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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Semana de Arte Moderna de 1922. A Semana de Arte Moderna continua sendo importante referencial para reflexões estéticas cem anos depois]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A Semana de Arte Moderna de 1922. A Semana de Arte Moderna continua sendo importante referencial para reflex&otilde;es est&eacute;ticas cem anos depois</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Elza Ajzenberg</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora da Escola de Comunica&ccedil;&otilde;es e Artes da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). &Eacute; coordenadora do Centro Mario Schenberg de Documenta&ccedil;&atilde;o da Pesquisa em Artes (desde 1990) e membro do Conselheiro do Acervo Art&iacute;stico-Cultural dos Pal&aacute;cios do Governo do Estado de S&atilde;o Paulo</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As comemora&ccedil;&otilde;es do centen&aacute;rio da Independ&ecirc;ncia do Brasil incentivam um grupo inquieto diante das possibilidades de tra&ccedil;ar um perfil mais livre, com a quebra de c&acirc;nones que impedem a renova&ccedil;&atilde;o da criatividade art&iacute;stica. Neste contexto, o objetivo da Semana de Arte Moderna de fevereiro de 1922, realizada em S&atilde;o Paulo, &eacute; renovar o estagnado ambiente art&iacute;stico e cultural de S&atilde;o Paulo e do pa&iacute;s. Acentua-se a necessidade de "descobrir" ou "redescobrir" o Brasil, repensando-o de modo a desvincul&aacute;-lo, esteticamente, das amarras que ainda o prendem &agrave; Europa. Apesar de todas as controv&eacute;rsias que a cercam, as conquistas da Semana t&ecirc;m desdobramentos que marcam sensivelmente as buscas de um novo modo de pensar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Semana de Arte Moderna; Modernismo; Arte; Sociedade</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Semana de Arte Moderna de fevereiro de 1922, realizada em S&atilde;o Paulo, continua sendo importante referencial para reflex&otilde;es est&eacute;ticas e para a cr&iacute;tica de arte do pa&iacute;s. Essa manifesta&ccedil;&atilde;o &eacute; potencializada pelo contexto em que ocorre. As quest&otilde;es associadas ao nacionalismo emergente do p&oacute;s-I Grande Guerra e &agrave; industrializa&ccedil;&atilde;o que se estabelece, especialmente em S&atilde;o Paulo, motivam intelectuais e jovens artistas entusiasmados a reverem e criarem novos projetos culturais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As comemora&ccedil;&otilde;es do centen&aacute;rio da Independ&ecirc;ncia do Brasil incentivam um grupo inquieto diante das possibilidades de tra&ccedil;ar um perfil mais livre, com a quebra de c&acirc;nones que impedem a renova&ccedil;&atilde;o da criatividade art&iacute;stica. As ideias come&ccedil;am a tomar corpo com os debates e discuss&otilde;es em torno da exposi&ccedil;&atilde;o de Anita Malfatti em 1917/18.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No jornal "Correio Paulistano" de 29 de janeiro de 1922, uma nota anuncia a realiza&ccedil;&atilde;o de uma semana de arte no Teatro Municipal, entre 11 e 18 de fevereiro, com a participa&ccedil;&atilde;o de escritores, m&uacute;sicos, artistas e arquitetos de S&atilde;o Paulo e do Rio de Janeiro. De acordo com a not&iacute;cia, a Semana, organizada por intelectuais das duas cidades, tendo Gra&ccedil;a Aranha &agrave; frente, tem por objetivo dar ao p&uacute;blico de S&atilde;o Paulo "a perfeita demonstra&ccedil;&atilde;o do que havia em nosso meio em escultura, pintura, arquitetura, m&uacute;sica e literatura sob o ponto de vista rigorosamente atual" &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No comit&ecirc; patrocinador est&atilde;o presentes, entre outros, Paulo Prado, Alfredo Pujol, Ren&eacute; Thiollier e Jos&eacute; Carlos Macedo Soares. Entre os participantes, figuram m&uacute;sicos como Villa Lobos, Guiomar Novais, Ernani Braga e Frutuoso Viana; no grupo de escritores, est&atilde;o M&aacute;rio de Andrade, Oswald de Andrade, Ronald de Carvalho, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Ribeiro Couto e S&eacute;rgio Milliet. Como diversos participantes da Semana ocupam cargos de destaque nas reda&ccedil;&otilde;es de importantes jornais da &eacute;poca, o evento tem desde o in&iacute;cio grande divulga&ccedil;&atilde;o, embora tamb&eacute;m n&atilde;o falte quem se oponha &agrave; sua concretiza&ccedil;&atilde;o &#91;2&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na