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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   OCEANO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica no Brasil e desafios transversais para a produ&ccedil;&atilde;o do conhecimento</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Roberto de Pinho<sup>I</sup>; Alexander Turra<sup>II</sup>; Jailson Bittencourt de Andrade<sup>III</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Doutor em ci&ecirc;ncia da computa&ccedil;&atilde;o e matem&aacute;tica computacional pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), analista s&ecirc;nior em ci&ecirc;ncia e tecnologia do MCTI na Coordena&ccedil;&atilde;o Geral de Oceano e Ant&aacute;rtica e co-autor no Global Ocean Science Report 2020. Foi chefe de se&ccedil;&atilde;o de Ci&ecirc;ncia, Cultura e Comunica&ccedil;&atilde;o do Instituto de Estat&iacute;stica da Unesco e, como cientista de dados e especialista em pol&iacute;ticas e indicadores de CTI, trabalhou em projetos relevantes de coopera&ccedil;&atilde;o internacional    <br>   <sup>II</sup>Bi&oacute;logo formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde fez mestrado e doutorado em ecologia. &Eacute; professor titular do Instituto Oceanogr&aacute;fico da Universidade de S&atilde;o Paulo (IOUSP) e coordenador da C&aacute;tedra Unesco para Sustentabilidade do Oceano (IEA/IOUSP). Estuda o ambiente marinho por v&aacute;rios &acirc;ngulos, buscando navegar nos caminhos da pesquisa interdisciplinar e da integra&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia com a sociedade    <br>   <sup>III</sup>Professor de qu&iacute;mica, pesquisador 1A no CNPq e coordena o Instituto Nacional de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia em Energia e Ambiente e o projeto "Pesquisando Kirimur&ecirc;: convergindo educa&ccedil;&atilde;o, ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o", cujo foco do estudo &eacute; a Baia de Todos os Santos</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O mar territorial, a zona cont&iacute;gua, a zona econ&ocirc;mica exclusiva e a plataforma continental brasileira abrangem cerca de 5,7 milh&otilde;es de km<sup>2</sup>, correspondendo a uma linha costeira com cerca de 8.000km, envolvendo 17 estados e 463 munic&iacute;pios e abrigando cerca de 25% da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. As zonas costeira e oce&acirc;nica brasileiras, denominadas Amaz&ocirc;nia Azul, s&atilde;o um patrim&ocirc;nio que tem um papel fundamental no desenvolvimento nacional e na economia regional, sendo um fator importante para o desenvolvimento sustent&aacute;vel e o entendimento das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais. Para tanto, necessita ser conhecido para que seus recursos e servi&ccedil;os sejam utilizados de forma racional e sustent&aacute;vel. Isso requer uma abordagem integrada, sist&ecirc;mica e baseada no melhor conhecimento dispon&iacute;vel que subsidie a tomada de decis&atilde;o. Nesse sentido, a ci&ecirc;ncia voltada para o oceano, enquanto um sistema socioecol&oacute;gico complexo, &eacute; um pilar da autodetermina&ccedil;&atilde;o do Brasil enquanto na&ccedil;&atilde;o, requerendo olhares sob diferentes pontos de vista, recortes te&oacute;ricos e metodol&oacute;gicos variados, fontes de financiamento estrat&eacute;gicas e articula&ccedil;&atilde;o institucional que se complementem no sentido de uma compreens&atilde;o hol&iacute;stica e estrat&eacute;gica da estrutura, fun&ccedil;&atilde;o e governan&ccedil;a desse ambiente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia brasileira tem avan&ccedil;ado e, considerando todas as &aacute;reas do conhecimento, &eacute; um esfor&ccedil;o que conta com a dedica&ccedil;&atilde;o de mais de 300 mil pesquisadoras e pesquisadores, al&eacute;m de cerca de 300 mil profissionais dedicados a atividades de apoio. Os n&uacute;meros s&atilde;o referentes ao ano de 2014, &uacute;ltimo disponibilizado pelo Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&otilde;es (MCTI). Naquele ano, cientistas organizavam-se em mais de 35 mil grupos de pesquisa &#91;1&#93;. No ano de 2019, de acordo com registros da base Scopus, foram produzidos quase 85 mil artigos cient&iacute;ficos com a participa&ccedil;&atilde;o de autores e autoras brasileiros &#91;2&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma caracter&iacute;stica relevante do Sistema Nacional de Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o (SNCTI) &eacute; a import&acirc;ncia das institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior (IES) para o seu funcionamento e sustenta&ccedil;&atilde;o. A parcela dos or&ccedil;amentos das IES p&uacute;blicas federais e estaduais que &eacute; estimada como dedicada &agrave; P&amp;D representa quase 60% do investimento p&uacute;blico nessas atividades &#91;1&#93;. De fato, o sistema nacional carece, na compara&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses, de institutos de pesquisa em quantidade e porte compat&iacute;veis com o tamanho da sua ci&ecirc;ncia. Embrapa, Fiocruz e Inpe s&atilde;o exce&ccedil;&otilde;es que faltam em &aacute;reas como a pesquisa oce&acirc;nica. Para esta, h&aacute; a necessidade do estabelecimento de um instituto nacional do mar, que &eacute; uma luta de muitos anos, ainda n&atilde;o concretizada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Determinar aquilo que &eacute; ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica, no entanto, em meio &agrave; ci&ecirc;ncia nacional, n&atilde;o &eacute; tarefa trivial. As fronteiras entre as &aacute;reas da ci&ecirc;ncia n&atilde;o s&atilde;o, n&atilde;o devem e nem podem ser firmemente estabelecidas. De fato, estudos mostram que a ci&ecirc;ncia avan&ccedil;a em saltos quando conhecimento de &aacute;reas distintas &eacute; combinado e recombinado &#91;3&#93;. Isso revela a import&acirc;ncia da abordagem interdisciplinar e integrada e a necessidade de expandi-la, no sentido de congregar e fortalecer os mais variados esfor&ccedil;os para a produ&ccedil;&atilde;o de uma ci&ecirc;ncia para o oceano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Global Ocean Science Report (GOSR), publicado em 2017 pela Comiss&atilde;o Oceanogr&aacute;fica Intergovernamental &#91;4&#93;, fez um levantamento da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica mundial em ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica dividida em oito categorias: i) fun&ccedil;&otilde;es e processos de ecossistemas marinhos, ii) oceano e clima, iii) sa&uacute;de do oceano, iv) sa&uacute;de e bem-estar humano, v) crescimento azul, vi) crosta oce&acirc;nica e riscos geol&oacute;gicos marinhos, vii) tecnologia oce&acirc;nica e viii) dados marinhos e observa&ccedil;&atilde;o oce&acirc;nica. O sum&aacute;rio executivo do relat&oacute;rio est&aacute; dispon&iacute;vel tamb&eacute;m em portugu&ecirc;s &#91;4&#93; e uma nova edi&ccedil;&atilde;o foi publicada em 2020 &#91;5&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No relat&oacute;rio &#91;4&#93;, s&atilde;o contabilizados mais de 370 mil artigos em ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica no mundo no per&iacute;odo de 2010 a 2014. O Brasil participa em cerca de 13 mil deles. Para avaliar o crescimento da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica, os autores comparam os per&iacute;odos de 2010-2011 com 2013-2014. Para o mundo, a produ&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo mais recente foi 1,2 vezes o contabilizado nos dois anos iniciais. O Brasil teve, na mesma compara&ccedil;&atilde;o, crescimento mais intenso, registrando aumento de 1,3 vezes. Em escala temporal mais ampla, o pa&iacute;s estava na 15ª posi&ccedil;&atilde;o no ranking de pa&iacute;ses em volume de produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica em 2010, saltando para 11ªem 2014.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O relat&oacute;rio traz ainda uma interessante medida: o &iacute;ndice de especializa&ccedil;&atilde;o (SI, na sigla em ingl&ecirc;s de <i>specialization index</i>). O SI confronta a parcela da produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica de um pa&iacute;s dedicada a uma &aacute;rea da ci&ecirc;ncia com o percentual observado no mundo. Assim, se um pa&iacute;s tem 15% da sua produ&ccedil;&atilde;o dedicada a uma dada &aacute;rea, mas no mundo esta &aacute;rea representa somente 10% dos artigos, o seu &iacute;ndice de especializa&ccedil;&atilde;o &eacute; 1,5. Portanto, valores acima de 1 indicam que o pa&iacute;s &eacute; proporcionalmente mais especializado em determinado tema ou &aacute;rea, enquanto valores abaixo de 1 indicam uma produ&ccedil;&atilde;o relativamente menor que o padr&atilde;o mundial. Segundo o GOSR, o Brasil &eacute; especializado em ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica, com SI de 1,39 para o per&iacute;odo de 2010-2014.