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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Intervenientes político-ideológicos na educação brasileira: análise das duas disciplinas mais controversas nos currículos escolares entre duas celebrações (1922/2022)]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Política Educacional]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Intervenientes pol&iacute;tico-ideol&oacute;gicos na educa&ccedil;&atilde;o brasileira: an&aacute;lise das duas disciplinas mais controversas nos curr&iacute;culos escolares entre duas celebra&ccedil;&otilde;es (1922/2022)</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Luiz Ant&ocirc;nio Cunha</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Soci&oacute;logo, professor em&eacute;rito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem experi&ecirc;ncia nos seguintes temas: pol&iacute;tica educacional, hist&oacute;ria da educa&ccedil;&atilde;o brasileira, ensino superior, ensino t&eacute;cnico, laicidade do Estado e da educa&ccedil;&atilde;o</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O objetivo deste texto &eacute; apontar a exist&ecirc;ncia de fatores intervenientes no ensino das Ci&ecirc;ncias da Natureza e da Vida, assim como das Humanas e Sociais, presentes tanto no primeiro como no segundo centen&aacute;rio da Independ&ecirc;ncia. Esses fatores compreendem a socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica que potencializam a falta de professores qualificados, de laborat&oacute;rios e de bibliotecas, al&eacute;m de uma did&aacute;tica inadequada &mdash; tais car&ecirc;ncias n&atilde;o foram nem s&atilde;o respons&aacute;veis &uacute;nicas pelo insuficiente ou err&ocirc;neo aprendizado nas disciplinas cient&iacute;ficas. Em termos propriamente curriculares, o texto focaliza as disciplinas Ensino Religioso e Educa&ccedil;&atilde;o Moral e C&iacute;vica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Pol&iacute;tica Educacional; Socializa&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica; Ensino Religioso; Educa&ccedil;&atilde;o Moral e C&iacute;vica; Escola P&uacute;blica.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O objetivo deste texto n&atilde;o &eacute; comparar as mazelas da educa&ccedil;&atilde;o brasileira entre 1920 e 2022. Meu intuito &eacute; apontar a exist&ecirc;ncia de fatores intervenientes, em ambas as ocasi&otilde;es, no ensino das Ci&ecirc;ncias da Natureza e da Vida, assim como das Humanas e Sociais. Esses fatores compreendem a socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e ideol&oacute;gica, que potencializam a falta de professores qualificados, de laborat&oacute;rios e de bibliotecas, al&eacute;m de uma did&aacute;tica inadequada &mdash; tais car&ecirc;ncias n&atilde;o foram nem s&atilde;o respons&aacute;veis &uacute;nicas pelo insuficiente ou err&ocirc;neo aprendizado nas disciplinas cient&iacute;ficas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os processos espont&acirc;neos e induzidos pelos quais se desenvolve a socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, isto &eacute;, a interioriza&ccedil;&atilde;o de normas, valores e atitudes relativos &agrave; percep&ccedil;&atilde;o do campo pol&iacute;tico e ao comportamento nele &#91;1&#93;, constituem um dos elementos menos estudados da Sociologia da Educa&ccedil;&atilde;o no Brasil. Ela se desenvolve mediante processos espont&acirc;neos e induzidos durante a inf&acirc;ncia (escola e fam&iacute;lia ora convergem, ora divergem) e prosseguem ao longo de toda a vida (pela a&ccedil;&atilde;o de meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, redes sociais, institui&ccedil;&otilde;es religiosas, partidos, movimentos sociais, etc.). Essas quest&otilde;es n&atilde;o ser&atilde;o tratadas aqui, malgrado sua relev&acirc;ncia &#91;i&#93;. Minha aten&ccedil;&atilde;o est&aacute; voltada para os projetos induzidos de socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica integrantes de pol&iacute;ticas educacionais, intimamente associados &agrave; socializa&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica de car&aacute;ter religioso.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Vou apresentar, primeiramente, as duas disciplinas mais antigas nos curr&iacute;culos escolares, visando &agrave; socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica: o Ensino Religioso (ER) nas escolas p&uacute;blicas e a Educa&ccedil;&atilde;o Moral e C&iacute;vica (EMC), esta tamb&eacute;m nas privadas. Em seguida, os intervenientes mais recentes, com o mesmo prop&oacute;sito: o movimento Escola sem Partido, o F&oacute;rum Nacional Permanente do Ensino Religioso e o Programa de Escolas C&iacute;vico-Militares.