not&iacute;cia do "Correio Paulistano", Gra&ccedil;a Aranha &eacute; posto como autor da iniciativa. Entretanto, para alguns pesquisadores, &eacute; mais prov&aacute;vel que essa prioridade se deva a Emiliano Di Cavalcanti, ao acatar uma sugest&atilde;o de Marinete Prado - esposa de Paulo Prado - que se refere &agrave; possibilidade de se fazer em S&atilde;o Paulo algo similar aos festivais culturais de Deauville. Em "Viagens de Minha Vida", Di Cavalcanti chama para si a paternidade da Semana, dizendo: "Falamos naquela noite e em outros encontros da Semana de Deauville ... Eu sugeri a Paulo Prado a nossa semana..." &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seja quem for o autor da ideia, o objetivo da Semana &eacute; renovar o estagnado ambiente art&iacute;stico e cultural de S&atilde;o Paulo e do pa&iacute;s. Acentua-se a necessidade de "descobrir" ou "redescobrir" o Brasil, repensando-o de modo a desvincul&aacute;-lo, esteticamente, das amarras que ainda o prendem &agrave; Europa. &Eacute; verdade que os jovens participantes da proposta inovadora procuram a "prote&ccedil;&atilde;o", a diplomacia e a arregimenta&ccedil;&atilde;o de Gra&ccedil;a Aranha - esp&eacute;cie de avalista ou "carro-chefe", capaz de impor respeito a setores menos abertos &agrave; modernidade &#91;4&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Chega-se a 1922. A ideia cresce e avan&ccedil;a levada por Paulo Prado, figura representativa da intelectualidade e da alta camada social paulista. Os equ&iacute;vocos s&atilde;o muitos. A comiss&atilde;o organizadora, de cunho mais tradicionalista, est&aacute; distante da sensibilidade realmente moderna de M&aacute;rio de Andrade, Oswald de Andrade, Di Cavalcanti, Villa Lobos, Brecheret e Anita Malfatti (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n2/a02fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Semana realizouse perante aplausos e vaias. Enquanto nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro ocorrem, no interior do Teatro Municipal, confer&ecirc;ncias e concertos, no sagu&atilde;o, os artistas e os arquitetos exp&otilde;em seus trabalhos. N&atilde;o s&atilde;o todos os anunciados na nota do "Correio Paulistano", pois Regina Graz n&atilde;o participa. Tampouco apenas os citados no cat&aacute;logo da mostra &#91;5&#93;. Alguns artistas, ausentes do pa&iacute;s, s&oacute; est&atilde;o representados por suas obras.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"At&eacute; hoje, a Semana de 1922 &eacute; envolvida por quest&otilde;es: o evento provoca choques e rupturas? Acentua um "tom festivo", ou seja, n&atilde;o &eacute; um movimento s&eacute;rio? Alcan&ccedil;a par&acirc;metros mais cr&iacute;ticos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; arte? &Eacute; de natureza mais destrutiva ou constr&oacute;i novas perspectivas para a est&eacute;tica do pa&iacute;s?"</b></styled-content></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O cat&aacute;logo, idealizado por Di Cavalcanti, registra a participa&ccedil;&atilde;o dos arquitetos Antonio Moya e Georg Prsirembel; dos escultores Victor Brecheret e Wilhelm Haerberg; e dos pintores e desenhistas Anita Malfatti, Di Cavalcanti, John Graz, Martins Ribeiro, Zina Aita, Jo&atilde;o Fernando (Yan) de Almeida Prado, Ign&aacute;cio da Costa Ferreira (Ferrignac) e Vicente do Rego Monteiro. O discut&iacute;vel modernismo das obras expostas e a confus&atilde;o estil&iacute;stica em que se debatem seus autores traduzem-se nos t&iacute;tulos equivocados de algumas pinturas e desenhos, tais como "Impress&atilde;o Divisionista" (Anita Malfatti), "Impress&otilde;es" (Zina Aita), "Natureza Dada&iacute;sta" (Ferrignac) ou "Cubismo" (Vicente do Rego Monteiro). Os "futuristas" de 1922, como o p&uacute;blico, &agrave; &eacute;poca, insiste em denomin&aacute;-los, praticam de tudo um pouco - Pontilhismo ou Expressionismo, menos Futurismo propriamente dito. O essencial &eacute; escapar ao que &eacute; conhecido como Academicismo &#91;6&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n2/a02fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">At&eacute; hoje, a Semana de 1922 &eacute; envolvida por quest&otilde;es: o evento provoca choques e rupturas? Acentua um "tom festivo", ou seja, n&atilde;o &eacute; um movimento s&eacute;rio? Alcan&ccedil;a par&acirc;metros mais cr&iacute;ticos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; arte? &Eacute; de natureza mais destrutiva ou constr&oacute;i novas perspectivas para a est&eacute;tica do pa&iacute;s?