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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   AGRICULTURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Desafios para o sistema alimentar global</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ricardo Abramovay</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O sistema alimentar global &eacute; hoje o mais importante vetor de destrui&ccedil;&atilde;o da biodiversidade &#91;1&#93;, o segundo determinante das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, logo ap&oacute;s a queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis &#91;2&#93;, e uma amea&ccedil;a decisiva &agrave; sa&uacute;de humana tanto em fun&ccedil;&atilde;o das formas predominantes de cria&ccedil;&atilde;o animal &#91;3&#93;, como pela pandemia mundial de obesidade &#91;4&#93;. Segundo uma comiss&atilde;o de especialistas formada em 2019, o mundo passa por uma "sindemia global", ou seja, uma "sinergia de epidemias que interagem uma com a outra, produzindo sequelas complexas sobre a base de determinantes societais comuns" &#91;5&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde os anos 1970, tanto as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, como diversas organiza&ccedil;&otilde;es internacionais de desenvolvimento se empenham em estimular abordagem organicamente integrada desses problemas &#91;6&#93;. A ideia de <i>One Health</i> -  e a jun&ccedil;&atilde;o, em torno dessa ideia, da FAO (sigla em ingl&ecirc;s da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura), da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de Animal e da OMS (Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de)  -  procura enfatizar o v&iacute;nculo indissoci&aacute;vel entre nossos h&aacute;bitos alimentares, a maneira como s&atilde;o satisfeitos e suas consequ&ecirc;ncias para a sa&uacute;de humana e para os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos dos quais dependemos. A quinta edi&ccedil;&atilde;o do <i>Global Diversity Outlook</i> &#91;7&#93; preconiza que a transi&ccedil;&atilde;o para <i>One Health</i> reconhe&ccedil;a os "v&iacute;nculos entre a biodiversidade e todos os aspectos da sa&uacute;de humana".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao mesmo tempo, as Na&ccedil;&otilde;es Unidas v&ecirc;m trabalhando de forma intensa na elabora&ccedil;&atilde;o de guias alimentares que procurem valorizar dietas saud&aacute;veis, alimentos frescos, valoriza&ccedil;&atilde;o de produtos locais e nacionais e, ao mesmo tempo, redu&ccedil;&atilde;o no consumo excessivo de sal, a&ccedil;&uacute;car, carnes, embutidos e produtos processados. Estas recomenda&ccedil;&otilde;es, a atua&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil voltadas ao consumo sustent&aacute;vel e as tentativas de usar medidas tribut&aacute;rias para encarecer produtos prejudiciais &agrave; sa&uacute;de humana e ao meio ambiente s&atilde;o fundamentais, mas n&atilde;o t&ecirc;m sido suficientes para reverter a pandemia global de obesidade, nem tampouco os m&eacute;todos contempor&acirc;neos de produ&ccedil;&atilde;o de prote&iacute;nas e seus imensos danos socioambientais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pandemia tornou ainda mais evidentes os preju&iacute;zos trazidos pelo sistema agroalimentar global, uma vez que, em diversos pa&iacute;ses, os frigor&iacute;ficos tornaram-se epicentros de difus&atilde;o da pandemia. O questionamento n&atilde;o se refere apenas &agrave; industrializa&ccedil;&atilde;o, mas, sobretudo, &agrave;s grandes concentra&ccedil;&otilde;es animais. Dois senadores norte-americanos  -  Cory Booker, democrata, e o republicano Ro Khama  -  t&ecirc;m projetos de lei para uma morat&oacute;ria na instala&ccedil;&atilde;o de novas unidades integradas de produ&ccedil;&atilde;o de carnes e para uma radical desconcentra&ccedil;&atilde;o do setor at&eacute; 2040.