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as oito categorias utilizadas pelo GOSR, o Brasil &eacute; considerado como especializado em quatro categorias (<a href="/img/revistas/cic/v73n2/a03fig01.jpg">figura 1</a>): i) fun&ccedil;&otilde;es e processos de ecossistemas marinhos, com SI igual 1,61; ii) sa&uacute;de do oceano, com SI igual 1,57; iii) crescimento azul, com SI igual a 1,49 e iv) sa&uacute;de e bem-estar humano, com SI igual 1,34. Na categoria "dados marinhos e observa&ccedil;&atilde;o oce&acirc;nica", o comportamento &eacute; equivalente &agrave; m&eacute;dia mundial, com SI igual a 1,03. J&aacute; nas outras tr&ecirc;s categorias, o &iacute;ndice de especializa&ccedil;&atilde;o fica abaixo de 1: i) oceano e cli-ma, com SI igual 0,67, ii) tecnologia oce&acirc;nica, com SI igual a 0,68; e iii) crosta oce&acirc;nica e riscos geol&oacute;gicos marinhos, com SI igual a 0,89.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O &iacute;ndice de especializa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o carrega em si uma evidente orienta&ccedil;&atilde;o ou meta a ser atingida, posto que a relativa orienta&ccedil;&atilde;o dos SNCTI &eacute; dependente das estrat&eacute;gias e necessidades nacionais. Por exemplo, o SI para a Su&iacute;&ccedil;a em ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica &eacute; 0,81. N&atilde;o se pode, contudo, afirmar que o pa&iacute;s que n&atilde;o possui costa mar&iacute;tima deva dedicar-se mais intensamente &agrave; ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica. Tomando isto em conta, no entanto, n&atilde;o &eacute; imprudente afirmar que para um pa&iacute;s voltado ao mar como o Brasil, os &iacute;ndices de especializa&ccedil;&atilde;o observados em "crosta oce&acirc;nica e riscos geol&oacute;gicos marinhos", e, sobretudo em "oceano e clima" e "tecnologia oce&acirc;nica", est&atilde;o aqu&eacute;m de onde deveriam estar e do que poderiam alcan&ccedil;ar. Aqui, novamente, a aus&ecirc;ncia de um instituto nacional do mar, compar&aacute;vel ao Inpe, Embrapa e Fiocruz se faz sentir, assim como um financiamento apropriado (em volume e const&acirc;ncia) &agrave; tem&aacute;tica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>O FINANCIAMENTO DA CI&Acirc;NCIA OCE&Acirc;NICA NO BRASIL</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Informa&ccedil;&otilde;es consolidadas sobre o financiamento em ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica no Brasil n&atilde;o est&atilde;o dispon&iacute;veis e representam um grande obst&aacute;culo ao desenho de pol&iacute;ticas de estado, estruturantes e longevas, para o avan&ccedil;o no conhecimento, bem como para permitir uma avalia&ccedil;&atilde;o objetiva sobre o avan&ccedil;o dos investimentos ao longo do tempo. O fomento &agrave; CT&amp;I em ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica no pa&iacute;s &eacute; predominantemente p&uacute;blico, associado ao or&ccedil;amento da uni&atilde;o e aos diferentes fundos setoriais vinculados ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (FNDCT) e relacionados com o mar, como o aquavi&aacute;rio, biotecnologia, energia, recursos h&iacute;dricos, infraestrutura, mineral, petr&oacute;leo e transporte. Al&eacute;m das atividades financiadas como parte dos or&ccedil;amentos da IES p&uacute;blicas, o protagonismo &eacute; dado pela Finep, em especial nos fundos setoriais, e &agrave; Capes, CNPq e FAPs (funda&ccedil;&otilde;es de amparo &agrave; pesquisa estaduais), com destaque para algumas chamadas de projetos em rede de grande amplitude, como Capes Ci&ecirc;ncias do Mar, Institutos Nacionais de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (INCTs), Programas Ecol&oacute;gicos de Longa Dura&ccedil;&atilde;o, Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (SisBiota) e Centro de S&iacute;ntese em Biodiversidade e Servi&ccedil;os Ecossist&ecirc;micos (SinBiose).