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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   LITERATURA E CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ci&ecirc;ncia e literatura em poiesis transdisciplinar</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&aacute;rcia Fusaro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">P&oacute;s-doutoranda em artes na Universidade Estadual Paulista "J&uacute;lio de Mesquita Filho" (Unesp), doutora em comunica&ccedil;&atilde;o e semi&oacute;tica pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (PUC-SP), mestra em hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia (PUC-SP) e especialista em l&iacute;ngua, literatura e semi&oacute;tica pela Universidade S&atilde;o Judas Tadeu (USJT). Professora do stricto sensu em educa&ccedil;&atilde;o e da licenciatura em letras da Universidade Nove de Julho. L&iacute;der e membro de grupos de pesquisa chancelados pelo CNPq. &Eacute; pesquisadora das interfaces epistemol&oacute;gicas entre educa&ccedil;&atilde;o, arte, comunica&ccedil;&atilde;o e ci&ecirc;ncia. Email: <a href="mailto:profmarciafusaro@gmail.com">profmarciafusaro@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>&Agrave; LUZ DE ALGUNS CONCEITOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na raiz grega </font>&#960;o&iacute;&#951;&#963;&#953;&#962;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">, a palavra <i>poiesis</i> tem um sentido de "cria&ccedil;&atilde;o". Portanto, relacionado a uma a&ccedil;&atilde;o criativa, o conceito de <i>poiesis</i> pode servir para se pensar, criteriosamente, algumas aproxima&ccedil;&otilde;es entre o cientista e o artista, considerando-os criadores em suas respectivas &aacute;reas. Detalhe importante a ser lembrado, de sa&iacute;da, &eacute; que n&atilde;o se produz conhecimento em absoluta solid&atilde;o. A hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia vem demonstrando isso. E de modo fascinante. A solid&atilde;o pode at&eacute; fazer parte de alguns necess&aacute;rios, importantes, momentos dos processos criativos humanos, mas n&atilde;o se sustenta como <i>ethos</i> (modo de agir) &uacute;nico quando o que est&aacute; em jogo &eacute; o interesse pela busca de novos conhecimentos fundamentados na constante (re)avalia&ccedil;&atilde;o do passado a servir de refer&ecirc;ncia construtiva ao presente e ao futuro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, o di&aacute;logo, a colabora&ccedil;&atilde;o e o compartilhamento de saberes, seja nas ci&ecirc;ncias, nas artes, ou em quaisquer outras &aacute;reas do conhecimento, s&atilde;o componentes fundamentais ao exerc&iacute;cio da criatividade entendida a partir de um estado po&eacute;tico. Ou seja, um estado advindo da raiz grega <i>poiesis</i>, portanto, para al&eacute;m de um sentido po&eacute;tico aplic&aacute;vel unicamente &agrave; escrita de poemas. Assim entendido, em refer&ecirc;ncia a condi&ccedil;&otilde;es profundas de criatividade, tanto o cientista quanto o artista compartilham momentos de estado po&eacute;tico, considerando-se com os devidos crit&eacute;rios suas respectivas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o que, evidentemente, n&atilde;o se confundem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A transdisciplinaridade, outro conceito de interesse &agrave;s reflex&otilde;es aqui conduzidas, tem sido abordada com refino por intelectuais de peso nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Dentre os brasileiros, destaca-se Ubiratan D'Ambrosio, um de nossos mais consagrados matem&aacute;ticos, autor do livro <i>Transdisciplinaridade</i> e de outros tantos a nos servir de refer&ecirc;ncia sobre o assunto. Outro pensador de destaque sobre esse tema &eacute; o fil&oacute;sofo e soci&oacute;logo franc&ecirc;s Edgar Morin, cujas obras <i>A cabe&ccedil;a bem-feita</i> e <i>A religa&ccedil;&atilde;o dos saberes</i> se destacam, dentre in&uacute;meras outras.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O prefixo "trans", o mesmo presente na palavra "tr&acirc;nsito", designa "movimento para al&eacute;m de". Transdisciplinaridade, portanto, tem em sua raiz o significado de um movimento de intera&ccedil;&atilde;o para al&eacute;m das disciplinas eventualmente submetidas a processos de interfaces. Por esse vi&eacute;s, considerado em conjunto com os significados advindos e desdobrados de <i>poiesis</i>, &eacute; poss&iacute;vel tra&ccedil;ar di&aacute;logos inteligentes, sens&iacute;veis, entre as ci&ecirc;ncias e as artes, especialmente a literatura, em sua raiz primordial vinculada &agrave; poesia. Poesia esta, lembremos, surgida muito antes da ci&ecirc;ncia, nas manifesta&ccedil;&otilde;es mais ancestrais ligadas &agrave; cultura e mitologias dos povos, conforme nos lembra Octavio Paz, Nobel de Literatura (1990) em sua estupenda, j&aacute; cl&aacute;ssica, obra <i>O arco e a lira</i>: "A poesia pertence a todas as &eacute;pocas: &eacute; a forma natural de express&atilde;o dos homens. N&atilde;o