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Disciplinas em sintonia oscilante</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No que diz respeito &agrave; socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica prevista nos curr&iacute;culos escolares, prevaleceu na Primeira Rep&uacute;blica a posi&ccedil;&atilde;o de liberais, ma&ccedil;ons e positivistas. A disciplina Moral, com ou sem o complemento Civismo, n&atilde;o deveria ter conota&ccedil;&atilde;o religiosa, apesar de sua presen&ccedil;a em livros de leitura, como no famoso "Porque me ufano do meu pa&iacute;s", de Affonso Celso (conde do Vaticano), publicado em 1901 e reimpresso anos a fio. A religi&atilde;o somente poderia constar legalmente dos curr&iacute;culos das escolas privadas, n&atilde;o das escolas p&uacute;blicas, por determina&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o de 1891: "Ser&aacute; leigo (isto &eacute;, laico, LAC) o ensino nos estabelecimentos p&uacute;blicos" (art. 72, &sect; 6&ordm;). Mas a press&atilde;o confessionalista crescia, na medida mesma da crise pol&iacute;tica. Alguns munic&iacute;pios e estados permitiam e at&eacute; encarregavam os professores ou agentes religiosos de ministrarem o ER nas escolas p&uacute;blicas, ao arrepio da Constitui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em 1922, ocorreu mais do que a celebra&ccedil;&atilde;o do primeiro centen&aacute;rio da Independ&ecirc;ncia do Brasil, pois foi quando se deu o in&iacute;cio do fim do padr&atilde;o pol&iacute;tico estabelecido pelas oligarquias na <i>pol&iacute;tica dos governadores</i>, com a eclos&atilde;o de uma grave crise institucional motivadora do primeiro levante de oficiais do Ex&eacute;rcito, da s&eacute;rie conhecida por <i>tenentismo</i>. Sem o mesmo efeito pol&iacute;tico imediato, esse ano viu nascer o Partido Comunista, a Semana de Arte Moderna e o lan&ccedil;amento da pedra fundamental da est&aacute;tua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, sinal ostensivo do advento do regime de <i>neocristandade</i> &#91;2&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No intuito de superar a crise de hegemonia, acelerada pelo movimento <i>tenentista</i>, o presidente da Rep&uacute;blica Arthur Bernardes n&atilde;o conseguiu inserir o ER nos curr&iacute;culos escolares, contentando-se com a EMC como disciplina compensat&oacute;ria no curr&iacute;culo do ensino secund&aacute;rio p&uacute;blico e privado, mas n&atilde;o no prim&aacute;rio, de compet&ecirc;ncia de estados e munic&iacute;pios. O artif&iacute;cio que a reforma Jo&atilde;o Luiz Alves-Rocha Vaz (Decreto n&ordm; 16.782-A/1925) usou foi a imposi&ccedil;&atilde;o indireta, incluindo seu programa no exame de admiss&atilde;o ao ensino secund&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nenhum dos grupos pol&iacute;ticos vencedores da <i>revolu&ccedil;&atilde;o</i> de 1930 logrou hegemonia sobre as for&ccedil;as heterog&ecirc;neas que a desfecharam. O espa&ccedil;o pol&iacute;tico da&iacute; resultante foi ocupado pela Igreja Cat&oacute;lica, atra&iacute;da para o esquema de sustenta&ccedil;&atilde;o do Governo Provis&oacute;rio pelo Decreto n&ordm; 19.941/1931, que permitiu o oferecimento do ER em regime facultativo para os alunos dos estabelecimentos p&uacute;blicos de ensino prim&aacute;rio, secund&aacute;rio, profissional e normal em todo o pa&iacute;s. A EMC prevista na reforma de 1925 foi suprimida dos curr&iacute;culos com a justificativa de que os valores que se pretendia transmitir j&aacute; estavam contemplados pela religi&atilde;o. A vit&oacute;ria pol&iacute;tica alcan&ccedil;ada pela Igreja Cat&oacute;lica com a promulga&ccedil;&atilde;o desse decreto foi ampliada na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1934.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Da EMC substituindo o ER e deste no lugar daquela, passou-se, no Estado Novo (1937-1945), &agrave; a&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca entre ambas as disciplinas, com n&iacute;tida inspira&ccedil;&atilde;o no fascismo italiano. A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1937 determinou a obrigatoriedade do ensino c&iacute;vico em todas as escolas prim&aacute;rias, normais e secund&aacute;rias, p&uacute;blicas e privadas. O ER foi mantido nas escolas p&uacute;blicas, mas com uma cl&aacute;usula de dispensa mais clara do que em qualquer outro texto legal, antes e depois: essa disciplina n&atilde;o poderia constituir objeto de obriga&ccedil;&atilde;o dos professores, nem de frequ&ecirc;ncia compuls&oacute;ria por parte dos alunos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Logo depois da deposi&ccedil;&atilde;o de Vargas em outubro de 1945 &ndash; e com ele o fim do Estado Novo &ndash;, o presidente provis&oacute;rio Jos&eacute; Linhares promoveu mudan&ccedil;as na legisla&ccedil;&atilde;o do ensino secund&aacute;rio, suprimindo os elementos mais ostensivamente inspirados no fascismo, como a EMC. Enquanto isso, a Assembleia Constituinte desenvolveu seus trabalhos, nos quais a Igreja Cat&oacute;lica usufruiu de plena hegemonia no tocante a suas demandas hist&oacute;ricas, de modo que a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1946 teve um artigo contemplando o ER, como na de 1934.