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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Políticas do multilinguismo em contextos urbanos. O surgimento de um paradigma linguístico pós-nacional. O caso de Barcelona]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   MULTILINGUISMO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Pol&iacute;ticas do multilinguismo em contextos urbanos. O surgimento de um paradigma lingu&iacute;stico p&oacute;s-nacional. O caso de Barcelona</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Vicent Climent-Ferrando</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Docente da Universitat Pompeu-Fabra Barcelona e coordenador de pesquisa local da C&aacute;tedra Unesco sobre Pol&iacute;ticas Lingu&iacute;sticas para o Multilinguismo</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> As sociedades contempor&acirc;neas mostram uma discrep&acirc;ncia crescente entre o multilinguismo oficial e o multilinguismo social. Essa realidade decorre de processos de constru&ccedil;&atilde;o de um Estado-na&ccedil;&atilde;o. Como a pesquisa sobre o nacionalismo demonstrou amplamente, a din&acirc;mica hist&oacute;rica que impulsiona a forma&ccedil;&atilde;o dos Estados modernos muitas vezes desencadeou uma onda maci&ccedil;a de homogeneiza&ccedil;&atilde;o cultural &#91;1, 2&#93;. Embora essa tend&ecirc;ncia possa ser percebida em todas as regi&otilde;es do mundo, foi iniciada no contexto da constru&ccedil;&atilde;o moderna do Estado na Europa durante o s&eacute;culo XIX. O sintoma possivelmente mais claro disso &eacute; que, com poucas exce&ccedil;&otilde;es, as denomina&ccedil;&otilde;es oficiais da maioria dos Estados (europeus) se referem a uma l&iacute;ngua de Estado dominante &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto a grande maioria dos Estados adotou o monolinguismo de um ponto de vista oficial, sua realidade sociolingu&iacute;stica &eacute; muito mais complexa, onde muitas l&iacute;nguas aut&oacute;ctones coexistem historicamente com a maioria (das l&iacute;nguas oficiais). Os n&uacute;meros podem ajudar a ilustrar esse ponto: existem aproximadamente 7000 idiomas no mundo e (apenas) 195 estados. A essa realidade, devemos acrescentar as l&iacute;nguas dos migrantes. Essas mudan&ccedil;as estruturais atuais, ligadas ao impacto da mobilidade, migra&ccedil;&atilde;o e transnacionalismo, est&atilde;o colocando esse legado monol&iacute;ngue oficial do Estado sob crescente press&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para capturar o impulso dessas mudan&ccedil;as sociais, podemos falar de uma transi&ccedil;&atilde;o da complexidade "simples" para a "complexa". Na era da diversidade "simples", os Estados e as sociedades nacionais se baseavam em claras linhas de diferencia&ccedil;&atilde;o entre as camadas de diversidade que haviam incorporado. Essas camadas foram classificadas de acordo com uma l&oacute;gica hier&aacute;rquica que distinguia entre maiorias dominantes, minorias antigas (aut&oacute;ctones / hist&oacute;ricas) e minorias "novas" trazidas pelos migrantes. Configura&ccedil;&otilde;es de diversidade complexa s&atilde;o definidas como "aquelas em que formas hist&oacute;ricas de multilinguismo e padr&otilde;es mais recentes de heterogeneidade lingu&iacute;stica interagem de novas maneiras que levam a configura&ccedil;&otilde;es particularmente ricas de complexidade cultural" &#91;3&#93;. Assim, quando se trata de analisar as consequ&ecirc;ncias da diversidade complexa nas pol&iacute;ticas e normas atuais sobre o multilinguismo, devemos come&ccedil;ar examinando os cen&aacute;rios sociolingu&iacute;sticos que s&atilde;o caracterizados pela justaposi&ccedil;&atilde;o dessas diferentes camadas: idiomas aut&oacute;ctones (que podem estar vinculados a grupos majorit&aacute;rios ou minorit&aacute;rios), idiomas de imigrantes e uma l&iacute;ngua franca (que em alguns casos podem coincidir com uma das categorias anteriores).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A justaposi&ccedil;&atilde;o dessas tend&ecirc;ncias sociolingu&iacute;sticas &eacute; observada pela primeira vez em contextos urbanos. A crescente constela&ccedil;&atilde;o de l&iacute;nguas em ambientes urbanos pode ser considerada um indicador-chave de processos amplos de mudan&ccedil;a social e pol&iacute;tica nas sociedades atuais. A crescente relev&acirc;ncia e aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s diferen&ccedil;as culturais, das quais as l&iacute;nguas s&atilde;o uma caracter&iacute;stica central, est&atilde;o reformulando profundamente o tecido social dos cidad&atilde;os em todo o mundo. Isso se reflete nos novos padr&otilde;es de mobilidade e migra&ccedil;&atilde;o, que levam a formas renovadas de identidades, mobiliza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, novas formas de participa&ccedil;&atilde;o, novos mercados de trabalho urbano e, &eacute; claro, novas l&iacute;nguas - um multilinguismo ex&oacute;geno - que s&atilde;o acrescentadas &agrave;s antigas, tradicionais - um multilinguismo end&oacute;geno.