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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A longa viagem da ideia de Independência: de fins do período colonial aos inícios de 1822. Ou as Independências que a "Independência do Brasil" sepultou]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>A longa viagem da ideia de Independ&ecirc;ncia: de fins do per&iacute;odo colonial aos in&iacute;cios de 1822. Ou as Independ&ecirc;ncias que a "Independ&ecirc;ncia do Brasil" sepultou.</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Luiz Carlos Villalta</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Professor titular do Departamento de Hist&oacute;ria da UFMG, titular da C&aacute;tedra Unesco-UFMG/DRI "Territorialidades e Humanidades: a Globaliza&ccedil;&atilde;o das Luzes", bolsista de produtividade do CNPq e bolsista do Programa do Pesquisador</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Este artigo aborda ideias de Independ&ecirc;ncia ou de uma nova ordem p&oacute;s-absolutismo constru&iacute;das na Am&eacute;rica Portuguesa, entre 1788 e in&iacute;cios de 1822, antes que a Independ&ecirc;ncia tivesse come&ccedil;ado a ganhar a forma que se tornou vencedora, com a chamada "Independ&ecirc;ncia do Brasil". Aborda tamb&eacute;m as principais refer&ecirc;ncias intelectuais e pol&iacute;ticas dessas ideias, seus modelos de inspira&ccedil;&atilde;o, as articula&ccedil;&otilde;es entre presente e passado e futuro que as balizaram.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> independ&ecirc;ncia do Brasil; bicenten&aacute;rio; hist&oacute;ria do Brasil</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&Agrave;s v&eacute;speras das comemora&ccedil;&otilde;es do Bicenten&aacute;rio da Independ&ecirc;ncia do Brasil, &eacute; importante repensar o sentido que damos a esta palavra. Uma boa oportunidade para tanto consiste justamente em analisar como essa ideia foi constru&iacute;da antes de desembocar na Independ&ecirc;ncia, nos anos 1822 e 1823.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O ponto de partida &eacute; necessariamente afastar-se de incorrer em certos erros. O primeiro deles &eacute; pensar que o Brasil, como pa&iacute;s ou como na&ccedil;&atilde;o, existia antes de se tornar independente. Com efeito, de in&iacute;cios do s&eacute;culo XVII at&eacute; 1774, Brasil era apenas uma por&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica portuguesa, da qual n&atilde;o fazia parte o Estado do Gr&atilde;o-Par&aacute; ou Maranh&atilde;o. Al&eacute;m disso, as capitanias existentes no per&iacute;odo colonial n&atilde;o tinham a menor unidade entre si, pois se ligavam diretamente a Lisboa, sem se submeter a um governo central que, de fato, as reunisse e comandasse. Os habitantes da Am&eacute;rica portuguesa, sobretudo os de ancestralidade europeia, ademais, viam-se como portugueses. Reconheciam-se, &eacute; verdade, a partir de identidades locais (de pernambucanos, baianos, paraenses, fluminenses, etc.) e de uma identidade mais ampla do ponto de vista geogr&aacute;fico, mas muito fugidia: a de "portugueses da Am&eacute;rica", "americanos", "brasilienses" ou "brasileiros".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O segundo erro a ser evitado, derivado do primeiro, &eacute; imaginar que, &agrave; &eacute;poca da emancipa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, a Independ&ecirc;ncia fosse concebida de uma &uacute;nica maneira, de uma mesma forma, do modo como ela foi efetivada. Em sua efetiva&ccedil;&atilde;o, sabe-se, venceu um projeto mon&aacute;rquico, capitaneado por D. Pedro, o pr&iacute;ncipe herdeiro da coroa de Portugal, com apoio e, at&eacute; mesmo, est&iacute;mulo, de setores das elites do Centro-Sul do Brasil: uma Independ&ecirc;ncia que traduzia uma vis&atilde;o de soberania compartilhada (entre a na&ccedil;&atilde;o e o pr&iacute;ncipe), uma dificuldade de ruptura com a metr&oacute;pole, que ajustava o ideal de uma ordem constitucional &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o das fronteiras do ent&atilde;o Reino do Brasil sob o controle de um governo centralizado (e centralista) no Rio de Janeiro, sem provocar qualquer abalo na ordem social e econ&ocirc;mica. &Agrave; &eacute;poca, havia compreens&otilde;es diferentes sobre como seria o futuro pa&iacute;s independente, o que envolvia distintas posi&ccedil;&otilde;es sobre quais territ&oacute;rios do ent&atilde;o Reino do Brasil fariam parte do novo pa&iacute;s, sobre como esses territ&oacute;rios estariam articulados entre si, e, at&eacute; mesmo, sobre qual seria o regime pol&iacute;tico a ser adotado. Isso se evidencia na "Falla", um discurso, de Jos&eacute; Clemente Pereira, presidente do Senado da C&acirc;mara do Rio de Janeiro, dirigida