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<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20220022</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Não cairás no cubismo. Mário de Andrade e as artes visuais. Contra as vanguardas históricas, Mário de Andrade propõe para o Brasil uma arte moderna, porém atenta à tradição e à brasilidade]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Mário de Andrade crítico de arte]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Retorno à ordem no Brasil]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>N&atilde;o cair&aacute;s no cubismo. M&aacute;rio de Andrade e as artes visuais. Contra as vanguardas hist&oacute;ricas, M&aacute;rio de Andrade prop&otilde;e para o Brasil uma arte moderna, por&eacute;m atenta &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o e &agrave; brasilidade</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tadeu Chiarelli</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o de Artes Visuais do Departamento de Artes Pl&aacute;sticas da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). Foi curador-chefe do Museu de Arte Moderna de S&atilde;o Paulo (MAMSP) (1996-2000), Diretor do Museu de Arte Contempor&acirc;nea (MACUSP) (2010-2014) e Diretor Geral da Pinacoteca de S. Paulo (2015-2017). Tem livros publicados sobre Arte e Cr&iacute;tica de Arte no Brasil. &Eacute; curador independente e assina uma coluna no website da revista Arte!Brasileiros</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a necessidade de propor para o Brasil uma arte moderna, por&eacute;m preocupada com a capta&ccedil;&atilde;o do homem local, M&aacute;rio de Andrade, atuando como cr&iacute;tico de arte, refreou no modernismo brasileiro, todo &iacute;mpeto iconoclasta imperante nas vanguardas europeias. Distanciando-se dos aspectos mais radicais do cubismo, futurismo, etc., M&aacute;rio se manteve atrelado ao conceito de arte como duplo do real, incentivando obras ligadas a um realismo sint&eacute;tico, com uma estrutura&ccedil;&atilde;o formal "cl&aacute;ssica", sempre a l&eacute;guas da abstra&ccedil;&atilde;o. Este texto produz um panorama das ideias do cr&iacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> M&aacute;rio de Andrade cr&iacute;tico de arte; Retorno &agrave; ordem no Brasil</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No ano de centen&aacute;rio da Semana de Arte Moderna, ocorrida em S. Paulo em fevereiro de 1922, cabe rever a contribui&ccedil;&atilde;o de M&aacute;rio de Andrade (1893-1945) no campo das artes visuais. M&aacute;rio pode ser considerado um cr&iacute;tico de arte que lutou pela constitui&ccedil;&atilde;o de uma arte moderna no Brasil com &iacute;ndices precisos de "brasilidade" e, ao mesmo tempo, voltada para uma configura&ccedil;&atilde;o distanciada dos valores vinculados &agrave; arte mais tradicional, naturalista e com objetivos fundamentalmente descritivos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, com a necessidade de propor para o Brasil uma arte moderna e, ao mesmo tempo, ainda preocupada com a capta&ccedil;&atilde;o do homem local e seu entorno - ao contr&aacute;rio do que acredita a maioria dos estudiosos do autor em outras &aacute;reas - M&aacute;rio se viu levado a refrear, no modernismo, todo &iacute;mpeto iconoclasta imperante nas vertentes mais radicais das vanguardas europeias. Distanciando-se dos aspectos mais radicais do cubismo, futurismo e outras vertentes, M&aacute;rio se manteve atrelado &agrave; necessidade de ser fiel ao conceito de arte como duplo do real. Assim, sua op&ccedil;&atilde;o foi por incentivar a produ&ccedil;&atilde;o de obras ligadas a uma esp&eacute;cie de realismo sint&eacute;tico, pouco descritivo, mas com uma estrutura&ccedil;&atilde;o formal "cl&aacute;ssica", sempre a l&eacute;guas da abstra&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este texto produz um panorama das ideias do cr&iacute;tico.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">***</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em junho de 1923, M&aacute;rio de Andrade escreve carta para Tarsila do Amaral (1886-1973), pintora e amiga, ent&atilde;o em Paris, e pondera: <i>"&#91;...&#93; Creio que n&atilde;o cair&aacute;s no cubismo. Aproveita dele apenas os ensinamentos. Equil&iacute;brio, Constru&ccedil;&atilde;o, Sobriedade. Cuidado com o abstrato &#91;...&#93;</i>" &#91;1&#93; Nove anos depois, ao escrever sobre as pinturas de Di Cavalcanti (1897-1976), afirma:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&#91;...&#93; Tamb&eacute;m essa fidelidade ao mundo objetivo, e esse amor de significar a vida humana em alguns dos seus aspectos detest&aacute;veis, salvaram Di Cavalcanti de perder tempo e se esperdi&ccedil;ar durante as pesquisas do Modernismo. As teorias cubistas, puristas, futuristas, passaram por ele, sem que o desencaminhassem.</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Di Cavalcanti soube aproveitar delas o que lhes podia enriquecer a t&eacute;cnica e a faculdade de expressar sua vis&atilde;o &aacute;cida do mundo &#91;...