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<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20220038</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[200 anos de ciência e tecnologia no Brasil: atores e instituições, percalços e avanços. A ciência e tecnologia no país tem uma longa história de conquistas e insucessos, e também de lutas e desafios]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>200 anos de ci&ecirc;ncia e tecnologia no Brasil: atores e institui&ccedil;&otilde;es, percal&ccedil;os e avan&ccedil;os. A ci&ecirc;ncia e tecnologia no pa&iacute;s tem uma longa hist&oacute;ria de conquistas e insucessos, e tamb&eacute;m de lutas e desafios</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Ildeu de Castro Moreira</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Professor do Instituto de F&iacute;sica e do programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em hist&oacute;ria das ci&ecirc;ncias da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Recebeu o Pr&ecirc;mio Jos&eacute; Reis de Divulga&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica e Tecnol&oacute;gica do CNPq em 2013. &Eacute; presidente de honra da SBPC, membro do Conselho Superior da CAPES e editor desta edi&ccedil;&atilde;o da Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em 2022 completam-se 200 anos da declara&ccedil;&atilde;o de Independ&ecirc;ncia do Brasil em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Portugal. Em 2023, comemoram-se batalhas e eventos importantes ocorridos no Piau&iacute;, Bahia, Maranh&atilde;o, Cear&aacute;, Par&aacute; e em outros Estados para a garantia da Independ&ecirc;ncia e da unidade da nova na&ccedil;&atilde;o. Diversas institui&ccedil;&otilde;es e entidades da sociedade civil t&ecirc;m organizado atividades comemorativas e de reflex&atilde;o sobre estes importantes eventos hist&oacute;ricos, possibilitando que o estudo do passado e a an&aacute;lise do presente possam conduzir &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um pa&iacute;s melhor, menos desigual e mais avan&ccedil;ado social, ambiental, cient&iacute;fica, educacional e economicamente. A revista Ci&ecirc;ncia e Cultura dedica, em 2022, tr&ecirc;s de seus quatro n&uacute;meros a esse tema. Este terceiro n&uacute;mero da revista &eacute; voltado para a hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia e tecnologia no Brasil, neste per&iacute;odo bicenten&aacute;rio ainda muito limitado pelas diversas depend&ecirc;ncias da nova na&ccedil;&atilde;o. Nele, a ci&ecirc;ncia e tecnologia se desenvolveu em meio a muitas dificuldades e obst&aacute;culos, com um percurso tortuoso, por&eacute;m importante de ser lembrado e analisado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A ci&ecirc;ncia &eacute;, antes de tudo, uma constru&ccedil;&atilde;o coletiva, feita por pessoas, grupos de pesquisa e institui&ccedil;&otilde;es. Os atores da ci&ecirc;ncia s&atilde;o um elemento essencial na constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico. Assim tamb&eacute;m o s&atilde;o as institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas e universidades. Os ritmos, obst&aacute;culos e avan&ccedil;os da ci&ecirc;ncia respondem tamb&eacute;m a interesses sociais e econ&ocirc;micos e &agrave;s pol&iacute;ticas executadas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A&nbsp;hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia no Brasil&nbsp;come&ccedil;a de maneira mais efetiva, embora de forma ainda muito limitada, nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XIX, com a chegada da corte portuguesa. Desde o s&eacute;culo XVI aconteceram atividades relacionadas &agrave; ci&ecirc;ncia no Brasil, como viagens explorat&oacute;rias, descri&ccedil;&otilde;es sobre a natureza e sobre os povos ind&iacute;genas e observa&ccedil;&otilde;es astron&ocirc;micas. No entanto, tratava-se, em geral, de a&ccedil;&otilde;es isoladas e sem maior preocupa&ccedil;&atilde;o com a gera&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica de conhecimentos. No final do s&eacute;culo XVIII houve a tentativa de cria&ccedil;&atilde;o das primeiras academias ou sociedades ligadas &agrave; ci&ecirc;ncia, mas elas foram rapidamente coibidas (<a href="/img/revistas/cic/v74n3/a01-fig01.jpg">Figura 1</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A transfer&ecirc;ncia da corte para o Rio de Janeiro, em 1808, possibilitou a cria&ccedil;&atilde;o das primeiras institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas do pa&iacute;s, como o Jardim Bot&acirc;nico e o Museu Real, e o surgimento de escolas de forma&ccedil;&atilde;o superior como a Escola Polit&eacute;cnica do Rio de Janeiro. Esse foi apenas um dos pontos de partida da longa hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia no pa&iacute;s, marcada por conquistas e lutas, e tamb&eacute;m por muitas defici&ecirc;ncias, lacunas e trope&ccedil;os. Nesses 200 anos, a ci&ecirc;ncia brasileira se desenvolveu a avan&ccedil;ou significativamente, ocupando hoje a 13ª posi&ccedil;&atilde;o em publica&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas no mundo e alcan&ccedil;ando impactos importantes para a sociedade local, tanto na economia (como na agricultura e na explora&ccedil;&atilde;o mineral e do petr&oacute;leo), quanto na melhoria da qualidade de vida da popula&ccedil;&atilde;o (como na sa&uacute;de p&uacute;blica, apesar da aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas continuadas e consistentes e de recursos adequados). A cria&ccedil;&atilde;o das primeiras ag&ecirc;ncias de fomento, o crescimento da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o e a expans&atilde;o de universidades p&uacute;blicas e institui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas tiveram papel fundamental nesse processo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A ci&ecirc;ncia &eacute;, antes de tudo, uma constru&ccedil;&atilde;o coletiva, feita por pessoas, grupos de pesquisa e institui&ccedil;&otilde;es. Os atores da ci&ecirc;ncia s&atilde;o um elemento essencial na constru&ccedil;&atilde;o do conhecimento cient&iacute;fico."