o existe como algo que est&aacute; pronto, visto que precisa ser criado, constru&iacute;do, cultivado. Nesse sentido, a dimens&atilde;o multicultural das sociedades contempor&acirc;neas &eacute; uma realidade, mas a a&ccedil;&atilde;o intercultural precisa ser constru&iacute;da, porque ela n&atilde;o existe sen&atilde;o atrav&eacute;s do desejo e do trabalho humanos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A interculturalidade, portanto, &eacute; um esfor&ccedil;o e uma a&ccedil;&atilde;o, ambos compostos por um conjunto de atitudes capazes de:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">a) estimular comportamentos comprometidos com princ&iacute;pios que defendem o respeito ao outro, &agrave;s diferen&ccedil;as, &agrave; diversidade lingu&iacute;stica e cultural que caracteriza todo processo de ensino / aprendizagem;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">b)  promover a intera&ccedil;&atilde;o, a integra&ccedil;&atilde;o e a coopera&ccedil;&atilde;o entre indiv&iacute;duos de diferentes contextos culturais, criando &aacute;reas de negocia&ccedil;&atilde;o, de interse&ccedil;&atilde;o - um <i>entrelugar</i>;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">c) contribuir para a erradica&ccedil;&atilde;o de todos os tipos de discrimina&ccedil;&atilde;o, de preconceito e de atitudes que ofendem e prejudicam os indiv&iacute;duos e/ou seus direitos b&aacute;sicos e universais, nos espa&ccedil;os de sala de aula e tamb&eacute;m fora deles.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir dessa breve discuss&atilde;o, podemos compreender que para assegurar a constru&ccedil;&atilde;o de um espa&ccedil;o intercultural dentro das escolas ind&iacute;genas &eacute; necess&aacute;ria a constru&ccedil;&atilde;o de uma abordagem de ensino intercultural que, entre outras coisas, forne&ccedil;a a professores e alunos o ambiente necess&aacute;rio para que as experi&ecirc;ncias de ensinar e aprender sejam tamb&eacute;m experi&ecirc;ncias de explora&ccedil;&atilde;o, de an&aacute;lise, de observa&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica de pessoas, situa&ccedil;&otilde;es e a&ccedil;&otilde;es. A sala de aula deve ser, nesse sentido, um ambiente prop&iacute;cio para a constante observa&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise, transformando cada professor e cada aluno em etn&oacute;grafos da sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho desenvolvido pelo Curso de Licenciatura Intercultural Ind&iacute;gena Pol&iacute;ticas Educacionais e Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, implantado no campus de S&atilde;o Gabriel da Cachoeira da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), no Alto Rio Negro, &eacute; um exemplo de como &eacute; poss&iacute;vel a constru&ccedil;&atilde;o de um projeto diferencial que, entre outros aspectos, respeita e inclui as especificidades das comunidades ind&iacute;genas envolvidas, com a participa&ccedil;&atilde;o direta das pr&oacute;prias comunidades. Com a parceria da Federa&ccedil;&atilde;o das Organiza&ccedil;&otilde;es Ind&iacute;genas do Rio Negro (Foirn) e da Secretaria Municipal de Educa&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Gabriel da Cachoeira (Semed/SCG), o projeto foi discutido amplamente com as comunidades ind&iacute;genas de 2005 at&eacute; ser implantado, em 2009. O curso foi organizado de acordo com o territ&oacute;rio das tr&ecirc;s l&iacute;nguas cooficiais do munic&iacute;pio - nheengatu, tukano e baniwa -, ofertando cento e vinte vagas, inicialmente, distribu&iacute;das em tr&ecirc;s turmas de quarenta alunos cada uma.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m da participa&ccedil;&atilde;o direta das comunidades na constru&ccedil;&atilde;o do projeto, desde o in&iacute;cio, essa iniciativa inovou no modo como concebeu a estrutura curricular do curso, atrav&eacute;s da metodologia do "ensino via pesquisa", possibilitando que os diferentes projetos fossem realizados nas l&iacute;nguas de instru&ccedil;&atilde;o do curso. Desse modo, essa perspectiva metodol&oacute;gica valoriza a diversidade lingu&iacute;stica e cultural, favorecendo a apropria&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos pelos professores em forma&ccedil;&atilde;o de modo din&acirc;mico, ativo e contextualizado, revertendo, de acordo com Faria e Oliveira &#91;14&#93;, "o processo de coloniza&ccedil;&atilde;o de conhecimento a que foram historicamente submetidos. Caminha-se, desse modo, para um cen&aacute;rio de descoloniza&ccedil;&atilde;o do saber, regido pela pluralidade e pelo reconhecimento da autodetermina&ccedil;&atilde;o dos povos ind&iacute;genas" (p. 97).