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<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20220042</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Astronomia no Brasil e independência: história da Astronomia no Brasil, desde a chegada de Cabral até a Independência, tem início num dos primeiros usos da determinação astronômica da latitude, inventada pelos portugueses para a arte de navegar]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Astronomia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Ocupação territorial do Brasil]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Determinação Astronômica da Latitude e Longitude]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Astronomia no Brasil e independ&ecirc;ncia: hist&oacute;ria da Astronomia no Brasil, desde a chegada de Cabral at&eacute; a Independ&ecirc;ncia, tem in&iacute;cio num dos primeiros usos da determina&ccedil;&atilde;o astron&ocirc;mica da latitude, inventada pelos portugueses para a arte de navegar</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Oscar Matsuura</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Docente aposentado do Departamento de Astronomia do Instituto de Astronomia, Geof&iacute;sica e Ci&ecirc;ncias Atmosf&eacute;ricas (IAG) da USP, onde liderou o Grupo de Astrof&iacute;sica do Sistema Solar. Foi diretor do Planet&aacute;rio e Escola Municipal de Astrof&iacute;sica Prof. Arist&oacute;teles Orsini em S&atilde;o Paulo e &eacute; pesquisador colaborador do Museu de Astronomia e Ci&ecirc;ncias Afins (MAST/MCTI). Atuou em radioastronomia solar em micro-ondas, astronomia de infravermelho e aplica&ccedil;&atilde;o da magnetohidrodin&acirc;mica em estruturas da coroa solar e da cauda gasosa de cometas. Ultimamente tem se dedicado &agrave; Hist&oacute;ria da Astronomia no Brasil</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1">     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A Hist&oacute;ria da Astronomia no Brasil, desde a chegada de Cabral at&eacute; a Independ&ecirc;ncia, tem in&iacute;cio num dos primeiros usos da determina&ccedil;&atilde;o astron&ocirc;mica da latitude, inventada pelos portugueses para a Arte de Navegar e termina praticamente quando a determina&ccedil;&atilde;o astron&ocirc;mica da longitude se tornava satisfatoriamente precisa e vi&aacute;vel. Se esfor&ccedil;os foram envidados nesse sentido, tamb&eacute;m ocorreram in&uacute;meros eventos importantes para a Hist&oacute;ria da Astronomia, mas que no Brasil nem sequer havia condi&ccedil;&otilde;es de causar impacto. O contexto dessa Hist&oacute;ria da Astronomia &eacute; a Hist&oacute;ria do Brasil, na qual merece destaque a ocupa&ccedil;&atilde;o territorial que, come&ccedil;ando obviamente pelo litoral, encontrou condi&ccedil;&otilde;es conjunturais pol&iacute;tico-econ&ocirc;micas que determinaram a interioriza&ccedil;&atilde;o e a expans&atilde;o al&eacute;m do meridiano de Tordesilhas. O contorno atual do Brasil &eacute; resultado dessa interioriza&ccedil;&atilde;o, articulada com Cartografia e Diplomacia. Este artigo inclui uma descri&ccedil;&atilde;o da posterior evolu&ccedil;&atilde;o da Astronomia Brasileira e, por fim, uma reflex&atilde;o sobre como seria desej&aacute;vel que ela fosse hoje. Para essa reflex&atilde;o, n&atilde;o poderiam ficar de fora t&oacute;picos como: poder temporal e espiritual, escraviza&ccedil;&atilde;o, pacto colonial, etc., inclu&iacute;dos intencionalmente na revis&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Astronomia; Ocupa&ccedil;&atilde;o territorial do Brasil; Determina&ccedil;&atilde;o Astron&ocirc;mica da Latitude e Longitude, Cartografia, Diplomacia.</font></p> <hr size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>A chegada</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>A chegada de Cabral (1500)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O destino era Calicute, na &Iacute;ndia, para come&ccedil;ar as atividades comerciais. H&aacute; apenas dois anos, Vasco da Gama l&aacute; tinha chegado, ap&oacute;s cruzar o cabo da Boa Esperan&ccedil;a e navegar a leste, pelo desconhecido &Iacute;ndico. A chegada de Cabral &agrave; costa brasileira era um desvio de rota para uma breve parada. Mas isso aconteceu, gra&ccedil;as &agrave; Astronomia. Os portugueses realizaram as Grandes Navega&ccedil;&otilde;es porque inovaram a arte de navegar, introduzindo um m&eacute;todo astron&ocirc;mico de determinar a latitude em alto mar. Aqui j&aacute; podemos concluir: Cabral n&atilde;o trouxe a Astronomia para o Brasil. Pelo contr&aacute;rio, ele foi trazido pela Astronomia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Mas a superf&iacute;cie do globo &eacute; bidimensional. Para a determina&ccedil;&atilde;o cabal da posi&ccedil;&atilde;o de um ponto nessa superf&iacute;cie s&atilde;o necess&aacute;rias duas coordenadas: latitude e longitude. Se a latitude j&aacute; podia ser determinada astronomicamente, a longitude era precariamente estimada com base na dist&acirc;ncia percorrida pela embarca&ccedil;&atilde;o. Podemos ent&atilde;o perceber qu&atilde;o prec&aacute;ria eram as Grandes Navega&ccedil;&otilde;es. Saber a longitude constituiu um s&eacute;rio problema que se tornou um clamor, pois as navega&ccedil;&otilde;es passaram a envolver um grande fluxo de mercadorias e, o conhecimento impreciso da posi&ccedil;&atilde;o no mar causava grandes trag&eacute;dias e preju&iacute;zos. Aproximadamente na mesma &eacute;poca, v&aacute;rias solu&ccedil;&otilde;es confi&aacute;veis tornaram-se pratic&aacute;veis, mas a entrega pelo relojoeiro ingl&ecirc;s John Harrison (1693-1776), em 1759, do famoso cron&ocirc;metro n&aacute;utico H4 &agrave; comiss&atilde;o julgadora que, finalmente considerou sua performance satisfat&oacute;ria, &eacute; um marco simb&oacute;lico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>As primeiras observa&ccedil;&otilde;es astron&ocirc;micas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i><b>Latitude de Santa Cruz de Cabr&aacute;lia: 17º Sul</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Na chegada de Cabral, o ainda pouco conhecido c&eacute;u austral foi observado e notificado por um europeu pela primeira vez. O observador era Jo&atilde;o Faras ou Mestre Jo&atilde;o, m&eacute;dico e astr&ocirc;nomo da tripula&ccedil;&atilde;o. Medindo a altura meridiana do Sol, ele determinou a latitude de Santa Cruz de Cabr&aacute;lia, local da chegada &#91;1&#93;. A anota&ccedil;&atilde;o documental da latitude tinha for&ccedil;a para atestar para todo o sempre, a presen&ccedil;a da expedi&ccedil;&atilde;o naquela data e local, algo importante para assegurar a posse territorial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b><i>Cruzeiro do Sul</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">&Agrave; noite Mestre Jo&atilde;o visualizou num asterismo no c&eacute;u, o sinal da Cruz, s&iacute;mbolo de significa&ccedil;&atilde;o m&aacute;xima para Portugal, uma na&ccedil;&atilde;o crist&atilde; aliada ao papado. A identidade crist&atilde; de Portugal remonta &agrave; Reconquista do Condado Portucalense (s&eacute;culo 9) pelos crist&atilde;os e &agrave; emerg&ecirc;ncia de Portugal em 1143 como na&ccedil;&atilde;o independente. Depois, as Grandes Navega&ccedil;&otilde;es fizeram os portugueses crerem que eram o povo eleito por Deus para expandir o mundo crist&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O asterismo cruciforme &eacute; hoje uma das 88 constela&ccedil;&otilde;es oficializadas em 1930 pela Uni&atilde;o Astron&ocirc;mica Internacional (IAU, sigla em ingl&ecirc;s), a do Cruzeiro do Sul, uma contribui&ccedil;&atilde;o dos navegadores portugueses &#91;2,3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A forma de cruz era providencial, pois, na decepcionante aus&ecirc;ncia de uma contrapartida austral da brilhante estrela Polar do Hemisf&eacute;rio Norte, o p&eacute; da cruz serve para indicar o Polo Celeste Sul, carente de estrela brilhante, no prolongamento da haste vertical da cruz, a cerca de 5,5 vezes o tamanho angular da haste vertical, a partir do p&eacute; da cruz. Contando com a Polar sempre acima do horizonte no Hemisf&eacute;rio Norte, para os navegadores daquele hemisf&eacute;rio era mais f&aacute;cil saber a latitude, exceto quando o c&eacute;u estava fechado ou de dia, quando a claridade diurna oblitera as estrelas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i><b>Nuvens de Magalh&atilde;es</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Historicamente n&atilde;o foi Fern&atilde;o de Magalh&atilde;es quem as descobriu. H&aacute; registros de povos antigos referindo-se a elas. Todavia, trata-se da descoberta por um europeu. Na viagem em que as descobriu, Magalh&atilde;es estava a servi&ccedil;o da Espanha. Mas o registro aqui se justifica porque Magalh&atilde;es era portugu&ecirc;s. Hoje sabemos que essas nuvens s&atilde;o gal&aacute;xias sat&eacute;lites da nossa, a Via L&aacute;ctea.