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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   LITERATURA E CI&Ecirc;NCIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O fio de Ariadne: imagina&ccedil;&atilde;o, ci&ecirc;ncia e arte</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Patr&iacute;cia Fonseca Fanaya</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">P&oacute;s-doutoranda em filosofia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); doutora em comunica&ccedil;&atilde;o e semi&oacute;tica pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (PUC-SP), mestre em estudos da tradu&ccedil;&atilde;o pela UFSC</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia e a arte s&atilde;o, entre outras coisas, tentativas do homem de entender, descrever e explicar o mundo que o cerca. &Eacute; interessante notar que esses campos do conhecimento humano, que contemporaneamente parecem t&atilde;o distantes um do outro, evolu&iacute;ram juntos por muitos e muitos s&eacute;culos. Durante o Renascimento, por exemplo, entender igualmente sobre arte, arquitetura, engenharia e ci&ecirc;ncia era esperado de todas as pessoas reconhecidas e admiradas por seu g&ecirc;nio. O homem renascentista, por defini&ccedil;&atilde;o, era um humanista, um pol&iacute;mata universal aos moldes de Brunelleschi, Leonardo ou Michelangelo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, foi no Renascimento que houve o in&iacute;cio da separa&ccedil;&atilde;o dos of&iacute;cios produtivos, das ci&ecirc;ncias e das artes. Pelo lado da arte, isso talvez se devesse &agrave; ascens&atilde;o social almejada pelos art&iacute;fices que buscavam a valoriza&ccedil;&atilde;o dos objetos da arte como demonstra&ccedil;&atilde;o de poder e prest&iacute;gio junto &agrave;s classes ricas e poderosas; e pelo lado da ci&ecirc;ncia, ao abandono gradual do teocentrismo e &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o do senso cr&iacute;tico e da observa&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos naturais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia moderna, como a conhecemos a hoje, come&ccedil;ou a ser definida a partir do s&eacute;culo XVI, com Kepler e Cop&eacute;rnico, e foi impulsionada no s&eacute;culo XVII por Galileu Galilei, Francis Bacon, Isaac Newton, entre outras mentes brilhantes &#91;1&#93;. Por outro lado, foi no s&eacute;culo VXIII que a est&eacute;tica se consolidou como o elemento-chave para a arte, diferenciando-a definitivamente de suas fun&ccedil;&otilde;es utilit&aacute;rias &#91;2&#93;. Foi em torno dessa mesma &eacute;poca que o cientificismo e o iluminismo come&ccedil;aram a insistir na tese de que a arte n&atilde;o era capaz de descrever a realidade com exatid&atilde;o; e, portanto, n&atilde;o era capaz de produzir conhecimento verdadeiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XIX, a ci&ecirc;ncia j&aacute; estava estabelecida como uma &aacute;rea de estudo independente, e o m&eacute;todo j&aacute; havia sido incorporado &agrave;s pr&aacute;ticas cient&iacute;ficas em todo o mundo. Um exemplo disso foi que, em 1817, a <i>Encyclopaedia Metropolitana</i>, concorrente da j&aacute; estabelecida e influente <i>Encyclopaedia Britannica</i>, &eacute; publicada com uma introdu&ccedil;&atilde;o escrita pelo poeta e fil&oacute;sofo Samuel Taylor Coleridge, com um texto que &eacute; como um tratado sobre o m&eacute;todo, com uma abordagem que enfatizava a import&acirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es entre as ideias. Dizia Coleridge: "O m&eacute;todo, portanto, torna-se natural para a mente que est&aacute; acostumada a contemplar n&atilde;o apenas