&#93; Nacionalizou-se conosco &#91;...&#93; sem se prender a nenhuma tese nacionalista, &eacute; sempre o mais exato pintor das coisas nacionais. N&atilde;o confundiu o Brasil com paisagens; em vez de P&atilde;o de A&ccedil;&uacute;car nos d&aacute; sambas, em vez de coqueiros, mulatas, pretos e carnavais &#91;...&#93;</i>&#91;2&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As duas cita&ccedil;&otilde;es demonstram a op&ccedil;&atilde;o e consequente manuten&ccedil;&atilde;o de um programa espec&iacute;fico criado por M&aacute;rio de Andrade para a avalia&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o visual do per&iacute;odo, mantendo-se, em grande parte inabal&aacute;vel, at&eacute; seu falecimento, em 1945.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Refiro-me, em primeiro lugar, a como ele gostaria que os artistas se relacionassem com as vanguardas europeias. Para Andrade, essa rela&ccedil;&atilde;o deveria ser predat&oacute;ria e seletiva. Ele aconselha Tarsila a tomar da experi&ecirc;ncia cubista apenas os elementos que o ligavam &agrave; grande tradi&ccedil;&atilde;o europeias do "classicismo" - equil&iacute;brio; constru&ccedil;&atilde;o; sobriedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para o cr&iacute;tico, a pintora n&atilde;o deveria deixar-se seduzir pelas experi&ecirc;ncias mais radicais do cubismo. Nada de investiga&ccedil;&otilde;es formais e t&eacute;cnicas que pudessem levar sua pintura &agrave; abstra&ccedil;&atilde;o. A produ&ccedil;&atilde;o de Tarsila, portanto, deveria manter-se atenta ao rigor formal recuperado pelo cubismo - entendido como herdeiro da grande tradi&ccedil;&atilde;o da pintura europeia - n&atilde;o resvalando jamais para a n&atilde;o-figura&ccedil;&atilde;o, mantendo-se, portanto, presa &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de an&aacute;logos do real (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n2/a06fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passados quase dez anos, a mesma rela&ccedil;&atilde;o predat&oacute;ria/ seletiva volta a ser observada - e valorizada - nas considera&ccedil;&otilde;es do cr&iacute;tico sobre a pintura de Di Cavalcanti. Di n&atilde;o teria "perdido tempo" nem "esperdi&ccedil;ado seu talento" deixando-se levar pelos questionamentos formais, surgidos com o cubismo, com o purismo e com o futurismo. Ao inv&eacute;s disso, o pintor teria tomado daquelas vertentes apenas o enriquecimento t&eacute;cnico e expressivo. E o que seria isso?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observando a produ&ccedil;&atilde;o de Di Cavalcanti, sobretudo a partir da segunda metade dos anos 1920, nota-se uma sofistica&ccedil;&atilde;o maior do artista em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fatura pict&oacute;rica - demonstrando um olhar interessado na produ&ccedil;&atilde;o internacional da &eacute;poca, como tamb&eacute;m o uso da deforma&ccedil;&atilde;o expressiva das figuras, aproximando-o, assim, de uma liberdade formal mais pr&oacute;xima a determinadas vanguardas europeias, para ampliar seu apelo junto ao p&uacute;blico. Por&eacute;m, de maneira alguma, Di se privou de produzir uma pintura ainda descritiva, embora desligada de um naturalismo "fotogr&aacute;fico".</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">***</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a rela&ccedil;&atilde;o predat&oacute;ria dos artistas brasileiros para com as vanguardas constitu&iacute;a uma das bases do programa de M&aacute;rio para a arte que desejava ver implantada no pa&iacute;s, o segundo elemento norteador de seu programa, seria, justamente, a necessidade de os artistas locais introjetarem o compromisso com a produ&ccedil;&atilde;o de uma arte engajada na capta&ccedil;&atilde;o da geografia humana do Brasil. Como visto, era este o aspecto da produ&ccedil;&atilde;o de Di que o cr&iacute;tico elogiava.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sintetizando, M&aacute;rio queria para o Brasil uma arte preocupada em retratar o "brasileiro" e, para tanto, ela poderia aderir (mas jamais mergulhar) em determinadas vertentes das vanguardas europeias. Tal ades&atilde;o, no entanto, n&atilde;o poderia "desandar", deixando que o artista parasse de se preocupar com o nacional e com uma produ&ccedil;&atilde;o vinculada &agrave; capta&ccedil;&atilde;o do real. Assim, M&aacute;rio propunha uma ades&atilde;o &agrave;s vanguardas mediada pelos elementos mais conservadores observados na segunda gera&ccedil;&atilde;o de cubistas: equil&iacute;brio, constru&ccedil;&atilde;o e sobriedade.