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As cidades tornaram-se, portanto, um elemento crucial da an&aacute;lise. Em 2010, pela primeira vez na hist&oacute;ria, mais da metade da popula&ccedil;&atilde;o mundial vivia em &aacute;reas urbanas. A Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) prev&ecirc; que esse n&uacute;mero chegue a quase 70% at&eacute; 2050, sendo a migra&ccedil;&atilde;o o principal fator dessa r&aacute;pida urbaniza&ccedil;&atilde;o. As cidades agora s&atilde;o mais heterog&ecirc;neas, multiculturais e multil&iacute;ngues do que nunca. Conforme indicado por Favell, "as cidades s&atilde;o a arena onde os desenvolvimentos mais recentes e mais n&iacute;tidos s&atilde;o observados pela primeira vez, e onde h&aacute; um certo grau de converg&ecirc;ncia transnacional nos problemas e nas solu&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, que esconde muitas das diferen&ccedil;as refletidas nos debates ideol&oacute;gicos nacionais" &#91;4&#93;. As cidades s&atilde;o cada vez mais vistas como local de governan&ccedil;a, onde as restri&ccedil;&otilde;es das pol&iacute;ticas nacionais e do discurso nacional podem ser modificadas ou superadas &#91;5, p.2&#93;. Consequentemente, existem desafios distintos que as cidades cada vez mais multil&iacute;ngues precisam enfrentar quando se trata de gerenciar os diferentes idiomas presentes no territ&oacute;rio. H&aacute; cada vez mais consci&ecirc;ncia da ideia de que cidades e autoridades locais se tornaram mais vis&iacute;veis como atores que adotam e implementam pol&iacute;ticas que visam e contribuem para a governan&ccedil;a de sociedades complexas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar desse crescente interesse nas cidades, os pesquisadores n&atilde;o dedicaram muita aten&ccedil;&atilde;o aos efeitos da diversidade lingu&iacute;stica. Como apontado por Carson e King &#91;6&#93;,</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"alguns estudos realmente se concentram no car&aacute;ter multil&iacute;ngue das cidades de hoje e aumentam o reconhecimento do t&oacute;pico como vale a pena explorar, pois s&atilde;o relativamente poucos em n&uacute;mero &#91;7, 8, 3&#93;. Nos debates e discursos p&uacute;blicos n&atilde;o acad&ecirc;micos, a diversidade lingu&iacute;stica urbana &eacute; frequentemente vista de uma perspectiva de habilidades multil&iacute;ngues que enfatiza o "capital lingu&iacute;stico" subutilizado das popula&ccedil;&otilde;es urbanas e a import&acirc;ncia de repert&oacute;rios multil&iacute;ngues de indiv&iacute;duos em termos de empregabilidade. Alternativamente, &eacute; problematizado em termos de integra&ccedil;&atilde;o, &ocirc;nus ou custo quando pol&iacute;ticos e a m&iacute;dia tradicional se concentram na falta de profici&ecirc;ncia percebida na aquisi&ccedil;&atilde;o de idiomas nacionais majorit&aacute;rios contra a manuten&ccedil;&atilde;o de idiomas de origem e criticam os gastos p&uacute;blicos em tradu&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o".</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O volume <i>A cidade multil&iacute;ngue. Vitalidade, conflito e mudan&ccedil;a</i> &#91;5&#93;, editado por Lid King e Lona Carson, tornou-se um dos livros-chave que compila os debates contempor&acirc;neos sobre o multilinguismo urbano a partir de uma perspectiva interdisciplinar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse contexto, o objetivo principal deste artigo &eacute; fornecer um estudo explorat&oacute;rio emp&iacute;rico de como a diversidade lingu&iacute;stica, antiga e nova, &eacute; governada em um ambiente urbano "complexo", tomando a cidade de Barcelona, Espanha, como unidade de an&aacute;lise &#91;9&#93;. O principal objetivo &eacute; fornecer uma descri&ccedil;&atilde;o abrangente de como a cidade reagiu &agrave;s recentes mudan&ccedil;as demolingu&iacute;sticas (a transi&ccedil;&atilde;o para a "complexidade") em termos de pol&iacute;ticas e normas sobre o multilinguismo. Em outras palavras, analiso como a cidade de Barcelona est&aacute; atualmente gerenciando o <i>trade-off</i> entre dois elementos: a prote&ccedil;&atilde;o e a promo&ccedil;&atilde;o do catal&atilde;o - a l&iacute;ngua aut&oacute;ctone de Barcelona - e sua coexist&ecirc;ncia com o espanhol (o  idioma oficial do Estado) e o reconhecimento das novas l&iacute;nguas trazidas pelos migrantes. A essa realidade complexa, devemos acrescentar a crescente presen&ccedil;a do ingl&ecirc;s como meio de instru&ccedil;&atilde;o, especialmente no ensino superior, bem como em muitas empresas internacionais sediadas na cidade.