as coisas por si s&oacute;, mas tamb&eacute;m e principalmente a rela&ccedil;&atilde;o das coisas, seja a rela&ccedil;&atilde;o entre si, seja com o observador, ou com o estado e apreens&atilde;o dos ouvintes. Enumerar e analisar essas rela&ccedil;&otilde;es, com as condi&ccedil;&otilde;es sob as quais s&atilde;o descobertas, &eacute; ensinar a ci&ecirc;ncia do m&eacute;todo" &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que se viu, a partir de ent&atilde;o, foi uma separa&ccedil;&atilde;o ainda mais radical entre a ci&ecirc;ncia e as artes - consequ&ecirc;ncia, talvez, da busca do rigor do m&eacute;todo e da tend&ecirc;ncia &agrave; especializa&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias, por um lado; e, por outro, as artes sendo cada vez mais caracterizadas e identificadas como um campo de express&atilde;o intensamente pessoal, carente de m&eacute;todos de verifica&ccedil;&atilde;o, verdadeiro reflexo dos sentimentos e das ideias dos artistas e incapaz de produzir conhecimento verdadeiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A concep&ccedil;&atilde;o de que a ci&ecirc;ncia tratava de observa&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o j&aacute; estava consolidada, mas, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XX, era bastante evidente para alguns cientistas que eles deveriam se ocupar com algo al&eacute;m dos fatos a serem observados e interpretados, e das descobertas a serem demonstradas e sistematicamente classificadas e unificadas sob leis gerais. Nessa &eacute;poca, come&ccedil;ou a haver uma maior aceita&ccedil;&atilde;o sobre o fato de que n&atilde;o seria poss&iacute;vel estabelecer um m&eacute;todo &uacute;nico, definitivo e objetivo para todas as ci&ecirc;ncias, e Einstein, Heisenberg, Planck, Bohr, entre outros cientistas, tiveram papel ativo na reviravolta que tornaria evidente que a imagina&ccedil;&atilde;o exercia papel fundamental nas descobertas e no conhecimento cient&iacute;fico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia e a arte s&atilde;o duas facetas da experi&ecirc;ncia humana que, no &uacute;ltimo s&eacute;culo, foram tratadas a partir de suas diferen&ccedil;as irreconcili&aacute;veis e n&atilde;o a partir de sua origem comum ou de suas converg&ecirc;ncias. Em uma &eacute;poca em que vislumbramos promissores avan&ccedil;os nas integra&ccedil;&otilde;es entre o humano e o n&atilde;o humano, atrav&eacute;s das tecnologias digitais e biol&oacute;gicas, a pergunta que devemos continuar a nos fazer &eacute;: que papel a imagina&ccedil;&atilde;o exerce na produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento, considerando que, por um lado, a imagina&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica estaria sempre sujeita &agrave; raz&atilde;o, &agrave; consist&ecirc;ncia metodol&oacute;gica e ao rigor da verifica&ccedil;&atilde;o, e, por outro, a imagina&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, aparentemente, n&atilde;o tem limites? As respostas n&atilde;o s&atilde;o f&aacute;ceis, mas, contemporaneamente, a neuroci&ecirc;ncia, as ci&ecirc;ncias cognitivas, a filosofia da mente e das tecnologias est&atilde;o voltando novamente a aten&ccedil;&atilde;o para essa quest&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um trecho inspirado do ensaio <i>Ci&ecirc;ncia, raz&atilde;o e paix&atilde;o</i> (1994) &#91;4&#93;, Ilya Prigogine nos lembra que a ci&ecirc;ncia &eacute; um di&aacute;logo entre o homem e a natureza - n&oacute;s constru&iacute;mos, ao longo dos s&eacute;culos, uma ideia de natureza da qual somos parte. A certa altura, oportunamente, ele reconta o relato de Heisenberg sobre uma