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">***</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Conjugar o rigor estrutural da pintura &agrave; necessidade de retratar "mulatas, pretos e carnavais", obrigar&aacute; o cr&iacute;tico a buscar, no cen&aacute;rio art&iacute;stico internacional do per&iacute;odo, encaminhamentos estil&iacute;sticos que fugissem do culto ao experimentalismo vanguardista, perscrutando, na cena europeia, manifesta&ccedil;&otilde;es menos radicais e mais interessadas num modernismo s&oacute;brio, atento &agrave; deforma&ccedil;&atilde;o expressiva da forma, por&eacute;m mantenedor da tradi&ccedil;&atilde;o que acreditou sempre nas artes visuais como criadoras de duplos do real.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para tanto, M&aacute;rio de Andrade buscou no debate europeu dos anos 1910/1920, vertentes que - agrupadas como integrantes do que se convencionou chamar de "retorno &agrave; ordem" - buscavam uma arte moderna integrada &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o da arte europeia, &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o do artesanato na arte e &agrave;s culturas visuais locais.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">***</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como se sabe, ap&oacute;s o t&eacute;rmino da I Grande Guerra, a cena art&iacute;stica europeia, al&eacute;m de manter as experimenta&ccedil;&otilde;es vanguardistas, v&ecirc; emergir, em v&aacute;rios pa&iacute;ses do continente, uma produ&ccedil;&atilde;o que propunha o retorno a uma "ordem" formal e tem&aacute;tica, anterior &agrave; pr&oacute;pria eclos&atilde;o do impressionismo e p&oacute;s-impressionismo da segunda metade do s&eacute;culo XIX.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por certo a proposta n&atilde;o era um retorno ao naturalismo daquele s&eacute;culo e, muito menos, ao realismo burgu&ecirc;s das academias. A proposta era tentar recuperar uma visualidade pautada em valores pl&aacute;sticos que transitavam entre uma certa vontade "neocl&aacute;ssica" e um realismo, em tese, despido de qualquer comprometimento com o social.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste contexto, os impressionistas e p&oacute;simpressionista deixam de ser par&acirc;metros para os jovens artistas, ou passavam a dividir o p&oacute;dio com um nome at&eacute; hoje pouco conhecido no Brasil, Puvis de Chavannes (1824-1898) - um "neocl&aacute;ssico" que, contempor&acirc;neo dos impressionistas, marcaria a produ&ccedil;&atilde;o de algumas gera&ccedil;&otilde;es de artistas, na Fran&ccedil;a e no resto da Europa &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre os anos 1910/1920 esse "retorno" &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o engajou n&atilde;o apenas jovens que ent&atilde;o se profissionalizavam como pintores e escultores, mas, igualmente, artistas que haviam passado por experi&ecirc;ncias vanguardistas, como, na Fran&ccedil;a, Pablo Picasso (1881-1973), Henri Matisse (1869-1954) e Maurice Denis (1870-1943) &#91;i&#93;, entre outros; e, na It&aacute;lia, M&aacute;rio Sironi (1885-1961) e Carlo Carr&agrave; (1881-1966), entre outros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, a cena europeia mostrava, por um lado, a manuten&ccedil;&atilde;o de uma produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica comprometida com o experimentalismo e, por outro, com uma produ&ccedil;&atilde;o muito menos radical, que retomava e valorizava os valores "eternos" da pintura e da escultura, al&eacute;m de retomar igualmente as diversas culturais visuais locais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o se deve estranhar, portanto, que, em S. Paulo, M&aacute;rio de Andrade comece a se interessar pelo "retorno &agrave; ordem", uma vez que, dentro dele, os artistas conseguiriam dois feitos: deixariam o naturalismo vigente no in&iacute;cio do s&eacute;culo, descritivo e sem pulso, em prol de uma arte em que a "pureza" estrutural e o apuro t&eacute;cnico passavam a ser valores inquestion&aacute;veis; por outro, o "retorno &agrave; ordem" possibilitava que o modernismo paulistano desse uma resposta ao debate art&iacute;stico do pa&iacute;s: mesmo n&atilde;o seguindo a descri&ccedil;&atilde;o naturalista, os artistas modernistas poderiam continuar a pintar o "Brasil" e o "brasileiro", demanda existente na cena art&iacute;stica/cultural brasileira, desde o s&eacute;culo XIX &#91;4&#93;.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Conjugar o rigor estrutural da pintura &agrave; necessidade de retratar "mulatas, pretos e carnavais", obrigar&aacute; o cr&iacute;tico a buscar, no cen&aacute;rio art&iacute;stico internacional do per&iacute;odo, encaminhamentos estil&iacute;sticos que fugissem do culto ao experimentalismo vanguardista."