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A ditadura iniciada em 1964 recuperou a paridade ER &lt;=&gt; EMC. A junta militar que assumiu o poder logo ap&oacute;s o Ato Institucional n&ordm; 5 baixou o Decreto-lei n&ordm; 869/1969, determinando a inser&ccedil;&atilde;o da EMC nos curr&iacute;culos de todos os n&iacute;veis e modalidades de ensino do pa&iacute;s, tanto no setor p&uacute;blico quanto no privado. No ensino superior, essa disciplina seria ministrada como Estudos de Problemas Brasileiros-EPB (<a href="/img/revistas/cic/v74n3/a04-fig01.jpg">Figura 1</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Apoiando-se nas tradi&ccedil;&otilde;es nacionais, a EMC teria por finalidade a defesa do princ&iacute;pio democr&aacute;tico (dissimulando-se a ditadura), atrav&eacute;s da <i>preserva&ccedil;&atilde;o do esp&iacute;rito religioso</i>, da dignidade da pessoa humana e do amor &agrave; liberdade com responsabilidade, <i>sob a inspira&ccedil;&atilde;o de Deus</i>; a preserva&ccedil;&atilde;o, o fortalecimento e a proje&ccedil;&atilde;o dos valores espirituais e &eacute;ticos da nacionalidade; o  aprimoramento do car&aacute;ter com apoio na moral, na dedica&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia e &agrave; comunidade; o culto &agrave;  P&aacute;tria, aos seus s&iacute;mbolos, tradi&ccedil;&otilde;es, institui&ccedil;&otilde;es e aos grandes vultos de sua hist&oacute;ria; etc. Era a simbiose entre o Catolicismo conservador e a doutrina da Seguran&ccedil;a Nacional elaborada pela Escola Superior de Guerra.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A luta pela democracia levou a EMC a uma lenta agonia. O processo longo, tortuoso e contradit&oacute;rio da transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, desde o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1980, permitiu-lhe uma surpreendente sobrevida. Apesar do projeto visando ao fim de sua obrigatoriedade ter sido apresentado ainda no governo Sarney, a lei n&ordm; 8.663 s&oacute; foi sancionada por Itamar Franco em 1993.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Um fator incidente sobre o ER foi a grande mudan&ccedil;a do campo religioso: desde a d&eacute;cada de 1960, o n&uacute;mero de adeptos de Igrejas Evang&eacute;licas pentecostais cresceu exponencialmente, em detrimento da Igreja Cat&oacute;lica, o que a levou a rea&ccedil;&otilde;es de ordens diversas. Uma delas foi propor uma concordata entre o Vaticano e o Estado brasileiro, o que n&atilde;o existiu nem mesmo quando o Catolicismo era a religi&atilde;o oficial do Imp&eacute;rio. Esse acordo foi firmado em maio de 2007, aprovado pelo Congresso Nacional e homologado pelo Presidente Lula pelo decreto n&ordm; 7.107/2010.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O artigo 11 da concordata diz que o ER <i>cat&oacute;lico e de outras confiss&otilde;es religiosas</i>, de matr&iacute;cula facultativa, constitui disciplina dos hor&aacute;rios normais das escolas p&uacute;blicas brasileiras de ensino fundamental. Estava institucionalizado o conflito no campo religioso, dentro e fora do segmento cat&oacute;lico. Acionado pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico a respeito da constitucionalidade de tal artigo da concordata, o Supremo Tribunal Federal decidiu a favor dos termos desse acordo, ou seja, que &eacute; l&iacute;cito (mas n&atilde;o obrigat&oacute;rio) que o ER seja ministrado na modalidade confessional, sem rejeitar a inter/supra/n&atilde;o-confessional.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b><styled-content style="color:#890e10">"O movimento Escola sem Partido nasceu em 2004 da iniciativa pessoal de procurador da Justi&ccedil;a Estadual paulista. A motiva&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita era impedir a doutrina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica esquerdista que alunos de escolas p&uacute;blicas e privadas estariam presumidamente sofrendo da parte de docentes."