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As den&uacute;ncias com rela&ccedil;&atilde;o aos atuais m&eacute;todos produtivos aceleraram diferentes alternativas aos modelos atuais de obten&ccedil;&atilde;o de prote&iacute;nas. Estas alternativas est&atilde;o dando lugar a uma onda global de investimentos em startups que prometem chegar ao melhor dos mundos. Uma vez que o apetite por carne &eacute; maior que a consci&ecirc;ncia social a respeito dos problemas trazidos por sua produ&ccedil;&atilde;o e seu consumo, emerge uma solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o traum&aacute;tica, que faz apelo &agrave; sedu&ccedil;&atilde;o habitual representada pela inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e oferece ao consumidor um produto limpo: a carne limpa, seja ela vinda de plantas ou de c&eacute;lulas animais, com base nas quais se oferece ao consumidor a carne, sem abate, sem sofrimento e sem danos socioambientais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os fabricantes das carnes alternativas  -  na esmagadora maioria dos casos praticantes do veganismo, como mostra o excelente livro de Jenny Kleeman, <i>Sex robots and vegan meat: adventures at the frontier of birth, food, sex, and death </i>(Pegasus Book, Londres)  -  sustentam a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica de seus produtos num discurso cr&iacute;tico ao sistema alimentar contempor&acirc;neo que em nada fica a dever &agrave;s den&uacute;ncias de seus mais agudos contestadores. Ao mesmo tempo, recorrem &agrave; impossibilidade de mudar o gosto e a propens&atilde;o das pessoas a comer carne para chegar &agrave; solu&ccedil;&atilde;o de produzir de forma indolor, limpa, no laborat&oacute;rio, um produto cujo consumo n&atilde;o precisa ser reduzido para contribuir na luta contra as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, a eros&atilde;o da biodiversidade e a crueldade animal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A carne vegetal j&aacute; est&aacute; no card&aacute;pio das lojas de <i>fast food</i> em v&aacute;rias partes do mundo. A de laborat&oacute;rio, elaborada a partir de c&eacute;lulas animais, sem o seu sacrif&iacute;cio, foi autorizada para consumo p&uacute;blico em Singapura em novembro de 2020. Mesmo uma conhecedora com o prest&iacute;gio de Marion Nestle, professora em&eacute;rita da Universidade de Nova York e tamb&eacute;m da Universidade de Cornell, encara, em seu mais recente livro &#91;8&#93;, as carnes alternativas de forma cr&iacute;tica, mas &eacute; prudente no julgamento de seu futuro e de sua capacidade de melhorar o sistema agroalimentar global.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A MONOTONIA DE NOSSA ALIMENTA&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; gigantesco o contraste entre a variedade de plantas j&aacute; utilizadas pela esp&eacute;cie humana na produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, energia, fibras, medicamentos e diversos materiais &#91;9&#93; e a escassez das que atualmente comp&otilde;em os sistemas agropecu&aacute;rios predominantes &#91;10, 11&#93;. Segundo o relat&oacute;rio de 2020 do Kew Royal Botanic Gardens, das mais de sete mil plantas alimentares catalogadas, 90% da humanidade usa apenas quinze delas; e quatro milh&otilde;es de pessoas t&ecirc;m sua nutri&ccedil;&atilde;o composta fundamentalmente por apenas tr&ecirc;s (arroz, milho e trigo). As florestas tropicais concentram a esmagadora maioria das plantas conhecidas e n&atilde;o utilizadas e estima-se que 70% da biodiversidade global encontram-se em territ&oacute;rios pertencentes a comunidades ind&iacute;genas, como mostra o importante trabalho sobre plantas negligenciadas e subutilizadas &#91;12&#93;, levado adiante pelo International Fund for Agricultural Development (Ifad) e pela Biodiversity International.