<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0009-6725</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciência e Cultura]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Cienc. Cult.]]></abbrev-journal-title>
<issn>0009-6725</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0009-67252020000100010</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.21800/2317-66602020000100010</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Das ciências e da literatura: por uma aventura poética]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Baptista]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Maria Haddad]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="AFF"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AF1">
<institution><![CDATA[,Universidade Nove de Julho  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2020</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>01</month>
<year>2020</year>
</pub-date>
<volume>72</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>28</fpage>
<lpage>31</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252020000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0009-67252020000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0009-67252020000100010&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   LITERATURA E CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Das ci&ecirc;ncias e da literatura: por uma aventura po&eacute;tica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ana Maria Haddad Baptista</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mestra e doutora em comunica&ccedil;&atilde;o e semi&oacute;tica pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (PUC-SP), com p&oacute;s-doutorado em hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia pela Universidade de Lisboa e PUC-SP. &Eacute; autora de diversos livros publicados no Brasil e no exterior e, atualmente, &eacute; pesquisadora e professora da Universidade Nove de Julho (SP)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PRELIMINARES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para a maioria dos olhares e dos multiplicadores de vozes pronunciadas sem a menor fundamenta&ccedil;&atilde;o, as ci&ecirc;ncias e a literatura trilham caminhos opostos que, talvez, jamais se encontrem na escala dos grandes saberes. Entretanto, aqueles que conseguem entender que o mundo &eacute; um todo e que, de alguma forma, todas as coisas est&atilde;o interligadas, percebem que ci&ecirc;ncias e literatura possuem objetivos que se interseccionam na escala das belezas fundamentais, da verdade, do mist&eacute;rio e dos encontros, sobretudo, paradoxais. Encontros ansiosos pelo inesperado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os escritores e cientistas comprometidos com a vida e que entendem, desde sempre, a import&acirc;ncia desta passagem t&atilde;o transit&oacute;ria, buscam, de forma incans&aacute;vel, extrair o m&aacute;ximo para compreend&ecirc;-la em suas leis mais profundas. Leis estas que n&atilde;o se reduzem a um mero olhar contemplativo e muito menos a experi&ecirc;ncias que n&atilde;o tenham um sentido para melhorar e transformar a vida humana. Os verdadeiros escritores e cientistas percebem que o amor e a paix&atilde;o possuem diversas express&otilde;es e dimens&otilde;es. Ser um escritor ou um cientista comprometido e respons&aacute;vel requer, acima de qualquer coisa, nutrir uma grande paix&atilde;o pela humanidade. Perceber, de maneira profunda, que existe algo a revelar que n&atilde;o pode ficar sob a capa da obscuridade.  Entendem a necessidade vital que busca uma materializa&ccedil;&atilde;o essencial e deve ser partilhada. Borges &#91;1&#93; dizia que seus contos e poemas come&ccedil;avam por uma esp&eacute;cie de acontecimento, em seu &iacute;ntimo, de que algo iria lhe acontecer. Muitas vezes, afirmou, no caso de um conto, que ele tinha o princ&iacute;pio e o fim. Mas precisava buscar o desenvolvimento. No caso de um poema lhe surgia uma ideia mais geral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cientistas e escritores possuem converg&ecirc;ncias das mais variadas e inusitadas. Uma  delas &eacute; se pensar, em grande parte com Bachelard (1884-1962), que uma alma sens&iacute;vel e culta deve lembrar de seus esfor&ccedil;os, por meio de seu pr&oacute;prio destino intelectual, as linhas da raz&atilde;o, da sensibilidade, da intui&ccedil;&atilde;o, que, no fundo, est&atilde;o contidas numa