</styled-content></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os dados do pr&oacute;prio MEC s&atilde;o eloquentes quanto &agrave; obrigatoriedade <i>de fato</i> do ER nas escolas p&uacute;blicas, apesar da disciplina ser facultativa <i>de direito</i>. Os question&aacute;rios da Prova Brasil, respondidos pelos diretores de todo o pa&iacute;s, mostram que cerca de 70% das escolas p&uacute;blicas de ensino fundamental ministram aulas dessa disciplina. Dentre as que o fazem, 54% confessam exigir presen&ccedil;a obrigat&oacute;ria; e 75% n&atilde;o oferecem atividades para os alunos que n&atilde;o queiram assistir a essas aulas. Se os professores cat&oacute;licos, monitorados pelos comit&ecirc;s eclesi&aacute;sticos, assumem o vi&eacute;s mission&aacute;rio conservador que povoa o imagin&aacute;rio da categoria para impor aos alunos pr&aacute;ticas religiosas, seus competidores evang&eacute;licos, que beberam na mesma fonte, procedem de modo similar. Assim, a presen&ccedil;a de pr&aacute;ticas religiosas crist&atilde;s no interior das escolas p&uacute;blicas passa (ou continua) a ser vista como algo <i>natural</i> &#91;3&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10">"Nas elei&ccedil;&otilde;es de 2018, v&aacute;rios candidatos a governador lan&ccedil;aram m&atilde;o da militariza&ccedil;&atilde;o das escolas p&uacute;blicas como apelo de campanha."</styled-content></font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Vemos, assim, que no per&iacute;odo republicano as rela&ccedil;&otilde;es entre o ER e a EMC estavam em sintonia, embora oscilante. A EMC foi normatizada em 1925 e suprimida em 1931 em proveito do ER, que n&atilde;o saiu mais das determina&ccedil;&otilde;es legais, inclusive constitucionais, dos curr&iacute;culos escolares &mdash; primeiro do ensino prim&aacute;rio, depois do 1&ordm; grau/fundamental. A EMC foi recuperada pelo Estado Novo para cair junto com esse regime pol&iacute;tico. Novamente recuperada pela ditadura militar e de novo relegada, ela voltou a ser cogitada por v&aacute;rios projetos de lei em tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional. Entre 1996 e 2006, foram apresentados 13 projetos de lei por deputados ou senadores, e mais sete at&eacute; 2019 &#91;4&#93;. Eles t&ecirc;m como denominador comum uma perspectiva conservadora da moral e um vi&eacute;s autorit&aacute;rio da pol&iacute;tica, mas as diferen&ccedil;as s&atilde;o tantas que at&eacute; agora n&atilde;o se construiu um consenso em torno de uma formula&ccedil;&atilde;o unificada.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Novos intervenientes em dessintonia conflitante</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As mudan&ccedil;as no campo religioso e no campo pol&iacute;tico propiciaram novas interveni&ecirc;ncias no campo educacional, estabelecendo uma complexa dessintonia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O movimento Escola sem Partido nasceu em 2004 da iniciativa pessoal de procurador da Justi&ccedil;a Estadual paulista. Dez anos depois, o movimento ensejou a apresenta&ccedil;&atilde;o de projetos de lei na C&acirc;mara dos Deputados, no Senado, em assembleias legislativas estaduais e em c&acirc;maras municipais. A motiva&ccedil;&atilde;o expl&iacute;cita era impedir a doutrina&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica esquerdista que alunos de escolas p&uacute;blicas e privadas estariam presumidamente sofrendo da parte de docentes. Para reverter essa situa&ccedil;&atilde;o e punir os culpados, defendia-se que as escolas deveriam se submeter aos valores das fam&iacute;lias (de cada fam&iacute;lia), segundo o princ&iacute;pio "meus filhos, minhas regras" (<a href="/img/revistas/cic/v74n3/a04-fig02.jpg">Figura 2</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A primeira lei aprovada com base no movimento Escola sem Partido foi em 2015 no Estado de Alagoas, com o nome eufem&iacute;stico de Escola Livre. Dois anos depois, a lei foi suspensa em car&aacute;ter liminar pelo STF, onde aguarda aprecia&ccedil;&atilde;o pelo plen&aacute;rio. Com base nessa decis&atilde;o, leis municipais com o mesmo teor t&ecirc;m tido o mesmo destino. Em 2018, o movimento entrou em decl&iacute;nio, embora os projetos de lei nela inspirados prossigam tramitando. O decl&iacute;nio se deveu tanto &agrave; resist&ecirc;ncia nos campos pol&iacute;tico e educacional quanto &agrave;s contradi&ccedil;&otilde;es no &acirc;mbito dos seus apoiadores situados &agrave; direita do espectro pol&iacute;tico. Se a <i>pauta moral</i> unia segmentos religiosos (cat&oacute;licos e evang&eacute;licos) e n&atilde;o religiosos, a C&acirc;mara desarquivou um projeto de lei apresentado em 2005 pelo influente pastor da Assembleia de Deus, deputado Hidekazu Takayama (PMDB-PR). Ele pretendia acrescentar ao C&oacute;digo Penal mais uma exclus&atilde;o aos crimes tipificados como inj&uacute;ria ou difama&ccedil;&atilde;o: a opini&atilde;o de professor ou ministro religioso no exerc&iacute;cio do magist&eacute;rio. Era o oposto do que se pretendia numa escola sem partido, pois esse projeto de lei queria garantir a liberdade do professor proselitista para externar opini&otilde;es homof&oacute;bicas e em "defesa da vida", al&eacute;m de ministrar ensinamentos anticient&iacute;ficos, como o criacionismo. Enquanto isso, a unanimidade conservadora luta pela aprova&ccedil;&atilde;o de projeto de lei permitindo a educa&ccedil;&atilde;o domiciliar.