observa&ccedil;&atilde;o de Bohr durante uma visita que fizeram, certa feita, ao Castelo de Kronberg, na Dinamarca: "n&atilde;o &eacute; estranho como este castelo pare&ccedil;a completamente diferente quando pensamos nele como o lugar onde morou Hamlet? Como cientistas, acreditamos que um castelo seja feito de pedras, assim como admiramos a maneira como o arquiteto as arrumou. As paredes, o teto de bronze azinhavrado pelo tempo, as vigas de igreja, o castelo &eacute; feito de tudo isso. Nada deveria mudar somente porque Hamlet morou aqui, mas isso muda tudo. De repente, paredes e baluartes passam a falar uma l&iacute;ngua completamente diferente. Mesmo assim, a &uacute;nica coisa que sabemos com certeza sobre Hamlet &eacute; que seu nome aparece em uma cr&ocirc;nica do s&eacute;culo XIII. Mas todos sabemos as perguntas que Shakespeare se fez, assim como as profundezas humanas que elas revelam; ele tamb&eacute;m precisava de um lugar no mundo, aqui em Kronberg..." &#91;4, p. 86&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que Bohr, o not&aacute;vel cientista merecedor do pr&ecirc;mio Nobel de F&iacute;sica em 1922, parece entender perfeitamente &eacute; que n&atilde;o h&aacute; conhecimento cient&iacute;fico capaz de dar respostas completas e satisfat&oacute;rias &agrave;s inquieta&ccedil;&otilde;es sobre a nossa exist&ecirc;ncia ou sobre a complexa experi&ecirc;ncia humana que &eacute; estar no mundo. &Eacute; evidente que, para ele, imaginar Hamlet vivendo em Kronberg &eacute; parte indel&eacute;vel de sua experi&ecirc;ncia naquela ocasi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">John Dewey &#91;5&#93; se deteve em pensar sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre a arte e a experi&ecirc;ncia. Dewey viveu a transi&ccedil;&atilde;o entre os s&eacute;culos XIX e XX, &eacute;poca de grande efervesc&ecirc;ncia nas ci&ecirc;ncias e nas artes, e, em 1934, publicou <i>Arte como experi&ecirc;ncia</i>, seu mais influente trabalho a respeito da estrutura formal das artes e de seu impacto sobre os homens e, consequentemente, sobre as sociedades.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dewey repudiava as separa&ccedil;&otilde;es radicais entre as &aacute;reas do conhecimento, e se deteve em examinar "as separa&ccedil;&otilde;es que perturbam o pensamento atual: a divis&atilde;o de tudo em natureza e experi&ecirc;ncia, a da experi&ecirc;ncia em pr&aacute;tica e teoria, arte e ci&ecirc;ncia, a da arte em &uacute;til e refinada, servil e livre" &#91;6&#93;. Ele defendia que a experi&ecirc;ncia &eacute; a negocia&ccedil;&atilde;o consciente do "eu" com o mundo - sendo esta uma caracter&iacute;stica irredut&iacute;vel da vida. Para ele, n&atilde;o h&aacute; experi&ecirc;ncia humana mais intensa do que a da arte. Diz ele: "...n&atilde;o h&aacute; quest&atilde;o mais importante perante o mundo que &#91;...&#93; a concilia&ccedil;&atilde;o das atitudes da ci&ecirc;ncia pr&aacute;tica com a aprecia&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica contemplativa. Sem a primeira, o homem torna-se joguete e v&iacute;tima das for&ccedil;as naturais. &#91;...&#93; Sem a segunda, a humanidade poderia tornar-se uma ra&ccedil;a de monstros econ&ocirc;micos &#91;...