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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS    <br>   OCEANO</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mar&eacute; de informa&ccedil;&atilde;o para promover a cultura oce&acirc;nica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Germana Barata</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Pesquisadora do Laborat&oacute;rio de Estudos Avan&ccedil;ados em Jornalismo (Labjor) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), bolsista Produtividade CNPq em divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e membro do comit&ecirc; gestor de comunica&ccedil;&atilde;o da D&eacute;cada do Oceano no Brasil. E-mail: <a href="mailto:germana@unicamp.br">germana@unicamp.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"A Terra &eacute; azul", exclamou o cosmonauta russo Yuri Gagarin em 12 de abril de 1961, durante o primeiro voo espacial humano. Sua constata&ccedil;&atilde;o mudou, para sempre, nossa percep&ccedil;&atilde;o sobre a Terra. Com a superf&iacute;cie coberta por mais de 70% de &aacute;gua salgada, nosso planeta &eacute; banhado por um gigantesco oceano que influencia diariamente as vidas de todos seus seres vivos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir deste ano inicia-se a D&eacute;cada do Oceano, um esfor&ccedil;o mundial de mudarmos o curso da sociedade, sensibiliz&aacute;-la para que se aproxime do oceano e perceba que faz parte de um mesmo planeta conectado pela &aacute;gua. O principal desafio para a comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; justamente aproximar cada habitante ao oceano que impacta a vida terrena de forma t&atilde;o intensa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo dados do IBGE de 2010, pouco mais de 50 milh&otilde;es de brasileiros e brasileiras (26,6% da popula&ccedil;&atilde;o) moram na zona costeira e, portanto, s&atilde;o impactados diretamente pela maresia, paisagens, fauna e usufruem de atividades econ&ocirc;micas ligadas &agrave; cultura oce&acirc;nica. Enquanto tr&ecirc;s em cada quatro brasileiros est&atilde;o distantes do mar e concentrados em centros urbanos nos quais a natureza est&aacute; pouco presente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a sa&uacute;de do oceano em risco, n&atilde;o h&aacute; outro rem&eacute;dio sen&atilde;o mobilizar a humanidade para se familiarizar e se engajar em prol de a&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;ticas ambientais que sejam capazes de mitigar e promover adapta&ccedil;&otilde;es &agrave;s mudan&ccedil;as que j&aacute; est&atilde;o em curso. Acidifica&ccedil;&atilde;o das &aacute;guas marinhas, eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do oceano, derretimento das geleiras, encalhe de golfinhos e baleias nas praias, embranquecimento dos corais, superpopula&ccedil;&atilde;o de algas ex&oacute;ticas (sarga&ccedil;o), diminui&ccedil;&atilde;o dos estoques pesqueiros, destrui&ccedil;&atilde;o dos mangues, aumento de tempestades, secas pronunciadas no continente, destrui&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;ad&otilde;es, piers, eleva&ccedil;&atilde;o de ataques de tubar&otilde;es na costa, n&iacute;veis elevados de merc&uacute;rio nas &aacute;guas e nos peixes, perda de biodiversidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o faltam not&iacute;cias ruins, que podem contribuir para uma sensa&ccedil;&atilde;o de impot&ecirc;ncia na sociedade. Somado a isso, a politiza&ccedil;&atilde;o do debate das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, o negacionismo, a desmoraliza&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es de pesquisa e de cientistas encabe&ccedil;ada pelo governo federal deixam claro que a mar&eacute; n&atilde;o est&aacute; para peixes!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PERCEP&Ccedil;&Atilde;O P&Uacute;BLICA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No pa&iacute;s de maior biodiversidade do mundo, qual &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o com a mesma? Nelio Bizzo, da Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp), e coautores investigaram como alunos da regi&atilde;o Norte, de maior biodiversidade do pa&iacute;s, e do Sudeste, regi&atilde;o mais populosa e rica, se preocupam com a diversidade biol&oacute;gica. O estudo, publicado na revista <i>Science Advances </i>em agosto de 2020 concluiu que h&aacute; maior preocupa&ccedil;&atilde;o entre os brasileiros em rela&ccedil;&atilde;o a estudantes de outros pa&iacute;ses, apesar do menor acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o &#91;1&#93;. No entanto, o contato direto com a natureza, popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas, conhecimento local e a riqueza sociocultural associadas &agrave; natureza influenciam positivamente os estudantes do Norte, que se mostram bem mais interessados (50.4%) no tema do que os jovens do Sudeste (33.1%).