mem&oacute;ria que a todo momento lembra que existe uma esp&eacute;cie de ignor&acirc;ncia essencial &#91;2&#93;. Em outras palavras: das certezas que guardamos em nosso &iacute;ntimo, nada garante a atemporalidade e a petrifica&ccedil;&atilde;o de conceitos. O grande problema, pouco esclarecido, &eacute; se entender de que maneira tais converg&ecirc;ncias s&atilde;o concretas e existem em diversos sentidos e graus. N&atilde;o s&atilde;o isoladas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lembremos, por exemplo, que Goethe n&atilde;o foi somente o grande escritor conhecido mundialmente. Goethe foi um homem das ci&ecirc;ncias e, inclusive, fazia in&uacute;meras experimenta&ccedil;&otilde;es, em especial, de bot&acirc;nica. Lembremos que Ernesto Sabato, grande romancista argentino e ensa&iacute;sta, foi doutor em f&iacute;sica e trabalhou em laborat&oacute;rio europeu. Bachelard transitou, com tranquilidade, pela f&iacute;sica, matem&aacute;tica, qu&iacute;mica, filosofia e literatura. Guimar&atilde;es Rosa, escritor bastante conhecido mundialmente, era m&eacute;dico. Enfim, s&atilde;o centenas e centenas de casos, que  mostram o quanto cientistas e escritores caminham de m&atilde;os dadas e de maneira harm&ocirc;nica em rela&ccedil;&atilde;o a objetivos e valores. Por crit&eacute;rios diferentes, no entanto, que v&atilde;o desembocar nos mesmos rios. Nas belas palavras de Einstein: "...foram ideais que suscitaram meus esfor&ccedil;os e me permitiram viver. Chamam-se o bem, a beleza, a verdade. Se n&atilde;o me identifico com outras sensibilidades semelhantes &agrave; minha e se n&atilde;o me obstino incansavelmente em perseguir esse ideal eternamente inacess&iacute;vel na arte e na ci&ecirc;ncia, a vida perde todo o sentido para  mim" &#91;3, p. 10&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pode-se afirmar e n&atilde;o somente pelas palavras do grande f&iacute;sico, que grande parte dos verdadeiros cientistas e escritores possuem em comum: sonhos de um mundo menos desigual, inquieta&ccedil;&otilde;es profundas face aos mist&eacute;rios da vida e uma vontade incontrol&aacute;vel de construir ou descobrir alguma coisa que transforme a vida da humanidade. Ainda nas palavras de Einstein: "N&atilde;o me canso de contemplar o mist&eacute;rio da eternidade da vida. Tenho uma intui&ccedil;&atilde;o da extraordin&aacute;ria constru&ccedil;&atilde;o do ser. Mesmo que o esfor&ccedil;o para compreend&ecirc;-lo fique sempre desproporcionado, vejo a raz&atilde;o se manifestar na vida" &#91;3, p. 12&#93;. O cientista, em muitos momentos, expressou sua imensa fascina&ccedil;&atilde;o diante dos grandes mist&eacute;rios que a vida possibilita. Jamais negou o papel das artes em geral (incluindo a literatura) ao se referir a processos de pensamento. E Guimar&atilde;es Rosa: "...cada homem tem seu lugar no mundo e no tempo que lhe &eacute; concedido. Sua tarefa nunca &eacute; maior que sua capacidade para poder cumpri-la. Ela consiste em preencher seu lugar, em servir &agrave; verdade e aos homens. Conhe&ccedil;o meu lugar e minha tarefa; muitos homens n&atilde;o conhecem, ou chegam a faz&ecirc;-lo quando &eacute; demasiado tarde. Por isso, tudo &eacute; muito simples para mim, e s&oacute; espero fazer justi&ccedil;a a esse lugar e a essa tarefa" &#91;4&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por um outro lado, claro que existem escritores que escrevem, infelizmente, somente para conseguir fama. Destaques em academias. Ou para ganhar dinheiro. Ou, o que &eacute; mais grave, para projetar um eu egoc&ecirc;ntrico e sem limites. Nas ci&ecirc;ncias, para nossa grande infelicidade, n&atilde;o &eacute; diferente. Muitos cientistas est&atilde;o trancados em seus laborat&oacute;rios em busca de um Nobel que os far&aacute; reconhecidos mundialmente. E, talvez, para ocupar um nome em alguma f&oacute;rmula ou lei que dever&aacute; ficar para a posteridade. H&aacute; escritores e cientistas que ficam, muitas vezes, obcecados na busca de uma poss&iacute;vel imortalidade para se integrar na mem&oacute;ria coletiva. Na verdade, apenas engrossam a vertente das famosas mis&eacute;rias humanas. Desde que o mundo &eacute; mundo. Desde tempos imemoriais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Edward Wilson, grande cientista da &aacute;rea da biologia, destaca o valor da  paix&atilde;o pela pesquisa para quem busca uma carreira dentro das ci&ecirc;ncias. Ao falar de si mesmo mostra a import&acirc;ncia