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Importante destacar o investimento do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o na aquisi&ccedil;&atilde;o de quatro embarca&ccedil;&otilde;es para suporte &agrave;s atividades de ensino. Aliado a essas iniciativas &eacute; importante mencionar o papel da Secretaria da Comiss&atilde;o Interministerial para Recursos do Mar (SECIRM) e do Plano Setorial para Recursos do Mar (PSRM) na estrutura&ccedil;&atilde;o de uma agenda nacional de pesquisa no oceano que congrega o Programa Ant&aacute;rtico Brasileiro, o Programa de Avalia&ccedil;&atilde;o da Potencialidade Mineral da Plataforma Continental Jur&iacute;dica Brasileira, o Programa de Avalia&ccedil;&atilde;o do Potencial Sustent&aacute;vel de Recursos Vivos da Zona Econ&ocirc;mica Exclusiva, o Programa de Prospec&ccedil;&atilde;o e Explora&ccedil;&atilde;o de Recursos Minerais da &Aacute;rea Internacional do Atl&acirc;ntico Sul e Equatorial e o Programa de Pesquisa Cient&iacute;fica em Ilhas Oce&acirc;nicas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Complementarmente, in&uacute;meros projetos de P&amp;D t&ecirc;m sido executados em parceria com a iniciativa privada, como Chevron, Equinor, Shell e Vale, e a Petrobras, de capital misto. Destaca-se o investimento em infraestrutura de pesquisa embarcada, como a aquisi&ccedil;&atilde;o do navio oceanogr&aacute;fi co Vital de Oliveira, viabilizado por um acordo de coopera&ccedil;&atilde;o firmado entre a Marinha do Brasil, o MCTI, a Petrobras e a Vale.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Novos arranjos de financiamento v&ecirc;m sendo implementados e desenhados no Brasil. Um deles equivale ao Projeto &Aacute;reas Marinhas e Costeiras Protegidas (GEF-Mar), que desde 2015 vem sendo coordenado pelo Minist&eacute;rio do Meio Ambiente com recursos do Banco Mundial e Petrobras com a finalidade de buscar mecanismos para a sustentabilidade financeira das unidades de conserva&ccedil;&atilde;o marinhas e costeiras do Brasil e centros de pesquisa do ICMBio. J&aacute; a Iniciativa Azul, proposta em 2018, corresponde a um conjunto de a&ccedil;&otilde;es do Minist&eacute;rio do Meio Ambiente (MMA) e do Instituto Chico Mendes de Conserva&ccedil;&atilde;o da Biodiversidade (ICMBio) destinado a incentivar e coordenar a elabora&ccedil;&atilde;o de projetos visando garantir a conserva&ccedil;&atilde;o e uso sustent&aacute;vel da biodiversidade marinha no Brasil no longo prazo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentre os problemas associados ao fomento, destaca-se a volatilidade e o frequente contingenciamento dos recursos, indicando uma clara falta de prioriza&ccedil;&atilde;o da agenda marinha no pa&iacute;s. H&aacute; tamb&eacute;m a dificuldade de financiamento de longo prazo, em especial para a&ccedil;&otilde;es de monitoramento (oceanografia operacional) e relacionadas &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas &#91;6&#93;. Para avan&ccedil;armos na ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica &eacute; fundamental que novos arranjos de governan&ccedil;a institucionais, legais e financeiros sejam considerados, como a proposta emergente de uma frente parlamentar para a Amaz&ocirc;nia Azul.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DESAFIOS PARA A CI&Ecirc;NCIA OCE&Acirc;NICA</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A agenda de CT&amp;I brasileira para o oceano vem sendo estruturada e adaptada ao longo do tempo sob a coordena&ccedil;&atilde;o do MCTI. O programa Ci&ecirc;ncia no Mar atua na gest&atilde;o da ci&ecirc;ncia brasileira em &aacute;guas oce&acirc;nicas com horizonte de 2030. O programa possui sete linhas tem&aacute;ticas:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. gest&atilde;o de riscos e desastres;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. mar profundo;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. zona costeira e plataforma continental;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. circula&ccedil;&atilde;o oce&acirc;nica,</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 5. intera&ccedil;&atilde;o oceano-atmosfera e variabilidade clim&aacute;tica;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. tecnologia e infraestrutura para pesquisas oceanogr&aacute;ficas e</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. biodiversidade marinha.