a D. Pedro, ent&atilde;o Pr&iacute;ncipe Regente do Reino do Brasil, por ocasi&atilde;o do Dia do Fico, 9 de janeiro de 1822, de forma a pression&aacute;-lo a aqui permanecer, n&atilde;o partindo de volta para Lisboa. Havia na &eacute;poca, inclusive, uma discuss&atilde;o sobre se haveria ou n&atilde;o continuidade de institui&ccedil;&otilde;es existentes anteriormente; a mais importante delas, a escravid&atilde;o, contudo, era objeto de poucos questionamentos, ainda que seu fim tenha levado alguns atores pol&iacute;ticos &agrave; a&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>O surgimento da ideia de Independ&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No Brasil, a ideia de Independ&ecirc;ncia nasceu em fins do s&eacute;culo XVIII. Ela n&atilde;o teve, desde o seu aparecimento, um sentido un&iacute;voco. Entre fins do per&iacute;odo colonial e os in&iacute;cios de 1822, ademais, ela implicou um horizonte geogr&aacute;fico diverso e significados bastante espec&iacute;ficos, como j&aacute; salientado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>No Brasil, a ideia de Independ&ecirc;ncia n&atilde;o teve, desde o seu aparecimento, um sentido un&iacute;voco. Entre fins do per&iacute;odo colonial e os in&iacute;cios de 1822, ela implicou um horizonte geogr&aacute;fico diverso e significados bastante espec&iacute;ficos</b></styled-content></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nicolau de Campos Vergueiro, em 18 de abril de 1822, foi um personagem que bem sintetizou a emerg&ecirc;ncia da ideia de Independ&ecirc;ncia, suas idas e vindas, bem como seus desafios. &Agrave; &eacute;poca, ele era deputado por S&atilde;o Paulo na Assembleia Constituinte instaurada em Lisboa como resultado do sucesso da Revolu&ccedil;&atilde;o de 24 de agosto de 1820. Essa revolu&ccedil;&atilde;o, iniciada na cidade do Porto, em Portugal, tornou-se objeto de grande entusiasmo e ades&atilde;o nas v&aacute;rias capitanias do Brasil, em 1821. A Revolu&ccedil;&atilde;o do Porto, de fato, fez com que aqui se sonhasse com a instaura&ccedil;&atilde;o de uma ordem regida por uma Constitui&ccedil;&atilde;o e, igualmente, uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em que as capitanias, transformadas em prov&iacute;ncias, n&atilde;o se vissem sufocadas por um governo central, que, desde 1808, estava sediado no Rio de Janeiro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Segundo Vergueiro, a ideia de emancipa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica surgiu no Brasil com a Independ&ecirc;ncia dos Estados Unidos da Am&eacute;rica, em 1776. Mas ela retrocedeu quando se deu a transfer&ecirc;ncia da Corte de Lisboa para o Rio de Janeiro, na passagem de 1807 para 1808. O entusiasmo com a unidade em torno da monarquia portuguesa, por&eacute;m, n&atilde;o durou muito tempo, pois o governo estabelecido no Rio de Janeiro desagradou as capitanias com seus erros. Ent&atilde;o, ocorreu a Revolu&ccedil;&atilde;o de 1817. De acordo com Vergueiro, a derrota da Revolu&ccedil;&atilde;o, vencida pelas for&ccedil;as leais a D. Jo&atilde;o, que governava do Rio de Janeiro, n&atilde;o fez a ideia de Independ&ecirc;ncia desaparecer de todo - por&eacute;m, a eclos&atilde;o da Revolu&ccedil;&atilde;o do Porto acabou fazendo com que ela fosse deixada de lado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Entretanto, quando Vergueiro se pronunciou, em abril de 1822, a ideia de Independ&ecirc;ncia voltava a ser cultivada. Ele mesmo explicava, de algum modo, os porqu&ecirc;s disso: segundo esse deputado por S&atilde;o Paulo, o Brasil seguiria o rumo da Independ&ecirc;ncia caso Portugal o desrespeitasse. Vergueiro acrescentava que isso se daria mesmo sob o risco de haver c&aacute; uma "guerra civil" e, ademais, "apesar dos negros". Esse &uacute;ltimo condicionante nos induz a pensar em duas possibilidades como sendo antevistas por Vergueiro: primeiramente, a de ocorrer uma insurg&ecirc;ncia dos escravos, o que seria um perigo, e, em segundo lugar, o fato de n&atilde;o se saber como lidar com os negros numa situa&ccedil;&atilde;o de Independ&ecirc;ncia, se eles seriam ou n&atilde;o part&iacute;cipes da nova ordem pol&iacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Esse final da fala de Vergueiro denota tr&ecirc;s situa&ccedil;&otilde;es muito importantes. Primeiramente, mostra que a Independ&ecirc;ncia ganhou impulso sob uma situa&ccedil;&atilde;o que foi entendida por muitos da &eacute;poca como de desrespeito do Brasil por Portugal. Em segundo lugar, sugere que havia, no Reino do Brasil e/ou em Portugal, gentes contr&aacute;rias &agrave; ruptura da unidade entre Portugal e Brasil (afinal, Vergueiro usou a express&atilde;o "guerra civil"). Em terceiro lugar, havia, aos