do amor pelo tema escolhido para se pesquisar e descobrir alguma coisa que, realmente, se destaque e traga benef&iacute;cios para a humanidade. O cientista ressalta tamb&eacute;m como percebe o processo criativo dentro da &aacute;rea cient&iacute;fica:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"O cientista ideal pensa como um poeta e s&oacute; ent&atilde;o trabalha como um contador. Tenha em mente que os inovadores, tanto na literatura quanto na ci&ecirc;ncia, s&atilde;o basicamente sonhadores e contadores de hist&oacute;rias. Nos primeiros passos da cria&ccedil;&atilde;o tanto da literatura quanto da ci&ecirc;ncia, tudo que h&aacute; na mente &eacute; uma hist&oacute;ria. H&aacute; um final imaginado, normalmente um come&ccedil;o imaginado, e uma sele&ccedil;&atilde;o de partes e de pe&ccedil;as que podem se encaixar no meio. Em obras liter&aacute;rias e tamb&eacute;m na ci&ecirc;ncia, qualquer parte pode ser modificada, causando mudan&ccedil;a nas liga&ccedil;&otilde;es com as outras partes, algumas das quais s&atilde;o descartadas e outras adicionadas." &#91;5, p. 59&#93;.</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observe-se, no fragmento citado, o quanto Edward Wilson mostra as semelhan&ccedil;as entre a gesta&ccedil;&atilde;o de uma obra liter&aacute;ria, em processo de cria&ccedil;&atilde;o, e o caminho para uma poss&iacute;vel teoria cient&iacute;fica. Em especial, os sonhos. Na verdade, tudo come&ccedil;a com uma certa fantasia. Imagina-se o in&iacute;cio, o desenvolvimento e um fim poss&iacute;vel. Ou&ccedil;amos mais uma vez o cientista: "Os cen&aacute;rios, sejam liter&aacute;rios ou de natureza cient&iacute;fica, concorrem um com os outros. Alguns se sobrep&otilde;em. Palavras e frases (ou equa&ccedil;&otilde;es ou experimentos) s&atilde;o testados para dar sentido &agrave; coisa como um todo" &#91;5, p. 60&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Veja-se que a dist&acirc;ncia que muitos pretendem imprimir na tentativa de alargar o hiato entre ci&ecirc;ncias e literatura mostra-se falso e sem fundamenta&ccedil;&atilde;o consistente. S&atilde;o dezenas de cientistas e escritores que admitem que o processo de cria&ccedil;&atilde;o envolve um conceito universal de converg&ecirc;ncias entre as diferentes &aacute;reas. E, finalmente, n&atilde;o custar lembrar mais um ponto importante que aproxima as ci&ecirc;ncias e a literatura: a liberdade. Isso &eacute; fundamental. Essencial. Liberdade nas mais diferentes dimens&otilde;es. Ou seja, o cientista consciente de nossa cosmologia sabe que existe, objetivamente, a liberdade da mat&eacute;ria, como t&atilde;o brilhantemente, sabe-se, mostrou Ilya Prigogine. O universo, como tantas teorias comprovam, n&atilde;o &eacute; determinista. Portanto, n&atilde;o se pode prever o futuro e muito menos os caminhos que o universo poder&aacute; trilhar. Isso confere uma liberdade, sem precedentes, aos cientistas. H&aacute; muito a se descobrir, a sonhar, a inventar. Por um outro lado, os verdadeiros escritores, possuem a mesma liberdade. Principalmente, a de sonhar e possibilitar novas e inusitadas formas de exist&ecirc;ncia e outras maneiras de exercitar o pensamento a partir, inclusive, de novos conceitos de amor e tantas outras paix&otilde;es humanas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>GOETHE: O ESCRITOR, O CIENTISTA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Goethe foi um dos maiores escritores da literatura universal. Em suas palavras: "Vim ao mundo na cidade de Frankfurt, &agrave;s margens do rio Meno, aos vinte e oito dias de agosto do ano de 1749, quando os sinos dobravam a d&eacute;cima segunda badalada do meio-dia" &#91;6&#93;. Aqui cabe uma breve explica&ccedil;&atilde;o que relaciona ci&ecirc;ncia e poesia. &Eacute; de conhecimento geral que antes da inven&ccedil;&atilde;o dos rel&oacute;gios mec&acirc;nicos houve outras formas de se marcar o tempo de maneira objetiva. A divis&atilde;o de um dia em 24 horas surge entre os babil&ocirc;nios por volta de cinco s&eacute;culos a.C. Sabe-se que o ponto chave foi definir o meio-dia. Isto &eacute;, foi observado pelos babil&ocirc;nios que havia um instante em que o sol n&atilde;o projetava sombras que era justamente o meio-dia. E com isso foi criado o rel&oacute;gio do sol. Muitos poetas conotam o meio-dia como eternidade. Um instante que se quer eterno porque consegue, de certa maneira, fugir aos marcadores do tempo. Observe-se que Goethe, em sua autobiografia,  declara "quando os sinos dobravam a d&eacute;cima segunda badalada do meio-dia".