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A alimenta&ccedil;&atilde;o nas cria&ccedil;&otilde;es industriais que fornecem a maior parte das prote&iacute;nas hoje &eacute; igualmente limitada a um n&uacute;mero restrito de gr&atilde;os, complementados sistematicamente por componentes qu&iacute;micos que elevam seu teor nutricional e, sobretudo, por medicamentos que procuram evitar as doen&ccedil;as resultantes da crescente homogeneidade gen&eacute;tica dos animais e sua concentra&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;os restritos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; claro que o aumento da densidade populacional das sociedades humanas e o in&iacute;cio das aglomera&ccedil;&otilde;es sedent&aacute;rias, h&aacute; 12 mil anos, foram acompanhados pelo desenvolvimento da agropecu&aacute;ria, pela busca de ganhos nos rendimentos das superf&iacute;cies cultivadas e, assim, pela redu&ccedil;&atilde;o da diversidade dos produtos obtidos. Mas foi na segunda metade do s&eacute;culo XX que o desafio de alimentar bilh&otilde;es de pessoas foi enfrentado de maneira sistem&aacute;tica e unificada, por meio da Revolu&ccedil;&atilde;o Verde, que nasceu na M&eacute;xico nos anos 1950, mobilizou empresas, governos e segmentos importantes da sociedade civil para um espetacular aumento da produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria global.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Revolu&ccedil;&atilde;o Verde teve a ambi&ccedil;&atilde;o de representar uma resposta homog&ecirc;nea ao avan&ccedil;o da fome, que nos anos 1950 atingia quase metade da popula&ccedil;&atilde;o mundial, boa parte da qual vivendo em ambientes rurais empobrecidos, degradados e de baix&iacute;ssima produtividade. &Eacute; importante salientar que al&eacute;m da homogeneidade nas t&eacute;cnicas e nas variedades cultivadas, a Revolu&ccedil;&atilde;o Verde concentrou igualmente a pesquisa em dire&ccedil;&atilde;o ao aumento da produtividade de arroz, milho e trigo, os tr&ecirc;s produtos mais consumidos globalmente &#91;13&#93;. Mas a contrapartida desse sucesso mostrou-se cada vez mais problem&aacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Revolu&ccedil;&atilde;o Verde propiciou um aumento de 106% da produtividade agr&iacute;cola global entre 1961 e 1999. Mas, ao mesmo tempo, a superf&iacute;cie irrigada subiu 97%, o uso de fertilizantes nitrogenados 638%, o de fosfatados 203% e a produ&ccedil;&atilde;o de agrot&oacute;xicos 854% &#91;14&#93;. Se &eacute; verdade que se produz muito mais por unidade de &aacute;rea, o fato &eacute; que esse desacoplamento entre produ&ccedil;&atilde;o e terra nem de longe vem atingindo os insumos b&aacute;sicos em que se apoia a agropecu&aacute;ria. &Eacute; crescente o uso de fertilizantes nitrogenados e de f&oacute;sforo por unidade produzida na agropecu&aacute;ria global &#91;15&#93;. Esta constata&ccedil;&atilde;o &eacute; extremamente grave, quando se leva em conta que os ciclos do nitrog&ecirc;nio e do f&oacute;sforo s&atilde;o uma das nove fronteiras ecossist&ecirc;micas cuja ultrapassagem representa amea&ccedil;a &agrave; pr&oacute;pria vida no planeta. Rockstrom e colaboradores &#91;16&#93; mostram que nosso uso de nitrog&ecirc;nio e f&oacute;sforo (produtos dos quais depende a atual oferta agropecu&aacute;ria global) hoje compromete servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos fundamentais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m da polui&ccedil;&atilde;o decorrente do uso desses fertilizantes, a literatura mais recente sobre o sistema alimentar global vem colocando especial &ecirc;nfase em tr&ecirc;s problemas fundamentais e interconectados: mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, eros&atilde;o da diversidade gen&eacute;tica e avan&ccedil;o da pandemia de obesidade. Estes problemas relacionam-se a duas caracter&iacute;sticas centrais do sistema agroalimentar global. A primeira &eacute; que ele gira fundamentalmente em torno da produ&ccedil;&atilde;o de carnes. A segunda est&aacute; na participa&ccedil;&atilde;o crescente dos produtos ultraprocessados nas dietas contempor&acirc;neas. Vejamos a quest&atilde;o mais de perto.