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O artigo est&aacute; dividido em tr&ecirc;s se&ccedil;&otilde;es: primeiro, apresentarei uma descri&ccedil;&atilde;o detalhada do conceito de diversidade complexa que ser&aacute; usado como uma estrutura conceitual para justificar a sele&ccedil;&atilde;o de casos. Em segundo lugar, apresentarei uma descri&ccedil;&atilde;o sucinta das mudan&ccedil;as atuais no uso social das l&iacute;nguas em Barcelona. Em terceiro, analisarei como as legisla&ccedil;&otilde;es estadual e regional podem afetar o desenvolvimento de uma pol&iacute;tica de idiomas no n&iacute;vel da cidade. Por fim, proponho o conceito de "multilinguismo autocentrado" como uma contribui&ccedil;&atilde;o concreta para o desenvolvimento de pol&iacute;ticas de linguagem sustent&aacute;vel em sociedades complexas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DIVERSIDADE COMPLEXA EM AMBIENTES URBANOS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A marca da diversidade complexa se torna mais saliente em ambientes urbanos que continuam a resistir ao impacto homogeneizador das abordagens de constru&ccedil;&atilde;o de um Estado-na&ccedil;&atilde;o. Os locais que oferecem os melhores pontos de entrada para avaliar o que a diversidade significa em termos de suas consequ&ecirc;ncias sociopol&iacute;ticas concretas provavelmente n&atilde;o s&atilde;o capitais "globais", como Londres ou Paris, mas cidades onde formas hist&oacute;ricas de multilinguismo e padr&otilde;es mais recentes de heterogeneidade lingu&iacute;stica interajam de novas maneiras que levam a configura&ccedil;&otilde;es particularmente ricas de complexidade cultural &#91;3&#93;. O surgimento de tais cen&aacute;rios &eacute; causado por formas de mobilidade conectadas a uma din&acirc;mica de transnacionaliza&ccedil;&atilde;o que implica um desacoplamento de identidades e pr&aacute;ticas culturais de base territorial &#91;10&#93;. Assim, o impulso para a diversidade "complexa" n&atilde;o significa apenas que nossas sociedades se tornaram mais diversas devido &agrave;s taxas de mobilidade mais altas e &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o sucessiva de novas camadas de diversidade. Ainda mais importante, ao trabalhar com o conceito de diversidade complexa, pretendo apreender as caracter&iacute;sticas peculiares dos contextos sociopol&iacute;ticos nos quais identidades constru&iacute;das em torno de camadas de diversidade espec&iacute;ficas (majorit&aacute;rias ou minorit&aacute;rias) est&atilde;o se tornando cada vez mais fluidas, multidimensionais e heterog&ecirc;neas. Barcelona representa um local "mais complexo" para estudar a pol&iacute;tica do multilinguismo nas sociedades de hoje por v&aacute;rias raz&otilde;es:</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a href="/img/revistas/cic/v71n4/a14tab01.jpg">Tabela 1</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">a) A cidade representa um legado multil&iacute;ngue bem entrincheirado que tem profundas ra&iacute;zes hist&oacute;ricas. Esse patrim&ocirc;nio multil&iacute;ngue end&oacute;geno tem sido um assunto recorrente de confronto pol&iacute;tico que se estende at&eacute; o presente. Pode-se afirmar que esses confrontos mudaram o status do idioma local - o catal&atilde;o - marcado pelo status subordinado (sociolingu&iacute;stico) do idioma em rela&ccedil;&atilde;o ao idioma dominante (espanhol). Consequentemente, as pol&iacute;ticas lingu&iacute;sticas em Barcelona - mas especialmente na regi&atilde;o mais ampla da Catalunha - se concentraram na prote&ccedil;&atilde;o e promo&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua aut&oacute;ctone.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">b) Al&eacute;m de seu legado multil&iacute;ngue end&oacute;geno, Barcelona incorporou novas camadas ex&oacute;genas de diversidade lingu&iacute;stica. Desde meados dos anos 1990, Barcelona passou por uma mudan&ccedil;a demogr&aacute;fica sem precedentes devido &agrave; migra&ccedil;&atilde;o, que passou de 3% no final dos anos 1990 para quase 20% hoje (2019) &#91;11&#93;. Isso teve importante repercuss&atilde;o em termos da multiplicidade de idiomas trazidos para a cidade pelos rec&eacute;m-chegados.