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m de realizar chamadas p&uacute;blicas em conjunto com o CNPq, o programa &eacute; o ponto focal no Brasil da D&eacute;cada das Na&ccedil;&otilde;es Unidas da Ci&ecirc;ncia Oce&acirc;nica para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel e o executor do Plano de A&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o para Oceanos &#91;7&#93;. O Plano tem como objetivo "promover PD&amp;I nos oceanos, com o objetivo de produzir e aplicar o conhecimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico, de modo a promover benef&iacute;cios sociais, econ&ocirc;micos e ambientais, preenchendo lacunas de conhecimento essenciais, fomentando a inova&ccedil;&atilde;o e provendo a infraestrutura necess&aacute;ria para o avan&ccedil;o da pesquisa oce&acirc;nica" e criou as bases do programa Ci&ecirc;ncia no Mar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa agenda nacional tem sido discutida pela comunidade cient&iacute;fica no intuito de subsidiar as a&ccedil;&otilde;es governamentais. O livro <i>Projeto de Ci&ecirc;ncia para o Brasil</i>, publicado em 2018 pela Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC), tinha o intuito de refor&ccedil;ar o papel da ABC como centro de pensamento e de formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas amparadas no conhecimento cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico &#91;8&#93;. Al&eacute;m de um cap&iacute;tulo direcionado &agrave;s ci&ecirc;ncias do mar, o documento aborda temas como biodiversidade e energia, que t&ecirc;m forte ader&ecirc;ncia ao oceano. O cap&iacute;tulo de ci&ecirc;ncias do mar apresenta uma proposta para o desenvolvimento da ci&ecirc;ncia oceanogr&aacute;fica no Brasil, com objetivo de avan&ccedil;ar no conhecimento e modelagem do sistema terrestre e na integra&ccedil;&atilde;o com tomadores de decis&atilde;o e formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Dentre os temas priorit&aacute;rios, destacam-se:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Identificar e caracterizar as consequ&ecirc;ncias do aumento e das novas formas de polui&ccedil;&atilde;o no mar;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 2. Identificar, de forma r&aacute;pida, novos poluentes e mecanismos adequados para enfrent&aacute;-los em um prazo adequado;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> 3. Promover estudos transversais entre as ci&ecirc;ncias naturais e as ci&ecirc;ncias humanas, com o objetivo de mapear a interliga&ccedil;&atilde;o dos vetores e press&otilde;es que atuam sobre o mosaico da rela&ccedil;&atilde;o continente-oceano;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Aperfei&ccedil;oar o conhecimento dos processos de intera&ccedil;&atilde;o entre plataformas continentais e o oceano profundo;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Investigar o papel da conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade na resili&ecirc;ncia dos ecossistemas expostos a impactos naturais e antr&oacute;picos adversos, como a acelera&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, a contamina&ccedil;&atilde;o ambiental e a explora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sustentada de recursos pesqueiros;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Identificar e compreender os processos f&iacute;sicos envolvidos na din&acirc;mica dos oceanos e sua rela&ccedil;&atilde;o com o funcionamento dos ecossistemas marinhos;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Desenvolver pesquisas sobre recursos n&atilde;o vivos, tanto de plataforma quanto de oceano profundo; e</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Realizar estudos paleoclim&aacute;ticos e paleoceanogr&aacute;ficos em diversas escalas temporais no Atl&acirc;ntico Sul, aproveitando a recente entrada do Brasil no Programa Internacional de Descoberta Oce&acirc;nica (IODP, na sigla em ingl&ecirc;s).</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dado o papel central do oceano na regula&ccedil;&atilde;o do clima, o documento destaca quatro abordagens relevantes a serem consideradas quanto &agrave; interface da pesquisa oce&acirc;nica com as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Investigar os processos f&iacute;sicos e biogeoqu&iacute;micos associados &agrave;s mudan&ccedil;as na circula&ccedil;&atilde;o do oceano austral e sua intera&ccedil;&atilde;o com o gelo marinho e as plataformas de gelo que possam ter impacto nos climas do Brasil e do Atl&acirc;ntico Sul;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Esclarecer o papel das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas sobre o oceano Atl&acirc;ntico Sul e seus efeitos decorrentes;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Aprofundar o conhecimento sobre a acidifica&ccedil;&atilde;o dos oceanos;</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Avaliar a utilidade dos oceanos - e o poss&iacute;vel impacto sobre eles - na aplica&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos de geoengenharia para mitiga&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, como a fertiliza&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua do mar e o armazenamento de CO em &aacute;guas profundas.