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A descoberta do Estreito, que &eacute; a passagem do Atl&acirc;ntico ao Pac&iacute;fico no extremo meridional do continente americano, leva o nome de Magalh&atilde;es. A descoberta durante o inverno, e a travessia pelo mesmo, foram experi&ecirc;ncias atrozes. A descoberta das nuvens se deu logo ap&oacute;s a travessia ao Pac&iacute;fico &#91;4&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No &acirc;mbito global, a circunavega&ccedil;&atilde;o em si foi importante, pois confirmou empiricamente a esfericidade da Terra, posta em d&uacute;vida na Idade M&eacute;dia apesar dos ensinamentos corretos nesta mat&eacute;ria de Plat&atilde;o, Arist&oacute;teles e outros. D&uacute;vidas medievais foram suscitadas pelas prega&ccedil;&otilde;es e ensinamentos do monge alexandrino Cosmas (s&eacute;culo 6) em sua Topografia Crist&atilde;. Para ele era inconceb&iacute;vel que crist&atilde;os batizados, salvos pelo sangue de Cristo, ficassem do outro lado do mundo debaixo dos p&eacute;s de outras pessoas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Magalh&atilde;es &eacute; tradicionalmente descrito como um intr&eacute;pido her&oacute;i, movido por sentimentos nobres, um modelo a ser imitado. Uma nova hist&oacute;ria segundo uma historiografia menos hagiogr&aacute;fica foi escrita recentemente &#91;5&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Portugal perdeu importantes primazias</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Tanto no desenvolvimento da t&eacute;cnica astron&ocirc;mica na arte de navegar, como na cartografia do c&eacute;u austral em que os portugueses brilharam, na&ccedil;&otilde;es rivais assumiram a continuidade e prosperaram, at&eacute; mais que Portugal. Por qu&ecirc;?</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>A ocupa&ccedil;&atilde;o do litoral oriental do Brasil</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Ap&oacute;s a chegada de Cabral, os reis portugueses pouca aten&ccedil;&atilde;o deram ao Brasil, empolgados que estavam com o mais lucrativo com&eacute;rcio com as &Iacute;ndias. Ficou o Brasil relegado a feitorias prec&aacute;rias para a preda&ccedil;&atilde;o do pau-brasil, nativo da Mata Atl&acirc;ntica e abundante na &eacute;poca, mas hoje &aacute;rvore rar&iacute;ssima, na lista de &aacute;rvores em extin&ccedil;&atilde;o. Sem nenhuma fiscaliza&ccedil;&atilde;o, a preda&ccedil;&atilde;o era praticada por portugueses e por piratas estrangeiros. Os ind&iacute;genas do litoral eram cooptados pelos europeus para abaterem as &aacute;rvores e as transportarem e eram "recompensados" com quinquilharias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Depois foram os experimentos de coloniza&ccedil;&atilde;o, na base da tentativa e erro, com o administrador colonial Martim Afonso de Sousa, as capitanias heredit&aacute;rias e os governos gerais. Martim Afonso teve o m&eacute;rito de trazer mudas de cana-de-a&ccedil;&uacute;car da ilha da Madeira e verificar em S&atilde;o Vicente, a primeira vila brasileira fundada por ele, como elas se adaptavam &agrave;s nossas terras. Esse experimento agr&iacute;cola deu t&atilde;o certo que a produ&ccedil;&atilde;o a&ccedil;ucareira marcou o primeiro s&eacute;culo da nossa coloniza&ccedil;&atilde;o. O primeiro governador-geral, Tom&eacute; de Sousa, trouxe os jesu&iacute;tas, mission&aacute;rios e educadores ao mesmo tempo. Com Mem de S&aacute;, terceiro governador-geral, piratas estrangeiros foram repelidos (por exemplo, franceses da Fran&ccedil;a Ant&aacute;rtica), o cultivo da cana-de-a&ccedil;&uacute;car se estendeu por todo o litoral, de S&atilde;o Vicente a Olinda. O sistema de <i>plantation</i> da cana era caracterizado por latif&uacute;ndios de um dono s&oacute;, o senhor de engenho; pela monocultura visando s&oacute; a exporta&ccedil;&atilde;o, em detrimento do bem-estar e sobreviv&ecirc;ncia dos pr&oacute;prios brasileiros e pela escravid&atilde;o negra, j&aacute; que o cultivo, processamento e transporte da cana requeria muita m&atilde;o de obra, mas a escraviza&ccedil;&atilde;o de ind&iacute;genas estava interditada por documentos papais. J&aacute; para a escraviza&ccedil;&atilde;o de negros africanos, as interdi&ccedil;&otilde;es n&atilde;o eram taxativas. Havia inclusive uma pr&aacute;tica estabelecida pelos pr&oacute;prios portugueses desde o in&iacute;cio das Grandes Navega&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Uni&atilde;o Ib&eacute;rica (1580-1640)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Entre 1580 e 1640 ocorreu a Uni&atilde;o Ib&eacute;rica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Brasil holand&ecirc;s</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Durante a Uni&atilde;o Ib&eacute;rica ocorreu a invas&atilde;o holandesa em Pernambuco. Em 1637 a Companhia das &Iacute;ndias Ocidentais (CIO) enviou o conde Maur&iacute;cio de Nassau para governar o Brasil holand&ecirc;s. Por ser um nobre humanista, foi um administrador colonial diferenciado que, na medida em que p&ocirc;de, conciliou os interesses da CIO com a moderniza&ccedil;&atilde;o da col&ocirc;nia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i><b>O cosm&oacute;grafo Jorge Marcgrave (1610-1644)</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O conde de Nassau tinha na sua corte um s&eacute;quito de artistas e cientistas. Um deles era o alem&atilde;o Jorge Marcgrave, mais conhecido entre n&oacute;s por suas obras de Hist&oacute;ria Natural e cartografia. Mas, o que o trouxe ao Brasil foi o seu desejo de contemplar o c&eacute;u austral. N&atilde;o sendo dono de seu tempo, pouco p&ocirc;de dedicar a essa atividade. Mesmo assim, ele realizou importantes feitos em Astronomia que, infelizmente, ficaram pouco conhecidos por n&atilde;o terem atingido a publica&ccedil;&atilde;o. Recentemente esses feitos puderam ser desvelados atrav&eacute;s da an&aacute;lise de manuscritos originais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Apesar de a Uni&atilde;o Ib&eacute;rica implicar uma ascend&ecirc;ncia hier&aacute;rquica da Espanha sobre Portugal, os reis filipinos mantiveram os portugueses nos quadros administrativos de Portugal, assim como do Brasil. N&atilde;o houve restri&ccedil;&otilde;es de autonomia, de modo que as autoridades portuguesas no Brasil puderam completar a ocupa&ccedil;&atilde;o do litoral leste brasileiro ao norte do Recife, at&eacute; a quebrada para o oeste. Essa ocupa&ccedil;&atilde;o que, a cada n&uacute;cleo requeria a expuls&atilde;o de invasores estrangeiros e a aquiesc&ecirc;ncia ou derrota dos ind&iacute;genas parceiros dos invasores, se concluiu em 1598, com a constru&ccedil;&atilde;o do Forte dos Reis Magos, origem de Natal, RN, &agrave;s margens do rio Potengi (<a href="/img/revistas/cic/v74n3/a05-fig01.jpg">Figura 1</a>).