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na revis&atilde;o do pr&oacute;prio Di Cavalcanti, a Semana segue para "um tom festivo, irreconcili&aacute;vel talvez com o sentido de transforma&ccedil;&atilde;o social" que, para o artista, deve estar no fundo de uma revolu&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica e liter&aacute;ria &#91;7&#93;. Entretanto, Di Cavalcanti elabora depois uma vers&atilde;o mais positiva. Para o artista, a Semana &eacute; um acontecimento que abre para o pa&iacute;s perspectivas, as quais, extrapolando o campo puramente cultural, t&ecirc;m repercuss&otilde;es inclusive na &aacute;rea pol&iacute;tica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Alguns cr&iacute;ticos consideram imensa a repercuss&atilde;o obtida pela Semana. Outros negam o fato. &Eacute; o caso de Carlos Drummond de Andrade, em Belo Horizonte, e de Rodrigo Melo Franco de Andrade, no Rio de Janeiro. Os jornais da &eacute;poca assinalam que a Semana tem mais inimigos do que amigos: "inimigos inteligentes". Entre as cr&iacute;ticas, diz-se que os envolvidos s&atilde;o "barulhentos" e que o movimento n&atilde;o passa de um "estratagema" &#91;8&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n2/a02fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A exposi&ccedil;&atilde;o de arte, propriamente dita, recebe alguns coment&aacute;rios, atrav&eacute;s das notas de Gra&ccedil;a Aranha, Menotti Del Picchia e M&aacute;rio de Andrade. Por&eacute;m, considerase que as ideias disseminadas pelos conferencistas Gra&ccedil;a Aranha, Menotti Del Picchia e M&aacute;rio de Andrade alcan&ccedil;am muito mais eco. Essas quest&otilde;es n&atilde;o impedem, contudo, que obras mostradas no sagu&atilde;o do Teatro Municipal suscitem &agrave; maioria do p&uacute;blico sentimentos que oscilam do divertimento &agrave; indigna&ccedil;&atilde;o. Os grandes alvos s&atilde;o os trabalhos de Anita Malfatti e Victor Brecheret.</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"As conquistas da Semana t&ecirc;m desdobramentos que marcam sensivelmente as buscas de um novo modo de pensar."</b></styled-content></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora hoje o modernismo exposto pela Semana pare&ccedil;a pouco moderno, que todos os fatos do contexto e art&iacute;fices nem sempre sejam devidamente citados ou lembrados, e que ainda as ideias est&eacute;ticas de seus l&iacute;deres sejam confusas, n&atilde;o se pode negar que a Semana de 1922 seja um marco. A Semana representa para a evolu&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica brasileira um verdadeiro "divisor de &aacute;guas" (<a href="#fig5">Figura 5</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n2/a02fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="fig5"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n2/a02fig05.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ocorrida no ano do Centen&aacute;rio da Independ&ecirc;ncia do Brasil, a Semana difunde a ideia de renova&ccedil;&atilde;o, que embora j&aacute; tenha ocorrido anteriormente de maneira isolada, n&atilde;o est&aacute; consolidada num movimento organizado. Nesse sentido, escreve Paulo Mendes de Almeida que n&atilde;o se trata de um gesto isolado de rebeldia, "<i>mas um clamor em coro, um movimento de grupo (...) um safan&atilde;o naquele adormecido em ber&ccedil;o esplendido Brasil...</i>" &#91;9&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Talvez nunca se encontre um consenso na conceitua&ccedil;&atilde;o da Semana de 1922, ou da sua validade, ou alcance na evolu&ccedil;&atilde;o no campo est&eacute;tico e nas artes pl&aacute;sticas no Brasil. Entretanto, as constantes revis&otilde;es assinalam, cada vez mais, a "li&ccedil;&atilde;o de liberdade no esp&iacute;rito e na pesquisa pl&aacute;stica" presente nos passos seguintes da arte no pa&iacute;s. M&aacute;rio de Andrade enfatiza que o artista brasileiro passa a ter "<i>diante de si uma verdade social, uma liberdade (infelizmente, s&oacute; est&eacute;tica), uma independ&ecirc;ncia, um direito a suas pesquisas conquistadas pelos modernistas da Semana</i>" &#91;10&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As conquistas da Semana t&ecirc;m desdobramentos que marcam sensivelmente as buscas de um novo modo de pensar. Nesse ponto, M&aacute;rio Pedrosa &eacute; incisivo e acentua aspectos: "<i>a pintura e a escultura alargam extraordinariamente o campo de vis&atilde;o e de interesse dos promotores da Semana.