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Passemos ao Ensino Religioso. A elabora&ccedil;&atilde;o do Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (Lei n&ordm; 13.005/2014), acelerou a gesta&ccedil;&atilde;o da Base Nacional Comum Curricular-BNCC para a educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. No que se refere ao ensino fundamental, o aparelhamento religioso levou a que o ER, apesar de ser disciplina facultativa, fosse inclu&iacute;do na Base e seu desenho entregue ao FONAPER, organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental do segmento cat&oacute;lico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Na BNCC, o ER pretendeu ser uma esp&eacute;cie de EMC interconfessional, evocando em seu proveito a qualifica&ccedil;&atilde;o daquela disciplina na Lei n&ordm; 9.475/1997, que introduziu na segunda LDB a presun&ccedil;&atilde;o do ER ser "<i>parte integrante da forma&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica do cidad&atilde;o</i>". Partiu, ent&atilde;o, para apresentar a religi&atilde;o &mdash;  todas as religi&otilde;es &mdash; como fundamento para as compet&ecirc;ncias espec&iacute;ficas que se pretendia promover no ensino fundamental. A pretens&atilde;o chegou ao ponto de situar o ER como integrado &agrave;s Ci&ecirc;ncias Humanas, absurdo prontamente objetado no campo educacional, o que fez com que a segunda vers&atilde;o da BNCC criasse uma &aacute;rea de estudo para abrig&aacute;-la como disciplina <i>sui generis</i>. Uma vers&atilde;o resumida da Base apresentada ao Conselho Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o foi aprovada, mas toda a explana&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica justificadora da centralidade do ER no curr&iacute;culo do ensino fundamental permaneceu anexada (portanto endossada) &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o CNE/CP n&ordm; 2/2017.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Na pr&aacute;tica, o ER encontra-se configurado por pelo menos duas polaridades. Num plano, ele se situa entre a Igreja Cat&oacute;lica, que reivindica essa disciplina como oferta obrigat&oacute;ria nas escolas p&uacute;blicas, admitindo seu car&aacute;ter facultativo para o aluno; e as Igrejas Evang&eacute;licas, parte delas contr&aacute;rias &agrave; sua exist&ecirc;ncia. Noutro plano, a polaridade se define entre o setor oficial da Igreja Cat&oacute;lica, que defende o ER necessariamente confessional (uma sala de aula e um professor para cada credo), e setores dissidentes, aliados a adeptos de outros credos, temerosos da hegemonia vaticana, defensores de um ER n&atilde;o-confessional &mdash; um presumido denominador comum a todas as religi&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nas elei&ccedil;&otilde;es de 2018, v&aacute;rios candidatos a governador lan&ccedil;aram m&atilde;o da militariza&ccedil;&atilde;o das escolas p&uacute;blicas como apelo de campanha, inclusive o candidato a presidente da Rep&uacute;blica Jair Bolsonaro. Em setembro de 2019, foi lan&ccedil;ado o Programa Nacional das Escolas C&iacute;vico-Militares, institu&iacute;do pelo Decreto n&ordm; 10.004, com a meta de 216 estabelecimentos at&eacute; 2023, ao ritmo de 54 por ano. As unidades da Federa&ccedil;&atilde;o e os munic&iacute;pios que aderissem ao programa indicariam as escolas das respectivas redes para reproduzirem tal modelo no segundo segmento do ensino fundamental e/ou no ensino m&eacute;dio. Elas adotariam os modelos de gest&atilde;o dos col&eacute;gios militares do Ex&eacute;rcito, das Pol&iacute;cias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares. O MEC destinaria recursos financeiros ao pagamento de gratifica&ccedil;&otilde;es a militares inativos para atuarem nas &aacute;reas de gest&atilde;o educacional, did&aacute;tico-pedag&oacute;gica e administrativa (<a href="/img/revistas/cic/v74n3/a04-fig03.jpg">Figura 3</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica foi genericamente apresentada no decreto de cria&ccedil;&atilde;o do programa em quest&atilde;o (comportamentos, valores e atitudes, com vistas ao desenvolvimento pleno do aluno e ao seu preparo para o exerc&iacute;cio da cidadania), mas foi especificada pelo pr&oacute;prio presidente Bolsonaro no momento