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>O Brasil na cartografia dos s&eacute;culos 16 e 17</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As meras abordagens litor&acirc;neas no rec&eacute;m-nascido Brasil por navegadores, exploradores e piratas j&aacute; possibilitaram mapear, ainda que precariamente, os contornos do litoral oriental do nosso Brasil. Afinal navegantes e cart&oacute;grafos j&aacute; se colaboravam. Todavia, dada a superficialidade do conhecimento territorial, ainda prevaleciam mitos de origem ignota. Um deles era o da Ilha do Brasil, como se este fosse circundado pelas bacias do Amazonas e do Prata. Nos primeiros mapas, esse mito ganhava representa&ccedil;&atilde;o &#91;6&#93;, at&eacute; porque era procurado.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Pouco a pouco no territ&oacute;rio real foram se estabelecendo vilas e cidades, e o seu reconhecimento foi gradativamente se tornando mais detalhado e preciso. Isso transparece nos v&aacute;rios mapas hist&oacute;ricos, muitos resgatados em leil&otilde;es e fundo de acervos. Alguns que consideramos mais importantes, ou porque o autor conheceu pessoalmente os lugares e gerou fonte para mapas secund&aacute;rios, ou porque se trata de algum trabalho sob contrato governamental que pode ter tido utilidade hist&oacute;rica relevante, podem ser destacados (afinal mapas eram feitos para orientar navegantes e para utilidade militar e administrativa).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No mapa do nordeste brasileiro elaborado por Marcgrave, ele determinou longitudes usando o m&eacute;todo dos eclipses lunares.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O aprimoramento das t&eacute;cnicas astron&ocirc;micas para a determina&ccedil;&atilde;o de longitudes constituir&aacute; um desafio central na &eacute;poca, tanto para a produ&ccedil;&atilde;o de bons mapas de territ&oacute;rios, necess&aacute;rios para a administra&ccedil;&atilde;o e defesa, assim como pela import&acirc;ncia crescente da seguran&ccedil;a das mercadorias, embarca&ccedil;&otilde;es e pessoas na navega&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Ainda no campo astron&ocirc;mico cabe registrar que no mesmo s&eacute;culo da chegada de Cabral ao Brasil, foi publicada a obra "<i>De Revolutionibus Orbium Coelestium</i>" (1542) com a teoria helioc&ecirc;ntrica do c&ocirc;nego polon&ecirc;s Nicolau Cop&eacute;rnico, que virou de cabe&ccedil;a para baixo a concep&ccedil;&atilde;o que t&iacute;nhamos do Universo. N&atilde;o s&oacute;, mas abalou a F&eacute; escorada nas Sagradas Escrituras, bem como os ensinamentos cl&aacute;ssicos superentranhados de Arist&oacute;teles e Ptolomeu, deixando uns ofendidos e outros condenados &agrave; excomunh&atilde;o, pris&atilde;o e at&eacute; fogueira. Tamb&eacute;m foi introduzido o Calend&aacute;rio Gregoriano (1582), sem nenhuma influ&ecirc;ncia no Brasil da &eacute;poca, mas que eliminou uma inc&ocirc;moda confus&atilde;o na data&ccedil;&atilde;o da P&aacute;scoa, tanto que continua em vigor at&eacute; hoje. No Brasil obviamente essas mudan&ccedil;as n&atilde;o repercutiram de imediato. Mas reverbera&ccedil;&otilde;es chegariam, <i>quae sera tamen</i>!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Interioriza&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O litoral oriental do Brasil, bem ou mal j&aacute; estava ocupado. A expuls&atilde;o dos holandeses na Restaura&ccedil;&atilde;o Pernambucana foi muito comemorada e tinha despertado, pela primeira vez, um senso de nativismo. Afinal, D. Jo&atilde;o IV tinha ajudado militarmente, mas nem tanto. Suas gest&otilde;es no &acirc;mbito diplom&aacute;tico terminaram pagando aos holandeses uma indeniza&ccedil;&atilde;o pelo n&atilde;o pagamento do empr&eacute;stimo concedido aos senhores de engenho pernambucanos no in&iacute;cio da administra&ccedil;&atilde;o nassoviana. Os lusos e luso-brasileiros que apoiados, por uma parte de ind&iacute;genas e outra de escravos negros, tinham derrotado e expulsado os holandeses calvinistas, sentiram-se capazes de defenderem sua pr&oacute;pria terra, mesmo sem ajuda da coroa. Esse foi o fundamento do nativismo, ainda bastante regional e bastante distante de ideias separatistas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Todavia, a expuls&atilde;o dos holandeses trouxe uma grave crise econ&ocirc;mica: a crise a&ccedil;ucareira em um Portugal j&aacute; mergulhado em crise. Portugal perdia tamb&eacute;m o monop&oacute;lio do a&ccedil;&uacute;car brasileiro. A concorr&ecirc;ncia comercial vinha do a&ccedil;&uacute;car agora produzido nas Antilhas pelos pr&oacute;prios holandeses expulsos do Brasil, e comercializado por eles por um pre&ccedil;o bem mais baixo na Europa. Al&eacute;m disso, os holandeses detinham o dom&iacute;nio sobre os mercados consumidores europeus.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No Brasil, se a atividade produtiva havia sido determinada principalmente pela cana-de-a&ccedil;&uacute;car na faixa litor&acirc;nea oriental do Brasil, agora a sa&iacute;da era a interioriza&ccedil;&atilde;o, e esta demandava novas atividades.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No Norte, a interioriza&ccedil;&atilde;o partiu do Nordeste de duas formas: expedi&ccedil;&otilde;es que sa&iacute;am do litoral nordestino para desenvolverem a pecu&aacute;ria nas bacias do S&atilde;o Francisco e do extenso Jaguaribe, no Cear&aacute;; ou as que sa&iacute;am do Recife para ocupar o litoral Norte do Maranh&atilde;o e Par&aacute;, para finalmente adentrarem na Amaz&ocirc;nia. A&iacute; as atividades seriam a explora&ccedil;&atilde;o de drogas do sert&atilde;o (produtos da floresta como a baunilha, a salsaparrilha e sobretudo o cacau nativo) colhidas pelos &iacute;ndios e mesti&ccedil;os ao longo dos rios e trazidas at&eacute; Bel&eacute;m.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Um fator que encorajou a interioriza&ccedil;&atilde;o foi a dubiedade da legalidade do Tratado de Tordesilhas. Afinal, se as coroas de Portugal e Espanha estavam unidas, a interioriza&ccedil;&atilde;o pelos colonos portugueses poderia avan&ccedil;ar al&eacute;m do meridiano de Tordesilhas!</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Ocupa&ccedil;&atilde;o do litoral norte at&eacute; Bel&eacute;m</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">J&aacute; no in&iacute;cio do s&eacute;culo 17, os reis filipinos n&atilde;o hesitaram em entregar aos capit&atilde;es portugueses a responsabilidade pela vigil&acirc;ncia, ocupa&ccedil;&atilde;o e coloniza&ccedil;&atilde;o do litoral norte do Maranh&atilde;o e Par&aacute;. Obedecendo ordens deles, governadores portugueses implantaram n&uacute;cleos, vilas, cidades e fortalezas em S&atilde;o Lu&iacute;s, Bel&eacute;m, depois em Macap&aacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os mesmos reis incentivaram tamb&eacute;m a expuls&atilde;o de estrangeiros pelos portugueses, caso dos franceses que tentaram implantar a Fran&ccedil;a Equinocial em S&atilde;o Lu&iacute;s do Maranh&atilde;o entre 1612 e 1615, ambicionando ainda estender a ocupa&ccedil;&atilde;o pelo litoral setentrional do Brasil at&eacute; a foz do Oiapoque.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Frei Claude d'Abbeville (-1630)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em 1612 vieram ao Maranh&atilde;o, na atual ilha de S&atilde;o Lu&iacute;s, os frades capuchinhos franceses Claude d'Abbeville (-1630) e Yves d'&Eacute;vreux (1577-1632), ambos entom&oacute;logos, acompanhando Daniel de La Touche ou o Senhor de La Ravardi&egrave;re (1570-1631), chefe da expedi&ccedil;&atilde;o que viera fundar a ef&ecirc;mera Fran&ccedil;a Equinocial. O frei d'Abeville veio enviado pelo governo como mission&aacute;rio e teria ficado no Maranh&atilde;o at&eacute; 1616. Nesse tempo desempenhou fun&ccedil;&otilde;es religiosas junto aos &iacute;ndios, coletou amostras e anotou nomes ind&iacute;genas de insetos e realizou pesquisas etnogr&aacute;ficas sobre os nativos, inclusive sobre os saberes astron&ocirc;micos dos tupinamb&aacute;s. Publicou "<i>Historie de la mission des p&egrave;res capucins en l'isle de Maragnan et terres circonvoisines"</i> (1614) que serviram de base para pesquisas etnoastron&ocirc;micas brasileiras &#91;7&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Litoral norte al&eacute;m de Bel&eacute;m</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Pelo Tratado de Tordesilhas, at&eacute; Bel&eacute;m era territ&oacute;rio portugu&ecirc;s e para a Espanha, a ocupa&ccedil;&atilde;o portuguesa dos litorais oriental e norte, at&eacute; Bel&eacute;m, interessava, pois era um escudo protetor das minas de Potosi contra ataques estrangeiros. Para os reis filipinos faltava ainda fechar a foz do Amazonas e proteger o litoral a oeste dele contra os ataques estrangeiros. Os portugueses j&aacute; estavam determinados a avan&ccedil;ar para o oeste. Os reis espanh&oacute;is n&atilde;o se opunham. Aparentemente houve um lapso de comunica&ccedil;&atilde;o, intencional ou n&atilde;o, entre a corte e os jesu&iacute;tas a servi&ccedil;o da Espanha, pois, como veremos, gerou-se ru&iacute;do em torno da observ&acirc;ncia do meridiano de Tordesilhas e da fidelidade &agrave; coroa, qual delas?