h&aacute; povos sem poesia; mas sem prosa, sim. Portanto, pode-se dizer que a prosa n&atilde;o &eacute; uma forma de express&atilde;o inerente &agrave; sociedade, ao passo que &eacute; inconceb&iacute;vel a exist&ecirc;ncia de uma sociedade sem can&ccedil;&otilde;es, mitos ou outras express&otilde;es po&eacute;ticas" &#91;1&#93;. Guiados pela ancestral<i> poiesis</i>, portanto, &eacute; que cientistas e artistas se aproximam, evidentemente que com diferentes prop&oacute;sitos e mediados por variados instrumentos. Aproxima-os, ainda, de modo equivalentemente belo, o encantamento pela beleza das harmonias internas de uma verdade conceitual e experimental, buscada por ambos, conduzida pela intui&ccedil;&atilde;o a lhes servir de guia em novos experimentos e descobertas em suas respectivas &aacute;reas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">David Bohm, f&iacute;sico que trabalhou com Einstein e atuou no Brasil, como professor e pesquisador durante algum tempo, enquanto se mantinha afastado de persegui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas advindas do macarthismo nos Estados Unidos &#91;2&#93;, oferece importantes reflex&otilde;es sobre poss&iacute;veis aproxima&ccedil;&otilde;es entre o cientista e o artista:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"A maioria dos cientistas (especialmente os mais criativos, como Einstein, Poincar&eacute;, Dirac e outros) sente intensamente que as leis do Universo, do modo como foram reveladas at&eacute; ent&atilde;o pela ci&ecirc;ncia, t&ecirc;m um tipo de beleza impressionante e significativa, o que sugere que, na verdade, n&atilde;o veem o Universo como mero mecanismo. Aqui, ent&atilde;o, h&aacute; uma conex&atilde;o poss&iacute;vel entre ci&ecirc;ncia e arte. (...) Para o cientista, o Universo, juntamente com sua teoria sobre ele, &eacute; belo da mesma maneira como uma obra de arte pode ser considerada bela - uma totalidade coerente. (...) A cria&ccedil;&atilde;o de um artista deve ser 'fiel a si mesma', assim como a vasta teoria cient&iacute;fica deve ser 'fiel a si mesma'. (...) Em ambas as &aacute;reas as estruturas s&atilde;o de algum modo avaliadas, consciente ou inconscientemente, quanto a ser 'fi&eacute;is a si mesmas' e aceitas ou rejeitadas nessas bases, gostem eles ou n&atilde;o. Assim, o artista realmente precisa de uma atitude cient&iacute;fica com rela&ccedil;&atilde;o ao seu trabalho, assim como o cientista deve ter uma atitude art&iacute;stica com rela&ccedil;&atilde;o ao seu." &#91;3&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Niels Bohr, f&iacute;sico que conceituou o "princ&iacute;pio da complementaridade", tamb&eacute;m oferece belas reflex&otilde;es sobre o tema da verdade na ci&ecirc;ncia, na arte e na literatura. Segundo ele, utilizando-se de toda cautela que um cientista deve ter ao ousar enveredar por reflex&otilde;es sobre se haveria uma verdade po&eacute;tica, espiritual ou cultural distinta da verdade cient&iacute;fica, "&eacute; fato que somos diretamente confrontados com a rela&ccedil;&atilde;o entre a ci&ecirc;ncia e a arte. O enriquecimento que a arte pode nos trazer origina-se em seu poder de nos relembrar harmonias que ficam fora do alcance da an&aacute;lise sistem&aacute;tica. Pode-se dizer que a arte liter&aacute;ria, a arte pict&oacute;rica e a arte musical comp&otilde;em uma sequ&ecirc;ncia de modos de express&atilde;o em que a ren&uacute;ncia cada vez mais ampla &agrave; defini&ccedil;&atilde;o, caracter&iacute;stica da comunica&ccedil;&atilde;o humana, d&aacute; &agrave; fantasia uma liberdade maior de manifesta&ccedil;&atilde;o. Na poesia, em particular, esse prop&oacute;sito &eacute; alcan&ccedil;ado pela justaposi&ccedil;&atilde;o de palavras relacionadas com situa&ccedil;&otilde;es observacionais mut&aacute;veis, com isso unindo emocionalmente m&uacute;ltiplos aspectos do conhecimento humano." &#91;4&#93;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">J&aacute; se espera que o belo seja assunto tem&aacute;tico de artistas. Todavia, refinadas ousadias de reflex&atilde;o surgem quando o belo se revela como tema de interesse tamb&eacute;m dos cientistas. Exemplo disso, v&ecirc;-se no di&aacute;logo entre Einstein e o poeta indiano Rabindranath Tagore, primeiro escritor n&atilde;o europeu a vencer o Nobel de Literatura, em 1913, oito anos antes de o pr&oacute;prio Einstein ser laureado com um Nobel de F&iacute;sica. O famoso encontro ocorreu na casa do f&iacute;sico, em Caputh, Alemanha, na tarde de 14 de julho de 1930 &#91;5&#93;. O belo e a verdade foram dois dos principais temas abordados por eles. Mais preocupados com defini&ccedil;&otilde;es universais, em vez de localizadas ou definitivas demais, como s&oacute; pensadores mais s&aacute;bios se permitem fazer, ambos mantiveram um di&aacute;logo de alto n&iacute;vel inclusive nos momentos em que discordaram. Muito provavelmente pelo fato de haverem sido leitores atentos das &aacute;reas de humanidades, al&eacute;m de admiradores de artes eruditas. Lembremos que Einstein tocava violino com talento e era apaixonado pela m&uacute;sica de Mozart, Bach e Schubert. Teve cerca de dez violinos ao longo da vida, todos apelidados carinhosamente de "Lina". Tagore, al&eacute;m de poeta, ensa&iacute;sta e romancista, tamb&eacute;m era m&uacute;sico, dan&ccedil;arino e dramaturgo. No di&aacute;logo, nota-se que, para ambos, o belo e a verdade surgem como buscas fundamentais ao ser humano guiado tanto pela ci&ecirc;ncia, quanto pela arte.