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CIVILIZA&Ccedil;&Atilde;O CARN&Iacute;VORA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um quarto da superf&iacute;cie planet&aacute;ria (exclu&iacute;das as &aacute;reas geladas) voltam-se a pastagens e 40% de todos os plantios &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o animal &#91;17&#93;. A forma&ccedil;&atilde;o de pastagens tem, at&eacute; aqui, contribu&iacute;do decisivamente para a destrui&ccedil;&atilde;o florestal e 20% das pastagens do mundo est&atilde;o degradadas. Mas &eacute; fundamental chamar a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que 70% das emiss&otilde;es da agropecu&aacute;ria global contempor&acirc;nea v&ecirc;m dos animais ruminantes. As prote&iacute;nas do rebanho bovino, ovino e caprino global (em virtude da fermenta&ccedil;&atilde;o ent&eacute;rica) emitem dez vezes mais que a origin&aacute;ria de aves e peixes. Se o rebanho de gado global fosse um pa&iacute;s, ele seria o segundo emissor do mundo, logo ap&oacute;s a China. Por esta raz&atilde;o, a consultoria global McKinsey alerta que para manter a temperatura global m&eacute;dia nos limites estabelecidos pelo Acordo de Paris, a participa&ccedil;&atilde;o das carnes de ruminantes no consumo global de prote&iacute;nas animais ter&aacute; que cair de 9% para 4% do total &#91;18&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os atuais m&eacute;todos de cria&ccedil;&atilde;o das chamadas carnes brancas (aves e su&iacute;nos), no entanto, s&atilde;o igualmente amea&ccedil;adores. A concentra&ccedil;&atilde;o de trabalhadores nos frigor&iacute;ficos e os riscos de contamina&ccedil;&atilde;o viral e bacteriana origin&aacute;rios da proximidade de pessoas em ambientes com baixa temperatura ser&aacute; provavelmente contornado pela completa robotiza&ccedil;&atilde;o dos frigor&iacute;ficos, como j&aacute; ocorre na Dinamarca e como j&aacute; preveem os planos dos maiores produtores globais de carne. Este v&iacute;deo mostra como funcionam os frigor&iacute;ficos dinamarqueses (http://slaughterhouse.danishcrown.com/). O principal obst&aacute;culo &agrave; ado&ccedil;&atilde;o dessas novas t&eacute;cnicas de abate e processamento de carnes &eacute; a perman&ecirc;ncia de m&atilde;o de obra barata, formada em muitos pa&iacute;ses por imigrantes (como no caso da Alemanha) ou por pessoas pobres e marginalizadas (como mostra a import&acirc;ncia de negros e latinos entre os trabalhadores dos frigor&iacute;ficos norte-americanos &#91;19&#93;).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas esta transforma&ccedil;&atilde;o nos frigor&iacute;ficos n&atilde;o vai, por si s&oacute;, alterar os m&eacute;todos de cria&ccedil;&atilde;o de aves e su&iacute;nos  -  e &eacute; a&iacute; que residem dois dos maiores problemas contempor&acirc;neos relativos &agrave; oferta de prote&iacute;nas animais. O primeiro refere-se ao bem-estar animal. O segundo aos riscos de contamina&ccedil;&atilde;o viral e bacteriana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Existem no mundo, de forma permanente, 23 bilh&otilde;es de aves criadas industrialmente &#91;20&#93;. Seu peso &eacute; maior que o do conjunto das outras aves existentes no planeta. As aves oferecem as carnes mais consumidas no mundo. Nos Estados Unidos, 