&#93; entediados com o lazer, ou t&atilde;o somente capazes de us&aacute;-lo na exibi&ccedil;&atilde;o ostentadora e na dissipa&ccedil;&atilde;o extravagante" &#91;7&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o devemos esquecer que tanto as ci&ecirc;ncias como as artes s&atilde;o linguagens, e que o ser humano j&aacute; nasce em meio a signos e significados, e n&atilde;o lhe &eacute; dada a escolha de existir de outra maneira. Estar no mundo passa necessariamente pelo dom&iacute;nio das linguagens, que n&atilde;o servem apenas para descrever, sistematizar e explicar a natureza, como &eacute; pr&oacute;prio da racional e objetiva l&iacute;ngua das ci&ecirc;ncias; elas tamb&eacute;m s&atilde;o alimento e ferramentas para a imagina&ccedil;&atilde;o. A combina&ccedil;&atilde;o poderosa da imagina&ccedil;&atilde;o com as linguagens nos d&aacute; o poder de criar outros e novos mundos - como bem nos mostra a arte h&aacute; muitos s&eacute;culos - e, assim, nos permite enriquecer nossas humanas experi&ecirc;ncias. Bohr estava certo: saber que Hamlet habitou o castelo de Kronberg, muda completamente tudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A literatura tem se mostrado, ao longo dos s&eacute;culos, um terreno f&eacute;rtil para a explora&ccedil;&atilde;o das influ&ecirc;ncias da ci&ecirc;ncia na arte e vice-versa. A fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, como g&ecirc;nero liter&aacute;rio, conta com cientistas que tamb&eacute;m foram escritores entre seus mais importantes expoentes. Arthur Clark, por exemplo, era f&iacute;sico e matem&aacute;tico, e nos legou <i>2001: uma odisseia no espa&ccedil;o</i>; Isaac Asimov era bioqu&iacute;mico e escreveu a impressionante <i>Trilogia da funda&ccedil;&atilde;o</i>. H&aacute; muitos outros c&eacute;lebres escritores, em diversos g&ecirc;neros liter&aacute;rios, que tamb&eacute;m foram cientistas, como Lewis Carrol, que era matem&aacute;tico; ou Johann Wolfgang von Goethe, que, al&eacute;m de poeta e novelista, pesquisava morfologia, teoria das cores e possu&iacute;a uma das maiores e mais importantes cole&ccedil;&otilde;es de minerais de toda a Europa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mary Wollstonecraft Shelley, uma mulher muito &agrave; frente de seu tempo - filha de outra mulher n&atilde;o menos genial, a fil&oacute;sofa Mary Wollstonecraft, e do editor, jornalista e escritor William  Godwin - interessada que era nas ci&ecirc;ncias e nas artes, escreveu, aos dezenove anos, um dos maiores cl&aacute;ssicos da literatura: <i>Frankenstein, ou o Prometeu moderno</i>. Dr. Frankenstein, um jovem bem-nascido e bem-educado, torna-se obcecado com a ideia de desvendar o segredo da imortalidade e se convence que, apesar das tentativas de todos os que o precederam, a tarefa de descobrir o segredo da vida era dada a ele e a mais ningu&eacute;m. Sua busca era a de tornar-se capaz de animar a mat&eacute;ria morta. A certa altura do terceiro cap&iacute;tulo, Frankenstein diz: "Vida e morte me apareciam como limites ideais, que primeiro devia transpor, para lan&ccedil;ar uma torrente de luz em nosso mundo de trevas. Uma nova esp&eacute;cie me aben&ccedil;oaria como seu criador e sua origem; muitas criaturas felizes e excelentes iriam dever a exist&ecirc;ncia a mim (...) Prosseguindo nas reflex&otilde;es, pensei que, se pudesse dar vida &agrave; mat&eacute;ria inanimada, com o tempo poderia (...) restituir a vida onde a morte aparentemente tivesse destinado o corpo &agrave; deteriora&ccedil;&atilde;o" &#91;8, p. 77&#93;. Dr. Frankenstein n&atilde;o compreendia a extens&atilde;o de seus atos e as graves consequ&ecirc;ncias que seus experimentos cient&iacute;ficos podiam causar; al&eacute;m disso, em sua busca doentia por recriar a vida artificialmente, ele transgrediu as regras da natureza, violou o segredo da vida e afrontou o Criador. Irrespons&aacute;vel e levianamente, ele usou o poder criativo de sua imagina&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica para ultrapassar os limites do conhecimento permitido aos homens e usurpar os poderes