</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Apesar dos alertas de risco de ataques estrangeiros dados por funcion&aacute;rios reais e mission&aacute;rios franciscanos e jesu&iacute;tas do lado portugu&ecirc;s, que melhor conheciam a regi&atilde;o, pareceu natural ao rei de Espanha entregar aos s&uacute;ditos portugueses e aos mission&aacute;rios, normalmente jesu&iacute;tas que instalaram miss&otilde;es (<i>reduciones</i>) no rio Napo (Equador e Peru), Huallaga e Mara&ntilde;on (Peru) e Solim&otilde;es (Peru e Brasil), a responsabilidade pela vigil&acirc;ncia e controle da vastid&atilde;o das terras alcan&ccedil;adas pelo grande rio das Amazonas e seus afluentes, cuja posse o explorador e oficial militar portugu&ecirc;s Pedro Teixeira (1587-1641) tomaria em 1639.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Posse do rio Amazonas (1637-1639)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">H&aacute; uma hist&oacute;ria do rio Amazonas pr&eacute;via &agrave; sua posse. Saiba mais sobre a &eacute;pica posse do rio Amazonas aqui &#91;8&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Cartografia por militares</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As dificuldades na manuten&ccedil;&atilde;o das possess&otilde;es ultramarinhas atacadas por outras pot&ecirc;ncias europeias (por exemplo, invas&atilde;o holandesa no Brasil) e o fim da Uni&atilde;o Ib&eacute;rica em 1640, que transformou a Espanha de parceira em rival, tornavam urgente uma reorganiza&ccedil;&atilde;o interna no Reino &#91;9&#93;. A reestrutura&ccedil;&atilde;o na esfera militar tornou-se prioridade de D. Jo&atilde;o IV, o Restaurador de Portugal. A cria&ccedil;&atilde;o do Conselho de Guerra sublinhava o compromisso r&eacute;gio de dotar as col&ocirc;nias de defesas militares capazes de enfrentar eventual tentativa espanhola de reaver territ&oacute;rios. Essa decis&atilde;o real ocorreu no contexto em que a arte da guerra tinha provocado na Europa uma revaloriza&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia militar, agora com novos tipos de poder de fogo, de fortifica&ccedil;&otilde;es e aumento do tamanho do ex&eacute;rcito. No Brasil, com um retardamento que &eacute; compreens&iacute;vel, foram criadas em 1696 e 1698 escolas de Fortifica&ccedil;&atilde;o e Arquitetura Militar, respectivamente em Salvador e no Rio de Janeiro, que formaram oficiais militares para trabalharem na constru&ccedil;&atilde;o de fortifica&ccedil;&otilde;es e em tarefas cartogr&aacute;ficas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>P. Valentin Stansel (1621-1705)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O mor&aacute;vio Valentin Stansel &#91;10&#93;, ainda jovem, ingressou na Companhia de Jesus em Praga, quando j&aacute; demonstrava pendores pela Matem&aacute;tica e Filosofia Natural. Aspirando seguir a vida mission&aacute;ria, com 34 anos seguiu para Roma e depois para Lisboa, de onde partiu para o Brasil em 1663. Lisboa era o porto de partida dos mission&aacute;rios enviados para a &Iacute;ndia, China, Jap&atilde;o e Novo Mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Tendo deixado Praga com idade madura, l&aacute; deixou montado um museu de hist&oacute;ria natural onde fazia experimentos e inventava v&aacute;rios dispositivos &#91;11&#93;. Desde cedo e durante toda a vida escreveu in&uacute;meros textos sobre ci&ecirc;ncia, mas a maioria deles foi censurada pela pr&oacute;pria Ordem e se perdeu. Muitos foram produzidos enquanto esteve no Col&eacute;gio da Bahia, um deles astron&ocirc;mico-ficcional que foi traduzido ao portugu&ecirc;s &#91;12&#93;. Outro, de conte&uacute;do cient&iacute;fico, teve repercuss&atilde;o na comunidade mundial de s&aacute;bios, como veremos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Sendo Stansel n&atilde;o um te&oacute;rico puro, mas um experimentalista, fez a observa&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios cometas na Bahia. A do cometa de 1668, dotado de cauda extensa e brilhante, foi comunicada para uma revista italiana, depois traduzida e publicada pela "<i>Philosophical Transactions of the Royal Society</i>". Essa publica&ccedil;&atilde;o foi a fonte utilizada por Isaac Newton para incluir em "<i>Principia Mathematica Philosophiae Naturalis"</i> (1687) uma men&ccedil;&atilde;o &agrave; observa&ccedil;&atilde;o de Stansel: "<i>Newton used Stansel's observations of the dramatic cometary tail of 1668 to argue against the Jesuit's view that such appearances must be due to refracted sunlight from these nearby bodies"</i> &#91;13&#93;. Portanto, a men&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era relacionada ao movimento do astro, tema central de <i>Principia</i>, mas a uma quest&atilde;o ent&atilde;o candente: como explicar o brilho dos cometas, particularmente da cauda? Havia disputas na &eacute;poca sobre a natureza da cauda dos cometas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O padre Stansel e o famoso pregador, padre Ant&oacute;nio Vieira (1608-1697) conviveram por algum tempo no Col&eacute;gio da Bahia. Pensavam de forma diferente e chegaram a ter discord&acirc;ncias. Isso ficou bem ilustrado numa an&aacute;lise comparativa entre um serm&atilde;o de Vieira, baseado na apari&ccedil;&atilde;o do cometa de 1695 e v&aacute;rios textos de Stansel referentes &agrave; observa&ccedil;&atilde;o feita por ele de v&aacute;rios cometas entre 1664 e 1689 &#91;14&#93;. Vieira fala como pregador, enquanto Stansel discursa para confrades de sociedades cient&iacute;ficas. A discuss&atilde;o &eacute; centrada no tema da causalidade das ocorr&ecirc;ncias da vida, em termos de Causa Primeira (Deus) e de sua interven&ccedil;&atilde;o, ou n&atilde;o, nas "causas segundas".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Stansel foi um representante dos jesu&iacute;tas que ajudaram a construir a ci&ecirc;ncia moderna tanto que, se preparou adquirindo forma&ccedil;&atilde;o intelectual para pleitear seu envio para a China, como mission&aacute;rio. L&aacute; a catequese era dif&iacute;cil na dinastia Ming, pois era fechada a ocidentais. Considerando que os chineses tinham elevado grau de cultura, os jesu&iacute;tas procuraram conquistar a elite, apresentando a ci&ecirc;ncia ocidental. Para isso se esmeravam na forma&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, pois esta ancorava a comunica&ccedil;&atilde;o e granjeava para eles respeito e credibilidade. Assim eles levaram para l&aacute;, dentre outras coisas, os Elementos de Euclides, o Calend&aacute;rio Gregoriano, o mapa mundi, a luneta, o rel&oacute;gio mec&acirc;nico, etc.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Numa carta de 1669 a um amigo jesu&iacute;ta em Roma, Stansel pedia que intercedesse junto ao Padre Geral para seu retorno &agrave; Europa, o que jamais aconteceu. Reclamava da falta de livros, da dificuldade em publicar os seus trabalhos, do ensino de Teologia Moral que ministrava no Col&eacute;gio da Bahia (talvez julgasse in&uacute;til), contrariedade dos censores revisores de seus trabalhos, porque defendia ideias cartesianas e atom&iacute;sticas. Em suma, Stansel estava no lugar errado. N&atilde;o se podia introduzir a ci&ecirc;ncia moderna no Brasil com a mesma estrat&eacute;gia usada no Extremo Oriente. O Brasil n&atilde;o tinha essas condi&ccedil;&otilde;es. Mesmo assim, pudemos contar com mais um importante astr&ocirc;nomo, mas cuja estada foi apenas outro par&ecirc;ntese sem maiores consequ&ecirc;ncias.