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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   LITERATURA E CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Literatura e ci&ecirc;ncia: campos antag&ocirc;nicos ou complementares?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Diana Navas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora do Programa de Estudos P&oacute;s-Graduados em Literatura e Cr&iacute;tica Liter&aacute;ria da PUC-SP. Suas pesquisas recentes concentram-se nas tend&ecirc;ncias da literatura portuguesa contempor&acirc;nea e na rela&ccedil;&atilde;o entre a literatura juvenil e outras artes</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Certamente, j&aacute; o sab&iacute;amos desde Voltaire, e longe de dizer que o fazer cient&iacute;fico n&atilde;o tem uma componente de cren&ccedil;a e est&eacute;tica, mas h&aacute; que se dizer que a beleza &eacute; um guia secund&aacute;rio para o investigador, embora seja, em oposi&ccedil;&atilde;o, a puls&atilde;o mais b&aacute;sica do artista (Gon&ccedil;alo Tavares, <i>Breves notas sobre ci&ecirc;ncia</i>)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assistimos, na contemporaneidade, a uma clara segmenta&ccedil;&atilde;o dos saberes. Basta olharmos para os curr&iacute;culos escolares e poderemos comprovar como os conhecimentos s&atilde;o apresentados de forma fragmentada. Assaltados, continuamente, por muitas informa&ccedil;&otilde;es, estamos, em nossa era tecnol&oacute;gica, cada vez mais conectados, mas, paradoxalmente, incapazes de estabelecer conex&otilde;es entre os diferentes saberes. Expostos a estilha&ccedil;os de conhecimento, aparentemente d&iacute;spares, constru&iacute;mos vis&otilde;es cada vez mais parcelares e limitadas da realidade, o que nos distancia, progressivamente, da concep&ccedil;&atilde;o hol&iacute;stica e integrada entre as diferentes &aacute;reas do conhecimento e, desta maneira, de uma compreens&atilde;o mais efetiva de nosso contexto. O distanciamento entre a literatura e a ci&ecirc;ncia &eacute; exemplo disso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Concebidas comumente como &aacute;reas distintas - uma vez que &agrave; literatura caberia o espa&ccedil;o da imagina&ccedil;&atilde;o, do devaneio, enquanto a ci&ecirc;ncia se ocuparia do real, daquilo que pode ser provado -, n&atilde;o estar&iacute;amos, por meio desta simplista oposi&ccedil;&atilde;o, ignorando uma poss&iacute;vel complementariedade entre elas? Isso porque, se por um lado &eacute; o processo cient&iacute;fico que valida, que demonstra, n&atilde;o &eacute; a imagina&ccedil;&atilde;o, por seu turno, que leva &agrave; cria&ccedil;&atilde;o? Al&eacute;m da capacidade cognitiva, n&atilde;o seriam tamb&eacute;m exigidas dos cientistas a criatividade e a imagina&ccedil;&atilde;o, elementos esses imprescind&iacute;veis ao escritor, ao poeta? Tais indaga&ccedil;&otilde;es poderiam ainda ser desdobradas: haveria mesmo ci&ecirc;ncia objetiva? E an&aacute;lise neutra? N&atilde;o estar&iacute;amos, em ambos os casos, ignorando a quest&atilde;o da subjetividade presente na observa&ccedil;&atilde;o e na investiga&ccedil;&atilde;o, seja ela da natureza que for?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&atilde;o essas inquieta&ccedil;&otilde;es que nos impulsionam neste estudo. Almejamos discutir as poss&iacute;veis aproxima&ccedil;&otilde;es entre ci&ecirc;ncia e literatura, valendo-nos, para isso, da apresenta&ccedil;&atilde;o de textos liter&aacute;rios e cient&iacute;ficos, de modo a apontar a converg&ecirc;ncia entre essas duas &aacute;reas do saber, bem como para a riqueza interpretativa de tais textos quando vistos em efetivo di&aacute;logo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>LITERATURA E CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As fronteiras entre as ci&ecirc;ncias e as humanidades s&atilde;o claramente vis&iacute;veis na tradi&ccedil;&atilde;o do ensino brasileiro. Por meio da disciplinariza&ccedil;&atilde;o nos curr&iacute;culos e da forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o interdisciplinar dos professores, perpetua-se, sem questionamento, uma forma de compartimenta&ccedil;&atilde;o dos saberes. Essa tend&ecirc;ncia &agrave; compartimenta&ccedil;&atilde;o &eacute;, ali&aacute;s, antiga.