mesmo do lan&ccedil;amento do programa: "<i>Tem que botar na cabe&ccedil;a dessa garotada a import&acirc;ncia dos valores c&iacute;vicos-militares, como t&iacute;nhamos h&aacute; pouco no governo militar, sobre Educa&ccedil;&atilde;o Moral e C&iacute;vica, sobre respeito &agrave; bandeira</i>" &#91;5&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10">"Os efeitos das pol&iacute;ticas e dos movimentos de press&atilde;o pela socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica de vi&eacute;s conservador j&aacute; se fizeram sentir no Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o 2014-2024 quanto a temas que permeariam todo o curr&iacute;culo da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, particularmente g&ecirc;nero e orienta&ccedil;&atilde;o sexual."</styled-content></font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os novos intervenientes no campo educacional primam pela dessintonia. A atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das Igrejas Crist&atilde;s apresenta converg&ecirc;ncias e diverg&ecirc;ncias ideol&oacute;gicas relevantes. Elas convergem no combate ao que entendem ser a <i>ideologia de g&ecirc;nero</i> nas escolas p&uacute;blicas e privadas, mas divergem no apoio ao movimento Escola sem Partido &mdash; as Igrejas Evang&eacute;licas Pentecostais o apoiam, enquanto a Igreja Cat&oacute;lica desconfia dele. Passando &agrave; EMC, vemos que ela &eacute; objeto de propostas bem diferentes. Umas defendem a especializa&ccedil;&atilde;o disciplinar, vers&atilde;o ora mais, ora menos branda da que foi definida pela junta militar em 1969; outras a desejam transversal, permeando todas as disciplinas do curr&iacute;culo (<a href="/img/revistas/cic/v74n3/a04-fig04.jpg">Figura 4</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A mais radical dissintonia encontra-se nas Escolas C&iacute;vico-Militares. Ao contr&aacute;rio da EMC via especializa&ccedil;&atilde;o disciplinar ou transversalidade curricular, trata-se, agora, da segmenta&ccedil;&atilde;o escolar: a adapta&ccedil;&atilde;o de escolas estaduais e municipais &agrave; gest&atilde;o e &agrave; pedagogia militar, mediante conv&ecirc;nios com os Minist&eacute;rios da Educa&ccedil;&atilde;o e da Defesa. Abre-se, ent&atilde;o, mais um feixe de dessintonias, a saber: minist&eacute;rios com finalidades diferentes; controle federal <i>versus</i> controle estadual e/ou municipal, inclusive escanteamento dos Conselhos Nacional, Estaduais e Municipais de Educa&ccedil;&atilde;o; pedagogia tendente ao di&aacute;logo e &agrave; gest&atilde;o democr&aacute;tica (ali&aacute;s determinada na LDB) <i>versus</i> pedagogia baseada na hierarquia, no comando e na obedi&ecirc;ncia; pessoal docente civil estadual e municipal <i>versus</i> pessoal dirigente militar federal e/ou estadual. Resumindo: ao inv&eacute;s do pensamento cr&iacute;tico, a pedagogia da ordem unida enfatiza a forma&ccedil;&atilde;o para cumprir determina&ccedil;&otilde;es superiores sem questionamento &#91;6&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">N&atilde;o &eacute; de hoje que os docentes da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica se deparam com disposi&ccedil;&otilde;es perturbadoras do ensino, da parte dos alunos e suas fam&iacute;lias, principalmente em disciplinas como Geografia, Hist&oacute;ria e Ci&ecirc;ncias, no ensino fundamental; e Biologia, no ensino m&eacute;dio &#91;7,8&#93;. Por exemplo, o criacionismo cultivado pelas vertentes fundamentalistas dos credos crist&atilde;os rejeita o conhecimento gerado pelas pesquisas cient&iacute;ficas sobre a forma&ccedil;&atilde;o do planeta Terra e a evolu&ccedil;&atilde;o dos seres vivos pela sele&ccedil;&atilde;o natural. O confessionalismo impede compreender a catequiza&ccedil;&atilde;o dos ind&iacute;genas no per&iacute;odo colonial e at&eacute; os dias atuais como um misto de genoc&iacute;dio e etnoc&iacute;dio. A imputa&ccedil;&atilde;o ao Ex&eacute;rcito Brasileiro de um presumido poder moderador dos conflitos pol&iacute;ticos criados pelos civis (e n&atilde;o resolvidos por eles), ao longo de nossa hist&oacute;ria, impede o tratamento de quest&otilde;es importantes como os bin&ocirc;mios ditadura-democracia e legalidade-legitimidade &#91;9&#93;. Todos esses problemas foram agravados pela socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica extraescolar dos alunos na guerra cultural desfechada h&aacute; alguns anos e promovida pelo pr&oacute;prio presidente Bolsonaro, sob a dire&ccedil;&atilde;o intelectual de Olavo de Carvalho, implicando a nega&ccedil;&atilde;o da realidade e o desprezo das ci&ecirc;ncias &#91;10&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os efeitos das pol&iacute;ticas e dos movimentos