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>A quest&atilde;o dos ind&iacute;genas no Norte</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Antes dos lusitanos chegarem &agrave; regi&atilde;o Norte, os ind&iacute;genas mantinham rela&ccedil;&otilde;es comerciais e de trabalho com holandeses, ingleses, irlandeses e franceses. Apenas na segunda metade do s&eacute;culo 17 os portugueses conseguiram expulsar os outros europeus. Mas os colonos portugueses escravizavam os ind&iacute;genas, e essa escraviza&ccedil;&atilde;o durou mais tempo no Norte. Contra isso uma voz eloquente, por&eacute;m pouco ouvida, se ergueu. Entre 1643 e 1661 o padre Vieira desenvolveu intensa prega&ccedil;&atilde;o tentando limitar os abusos cometidos contra os &iacute;ndios.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Observa&ccedil;&otilde;es astron&ocirc;micas em Caiena</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Observa&ccedil;&otilde;es astron&ocirc;micas de suma import&acirc;ncia foram feitas pelo franc&ecirc;s Jean Richer entre 1671 e 1673 em Caiena. Elas se tornaram hist&oacute;ricas, mas tamb&eacute;m guardam rela&ccedil;&atilde;o com o aprimoramento da instrumenta&ccedil;&atilde;o para a melhor determina&ccedil;&atilde;o da longitude. A Guiana Francesa tinha passado por v&aacute;rias m&atilde;os estrangeiras, mas havia sido rec&eacute;m-reconquistada pelos franceses, que iniciavam ali um processo de coloniza&ccedil;&atilde;o. As observa&ccedil;&otilde;es astron&ocirc;micas foram realizadas numa ef&ecirc;mera janela de paz. Embora a observa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tenha sido feita em territ&oacute;rio brasileiro, foi feita perto de uma &aacute;rea de lit&iacute;gio entre as coroas da Fran&ccedil;a e de Portugal.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>P. Alo&iacute;sio Conrado Pfeil (1638-1701)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O Tratado de Lisboa (1668) assinado por Carlos II da Espanha e Afonso VI de Portugal, que formalmente colocava um fim &agrave; Guerra de Restaura&ccedil;&atilde;o do Reino de Portugal, decidiu que a disputa entre Fran&ccedil;a e Portugal sobre o rio Oiapoque como fronteira entre a Guiana Francesa e o Brasil, deixaria provisoriamente a zona de lit&iacute;gio entre os rios Oiapoque e Araguari como zona neutra. Por esse tratado de 1681, a Espanha devolveria a Col&ocirc;nia do Sacramento a Portugal.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Novas disputas come&ccedil;ariam com o Tratado de Utrecht, mas antes disso, em 1681, o padre Pfeil, su&iacute;&ccedil;o de Constan&ccedil;a, com outro padre e um irm&atilde;o jesu&iacute;ta, foi ao Cabo do Norte (atual estado do Amap&aacute;) conhecer rios, terras e lugares para confeccionar o mapa. A vinda do padre Pfeil foi arranjada pelo padre Vieira, que atendia a um pedido do pr&iacute;ncipe regente D. Pedro II de Portugal.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>P. Samuel Fritz (1654-1725)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O jesu&iacute;ta tcheco Samuel Fritz foi mission&aacute;rio e cart&oacute;grafo a servi&ccedil;o da Espanha de 1685 a 1725. Em 1685 se apresentou na presid&ecirc;ncia de Quito nas &Iacute;ndias Ocidentais para iniciar sua atividade mission&aacute;ria. Trabalhando para a coroa espanhola, considerava intrusos os colonizadores portugueses na Amaz&ocirc;nia. Por isso os denunciou veementemente &agrave; Real Audi&ecirc;ncia de Quito.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>O franc&ecirc;s Pierre Couplet na Para&iacute;ba</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Outro membro da Academia de Ci&ecirc;ncias de Paris esteve na atual Jo&atilde;o Pessoa em 1697 para fazer observa&ccedil;&otilde;es astron&ocirc;micas e geod&eacute;sicas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Charles-Marie de La Condamine (1701-1774)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Outro franc&ecirc;s da Academia de Ci&ecirc;ncias veio fazer medi&ccedil;&otilde;es geod&eacute;sicas no Equador e, aproveitando a viagem, desceu depois o rio Amazonas para coletar dados cartogr&aacute;ficos e esp&eacute;cimes da fauna da regi&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Expans&atilde;o territorial para o Centro-Oeste</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Com a crise a&ccedil;ucareira, uma nova atividade econ&ocirc;mica que n&atilde;o a da cana-de-a&ccedil;&uacute;car se fazia necess&aacute;ria. A essas alturas o Tratado de Tordesilhas era, na pr&aacute;tica, lei morta. Os colonos portugueses e luso-portugueses de toda a Am&eacute;rica lusitana sentiam que podiam cruzar o meridiano de Tordesilhas. O cen&aacute;rio era perfeito para que bandeirantes de S&atilde;o Paulo e da Baixada Santista, sem op&ccedil;&otilde;es locais de atividade econ&ocirc;mica que eles tivessem capacidade de empreender, decidissem marchar para o centro-oeste.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Esse movimento teve in&iacute;cio por volta de 1620. Por volta de 1630 os bandeirantes atacaram as miss&otilde;es do Guair&aacute;, no Oeste do atual estado do PR. Por volta de 1635 atacaram as miss&otilde;es do Tape, atual estado do RS e Uruguai e, por volta de 1650, as miss&otilde;es do Itatim, no oeste do atual estado do MS. Essas miss&otilde;es foram simplesmente arrasadas. Assim tinha in&iacute;cio mais uma contribui&ccedil;&atilde;o regional para expandir o Brasil territorialmente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em 1683 D. Pedro II tornou-se rei de Portugal. Embora o trono de Portugal tivesse ganho o reconhecimento de sua autonomia em 1668, os cofres estavam vazios. Sem com&eacute;rcio na &Aacute;frica e no Oriente, Portugal precisava desesperadamente de uma fonte de recursos. D. Pedro II fixou as bases de sua pol&iacute;tica no Brasil em dois pontos: a busca de metais e pedras preciosas e a expans&atilde;o da fronteira da col&ocirc;nia at&eacute; as margens do rio da Prata.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No primeiro ponto, D. Pedro II chegou a escrever a 12 dos<b> principais sertanistas paulistas</b>, convocando-os ao seu real servi&ccedil;o. Tinha in&iacute;cio mais uma contribui&ccedil;&atilde;o regional para expandir o Brasil territorialmente.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Expans&atilde;o territorial para o sul</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As primeiras viagens de reconhecimento do litoral meridional da Am&eacute;rica do Sul, foram realizadas na chegada de Cabral ou pouco depois. Para os portugueses essas viagens deveriam se confinar entre Bel&eacute;m, ao norte, e a ilha de Santa Catarina ao sul, pois esse era supostamente o litoral que cabia a Portugal segundo o meridiano de Tordesilhas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Pouco depois, espanh&oacute;is realizaram esse tipo de reconhecimento, mas indo mais ao sul que a ilha de Santa Catarina, o que faziam com direito, pois eram territ&oacute;rios da Espanha.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Com o relaxamento do Tratado de Tordesilhas, portugueses e bandeirantes paulistas decidiram ultrapassar o limite putativo desse Tratado no litoral do Brasil, a ilha de Santa Catarina. Na segunda metade do s&eacute;culo 17 cidades importantes de Santa Catarina foram fundadas por eles, como a atual Florian&oacute;polis, inicialmente chamada Nossa Senhora do Desterro e Laguna. Avan&ccedil;aram al&eacute;m de Laguna (SC) e, a partir de 1682 atacaram as regi&otilde;es das miss&otilde;es de jesu&iacute;tas espanh&oacute;is no Tape (regi&atilde;o dos Sete Povos das Miss&otilde;es, na margem esquerda do rio Uruguai, correspondente ao atual RS), onde os &iacute;ndios, instru&iacute;dos pelos mission&aacute;rios a servi&ccedil;o da Espanha, cultivavam a erva-mate, criavam o gado e animais de carga nos pampas ga&uacute;chos. Os bandeirantes seguiram esse caminho para apresar &iacute;ndios.