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Retomando, ainda que muito brevemente, a hist&oacute;ria do pensamento cient&iacute;fico, poderemos observar que o princ&iacute;pio da redu&ccedil;&atilde;o, da disjun&ccedil;&atilde;o e da abstra&ccedil;&atilde;o dominou o pensamento ocidental desde o s&eacute;culo XVII. Exemplo disso &eacute; que Descartes, ao separar o sujeito pensante (<i>ego cogitans</i>) da ci&ecirc;ncia (<i>res extensa</i>), promoveu a separa&ccedil;&atilde;o entre a filosofia e a ci&ecirc;ncia, isolando a f&iacute;sica, a biologia e a ci&ecirc;ncia do homem - tr&ecirc;s grandes campos do conhecimento cient&iacute;fico. A tend&ecirc;ncia a essa fragmenta&ccedil;&atilde;o e disjun&ccedil;&atilde;o perdurou ao longo dos s&eacute;culos. Explica-nos Morin que Popper, Kuhn, Lakatos, Feyerabend - significativos nomes do pensamento cient&iacute;fico - ignoraram, em suas disputas epistemol&oacute;gicas, a complexidade, "tecido de acontecimentos, a&ccedil;&otilde;es, intera&ccedil;&otilde;es, retroa&ccedil;&otilde;es, determina&ccedil;&otilde;es, acasos, que constituem o nosso mundo fenomenal" &#91;1, p. 18&#93;. Atenta-nos, entretanto, Bachelard para o fato de que "o simples n&atilde;o existe: s&oacute; h&aacute; o simplificado. A ci&ecirc;ncia constr&oacute;i o objeto extraindo-o do seu meio complexo para o colocar em situa&ccedil;&otilde;es experimentais n&atilde;o complexas. A ci&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; o estudo do universo simples, &eacute; uma simplifica&ccedil;&atilde;o heur&iacute;stica necess&aacute;ria para libertar certas propriedades e mesmo certas leis" &#91;2&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Questionando essa simplifica&ccedil;&atilde;o, afirma Morin: "Durante toda a minha vida, nunca pude resignar-me ao saber parcelado, nunca pude isolar um objeto de estudos ao seu contexto, dos seus antecedentes, da sua evolu&ccedil;&atilde;o. Sempre aspirei a um pensamento multidimensional. Nunca pude eliminar a contradi&ccedil;&atilde;o interior. Sempre senti que verdades profundas, antag&ocirc;nicas umas &agrave;s outras, eram para mim complementares, sem deixarem de ser antag&ocirc;nicas. Nunca quis esfor&ccedil;ar-me para reduzir a incerteza e a ambiguidade" &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais considera&ccedil;&otilde;es permitem-nos entender que, enquanto a ci&ecirc;ncia dos s&eacute;culos XIX e XX tentou eliminar o individual e o singular, no intento de estabelecer leis gerais e identidades simples e fechadas, a literatura caminhou por veredas distintas. Os romances da mesma &eacute;poca evidenciam-nos seres complexos, m&uacute;ltiplos, singulares. Diferentemente dos cientistas, que de Descartes a Newton tentaram conceber o universo como uma m&aacute;quina determinista perfeita;  Balzac, Proust, Dostoi&eacute;vski mostraram-nos a complexidade n&atilde;o apenas da sociedade, mas de cada um de seus indiv&iacute;duos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o desejamos, com essas informa&ccedil;&otilde;es, afirmar a superioridade da literatura em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ci&ecirc;ncia. Intentamos apenas demonstrar que a pretensa objetividade da ci&ecirc;ncia - o que normalmente a coloca em um grau superior ao da literatura - pode esconder certa simplifica&ccedil;&atilde;o da realidade. E que, portanto, talvez a forma mais v&aacute;lida de se olhar para essas duas diferentes &aacute;reas n&atilde;o seja estabelecendo entre elas - como comumente &eacute; feito - uma rela&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica e mesmo antag&ocirc;nica, mas uma rela&ccedil;&atilde;o de complementariedade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A CI&Ecirc;NCIA NA LITERATURA E A LITERATURA NA CI&Ecirc;NCIA: DI&Aacute;LOGOS POSS&Iacute;VEIS </b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Poder&iacute;amos, antes de evidenciarmos pontos de contato espec&iacute;ficos entre a literatura e a ci&ecirc;ncia, entrarmos em contato com textos em que as duas &aacute;reas se fundem e se (con)fundem.