de press&atilde;o pela socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica de vi&eacute;s conservador j&aacute; se fizeram sentir no Plano Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o 2014-2024 quanto a temas que permeariam todo o curr&iacute;culo da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, particularmente g&ecirc;nero e orienta&ccedil;&atilde;o sexual. Estes n&atilde;o foram aceitos pelos segmentos mais conservadores, e o Senado os diluiu na mais geral "promo&ccedil;&atilde;o da cidadania e erradica&ccedil;&atilde;o de todas as formas de discrimina&ccedil;&atilde;o". Imediatamente ap&oacute;s, as bancadas conservadoras das assembleias legislativas e das c&acirc;maras de vereadores se sentiram apoiadas para replicar os procedimentos de suas hom&oacute;logas federais. J&aacute; n&atilde;o eram apenas as bancadas evang&eacute;licas atuando a descoberto na luta pela pauta moral, mas toda uma frente conservadora, sem medo de ostentar esse adjetivo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A sustenta&ccedil;&atilde;o dessas posi&ccedil;&otilde;es tomou forma no Programa Nacional do Livro e do Material Did&aacute;tico (PNLD), provedor essencial das escolas p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica, respons&aacute;vel pela compra cerca de 200 milh&otilde;es de exemplares, no valor da ordem de bilh&atilde;o de reais. S&atilde;o livros publicados por editoras privadas, escolhidos pelos professores em listas aprovadas pelo Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o. O MEC publica os crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o com alguns anos de anteced&ecirc;ncia, de modo que as editoras tenham tempo de adaptar as obras. Contrariando experi&ecirc;ncia bem-sucedida, a composi&ccedil;&atilde;o das comiss&otilde;es avaliadoras foi alterada durante o governo Temer, substituindo-se os docentes de universidades p&uacute;blicas por pessoas nomeadas pelo ministro. E o edital para 2023 foi alterado, suprimida a proibi&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos racistas ou de inferioriza&ccedil;&atilde;o da mulher e de preconceitos regionais, substitu&iacute;da por express&otilde;es gen&eacute;ricas. Os editores entenderam o recado. Al&eacute;m da dissimula&ccedil;&atilde;o de termos como <i>ditadura</i> militar por <i>movimento</i> ou <i>regime</i> militar, preocupam-se com a elimina&ccedil;&atilde;o de refer&ecirc;ncias a sexo e g&ecirc;nero, temas tabus para as vertentes conservadoras.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em 1922, a educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi enaltecida na celebra&ccedil;&atilde;o do primeiro centen&aacute;rio da Independ&ecirc;ncia. O grande n&uacute;mero de analfabetos impedia o <i>ufanismo.</i> Al&eacute;m da dimens&atilde;o quantitativa, a qualitativa se definia pela aus&ecirc;ncia da fun&ccedil;&atilde;o legitimadora da ordem pol&iacute;tica desafiada de dentro do pr&oacute;prio Estado pelo movimento <i>tenentista</i>. Em 2022, a dimens&atilde;o quantitativa segue marcada pelas car&ecirc;ncias, apesar do avan&ccedil;o no acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica. Todavia, a socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-ideol&oacute;gica de car&aacute;ter conservador e at&eacute; reacion&aacute;rio assume um lugar in&eacute;dito, induzida por institui&ccedil;&otilde;es, grupos e movimentos que tiram proveito de seu poder no Estado. Antes da assun&ccedil;&atilde;o de Temer &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica o fen&ocirc;meno j&aacute; se fazia presente, mas um verdadeiro retrocesso ocorreu no seu governo e no de Bolsonaro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A despeito de tudo o que foi dito, este texto termina com uma palavra de otimismo com base em fatos. No segundo centen&aacute;rio da Independ&ecirc;ncia, o campo educacional atingiu um grau in&eacute;dito de profissionaliza&ccedil;&atilde;o, com algumas dezenas de universidades dignas desse status, desenvolvendo pesquisa e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, particularmente a voltada para o ensino nas disciplinas Matem&aacute;tica, F&iacute;sica, Qu&iacute;mica, Biologia, Hist&oacute;ria e Sociologia, tanto em programas acad&ecirc;micos quanto profissionais. Experi&ecirc;ncias exitosas t&ecirc;m sido desenvolvidas no sentido de se fazer da escola p&uacute;blica um instrumento propiciador do acesso das classes populares &agrave; ci&ecirc;ncia, &agrave; cultura e &agrave; tecnologia. A cria&ccedil;&atilde;o do Sistema Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o caminha, embora a passos lentos. Previsto na emenda constitucional n&ordm; 59/2009, ele pode vir a ser efetivado a partir de projeto de lei complementar aprovado no Senado em mar&ccedil;o de 2022, que segue em tramita&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara dos Deputados.