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ensino via pesquisa apresenta uma vis&atilde;o de curr&iacute;culo aberto e que se estrutura a partir de problem&aacute;ticas formuladas pelos pr&oacute;prios alunos, para serem depois trabalhadas processualmente, &agrave; medida que eles avan&ccedil;am em sua forma&ccedil;&atilde;o. Desse modo, as pesquisas permitem o desenvolvimento de habilidades variadas, sendo os alunos o centro do seu pr&oacute;prio desenvolvimento intelectual. O foco do curr&iacute;culo, ent&atilde;o, &eacute; identificar e discutir os interesses e os contextos de vida dos discentes, para que se formulem, a partir desses interesses e contextos, as pesquisas que desenvolver&atilde;o. Assim, o curr&iacute;culo organiza-se de modo <i>post-factum</i>, "porque somente ao final do curso, cumprida uma carga hor&aacute;ria pr&eacute;-estabelecida e realizados os requisitos de produ&ccedil;&atilde;o (monogr&aacute;ficos, trabalhos de conclus&atilde;o de curso etc.) &eacute; que se tem uma descri&ccedil;&atilde;o completa dos conhecimentos e procedimentos utilizados" &#91;14, p. 86&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A experi&ecirc;ncia da Licenciatura Intercultural Ind&iacute;gena Pol&iacute;ticas Educacionais e Desenvolvimento Sustent&aacute;vel da Ufam nos mostra que um dos modos de assegurar uma educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena diferenciada, intercultural e bil&iacute;ngue &eacute; respeitar aquilo que est&aacute; posto em toda a legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, e tamb&eacute;m em muitos projetos que foram propostos a partir de 2005, mas que n&atilde;o se efetiva de fato, que &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento a partir da experi&ecirc;ncia dos professores em forma&ccedil;&atilde;o e das especificidades das comunidades em que ir&atilde;o atuar. Parece &oacute;bvio? Mas a realidade nos mostra que n&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, a interculturalidade s&oacute; pode acontecer como uma constru&ccedil;&atilde;o coletiva, como um espa&ccedil;o que emerge do compartilhamento de saberes, dentro do qual as l&iacute;nguas dos alunos ser&atilde;o vetores importantes. Como nos dizem Faria e Oliveira &#91;14&#93; (2012, p.91):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"&#91;...&#93; a vis&atilde;o pedag&oacute;gica do ensino via pesquisa do curso de licenciatura &eacute; complementar &agrave; pol&iacute;tica lingu&iacute;stica que busca garantir solu&ccedil;&otilde;es pluril&iacute;ngues para uma regi&atilde;o pluril&iacute;ngue, garantindo, ao mesmo tempo, que as l&iacute;nguas ind&iacute;genas n&atilde;o s&oacute; n&atilde;o sejam deslocadas pelo portugu&ecirc;s nos seus ambientes tradicionais de uso, mas ainda que sejam potencializadas como l&iacute;nguas de trabalho, como l&iacute;nguas de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e como l&iacute;nguas de administra&ccedil;&atilde;o, para citar apenas alguns dos seus novos usos, em conformidade com a legisla&ccedil;&atilde;o vigente. Por isso, uma das tarefas da licenciatura &eacute; a da equipagem das l&iacute;nguas ind&iacute;genas, tanto as das etnias presentes no curso, e na qual os alunos trabalhar&atilde;o nas suas respectivas comunidades (l&iacute;nguas de trabalho), como, e muito especialmente, das l&iacute;nguas cooficiais, que na licenciatura t&ecirc;m car&aacute;ter de l&iacute;nguas de instru&ccedil;&atilde;o. Por equipagem lingu&iacute;stica entende-se a cria&ccedil;&atilde;o de instrumentos lingu&iacute;sticos capazes de propiciar, a estas l&iacute;nguas, variados usos em variados contextos, conforme forem exigidos pelas comunidades de falantes." (p. 91)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, a experi&ecirc;ncia diferencial que usei como exemplo n&atilde;o representa uma constante nas pol&iacute;ticas e projetos que formam professores ind&iacute;genas em &acirc;mbito nacional. No contexto escolar ind&iacute;gena, de modo geral, a interculturalidade tem sido um dos pontos de apoio de leis e a&ccedil;&otilde;es dentro das pol&iacute;ticas educacionais planejadas para a &aacute;rea, mas ela se faz presente, na maior parte do Brasil, apenas nos discursos e nas inten&ccedil;&otilde;es, pois n&atilde;o se concretiza de fato. Como aponta  Silva &#91;15&#93;,</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"A interculturalidade teve e tem tido seu lugar nas pautas pol&iacute;ticas com o discurso de que seria um dispositivo de di&aacute;logo no empoderamento das minorias, onde estas no dom&iacute;nio de seus c&oacute;digos espec&iacute;ficos e dos c&oacute;digos ocidentais poderiam pleitear seus espa&ccedil;os na sociedade e economia. Mas que empoderamento e que di&aacute;logo &eacute; este sem autonomia? Que di&aacute;logo &eacute; este que tem como premissa que o outro se curve aos conhecimentos que eu julgo importante? Que di&aacute;logo &eacute; este onde eu dou as cartas do funcionamento? Como eu proponho um curr&iacute;culo diferenciado e espec&iacute;fico e em seguida eu aplico um exame em molde nacional para medir a qualidade desta escola?" (p. 5)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Num