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">c) Um aspecto importante a ser levado em considera&ccedil;&atilde;o - talvez menos &oacute;bvio &agrave; primeira vista - &eacute; que a cidade pode oferecer narrativas alternativas &agrave; hist&oacute;ria dos grandes Estados europeus constru&iacute;dos sobre um "grande" centro pol&iacute;tico nacional, como Madri. A cidade pode, assim, exemplificar caminhos para a integra&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que se desvia dos padr&otilde;es da alta modernidade europeia por estar mais aberta &agrave; diversidade de negocia&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o apenas no presente mas tamb&eacute;m em retrospecto hist&oacute;rico.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">d) Um quarto elemento comum &eacute; que a cidade carece de autonomia genu&iacute;na para projetar regimes de idiomas a n&iacute;vel local. Apesar de representarem cen&aacute;rios sociolingu&iacute;sticos que tendem a ser consideravelmente mais complexos do que o observado em n&iacute;veis agregados de Estados ou regi&otilde;es, as pol&iacute;ticas de idioma local est&atilde;o basicamente sujeitas &agrave;s prerrogativas das autoridades nacionais/regionais no campo da legisla&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica. As cidades podem ter, no entanto, alguma margem de manobra na implementa&ccedil;&atilde;o dessa legisla&ccedil;&atilde;o, como veremos abaixo.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A gest&atilde;o da complexidade, neste caso, pode oferecer informa&ccedil;&otilde;es valiosas para a compreens&atilde;o do impacto pol&iacute;tico dos desafios estruturais associados a todas essas novas manifesta&ccedil;&otilde;es de diversidade cultural e lingu&iacute;stica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BARCELONA, &#8203;&#8203;DA DIVERSIDADE SIMPLES &Agrave; COMPLEXA </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Barcelona &eacute; uma cidade oficialmente bil&iacute;ngue (catal&atilde;o e espanhol) e a capital da Catalunha, uma regi&atilde;o oficialmente tril&iacute;ngue (catal&atilde;o, espanhol e aran&ecirc;s) em um estado oficialmente monol&iacute;ngue da Espanha (espanhol). Os &uacute;ltimos n&uacute;meros oficiais (de 1 de janeiro de 2019) mostram que cerca de 20% dos residentes nascem no exterior e a cidade abriga mais de 180 nacionalidades &#91;12&#93;. Os processos de transforma&ccedil;&atilde;o social experimentados na cidade nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas contribu&iacute;ram para adicionar uma camada de diversidade lingu&iacute;stica ex&oacute;gena ao multilinguismo historicamente arraigado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dados mais recentes dispon&iacute;veis no momento da reda&ccedil;&atilde;o deste artigo (agosto de 2019) nos d&atilde;o uma vis&atilde;o geral do caleidosc&oacute;pio lingu&iacute;stico atual na &aacute;rea metropolitana de Barcelona, &#8203;&#8203;que abriga quase 5 milh&otilde;es de pessoas do total de  7,6 milh&otilde;es da Catalunha:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">a)  O catal&atilde;o continua em uma posi&ccedil;&atilde;o minorit&aacute;ria como idioma inicial na &uacute;ltima d&eacute;cada (24%) em rela&ccedil;&atilde;o ao espanhol, que continua a ser de longe o idioma dominante, com mais de 60% da popula&ccedil;&atilde;o alegando t&ecirc;-lo como primeiro idioma. A diferen&ccedil;a catal&atilde;o-espanhol em termos de idioma de identifica&ccedil;&atilde;o foi mantida relativamente constante, com baixo grau de varia&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos anos.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">b)  A mudan&ccedil;a demolingu&iacute;stica mais significativa pode ser percebida na presen&ccedil;a crescente de idiomas al&eacute;m dos dois oficiais. Cerca de 12% da popula&ccedil;&atilde;o afirmam falar outro idioma que n&atilde;o o catal&atilde;o e o espanhol. Esses n&uacute;meros t&ecirc;m crescido constantemente nos &uacute;ltimos anos e continuam a crescer.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O multilinguismo ex&oacute;geno em Barcelona &eacute; uma dimens&atilde;o relativamente nova iniciada por um aumento da imigra&ccedil;&atilde;o na virada do s&eacute;culo XXI. A cidade de Barcelona, como mencionado anteriormente, deixou de ter um n&uacute;mero de migra&ccedil;&atilde;o de 3% em 2000 para quase 20% em 2019. Como destacado acima, quase 12% da popula&ccedil;&atilde;o da cidade fala outro idioma que n&atilde;o o catal&atilde;o ou o espanhol. Para isso, devemos adicionar uma presen&ccedil;a crescente do ingl&ecirc;s como idioma de trabalho nas empresas e, mais notavelmente, no ensino superior, onde o ingl&ecirc;s est&aacute; ganhando terreno como idioma de instru&ccedil;&atilde;o, especialmente em programas de mestrado e doutorado &#91;13&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse cen&aacute;rio de crescente diversidade da popula&ccedil;&atilde;o, a l&iacute;ngua continua sendo uma quest&atilde;o muito saliente em Barcelona por diferentes raz&otilde;es. Em primeiro lugar, porque o n&iacute;vel de identifica&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o com a l&iacute;ngua aut&oacute;ctone (catal&atilde;o) continua baixo em rela&ccedil;&atilde;o ao espanhol e, em segundo lugar, porque a presen&ccedil;a de outras l&iacute;nguas e a falta das idiomas locais exigem a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em termos de gest&atilde;o e acesso a servi&ccedil;os p&uacute;blicos. A seguir, mostraremos como, no &acirc;mbito pol&iacute;tico, os legados hist&oacute;ricos do multilinguismo conflituoso se chocam com os novos desafios de gerenciar a diversidade lingu&iacute;stica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LEGISLA&Ccedil;&Atilde;O ESTADUAL VERSUS REGIONAL E LOCAL. REGIMES LINGU&Iacute;STICOS CONFLITANTES?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar do status de co-oficial do catal&atilde;o e do espanhol em Barcelona, &#8203;&#8203;a cidade considera o catal&atilde;o como idioma oficial e pr&oacute;prio de Barcelona (<i>llengua pr&ograve;pia i oficial de Barcelona</i>) em oposi&ccedil;&atilde;o ao espanhol, ao qual "apenas" &eacute; concedido o status de "idioma oficial" (<i>llengua oficial</i>). Essa abordagem da considera&ccedil;&atilde;o oficial das l&iacute;nguas de Barcelona &eacute; derivada do Estatuto de Autonomia da Catalunha de 2006, que considera o espanhol e o catal&atilde;o como l&iacute;nguas igualmente oficiais, mas fornece ao catal&atilde;o uma posi&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica mais alta, definindo-a como a "l&iacute;ngua pr&oacute;pria" da Catalunha. A disposi&ccedil;&atilde;o legal lingu&iacute;stica mais alta, no entanto, prov&eacute;m da Constitui&ccedil;&atilde;o espanhola, que afirma no artigo 3 que o espanhol &eacute; a (&uacute;nica) l&iacute;ngua oficial na Espanha e, como cl&aacute;usula secund&aacute;ria, afirma que "as outras l&iacute;nguas espanholas tamb&eacute;m ser&atilde;o oficiais em suas respectivas comunidades aut&ocirc;nomas, de acordo com seu Estatuto de Autonomia" (artigo 3). No entanto, nenhuma men&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita a essas outras l&iacute;nguas &eacute; encontrada na Constitui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O conceito de "l&iacute;ngua pr&oacute;pria" (<i>llengua pr&ograve;pia</i>) no Estatuto de Autonomia da Catalunha permitiu a possibilidade de sustentar legal e politicamente a prioriza&ccedil;&atilde;o do catal&atilde;o sobre o espanhol nas pol&iacute;ticas de idioma na Catalunha, bem como na cidade de Barcelona, &#8203;&#8203;como uma maneira de restaurar e dar um prest&iacute;gio mais institucional, pol&iacute;tico e social &agrave; l&iacute;ngua catal&atilde;. Essa abordagem, no entanto, gerou alguma animosidade, especialmente na ala direita do espectro pol&iacute;tico espanhol, onde h&aacute; preocupa&ccedil;&atilde;o com o questionamento do status hegem&ocirc;nico que o espanhol desfruta h&aacute; s&eacute;culos em toda a Espanha por periferias mobilizadas com caracter&iacute;sticas lingu&iacute;sticas distintas &#91;3, p.31&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As consequ&ecirc;ncias dos recentes padr&otilde;es de migra&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m sido motivo de preocupa&ccedil;&atilde;o por seus efeitos no idioma catal&atilde;o. A imigra&ccedil;&atilde;o foi percebida com esperan&ccedil;as e expectativas para o futuro social e econ&ocirc;mico da Catalunha, mas tamb&eacute;m com medo em termos de preserva&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o das especificidades pol&iacute;ticas, culturais e lingu&iacute;sticas da regi&atilde;o. O discurso pol&iacute;tico e a respectiva a&ccedil;&atilde;o sobre a necessidade de promover o catal&atilde;o entre os rec&eacute;m-chegados sempre foram discursivamente associados ao equil&iacute;brio entre o respeito pela crescente diversidade derivada da imigra&ccedil;&atilde;o. Isso pode ser percebido em todos os planos de imigra&ccedil;&atilde;o aprovados pelo governo da Catalunha desde o in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, onde a chegada de migrantes cresceu exponencialmente, conforme declarado acima &#91;14&#93;. Embora o sistema de ensino obrigat&oacute;rio j&aacute; use o catal&atilde;o como meio de ensino e o espanhol seja ensinado como uma disciplina - garantindo o bilinguismo completo no final da escolaridade obrigat&oacute;ria - v&aacute;rios programas voltados &agrave; promo&ccedil;&atilde;o de idiomas migrantes tamb&eacute;m foram implementados. Esses programas incluem o ensino da l&iacute;ngua materna como atividade extracurricular no sistema educacional, onde as crian&ccedil;as com forma&ccedil;&atilde;o imigrante podem aprender at&eacute; oito idiomas diferentes, sendo os principais o &aacute;rabe marroquino, o chin&ecirc;s e o romeno. Apesar de estar aberto a todos os alunos, esses cursos s&atilde;o frequentados exclusivamente por crian&ccedil;as de origem imigrante.