</b></styled-content></font></p> </blockquote>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">***</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para embasar os dois par&acirc;metros que havia elegido para desenvolver sua cr&iacute;tica - respeito &agrave; estrutura formal do quadro e a preocupa&ccedil;&atilde;o com o nacional - muitas vezes M&aacute;rio de Andrade abaixar&aacute; a guarda frente a artistas que, no contexto paulistano, apresentavam obras distanciadas das vanguardas europeias, beirando a tradi&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica j&aacute; cristalizada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Interessaria aqui comentar os textos que ele publicou sobre tr&ecirc;s artistas em particular - Gast&atilde;o Worms (1905-1967), Navarro da Costa (1883-1931) e Hugo Adami (1899-1999) - em que &eacute; not&aacute;vel seu interesse por quest&otilde;es apenas formais. O cr&iacute;tico buscava encontrar nessas produ&ccedil;&otilde;es, ecos do "retorno &agrave; ordem" europeu - um tipo de produ&ccedil;&atilde;o consciente da autonomia formal da pintura sem, no entanto, deixar a motiva&ccedil;&atilde;o tem&aacute;tica de lado.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">***</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1926, M&aacute;rio publica um artigo sobre a pintura do ent&atilde;o jovem artista Gast&atilde;o Worms, em que atenta para a encruzilhada que ent&atilde;o vivida Worms, sem saber direito se trilhava o caminho de "pintador" ou do "artista":</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Me parece que Gast&atilde;o Worms est&aacute; decidindo a carreira dele &#91;...&#93; Tem que escolher si ser&aacute; pintor ou artista&#91;...&#93; Pode pois ser pintador. &Eacute; s&oacute; continuar no ramo dos retratos bemfeitinhos e parecidos ou nos assuntinhos sentimentais e graciosos que pintou brincando &#91;...&#93;</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&#91;...&#93; Por&eacute;m, mais ou menos de 1924 para diante Gast&atilde;o Worms principiou reparando que na Pintura tem outro curso ainda: o do artista. Se perturbou todo. Come&ccedil;ou a sofrer as inquieta&ccedil;&otilde;es da intelig&ecirc;ncia e escutou o professor da sala vizinha falando pros alunos: "Rapaziada, ponham reparo neste quadro branco. Isto se chama tela. Quando as cores, os volumes e as linhas, e os ritmos nascidos deles, se concentram na tela, se irmanam e equilibram ela muda de nome e se chama quadro. O homem que criou essa uni&atilde;o indissol&uacute;vel se chama artista".</i></font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Gast&atilde;o principiou a matutar nisso e sa&iacute;ram da for&ccedil;a jovem que possui umas coisas interessantes e comovedoras &#91;...&#93;</i>&#91;5&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre a pintura descritiva e aquela consciente dos seus elementos intr&iacute;nsecos, M&aacute;rio de Andrade demonstra claramente pender para a segunda alternativa. Ele se apressa em elogiar as obras de Worms, em que o fato pict&oacute;rico - sua estrutura e t&eacute;cnica - sobressaia, colocando em segundo plano os retratos apenas "parecidos", realizados pelo pintor antes de 1924 &#91;ii&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">***</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m em 1924 M&aacute;rio dedicar&aacute; um artigo a Navarro da Costa, em que o impasse entre "ser moderno" ou "antimoderno" &eacute; relativizado em prol do engrandecimento dos valores intr&iacute;nsecos da pintura, em detrimento da capta&ccedil;&atilde;o apenas descritiva do real:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&#91;...&#93; &Eacute; evidente nele &#91;Navarro da Costa&#93; o... buscador de quadros e n&atilde;o de vistas. Quer dizer que Navarro da Costa n&atilde;o tem a sentimentalidade do fot&oacute;grafo. N&atilde;o reproduz apenas o que lhe agrada. Aos afetos e empatias di&aacute;rias que prendem a gente a uma infinidade de trechos da natureza, como&ccedil;&otilde;es geralmente extrapint&oacute;ricas &#91;sic&#93;, sentimentais, que fizeram todo o dil&uacute;vio de pinturinhas dos impressionistas menores e menor&iacute;ssimos &#91;...&#93; A gente tem a impress&atilde;o que o olhar de Navarro da Costa possui uma moldura limitando um esquema est&eacute;tico transparente &#91;...&#93; Na grande maioria de suas obras &#91;...&#93; se percebe por uma an&aacute;lise mais atenta, uma composi&ccedil;&atilde;o pl&aacute;stica sutil, sempre todavia concordante com a est&eacute;tica realista que o pintor n&atilde;o abandonou.</i></font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Escutei discutirem o modernismo de Navarro da Costa... Realmente ele me parece do tipo do moderno antimoderno &#91;...&#93; A t&eacute;cnica &eacute; maravilhosa e tem a liberdade que s&oacute; podem dar as disciplinas pacientes e sever&iacute;ssimas. De todas as &eacute;pocas pois. Moderno, pois.</i>&#91;6&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Note-se que, para M&aacute;rio de Andrade, n&atilde;o importa Navarro da Costa estar ligado &agrave; tradi&ccedil;&atilde;o, pois, para ele, o respeito &agrave; especificidade da pintura &eacute; um quesito que est&aacute; acima de tudo, pairando por todas as vertentes. E, se o artista segue as coordenadas mais severas e disciplinadas da t&eacute;cnica, ele ser&aacute; sempre moderno... mesmo quando n&atilde;o o for.