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitos textos liter&aacute;rios em que a ci&ecirc;ncia se faz presente poderiam ser aqui citados. Em raz&atilde;o da brevidade deste estudo, limitaremo-nos apenas a dois cl&aacute;ssicos. Gabriel Garc&iacute;a Marques, em <i>Cem anos de solid&atilde;o</i>, obra publicada em 1982, narra a hist&oacute;ria de Macondo, uma cidade fict&iacute;cia, que tem por fundador Jos&eacute; Arcadio Buend&iacute;a. S&atilde;o as diversas gera&ccedil;&otilde;es da fam&iacute;lia Buend&iacute;a - que parece estar sempre em luta com a realidade, que n&atilde;o lhes &eacute; muito favor&aacute;vel e os deixa &agrave; beira da destrui&ccedil;&atilde;o - que povoar&atilde;o as p&aacute;ginas de uma das narrativas mais reconhecidas da literatura universal. Nela, Garc&iacute;a Marques faz de Melqu&iacute;ades um cigano que vende os &uacute;ltimos gritos da tecnologia:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">'A ci&ecirc;ncia eliminou as dist&acirc;ncias', apregoava Melqu&iacute;ades. 'Em breve o homem poder&aacute; ver o que se passa em qualquer lugar da Terra, sem sair de sua casa'. Em certo meio-dia abrasador, fizeram uma assombrosa demonstra&ccedil;&atilde;o com a lupa gigantesca: puseram um monte de erva seca no meio da rua e atearam-lhe fogo pela concentra&ccedil;&atilde;o dos raios solares. &#91;3, p.10&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com o desenrolar da narrativa, o leitor assiste &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico a partir do contato com diversos instrumentos tecnol&oacute;gicos, &agrave; medida que Jos&eacute; Arcadio Buend&iacute;a - personagem fortemente imbu&iacute;da de esp&iacute;rito investigativo - dedica-se, obstinadamente, &agrave; busca de ideias que lhe permitem construir explica&ccedil;&otilde;es para os fen&ocirc;menos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pelo seu punho e letra escreveu uma resumida s&iacute;ntese dos estudos do monge Hermann, que deixou &agrave; sua disposi&ccedil;&atilde;o para que pudesse servir-se do astrol&aacute;bio, da b&uacute;ssola e do sextante. &#91;...&#93;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As crian&ccedil;as haveriam de recordar para o resto de suas vidas a augusta solenidade com que o pai se sentou &agrave; cabeceira da mesa, tr&ecirc;mulo de febre, devastado pela prolongada vig&iacute;lia e pelo ardor da sua imagina&ccedil;&atilde;o e lhes revelou a sua descoberta:</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">- A Terra &eacute; redonda como uma laranja.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Uacute;rsula perdeu a paci&ecirc;ncia: 'Se queres ficar maluco, fica tu sozinho', gritou. 'Mas n&atilde;o metas na cabe&ccedil;a das crian&ccedil;as as tuas ideias de cigano' &#91;3, p.12&#93;.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A leitura do romance permite-nos observar a liga&ccedil;&atilde;o que se estabelece entre a narrativa e a ci&ecirc;ncia, n&atilde;o apenas no que se refere aos objetos tecnol&oacute;gicos nela mencionados, mas, principalmente, porque &eacute; a pr&oacute;pria hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia e das implica&ccedil;&otilde;es sociais das descobertas cient&iacute;ficas o que se faz notar nesta sedutora obra de Garc&iacute;a Marques.