olhos de Vergueiro, um inc&ocirc;modo referente aos escravos, sobre como eles poderiam agir em meio &agrave;s lutas pela Independ&ecirc;ncia ou sobre o que se poderia conceber como lugar deles numa nova ordem pol&iacute;tica surgida a partir da ruptura com Portugal. Tudo isso mostra que, al&eacute;m de contar com opositores, a Independ&ecirc;ncia fomentava concep&ccedil;&otilde;es diversas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>As ideias de Independ&ecirc;ncia nas Inconfid&ecirc;ncias de Minas (1788-9) e da Bahia (1793-1798)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Como bem percebeu Vergueiro, a ideia de Independ&ecirc;ncia era anterior ao momento de seu pronunciamento, ocorrido em 1822. Esmiu&ccedil;ar o que se deu antes de 1822 &eacute; crucial para ser perceber a amplitude sem&acirc;ntica da Independ&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&Eacute; poss&iacute;vel pensar que a Inconfid&ecirc;ncia Mineira tenha sido uma primeira manifesta&ccedil;&atilde;o de sua emerg&ecirc;ncia. A Inconfid&ecirc;ncia, uma conspira&ccedil;&atilde;o abortada - ou seja, uma conspira&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se transformou em rebeli&atilde;o - teve lugar em 1788-1789. Seus protagonistas foram homens importantes de Minas Gerais, por sua condi&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, por sua estatura intelectual e por sua atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, religiosa ou militar. Os Inconfidentes eram, enfim, homens das elites. Eles estavam insatisfeitos com o governo da rainha D. Maria I e dos governadores de Minas, Lu&iacute;s da Cunha Menezes (1783-1887) e Visconde de Barbacena (1788-1797). Como ensina Kenneth Maxwell, a rainha e os governadores promoveram uma pol&iacute;tica de afastamento de membros das elites locais de postos de comando e de oportunidades, l&iacute;citas e il&iacute;citas, de obten&ccedil;&atilde;o de ganhos econ&ocirc;micos. A rede de contrabando de ouro e diamantes em que estiveram envolvidos v&aacute;rios Inconfidentes foi um dos objetos de ataque da coroa e dos governadores (Menezes a colocou a seu servi&ccedil;o).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Joaquim Jos&eacute; da Silva Xavier, o Tiradentes, em v&aacute;rios pronunciamentos, explicitou o descontentamento dos Inconfidentes com as medidas governamentais. Ele dizia que os naturais da col&ocirc;nia que tinham origem europeia (nos termos da &eacute;poca, os mazombos) tamb&eacute;m sabiam governar, ou seja, deveriam participar do governo (e n&atilde;o ser alijados dele, como se estava fazendo). Ele clamava contra a explora&ccedil;&atilde;o colonial, denunciando o monop&oacute;lio comercial metropolitano e os tributos excessivos como mecanismos que carreavam a riqueza de Minas Gerais para fora. Com isso, Minas Gerais, uma capitania rica, ficava pobre. Ele dizia, ainda, que a derrama abriria a possibilidade de ocorrer uma rebeli&atilde;o contra essa situa&ccedil;&atilde;o. A derrama era a medida que se tomava quando o quinto do outro, devido pelos mineradores, n&atilde;o atingia 100 arrobas anuais: com ela, mesmo aqueles que n&atilde;o eram mineradores eram obrigados a completar a arrecada&ccedil;&atilde;o dos quintos at&eacute; atingir-se a quantia de 100 arrobas. O governador de Minas, Visconde de Barbacena, suspendeu a derrama e, com isso, a oportunidade de rebeli&atilde;o se perdeu.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Mas, afinal, Tiradentes e os demais inconfidentes (isto &eacute;, conspiradores) falavam de Independ&ecirc;ncia? A Independ&ecirc;ncia com que eles sonhavam alcan&ccedil;aria toda a Am&eacute;rica Portuguesa, isso que hoje chamamos de Brasil? Em que movimentos os conspiradores se inspiravam? Eles tocavam na quest&atilde;o dos negros, como faria mais tarde o deputado Nicolau de Campos Vergueiro? Que Independ&ecirc;ncia, enfim, seria a sonhada por eles?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Entre os historiadores, h&aacute; quem ponha em d&uacute;vida que os Inconfidentes quisessem, de fato, uma ruptura com Portugal, como &eacute; o caso de Jo&atilde;o P. Furtado. &Eacute; certo que eles, como declararia Vergueiro em 1822, queriam uma outra rela&ccedil;&atilde;o entre col&ocirc;nia e metr&oacute;pole. Como se mostrou acima, Tiradentes era cr&iacute;tico do monop&oacute;lio comercial e do arrocho tribut&aacute;rio. Os Inconfidentes claramente queriam p&ocirc;r fim a essa situa&ccedil;&atilde;o. Sonhavam com o regime de livre-com&eacute;rcio e com menos impostos. Desejavam tamb&eacute;m participar do governo. Pronunciaram-se frequentemente a favor da instala&ccedil;&atilde;o de uma Rep&uacute;blica. Os horizontes geogr&aacute;ficos dela, por&eacute;m, n&atilde;o