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">***</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa compreens&atilde;o da pintura como uma pr&aacute;tica acima das circunst&acirc;ncias da hist&oacute;ria, pautada em valores "puramente" pl&aacute;sticos - mesmo quando permanece dentro dos par&acirc;metros da arte da passagem do s&eacute;culo - encontrar&aacute; seu representante m&aacute;ximo em S&atilde;o Paulo na figura de Hugo Adami, para quem M&aacute;rio de Andrade escrever&aacute; um longo artigo em 1928, publicado em tr&ecirc;s edi&ccedil;&otilde;es do "Di&aacute;rio Nacional" &#91;7&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">M&aacute;rio, de in&iacute;cio, parece desconfort&aacute;vel com a pintura do artista, por acreditar que Adami aparentemente mantinha-se ligado ao realismo mais convencional. Chegado recentemente da It&aacute;lia - onde esteve contatado com o <i>Novecento</i>, vertente italiana do retorno &agrave; ordem -, a produ&ccedil;&atilde;o de Adami seria uma das primeiras ligadas &agrave;s vertentes recessivas do per&iacute;odo, com a qual Andrade entraria em contato.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passado o primeiro estranhamento, j&aacute; na segunda parte do artigo, ao discutir o dom&iacute;nio t&eacute;cnico do pintor, quase virtuos&iacute;stico, o cr&iacute;tico comenta:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&#91;...&#93; Por&eacute;m, essa ninharia era falsa se Hugo Adami pintasse os excelentes "Arenques defumados" &#91;...&#93; unicamente pra pintar arenques parecidos com os tais. Mas &eacute; que peixes, ovos, casas, ch&atilde;o, adquirem quase sempre valores pl&aacute;sticos absolutos e livres. N&atilde;o faz mal que um p&ecirc;ssego de pintura se pare&ccedil;a com um p&ecirc;ssego de verdade contando que na pintura ele vive um valor pl&aacute;stico essencial. Fernand L&eacute;ger que &eacute; uma sensibilidade pl&aacute;stica mais pura dos tempos de agora est&aacute; pintando chaves chav&iacute;ssimas, folhas folh&iacute;ssimas nos quadros atuais dele, embora permane&ccedil;a integralmente dentro da tese cubista &#91;...&#93;</i>&#91;8&#93;</font></p> </blockquote>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">***</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para finalizar a s&eacute;rie de exemplos sobre o interesse de M&aacute;rio de Andrade pelo respeito &agrave; estrutura da pintura e sua complac&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica de cunho realista - desde que obediente &agrave;s "leis do quadro", &eacute; claro - seria importante trazer tamb&eacute;m suas considera&ccedil;&otilde;es sobre a produ&ccedil;&atilde;o do pintor Lasar Segall (1889-1957), estabelecido em S. Paulo em 1923 (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n2/a06fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao escrever sobre a exposi&ccedil;&atilde;o do artista, em 1924, M&aacute;rio atenta para fato de que a produ&ccedil;&atilde;o do pintor podia ser vista como um exemplo de que grande parte dos artistas das vanguardas europeias estava deixando o experimentalismo, para produzir uma arte "pura", sem excessos. Al&eacute;m de Segall, M&aacute;rio atentava para esse fen&ocirc;meno em outros artistas, entre eles, Pablo Picasso. Por&eacute;m, dentro desse rol, destacava a peculiaridade da experi&ecirc;ncia segalliana que, a seu ver, n&atilde;o se dispersava:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&#91;...&#93; em procuras &agrave;s vezes contradit&oacute;rias, como se observa na obra de um Picasso, a descoberta da arte pura produziu nela um abalo que lhe desviou totalmente a diretriz. Mas em vez de fugir da pr&oacute;pria inquietude e, fazendo calar o cora&ccedil;&atilde;o, cair na abstra&ccedil;&atilde;o cientificamente defens&aacute;vel de Gleizes, de Kandinsky e Baumeister, Segall teve esse grande m&eacute;rito de reconhecer a pr&oacute;pria inquietude, de observ&aacute;-la dentro das formas da vida e dos ardores do sentimento.</i>&#91;9&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo tive oportunidade de escrever em outra situa&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>O cr&iacute;tico, ao mesmo tempo que separa Segall das "contradi&ccedil;&otilde;es" de Pablo Picasso &#91;...&#93; tamb&eacute;m reconhece, n&atilde;o sem algum al&iacute;vio, que ele n&atilde;o resolveu os impasses da "arte pura" caminhando rumo &agrave; abstra&ccedil;&atilde;o, mas, sim, mantendo-se dentro das preocupa&ccedil;&otilde;es com as formas da vida e dos ardores do sentimento".</i>&#91;10&#93;</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1925, ao escrever sobre a decora&ccedil;&atilde;o que o pintor fizera no Pavilh&atilde;o Modernista da resid&ecirc;ncia de Olivia Penteado (1872-1934) - milion&aacute;ria paulistana com interesse na arte moderna - o cr&iacute;tico se manifestara sobre o novo realismo de Segall: "&#91;...