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>UMA POL&Iacute;TICA DE IDIOMA LOCAL EM BARCELONA?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O quadro legislativo regional da Catalunha &#91;15&#93; permitiu o desenvolvimento de uma pol&iacute;tica lingu&iacute;stica a n&iacute;vel local, com o objetivo de garantir a presen&ccedil;a habitual e o uso do catal&atilde;o na comunica&ccedil;&atilde;o municipal oficial. A defini&ccedil;&atilde;o de catal&atilde;o como o idioma pr&oacute;prio da Catalunha tamb&eacute;m foi replicada em n&iacute;vel local, o que serviu para tornar o catal&atilde;o o idioma habitual na comunica&ccedil;&atilde;o di&aacute;ria com os cidad&atilde;os. &Eacute; o "Regulamento sobre o uso do catal&atilde;o no conselho da cidade de Barcelona" &#91;<i>Reglament d'&uacute;s de la llengua catalana de l'Ajuntament de Barcelona</i>&#93; &#91;16&#93;, &#8203;&#8203;de 13 de fevereiro de 2010, que regula o uso do catal&atilde;o e de outras l&iacute;nguas no n&iacute;vel da cidade. Esse regulamento abre de fato a porta para a inclus&atilde;o de outras l&iacute;nguas na comunica&ccedil;&atilde;o com os cidad&atilde;os, conforme estipulado no seu artigo 14. Essa cl&aacute;usula permitiu a possibilidade de usar idiomas como &aacute;rabe, tagalo e urdu em uma multiplicidade de contextos, como media&ccedil;&atilde;o intercultural, notifica&ccedil;&otilde;es oficiais e an&uacute;ncios da prefeitura de Barcelona.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os diferentes distritos da cidade t&ecirc;m autonomia suficiente para decidir o idioma a ser usado na comunica&ccedil;&atilde;o com os cidad&atilde;os em torno de quest&otilde;es relacionadas ao bairro (participa&ccedil;&atilde;o nos processos de tomada de decis&atilde;o etc.). A presen&ccedil;a de fato dessas l&iacute;nguas, no entanto, est&aacute; longe de ser sistem&aacute;tica, pois &eacute; decidida no n&iacute;vel do bairro/distrito, dependendo das necessidades detectadas localmente (n&uacute;mero de estrangeiros que residem no bairro e os principais idiomas da popula&ccedil;&atilde;o estrangeira). Observa-se, no entanto, que a introdu&ccedil;&atilde;o do multilinguismo ex&oacute;geno na comunica&ccedil;&atilde;o local oficial ainda n&atilde;o &eacute; sistem&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A inclus&atilde;o do multilinguismo ex&oacute;geno no dom&iacute;nio p&uacute;blico emergiu das antigas tens&otilde;es lingu&iacute;sticas do bilinguismo end&oacute;geno, ou seja, entre as duas l&iacute;nguas oficiais, catal&atilde;o e espanhol. O Regulamento da Cidade de 2010 afirmou que outras l&iacute;nguas - que n&atilde;o o catal&atilde;o e o espanhol - podem ser usadas, mas devem ser acompanhadas pela vers&atilde;o correspondente em catal&atilde;o. O regulamento n&atilde;o menciona o espanhol. Isso levantou vozes na arena pol&iacute;tica contra a prioriza&ccedil;&atilde;o do catal&atilde;o e a aus&ecirc;ncia do espanhol. O conflito sobre idioma jur&iacute;dico a respeito da prioriza&ccedil;&atilde;o do catal&atilde;o em detrimento do espanhol no Estatuto de Autonomia da Catalunha em 2006 tamb&eacute;m ocorreu, portanto, em n&iacute;vel local. O Regulamento de Barcelona de 2010 considerava o catal&atilde;o a l&iacute;ngua <i>preferencial</i> da cidade, uma defini&ccedil;&atilde;o levada &agrave; Corte pelo conservador Partido Popular (PP), o mesmo partido pol&iacute;tico que levou o Estatuto da Catalunha &agrave; Corte, com o argumento de que a palavra "preferencial" era uma discrimina&ccedil;&atilde;o contra o espanhol. Ap&oacute;s dois anos de batalhas judiciais entre o PP e a C&acirc;mara Municipal &#91;17&#93;, o Supremo Tribunal decidiu em 2012 que o termo preferencial deveria ser removido do Regulamento de 2010, com o argumento de que os termos tamb&eacute;m foram removidos do Estatuto de Autonomia da Catalunha. Esse conflito legal emergiu, mais uma vez, das tens&otilde;es n&atilde;o resolvidas sobre o quadro legislativo sobre as l&iacute;nguas na Catalunha. As tens&otilde;es na situa&ccedil;&atilde;o <i>de jure</i> do catal&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao espanhol na pol&iacute;tica da Catalunha s&atilde;o assim replicadas