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"As escolas devem abordar o ILK &#91;conhecimento local e ind&iacute;gena&#93; e o conhecimento cient&iacute;fico por meio de a&ccedil;&otilde;es que visem impulsionar a educa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica; caso contr&aacute;rio, atitudes positivas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o podem n&atilde;o ser duradouras", enfatizaram os autores lembrando que em todas as regi&otilde;es brasileiras h&aacute; popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas e as colabora&ccedil;&otilde;es internacionais podem impulsionar a melhora na qualidade do ensino &#91;1&#93;. Nesse contexto, a D&eacute;cada do Oceano &eacute; um exemplo concreto que poder&aacute; ser, em breve, colocado em pr&aacute;tica. Nelio e coautores reconhecem o importante papel que especialistas desempenham na ci&ecirc;ncia, mas defendem que as solu&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas relacionadas ao futuro da biodiversidade "devem considerar valores e cren&ccedil;as, e o cidad&atilde;o comum tamb&eacute;m deve participar dos processos de tomada de decis&atilde;o" &#91;1&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa brasileira tem caracter&iacute;sticas que se assemelham a resultados de enquetes mais espec&iacute;ficas sobre a percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica sobre a sa&uacute;de do oceano em que mostra uma alta preocupa&ccedil;&atilde;o, mas baixa informa&ccedil;&atilde;o. No entanto, Jonathon Schuldt, da Cornell University, e colegas revisaram pesquisas sobre a percep&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica sobre o oceano e identificaram tr&ecirc;s desafios principais para a comunica&ccedil;&atilde;o sobre a sa&uacute;de dos oceanos &#91;2&#93;: a) a frequente politiza&ccedil;&atilde;o do debate que privilegia a opini&atilde;o ao inv&eacute;s de evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas; b) o distanciamento psicol&oacute;gico das pessoas em rela&ccedil;&atilde;o ao oceano; e c) a falta de familiaridade e compreens&atilde;o sobre como funcionam os sistemas oce&acirc;nicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das sugest&otilde;es que o artigo traz &eacute; de que a comunica&ccedil;&atilde;o enfatize os impactos que a degrada&ccedil;&atilde;o do oceano tem sobre a sa&uacute;de humana, como uma forma de aproxima&ccedil;&atilde;o e sensibiliza&ccedil;&atilde;o &agrave; causa. Eles lembram tamb&eacute;m que a divulga&ccedil;&atilde;o de dados cient&iacute;ficos de forma amig&aacute;vel e atraente &eacute; fundamental para a conscientiza&ccedil;&atilde;o social, bem como o uso de met&aacute;foras que possam estabelecer conex&otilde;es com o p&uacute;blico. Eles mencionam o <i>Ocean Health Index</i> (&Iacute;ndice de Sa&uacute;de do Oceano; <a href="http://www.oceanhealthindex.org/" target="_blank">http://www.oceanhealthindex.org/</a>), uma iniciativa colaborativa internacional que disponibiliza dados e que classifica pa&iacute;ses costeiros de acordo com o cuidado com a preserva&ccedil;&atilde;o de recursos naturais, biodiversidade, reserva de carbono e tantos outros itens. O Brasil aparece em 65º lugar numa lista com 221 pa&iacute;ses e &eacute; poss&iacute;vel brincar com os diferentes dados e entender onde ainda &eacute; preciso melhorar para garantir uma sa&uacute;de plena, al&eacute;m de comparar com outras na&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O projeto Mar&eacute; de Ci&ecirc;ncia, coordenado por Ronaldo Christofoletti, professor da Unifesp e membro do comit&ecirc; de assessoramento de gest&atilde;o da D&eacute;cada do Oceano no Brasil, &eacute; um &oacute;timo exemplo sobre as possibilidades que atividades de extens&atilde;o abrem para fortalecer a cultura oce&acirc;nica. Iniciado com escolas do litoral paulista, em Santos, a partir da tradu&ccedil;&atilde;o do kit pedag&oacute;gico Cultura Oce&acirc;nica para Todos &#91;3&#93;, da Unesco, o projeto Mar&eacute; da Ci&ecirc;ncia organizou o I F&oacute;rum