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Mas, para os bandeirantes surgia agora um novo atrativo. O contrabando da prata de Potosi negociada em Buenos Aires. Estava em vigor na Am&eacute;rica hisp&acirc;nica o pacto colonial pelo qual o contrabando de metais preciosos era proibido. As rotas de transporte dessa mercadoria da col&ocirc;nia para a Espanha eram bem definidas. Mas isso n&atilde;o adiantou.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Esse contrabando interessava tanto aos portugueses que, o pr&iacute;ncipe-regente D. Pedro II ordenou o governador da capitania do Rio de Janeiro, Manuel Lobo, que constru&iacute;sse a fortifica&ccedil;&atilde;o da Col&ocirc;nia do Sacramento na margem esquerda do rio da Prata, do lado oposto de Buenos Aires. A expans&atilde;o da fronteira at&eacute; as margens do rio da Prata era, como vimos, o segundo ponto da pol&iacute;tica de D. Pedro II em rela&ccedil;&atilde;o ao Brasil col&ocirc;nia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Para o governante portugu&ecirc;s havia vantagem estrat&eacute;gica ter um territ&oacute;rio no litoral sul-Atl&acirc;ntico, pois servia como escala dos navios que buscavam as riquezas das &Iacute;ndias. Tamb&eacute;m era importante ter acesso ao contrabando que navios portugueses e ingleses praticavam na regi&atilde;o com diversos produtos, especialmente a prata de Potos&iacute;, no Alto Peru, que chegava ao porto de Buenos Aires. O contrabando interessava aos comerciantes espanh&oacute;is de Buenos Aires, assim como aos brasileiros.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Foi, portanto, constru&iacute;do em 1680 o forte da Col&ocirc;nia do Sacramento pedido por Pedro II. Em 1714, no fim da Guerra de Sucess&atilde;o Espanhola, o forte seria violentamente atacado por tropas vindas de Buenos Aires por ordem da coroa espanhola. Os brasileiros se renderam e se retiraram. Mas em 1715 o Tratado de Utrecht estabeleceria a devolu&ccedil;&atilde;o da Col&ocirc;nia do Sacramento aos portugueses.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>A descoberta do ouro (1698)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Numa fase tardia dos seus deslocamentos, os bandeirantes paulistas seguiram para o Vale do Para&iacute;ba e, na altura de Taubat&eacute;, se dirigiram para Minas Gerais cruzando a Serra da Mantiqueira. Em 1698, quase no fim do s&eacute;culo 17, ocorreu o achamento do ouro, riqueza buscada desde o in&iacute;cio do bandeirantismo, em vista do invej&aacute;vel sucesso que os colonizadores da Am&eacute;rica Espanhola tiveram quase dois s&eacute;culos antes. A descoberta do ouro ocorreu numa regi&atilde;o montanhosa da atual Ouro Preto.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Tratava-se de ouro de aluvi&atilde;o que era abundante e n&atilde;o requeria do explorador grandes investimentos (nada compar&aacute;vel ao custo de um engenho). Isso provocou a "corrida do ouro", pois a not&iacute;cia da descoberta se espalhou rapidamente. Houve migra&ccedil;&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o a essa regi&atilde;o de todas as partes do Brasil, inclusive de nordestinos. N&atilde;o s&oacute;, mas at&eacute; de portugueses em busca de melhor sorte na col&ocirc;nia. Ocorreram consequ&ecirc;ncias da maior import&acirc;ncia para os moradores do Brasil, como o povoamento do interior, a funda&ccedil;&atilde;o a&iacute; de novas freguesias, aldeias e vilas com estruturas administrativa, judici&aacute;ria e religiosa. O com&eacute;rcio do ouro, n&atilde;o s&oacute; do que foi enviado legalmente para a Metr&oacute;pole com pagamento de tributos, mas tamb&eacute;m do que era contrabandeado, acabou criando localmente estruturas fiscalizadoras, jur&iacute;dicas e alfandeg&aacute;rias. Surgiram novas vias como o Caminho Novo da Estrada Real (ao Rio de Janeiro e n&atilde;o para Paraty) para o escoamento do ouro. O Rio de Janeiro, mais pr&oacute;ximo das Minas toma o lugar de Salvador como capital. O com&eacute;rcio local &eacute; dinamizado sendo implantados engenhos, n&atilde;o para exporta&ccedil;&atilde;o, mas para consumo local que se tornara significativo. Por isso mesmo h&aacute; diversifica&ccedil;&atilde;o nas trocas comerciais, com a implanta&ccedil;&atilde;o at&eacute; de um circuito comercial de longa dist&acirc;ncia para a aquisi&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o mineira de carne (charque), animais de carga trazidos do sul. Essa pujan&ccedil;a mineira deslocou o centro econ&ocirc;mico que estava no Nordeste para o Sudeste. Mas, acima de tudo, estabeleceu pela primeira vez uma popula&ccedil;&atilde;o local com massa cr&iacute;tica capaz de identificar e expressar suas pr&oacute;prias necessidades, interesses e aspira&ccedil;&otilde;es libert&aacute;rias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Para o bem do Brasil, a explora&ccedil;&atilde;o do ouro trouxe os elementos que propiciaram a forma&ccedil;&atilde;o de uma verdadeira sociedade. N&atilde;o se tratava mais de um mero ajuntamento de pessoas, mas numa quantidade que superava "a massa cr&iacute;tica", o que garantia um grande n&uacute;mero de intera&ccedil;&otilde;es humanas de troca e compartilhamento de ideias, que deu lugar &agrave; emerg&ecirc;ncia de uma sociedade consciente de seus direitos e potencialidades. Isso ocorreu nas Minas Gerais, numa classe m&eacute;dia minimamente acima do n&iacute;vel da mera sobreviv&ecirc;ncia e diversificada, formada por artes&atilde;os, comerciantes, profissionais da minera&ccedil;&atilde;o, profissionais liberais, militares, artistas, etc.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Fam&iacute;lias mais ricas come&ccedil;aram a mandar seus filhos para estudarem na Europa, geralmente para Coimbra. Na volta eles traziam as ideias do Iluminismo, pois j&aacute; era o s&eacute;culo 18. Embora os brasileiros tivessem estudado numa universidade reacion&aacute;ria, na metr&oacute;pole que negou repetidas vezes o pedido de uma universidade na col&ocirc;nia (diferentemente da Am&eacute;rica Hisp&acirc;nica que teve muitas universidades), surgiu entre eles por volta de 1780, a ideia da Inconfid&ecirc;ncia, de inspira&ccedil;&atilde;o separatista, germe da Independ&ecirc;ncia cujo bicenten&aacute;rio comemoramos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Mas a metr&oacute;pole estava no fundo do po&ccedil;o. Desde D. Jo&atilde;o IV, Portugal vinha assinando acordos com a Inglaterra que concediam privil&eacute;gios comerciais aos brit&acirc;nicos, inclusive nas rela&ccedil;&otilde;es com o Brasil. Em 1703 D. Pedro II assina o malfadado Tratado de Methuen. Esses acordos refor&ccedil;aram o sistema banc&aacute;rio ingl&ecirc;s e financiaram a bem-sucedida Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial daquela na&ccedil;&atilde;o, onde a contribui&ccedil;&atilde;o do ouro colonial brasileiro n&atilde;o foi desprez&iacute;vel. Foi nesse contexto cr&iacute;tico para a Metr&oacute;pole que tentava se reerguer economicamente, que se deu a descoberta salvadora do ouro no Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Por&eacute;m, a explora&ccedil;&atilde;o do ouro de aluvi&atilde;o, por mais abundante que seja, pelas vantagens de dispensar investimentos e t&eacute;cnicas sofisticadas, &eacute; incrivelmente ef&ecirc;mera. Em meados do s&eacute;culo 18 j&aacute; entrava em decad&ecirc;ncia, provocando grave crise nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Para se reerguer, a col&ocirc;nia precisaria de um novo produto para exporta&ccedil;&atilde;o. Seria o caf&eacute; cujo ciclo come&ccedil;aria no in&iacute;cio do s&eacute;culo seguinte.