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A m&uacute;sica, ali&aacute;s, parece ter participa&ccedil;&atilde;o constante na vida de certos cientistas mais sens&iacute;veis ao estado po&eacute;tico &#91;6&#93;. Werner Heisenberg, Nobel de F&iacute;sica (1932), criador do "princ&iacute;pio da incerteza", cujas consequ&ecirc;ncias tanto incomodaram Einstein, levando-o a proferir sua famosa frase "Deus n&atilde;o joga dados", narra em seu livro <i>A parte e o todo</i> suas aulas de piano e seu gosto pela m&uacute;sica de c&acirc;mara &#91;7, p. 167&#93;. Max Planck, outro Nobel de F&iacute;sica (1918) do mesmo calibre de Einstein e Heisenberg, tamb&eacute;m relata em sua <i>Autobiografiacient&iacute;fica</i> &#91;8&#93; seu conhecimento sobre m&uacute;sica erudita. Aprendeu canto, tocava piano, &oacute;rg&atilde;o e violoncelo. A paix&atilde;o pela m&uacute;sica o levou, inclusive, a compor m&uacute;sicas e &oacute;peras. O irreverente, e igualmente brilhante, Richard Feynman, Nobel de F&iacute;sica em 1965, tocava bong&ocirc; &#91;9&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, vale lembrar um talento cient&iacute;fico-art&iacute;stico nacional na figura de Paulo Vanzolini, ilustre zo&oacute;logo, doutorado por Harvard, que atuou como diretor do Museu de Zoologia da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) por 30 anos e comp&ocirc;s can&ccedil;&otilde;es conhecidas como "Ronda", "Volta por cima", al&eacute;m do muito original di&aacute;logo entre poesia e ci&ecirc;ncia presente, por exemplo, nos belos versos de seu samba "Tempo e espa&ccedil;o" (1981): "O tempo e o espa&ccedil;o eu confundo / A linha do mundo &eacute; uma reta fechada / P&eacute;riplo, ciclo / Jornada de luz consumida e reencontrada / N&atilde;o sei de quem visse o come&ccedil;o / Sequer reconhe&ccedil;o / O que &eacute; meio, o que &eacute; fim / Pra viver no seu tempo / &Eacute; que eu fa&ccedil;o viagens no espa&ccedil;o / De dentro de mim / As conjun&ccedil;&otilde;es improv&aacute;veis / De &oacute;rbitas est&aacute;veis / &Eacute; que eu me mantenho / E venho arimado um verso / Trope&ccedil;ando universos / Pra achar-te no fim / Nesse tempo cansado de dentro de mim."</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro destac&aacute;vel exemplo recente de como a abordagem transdisciplinar pode ser conduzida com intelig&ecirc;ncia e sensibilidade pelo olhar do cientista &eacute; o livro <i>A beautiful question</i> (ainda sem tradu&ccedil;&atilde;o em portugu&ecirc;s), de Frank Wilczek, tamb&eacute;m laureado com um Nobel de F&iacute;sica, em 2004. Nesse livro, o belo, e seus desdobramentos est&eacute;ticos, serve de mote para que o cientista trace todo um percurso de finas reflex&otilde;es sobre interfaces entre as ci&ecirc;ncias, as artes e a literatura, incluindo-se percursos de di&aacute;logo entre o Ocidente e o Oriente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fiquemos, por ora, com tais exemplos, ainda que in&uacute;meros outros pudessem ser citados. V&ecirc;-se que a subjetividade inerente ao julgamento do belo n&atilde;o assusta certos cientistas. Ao contr&aacute;rio, os inspira. Em suma, a busca por beleza, verdade e fidelidade aos pr&oacute;prios processos de cria&ccedil;&atilde;o (<i>poiesis</i>) s&atilde;o conceitos a fundamentar tanto cientistas quanto artistas. Cada um desses conceitos, no entanto, &eacute; complexo o bastante para gerar outras tantas reflex&otilde;es, sobre as quais seria ing&ecirc;nuo pretender esgotar o debate sobre at&eacute; que ponto objetividade e subjetividade s&atilde;o capazes de tra&ccedil;ar aproxima&ccedil;&otilde;es e antagonismos entre as ci&ecirc;ncias, as artes e a literatura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda que a ci&ecirc;ncia necessite, por princ&iacute;pio, lidar com o rigor e a precis&atilde;o, n&atilde;o se pode deixar de notar, ao mesmo tempo, alguns cientistas vulner&aacute;veis &agrave;s armadilhas dos excessos de seu pr&oacute;prio rigor, quando se esquecem de que flutua&ccedil;&otilde;es e imperman&ecirc;ncias subjetivas tamb&eacute;m subjazem certos momentos do fazer cient&iacute;fico, submetidos que est&atilde;o, seus protagonistas, &agrave;s emo&ccedil;&otilde;es e aos contextos da ordem do humano. Da mesma maneira, &eacute; importante lembrar que a arte tamb&eacute;m carrega seus pr&oacute;prios rigores e precis&otilde;es conceituais, ainda que, em geral, submetidos a graus mais acentuados de liberdade de express&atilde;o. Sobre isso, o f&iacute;sico Werner Heisenberg afirma que "&eacute; evidente, mas muito frequentemente esquecido, que a ci&ecirc;ncia &eacute; feita por homens. Isso aqui &eacute; relembrado na esperan&ccedil;a de reduzir o hiato entre duas culturas, a arte e a ci&ecirc;ncia" &#91;7, p. 7&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ariano Suassuna, um dos maiores escritores da literatura brasileira, tamb&eacute;m nos oferece reflex&otilde;es quanto &agrave;s armadilhas criadas pelos excessos do cientificismo. Em seu excelente livro <i>Inicia&ccedil;&atilde;o &agrave; est&eacute;tica</i>, quando se refere &agrave; conceitua&ccedil;&atilde;o sobre a origem das artes, cita, por exemplo, um campo por vezes excessivamente contaminado com ideias cientificistas advindas da etnologia e da biologia, elaboradas a partir de certas posturas enrijecedoras do pensamento: "O evolucionismo, apresentado por Darwin como uma hip&oacute;tese, adquiriu tais foros de dogma que hoje &eacute; praticamente imposs&iacute;vel examinar qualquer assunto de etnologia ou de antropologia cultural sem trope&ccedil;ar nos fantasmas e destro&ccedil;os evolucionistas. (...) At&eacute; no campo da est&eacute;tica o darwinismo atrapalha a reflex&atilde;o, perturbando a serenidade dos pensadores e causando distor&ccedil;&otilde;es na interpreta&ccedil;&atilde;o dos fatos. O problema da origem da arte &eacute;, talvez, um dos mais perturbados por essa hip&oacute;tese biol&oacute;gica, transformada em dogma e, depois, estendida abusivamente a sistema filos&oacute;fico de interpreta&ccedil;&atilde;o de mundo" &#91;10&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro conceito que merece aten&ccedil;&atilde;o quando o assunto s&atilde;o as interfaces entre ci&ecirc;ncia e literatura &eacute; o acaso. Contextos gerados pela mec&acirc;nica qu&acirc;ntica, como aquele a fundamentar, por exemplo, o "princ&iacute;pio da incerteza", conceituado por Heisenberg, demonstram que o rigor n&atilde;o se desvencilha necessariamente do esp&iacute;rito do jogo evidenciado pelo acaso das circunst&acirc;ncias. O brilhante escritor argentino J&uacute;lio Cort&aacute;zar, mestre de contos breves, em que muitas vezes brinca com princ&iacute;pios matem&aacute;ticos, tem algo a nos dizer sobre isso: "Toda poesia que mere&ccedil;a esse nome &eacute; um jogo. (...) O poeta n&atilde;o &eacute; menos 'importante' visto &agrave; luz de sua verdadeira atividade (ou fun&ccedil;&atilde;o, para os que insistem nessa import&acirc;ncia), porque jogar poesia &eacute; jogar no pleno, botar na mesa at&eacute; o &uacute;ltimo tost&atilde;o para se arruinar ou quebrar a banca. Nada mais rigoroso que um jogo; as crian&ccedil;as respeitam as leis de empinar pipas ou do jogo das cadeiras com um afinco que n&atilde;o dedicam &agrave;s da gram&aacute;tica. No meu caso, o princ&iacute;pio geral consistiu em escrever textos cujas unidades b&aacute;sicas (...) pudessem ser permutadas at&eacute; o limite do interesse do leitor ou das possibilidades matem&aacute;ticas" &#91;11&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre jogo e acaso, ali&aacute;s, lembremos outro exemplo na figura do matem&aacute;tico Lewis Carroll, autor do eterno <i>Alice no pa&iacute;s das maravilhas</i>, onde o jogo adquire ares de uma originalidade l&oacute;gica e liter&aacute;ria pass&iacute;vel de chamar a aten&ccedil;&atilde;o de um Deleuze, a ponto de torn&aacute;-la um dos temas do livro <i>L&oacute;gica do sentido</i>, uma de suas principais e mais complexas obras filos&oacute;ficas: "A obra de Lewis Carroll tem tudo para agradar ao leitor atual: livros para crian&ccedil;as (...), crivos, c&oacute;digos e decodifica&ccedil;&otilde;es; desenhos e fotos (...), um formalismo l&oacute;gico e lingu&iacute;stico exemplar. E para al&eacute;m do prazer atual algo de diferente, um jogo do sentido e do n&atilde;o-senso, um caos-cosmos" &#91;12&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Poeta-pensador de singular express&atilde;o sobre tais interfaces &eacute; tamb&eacute;m Marco Lucchesi, atual  presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL). Seu livro <i>Hinos matem&aacute;ticos</i>, al&eacute;m de v&aacute;rios outros momentos preciosos de sua po&eacute;tica de pol&iacute;mata (pessoa versada em in&uacute;meras &aacute;reas do conhecimento), &eacute; exemplo de fina consagra&ccedil;&atilde;o da <i>poiesis</i> transdisciplinar: "Orqu&iacute;deas resplandecem no quintal / A geometria de fogo de suas p&eacute;talas / e a forma do sil&ecirc;ncio em que se apoiam / Trago o cora&ccedil;&atilde;o perdido / e os olhos tersos da breve epifania / Toda flor desponta no seio do sil&ecirc;ncio / e ao seio do sil&ecirc;ncio acorre e se dissolve / Lembro de Hardy indo ao fundo sil&ecirc;ncio dos gregos / Teoremas cheios do frescor e da beleza de quando foram descobertos / Dois mil anos e sequer uma ruga em seu puro semblante / (Euclides e a infinidade dos n&uacute;meros primos / Pit&aacute;goras e a raiz quadrada irracional de dois) / Os desenhos do matem&aacute;tico e do poeta devem ser