compreendiam todo o Brasil: ela, na melhor das hip&oacute;teses, envolveria Minas Gerais, S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro. No movimento, houve a participa&ccedil;&atilde;o de pessoas origin&aacute;rias de Taubat&eacute;, vila da capitania de S&atilde;o Paulo. Tiradentes, al&eacute;m disso, vivia a movimentar-se pelo Rio de Janeiro. Se havia a ideia de rep&uacute;blica circunscrita &agrave; parte do territ&oacute;rio do que hoje chamamos de Brasil, entre os Inconfidentes existiram falas que mostram que, ao menos alguns deles, ficariam bem satisfeitos com uma situa&ccedil;&atilde;o em que a sede da monarquia portuguesa fosse o Rio de Janeiro. O c&ocirc;nego Luiz Vieira da Silva e o poeta e ex-magistrado In&aacute;cio Jos&eacute; de Alvarenga Peixoto claramente propuseram algo nesse sentido: ambos defendendo a transfer&ecirc;ncia da corte para o Rio de Janeiro (o que sucederia em 1808); Vieira advertindo que, caso viesse para c&aacute; um pr&iacute;ncipe portugu&ecirc;s, corria-se o risco de v&ecirc;-lo ser aclamado como rei (como se daria em 1822, com o pr&iacute;ncipe D. Pedro, tornado imperador do Brasil). Isso sugere que, mais do que Independ&ecirc;ncia, os Inconfidentes almejavam uma situa&ccedil;&atilde;o em que o Brasil n&atilde;o estivesse na periferia da monarquia portuguesa, mas no seu centro, inexistindo uma situa&ccedil;&atilde;o de inferioridade. N&atilde;o por acaso, os Inconfidentes, ao desenharem a nova ordem p&oacute;s-Independ&ecirc;ncia, defendiam a cria&ccedil;&atilde;o de uma Universidade em Vila Rica, a liberdade para instala&ccedil;&atilde;o de f&aacute;bricas e medidas para impulsionar outras atividades econ&ocirc;micas na Capitania.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Outro ponto importante diz respeito aos escravos. Os Inconfidentes n&atilde;o propuseram a aboli&ccedil;&atilde;o como muitos mistificadores insistem em sustentar. Eles discutiram apenas a possibilidade de dar alforria para parte dos escravos, a saber, os mulatos e os chamados crioulos (isto &eacute;, os escravos nascidos no Brasil). Cogitaram tal possibilidade apenas tendo em vista o enfrentamento de tropas vindas porventura de Portugal. Houve, entretanto, discord&acirc;ncia sobre este ponto e, ent&atilde;o, os Inconfidentes abandonaram a ideia de alforria para parte dos escravos. De todo esse balan&ccedil;o, fica claro que os Inconfidentes queriam, sim, maior autonomia para Minas Gerais, S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro, navegando entre a ideia de instalar-se uma rep&uacute;blica nessas capitanias ou de ver o Brasil como sede da monarquia portuguesa, com a corte sendo estabelecida no Rio de Janeiro e/ou com uma Independ&ecirc;ncia liderada por um pr&iacute;ncipe lusitano. Os Inconfidentes tocaram na quest&atilde;o dos escravos, sem tomar uma posi&ccedil;&atilde;o sobre ela e, ainda, debateram o problema de uma guerra eventual.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n1/a02fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os conspiradores de Minas Gerais inspiraram-se em dois movimentos de Independ&ecirc;ncia: o da Restaura&ccedil;&atilde;o de 1640, por meio do qual Portugal readquiriu sua Independ&ecirc;ncia, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Espanha, e, ainda, a Revolu&ccedil;&atilde;o Americana de 1776. Eles, al&eacute;m disso, moveram-se por princ&iacute;pios pol&iacute;ticos consagrados no mundo luso-brasileiro, que definiam que era leg&iacute;timo voltar-se contra governos tir&acirc;nicos, princ&iacute;pios esses vindos das teorias corporativas de poder da Segunda Escol&aacute;stica. A tais princ&iacute;pios, somaram-se outros, com eles convergentes, oriundos das Luzes, o Iluminismo, movimento multifacetado de ideias que, originado na Holanda e na Inglaterra, veio a ter um grande lugar na Fran&ccedil;a, enredando toda a Europa e as Am&eacute;ricas e, com isso, contribuindo para sacudir a ordem, ao colocar-se em defesa da "felicidade", da "igualdade" e da "liberdade" e ao fazer cr&iacute;ticas aos "despotismos" e aos tra&ccedil;os b&aacute;sicos da coloniza&ccedil;&atilde;o europeia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Numa outra conspira&ccedil;&atilde;o abortada, tramada entre 1793 e 1798, na cidade da Bahia, com ramifica&ccedil;&otilde;es no Rec&ocirc;ncavo, percebe-se tamb&eacute;m uma ideia de Independ&ecirc;ncia: trata-se da famosa Conspira&ccedil;&atilde;o dos Alfaiates ou Inconfid&ecirc;ncia da Bahia. O perfil dos envolvidos no movimento &eacute; bastante discutido, desde a &eacute;poca colonial at&eacute; hoje. Autoridades da &eacute;poca, dentre elas o governador da Bahia, D. Fernando Portugal e Castro, e a pr&oacute;pria defesa dos r&eacute;us, sustentaram que apenas pessoas