&#93; E me parece que foi esse idealismo que lhe permitiu chegar nos quadros atuais a um conceito mais realista de realidade, abandonando aquele tr&aacute;gico mortificante e incessante que lhe caracteriza toda a obra anterior &agrave; fase brasileira" &#91;11&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estruturando suas concep&ccedil;&otilde;es sobre a pintura na manuten&ccedil;&atilde;o da figura&ccedil;&atilde;o sem que ela, no entanto, fosse subjugada &agrave; mera descri&ccedil;&atilde;o do real, faltava que M&aacute;rio atrelasse a tem&aacute;tica brasileira a esse interesse. O cr&iacute;tico, alguns anos antes do texto aqui comentado sobre Di, j&aacute; havia refletido sobre a "brasilidade imanente", das pinturas da fase pau-brasil de Tarsila do Amaral:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&#91;...&#93; Pode-se dizer que dentro da hist&oacute;ria da nossa pintura ela &#91;Tarsila&#93; foi a primeira que conseguiu realizar uma obra de realidade nacional &#91;...&#93; Em Tarsila, como ali&aacute;s em toda pintura de verdade, o assunto &eacute; apenas mais uma circunst&acirc;ncia de encanta&ccedil;&atilde;o: o que faz mesmo aquela brasileirice imanente dos quadros dela &eacute; a pr&oacute;pria realidade pl&aacute;stica: um certo e muito bem aproveitado caipirismo de formas e de cor, uma sistematiza&ccedil;&atilde;o inteligente do mau gosto que &eacute; dum bom gosto excepcional, uma sentimentalidade intimista, meio pequenta, cheia de moleza e de sabor forte &#91;...&#93;</i>&#91;12&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar dessa capta&ccedil;&atilde;o t&atilde;o peculiar da originalidade da pintora, o interesse de M&aacute;rio sobre sua produ&ccedil;&atilde;o parece se arrefecer a partir de 1928, quando ela, junto com o ent&atilde;o marido, Oswald de Andrade (1890-1954), criam o movimento antrop&oacute;fago &#91;iii&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir da&iacute; M&aacute;rio buscar&aacute; em outros artistas as qualidades que percebia na fase pau-brasil da amiga.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">***</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se Lasar Segall despontava para M&aacute;rio como um grande artista moderno que abandonara as especula&ccedil;&otilde;es formais vanguardistas para caminhar em dire&ccedil;&atilde;o ao retorno &agrave; ordem, havia um problema com ele: Segall era judeu e, portanto, supostamente, um cidad&atilde;o do mundo, sem compromissos com o Brasil. Em 1931, ao conhecer a pintura do ent&atilde;o jovem Candido Portinari (1903-1962), M&aacute;rio encontra o que estava procurando h&aacute; anos: um artista brasileiro, nascido no interior do pa&iacute;s, dono de um conhecimento profundo sobre a pintura em suas v&aacute;rias nuan&ccedil;as e - felizmente! - interessado em constituir uma arte pautada na capta&ccedil;&atilde;o idealizada do "brasileiro" &#91;13&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">***</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Do in&iacute;cio dos anos 1930 at&eacute;, praticamente, seu falecimento, em 1945, M&aacute;rio dedicar&aacute; uma s&eacute;rie de artigos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de Portinari, chamando para si o papel de defensor do artista, algumas vezes acusado de um virtuosismo superficial, ecl&eacute;tico e ligado em demais ao poder &#91;14&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"M&aacute;rio de Andrade tra&ccedil;ou de fato um programa peculiar para a arte brasileira que, em grande parte, foi seguido por aqueles artistas modernistas."</b></styled-content></font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">M&aacute;rio salientar&aacute; o conhecimento t&eacute;cnico do artista e sua profunda compreens&atilde;o da pintura como um fato pl&aacute;stico aut&ocirc;nomo em rela&ccedil;&atilde;o ao assunto tratado na obra. Mesmo quando se dedica a discutir a presen&ccedil;a da figura humana retratando o "brasileiro" - a partir de uma s&iacute;ntese formal que n&atilde;o descartava o realismo - o cr&iacute;tico n&atilde;o retira da produ&ccedil;&atilde;o do artista seu alto valor enquanto pintura "pura" - "interessada", comprometida com a quest&atilde;o social. Tal postura fica evidente no artigo que publica sobre o Portinari, em 1940:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>&#91;...&#93; Portinari se fez realista &#91;...&#93;. Uma esp&eacute;cie de realismo moral, franco, forte, sadio, de um otimismo dominador. Nisto ele se separa radicalmente da obra amarga e rancorosa de um Rivera. Rivera &eacute; um combatente. Portinari &eacute; um mission&aacute;rio &#91;...&#93; A desigualdade, o tumulto, a gritaria mais propriamente liter&aacute;ria que pl&aacute;stica, de Rivera, deriva da sua pr&oacute;pria psicologia. Portinari, sob o signo dos Antigos em que se colocou, ao mesmo tempo que pode conservar uma calma, um equil&iacute;brio, uma tem&aacute;tica que nada tem de liter&aacute;rios, e s&atilde;o exclusivamente pl&aacute;sticos, soube dar uma esperan&ccedil;a ao mundo. &#91;...