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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CULTURA    <br>   LITERATURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Uma d&eacute;cada de <i>Pornopop&eacute;ia</i></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Armando Martinelli Neto</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Sempre achei tentador chafurdar na obscenidade verbal em meio a uma narrativa ficcional", afirma o escritor paulistano Reinaldo Moraes. H&aacute; dez anos ele lan&ccedil;ava <i>Pornopop&eacute;ia</i>, seu livro mais cultuado pela cr&iacute;tica e p&uacute;blico. A obscenidade verbal, os trocadilhos habilidosos e as perip&eacute;cias da vida desregrada do personagem central da trama, Jos&eacute; Carlos Ribeiro, o Zeca, foram escritos ao longo de cinco anos e, segundo Moraes, a recep&ccedil;&atilde;o &agrave; obra foi uma grande surpresa. "Quando terminei, duvidei at&eacute; que encontraria uma editora interessada. Sinceramente, achei que a rea&ccedil;&atilde;o do mundo liter&aacute;rio iria da indiferen&ccedil;a a esgares de desprezo e condena&ccedil;&atilde;o pela amoralidade do personagem, mimetizada pela escrita e por certo clima antiquado ou anacr&ocirc;nico do livro como um todo", diz.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n4/a19fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Pornopop&eacute;ia</i>, lan&ccedil;ado pela editora Objetiva em 2009, foi um marco na carreira de Moraes, roteirista, tradutor, cronista e autor tamb&eacute;m dos romances <i>Tanto faz</i> (1981), <i>Abacaxi</i> (1985), <i>A &oacute;rbita dos carac&oacute;is</i> (2003) e <i>Maior que o mundo</i> (2018), al&eacute;m do livro de contos <i>Umidade</i> (2005) e de cr&ocirc;nicas <i>O cheirinho do amor - cr&ocirc;nicas safadas</i> (2014). As primeiras cr&iacute;ticas sobre <i>Pornopop&eacute;ia</i>, como a de Alcir P&eacute;cora, professor de teoria liter&aacute;ria do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, na &eacute;poca para o caderno Ilustrada do jornal <i>Folha de S.Paulo</i>, demonstraram a vigorosa acolhida da obra. "<i>Pornopop&eacute;ia</i> &#91;o texto n&atilde;o foi adaptado &agrave; nova ortografia a pedido do autor&#93; possui duas virtudes decisivas para livro que adota persona de escritor junk para seu narrador: 1) dom&iacute;nio perfeito do idioma, o que lhe franqueia a consist&ecirc;ncia de 'estilo' que o separa dos aspirantes fajutos a escritor, segundo o gr&atilde;o-guru desse tipo de literatura, Charles Bukowski; 2) veia c&ocirc;mica. <i>Pornopop&eacute;ia</i>, antes de tudo, &eacute; de matar de rir" (<i>Folha de S. Paulo</i>, 11/07/2009).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n4/a19fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>INFLU&Ecirc;NCIAS E ESTILO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O poeta, contista e escritor norte-americano Charles Bukowski &eacute; fundamental na escrita de Moraes. "Eu morava em Paris, &eacute;poca em que ensaiava as escritas de meu primeiro romance, quando um amigo me presenteou com o livro <i>Notas de um velho safado</i>, do Bukowski. Foi um divisor na minha ent&atilde;o aspirante carreira liter&aacute;ria, a ponto de, em 1982, eu me oferecer para traduzir o livro <i>Mulheres</i>, o qual estreitou ainda mais toda admira&ccedil;&atilde;o pelo denominado lirismo de sarjeta, cuja figura maior &eacute; o velho Buk", conta Moraes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v71n4/a19fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Humor, sexo e drogas s&atilde;o caracter&iacute;sticas marcantes nas aventuras de Zeca, cineasta frustrado, com problemas financeiros, conjugais e com a pol&iacute;cia. Ao longo das 568 p&aacute;ginas de sua mais recente edi&ccedil;&atilde;o (Alfaguara, 2019), <i>Pornopop&eacute;ia</i> (como sugere o t&iacute;tulo) est&aacute; repleto de descri&ccedil;&otilde;es sexuais. "N&atilde;o sei de onde exatamente surgiu o interesse pelo tema, mas sempre me incomodou o ato sexual ser vedado ao leitor, como uma porta fechada na cara. Lembro bem que adorei ler <i>A filosofia na alcova</i>, do Sade, aos dezesseis anos, numa edi&ccedil;&atilde;o portuguesa meio clandestina. Me acabei na punheta lendo aquela carnificina sexual toda eivada de reflex&otilde;es c&iacute;nicas, c&ocirc;micas, delirantes, subfilos&oacute;ficas e, ao meu ver, sumamente divertidas. Talvez tenha vindo dessa leitura a ideia de despejar uma dose de putaria meio c&ocirc;mica, meio grotesca, na prosa ficcional, a exemplo de tantos outros autores como Luciano de Sam&oacute;sata, Henry Miller, Ana&iuml;s Nin, Aretino, Bocage e Oswald de Andrade", explica Moraes ao falar de suas inspira&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como ressaltado por P&eacute;cora, o  dom&iacute;nio da l&iacute;ngua exercido por  Reinaldo Moraes personaliza seu estilo, o que possibilita, por exemplo, o uso recorrente de trocadilhos, outro ponto alto em <i>Pornopop&eacute;ia</i>. "Fonemas, morfemas, ra&iacute;zes, radicais, afixos, desin&ecirc;ncias, vogais, consoantes, palavras de todo tipo e proced&ecirc;ncia formam na minha cabe&ccedil;a um imenso lego com milh&otilde;es de possibilidades de conex&otilde;es e recombina&ccedil;&otilde;es l&uacute;dicas, algo inerente a qualquer atividade art&iacute;stica envolvendo quaisquer tipos de linguagem, no caso a verbal. Vai da&iacute; que neologismos burlescos e trocadalhos do carilho n&atilde;o cessam de irromper na minha escrita, quase que &agrave; minha revelia: &eacute; a liga l&uacute;dica do lego que vai se fazendo quase que por si mesma. Ou &agrave; minha arrelia, melhor dizendo", descreve o autor.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>ARTISTA RESIDENTE </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As hist&oacute;rias por tr&aacute;s de Pornopop&eacute;ia, como de seus demais livros, s&atilde;o alguns dos temas discutidos por Reinaldo Moraes como convidado do Programa "Hilda Hilst" do Artista Residente do Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados (IdEA) da Unicamp, no segundo semestre de 2019. Em paralelo, o escritor tamb&eacute;m ministrar&aacute; uma oficina de escrita criativa espec&iacute;fica aos alunos de gradua&ccedil;&atilde;o do IEL, na qual se aprofundar&aacute; na produ&ccedil;&atilde;o de seu livro mais recente Maior que o mundo.</font></p>      ]]></body>
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