belos / Flores teoremas desmaiam em s&uacute;bitos jardins / sob crep&uacute;sculos fugazes / A beleza &eacute; a primeira prova da matem&aacute;tica" &#91;13&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LITERATURA PARA CIENTISTAS E CI&Ecirc;NCIA PARA LITERATOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Henri Poincar&eacute;, matem&aacute;tico, engenheiro, f&iacute;sico te&oacute;rico e fil&oacute;sofo da ci&ecirc;ncia, em um de seus elegantes ensaios, intitulado "As ci&ecirc;ncias e as humanidades" &#91;14, p. 265-266&#93;, desenvolve todo um precioso trajeto conceitual a ser (re)pensado para os dias atuais sobre um tema, j&aacute; mencionado na se&ccedil;&atilde;o anterior, que passou a ganhar cada vez mais relev&acirc;ncia nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas: a transdisciplinaridade. Em especial nesse ensaio, com a propriedade que a condi&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;mata lhe confere, Poincar&eacute; desenvolve todo um percurso conceitual da matem&aacute;tica e, para al&eacute;m, avan&ccedil;a em di&aacute;logo transdisciplinar com a gram&aacute;tica, a tradu&ccedil;&atilde;o, a poesia e, ainda mais al&eacute;m, simultaneamente, com a biologia e a f&iacute;sica, entre outras &aacute;reas do conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recorda ele os benef&iacute;cios que os estudos de literatura cl&aacute;ssica, bem como os de gram&aacute;tica, ainda que por vezes &aacute;ridos, mas, a seu ver, necess&aacute;rios para o entendimento das sutilezas l&oacute;gicas dos usos do idioma, mostram-se indispens&aacute;veis como prepara&ccedil;&atilde;o formadora do intelecto para a igualmente sutil e abstrata linguagem matem&aacute;tica e cient&iacute;fica. No entanto, considera ainda mais importante do que a gram&aacute;tica, os estudos e exerc&iacute;cios pr&aacute;ticos de tradu&ccedil;&atilde;o e vers&atilde;o das l&iacute;nguas cl&aacute;ssicas para as modernas, comuns em sua &eacute;poca de forma&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria. Segundo ele, tais exerc&iacute;cios traziam uma contribui&ccedil;&atilde;o fundamental ao desenvolvimento do esp&iacute;rito de an&aacute;lise sobre as sutilezas dos usos da linguagem entendidas a partir do racioc&iacute;nio l&oacute;gico e, mantidas as propor&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m aplic&aacute;veis ao esp&iacute;rito de an&aacute;lise necess&aacute;rio ao racioc&iacute;nio matem&aacute;tico e cient&iacute;fico. "H&aacute; um m&iacute;nimo de esp&iacute;rito matem&aacute;tico do qual nenhum cientista pode prescindir: trata-se justamente do esp&iacute;rito de an&aacute;lise, que nos ensina a distinguir os componentes dos objetos que estudamos, a separ&aacute;-los uns dos outros pelo pensamento, a compar&aacute;-los e a combin&aacute;-los" &#91;14, p. 263-264&#93;. Poincar&eacute; salienta, ainda, como passou a notar certas limita&ccedil;&otilde;es quanto ao entendimento e aplica&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica de an&aacute;lise l&oacute;gica por parte de seus colegas cientistas de gera&ccedil;&otilde;es posteriores &agrave; dele que n&atilde;o haviam tido essa mesma forma&ccedil;&atilde;o em l&iacute;ngua e literatura. Em contrapartida, o estudo da matem&aacute;tica se mostra fundamental para o desenvolvimento do h&aacute;bito da an&aacute;lise l&oacute;gica tamb&eacute;m aplic&aacute;vel &agrave; escrita, ainda que isso possa parecer desnecess&aacute;rio aos que n&atilde;o utilizam a matem&aacute;tica diretamente em suas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o, como, por exemplo, os bi&oacute;logos, que muitas vezes n&atilde;o aplicam a matem&aacute;tica mais diretamente em seus trabalhos e pesquisas, bem como a matem&aacute;tica considerada enfadonha pelos literatos que se mostram refrat&aacute;rios aos estudos das ci&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com mesmo grau de equil&iacute;brio nas pondera&ccedil;&otilde;es, Poincar&eacute; enfatiza quanto a literatura tamb&eacute;m forma os cientistas, muitas vezes t&atilde;o refrat&aacute;rios a ela quanto alguns literatos o s&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s ci&ecirc;ncias. Segundo ele, o acesso &agrave; literatura se mostra fundamental &agrave; elabora&ccedil;&atilde;o da finura de esp&iacute;rito: "Acrescentarei que as letras, bem ensinadas, podem ser uma escola &uacute;til para o observador. Os poetas tamb&eacute;m sabem observar; os que s&atilde;o dignos desse nome n&atilde;o empregam seus ep&iacute;tetos ao acaso, mas os escrevem depois de haver observado. (...) Concorda-se em dizer que o ensino liter&aacute;rio, bem compreendido, isto &eacute;, despojado de qualquer aparato in&uacute;til de pedantismo ou erudi&ccedil;&atilde;o, &eacute; o mais adequado para desenvolver em n&oacute;s a finura de esp&iacute;rito. E, como a finura de esp&iacute;rito &eacute; necess&aacute;ria a todos, porque todos precisam viver, conclui-se que a cultura liter&aacute;ria &eacute; t&atilde;o