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>A jangada de pedra</i> (1986), de Jos&eacute; Saramago, constitui-se em outro interessante exemplo. A narrativa desenvolve-se a partir de um inexplic&aacute;vel acidente geol&oacute;gico que traz como consequ&ecirc;ncia a separa&ccedil;&atilde;o da Pen&iacute;nsula Ib&eacute;rica da Europa, ficando aquela &agrave; deriva, como uma jangada de pedra. Logo nas p&aacute;ginas iniciais do romance, pesquisadores da Fran&ccedil;a e da Espanha tentam desvendar o acontecimento:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa tarde, helic&oacute;pteros dos dois pa&iacute;ses sobrevoaram o local, fizeram fotografias, por meio de guinchos desceram observadores que, suspensos sobre a catarata, olhavam e nada viam, apenas o negro boqueir&atilde;o e o dorso curvo e luzidio da &aacute;gua. &#91;...&#93; Foi nesta altura que, em profus&atilde;o e diversidade internacional, apareceram os ge&oacute;logos. &#91;...&#93;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A discuss&atilde;o dos s&aacute;bios tornara-se quase impenetr&aacute;vel para entendimentos leigos, mas, ainda assim, podia-se ver que havia duas teses centrais em discuss&atilde;o, a dos monoglacialistas e a dos poliglacialistas, ambas irredut&iacute;veis, e n&atilde;o tarda inimigas &#91;...&#93;.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Algumas declara&ccedil;&otilde;es chegavam a parecer interessantes, como aquela de as deforma&ccedil;&otilde;es, certas deforma&ccedil;&otilde;es, poderem ser devidas, quer a uma eleva&ccedil;&atilde;o tect&oacute;nica quer a uma compensa&ccedil;&atilde;o isost&aacute;tica da eros&atilde;o. &#91;4&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aliada &agrave; riqueza liter&aacute;ria, deparamo-nos, no romance de Saramago, com explica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e coment&aacute;rios em torno dos interesses sociais advindos do fen&ocirc;meno geol&oacute;gico, os quais, mesclados &agrave; ironia do autor, contribuem para a elabora&ccedil;&atilde;o de um texto em que claramente se evidencia o di&aacute;logo entre a literatura e a ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tratam-se, os exemplos apresentados, de intera&ccedil;&atilde;o, de di&aacute;logos interdisciplinares que aproximam, de forma biun&iacute;voca, as linguagens cient&iacute;fica e liter&aacute;ria, possibilitando aos indiv&iacute;duos o acesso &agrave; ci&ecirc;ncia de uma outra maneira. Sem desvirtu&aacute;-la, &eacute; oferecida de forma dilu&iacute;da, sem que haja a imposi&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia em si mesma, uma vez que a literatura &eacute; produzida tomando a ci&ecirc;ncia como pretexto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse interc&acirc;mbio, entretanto, &eacute; de m&atilde;o dupla. Tamb&eacute;m a linguagem liter&aacute;ria atravessa alguns discursos cient&iacute;ficos. Normalmente escritos em linguagem herm&eacute;tica e, consequentemente, acess&iacute;vel apenas a um p&uacute;blico restrito, raros s&atilde;o os textos cient&iacute;ficos que se valem de uma linguagem acess&iacute;vel e que, sem simplificar ou desvirtuar a pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia, conseguem transmitir as informa&ccedil;&otilde;es de maneira clara, contribuindo para a sua divulga&ccedil;&atilde;o. Em raz&atilde;o disso, muitas vezes, a simples incurs&atilde;o em formas liter&aacute;rias que cativam o leitor e o conduzem para os conceitos cient&iacute;ficos, tornam-se mais facilmente compreendidos. Carl Sagan constitui-se em excelente exemplo nesse aspecto. O cientista, com capacidade admir&aacute;vel de ilustrar o que queria dizer, seja por meio de seus livros ou de suas palestras transmitidas na televis&atilde;o, aproximou muitas pessoas da ci&ecirc;ncia.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ainda em 1939, os meus pais levaram-me &agrave; Feira Mundial de Nova Iorque, onde pude desfrutar uma vis&atilde;o de um futuro perfeito que a ci&ecirc;ncia e a tecnologia tornavam poss&iacute;vel &#91;...&#93; 'Vejam o som', era a ordem surpreendente de um cartaz. E, claro, quando o martelinho bateu no garfo, uma bela onda sinusoidal atravessou o ecr&atilde; do oscilosc&oacute;pio. 