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ele foi um dos maiores representantes do denominado movimento liter&aacute;rio e filos&oacute;fico rom&acirc;ntico. Seu conjunto de obras, muito vasto, teve um alcance muito grande. Influenciou, sob todos os n&iacute;veis, outros escritores e poetas. Entretanto, o que a maioria desconhece, quer intencionalmente ou n&atilde;o, &eacute; que o grande escritor foi tamb&eacute;m um cientista. Goethe dedicou boa parte de sua vida a, de certa forma, unir literatura, ensaios cient&iacute;ficos e experimenta&ccedil;&otilde;es. Em suas palavras: "Cada olhar envolve uma observa&ccedil;&atilde;o, cada observa&ccedil;&atilde;o uma reflex&atilde;o, cada reflex&atilde;o uma s&iacute;ntese: ao olharmos atentamente para o mundo j&aacute; estamos teorizando. Devemos, por&eacute;m, teorizar e proceder com consci&ecirc;ncia, autoconhecimento, liberdade" &#91;7&#93;. Veja-se que a postura citada por Goethe n&atilde;o foge aos prop&oacute;sitos de um verdadeiro escritor. O que faz um escritor quando, por exemplo, est&aacute; construindo um personagem? Precisa, em princ&iacute;pio, observar, refletir e sintetizar. Sempre que olhamos para o mundo, j&aacute; estamos, como diz o escritor, teorizando. Isso vale para qualquer coisa. Olhamos para o mundo buscando compreender o que nos cerca. Em todos os graus e dimens&otilde;es. No caso mais espec&iacute;fico de Goethe sabemos que ele se dedicou, com paix&atilde;o, a duas &aacute;reas: a da literatura e a das ci&ecirc;ncias. Uma n&atilde;o excluiu a outra. De forma alguma. "Nunca admirei a natureza com fins po&eacute;ticos" &#91;8&#93;. Continua Goethe: "N&atilde;o obstante, como meus antigos desenhos de paisagem e mais tarde minhas pesquisas de naturalista me induziam a uma constante e precisa contempla&ccedil;&atilde;o, pude assim aos poucos estud&aacute;-la at&eacute; em suas &iacute;ntimas min&uacute;cias, de modo que quando delas necessito, como poeta, tenho-as logo &agrave; minha disposi&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o falto facilmente &agrave; verdade" &#91;8&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conv&eacute;m ressaltar que Goethe teve importantes contribui&ccedil;&otilde;es para a &aacute;rea da &oacute;ptica. Teorias de grande impacto, em especial estudos sobre as cores. Foi ele quem contestou Newton, um cientista consagrado, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s quest&otilde;es da luz. E foi somente no s&eacute;culo XX, gra&ccedil;as, inclusive, aos surrealistas que finalmente suas posi&ccedil;&otilde;es foram, definitivamente, reconhecidas e apontaram para alguns erros graves de Newton.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ERNESTO SABATO: O CIENTISTA, O ESCRITOR</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ernesto Sabato (1911-2011) &eacute; um outro caso, muito particular, que alia ci&ecirc;ncia e literatura. Muito conhecido como um dos melhores escritores da Am&eacute;rica Latina. Autor de romances e belos ensaios. E &eacute; justamente em tal tipologia que podemos, com seguran&ccedil;a, usufruir de suas reflex&otilde;es em interfaces com a educa&ccedil;&atilde;o, hist&oacute;ria, geografia, f&iacute;sica, matem&aacute;tica. O  escritor argentino, em 1929,  ingressou na Faculdade de Ci&ecirc;ncias F&iacute;sico-Matem&aacute;ticas da Universidade de La Plata. Em 1938 obteve seu doutorado em f&iacute;sica na mesma universidade. Ganhou, por ser o melhor candidato da &eacute;poca, uma bolsa de estudos para realizar pesquisas sobre radia&ccedil;&otilde;es at&ocirc;micas no famoso Laborat&oacute;rio Juliot-Curie de Paris. Retornou a Buenos Aires antes de estourar a Segunda Guerra Mundial e foi lecionar na mesma universidade onde obteve seu doutorado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em uma entrevista Sabato relata que ao assistir, pela primeira vez, quando menino, a uma aula cuja demonstra&ccedil;&atilde;o era um teorema de geometria, sentiu uma esp&eacute;cie de &ecirc;xtase por descobrir um mundo exato, charmoso e incorrupt&iacute;vel. Mal sabia ele, afirma, que acabara de descobrir o universo imaginado por Plat&atilde;o. Tal fato foi decisivo em sua vida. Ao mesmo tempo ficava maravilhado com os livros que lia, como por exemplo Chateaubriand, Kleist e outros. Sentia-se diante de um mundo fascinante e ao mesmo tempo