&#93; O seu realismo, si &eacute; otimista, n&atilde;o &eacute; sonharento &#91;...&#93; Eu gosto dessas mulheres suaves e fortes, brasileiras, brasileir&iacute;ssimas de tipo, boas como minha m&atilde;e. N&atilde;o tenho o menor medo de gostar. Eu gosto desses machos rudes de trabalho, olhe-se a m&atilde;o em afresco. Isso &eacute; m&atilde;o dura, mas nobre, m&atilde;os beij&aacute;veis &#91;...&#93;</i>&#91;15&#93;</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este trecho me parece rico o bastante para demonstrar o quanto a obra de Portinari significou para M&aacute;rio de Andrade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em primeiro lugar, seria importante sublinhar o interesse do cr&iacute;tico em comparar a produ&ccedil;&atilde;o do artista brasileiro com aquela de Diego Rivera (1896-1957), muralista mexicano com forte aceita&ccedil;&atilde;o no per&iacute;odo e que, como Portinari, desenvolvia uma produ&ccedil;&atilde;o comprometida com a quest&atilde;o social, valendose, para tanto - e como o brasileiro - de um repert&oacute;rio figurativo caracter&iacute;stico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">M&aacute;rio deixa claro que, ao contr&aacute;rio da obra do brasileiro, a produ&ccedil;&atilde;o de Rivera tinha um teor panflet&aacute;rio, era "liter&aacute;ria" (ou seja, narrativa), enquanto a obra de Portinari distinguia-se por nunca se descuidar da sua dimens&atilde;o efetivamente pl&aacute;stica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao escrever em 1940 sobre a obra de Portinari, M&aacute;rio deixa claro que encontra na obra do amigo, aquilo que, em 1923, propusera a Tarsila, explorar em sua pintura: equil&iacute;brio, constru&ccedil;&atilde;o e sobriedade. Afinal, Portinari mantinha a sua pr&aacute;tica dentro das estruturas da pl&aacute;stica (constru&ccedil;&atilde;o), conservando a calma (sobriedade) e o equil&iacute;brio, demonstrando saber como caminhar no universo da pintura e da sua hist&oacute;ria &#91;iv&#93;. E como corol&aacute;rio de tantas qualidades, o pintor ainda produzia obras em que as mulheres retratadas eram "suaves e fortes, brasileiras, brasileir&iacute;ssimas de tipo, boa como minha m&atilde;e". Em s&iacute;ntese: Portinari, dentro de uma tradi&ccedil;&atilde;o renovada produzia obras de "assunto" nacional.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">***</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da carta para Tarsila, datada de 1923, a esse texto sobre a obra de Portinari, de 1940 - passando pelos demais artigos aqui citados - M&aacute;rio de Andrade tra&ccedil;ou de fato um programa peculiar para a arte brasileira que, em grande parte, foi seguido por aqueles artistas modernistas que, de uma forma ou de outra e, durante parte ou a totalidade do per&iacute;odo, comungavam com as propostas do cr&iacute;tico: Tarsila, Di, Segall e Portinari.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma produ&ccedil;&atilde;o de qualidade, em parte inquestion&aacute;vel, atenta &agrave; deforma&ccedil;&atilde;o expressiva, mas comprometida com uma conten&ccedil;&atilde;o "cl&aacute;ssica" que, por fim, acaba por desmentir sua ades&atilde;o ao experimentalismo mais radical da arte internacional.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">i. Importante salientar aqui que Anita Malfatti (1889-1964) foi aluna de Maurice Denis em Paris na primeira metade dos anos 1920. Embora ela j&aacute; estivesse atenta ao retorno &agrave; ordem, ainda no final da d&eacute;cada anterior &ndash; o que explica obras como "Tropical", de 1917, hoje no acervo da Pinacoteca de S&atilde;o Paulo &ndash;, a artista se deixou impregnar bastante pela po&eacute;tica "chavannista" de Denis. Mesmo ligada a essas correntes do retorno &agrave; ordem, Anita n&atilde;o se manteve no p&oacute;dio dos/as "grandes modernistas" por n&atilde;o ter aderido &agrave; arte nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ii. Embora Gast&atilde;o Worms encaminhe sua produ&ccedil;&atilde;o para certos valores ligados ao retorno &agrave; ordem, o fato dele n&atilde;o se deixar seduzir pela tem&aacute;tica nacional talvez ajude a explicar sua aus&ecirc;ncia no p&oacute;dio dos "grandes pintores" do modernismo de S. Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">iii. N&atilde;o foram encontrados textos de M&aacute;rio de Andrade sobre a fase antropof&aacute;gica de Tarsila. &Eacute; poss&iacute;vel especular que tal sil&ecirc;ncio se deva, em parte, ao rompimento de M&aacute;rio com Oswald, ent&atilde;o marido da pintora. Por&eacute;m, penso que tal sil&ecirc;ncio se deva, em grande medida, ao fato de que M&aacute;rio desprezava o surrealismo &ndash; vertente por onde a antropofagia de Tarsila parecia trafegar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">iv. &Eacute; digno de nota como M&aacute;rio sublinha que Portinari estava "sob o signo dos Antigos", ou seja, como o artista estava pr&oacute;ximo do realismo sint&eacute;ticos dos primeiros renascentistas &ndash; ponto de refer&ecirc;ncia importante para o artista.