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Cartografia seiscentista tardia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">"Mapa da maior parte da costa, e sert&atilde;o, do Brasil": esse mapa &eacute; de autoria do jesu&iacute;ta franc&ecirc;s Jacobo Cocleo que, sintetizando os conhecimentos acumulados pelas entradas e bandeiras dos s&eacute;culos 16 e 17, &eacute; representativo da cartografia do final do s&eacute;culo 17.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>A segunda investida dos bandeirantes para o oeste</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Logo no in&iacute;cio do ciclo do ouro, houve a Guerra dos Emboabas (1708-1709). Os bandeirantes paulistas reivindicavam o monop&oacute;lio da explora&ccedil;&atilde;o das jazidas de ouro, pois eles as tinham descoberto. Mas os emboabas, os forasteiros para os bandeirantes, inclusive rein&oacute;is que chegavam &agrave; regi&atilde;o das Minas atr&aacute;s do ouro, n&atilde;o arredaram p&eacute;. Os emboabas foram ainda favorecidos pela Coroa que tinha interesse em cobrar impostos e, assim, n&atilde;o concedeu o monop&oacute;lio reivindicado pelos bandeirantes. Estes acabaram perdendo a guerra e se retiraram. Continuaram buscando metais preciosos no antigo estado de Mato Grosso e em Goi&aacute;s, mas foram eles que deram os retoques finais que definiram os contornos gerais do Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i><b>Mato Grosso e Goi&aacute;s</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Ouro foi descoberto por volta de 1720 no Mato Grosso, perto da atual Cuiab&aacute;. Desta vez eram organizadas as mon&ccedil;&otilde;es, as famosas mon&ccedil;&otilde;es do rio Tiet&ecirc;. Desde 1722 at&eacute; 1838 elas partiam de Araritaguaba, atual Porto Feliz/SP. Seguiam os rios Tiet&ecirc;, Paran&aacute;, depois o Pardo e Anhande&uacute; no atual estado MS. Da&iacute; seguia-se a p&eacute; at&eacute; Campos das Vacarias para atingir o rio Miranda (MS), de onde se continuava pelo rio Paraguai at&eacute; Cuiab&aacute;. As mon&ccedil;&otilde;es para os bandeirantes eram vitais, pois transportavam os itens de sobreviv&ecirc;ncia para os faiscadores, mineradores e escravos dedicados s&oacute; &agrave; lavra do ouro. As mon&ccedil;&otilde;es eram t&atilde;o penosas e perigosas que desencorajavam os exploradores espanh&oacute;is a atac&aacute;-las. Mas, estes j&aacute; estavam contentes com Potos&iacute;. Todavia os mon&ccedil;oeiros deveriam evitar as miss&otilde;es dos jesu&iacute;tas a servi&ccedil;o da Espanha, na margem direita do rio Guapor&eacute; (lado leste da atual fronteira entre a Bol&iacute;via e o Brasil), pois ataques poderiam vir dali, em repres&aacute;lia pela retomada da Col&ocirc;nia do Sacramento, segundo os termos do Tratado de Madri (1750).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">De qualquer forma, o ouro do Mato Grosso, de aluvi&atilde;o, tamb&eacute;m acabou logo. Capit&atilde;es-generais que governaram Mato Grosso nesse per&iacute;odo, j&aacute; atuavam com o apoio de engenheiros, matem&aacute;ticos e cart&oacute;grafos que fizeram bons levantamentos e bons mapas. Isso foi uma consequ&ecirc;ncia da nova orienta&ccedil;&atilde;o implantada por D. Jo&atilde;o IV.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Tamb&eacute;m por volta de 1720 se descobriu ouro em Goi&aacute;s, onde a coloniza&ccedil;&atilde;o se consolidou melhor que no Mato Grosso, estabelecendo um mercado com fluxo permanente. A ocupa&ccedil;&atilde;o teve in&iacute;cio em 1725 em Vila Boa de Goi&aacute;s, hoje Cidade de Goi&aacute;s, &agrave;s margens do rio Vermelho, perto de Serra Dourada. Novas vilas surgiram pelos rios Tocantins e Vermelho. A cria&ccedil;&atilde;o de prelazias ajudou a Coroa na posse e conquista de terras al&eacute;m do meridiano de Tordesilhas. Para descentralizar e melhorar o controle, foi criada a Capitania de Goi&aacute;s em 1748. As minas de Goi&aacute;s ajudaram para a prosperidade das minas de Cuiab&aacute;, criando um caminho terrestre conectando Goi&aacute;s a Mato Grosso (capitania desde 1725), al&eacute;m da via fluvial que j&aacute; conectava Mato Grosso a S&atilde;o Paulo pelas mon&ccedil;&otilde;es. Assim Goi&aacute;s se integrou ela pr&oacute;pria &agrave;s capitanias do Mato Grosso, S&atilde;o Paulo e Minas Gerais, mantendo a integridade das fronteiras dos territ&oacute;rios conquistados, demarcando limites com fortifica&ccedil;&otilde;es constru&iacute;das por militares. Depois do esgotamento do ouro, tamb&eacute;m r&aacute;pido nessa regi&atilde;o, j&aacute; se abria um extenso territ&oacute;rio apto ao desenvolvimento da agropecu&aacute;ria e &agrave; ruraliza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o. O mapa da fronteira do Mato Grosso foi feito pelo primeiro Governador da Capitania de Goi&aacute;s, D. Marcos Noronha (Conde dos Arcos), nobre portugu&ecirc;s e administrador colonial, que ser&aacute; usado no Tratado de Madri.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Desta vez a coroa n&atilde;o poupou esfor&ccedil;os para a ocupa&ccedil;&atilde;o em Goi&aacute;s e no Mato Grosso. Garantindo a posse das terras, deteve o avan&ccedil;o de miss&otilde;es jesu&iacute;ticas espanholas que queriam ocupar a margem direita do rio Guapor&eacute;. Em 1757 D. Jos&eacute; I financiou postos de defesa nas fronteiras. O dinheiro vinha de Goi&aacute;s. Esse zelo, j&aacute; sabemos, era o temor de uma repres&aacute;lia espanhola em Cuiab&aacute; pelo estabelecimento da Col&ocirc;nia do Sacramento como eixo do contrabando da prata de Potosi. Houve batalhas militares entre espanh&oacute;is e portugueses at&eacute; o in&iacute;cio do s&eacute;culo 19 para estes defenderem o fluxo comercial nos rios Guapor&eacute; e Mamor&eacute;. A conex&atilde;o das bacias amaz&ocirc;nica e platina j&aacute; estava estabelecida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>D. Jo&atilde;o V: Diplomacia e cartografia</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Tratado de Utrecht</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Quase no fim do reinado de D. Pedro II, pai de D. Jo&atilde;o V, estourou a Guerra da Sucess&atilde;o da Espanha (1702-1714), a maior crise entre casas aristocr&aacute;ticas europeias provocada pela morte de Carlos II da Espanha. Este, antes de morrer, sugeriu que o seu sucessor fosse Felipe de Bourbon, o duque de Anjou que se tornaria Felipe V da Espanha. Mas ele era neto de Lu&iacute;s XIV da Fran&ccedil;a. Este tamb&eacute;m iria precisar de um sucessor e correu o boato de que ele tamb&eacute;m queria escolher Felipe V. Ent&atilde;o, Fran&ccedil;a e Espanha teriam um mesmo rei da casa dos Bourbons. Ora, a maioria dos outros pa&iacute;ses europeus era da casa dos Habsburgos que formaram a Grande Alian&ccedil;a (&Aacute;ustria, Inglaterra, Holanda, Su&eacute;cia, Dinamarca e principados alem&atilde;es) para evitar esse desfecho. Mas D. Pedro II reconheceu Felipe V como rei da Espanha, o que agradou a Lu&iacute;s XIV, mas ofendeu a Inglaterra e a Holanda, ambas da Grande Alian&ccedil;a. Em 1702 a guerra se espalhou rapidamente por toda a Europa e a Espanha perdeu. Portugal pediu ajuda &agrave; Fran&ccedil;a, mas essa ajuda n&atilde;o veio. Ent&atilde;o D. Pedro II se juntou &agrave; Grande Alian&ccedil;a e assinou o pacto de entrar na guerra contra a Espanha. &Eacute; que o segundo sucessor ao trono da Espanha era o Arquiduque Carlos da &Aacute;ustria, que apoiava a Grande Alian&ccedil;a. Assim Portugal ganhou cidades da Espanha, e no Brasil ganhou a Col&ocirc;nia do Sacramento e o Amap&aacute;. Mas as tratativas iniciadas por D. Pedro II foram formalizadas por seu sucessor D. Jo&atilde;o V, atrav&eacute;s do Tratado de Utrecht.