'Ou&ccedil;am a luz', era a exorta&ccedil;&atilde;o de outro cartaz. E, claro, quando o clar&atilde;o cintilou na c&eacute;lula fotoel&eacute;trica, ouvi qualquer coisa como as interfer&ecirc;ncias do nosso r&aacute;dio Motorola quando o ponteiro se encontrava entre duas emissoras. Era evidente que o mundo encerrava maravilhas de que eu nunca suspeitara. Como podia um som transformar-se em imagem e a luz tornar-se ru&iacute;do? &#91;5&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O texto de Jo&atilde;o Magueijo, em <i>Mais r&aacute;pido que a luz</i>, constitui-se em outro exemplo v&aacute;lido de men&ccedil;&atilde;o. Tentando demonstrar a teoria da relatividade - uma das mais complexas e fundamentais da f&iacute;sica - e contradizer alguns de seus fundamentos, Magueijo constr&oacute;i um texto permeado de poeticidade para tratar de rigor:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;...&#93; A nossa obsess&atilde;o de saber exatamente onde tudo est&aacute; encontra express&atilde;o perfeita no GPS, o qual nos d&aacute; as coordenadas de qualquer ponto da superf&iacute;cie da Terra com precis&atilde;o perfeitamente absurda. Claro, tudo isto &eacute; puramente convencional. Os abor&iacute;genes australianos tra&ccedil;am o mapa da sua terra com linhas mel&oacute;dicas. Para eles, a Austr&aacute;lia n&atilde;o &eacute; uma correspond&ecirc;ncia entre pontos na paisagem e pares de coordenadas desses pontos, mas sim um conjunto de linhas mel&oacute;dicas altamente retorcidas e que repetidamente se intersectam umas &agrave;s outras. Ao longo de cada linha, desenrola-se uma can&ccedil;&atilde;o, a qual narra uma hist&oacute;ria que teve lugar ao longo desse trajecto particular &#91;...&#93;. Uma consequ&ecirc;ncia imediata das linhas mel&oacute;dicas &eacute; criar-se um emaranhado complexo: um ponto j&aacute; n&atilde;o &eacute; um par de n&uacute;meros. Pelo contr&aacute;rio, importa n&atilde;o s&oacute; onde estamos &#91;...&#93; como tamb&eacute;m de onde vimos e, em &uacute;ltima an&aacute;lise, qual a totalidade da nossa traject&oacute;ria passada e futura &#91;...&#93; &#91;6&#93;.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com estes exemplos, &eacute; importante ressaltar, n&atilde;o estamos a defender a descaracteriza&ccedil;&atilde;o da abordagem cient&iacute;fica e seu rigor, que reconhecemos imprescind&iacute;vel ao aprofundamento e &agrave; compreens&atilde;o da ci&ecirc;ncia. Apontamos, antes, para a possibilidade de verificar como esses discursos n&atilde;o s&atilde;o antag&ocirc;nicos a ponto de n&atilde;o poderem (con)fundir-se. Romances como <i>Volta ao mundo em 80 dias</i> e <i>Viagem ao centro da Terra</i>, de J&uacute;lio Verne, ou ainda <i>As aventuras de Robinson Cruso&eacute;</i>, de Daniel Defoe, ao lado de textos cient&iacute;ficos como os de Ant&oacute;nio Dam&aacute;sio, Albert Einstein, David Bohm, para citar apenas alguns, constituem-se como exemplos de como, por meio da conflu&ecirc;ncia, ganha a ci&ecirc;ncia atrav&eacute;s da literatura e ganha a literatura ao ser valorizada em meio ao discurso cient&iacute;fico. Isso porque, conforme explica Morin, o problema n&atilde;o est&aacute; em cada &aacute;rea perder a sua compet&ecirc;ncia, est&aacute; em que a desenvolva o suficiente para a articular com outras compet&ecirc;ncias que, ligadas em cadeia, s&atilde;o capazes de constituir o anel completo e din&acirc;mico do conhecimento do conhecimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONVERG&Ecirc;NCIAS ENTRE LITERATURA E CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de frequentemente serem tratadas como campos de conhecimentos distintos - e, muitas vezes, de costas voltadas uma para a outra - a literatura e a ci&ecirc;ncia apresentam interessantes e complexas converg&ecirc;ncias, percorrendo, o di&aacute;logo entre elas, m&uacute;ltiplos caminhos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nuno Camarneiro, escritor e f&iacute;sico portugu&ecirc;s, aponta-nos que ambas - literatura e ci&ecirc;ncia - partem do desejo de compreender o mundo. "Nenhum campo do saber consegue conter toda a realidade". Em virtude disso, tanto a literatura como a f&iacute;sica trabalham com modelos: "A realidade n&atilde;o est&aacute; numa lei f&iacute;sica. A f&iacute;sica trabalha com abstrac&ccedil;&otilde;es da realidade. O romance tamb&eacute;m &eacute; um modelo que ajuda a conceptualizar o real" &#91;7&#93;. A partir disso, podemos compreender que ambas est&atilde;o &agrave; procura de uma tradu&ccedil;&atilde;o para o mundo, ambas s&atilde;o movidas pelo desejo de saber, de encontrar respostas. Parafraseando Gon&ccedil;alo Tavares, podemos afirmar que J&uacute;lio Verne sonhou com a volta ao mundo, com a viagem &agrave; Lua, com a profundeza dos mares. Anos depois, o avi&atilde;o levantou voo, o homem chegou &agrave; Lua, o submarino foi inventado. Talvez, pud&eacute;ssemos ent&atilde;o dizer: o escritor sonhou; o cientista foi l&aacute; e fez, concretizou o sonho do poeta e a ci&ecirc;ncia avan&ccedil;ou gra&ccedil;as a esse desejo. N&atilde;o teria tamb&eacute;m <i>1984</i>, de George Orwell, ou <i>Admir&aacute;vel mundo novo</i>, de Aldous Huxley, influenciado muitos cientistas?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro aspecto relevante &eacute; que, h&aacute; muito, a ci&ecirc;ncia n&atilde;o presume verdades acerca dos fen&ocirc;menos e fatos, mas se restringe a fazer hip&oacute;teses que servem, prec&aacute;ria e temporariamente, como teorias. E nenhum cientista poderia afirmar que essas hip&oacute;teses s&atilde;o fruto exclusivo de fatos puros e ideias com componentes estritamente cient&iacute;ficos. Em outras palavras, conforme nos explica Magueijo, o trabalho cient&iacute;fico pode ser muito te&oacute;rico e &eacute; necess&aacute;rio dar espa&ccedil;o &agrave; criatividade para as ideias aparecerem. De acordo com o f&iacute;sico portugu&ecirc;s, a ideia &eacute; um sonho, mas depois &eacute; preciso prov&aacute;-la, test&aacute;-la, analis&aacute;-la - matem&aacute;tica, l&oacute;gica e objetivamente. "H&aacute; muita gente na comunidade cient&iacute;fica que se fica apenas pelas ideias e n&atilde;o as converte em teorias. S&atilde;o, por vezes, pessoas com grande capacidade matem&aacute;tica que n&atilde;o sabem expor ideias" &#91;8&#93;. Em outras palavras, a literatura amplia as formas de express&atilde;o necess&aacute;rias para a comunica&ccedil;&atilde;o das ideias cient&iacute;ficas. Al&eacute;m de que, conforme sugere Gon&ccedil;alo Tavares, em <i>Breves notas sobre ci&ecirc;ncia </i>&#91;9&#93;, tanto na formula&ccedil;&atilde;o de uma teoria como na narra&ccedil;&atilde;o de uma hist&oacute;ria podem ser encontrados processos mentais muito semelhantes, se considerarmos uma narrativa como uma sequ&ecirc;ncia de elementos que sofrem uma altera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, ainda que se valendo de linguagens e m&eacute;todos distintos, literatura e ci&ecirc;ncia nascem do espanto, da incapacidade humana de explicar determinada inquieta&ccedil;&atilde;o que assalta o homem em dado contexto, explica&ccedil;&atilde;o esta que ganha representa&ccedil;&atilde;o por meio de um retrato, constru&iacute;do via linguagem. Esta linguagem, ali&aacute;s, &eacute; um dos pontos destacado por C&acirc;mara, o qual lamenta a perda da capacidade liter&aacute;ria da escrita cient&iacute;fica pelos cientistas, desprovidos, hoje, de uma forma&ccedil;&atilde;o human&iacute;stica. De acordo com o engenheiro portugu&ecirc;s, um artigo cient&iacute;fico hoje &eacute; "despido de adjetivos" &#91;10&#93;, o que retira a emo&ccedil;&atilde;o da descoberta, da criatividade, que tem de estar associada &agrave; ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A complementariedade entre literatura e ci&ecirc;ncia pode ainda ser concebida se considerarmos que enquanto a ci&ecirc;ncia, comumente, se centra no como, no modo de fazer as coisas, e n&atilde;o necessariamente no porqu&ecirc; - o que