divinos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O romance de Shelley aborda in&uacute;meros temas sens&iacute;veis, mas em primeiro plano aparece a discuss&atilde;o sobre como a atividade cient&iacute;fica, levada &agrave;s &uacute;ltimas consequ&ecirc;ncias, pode gerar resultados nefastos e trazer sofrimento, desgra&ccedil;a e caos ao mundo dos homens. Shelley foi influenciada pelas descobertas e avan&ccedil;os cient&iacute;ficos de sua &eacute;poca, e suas inquieta&ccedil;&otilde;es combinadas com sua prodigiosa imagina&ccedil;&atilde;o, geraram uma obra prima da literatura ocidental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O bi&oacute;logo evolucionista brit&acirc;nico J. B. S. Haldane publicou na Inglaterra, em 1924, o famoso e controverso ensaio - fruto de sua memor&aacute;vel palestra de fevereiro de 1923 no Clube dos Her&eacute;ticos, na Universidade de Cambridge - <i>Daedalus or science and the future.</i> Haldane escreveu: "O inventor qu&iacute;mico ou f&iacute;sico &eacute; sempre um Prometeu. N&atilde;o h&aacute; grande inven&ccedil;&atilde;o, do fogo ao voo, que n&atilde;o fosse aclamada como um insulto a algum deus. Entretanto, se toda inven&ccedil;&atilde;o f&iacute;sico-qu&iacute;mica &eacute; uma blasf&ecirc;mia, ent&atilde;o toda inven&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica &eacute; uma pervers&atilde;o. Dificilmente haver&aacute; alguma que, ao ser levada ao conhecimento de um observador de qualquer na&ccedil;&atilde;o que nunca tenha ouvido falar de sua exist&ecirc;ncia, n&atilde;o lhe pare&ccedil;a como indecente e antinatural" &#91;9&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse ensaio, Haldane abordou a natureza revolucion&aacute;ria da ci&ecirc;ncia, especialmente da biologia gen&eacute;tica, e chamou a aten&ccedil;&atilde;o da comunidade cient&iacute;fica sobre as consequ&ecirc;ncias nefastas que essa revolu&ccedil;&atilde;o poderia causar &agrave; humanidade, caso n&atilde;o fosse acompanhada por profundas reflex&otilde;es &eacute;ticas. As reflex&otilde;es &eacute;ticas e pondera&ccedil;&otilde;es morais s&atilde;o fundamentais para que os cientistas se mantenham cr&iacute;ticos ao seu pr&oacute;prio trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A &eacute;tica trata de assuntos relativos &agrave; conduta humana, e os gregos j&aacute; discutiam isso. Os mitos gregos tentavam explicar, por meio de narrativas complexas, os fen&ocirc;menos da natureza e a origem e realidade do mundo; contavam sobre a organiza&ccedil;&atilde;o social e as rela&ccedil;&otilde;es de poder; mas tamb&eacute;m apresentavam e discutiam quest&otilde;es relacionadas ao comportamento, &agrave;s virtudes e v&iacute;cios dos homens. Um cientista da estatura intelectual de Haldane estava ciente de sua reponsabilidade frente n&atilde;o s&oacute; &agrave; comunidade cient&iacute;fica, mas tamb&eacute;m &agrave; humanidade. Ao lan&ccedil;ar m&atilde;o do mito, ele confiou &agrave; for&ccedil;a da arte narrativa grega, que atravessou os s&eacute;culos, o poder de impactar a comunidade a que se dirigia com seu discurso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; sabido que a vis&atilde;o do futuro da ci&ecirc;ncia que Haldane exp&ocirc;s nesse ensaio - qual seja, aquela em que os homens seriam capazes de controlar sua pr&oacute;pria evolu&ccedil;&atilde;o como esp&eacute;cie por meio das muta&ccedil;&otilde;es controladas dos genes e da fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i> - influenciou Aldous Huxley em sua obra prima <i>Admir&aacute;vel mundo novo</i>. Huxley era um cr&iacute;tico contumaz da cren&ccedil;a exagerada na tecnoci&ecirc;ncia como rem&eacute;dio para todos os problemas e males do mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ambas as obras, o Frankenstein de Shelley - a escritora que recorre &agrave; ci&ecirc;ncia - como a de Haldane - o cientista que recorre ao mito - s&atilde;o apontadas como precursoras das ideias que caracterizam o que ficou conhecido, contemporaneamente, como movimento transumanista.