dram&aacute;tico. Ganhou, como vimos anteriormente, uma bolsa para trabalhar no Laborat&oacute;rio Juliet-Curie em Paris. Naquele momento pensou que estaria num universo sedutor, para uma nova vida, ou seja, o mundo da pintura e da literatura, as duas coisas que o atraiam de forma misteriosa. Ele j&aacute; estava escrevendo um livro e passou a ter uma vida desdobrada entre a f&iacute;sica e o surrealismo. Isto &eacute;, durante o dia trabalhava com os el&eacute;trons no laborat&oacute;rio e  &agrave; noite se reunia com os surrealistas. Terminou o doutorado com uma profunda crise existencial. Por um lado, a consci&ecirc;ncia de que a ci&ecirc;ncia estava provocando uma crise profunda nos homens, por sua aliena&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. Por outro, o contato com os surrealistas representavam um oposto &agrave; raz&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Depois de muitos anos trabalhando como cientista, Sabato enfrentou outra crise existencial. Nessa medida, resolveu abandonar a carreira, para espanto geral de seus colegas pesquisadores, e assumir, definitivamente, a carreira de escritor. Nas palavras de Sabato: "Acho que existem duas linguagens: uma, expressiva, fundamentalmente po&eacute;tica, feita de met&aacute;foras, e que seria a linguagem primeira, a da vida e da emo&ccedil;&atilde;o. E outra estritamente intelectual, direta, abstrata, que &eacute; a linguagem das ci&ecirc;ncias: uma hipotenusa &eacute; uma hipotenusa. Essa linguagem vem depois, com o pensamento" &#91;9&#93;. Declara, inclusive, que os personagens de uma grande fic&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o emana&ccedil;&otilde;es do que h&aacute; de mais profundo de um escritor e por isso mesmo tomam, muitas vezes, um caminho inesperado pelo pr&oacute;prio autor. Pontos que aterram o pr&oacute;prio escritor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A busca essencial de Sabato &#91;10, p. 632&#93;, ao lermos seus diversos romances e ensaios, &eacute; por poss&iacute;veis respostas para algumas contradi&ccedil;&otilde;es que, segundo ele, todo homem possui, ou seja, compreender a s&iacute;ntese entre existir historicamente e a atemporalidade. O ser humano, declara ele, &eacute; social e hist&oacute;rico e, ao mesmo tempo, consciente de sua mortalidade, possui o desejo de ser absoluto e busca a eternidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando indagado sobre ensino e educa&ccedil;&atilde;o, Sabato n&atilde;o poupa cr&iacute;ticas aos sistemas educacionais (incluindo o argentino) que promovem a dist&acirc;ncia absurda entre as disciplinas &#91;10, p. 162&#93;. Cr&ecirc; que um sistema escolar deveria ser integrador, ou seja, promover um di&aacute;logo, interdisciplinar, entre professores e alunos. Acredita que somente a forma&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida de um professor poder&aacute; materializar um sistema de ensino distante de classifica&ccedil;&otilde;es in&uacute;teis e decorebas de nomes de rios, oceanos e outras coisas. Para ele uma boa educa&ccedil;&atilde;o deve estar preocupada, sobretudo, com valores que podemos transferir, de fato, para a vida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BREVES PONDERA&Ccedil;&Otilde;ES</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> Ao longo deste texto buscamos evidenciar, sobretudo, o quanto escritores e cientistas, especialmente aqueles comprometidos com a humanidade, possuem ideais e sonhos que os irmanam e que h&aacute; explicitamente uma preocupa&ccedil;&atilde;o, comum, mais profunda que ultrapassa os limites de uma proje&ccedil;&atilde;o individual, pessoal e egoc&ecirc;ntrica. Vimos tamb&eacute;m que o processo criativo, tanto de cientistas como de escritores, partem de conceitos mais universais no que se referem aos mecanismos mais ligados ao c&eacute;rebro humano. Acrescente-se a isso uma abertura cosmol&oacute;gica quase inexplic&aacute;vel. Al&eacute;m disso, predisposi&ccedil;&atilde;o para admirar a vida, os rios, os mares, as estrelas e tudo aquilo que exala beleza. Nas palavras de Einstein: "Al&eacute;m de mim, fora de mim, estava o mundo imenso, que existe independente dos seres humanos e que se nos apresenta como um enorme e eterno enigma, em parte acess&iacute;vel &agrave; nossa observa&ccedil;&atilde;o e ao nosso pensamento. A contempla&ccedil;&atilde;o deste mundo acenava-me como uma for&ccedil;a libertadora, e percebi que muitos daqueles a quem aprendera a