pode gerar a aliena&ccedil;&atilde;o -, a literatura e as artes em geral, desconhecendo o como, busca compreender o para qu&ecirc; e o porqu&ecirc;. Se considerarmos que a ci&ecirc;ncia, cada vez mais, tem se instrumentalizado, a literatura continua a experimentar um pouco mais de liberdade, experimentando e fazendo o trabalho da ci&ecirc;ncia: pesquisar, encontrar novas hip&oacute;teses, novas solu&ccedil;&otilde;es, novos mundos para o homem. Por isso, para Patr&iacute;cia Portela, escritora portuguesa, a literatura &eacute; a ci&ecirc;ncia mais pura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Compreende-se, assim, como apenas o conhecimento parcelar mostra-se insuficiente: al&eacute;m do conhecimento t&eacute;cnico, &eacute; preciso tamb&eacute;m a forma&ccedil;&atilde;o human&iacute;stica. A conquista de um pensamento mais hol&iacute;stico tem sido um dos desafios percebidos no cen&aacute;rio contempor&acirc;neo. Conscientes da impossibilidade de compreendermos o nosso contexto a partir de uma vis&atilde;o compartimentada e parcelar, nota-se a tentativa de aproxima&ccedil;&atilde;o entre as v&aacute;rias &aacute;reas do saber. Nesse sentido, a aproxima&ccedil;&atilde;o entre literatura e ci&ecirc;ncia, permite-nos dar sentido ao vultoso conjunto de est&iacute;mulos a que estamos submetidos diariamente. O di&aacute;logo entre as duas &aacute;reas possibilita-nos ver o mundo como uma am&aacute;lgama de pensamentos e a&ccedil;&otilde;es, acontecimentos e artefato que, em conjunto, constituem as culturas e as sociedades que partilhamos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>(IN)CONCLUS&Otilde;ES: MUITOS DI&Aacute;LOGOS AINDA A SEREM CONSTRU&Iacute;DOS</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao longo deste estudo, buscamos demonstrar como, longe da simplifica&ccedil;&atilde;o que normalmente se estabelece quando nos referimos aos conhecimentos cient&iacute;ficos e liter&aacute;rios - realidade <i>versus</i> sonho, comprova&ccedil;&atilde;o <i>versus</i> divaga&ccedil;&atilde;o - estas duas &aacute;reas mant&ecirc;m diversos pontos de contato, estabelecendo diferentes formas de di&aacute;logo. Ainda que poucos, em virtude da extens&atilde;o deste estudo, os exemplos apresentados demonstram como algumas obras liter&aacute;rias devem parte de sua beleza &agrave; ci&ecirc;ncia, bem como alguns textos cient&iacute;ficos ficaram valorizados pela sua escrita em uma forma liter&aacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Refletindo nessa rela&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o de oposi&ccedil;&atilde;o, mas de complementariedade, no que se refere &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, constata-se que uma vis&atilde;o que considere ci&ecirc;ncias e humanidades a partir de uma perspectiva dial&oacute;gica e complementar &eacute;, mais do que desej&aacute;vel, urgente. Se a ci&ecirc;ncia e a matem&aacute;tica s&atilde;o importantes para a forma&ccedil;&atilde;o, as artes e as humanidades n&atilde;o s&atilde;o menos imprescind&iacute;veis na constru&ccedil;&atilde;o de um cidad&atilde;o, uma vez que imagina&ccedil;&atilde;o e pensamento intuitivo s&atilde;o imprescind&iacute;veis para o surgimento do novo. Conforme pudemos observar, o processo cient&iacute;fico valida, mas &eacute; a imagina&ccedil;&atilde;o que cria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se o que as distinguem &eacute; a linguagem de que se valem, &eacute; justamente essa diferen&ccedil;a que, se assumida e compreendida, permite-nos atingir diferentes - e mais complexas - perspectivas do conhecimento, marcadas pela multidimensionalidade. Isso porque, nessa perspectiva, n&atilde;o se pretende a exclusividade de um ponto de vista - o liter&aacute;rio ou o cient&iacute;fico, por exemplo - mas a conjun&ccedil;&atilde;o dos diferentes olhares lan&ccedil;ados em torno do objeto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Parece-nos, assim, surgido o momento em que n&atilde;o podemos