tamb&eacute;m no n&iacute;vel da cidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONCLUS&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Manifesta&ccedil;&otilde;es de diversidade complexa tornaram-se mais salientes em ambientes urbanos, onde formas hist&oacute;ricas de multilinguismo e novos elementos de heterogeneidade lingu&iacute;stica se entrela&ccedil;am. Barcelona, &#8203;&#8203;a cidade analisada, como muitas outras ao redor do mundo, enfrenta o desafio de lidar com a diversidade lingu&iacute;stica complexa: eles compartilham uma hist&oacute;ria de tens&otilde;es lingu&iacute;sticas e multilinguismo end&oacute;geno e agora est&atilde;o enfrentando novas formas de diferencia&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica, provocadas pela imigra&ccedil;&atilde;o e a crescente import&acirc;ncia do ingl&ecirc;s. Dados os desafios espec&iacute;ficos decorrentes desse cen&aacute;rio sociolingu&iacute;stico e as pol&iacute;ticas de linguagem necess&aacute;rias para enfrent&aacute;-los, as cidades aparecem hoje ainda mais do que antes como os principais locais para a formula&ccedil;&atilde;o de respostas institucionais &agrave; complexidade, seja com base lingu&iacute;stica, &eacute;tnica ou religiosa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As abordagens para gerenciar a diversidade lingu&iacute;stica no n&iacute;vel da cidade podem variar consideravelmente entre diferentes casos. No caso de Barcelona, &#8203;&#8203;o legado hist&oacute;rico do multilinguismo end&oacute;geno (catal&atilde;o-espanhol) continua a moldar abordagens pol&iacute;ticas, pois as tens&otilde;es pol&iacute;ticas est&atilde;o longe de acabar. Em outras palavras, os debates atuais sobre pol&iacute;ticas lingu&iacute;sticas ainda envolvem narrativas que tratam da promo&ccedil;&atilde;o e prote&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua aut&oacute;ctone (catal&atilde;o), que continua em posi&ccedil;&atilde;o de minoria em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; l&iacute;ngua do Estado, o espanhol.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A an&aacute;lise tamb&eacute;m mostra que, para lidar com a diversidade lingu&iacute;stica complexa, as peculiaridades da intera&ccedil;&atilde;o do multilinguismo end&oacute;geno e ex&oacute;geno devem ser cuidadosamente consideradas, a fim de encontrar um equil&iacute;brio equitativo entre as diferentes l&iacute;nguas presentes em um territ&oacute;rio. A esse respeito, proponho o conceito de "multilinguismo auto-centrado", que oferece um ponto de partida &uacute;til para a elabora&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas que contribuam para encontrar um equil&iacute;brio entre a heran&ccedil;a lingu&iacute;stica de um determinado territ&oacute;rio e o surgimento de novos grupos de idiomas na sociedade. Esse conceito exige uma pol&iacute;tica espec&iacute;fica para o contexto que reconhe&ccedil;a as l&iacute;nguas aut&oacute;ctones hist&oacute;ricas, bem como a realidade social atual da cidade, o que implica novos requisitos de linguagem na globaliza&ccedil;&atilde;o do mercado de trabalho e na diversifica&ccedil;&atilde;o das comunidades de imigrantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso levanta a quest&atilde;o normativa se a implementa&ccedil;&atilde;o bem-sucedida do "multilinguismo centrado automaticamente" exige a ado&ccedil;&atilde;o de uma abordagem 'c&iacute;vica' (em vez de uma "&eacute;tnica") do multilinguismo. Uma concep&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica de pertencimento &agrave; sociedade pode facilitar a articula&ccedil;&atilde;o de uma esfera p&uacute;blica comum. No entanto, e ao mesmo tempo, essa esfera p&uacute;blica comum deve funcionar de uma maneira que conceba a inclus&atilde;o de maneiras sens&iacute;veis &agrave; diversidade. A esse respeito, a aceita&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e a promo&ccedil;&atilde;o de padr&otilde;es de identidade multil&iacute;ngues genuinamente "novos" podem ser a principal condi&ccedil;&atilde;o para enfrentar o <i>trade-off</i> entre mobilidade e inclus&atilde;o em ambientes urbanos complexos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Anderson, B. <i>Imagined communities</i>. Revised edition. London: Verso. 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Wright, S. <i>Community and communication: The role of language  in  nation state building and european integration</i>. Clevedon: Multilingual Matters. 2000.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Kraus, P. A.  "The multilingual city: the cases of Helsinki and Barcelona". <i>Nordic Journal of Migration Research</i>, 1(1), 25-36. 