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. AMARAL, A. "Carta de M&aacute;rio de Andrade a Tarsila do Amaral", dia 16 de junho de 1923. In: AMARAL, A. (org.). <i>Correspond&ecirc;ncia. M&aacute;rio de Andrade &amp; Tarsila do Amaral.</i> S&atilde;o Paulo: IEB/USP, 2001. p. 75.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. ANDRADE, M. "Di Cavalcanti". <i>Di&aacute;rio Nacional.</i> S&atilde;o Paulo, 8 de maio de 1932. <i>apud</i> CHIARELLI, T. <i>Pintura n&atilde;o &eacute; s&oacute; beleza. A cr&iacute;tica de arte de M&aacute;rio de Andrade.</i> Florian&oacute;polis: Letras Contempor&acirc;neas, 2007, p. 27.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. LEMOINE, S. <i>Da Puvis de Chavannes a Matisse e Picasso. Verso l&rsquo;Arte Moderna.</i> Venezia: Palazzo Grassi, 2002. Aqui poderiam ser citados artistas identificados com o p&oacute;simpressionismo, como Paul Gauguin (1848-1903) e Toulouse-Lautrec (1864-1901), que absorveram v&aacute;rios ensinamentos de Chavannes, assim como, fora da Fran&ccedil;a, artistas que tamb&eacute;m estabeleceram a obra do "neocl&aacute;ssico" franc&ecirc;s como par&acirc;metro &ndash; entre eles, Ferdinand Hodler (1853-1918), Max Klinger (1857-1920) e outros. Sobre a "presen&ccedil;a" de Puvis de Chavannes na arte europeia do final do s&eacute;culo XIX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XX.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. CHIARELLI, T. <i>Pintura n&atilde;o &eacute; s&oacute; beleza. A cr&iacute;tica de arte de M&aacute;rio de Andrade.</i> Florian&oacute;polis: Letras Contempor&acirc;neas, 2007, p. 27. Sobre o "retorno &agrave; ordem" internacional e sua impregna&ccedil;&atilde;o na cena art&iacute;stica modernista brasileira.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. ANDRADE, M. Gast&atilde;o Worms. In: ANDRADE, M. (ed.). <i>Terra roxa e outras terras.</i> S&atilde;o Paulo, ano 1, n. 1, p. 3.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. ANDRADE, M. Moderno antimoderno. In: ANDRADE, M. (ed.). <i>Terra roxa e outras terras.</i> S&atilde;o Paulo, 21 de fevereiro de 1926, ano 1, n. 2, p. 3.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. ANDRADE, M. Hugo Adami. <i>Di&aacute;rio Nacional.</i> S&atilde;o Paulo, 8, 11 e 15 de setembro de 1928.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. ANDRADE, M. Hugo Adami. <i>Di&aacute;rio Nacional.</i> S&atilde;o Paulo, 11 de setembro de 1928. Aqui remeto o leitor &agrave; carta de M&aacute;rio para Tarsila, aqui citada, em que ele prop&otilde;e &agrave; artista respeitar a tese cubista &ndash; "Equil&iacute;brio, Constru&ccedil;&atilde;o, Sobriedade" - sem se deixar levar pelo "abstrato". N&atilde;o esque&ccedil;amos que a produ&ccedil;&atilde;o de L&eacute;ger &ndash; o pintor franc&ecirc;s citado por M&aacute;rio, que representava chaves "chav&iacute;ssimas" e folhas "folh&iacute;ssimas" foi um dos par&acirc;metros de Tarsila durante seu est&aacute;gio em Paris.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. ANDRADE, M. Lasar Segall. <i>Correio Paulistano.</i> S&atilde;o Paulo, 29 de mar&ccedil;o de 1924.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. CHIARELLI, T. Segall realista. Cat&aacute;logo da exposi&ccedil;&atilde;o hom&ocirc;nima. S&atilde;o Paulo: Centro Cultural FIESP/ Galeria de Arte do Sesi, 29 de janeiro a 16 de mar&ccedil;o de 2008, p. 18.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. ANDRADE, M. Lasar Segall. <i>Correio Paulistano,</i> 1925. Em Miller E, et all. <i>Lasar Segall: antologia de textos nacionais sobre a obra e o artista.</i> Rio de Janeiro: Funarte/Instituto Nacional de Artes Pl&aacute;sticas, 1982, p. 24.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. ANDRADE, M. Tarsila. Texto para cat&aacute;logo de exposi&ccedil;&atilde;o, 1929 (texto escrito em 1927). Republicado em BATISTA, M. R. (e outros). <i>Brasil, primeiro tempo modernista &ndash; 1917-1926.</i> S&atilde;o Paulo: USP-IEB, 1972.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. ANDRADE, M. <i>Portinari amico mio.</i> Campinas: Mercado de Letras (Col. Arte: Ensaios e Documentos), 1995. Cartas de M&aacute;rio de Andrade endere&ccedil;adas a Candido Portinari e coligidas e comentadas por FABRIS, A.; CHIARELLI, T. <i>Pintura n&atilde;o &eacute; s&oacute; beleza. op. cit.</i> At&eacute; seu falecimento, M&aacute;rio de Andrade reconhecer&aacute; a import&acirc;ncia de Segall e Portinari, pendendo sempre para o segundo, pelas quest&otilde;es levantadas acima.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">14. FABRIS, A. <i>Portinari, pintor social.</i> S&atilde;o Paulo: Perspectiva/Edusp/Sec. Est. da Cultura, 1990, cap&iacute;tulo "O problema Portinari", p. 25-.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">15. ANDRADE, M. Candido Portinari. <i>Revista Acad&ecirc;mica.</i> Rio de Janeiro, 1940, n. 48.    </font></p>      ]]></body><back>
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