Brasileiro dos Jovens Embaixadores do Oceano, em novembro de 2020. O evento reuniu alunos embaixadores do oceano de 24 escolas p&uacute;blicas para compartilhar boas pr&aacute;ticas de ensino sobre o tema "Oceano na Educa&ccedil;&atilde;o", com o desafio de propor formas de conectar as pessoas e valorizar a import&acirc;ncia do oceano na vida da sociedade. O evento colaborativo com jovens vai gerar um livro a ser publicado este ano e traz a ess&ecirc;ncia de qualquer comunica&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gia: di&aacute;logo e inclus&atilde;o social, criatividade e colabora&ccedil;&atilde;o para a constru&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias. Nada trivial, o projeto prop&otilde;e di&aacute;logos necess&aacute;rios e urgentes a partir dos quais ser&aacute; poss&iacute;vel investir em uma cultura oce&acirc;nica mais significativa para todos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A D&eacute;cada do Oceano dever&aacute; tamb&eacute;m investir em pesquisas de percep&ccedil;&atilde;o de brasileiros sobre a cultura oce&acirc;nica, que deve ser repetida ao longo dos anos para que possamos acompanhar as mudan&ccedil;as e ajustar nossas estrat&eacute;gias de comunica&ccedil;&atilde;o. Exemplo de campanha de grande impacto nessa dire&ccedil;&atilde;o &eacute; a #droptheS (derrube o "s", em tradu&ccedil;&atilde;o livre), um esfor&ccedil;o iniciado pelo coletivo One Ocean em 2019, para que os oceanos - Atl&acirc;ntico, Pac&iacute;fico, &Iacute;ndico, &Aacute;rtico e Ant&aacute;rtico - passem a ser vistos como apenas um &uacute;nico oceano, que banha 71% da superf&iacute;cie do planeta e conecta a todos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>MAR CALMO NUNCA FEZ BOM MARINHEIRO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentre os desafios que a divulga&ccedil;&atilde;o da cultura oce&acirc;nica tem &agrave; frente est&aacute; a desconex&atilde;o do p&uacute;blico com as &aacute;guas salgadas. Giovana Savoie, da Universidade de Otago, defende a conta&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;ria como uma forma poderosa de sensibilizar o p&uacute;blico &#91;4&#93;. Segundo a pesquisadora, as narrativas sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas raramente incluem as vozes daqueles mais afetados diretamente, como as popula&ccedil;&otilde;es das ilhas do Pac&iacute;fico. "Encorajar a participa&ccedil;&atilde;o em narrativas visuais que abrace perspectivas diversas e envolva o p&uacute;blico todo na conta&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia. Vamos us&aacute;-la como uma ponte interativa entre oceanos, culturas e demografias, conectando pessoas ao redor do globo e investindo nelas as hist&oacute;rias que afetam nossa humanidade - e, portanto, nossos problemas. Apenas quando compartilharmos a narrativa coletiva da ci&ecirc;ncia, sua hist&oacute;ria estar&aacute; completa".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Giovana descreve os v&iacute;deos da s&eacute;rie <i>I am ocean</i>, produzidos pelo Ocean Media Institute, que inovam ao dar voz a outros atores t&atilde;o relevantes para a cultura oce&acirc;nica e que t&ecirc;m sido esquecidos. O v&iacute;deo sobre o Hava&iacute;, por exemplo, traz a voz de uma ancestral da ilha de Pua e sua vis&atilde;o sobre o poderoso ciclo do oceano que impacta e conecta as vidas da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; preciso iniciar a D&eacute;cada do Oceano de olho nesses desafios, mas com a perspectiva de que teremos de ser mais ousados, mais inclusivos e empenhados. Uma busca nas redes sociais traz um pouco de alento a esse esfor&ccedil;o que est&aacute; apenas come&ccedil;ando - e revela que a mar&eacute; de divulga&ccedil;&atilde;o da cultura oce&acirc;nica est&aacute; em alta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um levantamento inicial nas redes sociais indica que j&aacute; s&atilde;o mais de 10 podcasts brasileiros dedicados &agrave; divulga&ccedil;&atilde;o do oceano, da ci&ecirc;ncia oce&acirc;nica, da oceanografia e que levam os ouvintes a navegar &aacute;guas nunca dantes navegadas. Os podcasts s&atilde;o uma m&iacute;dia poderosa que pode ser apreciada simultaneamente a percursos no tr&acirc;nsito, tarefas dom&eacute;sticas ou a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades f&iacute;sicas. Os canais de &aacute;udio t&ecirc;m crescido 65% ao ano, nos &uacute;ltimos quatro anos no Brasil, sendo que 40% da popula&ccedil;&atilde;o afirma j&aacute; ter ouvido podcast ao menos uma vez. O n&uacute;mero de podcasts de ci&ecirc;ncia cresce exponencialmente desde 2010 no mundo &#91;5&#93;(MacKenzie, 2019) e no Brasil desde 2014 &#91;6&#93;(Takata, 2019).