espa&ccedil;o educacional onde a interculturalidade seja o eixo organizador de pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas, cada participante envolvido no processo de ensino/aprendizagem &eacute; um mediador cultural entre o seu pr&oacute;prio modo de ser e agir e o do outro com o qual est&aacute; dialogando. No entanto, para que esse di&aacute;logo seja poss&iacute;vel e funcione verdadeiramente como meio de integra&ccedil;&atilde;o intercultural, &eacute; necess&aacute;rio que cada comunidade seja respeitada, de fato, em suas especificidades, e para isso as l&iacute;nguas maternas jogam um papel fundamental, como pontes de acesso ao outro mundo representado pela l&iacute;ngua portuguesa. Respeitar e incluir as especificidades das comunidades ind&iacute;genas, e <i>como</i> fazer isso, tem sido, de acordo com pesquisadores, professores e especialistas da &aacute;rea, a grande quest&atilde;o a ser respondida quando est&aacute; em jogo a educa&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PARA FINALIZAR, ALGUMAS CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ap&oacute;s a breve discuss&atilde;o desenvolvida neste artigo, podemos destacar que as leis brasileiras, em suas diferentes dimens&otilde;es, asseguram hoje &agrave;s comunidades ind&iacute;genas direitos importantes, entre eles o da educa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, diferenciada, intercultural e bil&iacute;ngue. No entanto, como ressaltam muitos pesquisadores da &aacute;rea, entre eles Sobrinho &#91;8&#93;, ap&oacute;s mais de 20 anos da LDB, os avan&ccedil;os advindos das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas ainda s&atilde;o insuficientes para garantir a efetividade dos direitos ind&iacute;genas na esfera educacional, sobretudo na implementa&ccedil;&atilde;o das escolas interculturais ind&iacute;genas tal como asseguradas pela lei.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, as institui&ccedil;&otilde;es governamentais nacionais, estaduais e municipais precisam encontrar uma sinergia, um caminho de coopera&ccedil;&atilde;o conjunto, e por meio da avalia&ccedil;&atilde;o constante, implementar pol&iacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena que enfoquem as especificidades das l&iacute;nguas e culturas de cada comunidade. Para fazer isso, elas devem enfrentar, em minha opini&atilde;o, quatro grandes desafios:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Desafio do conhecimento: </i>educar indiv&iacute;duos capazes de mobilizar, produzir e compartilhar conhecimento em contextos multiculturais e multil&iacute;ngues, discutindo e avaliando que tipo de conhecimento &eacute; relevante e necess&aacute;rio para a comunidade ind&iacute;gena em foco;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Desafio profissional: </i>formar e capacitar professores de l&iacute;nguas de cada comunidade, com o objetivo de preparar agentes capazes de modificar a realidade que os cerca, produzindo seus pr&oacute;prios curr&iacute;culos, materiais e abordagens pedag&oacute;gicas adequadas ao seu contexto pedag&oacute;gico;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Desafio social: </i>promover o acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o pluril&iacute;ngue para estudantes com menos acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o de qualidade e provenientes de comunidades com baixos n&iacute;veis de desenvolvimento social, contribuindo para tornar o espa&ccedil;o escolar mais inclusivo e democr&aacute;tico;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Desafio pol&iacute;tico: </i>considerar a presen&ccedil;a e a representatividade necess&aacute;rias das diferentes l&iacute;nguas e culturas em intera&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o comunit&aacute;rio, e n&atilde;o apenas aquelas que s&atilde;o l&iacute;nguas de instru&ccedil;&atilde;o escolar, como o portugu&ecirc;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A diversidade humana e as diferen&ccedil;as entre n&oacute;s representam o nosso maior potencial criativo. Nesse sentido, devemos fazer da educa&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica um caminho para a emancipa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;, um espa&ccedil;o para a constru&ccedil;&atilde;o de di&aacute;logos interculturais, capazes de contribuir para o combate &agrave; injusti&ccedil;a social e &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Brasil. 1988. <i>Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil de 1988</i>. Artigos 210 e 231. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm</a>. Acesso em: fev. 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Funai. <i>Ensino Superior Ind&iacute;gena</i>. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ensinosuperiorindigena.wordpress.com/rede/" target="_blank">https://ensinosuperiorindigena.wordpress.com/rede/</a>. Acesso em set. 