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O movimento transumanista se posiciona a favor das melhorarias da condi&ccedil;&atilde;o e qualidade da vida humana, e aposta que as tecnologias de melhoramento t&ecirc;m o potencial de incrementar nossos corpos em suas dimens&otilde;es intelectual, f&iacute;sica e psicol&oacute;gica, possibilitando que superemos nossas limita&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas. Fil&oacute;sofos e cientistas que compartilham os ideais transumanistas se ocupam em pesquisar as ramifica&ccedil;&otilde;es, promessas e perigos potenciais do desenvolvimento e utiliza&ccedil;&atilde;o dessas novas tecnologias e suas implica&ccedil;&otilde;es &eacute;ticas e morais. Eles tamb&eacute;m compartilham valores caros aos humanistas, como a ideia de que cada indiv&iacute;duo faz diferen&ccedil;a no mundo; ou a de que os homens n&atilde;o s&atilde;o seres perfeitos, mas t&ecirc;m a capacidade de melhorar o mundo por meio do pensamento racional, da toler&acirc;ncia e da preocupa&ccedil;&atilde;o com seus semelhantes. Os transumanistas ajustam o foco, no entanto, para o potencial daquilo que podemos nos tornar ao acolhermos a ideia da hibridiza&ccedil;&atilde;o definitiva entre o homem e as tecnologias, o que, em &uacute;ltima an&aacute;lise, significa a busca do controle total sobre a biologia, e, portanto, tamb&eacute;m sobre a vida e a morte.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se por um lado as ideias e ideais transumanistas s&atilde;o capazes de gerar fascina&ccedil;&atilde;o, por outro, tamb&eacute;m s&atilde;o capazes de despertar uma ambi&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica sem limites, como a que aprisionou o esp&iacute;rito de dr. Frankenstein e o transformou na criatura atormentada, anti&eacute;tica e imoral, sendo ele, portanto, o verdadeiro monstro de Shelley. Diz dr. Frankenstein ao capit&atilde;o Walton: "Busca o conhecimento e a sabedoria, conforme eu mesmo fiz uma vez, e espero ardentemente que a satisfa&ccedil;&atilde;o de seus desejos n&atilde;o se torne uma serpente que o pique, como aconteceu comigo" &#91;8, p. 47&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A imagina&ccedil;&atilde;o exerce um papel determinante na influ&ecirc;ncia m&uacute;tua que as ci&ecirc;ncias e a arte t&ecirc;m uma sobre a outra, e essa &eacute; uma discuss&atilde;o antiga na filosofia, que come&ccedil;ou na Gr&eacute;cia, com a ideia de <i>mimesis</i>. <i>Mimesis</i>, para os gregos, se relacionava com a representa&ccedil;&atilde;o da natureza, o que certamente inclu&iacute;a a natureza humana. Plat&atilde;o escreveu sobre a <i>mimesis</i> no <i>&Iacute;on</i> e nos livros II,III e X de <i>A rep&uacute;blica</i>. Para ele, a arte imitava a vida - ideia que aparecia claramente refletida nas narrativas m&iacute;ticas do per&iacute;odo. Arist&oacute;teles, por outro lado, considerava a <i>mimesis</i> como a imita&ccedil;&atilde;o de uma a&ccedil;&atilde;o. Em sua <i>Po&eacute;tica</i>, obra filos&oacute;fica de import&acirc;ncia &iacute;mpar para a hist&oacute;ria do pensamento e para a cr&iacute;tica liter&aacute;ria, Arist&oacute;teles nos diz que, para al&eacute;m de uma mera imita&ccedil;&atilde;o, a <i>mimesis</i> &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o