necess&aacute;ria aos cientistas quanto a todos os homens. S&oacute; se costuma acreditar que estes precisam dela para se tornar homens, e n&atilde;o para se tornar cientistas - &eacute; a&iacute; que as pessoas se enganam" &#91;14, p. 265-266&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pedra de toque de todo esse processo transdisciplinar entre cientistas, artistas e escritores &eacute;, sem d&uacute;vida, o uso da linguagem. Toda reflex&atilde;o fundamentada no conhecimento humano ocorre necessariamente por meio da linguagem. Por isso ela se apresenta, ao mesmo tempo, como ponto de partida, percurso e chegada, mas, justamente por ser um de nossos principais instrumentos cognitivos, &eacute; tamb&eacute;m um de nossos maiores desafios de comunica&ccedil;&atilde;o. Diante de tal cen&aacute;rio de valoriza&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria por parte desses cientistas mais sens&iacute;veis &eacute; que se entendem os motivos por tr&aacute;s da elegante escrita ensa&iacute;stica n&atilde;o somente de um Poincar&eacute;, mas de v&aacute;rios outros pensadores not&aacute;veis. Para destacar alguns exemplos envolvendo as ci&ecirc;ncias, as artes e a literatura nos s&eacute;culos mais recentes, basta acessar, al&eacute;m do pr&oacute;prio Poincar&eacute;, o arcabou&ccedil;o biogr&aacute;fico, ensa&iacute;stico ou epistolar de Madame Curie, Albert Einstein, Mary Somerville, Max Planck, Caroline Herschel,  Charles Darwin, Ada Lovelace, Werner Heisenberg, Florence  Nightingale, Niels Bohr, Maria Mitchell, Gaston Bachelard,  Margaret Huggins, Richard Feynman, Beatrix Potter, David Bohm, Agnes Pockels, Ilya Prigogine, para citar somente alguns. A destac&aacute;vel erudi&ccedil;&atilde;o dessas mulheres e homens de ci&ecirc;ncia n&atilde;o somente flertava com a literatura, detect&aacute;vel em sua escrita elegante, mas tamb&eacute;m, em v&aacute;rios momentos, com outras artes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>POR UMA POIESIS TRANSDISCIPLINAR NA EDUCA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Retome-se o cen&aacute;rio descrito anteriormente por Poincar&eacute;, sobre a import&acirc;ncia da pr&aacute;tica de exerc&iacute;cios de tradu&ccedil;&atilde;o e vers&atilde;o ligados &agrave;s sutilezas lingu&iacute;sticas que tamb&eacute;m se moldam &agrave;s delicadezas de forma&ccedil;&atilde;o para o racioc&iacute;nio l&oacute;gico matem&aacute;tico. Sobretudo na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o, o entendimento sobre a exist&ecirc;ncia e os usos de tais sutilezas se mostra fundamental para o desenvolvimento do <b>esp&iacute;rito de an&aacute;lise</b> e da <b>finura de esp&iacute;rito</b>, para usar os pr&oacute;prios termos do pensador franc&ecirc;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bruno Latour, destac&aacute;vel fil&oacute;sofo e antrop&oacute;logo contempor&acirc;neo, estudioso das influ&ecirc;ncias da subjetividade na objetividade cient&iacute;fica, tendo as humanidades e as ci&ecirc;ncias enfocadas a partir de contextos transdisciplinares, tamb&eacute;m destaca a import&acirc;ncia do dom&iacute;nio das sutilezas dos usos lingu&iacute;sticos necess&aacute;rios ao exerc&iacute;cio respons&aacute;vel do fazer cient&iacute;fico, manejo este equivalente, no caso do artista, &agrave;s sutilezas das pinceladas que distinguem, por exemplo, o estilo barroco de um Rubens<i> </i>no quadro <i>Paisagem com um arco-&iacute;ris</i> (c.1636), do p&oacute;s-impressionismo de um Van Gogh no quadro <i>Noite estrelada</i> (1889). No excelente livro <i>Cogitamus</i>, Latour descreve um importante contexto de forma&ccedil;&atilde;o em que, antes de tratar sobre o fazer cient&iacute;fico, al&eacute;m das t&eacute;cnicas e dos laborat&oacute;rios que comp&otilde;em o cen&aacute;rio das ci&ecirc;ncias, focaliza a aten&ccedil;&atilde;o de seus alunos nos usos das sutilezas da linguagem que antecedem todo esse cen&aacute;rio.</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Para falar de ci&ecirc;ncias (...) n&atilde;o come&ccedil;o explicando a composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica do ar nem mostrando a forma tridimensional do DNA, tampouco enumerando a lista de part&iacute;culas elementares. (...) Estamos em um curso de humanidades. Ent&atilde;o, de onde devemos partir? Atreveria-me a dizer - como em S&atilde;o Jo&atilde;o: 'No princ&iacute;pio, era o <i>verbo</i>'. Apenas depois, a ci&ecirc;ncia. Digamos, de maneira menos grandiosa, que vou pedir aos alunos que partam do <i>discurso</i>, dessas grandes camadas de linguagem em que nos banhamos desde nossa inf&acirc;ncia, desse bombardeio cont&iacute;nuo de palavras que nos chamam a aten&ccedil;&atilde;o sobre este ou aquele aspecto do mundo e em que est&atilde;o coladas esp&eacute;cies de r&oacute;tulos que garantem sua maior ou menor <i>autoridade</i>. Esse &eacute; o primeiro fen&ocirc;meno ao qual devemos nos ater. N&atilde;o me preocupa que os alunos, a princ&iacute;pio, se sintam um pouco afogados; &eacute; algo que lhes faz um grande bem. Se querem compreender as ci&ecirc;ncias, &eacute; necess&aacute;rio que partam dessas grandes ondas de palavras mais ou menos desconexas, mais ou menos ordenadas, pelas quais chegam at&eacute; n&oacute;s. E depois aprendem a nadar..." &#91;15&#93;.