</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>DESAFIOS TRANSVERSAIS PARA A PRODU&Ccedil;&Atilde;O DO CONHECIMENTO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na vers&atilde;o 2.0 do plano de implementa&ccedil;&atilde;o para a D&eacute;cada das Na&ccedil;&otilde;es Unidas da Ci&ecirc;ncia Oce&acirc;nica para o Desenvolvimento Sustent&aacute;vel, publicado em julho de 2020, a COI indica como necess&aacute;ria uma transforma&ccedil;&atilde;o na forma como a ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica &eacute; realizada. Isto implica romper barreiras tem&aacute;ticas, assim como restri&ccedil;&otilde;es &agrave; ampla participa&ccedil;&atilde;o e a diversidade &#91;9&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Movimentos globais da ci&ecirc;ncia s&atilde;o aliados na busca pela transforma&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica. A Declara&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Francisco sobre Avalia&ccedil;&atilde;o da Pesquisa &#91;10&#93;, por exemplo, ao insistir na "necessidade de avaliar a pesquisa por seus pr&oacute;prios m&eacute;ritos, em vez de depender dos m&eacute;ritos do peri&oacute;dico no qual ele foi publicada" e reconhecer que "os produtos da pesquisa cient&iacute;fica s&atilde;o in&uacute;meros e variados", abre um caminho para uma ci&ecirc;ncia que retorna &agrave;s suas origens e foca na amplia&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o do conhecimento, para al&eacute;m de mero jogo de n&uacute;meros e &iacute;ndices.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No campo dos dados da pesquisa oce&acirc;nica, h&aacute; ainda muitas quest&otilde;es em aberto e perguntas a serem respondidas. Brett e colaboradores &#91;11&#93; identificam como principais problemas para os dados da pesquisa oce&acirc;nica: i) os silos (reposit&oacute;rios isolados), ii) controle e governan&ccedil;a, iii) formato e qualidade, e iv) fragmenta&ccedil;&atilde;o. Como solu&ccedil;&atilde;o, os autores prop&otilde;em: i) a constru&ccedil;&atilde;o de redes federadas de dados, ii) a abertura de dados, e iii) a constru&ccedil;&atilde;o e viabiliza&ccedil;&atilde;o de modelos de neg&oacute;cio e fontes de financiamento para abertura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Parte dessas solu&ccedil;&otilde;es s&atilde;o traduzidas em princ&iacute;pios orientadores, elaborados para a ci&ecirc;ncia como um todo. Os princ&iacute;pios FAIR &#91;12&#93; - acr&ocirc;nimo para encontr&aacute;vel (<i>findable</i>), acess&iacute;vel (<i>accessible</i>), interoper&aacute;vel <i>(interoperable</i>) e reutiliz&aacute;vel (<i>reusable</i>) - s&atilde;o orienta&ccedil;&otilde;es importantes na busca pela abertura dos dados de pesquisa. Ampliando os princ&iacute;pios FAIR e, talvez de especial relev&acirc;ncia para muitos ramos da ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica, os princ&iacute;pios CARE para governan&ccedil;a de dados dos povos ind&iacute;genas &#91;13&#93; acrescentam a dimens&atilde;o humana e considera&ccedil;&otilde;es de prop&oacute;sito na coleta e dissemina&ccedil;&atilde;o de dados. S&atilde;o eles: benef&iacute;cio coletivo (<i>collective benefit</i>), direito &agrave; governan&ccedil;a (<i>authority to control</i>), responsabilidade (<i>responsibility</i>) e &eacute;tica (<i>ethics</i>).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na tradu&ccedil;&atilde;o desses problemas, solu&ccedil;&otilde;es e orienta&ccedil;&otilde;es em pol&iacute;ticas e programas em CT&amp;I, de Pinho &#91;14&#93; elenca outras quest&otilde;es aplic&aacute;veis tanto para a ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica como para a ci&ecirc;ncia em geral que v&atilde;o desde o papel do governo, institui&ccedil;&otilde;es de suporte &agrave; pesquisa e ag&ecirc;ncias de financiamento, at&eacute; formas de conciliar reposit&oacute;rios locais, nacionais e globais, passando por como garantir que a maneira como a ci&ecirc;ncia &eacute; financiada n&atilde;o atrapalha a abertura de dados, como nos alerta a