</b></styled-content></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nos &uacute;ltimos anos, os recursos para ci&ecirc;ncia v&ecirc;m sofrendo uma s&eacute;rie de cortes dr&aacute;sticos que comprometem seriamente o funcionamento do sistema nacional de CT&amp;I, al&eacute;m de frequentes posturas negacionistas de diversas autoridades governamentais e de amea&ccedil;as &agrave; liberdade de pesquisa. As entidades cient&iacute;ficas, em particular a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), v&ecirc;m se mobilizando continuamente para alertar &agrave;s autoridades, aos parlamentares e &agrave; sociedade em geral sobre os riscos desses cortes, que amea&ccedil;am a sobreviv&ecirc;ncia da ci&ecirc;ncia brasileira, comprometem a possibilidade de recupera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e geram evas&atilde;o de muitos jovens qualificados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A CT&amp;I &eacute; essencial para a recupera&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, imerso em grave crise, tanto econ&ocirc;mica quanto socialmente. Nesse momento tamb&eacute;m de crise mundial, em que vivemos s&eacute;rios problemas sanit&aacute;rios, ambientais, sociais, econ&ocirc;micos e de preserva&ccedil;&atilde;o da paz em escala planet&aacute;ria, valorizar a ci&ecirc;ncia e seu potencial para a humanidade se torna ainda mais importante. Por isso este n&uacute;mero da revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura dedica-se a comemorar, explorar e analisar os 200 anos da ci&ecirc;ncia e tecnologia no Brasil. Temos, sim, muito o que comemorar. Mas ainda h&aacute; muito a ser feito, como aprimorar a qualidade da pesquisa produzida, conect&aacute;-la mais com a inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica e a inova&ccedil;&atilde;o social, ampliar sua inser&ccedil;&atilde;o internacional, e fazer com que ela tenha um impacto bem mais relevante no desenvolvimento econ&ocirc;mico e social do Brasil (<a href="/img/revistas/cic/v74n3/a01-fig02.jpg">Figura 2</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Muitos atores e muitas institui&ccedil;&otilde;es fizeram e fazem a ci&ecirc;ncia, a tecnologia e a inova&ccedil;&atilde;o no Brasil. Pessoas de todos os matizes, regi&otilde;es, etnias e g&ecirc;neros, classes sociais e &aacute;reas do conhecimento. Essas faces superaram in&uacute;meras dificuldades, a aus&ecirc;ncia de est&iacute;mulo, a falta de recursos, persegui&ccedil;&otilde;es e restri&ccedil;&otilde;es diversas ao longo do tempo. Historicamente, essa diversidade esteve e ainda est&aacute; muito longe de ser equitativa. Restri&ccedil;&otilde;es de muitas ordens cercearam fortemente a participa&ccedil;&atilde;o de mulheres, negros, pobres e segmentos sociais diversos nas oportunidades e a&ccedil;&otilde;es na educa&ccedil;&atilde;o e na ci&ecirc;ncia e tecnologia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Neste n&uacute;mero, espalhado em tr&ecirc;s blocos ao longo de tr&ecirc;s meses, est&atilde;o artigos, reportagens, textos de opini&atilde;o, v&iacute;deos e <i>podcasts</i> que abordam temas importantes destes dois s&eacute;culos de presen&ccedil;a da ci&ecirc;ncia na <i>terra brasilis</i>. &Eacute; um conte&uacute;do rico, escorado nos trabalhos de diversos pesquisadores qualificados, mas que certamente cobre uma dimens&atilde;o ainda muito diminuta da vastid&atilde;o da hist&oacute;ria da ci&ecirc;ncia no Brasil e das contribui&ccedil;&otilde;es legadas por ela &agrave; sociedade e ao pa&iacute;s. Buscamos recuperar tamb&eacute;m as contribui&ccedil;&otilde;es, para a gera&ccedil;&atilde;o de conhecimentos, provenientes das popula&ccedil;&otilde;es origin&aacute;rias, dos colonizadores, dos escravizados, dos imigrantes, em suma, das pessoas que por aqui passaram e viveram nesses dois s&eacute;culos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A trajet&oacute;ria hist&oacute;rica do Brasil, como na&ccedil;&atilde;o independente, deve ser explorada, analisada e divulgada em todos os seus aspectos e para toda a popula&ccedil;&atilde;o, e com a participa&ccedil;&atilde;o dessa. O resgate das hist&oacute;rias espec&iacute;ficas, como esta da ci&ecirc;ncia e tecnologia, articuladas com a hist&oacute;ria social mais ampla, &eacute; fundamental para rememorar adequadamente esse processo de constru&ccedil;&atilde;o das hist&oacute;rias passadas, que moldam o presente, e para abrir perspectivas rumo &agrave;s variadas independ&ecirc;ncias necess&aacute;rias ao pa&iacute;s.</font></p>      ]]></body>

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