dos estratos inferiores da sociedade soteropolitana participaram do movimento. Alguns historiadores, como K&aacute;tia Mattoso, afastam a possibilidade de participa&ccedil;&atilde;o de membros das elites. Outros, por&eacute;m, como Lu&iacute;s Henrique Dias Tavares e Istv&aacute;n Jancs&oacute;, sustentam o contr&aacute;rio, afirmando que, em algum momento, houve conflu&ecirc;ncia entre membros das elites e estratos inferiores em torno de um projeto de rebeli&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&Eacute; indubit&aacute;vel que a ideia de Independ&ecirc;ncia, explicitada por alguns conspiradores da Bahia, trouxe novidades relevantes em rela&ccedil;&atilde;o ao observado na Inconfid&ecirc;ncia de Minas Gerais. Antes de tocar nessas novidades, todavia, conv&eacute;m sublinhar pontos de converg&ecirc;ncia entre os dois movimentos no que dizia respeito &agrave; ideia de Independ&ecirc;ncia: a defesa do livre-cambismo, a proposi&ccedil;&atilde;o de instalar-se uma rep&uacute;blica, a circunscri&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica limitada dessa rep&uacute;blica sonhada (restrita &agrave; capitania da Bahia, na melhor das hip&oacute;teses) e o enfoque da quest&atilde;o escrava, sem se postular a aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o. Com efeito, no que diz respeito a este &uacute;ltimo ponto, na Bahia, viram-se pronunciamentos cr&iacute;ticos &agrave; escravid&atilde;o e at&eacute; situa&ccedil;&otilde;es em que se defendeu que escravos virassem senhores e senhores, inversamente, se tornassem escravos, ou em que se repugnava a escravid&atilde;o. Tais pronunciamentos foram feitos mais precisamente por Jo&atilde;o de Deus, um pardo forro, que vestia roupas consideradas estranhas e dizia serem elas francesas, acrescentando que tudo na Bahia se tornaria franc&ecirc;s. Em termos de diferen&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Inconfid&ecirc;ncia Mineira quanto &agrave; ideia de Independ&ecirc;ncia, o ponto principal consiste na defesa de uma igualdade entre pessoas das diferentes cores, pondo fim &agrave; desigualdade jur&iacute;dica ent&atilde;o existente, algo t&iacute;pico de uma sociedade de natureza estamental. Outra novidade est&aacute; na pr&oacute;pria rep&uacute;blica desenhada pelos baianos: ao contr&aacute;rio do sucedido em Minas, n&atilde;o houve entre eles, mesmo por parte de alguns, a defesa de uma monarquia, nem muito menos de manuten&ccedil;&atilde;o da unidade com Portugal sob um governo sediado no Brasil. Falou-se explicitamente em "rep&uacute;blica democr&aacute;tica".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>O ponto principal consiste na defesa de uma igualdade entre pessoas das diferentes cores, pondo fim &agrave; desigualdade jur&iacute;dica ent&atilde;o existente, algo t&iacute;pico de uma sociedade de natureza estamental.</b></styled-content></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A fonte de inspira&ccedil;&atilde;o por tr&aacute;s da ideia de Independ&ecirc;ncia compartilhada pelos conspiradores da Bahia era a Fran&ccedil;a revolucion&aacute;ria, com suas bandeiras de liberdade e igualdade. Tais ideias de liberdade e igualdade tamb&eacute;m vinham do pensamento das Luzes: no caso, menos de obras de grande reputa&ccedil;&atilde;o e mais de textos produzidos sob o calor da Revolu&ccedil;&atilde;o. Na rep&uacute;blica democr&aacute;tica por eles sonhada, fundada na igualdade e na liberdade, na ideia de que todos os homens eram iguais e portadores das mesmas necessidades, n&atilde;o importando se "rudes" ou "polidos", o m&eacute;rito definiria o acesso &agrave; lideran&ccedil;a. Esse elemento com certeza vem do pensamento das Luzes. Outro aspecto muito relevante foi a articula&ccedil;&atilde;o efetivada com um comandante franc&ecirc;s, que passou pela cidade entre fins de 1796 e in&iacute;cios de 1797, Antoine Ren&eacute; Larcher, em torno de um poss&iacute;vel apoio do governo franc&ecirc;s &agrave; rep&uacute;blica baiana (a articula&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, n&atilde;o teve boa acolhida por parte do Diret&oacute;rio, na Fran&ccedil;a).