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Favell, A. <i>Philosophies of integration and the idea of citizenship in France and Britain</i>, 2 ed., Basingtoke: McMillan. 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. King, L.; Carson, L. (eds.). <i>The multilingual city. Vitality, conflict and change</i>. Bristol, Buffalo, Toronto: Multilingual Matters. 2016.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Carson, L.; King, L.  "Introduction: 'Multilingualism is lived here'", In: King, L. and Carson, L. (eds.): <i>The multilingual city. Vitality, conflict and change</i>. Bristol, Buffalo, Toronto: Multilingual Matters, pp.1-16. 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Cl&eacute;ment, R.; Andrew, C. <i>Cities and languages. Governance and policy</i>. Ottawa: Invenire Books. 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Extra, G.; Yagmiu, K. (eds.). <i>Urban multilingualism in Europe. Immigrant minority languages at home and school.</i> Clevedon: Multilingual Matters. 2014.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Este artigo faz parte de uma an&aacute;lise comparativa mais ampla entre as cidades de Barcelona, &#8203;&#8203;Luxemburgo e Riga, desenvolvida no &acirc;mbito do Projeto MIME (Mobilidade e Inclus&atilde;o em uma Europa Multil&iacute;ngue) financiado pelo 7º Programa-Quadro da Comiss&atilde;o Europeia. Contrato de subven&ccedil;&atilde;o 613344.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Sassen, S. <i>Territory, authority, rights: from medieval to global assemblages</i>, Princeton: Princeton University Press. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Para uma descri&ccedil;&atilde;o completa dos padr&otilde;es de migra&ccedil;&atilde;o, consulte o Instituto Catal&atilde;o de Estat&iacute;stica, dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.idescat.cat/poblacioestrangera/?b=6" target="_blank">https://www.idescat.cat/poblacioestrangera/?b=6</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Para mais informa&ccedil;&otilde;es, consulte as estat&iacute;sticas oficiais de Barcelona, &#8203;&#8203;dispon&iacute;veis em: <a href="https://ajuntament.barcelona.cat/premsa/2019/07/14/la-poblacio-de-barcelona-assoleix-la-xifra-mes-elevada-de-del-1991/" target="_blank">https://ajuntament.barcelona.cat/premsa/2019/07/14/la-poblacio-de-barcelona-assoleix-la-xifra-mes-elevada-de-del-1991/</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Para uma descri&ccedil;&atilde;o completa do uso do ingl&ecirc;s e de outros idiomas no ensino superior em Barcelona e na Catalunha, ver os relat&oacute;rios anuais de pol&iacute;tica de idiomas publicados pelo governo da Catalunha, dispon&iacute;veis em:<i><a href="https://llengua.gencat.cat/ca/direccio_general_politica_linguistica/informe_de_politica_linguistica/language-policy-report/" target="_blank">https://llengua.gencat.cat/ca/direccio_general_politica_linguistica/informe_de_politica_linguistica/language-policy-report/</a></i></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. Planos de imigra&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;veis em: <i><a href="http://treballiaferssocials.gencat.cat/ca/ambits_tematics/immigracio/politiques_i_plans_dactuacio/" target="_blank">http://treballiaferssocials.gencat.cat/ca/ambits_tematics/immigracio/politiques_i_plans_dactuacio/</a></i></font><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. A Lei de Normaliza&ccedil;&atilde;o da Linguagem de 1983 &#91;Artigo 7/1983&#93; da Catalunha estabelece que as autoridades locais devem regular o uso do catal&atilde;o em todas as atividades administrativas locais, uma lei que &eacute; reiterada com a Lei 1/1998 subsequente da pol&iacute;tica da linguagem &#91;da Catalunha&#93;, declarando que "o catal&atilde;o &eacute; a "l&iacute;ngua pr&oacute;pria" na administra&ccedil;&atilde;o local da Catalunha e, como tal, deve ser o "idioma de uso geral e normal em suas atividades".</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16. Dispon&iacute;vel em: <i><a href="http://cido.diba.cat/normativa_local/344253/reglament-dus-de-la-llengua-catalana-de-lajuntament-ajuntament-de-barcelona" target="_blank">http://cido.diba.cat/normativa_local/344253/reglament-dus-de-la-llengua-catalana-de-lajuntament-ajuntament-de-barcelona</a></i></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17. Decis&atilde;o 316/2012. Dispon&iacute;vel em: <i><a href="http://lenguajeadministrativo.com/wp-content/uploads/2012/06/sentencia-del-tsjc-contra-el-ayto-bcn.pdf" target="_blank">http://lenguajeadministrativo.com/wp-content/uploads/2012/06/sentencia-del-tsjc-contra-el-ayto-bcn.pdf</a></i></font> ]]></body><back>
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