respeitar e admirar haviam encontrado, por esse meio, a liberdade interior e a seguran&ccedil;a" &#91;11&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Buscamos, inclusive, mostrar que v&aacute;rios cientistas comparam o processo criativo de uma pesquisa ao mesmo de um escritor. Diga-se, mesmo que brevemente, que os bons romancistas e poetas estudam muito as mais variadas ci&ecirc;ncias para criar ambientes de &eacute;poca, personagens e outros elementos presentes na literatura. Um caso exemplar e conhecido &eacute; o da famosa escritora Marguerite Yourcenar. Em especial, <i>Mem&oacute;rias de Adriano </i>foi uma obra que exigiu da escritora muitos e muitos anos de pesquisa, n&atilde;o somente hist&oacute;ricas, mas muitas outras para que realmente se sentisse segura para tomar a voz do famoso imperador romano Adriano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Graciliano Ramos, por exemplo, confessa, em diversos momentos, que estudou muitos tratados de psicologia para que pudesse compor suas personagens. Fernando Pessoa estudava filosofia, psicologia, matem&aacute;tica e outras &aacute;reas para alcan&ccedil;ar seus objetivos de escritor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alan Lightman, f&iacute;sico e escritor de romances e ensaios, atualmente professor de f&iacute;sica no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, tamb&eacute;m transita com serenidade entre a ci&ecirc;ncia e a literatura. Diz que opera nas duas &aacute;reas com grandes expectativas. Em suas palavras: "Parece-me que tanto a ci&ecirc;ncia como a arte tentam desesperadamente estabelecer uma conex&atilde;o com algo &ndash; pois &eacute; assim que atingimos a universalidade. Na arte, esse algo s&atilde;o as pessoas, suas expectativas, sua sensibilidade. Na ci&ecirc;ncia, &eacute; a natureza, o mundo f&iacute;sico, as leis f&iacute;sicas. &Agrave;s vezes discamos o n&uacute;mero errado e acabamos sendo desmascarados. A teoria do sistema solar de Ptolomeu, segundo a qual o Sol e os planetas revolvem em torno da Terra em ciclos e em ciclos dentro de ciclos, &eacute; imaginativa, engenhosa e at&eacute; mesmo bela &ndash; mas incorreta em termos f&iacute;sicos. Quase incontestada durante s&eacute;culos, foi implacavelmente detonada como um edif&iacute;cio condenado, depois que Cop&eacute;rnico entrou em cena" &#91;12, p. 90&#93;. Declara, sobretudo, que os cientistas convivem com o fato de seu produto ser de car&aacute;ter impessoal. Mas isso n&atilde;o exclui a verdade de que todo cientista gostaria de ser compreendido como uma pessoa singular. Ou&ccedil;amos, uma vez mais, Lightman: "A ci&ecirc;ncia oferece pouco conforto para algu&eacute;m que anseie por deixar em seu trabalho uma mensagem pessoal &ndash; seu singelo poema ou sua comovente sonata. Atribui-se a Einstein a afirma&ccedil;&atilde;o de que mesmo que Newton ou Leibniz n&atilde;o tivessem existido o mundo teria o c&aacute;lculo, mas que sem Beethoven jamais ter&iacute;amos a <i>Sinfonia em d&oacute; menor</i>" &#91;12, p. 88&#93;<i>.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A verdade &eacute; que tanto o pensamento de um cientista, quanto a de um escritor, realmente comprometidos com a responsabilidade de promover um mundo menos miser&aacute;vel e mais humano, possui espreitas em todas as dire&ccedil;&otilde;es. Sem pretens&otilde;es de porcentagens quantitativas, o movimento do pensamento de um escritor e de um cientista, assim como daqueles que caminham pelas duas &aacute;reas, &eacute; solicitado, em maior ou em menor grau, pela imagina&ccedil;&atilde;o, raz&atilde;o, intui&ccedil;&atilde;o, proje&ccedil;&atilde;o, devaneio, digress&atilde;o e fantasia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Primo Levi (1919-1987) transitou, como se sabe, especialmente pela qu&iacute;mica e pela literatura. Autor de in&uacute;meras obras liter&aacute;rias, declarou, em um famoso di&aacute;logo com Tullio Regge (f&iacute;sico te&oacute;rico), que a tabela peri&oacute;dica possui rimas. "Na forma mais comum da tabela peri&oacute;dica, cada linha termina com a mesma 's&iacute;laba' que &eacute; sempre composta por um halog&ecirc;nio mais um g&aacute;s raro: fl&uacute;or + n&eacute;on, cloro + &aacute;rgon, etc. H&aacute; o eco da grande descoberta, aquela que te tira a respira&ccedil;&atilde;o; da emo&ccedil;&atilde;o (tamb&eacute;m est&eacute;tica, tamb&eacute;m po&eacute;tica) que Mandeleev deve ter sentido quando intuiu que, ordenando os elementos ent&atilde;o conhecidos, naquela maneira particular, o caos dava lugar &agrave; ordem, o indistinto ao compreens&iacute;vel (...) Discernir ou criar uma simetria, 'p&ocirc;r alguma coisa no seu devido lugar', &eacute; uma aventura mental comum ao poeta e ao cientista" &#91;13&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diante do exposto, podemos imaginar que, muitas vezes, sem saber ou, talvez, em sonhos que tangenciem teorias gerais do esquecimento, cientistas e poetas potencializam uma est&eacute;tica labir&iacute;ntica do maravilhamento. Um di&aacute;logo musical  poss&iacute;vel entre uma flauta e a lua.