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>A Revolu&ccedil;&atilde;o de 1817: antes de 1822-23, 75 dias de Independ&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As Inconfid&ecirc;ncias de Minas Gerais e da Bahia n&atilde;o sa&iacute;ram do plano das ideias. A Revolu&ccedil;&atilde;o de 1817, pelo contr&aacute;rio, materializou-se numa Rep&uacute;blica independente, que durou 75 dias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Essa Rep&uacute;blica independente ancorou-se nas tradi&ccedil;&otilde;es presentes no Nordeste desde o s&eacute;culo XVII, particularmente em Pernambuco, com destaque para a ideia de que os naturais da terra foram fundamentais para restituir a regi&atilde;o ao dom&iacute;nio portugu&ecirc;s, com muito pouco apoio da coroa. Inspirou-se tamb&eacute;m nas Revolu&ccedil;&otilde;es Americana, Francesa e, de certo modo, mais residualmente, haitiana (que era bastante assustadora para as classes propriet&aacute;rias, visto que implicou a assun&ccedil;&atilde;o de protagonismo por escravos). Da Fran&ccedil;a, com certeza, veio a maior inspira&ccedil;&atilde;o, definida pelo formato de governo escolhido pelos revolucion&aacute;rios: o do Diret&oacute;rio franc&ecirc;s, composto por cinco membros. Fundamentais para a eclos&atilde;o do movimento foram, de um lado, a a&ccedil;&atilde;o da ma&ccedil;onaria e, de outro, os danos provocados pelo governo do Rio de Janeiro aos interesses do Nordeste, aumentando as taxas aduaneiras cobradas sobre produtos locais de exporta&ccedil;&atilde;o ou instituindo impostos impopulares, como de ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, que servia para atender &agrave; Corte, n&atilde;o &agrave;s vilas e cidades da regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A Revolu&ccedil;&atilde;o de 1817 eclodiu em Recife, no dia 6 de mar&ccedil;o, alastrando-se por toda a capitania de Pernambuco, incluindo at&eacute; a ent&atilde;o comarca pernambucana de Alagoas, a Para&iacute;ba, o Rio Grande do Norte e parte do Cear&aacute;. Na Bahia, o padre Roma, enviado para conseguir sua ades&atilde;o &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o, foi executado pelo governador, Conde dos Arcos. Em termos sociais, tratou-se de um movimento que congregou membros das elites locais, agr&iacute;colas e comerciais, das camadas m&eacute;dias e, ainda, dos estratos sociais inferiores, at&eacute; mesmo escravos. A participa&ccedil;&atilde;o de alguns escravos, com certeza, fomentou temores por parte das elites.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O governo revolucion&aacute;rio assumiu, com muita honra, a defesa do ideal da aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o, conciliando-o, por&eacute;m, com o do respeito &agrave; propriedade e, ainda, definindo que se trataria de algo a ser realizado de modo lento e legal. O mesmo governo fixou uma Lei Org&acirc;nica e convocou uma Constituinte. Estabeleceu a liberdade de imprensa e liberdade religiosa (restrita &agrave;s religi&otilde;es crist&atilde;s).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A ideia de Independ&ecirc;ncia da Revolu&ccedil;&atilde;o de 1817, portanto, passava por uma configura&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica que n&atilde;o coincidia com a do ent&atilde;o Reino do Brasil, circunscrevendo-se a parte do atual Nordeste. Ela, como se viu, envolvia a institui&ccedil;&atilde;o de uma Rep&uacute;blica, a proposta de aboli&ccedil;&atilde;o da escravid&atilde;o, o ideal de uma ordem constitucional e de liberdades preciosas, como as de imprensa e credo. Esta Revolu&ccedil;&atilde;o foi derrotada pelas for&ccedil;as favor&aacute;veis a D. Jo&atilde;o, provenientes de Lisboa, do Rio de Janeiro e da Bahia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o do Porto e antes da Independ&ecirc;ncia (1821): um projeto esquecido</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nos dias 11 e 13 de dezembro de 1821, a&nbsp;Gazeta do Rio de Janeiro, por ordem de D. Pedro, publicou "Lembran&ccedil;as e Apontamentos Governo Provis&oacute;rio para os Senhores Deputados da Prov&iacute;ncia de S. Paulo". Trata-se de um documento elaborado pelo governo de S&atilde;o Paulo, a partir de contribui&ccedil;&otilde;es de diferentes c&acirc;maras municipais e que continha "seus votos a seus deputados" nas Cortes Constituintes, estabelecidas em Lisboa depois da Revolu&ccedil;&atilde;o do Porto. N&atilde;o se v&ecirc; no documento propriamente a ideia de Independ&ecirc;ncia, mas uma proposta para que os Reinos de Portugal e Algarves, de um lado, e Brasil, de outro, ficassem em condi&ccedil;&otilde;es de paridade, situa&ccedil;&atilde;o que, como se viu no pronunciamento de Nicolau Vergueiro, n&atilde;o sendo respeitada, poderia levar &agrave; emancipa&ccedil;&atilde;o do Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O documento defende que as Cortes Constituintes aprovassem algumas medidas visando consolidar "os la&ccedil;os indissol&uacute;veis, que h&atilde;o de prender as diferentes partes da Monarquia em ambos os Hemisf&eacute;rios" (isto &eacute;, Brasil e Portugal). Uma dessas medidas referia-se a um assunto ent&atilde;o pol&ecirc;mico, a localiza&ccedil;&atilde;o da sede da monarquia. Sobre isso, segundo o documento, haveria tr&ecirc;s possibilidades: primeiramente, que ela ficasse no Reino do Brasil; a segunda, que