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A educa&ccedil;&atilde;o de car&aacute;ter transdisciplinar tamb&eacute;m foi uma preocupa&ccedil;&atilde;o de ningu&eacute;m menos que Einstein, conforme &eacute; poss&iacute;vel notar em alguns dos ensaios reunidos em seu livro <i>Escritos da maturidade</i>. No ensaio intitulado "Sobre a educa&ccedil;&atilde;o", o f&iacute;sico tece reflex&otilde;es atemporais: "O mais importante m&eacute;todo de educa&ccedil;&atilde;o sempre foi aquele em que o aluno &eacute; instigado a um desempenho efetivo. Isso se aplica tanto &agrave;s primeiras tentativas de escrever do menino da escola prim&aacute;ria quanto &agrave; tese do m&eacute;dico ao se formar na universidade, ou &agrave; simples memoriza&ccedil;&atilde;o de um poema, &agrave; escrita de uma composi&ccedil;&atilde;o, &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o e tradu&ccedil;&atilde;o de um texto, &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o de um problema de matem&aacute;tica ou &agrave; pr&aacute;tica de um esporte f&iacute;sico" &#91;16&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O di&aacute;logo entre Einstein e o poeta Tagore, mencionado anteriormente, aproxima-os tamb&eacute;m pelo olhar educador em <i>poiesis</i> transdisciplinar. Se a educa&ccedil;&atilde;o, vista por um amplo espectro formador, era um tema caro ao cientista, como &eacute; poss&iacute;vel notar em suas pr&oacute;prias palavras, o poeta indiano, por sua vez, tornou-se tamb&eacute;m famoso educador na &Iacute;ndia. Alguns de seus conceitos educacionais ainda se encontram atualmente ativos naquele pa&iacute;s e a servir de refer&ecirc;ncia para o restante do mundo. Parte de sua obra, inclusive, consta como acervo da biblioteca digital da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (Unesco) &#91;17&#93;. Na condi&ccedil;&atilde;o de poeta-educador, Tagore escreveu v&aacute;rios contos bel&iacute;ssimos onde a <i>poiesis</i> transdisciplinar entre ci&ecirc;ncias, artes e literatura flui naturalmente por meio de iluminadas met&aacute;foras, fantasias, f&aacute;bulas. Exemplo disso &eacute; o lindo conto "Hist&oacute;rias" que inicia uma colet&acirc;nea de sua autoria lan&ccedil;ada no Brasil com o t&iacute;tulo de <i>O pr&iacute;ncipe e outras f&aacute;bulas modernas</i>. Nada melhor do que a beleza de sua muito moderna narrativa n&atilde;o-linear, em formato de f&aacute;bula, para ilustrar sua <i>poiesis</i> educacional transdisciplinar:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"Logo que a crian&ccedil;a aprendeu a falar, disse: / - Conte-me uma hist&oacute;ria. / A vov&oacute; come&ccedil;ou: / - Era uma vez um rei, uma rainha e um pr&iacute;ncipe... / O professor na aula levantou a voz: / Tr&ecirc;s vezes quatro &eacute; igual a doze! / Mas, ent&atilde;o, o gigante ego&iacute;sta gritou ainda mais alto: / - Quem ousou invadir meus jardins? / O rugido da tabuada do tr&ecirc;s do professor passou rente aos ouvidos da crian&ccedil;a. / Seu mentor a trancou em uma sala e explicou solenemente: / - Tr&ecirc;s vezes quatro &eacute; igual a doze: isso &eacute; um fato. E o rei, a rainha e o pr&iacute;ncipe: isso s&atilde;o f&aacute;bulas; por isso... / Mas, mesmo enquanto falava, a mente da crian&ccedil;a voou atrav&eacute;s dos sete mares que tamb&eacute;m n&atilde;o aparecem nos mapas; o tr&ecirc;s vezes quatro tentou voar junto com ele, mas o livro de aritm&eacute;tica pesava demais para levantar voo. (...) / Da pr&eacute;-escola ao ensino fundamental e, depois, do ensino m&eacute;dio ao superior, a mente da crian&ccedil;a foi testada e todos os meios de cura foram aplicados. Apesar de todas as tentativas, quatro palavras se recusaram a deixar sua mente: 'conte-me uma hist&oacute;ria!'".<i> </i>&#91;18&#93;</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Frequentadores tanto de alta literatura quanto de ci&ecirc;ncias, artes e filosofia, Tagore e Einstein s&atilde;o dois pensadores referenciais a nos servir de exemplo de que, literalmente, o di&aacute;logo entre a ci&ecirc;ncia e a literatura &eacute; n&atilde;o somente poss&iacute;vel e desej&aacute;vel, mas, sobretudo, belo. Pensemos, pois, com mais generosidade sobre a <i>poiesis</i> transdisciplinar na educa&ccedil;&atilde;o e na vida. Que o di&aacute;logo realizado por esses imensos pensadores, proposto tamb&eacute;m por tantos outros pensadores not&aacute;veis aqui lembrados, sirva de b&uacute;ssola po&eacute;tica para outros tantos (re)encontros iluminados entre as ci&ecirc;ncias, as artes e a literatura.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	Paz, O. <i>O arco e a lira</i>. S&atilde;o Paulo: CosacNaify. 2012. p. 74-5.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.	