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	Borges, J. L. <i>Sobre os sonhos e outros di&aacute;logos. </i>Tradu&ccedil;&atilde;o de John Lionel O. Rodr&iacute;guez. Pr&oacute;logo de Oswaldo Ferrari. S&atilde;o Paulo: Hedra, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.	Bachelard, G. <i>A intui&ccedil;&atilde;o do instante. </i>Tradu&ccedil;&atilde;o de Antonio de Padua Danesi. Campinas, SP: Verus Editora, 2007.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.	Einstein, A. <i>Como vejo o mundo. </i>Tradu&ccedil;&atilde;o de H.P. de Almeida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016. p. 10.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.	Rosa, G. <i>Fic&ccedil;&atilde;o completa volume I.</i> Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994. p. 30.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5.	Wilson, E. O. <i>Cartas a um jovem cientista. </i>Tradu&ccedil;&atilde;o de Rog&eacute;rio Galindo. S&atilde;o Paulo: Cia das Letras, 2015. p. 59.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.	Goethe, J. W. <i>De minha vida: poesia e verdade. </i>Tradu&ccedil;&atilde;o, apresenta&ccedil;&atilde;o e notas de Mauricio Mendon&ccedil;a Cardoso. S&atilde;o Paulo: Editora Unesp, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7.	Goethe, J. W. <i>Doutrina das cores. </i>Tradu&ccedil;&atilde;o de Marco Giannotti. S&atilde;o Paulo: Nova Alexandria, 2011. p. 37.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.	Eckermann, J. P. <i>Conversa&ccedil;&otilde;es com Goethe. </i>Tradu&ccedil;&atilde;o de Marina Leivas Bastian Pinto. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 2004. p. 170.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.	Sabato, E. <i>Borges Sabato: Di&aacute;logos. </i>Tradu&ccedil;&atilde;o de Maria Paula Gurgel Ribeiro. S&atilde;o Paulo: Editora Globo, 2005. p. 80.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10.	Sabato, E. <i>Obra completa: ensayos.</i> Buenos Aires: Emec&eacute; Editores S.A./ Seix Barral, 2007. p. 632.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11.	Einstein, A. <i>Notas autobiogr&aacute;ficas. </i>Tradu&ccedil;&atilde;o de Aulyde Soares Rodrigues. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982. p. 15.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12.	Lightman, A. <i>Viagens no tempo e o cachimbo do vov&ocirc; Joe e outros ensaios. </i>Tradu&ccedil;&atilde;o de Carlos Afonso Malferrari. S&atilde;o Paulo: Cia das Letras, 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13.	Levi, P.; Regge, T. <i>Di&aacute;logo: sobre a ci&ecirc;ncia e o homem. </i>Tradu&ccedil;&atilde;o de Eduardo Lage. Lisboa: Gradiva, 2012. p. 38-39.    </font></p>      ]]></body><back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<label>1</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Borges]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. L.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[John Lionel O.]]></surname>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ferrari]]></surname>
<given-names><![CDATA[Oswaldo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Sobre os sonhos e outros diálogos]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Hedra]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<label>2</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bachelard]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Danesi]]></surname>
<given-names><![CDATA[Antonio de Padua]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A intuição do instante]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Campinas^eSP SP]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Verus Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<label>3</label><nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Einstein]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Almeida]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.P. de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Como vejo o mundo]]></source>