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com MacKenzie &#91;5&#93; h&aacute; poucos podcasts com prop&oacute;sitos educacionais (6%) e menos de 1% s&atilde;o voltados para as crian&ccedil;as, justamente um importante p&uacute;blico e prop&oacute;sito para a comunica&ccedil;&atilde;o da cultura oce&acirc;nica. O autor identificou que, entre os 952 podcasts de ci&ecirc;ncia em ingl&ecirc;s amostrados, cerca de 6% cobrem a oceanografia e biologia marinha e dois ter&ccedil;os incluem cientistas podcasters, o que demonstra o grande potencial do &aacute;udio online como ferramenta de divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. No entanto, &eacute; importante lembrar que a maior parte deles &eacute; feita de maneira volunt&aacute;ria e com investimentos pr&oacute;prios dos divulgadores de ci&ecirc;ncia, o que acaba contribuindo para o grande n&uacute;mero de canais que acabam inativos antes de completar um ano de exist&ecirc;ncia. Portanto, linhas de financiamento como o edital aberto em 2020 pelo Instituto Serapilheira para financiar podcasts, independentemente de liga&ccedil;&otilde;es com institui&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas, s&atilde;o fundamentais para valorizar os esfor&ccedil;os feitos em prol da comunica&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia brasileira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Instagram, rede social de v&iacute;deos e imagens, na qual o Brasil se destaca com o quarto maior p&uacute;blico do mundo, j&aacute; navegam ao menos 35 iniciativas criativas sobre oceano, em portugu&ecirc;s, sendo a grande maioria liderada por mulheres bi&oacute;logas. A maior presen&ccedil;a feminina na rede e nas p&aacute;ginas que divulgam ci&ecirc;ncia &eacute; uma tend&ecirc;ncia tamb&eacute;m no Canad&aacute; &#91;7&#93;. Estudo de Jarreau e colegas &#91;8&#93; que analisaram o uso do Instagram por museus de hist&oacute;ria natural conclui que a comunica&ccedil;&atilde;o acaba sendo mais institucional e as institui&ccedil;&otilde;es perdem a oportunidade de sensibilizar o p&uacute;blico para o trabalho de pesquisa realizado e para a divulga&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia enquanto processo, n&atilde;o apenas os seus resultados. Ao mesmo tempo, os autores identificaram pouco uso de pessoas e "selfies" nas postagens, o que impulsionaria n&atilde;o apenas o engajamento social, mas tamb&eacute;m a imagem mais humanizada da ci&ecirc;ncia - pontos que precisamos ter em mente se quisermos embarcar nas redes sociais e interagir com o p&uacute;blico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>UMA CAMBADA DE ARTIGOS</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pesquisa cient&iacute;fica internacional sobre oceano tem apresentado aumento significativo. Uma busca pela produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica mundial usando a palavra-chave "ocean" nos campos de t&iacute;tulo e resumo do artigo no Dimensions, um dos indexadores de maior cobertura de revistas cient&iacute;ficas do mundo, revela um total de 2,8 milh&otilde;es de artigos, sendo que 128 mil est&atilde;o em acesso aberto, e pouco mais de 17 mil artigos foram publicados apenas em 2020. A maior parte deles sobre ci&ecirc;ncias da Terra e oceanografia e 258 relativos ao Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v73n2/a05fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dentre os top 10 autores brasileiros que mais publicam sobre o tema, todos s&atilde;o homens. Atualmente os diret&oacute;rios de grupos de pesquisa do CNPq registram 120 grupos de pesquisa com a palavrachave "oceano". De acordo com o Cat&aacute;logo de Teses &amp; Disserta&ccedil;&otilde;es da Capes, quase 450 disserta&ccedil;&otilde;es de mestrado e teses de doutorado sobre o tema foram publicadas apenas nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos. Um excelente in&iacute;cio para a gigantesca produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica no pa&iacute;s, sedenta por ainda mais esfor&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o apenas no Brasil. Ainda assim, Camilo Mora, da Universidade Dalhousie, e colegas estimam que apenas 8.8% das esp&eacute;cies marinhas no mundo estejam catalogadas &#91;9&#93;! Imagine as