a sede de monarquia fosse, num reinado, num lado do Atl&acirc;ntico portugu&ecirc;s e, no seguinte, no outro lado; e a terceira, claramente a predileta do documento, segundo o qual a sede alternaria, dentro de um mesmo reinado, num e noutro Reino. O documento prop&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o de um conselho de Estado, com igual n&uacute;mero de membros para o Reino de Portugal e os Estados Ultramarinos; e a exist&ecirc;ncia um governo central no Brasil, ao qual estariam submetidos todos os governos provinciais. Estabelece que, quando a sede da Monarquia e das Cortes n&atilde;o estivesse no Brasil, a reg&ecirc;ncia deste Reino deveria ser presidida pelo "Pr&iacute;ncipe Heredit&aacute;rio da Coroa".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As Cortes, ao redigirem o C&oacute;digo Civil e Criminal, ainda precisaram estabelecer diferen&ccedil;as entre os dois lados do Atl&acirc;ntico, considerando "a diversidade de circunst&acirc;ncias do clima e estado da Povoa&ccedil;&atilde;o, composta no Brasil de classes de diversas cores e de pessoas, umas livres e outras escravas, pois estas considera&ccedil;&otilde;es e circunst&acirc;ncias exigem uma Legisla&ccedil;&atilde;o Civil particular". Tal proposta ecoava princ&iacute;pios de Montesquieu, pensador das Luzes, sobre o "esp&iacute;rito das leis" e visava resolver o problema do Brasil, em que imperava a escravid&atilde;o. O projeto defendia a cria&ccedil;&atilde;o de col&eacute;gios e, tamb&eacute;m, a instala&ccedil;&atilde;o de uma Universidade na cidade de S&atilde;o Paulo. Por fim, devem ser citadas duas propostas, que surpreendem por sua atualidade. A primeira diz respeito &agrave; edifica&ccedil;&atilde;o de uma nova cidade "para assento da Corte ou da Reg&ecirc;ncia", em &aacute;rea central do Brasil. A segundo refere-se &agrave; uma esp&eacute;cie de reforma agr&aacute;ria, prevendo, de um lado, o controle da propriedade da terra (que, &agrave; &eacute;poca, para ser legal, dependia de uma concess&atilde;o feita em &uacute;ltima inst&acirc;ncia pelo rei, chamada sesmaria), de sorte a exigir que fossem produtivas e, ainda, a angariar recursos para favorecer a "coloniza&ccedil;&atilde;o de europeus pobres, &iacute;ndios, mulatos e negros forros, a quem se dar&aacute; de Sesmaria pequenas por&ccedil;&otilde;es de terreno para o cultivarem e se estabelecerem".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A referida proposta n&atilde;o foi bem recebida pelas Cortes Constituintes e, quando da Independ&ecirc;ncia do Brasil, foi esquecida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais e para al&eacute;m de 1822</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A Independ&ecirc;ncia tal como ela se deu, como se efetivou nos anos 1822 e 1823, n&atilde;o contemplou exatamente o que se cogitou como Independ&ecirc;ncia antes desses anos. Este texto procurou mostrar justamente que nossa Independ&ecirc;ncia correspondeu a uma certa ideia de emancipa&ccedil;&atilde;o. Procurou evidenciar que ela tem conex&otilde;es t&ecirc;nues com o que alguns Inconfidentes mineiros propuseram (uma emancipa&ccedil;&atilde;o centrada na figura de um pr&iacute;ncipe da casa de Bragan&ccedil;a), mas n&atilde;o com que o que a maioria deles defendeu e, muito menos, com o que propuseram os Conspiradores da Bahia de 1793-1798 e os Revolucion&aacute;rios de 1817. Esteve tamb&eacute;m longe da ordem sonhada pelo governo de S&atilde;o Paulo &agrave;s v&eacute;speras da Independ&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Quanto ao que propuseram os Conspiradores da Bahia de 1793-1798 e os Revolucion&aacute;rios de 1817, duas diferen&ccedil;as devem ser apontadas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; nossa Independ&ecirc;ncia: a rep&uacute;blica, no caso de ambos os movimentos, e a proposta de aboli&ccedil;&atilde;o, no caso do segundo. Como converg&ecirc;ncias, quanto ao movimento de 1817, veem-se as liberdades de imprensa e de religi&atilde;o. Quanto &agrave; ordem sonhada pelo governo de S&atilde;o Paulo em fins de 1821, a fidelidade &agrave; casa de Bragan&ccedil;a e a defesa de um governo central no Brasil s&atilde;o pontos comuns. Nossa Independ&ecirc;ncia, entretanto, deixou esquecidas as propostas referentes &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de uma Universidade, &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma nova capital e, sobretudo, de realiza&ccedil;&atilde;o de um certo tipo de "reforma agr&aacute;ria", que teria, entre os benefici&aacute;rios, homens forros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&Eacute; importante que se acrescente que o 7 de setembro n&atilde;o foi considerado, logo de imediato, como a data de nossa Independ&ecirc;ncia