<year>2016</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de JaneiroNova Fronteira ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<label>4</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rosa]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ficção completa volume I]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Nova Aguilar]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<label>5</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Wilson]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. O.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Galindo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rogério]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cartas a um jovem cientista]]></source>
<year>2015</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cia das Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<label>6</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Goethe]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cardoso]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mauricio Mendonça]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[De minha vida: poesia e verdade]]></source>
<year>2017</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Unesp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<label>7</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Goethe]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. W.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Giannotti]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marco]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Doutrina das cores]]></source>
<year>2011</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Nova Alexandria]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<label>8</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Eckermann]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pinto]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marina Leivas Bastian]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Conversações com Goethe]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Belo Horizonte ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Itatiaia]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<label>9</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sabato]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ribeiro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Paula Gurgel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Borges Sabato: Diálogos]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Globo]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<label>10</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sabato]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Obra completa: ensayos. Buenos Aires]]></source>
<year>2007</year>
<page-range>632</page-range><publisher-name><![CDATA[Emecé Editores S.A.Seix Barral]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<label>11</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Einstein]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Rodrigues]]></surname>
<given-names><![CDATA[Aulyde Soares]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Notas autobiográficas]]></source>
<year>1982</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Nova Fronteira]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<label>12</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lightman]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Malferrari]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos Afonso]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Viagens no tempo e o cachimbo do vovô Joe e outros ensaios]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Cia das Letras]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<label>13</label><nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Levi]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Regge]]></surname>
<given-names><![CDATA[T.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lage]]></surname>
<given-names><![CDATA[Eduardo]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Diálogo: sobre a ciência e o homem]]></source>
<year>2012</year>
<page-range>38-39</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Gradiva]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