rela&ccedil;&otilde;es qu&iacute;mico-f&iacute;sicas, a geologia, as rela&ccedil;&otilde;es humanas, econ&ocirc;micas que se estabelecem a partir de &aacute;guas t&atilde;o vastas, profundas e ricas. Um universo a ser explorado e comunicado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>OCEANO &Agrave; VISTA</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Agrave; frente h&aacute; muito o que comunicar para mudar e solidificar uma cultura oce&acirc;nica no Brasil. Estamos animados com as possibilidades de incluir nesse esfor&ccedil;o vozes que n&atilde;o sejam apenas de cientistas ou de popula&ccedil;&otilde;es litor&acirc;neas, mas agregar as diferentes percep&ccedil;&otilde;es sobre os impactos que o oceano imprime em todos n&oacute;s. Resgatar a cultura, os livros, as m&uacute;sicas, a conta&ccedil;&atilde;o de hist&oacute;rias, reestabelecer v&iacute;nculos com a &aacute;gua, com o mar, e rastrear seu v&iacute;nculo com a Terra e o continente. As oficinas que a equipe da D&eacute;cada do Oceano realizou ao longo de 2020 em todas as regi&otilde;es do pa&iacute;s foram o passo inicial para que todas as vozes sejam ouvidas e imprimam sua marca no planejamento da D&eacute;cada que se inicia agora. Incr&iacute;veis sugest&otilde;es e orienta&ccedil;&otilde;es foram recebidas e consideradas para a comunica&ccedil;&atilde;o t&atilde;o estrat&eacute;gica que tece os objetivos nada singelos que temos diante de n&oacute;s. Oceano &agrave; vista!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>REFER&Ecirc;NCIAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Franzolin, F.; Garcia, P.S.; Bizzo, N. "Amazon conservation and students' interests for biodiversity: The need to boost science education in Brazil". <i>Science Advances</i>. 6(35):eabb0110. DOI: 10.1126/sciadv.abb0110</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. Schuldt, J. P.; McComas, K. A.; Byrne, S. E. "Communicating about ocean health: theoretical and practical considerations". <i>Phil. Trans. R. Soc</i>. 2016. B37120150214. Dispon&iacute;vel em: 10.1098/rstb.2015.0214</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. A vers&atilde;o em portugu&ecirc;s do kit pedag&oacute;gico Cultura Oce&acirc;nica para Todos est&aacute; dispon&iacute;vel em: <a href="https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000373449" target="_blank">https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000373449</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. Savoie, G. "I am ocean: expanding the narrative of ocean science through inclusive storytelling. frontiers in communication". Dispon&iacute;vel em: 10.3389/fcomm.2020.577913</font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. MacKenzie, L. E. "Science podcasts: analysis of global production and output from 2004 to 2018". <i>R. Soc. Open Sci.</i>, 6:180932. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1098/rsos.180932" target="_blank">https://doi.org/10.1098/rsos.180932</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. Takata, R. "Brazilian science podcasts flourish in spite of financial challenges". Blog da Rede Internacional PCST (Public Communication of Science and Technology). 4 abril de 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://pcst.co/news/article/66" target="_blank">https://pcst.co/news/article/66</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. Jarreau, P.B.; Dahmen, N.S.; Jones, E. "Instagram and the science museum: a missing oppportunity for public engagement". <i>J. Com.</i>, 18(2). 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.22323/2.18020206" target="_blank">https://doi.org/10.22323/2.18020206</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. Riedlinger, M.; Barata, G.; Schiele, A. "The landscape of science communication in contemporary Canada: a focus on anglophone actors and networks". <i>Cultures of Science</i>, 2(1). 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/209660831900200105" target="_blank">https://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/209660831900200105</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. More, C.; Tittensor D. P.; Adl, S.; Simpson, A. G. B.; Worm, B. "How many species are there on Earth and in the ocean?". <i>Plos Biology</i>; 9(8):e1001127. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://doi.org/10.1371/journal.pbio.1001127" target="_blank">https://doi.org/10.1371/journal.pbio.1001127</a></font> ]]></body><back>
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