e que esta n&atilde;o foi sempre objeto de celebra&ccedil;&atilde;o inconteste nesses quase duzentos anos. Se houve quem celebrasse a ruptura com o Reino Unido de Portugal e Algarves, exaltando a figura de D. Pedro, de Jos&eacute; Bonif&aacute;cio de Andrada e Silva e de outras lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas dos anos 1822-1823, existiu tamb&eacute;m quem achasse que esse rompimento foi menos virtuoso ou, de fato, algo rid&iacute;culo. Alguns atores pol&iacute;ticos chegaram at&eacute; mesmo a tom&aacute;-lo como um feito que serviu &agrave; manuten&ccedil;&atilde;o de institui&ccedil;&otilde;es e situa&ccedil;&otilde;es nefastas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em pleno 2022, tomemos as ideias de Independ&ecirc;ncia anteriores &agrave;s propostas nos idos de 1822-1823 e as cr&iacute;ticas que se fizeram &agrave; nossa Independ&ecirc;ncia, para construirmos uma outra Independ&ecirc;ncia, &agrave; altura dos desafios do s&eacute;culo XXI.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">1. Vergueiro, Nicolau de Campos, em 18 de abril de 1822. Extracto do Diario do Governo N. 104 de 4 de Maio. Correio do Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1822. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://memoria.bn.br/DocReader/749370/254" target="_blank">http://memoria.bn.br/DocReader/749370/254</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">2. Furtado, Jo&atilde;o Pinto. O Manto de Pen&eacute;lope: hist&oacute;ria, mito e mem&oacute;ria da Inconfid&ecirc;ncia Mineira de 1788-9. S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, 2002.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">3. Jancs&oacute;, Istv&aacute;n. Na Bahia, contra o imp&eacute;rio: hist&oacute;ria do ensaio de sedi&ccedil;&atilde;o de 1798. S&atilde;o Paulo: Hucitec: Salvador: UFBA, 1996.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">4. Jancs&oacute;, Istv&aacute;n. Bahia, 1798: a hip&oacute;tese de aux&iacute;lio franc&ecirc;s ou a cor dos gatos. In: Furtado, J&uacute;nia Ferreira (org.). Di&aacute;logos oce&acirc;nicos: Minas Gerais e as novas abordagens para uma hist&oacute;ria do Imp&eacute;rio Ultramarino Portugu&ecirc;s. Belo Horizonte: UFMG, 2001, p. 361-387.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">5. Mattoso, Katia de Queir&oacute;s. Presen&ccedil;a francesa no movimento democr&aacute;tico baiano de 1798. Salvador: Itapu&atilde;/ Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura do Estado da Bahia, 1969.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">6. Maxwell, Kenneth. A devassa da devassa. Inconfid&ecirc;ncia Mineira. Brasil-Portugal. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">7. Maxwell, Kenneth. O livro de Tiradentes: transmiss&atilde;o atl&acirc;ntica de ideias pol&iacute;ticas no s&eacute;culo XVIII. S&atilde;o Paulo: Penguin/ Companhia das Letras, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">8. Neves, L&uacute;cia Maria Bastos Pereira Das. Corcundas e Constitucionais: a cultura pol&iacute;tica da independ&ecirc;ncia (1820-1822). Rio de Janeiro: Revan/Faperj, 2003.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">9. Pereira, Jos&eacute; Clemente. Falla, que o Juiz de Fora Jos&eacute; Clemente Pereira, Presidente do Senado da Camara, dirigio a S A R. no acto em que apresentou ao mesmo Senhor as Representa&ccedil;&otilde;es do Povo desta Cidade &#91;09/01/1822&#93;.Cartas e mais pe&ccedil;as dirigidas a sua Magestade o Senhor D. Jo&atilde;o VI pelo Principe Real o Senhor D. Pedro de Alcantara: e junctamente os officios e documentos, Que o General Comandante da Tropa expedicion&aacute;ria existente na Prov&iacute;ncia do Rio de Janeiro tinha dirigido Governo. Lisboa: Imprensa Nacional, 1822.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">10. Quintas, Amaro. A agita&ccedil;&atilde;o republicana no Nordeste. In: HOLANDA, S&eacute;rgio Buarque (Org.). Hist&oacute;ria Geral da Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira. 7 ed. S&atilde;o Paulo: DIFEL,1985, Tomo 2, Vol. 1, p. 207-226.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">11. Rev&eacute;rbero Constitucional Fluminense, Rio de Janeiro, 1821-1822.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">12. Tavares, Lu&iacute;s Henrique Dias. Hist&oacute;ria da sedi&ccedil;&atilde;o intentada na Bahia em 1798: a conspira&ccedil;&atilde;o dos alfaiates. S&atilde;o Paulo: Pioneira, 1975.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">13. Villalta, Luiz Carlos. Usos do livro no mundo luso-brasileiro sob as |Luzes: reformas, censura e contesta&ccedil;&otilde;es. Belo Horizonte: Fino Tra&ccedil;o, 2015.    </font></p>      ]]></body><back>
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