97% da oferta v&ecirc;m de animais criados sob integra&ccedil;&atilde;o vertical &#91;21&#93;. Nos anos 1970, um abatedouro padr&atilde;o, nos Estados Unidos, abatia 3 mil frangos por hora. Nos anos 1980, esse total passou a 8 mil e chega a 15 mil nos dias de hoje &#91;22&#93;. Este aumento impressionante apoia-se em transforma&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas e nos padr&otilde;es alimentares das aves implantados a partir dos anos 1950 com base no Chicken-of-Tomorrow Program, que se voltou a aumentar o rendimento em carne dos animais de cria&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1957 os frangos de cria&ccedil;&atilde;o tinham de um quarto a um quinto da massa corporal dos animais de hoje. Estes possuem mais carnes brancas, seu centro de gravidade &eacute; deslocado por seu peso, o que resulta em "m&uacute;ltiplas osteo-patologias" &#91;10&#93;. A aglomera&ccedil;&atilde;o desses animais &eacute; tal que n&atilde;o conseguem sequer abrir as asas. Seu espa&ccedil;o de movimenta&ccedil;&atilde;o corresponde ao tamanho de uma folha de papel A4. Para que estejam prontos ao abate em seis semanas, o ritmo de seu crescimento &eacute; hoje tr&ecirc;s vezes superior ao que era nos anos 1950. Um ter&ccedil;o do rebanho sofre dores cr&ocirc;nicas em seu final de vida &#91;23&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m do sofrimento para os animais, os riscos desses m&eacute;todos de cria&ccedil;&atilde;o para a sa&uacute;de humana ficaram evidentes durante a pandemia de covid-19. Animais de cria&ccedil;&atilde;o sempre facilitaram a transmiss&atilde;o de v&iacute;rus de esp&eacute;cies selvagens para seres humanos. Mas esta possibilidade de transmiss&atilde;o ampliou-se e, desde 1940, de um quarto a metade das zoonoses derivam das pr&aacute;ticas agr&iacute;colas, devido a duas raz&otilde;es b&aacute;sicas. Em primeiro lugar pelo aumento na densidade de animais por &aacute;rea e por sua homogeneidade gen&eacute;tica, o que cria o ambiente ideal para que v&iacute;rus (e eventualmente bact&eacute;rias) se difundam &#91;24&#93;. Al&eacute;m disso, a destrui&ccedil;&atilde;o dos habitats naturais de v&aacute;rios animais transmissores abre caminho ao aumento na quantidade de "generalistas", como os ratos, por exemplo, que desenvolvem resist&ecirc;ncia a pat&oacute;genos, mas transportam estes pat&oacute;genos aos novos ambientes em que se encontram. Embora tudo indique que a covid-19 tenha origem numa esp&eacute;cie selvagem, o risco mais importante est&aacute; no encontro entre esp&eacute;cies selvagens e domesticadas; e este risco &eacute; promovido pelas sociedades humanas, tanto pela devasta&ccedil;&atilde;o florestal quanto pelas gigantescas cria&ccedil;&otilde;es concentracion&aacute;rias. Nada menos que 77% dos pat&oacute;genos presentes nos animais de cria&ccedil;&atilde;o podem atingir popula&ccedil;&otilde;es humanas &#91;24&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que evita que esses riscos atinjam mais gravemente que o fizeram at&eacute; hoje as popula&ccedil;&otilde;es humanas &eacute; a gigantesca quantidade de antibi&oacute;ticos de que dependem esses rebanhos. Cerca de 70% dos antibi&oacute;ticos produzidos no mundo destinam-se ao consumo animal &#91;25&#93;. A descarga destes antibi&oacute;ticos e outros desinfetantes nos ambientes naturais acaba por resultar em resist&ecirc;ncia das bact&eacute;rias a estes produtos &#91;24&#93;. Os m&eacute;todos convencionais de tratamento da &aacute;gua (voltados a detectar coliformes fecais, por exemplo) n&atilde;o s&atilde;o capazes de identificar e muito menos de remover tais produtos, que acabam sendo incorporados ao consumo humano. O resultado &eacute; o aumento da resist&ecirc;ncia a antibi&oacute;ticos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A