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Deixei para o fim, mas n&atilde;o em &uacute;ltimo lugar, o desenvolvimento de uma consci&ecirc;ncia da laicidade do Estado, algo inexistente por ocasi&atilde;o do primeiro centen&aacute;rio: at&eacute; aquela data, nenhum livro havia sido publicado no pa&iacute;s sobre essa quest&atilde;o. Hoje s&atilde;o dezenas de t&iacute;tulos, al&eacute;m de artigos em revistas das Ci&ecirc;ncias Humanas e Sociais. Mesmo carecendo de maioria, defensores do Estado laico s&atilde;o encontrados no Poder Judici&aacute;rio, no Minist&eacute;rio P&uacute;blico, no Poder Legislativo federal, estadual e municipal, nos movimentos sociais e sindicais, nas universidades, assim como em institui&ccedil;&otilde;es promotoras da ci&ecirc;ncia e da cultura. Por isso, creio que estamos equipados para superar essa m&aacute; fase em que se encontra a educa&ccedil;&atilde;o brasileira e inaugurar outra, em que haver&aacute; motivos para celebrar novas e promissoras independ&ecirc;ncias.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&#91;i&#93; Para estudos emp&iacute;ricos no Brasil, remeto ao dossi&ecirc; sobre esse tema organizado por Kimi et al. (2016) &#91;11&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">1. LAGROYE, J.; FRAN&Ccedil;OIS, B.; SAWICKI, F. <i>Sociologie politique.</i> Paris: Presses de Sciences Po-Dalloz, 2006.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">2. BRUNEAU, T. C. <i>O catolicismo brasileiro em &eacute;poca de transi&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Edi&ccedil;&otilde;es Loyola, 1974.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">3. D&rsquo;AVILA-LEVY, C. M.; CUNHA, L. A. (orgs.). <i>Embates em torno do Estado laico</i> &#91;livro eletr&ocirc;nico&#93;. S&atilde;o Paulo: SBPC, 2018.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">4. AMARAL, D. P.; CASTRO, M. M. A Educa&ccedil;&atilde;o Moral e C&iacute;vica: a retomada da obrigatoriedade pela agenda conservadora. <i>Cadernos de Pesquisa</i>, v. 50, n. 178, out. 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">5. BRASIL. Ag&ecirc;ncia Brasil. <i>Governo lan&ccedil;a Programa das Escolas C&iacute;vico-Militares</i> &#91;online&#93;. Bras&iacute;lia: Ag&ecirc;ncia Brasil, set. 2019, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2019-09/governo-lanca-programa-para-escolas-civico-militares" target="_blank">https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2019-09/governo-lanca-programa-para-escolas-civico-militares</a>. Acesso em: 23 mai. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">6. CUNHA, L. A. Religi&atilde;o, moral e civismo em curso: a marcha da socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. <i>Retratos da Escola</i>, Bras&iacute;lia, v. 13, n. 27, set./dez. 2019.    </font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">7. DORVILL&Eacute;, L. F. M.; SELLES, S. E. Ensino de evolu&ccedil;&atilde;o e criacionismo na educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica: ressignifica&ccedil;&atilde;o de um debate em tempos sombrios. <i>In:</i> D&rsquo;AVILA-LEVY, C. M.; CUNHA, L. A. (orgs.). <i>Embates em torno do Estado laico</i> &#91;livro eletr&ocirc;nico&#93;. S&atilde;o Paulo: SBPC, 2018, 292 pp.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">8. FALC&Atilde;O, E. B. M. Laicidade e Ensino de Ci&ecirc;ncias: reflex&otilde;es sobre o estudo dos fen&ocirc;menos da vida no Ensino M&eacute;dio. <i>In:</i> D&rsquo;AVILA-LEVY, C. M.; CUNHA, L. A. (orgs.). <i>Embates em torno do Estado laico</i> &#91;livro eletr&ocirc;nico&#93;. S&atilde;o Paulo: SBPC, 2018, p. 163-182.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">9. GASPAROTTO, A.; BAUER, C. S. O ensino de Hist&oacute;ria e os usos do passado: a ditadura civil-militar em sala de aula &#91;livro eletr&ocirc;nico&#93;. <i>In:</i> ANDRADE, J. A.; PEREIRA, N. M. (orgs.). <i>Ensino de Hist&oacute;ria e suas pr&aacute;ticas de pesquisa</i>. S&atilde;o Leopoldo: Oikos, 2021, p. 438-451.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">10. ROCHA, J. C. C. <i>Guerra cultural e ret&oacute;rica do &oacute;dio: cr&ocirc;nicas de um Brasil p&oacute;s-pol&iacute;tico</i>. Goi&acirc;nia: Caminhos, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">11. KIMI, T; SILVA, M. G. V.; CARVALHO-SILVA, H. H. Dossi&ecirc; socializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. <i>Educa&ccedil;&atilde;o &amp; Sociedade</i>, Campinas, v. 37, n. 137, out./dez. 2016.    </font></p>      ]]></body><back>
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