mais recorrer &agrave; disjun&ccedil;&atilde;o e simplifica&ccedil;&atilde;o. Nosso contexto demanda, cada vez mais, se o desejamos compreender como um todo org&acirc;nico, a capacidade de compreend&ecirc;-lo como um caleidosc&oacute;pio, como uma forma que, apenas quando formos capazes de olharmos, simultaneamente, para as suas distintas partes - sem desejar estabelecer entre elas rela&ccedil;&otilde;es de hierarquia ou de import&acirc;ncia - se oferecer&aacute; a n&oacute;s como um todo significativo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Encerramos essas breves reflex&otilde;es com as palavras de Mia Couto, bi&oacute;logo e escritor mo&ccedil;ambicano, que t&atilde;o bem aponta para essa converg&ecirc;ncia:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sou escritor e cientista. Vejo as duas actividades, a escrita e a ci&ecirc;ncia, como sendo vizinhas e complementares. A ci&ecirc;ncia vive da inquieta&ccedil;&atilde;o, do desejo de conhecer para al&eacute;m dos limites. A escrita &eacute; uma falsa quietude, a capacidade de sentir sem limites. Ambas resultam da recusa das fronteiras, ambas s&atilde;o um passo sonhado para l&aacute; do horizonte. A biologia para mim n&atilde;o &eacute; apenas uma disciplina cient&iacute;fica, mas uma hist&oacute;ria de encantar, a hist&oacute;ria da mais antiga epopeia que &eacute; a vida. &Eacute; isso que eu pe&ccedil;o &agrave; ci&ecirc;ncia: que me fa&ccedil;a apaixonar. &Eacute; o mesmo que eu pe&ccedil;o &agrave; literatura. &#91;11&#93;</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	Morin, E. <i>Introdu&ccedil;&atilde;o ao pensamento complexo</i>. Lisboa: Piaget, 1991, p.18.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.	Bachelard apud &#91;1&#93;, p.20.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.	Garc&iacute;a Marques, G. <i>Cem anos de solid&atilde;o</i>. Lisboa: D.Quixote, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.	Saramago, J. <i>A jangada de pedra</i>. Lisboa: Caminho, 1986, p. 23-26.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5.	Sagan, C. <i>Um mundo infestado de dem&oacute;nios</i>. Lisboa: Gradiva, 1995. p. 20.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.	Magueijo, J. <i>Mais r&aacute;pido que a luz</i>. Lisboa: Gradiva, 2004, p.30.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7.	Camarneiro, N. apud Ribeiro, R. "Pode a literatura ser a ci&ecirc;ncia mais pura?" <i>Revista P&uacute;blico</i>, ago./2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.publico.pt/2014/08/24/culturaipsilon/noticia/pode-a-literatura-ser-a-ciencia-mais-pura-1667195" target="_blank">https://www.publico.pt/2014/08/24/culturaipsilon/noticia/pode-a-literatura-ser-a-ciencia-mais-pura-1667195</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.	Magueijo, J. apud Ribeiro, R. "Pode a literatura ser a ci&ecirc;ncia mais pura?"<i> Revista P&uacute;blico</i>, ago./2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.publico.pt/2014/08/24/culturaipsilon/noticia/pode-a-literatura-ser-a-ciencia-mais-pura-1667195" target="_blank">https://www.publico.pt/2014/08/24/culturaipsilon/noticia/pode-a-literatura-ser-a-ciencia-mais-pura-1667195</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.	Tavares, G. <i>Breves notas sobre ci&ecirc;ncia</i>. Lisboa: Rel&oacute;gio d'&aacute;gua, 2006.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10.	C&acirc;mara, A. apud Ribeiro, R. "Pode a literatura ser a ci&ecirc;ncia mais pura?" <i>Revista P&uacute;blico</i>, ago./2014. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.publico.pt/2014/08/24/culturaipsilon/noticia/pode-a-literatura-ser-a-ciencia-mais-pura-1667195" target="_blank">https://www.publico.pt/2014/08/24/culturaipsilon/noticia/pode-a-literatura-ser-a-ciencia-mais-pura-1667195</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11.	Couto, M. <i>Pensatempos</i>. 2 ed. Lisboa: Caminho, 2005, p.45.    </font></p>      ]]></body><back>
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