IMPORT&Acirc;NCIA DOS ULTRAPROCESSADOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2019, a FAO e a OMS publicaram um guia com orienta&ccedil;&otilde;es para uma dieta saud&aacute;vel &#91;26&#93;. A publica&ccedil;&atilde;o recomenda explicitamente uma dieta com consumo moderado de prote&iacute;nas de origem animal e amplia&ccedil;&atilde;o na ingest&atilde;o e na variedade dos produtos vegetais. O guia se apoia no estudo sobre a Global Burden of Disease (GDB) com dados de 195 pa&iacute;ses, que mostra que os riscos das doen&ccedil;as n&atilde;o transmiss&iacute;veis aumentam com o baixo consumo de frutas, vegetais, legumes, gr&atilde;os integrais, castanhas, nozes, leite, peixes, c&aacute;lcio e fibras. Da mesma forma, o consumo excessivo de carne vermelha, carne processada, bebidas a&ccedil;ucaradas e s&oacute;dio ampliam esses riscos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O relat&oacute;rio da EAT-Lance Commssion on Healthy Diets from Sustainable Food Systems sugere que, para que a agropecu&aacute;ria n&atilde;o seja empecilho &agrave;s metas do Acordo de Paris, &eacute; necess&aacute;rio que a ingest&atilde;o de carne vermelha, aves, ovos n&atilde;o v&aacute; al&eacute;m de 392 gramas de peso cozido por semana e a de produtos l&aacute;cteos n&atilde;o ultrapasse 250 gramas por dia &#91;27&#93;  -  uma quantidade bem menor do que boa parte da humanidade consome.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">T&atilde;o importante quanto a redu&ccedil;&atilde;o do consumo de carne (nos pa&iacute;ses e para os segmentos que a ingerem muito al&eacute;m de suas necessidades, bem entendido) &eacute; a diversifica&ccedil;&atilde;o do consumo de produtos vegetais e, sobretudo, de produtos frescos. O que a literatura cient&iacute;fica na &aacute;rea de nutri&ccedil;&atilde;o tem chamado de produtos ultraprocessados &eacute; o maior vetor da pandemia global de obesidade. Esta categoria n&atilde;o se confunde com a de produtos industrializados, que inclui os diferentes tipos de massa, os &oacute;leos vegetais ou os queijos, por exemplo. Os ultraprocesados s&atilde;o produtos feitos a partir de um leque escasso de mat&eacute;rias-primas agr&iacute;colas, &agrave;s quais se acrescentam os componentes qu&iacute;micos que lhes d&atilde;o sabor, apar&ecirc;ncia, textura, aroma e, frequentemente, componentes t&atilde;o agrad&aacute;veis ao paladar que estimulam seu consumo compulsivo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos Estados Unidos, a obesidade chega a 40% da popula&ccedil;&atilde;o adulta &#91;28&#93;. A obesidade infantil atingiu um n&iacute;vel que permitiu a especialistas de Harvard prever que a obesidade atingir&aacute; metade da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s em 2050 &#91;29&#93;. E o principal determinante de t&atilde;o massiva obesidade &eacute; o consumo de produtos ultraprocessados, que nos Estados Unidos correspondem a nada menos que 60% das calorias ingeridas pela popula&ccedil;&atilde;o. Estudo do Banco Mundial &#91;13&#93; mostra que o custo global das doen&ccedil;as decorrentes da obesidade chega a US$ 2 trilh&otilde;es anuais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O FUTURO: AS TECNOLOGIAS ESCOLHENDO POR N&Oacute;S?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As cr&iacute;ticas ao sistema agroalimentar global t&ecirc;m sido enriquecidas com relat&oacute;rios vindos de <i>think tanks</i> e de consultorias que procuram mostrar os m&eacute;ritos das carnes alternativas, sejam elas baseadas em plantas fabricadas em laborat&oacute;rios ou feitas a partir de insetos. Trata-se de um setor que est&aacute; atraindo investimentos dos principais acionistas dos gigantes digitais (como Sergei Brin, do Google, por exemplo), do setor agroalimentar (Tyson) e grande apoio do sistema