que, ao mesmo tempo em que reproduz o real, o supera, aprimora, modifica, e que assim fazendo, recria-o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">David Hume, o importante fil&oacute;sofo empirista do iluminismo, conhecido e reconhecido n&atilde;o s&oacute; por seu empirismo radical, mas tamb&eacute;m por sua prosa elegante, defendia que a imagina&ccedil;&atilde;o &eacute; uma faculdade mental que forma, une e distingue as ideias. Essa caracter&iacute;stica criativa da imagina&ccedil;&atilde;o coloca-a em posi&ccedil;&atilde;o de desempenhar papel fundamental tanto na fic&ccedil;&atilde;o como nas ci&ecirc;ncias naturais &#91;10&#93;. &Eacute; atrav&eacute;s da imagina&ccedil;&atilde;o que os homens s&atilde;o capazes de criar mitos como Prometeu ou D&eacute;dalo, personagens como Hamlet ou Frankenstein, ou de inventar a matem&aacute;tica e a partir dela calcular a dist&acirc;ncia entre as estrelas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro fil&oacute;sofo que se ocupou em pensar e escrever sobre a imagina&ccedil;&atilde;o foi Kant. Na terceira <i>Cr&iacute;tica</i>, tamb&eacute;m conhecida como <i>Cr&iacute;tica da faculdade de julgar</i> (1790), Kant trata a imagina&ccedil;&atilde;o n&atilde;o como uma faculdade da ilus&atilde;o, mas como uma poderosa faculdade criativa, capaz de reformar a natureza. A liberdade imaginativa, para ele, ocorre quando julgamos um objeto de forma totalmente desinteressada, permitindo que a imagina&ccedil;&atilde;o brinque livremente com as formas que se apresentam &agrave; percep&ccedil;&atilde;o; ou ocorre de forma produtiva no artista, quando &eacute; usada para produzir e exibir ideais est&eacute;ticos - intui&ccedil;&otilde;es &iacute;ntimas indeterminadas que estimulam o pensamento, mas que n&atilde;o podem ser captadas discursivamente. &Eacute; por meio da imagina&ccedil;&atilde;o, acredita ele, que somos capazes de tomar o que a natureza nos d&aacute; e transformar em "outra natureza". Como seres f&iacute;sicos, estamos presos &agrave;s leis da natureza, como agentes morais, estamos presos &agrave; lei da raz&atilde;o pr&aacute;tica; mas como criaturas imaginativas, n&atilde;o somos limitados em nosso poder criativo &#91;11&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Darwin tamb&eacute;m escreveu sobre o poder da imagina&ccedil;&atilde;o. Em <i>The descent of man,  and selection in relation to sex</i> (1871), diz ele: "a imagina&ccedil;&atilde;o &eacute; uma das mais altas prerrogativas do homem. Atrav&eacute;s dessa faculdade ele une imagens e ideias anteriores, independentemente da vontade, e assim cria inovadores e brilhantes resultados (...) como Jean Paul Richter observa 'sonhar nos d&aacute; a melhor no&ccedil;&atilde;o desse poder' (...) 'o sonho &eacute; uma involunt&aacute;ria arte da poesia'" &#91;12&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim como Ariadne ajudou a salvar Creta ao conduzir Teseu &agrave; sa&iacute;da do labirinto do Minotauro, fazendo-o compreender que o ponto de partida era tamb&eacute;m o de chegada, a imagina&ccedil;&atilde;o parece ser o fio que precisamos seguir para entender que a ci&ecirc;ncia e a arte s&atilde;o facetas complementares da experi&ecirc;ncia humana de estar no mundo e gerar conhecimento. Em uma &eacute;poca como a nossa, em que at&eacute; mesmo o processo de sele&ccedil;&atilde;o natural j&aacute; pode ser substitu&iacute;do pela t&eacute;cnica, necessitaremos transformar profundamente nossa maneira de compreender e lidar com a natureza do homem. Precisaremos, cada vez mais, enfrentar com coragem e imagina&ccedil;&atilde;o, as perguntas cruciais sobre o que nos faz humanos, sobre-humanos, n&atilde;o-humanos ou inumanos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>NOTAS E REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1.	