Freire Jr., O.; Paty, M.; Barros, A. L. da R. "David Bohm, sua estada no Brasil e a teoria qu&acirc;ntica". <i>Estud. Av.,</i> jan/abr 1994. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-40141994000100012" target="_blank">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-40141994000100012</a>&gt; (Consulta em 06/11/2019).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.	Bohm, D. <i>Sobre a criatividade</i>, S&atilde;o Paulo: Ed. Unesp. p. 36-38. 2011.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.	Bohr, N. <i>F&iacute;sica at&ocirc;mica e conhecimento humano: ensaios 1932-1957</i>. Rio de Janeiro: Contraponto. pp. 100-101. 1995</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5.	Monteiro, I. <i>Einstein: reflex&otilde;es filos&oacute;ficas</i>. S&atilde;o Paulo: Martin Claret. p. 16-58. s/d.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.	Nobel Prize Official Site. "The symphony of science" In: NobelPrize.org. Nobel Media AB 2019. Dispon&iacute;vel em: &lt;<a href="https://www.nobelprize.org/symphony-of-science/" target="_blank">https://www.nobelprize.org/symphony-of-science/</a>&gt; (Consulta em 20/11/2019).    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7.	Heisenberg, W. <i>A parte e o todo</i>. Rio de Janeiro: Contraponto. p. 167. 1996.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.	Planck, M. <i>Autobiografia cient&iacute;fica e outros ensaios</i>. Rio de Janeiro: Contraponto. p. 26. 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.	Feynman, R. <i>O senhor est&aacute; brincando, Sr. Feynman!</i> Rio de Janeiro: editora Elsevier. 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10.	Suassuna, A. <i>Inicia&ccedil;&atilde;o &agrave; est&eacute;tica.</i> 15ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. p. 227-228. 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11.	Cort&aacute;zar, J. <i>&Uacute;ltimo round</i>. Tomo I. Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira. pp. 270-271. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12.	Deleuze, G. <i>L&oacute;gica do sentido</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. Perspectiva. p. I. 2000.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13.	Lucchesi, M. <i>Hinos matem&aacute;ticos</i>. Rio de Janeiro: Drag&atilde;o. 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14.	Poincar&eacute;, H. "As ci&ecirc;ncias e as humanidades" In: <i>Ensaios fundamentais</i>. Rio de Janeiro: Contraponto/PUCRio, pp. 265-266. 2008.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15.	Latour, B. <i>Cogitamus</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. 34, pp.74-75. 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">16.	Einstein, A. <i>Escritos da maturidade</i>. Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira. pp. 36-7. 1994.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">17.	Tagore, R. In: Unesco official site. Dispon&iacute;vel em &lt;<a href="https://en.unesco.org/courier/decembre-1961" target="_blank">https://en.unesco.org/courier/decembre-1961</a>&gt; e &lt;<a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000064331" target="_blank">https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000064331</a>&gt; (Consulta em 28/11/2019).    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">18.	Tagore, R. <i>O pr&iacute;ncipe e outras f&aacute;bulas modernas.</i> S&atilde;o Paulo: Ed. Martin Claret. pp. 19-20. 2013.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>BIBLIOGRAFIA CONSULTADA</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">D'Ambrosio, U. <i>Transdisciplinaridade</i>. S&atilde;o Paulo: Palas Athena. 1997.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Baptista, A. M. H.; Severino, F. E.; Andr&eacute;, C. M. (orgs.) <i>Artes, ci&ecirc;ncias e educa&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: BT Acad&ecirc;mica. 2015.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isaacson, W. <i>Einstein: sua vida, seu universo.</i> S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras. 2007.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lucchesi, M.; Baptista, A. M. H. (orgs.) <i>Po&eacute;ticas do ensaio</i>. S&atilde;o Paulo: Pasavento. 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Morin, E. <i>A cabe&ccedil;a bem-feita</i>. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Morin, E. <i>A religa&ccedil;&atilde;o dos saberes: o desafio para o s&eacute;culo XXI</i>. 2ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Poincar&eacute;, H. <i>O valor da ci&ecirc;ncia</i>. Rio de Janeiro: Contraponto. 1995.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Prigogine, I. <i>Ci&ecirc;ncia, raz&atilde;o e paix&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Ed. Livraria da F&iacute;sica. 2009.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Wilczek, F. <i>A beautiful question</i>. New York: Penguin Press. 2015.    </font></p>      ]]></body><back>
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