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An&iacute;sio Teixeira - Inep. 2019. <i>Sinopse Estat&iacute;stica da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica 2018</i>. Bras&iacute;lia: Inep, 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://inep.gov.br/web/guest/sinopses-estatisticas-da-educacao-basica" target="_blank">http://inep.gov.br/web/guest/sinopses-estatisticas-da-educacao-basica</a>. Acesso em: fev. 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Prolind. Ensino Superior Ind&iacute;gena. Programa de Apoio &agrave; Forma&ccedil;&atilde;o Superior e Licenciaturas Interculturais Ind&iacute;genas. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ensinosuperiorindigena.wordpress.com/atores/nao-humanos/prolind-2/" target="_blank">https://ensinosuperiorindigena.wordpress.com/atores/nao-humanos/prolind-2/</a>. Acesso em: set. 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Secretaria de Estado da Educa&ccedil;&atilde;o. Governo do Amazonas - Seduc. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.educacao.am.gov.br/2019/09/professores-recebem-diploma-de-magisterio-indigena-no-municipio-de-japura/" target="_blank">http://www.educacao.am.gov.br/2019/09/professores-recebem-diploma-de-magisterio-indigena-no-municipio-de-japura/</a>. Acesso em: set. 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Tokarnia, M. . "Quase metade das escolas ind&iacute;genas n&atilde;o tem material did&aacute;tico espec&iacute;fico". Ag&ecirc;ncia Brasil, 2016. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2016-04/quase-metade-das-escolas-indigenas-nao-tem-material-didatico-especifico" target="_blank">http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2016-04/quase-metade-das-escolas-indigenas-nao-tem-material-didatico-especifico</a>. Acesso em: fev. 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Schmelkes, S. . "Toward an intercultural approach to evaluation: a perspective from the National Institute for Educational Evaluation in Mexico (INEE)". <i>Educations Policy Analysis Archives, </i>vol. 26, n. 52. 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Sobrinho, R. S. M.; Souza, A. S.; Bettiol, C. A. . "A educa&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena no Brasil: uma an&aacute;lise cr&iacute;tica a partir da conjuntura dos 20 anos de LDB". <i>Poi&eacute;sis</i>, v.11, n. 19, p. 58 - 75. 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Mendes, E.; Castro, M. L. S.. "L&iacute;ngua, cultura e forma&ccedil;&atilde;o de professores: por uma abordagem de ensino intercultural". In: <i>Saberes em portugu&ecirc;s: ensino e forma&ccedil;&atilde;o docente</i>. Campinas/SP: Pontes. p.57-77. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Mendes, E.. "O portugu&ecirc;s como l&iacute;ngua de media&ccedil;&atilde;o cultural: por uma forma&ccedil;&atilde;o intercultural de professores e alunos de PLE". In: Mendes, E. (org.) <i>Di&aacute;logos interculturais: ensino e forma&ccedil;&atilde;o em portugu&ecirc;s l&iacute;ngua estrangeira. </i>Campinas/SP: Pontes, p.139-158. 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Mendes, E.. "Aprender a ser e a viver com o outro: materiais did&aacute;ticos interculturais para o ensino de portugu&ecirc;s LE/L2".  In: Scheyerl, D.; Siqueira, S. <i>Materiais did&aacute;ticos para o ensino de l&iacute;nguas na contemporaneidade: Contesta&ccedil;&otilde;es e proposi&ccedil;&otilde;es</i>. Salvador: EDUFBA, p.355-378. 2012 a.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Mendes, E.. "O conceito de l&iacute;ngua em perspectiva hist&oacute;rica: reflexos no ensino e na forma&ccedil;&atilde;o de professores de portugu&ecirc;s: . In: Lobo, T. et al. <i>Lingu&iacute;stica hist&oacute;rica, hist&oacute;ria das l&iacute;nguas e outras hist&oacute;rias</i>. Salvador/BA: EDUFBA. 2012 b.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Mendes, E. 2015. "A ideia de cultura e sua atualidade para o ensino-aprendizagem de LE/L2". <i>EntreL&iacute;nguas</i>, v.1, n.2, p.203-221, jul./dez. 2015. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://periodicos.fclar.unesp.br/entrelinguas/article/view/8060" target="_blank">https://periodicos.fclar.unesp.br/entrelinguas/article/view/8060</a>.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Faria, I. F.; Oliveira, G. M.. "O ensino superior multil&iacute;ngue e pluricultural: Princ&iacute;pios para autonomia e valoriza&ccedil;&atilde;o cultural na Amaz&ocirc;nia". <i>Revista Plat&ocirc;</i>, v. 1, n. 1. 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. Silva, P. T. B.. "A interculturalidade na educa&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena brasileira". <i>Anais VIII FIPED</i>, v. 1. 2016.    </font></p>      ]]></body><back>
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<collab>Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira</collab>
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