</i>" Para Pedrosa, essas contribui&ccedil;&otilde;es definem a evolu&ccedil;&atilde;o intelectual e art&iacute;stica do pa&iacute;s. Nesse sentido, &eacute; lembrada a "<i>plasticidade presente nos textos de M&aacute;rio de Andrade. Atrav&eacute;s da imagem verbal, em sua proje&ccedil;&atilde;o, o universal</i>" &#91;11&#93;. Na linguagem atualizada, o primitivo encontra express&atilde;o sem fronteiras. Como conquista, o autor de "Pauliceia Desvairada" e "Macuna&iacute;ma" alcan&ccedil;a o objetivo duplo do modernismo: a atualiza&ccedil;&atilde;o e o nacional &#91;12&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em s&iacute;ntese, o contexto que envolve a Semana de Arte de 1922 possui denso e rico acervo, envolve quest&otilde;es que merecem novas reflex&otilde;es. Por&eacute;m, as v&aacute;rias possibilidades de abordagem n&atilde;o devem perder de vista a assertiva de M&aacute;rio de Andrade: a Semana logra atingir os seus objetivos primordiais: "<i>o direito permanente &agrave; pesquisa est&eacute;tica, a atualiza&ccedil;&atilde;o da intelig&ecirc;ncia art&iacute;stica brasileira; e a estabiliza&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia criadora nacional</i>" &#91;13&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. THIOLLIER, R. <i>A Semana de Arte Moderna,</i> S&atilde;o Paulo: Cupolo, s/d., p. 5.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. LEITE, J. R. "A Semana de Arte Moderna". In: <i>Arte no Brasil.</i> S&atilde;o Paulo: Abril Cultural, 1979, p. 672.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. DI CAVALCANTI, E. <i>Viagem da minha vida.</i> Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1955, p. 85. Bandeira M, na sua apresenta&ccedil;&atilde;o de <i>Poesia Brasileira.</i> Rio de Janeiro, 1954, p. 140-144, referindo-se &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o da Semana, menciona DI CAVALCANTI, E.: "pintor de quem partiu a ideia".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. DI CAVALCANTI, E. <i>Viagem da minha vida.</i> Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1955, p. 112-114.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. AMARAL, A. <i>Artes Pl&aacute;sticas na Semana de 22.</i> S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 1970, p. 129.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. ANDRADE, M. "A Semana Futurista: Pr&oacute;" (Notas de Arte). <i>Gazeta,</i> 4 fevereiro 1922.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. DI CAVALCANTI, E. <i>Viagem da minha vida.</i> Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1955, p. 114.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. DI CAVALCANTI, E. 1955, idem 1955.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. ALMEIDA, P. M. <i>De Anita ao Museu.</i> S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 1976, p. 34-35.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. ANDRADE, M. "O Movimento Modernista". In: <i>Aspectos da literatura brasileira</i> (Obras Completas), S&atilde;o Paulo: Livraria Martins, 1967, p. 241-242.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. ANDRADE, M. 1967, idem 1967.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. PEDROSA, M. "Semana de Arte Moderna". In: <i>Dimens&otilde;es da arte.</i> Rio de Janeiro: MEC/Servi&ccedil;o de Documenta&ccedil;&atilde;o, Departamento de Imprensa Nacional, 1964, p. 130-131.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. ANDRADE, M. "O Movimento Modernista". In: <i>Aspectos da literatura brasileira</i> (Obras Completas), S&atilde;o Paulo: Livraria Martins, 1967, p. 241-.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. AMARAL, A. <i>Artes Pl&aacute;sticas na Semana de 22.</i> S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 1970.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. AVILA, A. <i>O Modernismo.</i> S&atilde;o Paulo: Perspectiva, 1975.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. BANDEIRA, M. "Apresenta&ccedil;&atilde;o". In: <i>Poesia brasileira.</i> Rio de Janeiro: Livraria Casa do Estudante do Brasil, 1954.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. DI CAVALCANTI, E. <i>Viagem da minha vida.</i> Rio de Janeiro: Civiliza&ccedil;&atilde;o Brasileira, 1955.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. LEITE, J. R. T. "A Semana de Arte Moderna". In: <i>Arte no Brasil.</i> VII, S&atilde;o Paulo: Abril Cultural, 1979.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. THIOLLIER, R. <i>A Semana de Arte Moderna.</i> S&atilde;o Paulo: Cupolo, s/d.    </font></p>      ]]></body><back>
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