financeiro. Uma fazenda de insetos na Fran&ccedil;a recebeu investimento de US$ 372 milh&otilde;es, embora seu produto n&atilde;o volte para a alimenta&ccedil;&atilde;o humana e sim animal. Segundo a consultoria ATKearney, esse setor vai representar 60% do que hoje &eacute; o mercado mundial de carnes dentro de 20 anos &#91;30&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atualmente, as cr&iacute;ticas a esse setor s&atilde;o basicamente duas. A primeira &eacute; que as carnes vegetais (e ao que tudo indica, isso inclui as de laborat&oacute;rio) s&oacute; se tornam palat&aacute;veis com o acrescimento de ingredientes qu&iacute;micos capazes de lhes dar sabor, textura, apar&ecirc;ncia, colora&ccedil;&atilde;o e aroma que as aproximem do produtos que elas pretendem substituir. Em outras palavras, se &eacute; grande o potencial dessas carnes em reduzir a quantidade de terra e de recursos subjacentes a sua produ&ccedil;&atilde;o, at&eacute; aqui, ao menos, elas se apoiam em produtos que n&atilde;o fazem parte da cozinha e que pouco t&ecirc;m a ver com a base natural em que elas pretendem apoiar-se.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A segunda cr&iacute;tica &eacute; levantada tanto por Marion Nestle quanto por Jenny Kleeman: se o objetivo &eacute; reduzir o sofrimento animal, os riscos de contamina&ccedil;&atilde;o viral e bacteriana derivados da homogeneidade e da concentra&ccedil;&atilde;o dos rebanhos e a quantidade de produtos vegetais que ser&atilde;o convertidos em prote&iacute;nas animais de forma ineficiente, por que n&atilde;o enfrentar este desafio com amplas campanhas p&uacute;blicas voltadas a reduzir o consumo de carnes e a ampliar o de produtos vegetais frescos? N&atilde;o ser&aacute; mais democr&aacute;tico estimular a responsabilidade do consumidor e, ao mesmo tempo, transformar os atuais modelos produtivos para que a carne continue no card&aacute;pio, mas em quantidade menor que a atual? Vale a reflex&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. IPBES. <i>Summary for policymakers of the global assessment report on biodiversity and ecosystem services of the Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services</i>. S. D&iacute;az et al. 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ipbes.net/global-assessment" target="_blank">https://ipbes.net/global-assessment</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Clark, M. et al. 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<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">27. Willet, W. et al. "Food in the Anthropocene: the EAT-Lancet Commission on healthy diets from sustainable food systems". <i>The Lancet Commissions</i>, vol 393. 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30660336/" target="_blank">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30660336/</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">28. Ludwig, D. e Rogoff, K. "The toll of America's obesity". <i>New York Times</i>. 9/08/2018. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.nytimes.com/2018/08/09/opinion/cost-diabetes-obesity-budget.html" target="_blank">https://www.nytimes.com/2018/08/09/opinion/cost-diabetes-obesity-budget.html</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">29. Ward, Z. J. et al. &#171;Simulation of growth trajectories of childhood obesity into adulthood". <i>N Engl J Med</i>, 377: 2145-2153. 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">30. ATKearney. "How will cultured meat and meat alternatives disrupt the agricultural and food industry?" Dispon&iacute;vel em: <a href="http://media.enfasis.com/adjuntos/146/documentos/000/132/0000132740.pdf" target="_blank">http://media.enfasis.com/adjuntos/146/documentos/000/132/0000132740.pdf</a></font> ]]></body><back>
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