Declara&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Francisco sobre Avalia&ccedil;&atilde;o da Pesquisa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES FINAIS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica brasileira tem evolu&iacute;do e garantido presen&ccedil;a importante na ci&ecirc;ncia nacional. No entanto, os desafios s&atilde;o amplos e ganham relev&acirc;ncia na conjuga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia com os desafios humanos como os traduzidos pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel da Agenda 2030. Para super&aacute;-los, temos que garantir financiamento, encontrar novas estruturas e tamb&eacute;m novas formas de fazer e suportar uma ci&ecirc;ncia sob forte influ&ecirc;ncia do processo global de digitaliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&otilde;es - MCTI (Brasil). Indicadores CT&amp;I. &#91;<i>S. l.</i>&#93;, 2020. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://antigo.mctic.gov.br/mctic/opencms/indicadores/indicadores_cti.html" target="_blank">http://antigo.mctic.gov.br/mctic/opencms/indicadores/indicadores_cti.html</a>. Acesso em: 1 nov. 2020.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. SCImago, (n.d.). SJR - SCImago Journal &amp; Country Rank, 2020. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.scimagojr.com" target="_blank">http://www.scimagojr.com</a>. Acesso em: 1 nov. 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. Chen, C. "Searching for intellectual turning points: progressive knowledge domain visualization". <i>Proc. Natl. Acad. Sci. </i>USA, 101 (suppl.), 5303-5310, 2004.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Comiss&atilde;o Oceanogr&aacute;fica Intergovernamental (COI) / Intergovernmental Oceanographic Commission (IOC). <i>Global Ocean Science Report 2017: the current status of ocean science around the world</i>. 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Comiss&atilde;o Oceanogr&aacute;fica Intergovernamental (COI) / Intergovernmental Oceanographic Commission (IOC). <i>Global Ocean Science Report 2020: Charting Capacity for Ocean Sustainability. 2020.     </i></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Turra, A.; Cr&oacute;quer, A.; Carranza, A.; <i>et al. </i>"Global environmental changes: setting priorities for Latin American coastal habitats". <i>Global Change Biology</i>, v. 19, n. 7, p. 1965-9, jul 2013.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Centro de Gest&atilde;o e Estudos Estrat&eacute;gicos (CGEE). Plano de A&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o para Oceanos. Bras&iacute;lia, DF: Centro de Gest&atilde;o e Estudos Estrat&eacute;gicos, 32 p. 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Silva, J. L.; Tundisi, J. G. (coords.) <i>Projeto de Ci&ecirc;ncia para o Brasil. </i>(coordenadores). Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias, 396p. 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. Comiss&atilde;o Oceanogr&aacute;fica Intergovernamental (COI) / Intergovernmental Oceanographic Commission (IOC). United Nations Decade of Ocean Science for Sustainable Development 2021 - 2030, Implementation Plan Version 2.0, 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. Dora Program. Declara&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Francisco sobre Avalia&ccedil;&atilde;o da Pesquisa. 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. Brett, A.; Leape, J.; Abbott, M.; Sakaguchi, H.; Cao, L.; Chand, K.; Myksvoll, M. S. "Ocean data need a sea change to help navigate the warming world". <i>Nature</i>, 582(7811),181-183. 2020.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. Wilkinson, M.; Dumontier, M.; Aalbersberg, I. et al. The FAIR Guiding Principles for scientific data management and stewardship. Sci Data 3, 160018 (2016). <a href="https://doi.org/10.1038/sdata.2016.18" target="_blank">https://doi.org/10.1038/sdata.2016.18</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. Research Data Alliance International Indigenous Data Sovereignty Interest Group (RDAIIDSIG). The CARE Principles for Indigenous Data Governance. 2019</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. de Pinho, R. Towards a Scientific Data Policy. The Latin America and the Caribbean Scientific Data Management Workshop. Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias. 2018.    </font></p>      ]]></body><back>
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