Kepler publica, em 1596, o <i>Mysterium cosmographicum</i>;    <!-- ref --> Francis Bacon publica, em 1620, o <i>Novum organum</i>;    <!-- ref --> Galileu Galilei publica, em 1632, os <i>Di&aacute;logos sobre os dois principais sistemas do mundo</i>;    <!-- ref --> Newton publica, em 1687, <i>Philosophiae naturalis principia mathematica.    </i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2.	A fun&ccedil;&atilde;o da arte no ocidente estava ligada &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o das tradi&ccedil;&otilde;es religiosas e hist&oacute;ricas; ao embelezamento de resid&ecirc;ncias e locais p&uacute;blicos; al&eacute;m da perpetua&ccedil;&atilde;o de valores e ideologias sociais.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3.	Coleridge, S. T. <i>S. T. Coleridge's treatise on method</i>. R. West. 1934.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4.	Prigogine, I. <i>Ci&ecirc;ncia, raz&atilde;o e paix&atilde;o</i>. Org. Edgard de Assis Carvalho, Maria da Concei&ccedil;&atilde;o de Almeida. - 2. Ed. revisada e ampliada. S&atilde;o Paulo: Editora Livraria da F&iacute;sica, 2009.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5.	John Dewey foi fil&oacute;sofo, psic&oacute;logo, educador, cientista pol&iacute;tico e social, considerado um dos pragmatistas americanos cl&aacute;ssicos, juntamente com C. S. Peirce e William James.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6.	Dewey, J. <i>Experience and nature</i>. Nova Iorque, W.W. Norton and Co., 1929, p. 358. In:  Boydston, J. A. (org.), <i>The later works of John Dewey</i>, 1925-1953, Carbondale e Edwardsville, Southern Illinois University Press, 1981, vol. 1, p. 269.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7.	Dewey, J. <i>Reconstruction in philosophy</i>, Nova Iorque, Henry Holt and Co., 1920, p. 127 (<i>A filosofia em reconstru&ccedil;&atilde;o</i>, trad. E. Marcondes Rocha, S&atilde;o Paulo, Nacional, 1958). In: Boydston, J. A. (org.), <i>The middle works of John Dewey</i>, 1899-1924, Carbonale e Edwardsville: Southern Illinois University Press, 1982, vol. 12, p. 152.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8.	Shelley, M. F<i>rankenstein, ou o Moderno Prometeu</i>; trad. e notas Doris Goettems. S&atilde;o Paulo: Editora Landmark, 2016.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9.	Transcri&ccedil;&atilde;o de Cosma Rohilla Shalizi - Berkeley, California, 10 abril, 1993, do texto da palestra de Haldane no Heretic Society na Cambridge  University, 04 de fevereiro, 1923.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10.	Obrigada ao meu colega e aluno &Iacute;talo Lins, por ter-me cedido uma c&oacute;pia da primeira vers&atilde;o de seu artigo "The imagination between the natural sciences and fiction: a human perspective", de 2019, ainda in&eacute;dito.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11.	Ver Kneller, J. <i>Kant e o poder da imagina&ccedil;&atilde;o</i>; trad. Elaine Alves Trindade. S&atilde;o Paulo: Madras, 2010, p. 49-72.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12.	Darwin, C. "The descent of man", p. 45-46. In: <i>The complete works of Charles Darwin</i> Online. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://darwin-online.org.uk/content/frameset?pageseq=1&amp;itemID=F937.1&amp;viewtype=side" target="_blank">http://darwin-online.org.uk/content/frameset?pageseq=1&amp;itemID=F937.1&amp;viewtype=side</a></font> ]]></body><back>
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