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Cartografia para o dom&iacute;nio territorial</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">"Somente em 1713, com o acordo entre Portugal e Fran&ccedil;a assinado em Utrecht, iniciou-se, ent&atilde;o, a sequ&ecirc;ncia de acordos internacionais que exigiriam, na col&ocirc;nia, uma atividade incessante de t&eacute;cnicos e autoridades na busca de informa&ccedil;&otilde;es cada vez mais precisas, sobre as quais dependiam o sucesso ou o fracasso das negocia&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas. Enquanto na Corte eram reunidas as informa&ccedil;&otilde;es coletadas e elaborados os mapas e documentos que serviriam de base para os tratados de limites, na col&ocirc;nia ocorria um in&eacute;dito movimento de explora&ccedil;&atilde;o territorial" &#91;15&#93;. A novidade na cartografia eram influxos da Ilustra&ccedil;&atilde;o Lusitana e se caracterizava pelo ideal de representar o real nos menores detalhes. Isso levava ao quantitativo e &agrave; representa&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Padres matem&aacute;ticos Capassi e Soares</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">D. Jo&atilde;o V contratou os jesu&iacute;tas napolitanos Jo&atilde;o Batista Carbone (1694-1750) e Domingos Capassi (1694-1736), astr&ocirc;nomos e cart&oacute;grafos, para envi&aacute;-los para o Brasil com a tarefa de representar cartograficamente o espa&ccedil;o colonial brasileiro para o seu projeto metropolitano "O Novo Atlas da Am&eacute;rica Portuguesa" (1730-1748), pois estava preocupado com as possess&otilde;es no continente americano &#91;16&#93;. Mas Carbone n&atilde;o vem para o Brasil, pois foi nomeado matem&aacute;tico r&eacute;gio e assume a reitoria do Col&eacute;gio de Santo Ant&atilde;o; al&eacute;m de atividades cient&iacute;ficas, desempenhou tamb&eacute;m tarefas diplom&aacute;ticas, atuando como conselheiro de D. Jo&atilde;o V, inclusive em a&ccedil;&otilde;es mission&aacute;rias ultramarinas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Com Carbone sem poder deixar Lisboa, Capassi partiu para o Rio de Janeiro em 1729 como matem&aacute;tico r&eacute;gio, na companhia de Diogo Soares (1684-1748) em um navio de guerra. A miss&atilde;o no Brasil foi confiada a esses padres em raz&atilde;o de seus conhecimentos "modernos", ou seja, pelo fato de eles serem peritos em Cosmografia e Matem&aacute;tica &#91;17-19&#93;, isto &eacute;, Padres Matem&aacute;ticos como eram chamados. Tais caracter&iacute;sticas vinham ao encontro das necessidades da coroa portuguesa que, nessa &eacute;poca, buscava superar o que se considerava atraso.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i><b>Instrumentos e livros</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Capassi e Soares vieram munidos dos instrumentos, assim como de tabelas astron&ocirc;micas mais precisas e modernas da &eacute;poca, manufaturados ou publicados na Inglaterra.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i><b>M&eacute;todos de observa&ccedil;&atilde;o</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Pela m&aacute;xima precis&atilde;o da latitude (1") e da longitude (1') encontrada nos registros de Capassi e Soares, pode-se concluir que eles utilizaram os m&eacute;todos astron&ocirc;micos mais refinados que estavam ao alcance na &eacute;poca, e que eram pratic&aacute;veis com os instrumentos e tabelas que portavam.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><i><b>Itiner&aacute;rio</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em 1730, logo que chegaram ao Rio de Janeiro, Capassi e Soares instalaram um observat&oacute;rio no Col&eacute;gio da Companhia de Jesus do Rio de Janeiro, no Morro do Castelo, para determinar as coordenadas geogr&aacute;ficas da cidade. Nesse local, em 1567 os jesu&iacute;tas constru&iacute;ram uma pequena igreja de taipa, ao lado do Col&eacute;gio &#91;20&#93;. Em 1588 foi inaugurada uma nova igreja de pedra e cal. Em 1711, como parte da Guerra de Sucess&atilde;o Espanhola, uma esquadra francesa atacou o Rio de Janeiro e os defensores portugueses foram incapazes de oferecer resist&ecirc;ncia, apesar da vantagem num&eacute;rica. A igreja e o Col&eacute;gio dos Jesu&iacute;tas foram saqueados e coube &agrave; popula&ccedil;&atilde;o pagar um vultoso resgate aos franceses. Nas ru&iacute;nas do Col&eacute;gio, Capassi e Soares instalaram o observat&oacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Depois as observa&ccedil;&otilde;es se estenderam pelo litoral do Rio de Janeiro. O plano inicial era percorrer em seguida a regi&atilde;o de Minas Gerais, mas os governadores do Rio de Janeiro e da Col&ocirc;nia do Sacramento instaram com os dois padres para que fossem &agrave; Col&ocirc;nia do Sacramento, onde chegaram em 1730.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os estudos realizados por Capassi e Soares, particularmente as longitudes por eles levantadas foram mantidas em sigilo, como segredo de Estado, principalmente em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Espanha.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Terminando o levantamento na Col&ocirc;nia do Sacramento, Soares pretendia continuar realizando observa&ccedil;&otilde;es no sul da Am&eacute;rica Portuguesa, passando pelo Rio Grande e Santa Catarina antes de retornar ao Rio de Janeiro, para de l&aacute; partir para Minas. Entretanto, o fato do companheiro Capassi ter regressado antes ao Rio de Janeiro (talvez por alguma desaven&ccedil;a), levando consigo todos os instrumentos necess&aacute;rios &agrave; medi&ccedil;&atilde;o das coordenadas, impossibilitou os planos de Soares. Ent&atilde;o, ap&oacute;s a volta de ambos ao Rio de Janeiro, ambos se dirigiram ao interior, com o prop&oacute;sito de trabalharem em conjunto na regi&atilde;o das Minas Gerais, inclusive na regi&atilde;o das Minas Novas (Goi&aacute;s). Os dois se instalaram em Minas Gerais em 1732 onde permaneceram dois anos e elaboraram um conjunto de quatro mapas &#91;21&#93; que representavam todos os arraiais e vilas da regi&atilde;o, os caminhos da capitania, os postos de cobran&ccedil;a de impostos na entrada das capitanias lim&iacute;trofes (Rio de Janeiro e Bahia), a rede fluvial, as serras mais destacadas e a vegeta&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o do Mato Grosso. Para isso, contaram com a ajuda de moradores locais e de um guia pessoal, os quais repassaram informa&ccedil;&otilde;es relevantes sobre as localiza&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Ap&oacute;s terem realizado anota&ccedil;&otilde;es cartogr&aacute;ficas das Minas, os padres se dirigiram, no in&iacute;cio de 1735 para S&atilde;o Paulo. Independentemente do cansa&ccedil;o que sentia, Soares reconhecia a urg&ecirc;ncia de visitar Goi&aacute;s em virtude dos novos descobrimentos de ouro na regi&atilde;o. Soares ent&atilde;o se preparava para fazer observa&ccedil;&otilde;es nas Minas Novas (Goi&aacute;s), enquanto Capassi permaneceria em S&atilde;o Paulo elaborando a carta daquela capitania, percorrendo depois sua costa at&eacute; o Rio de Janeiro, de onde voltaria para Guaratinguet&aacute;, em S&atilde;o Paulo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Provavelmente a viagem pela costa de S&atilde;o Paulo foi o &uacute;ltimo projeto de Capassi, pois tendo voltado a S&atilde;o Paulo, j&aacute; adoentado, a&iacute; faleceu em 1736. Ap&oacute;s sua morte, Soares prosseguiu a miss&atilde;o cartogr&aacute;fica at&eacute; 1748 no Rio Grande de S&atilde;o Pedro (atual Rio Grande do Sul), ap&oacute;s ter retornado de Goi&aacute;s em 1738.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O retorno de Soares ao sul foi pedido pela Coroa, pois havia necessidade de controlar a regi&atilde;o que ainda n&atilde;o possu&iacute;a um mapa de seus caminhos. Um novo mapa com os caminhos que sa&iacute;am do Rio Grande de S&atilde;o Pedro para a Vila de Curitiba, e da&iacute; para S&atilde;o Paulo e Minas, poderia trazer grandes rendimentos &agrave; Coroa, pois, com o mapeamento, seriam cobrados impostos sobre as cavalgaduras e boiadas que seguiam para o centro do Brasil, para abastecer as Minas. A nova carta geogr&aacute;fica tamb&eacute;m garantiria a ocupa&ccedil;&atilde;o efetiva dos lusitanos na regi&atilde;o, que tamb&eacute;m era ocupada por padres castelhanos em miss&otilde;es com popula&ccedil;&otilde;es ind&iacute;genas locais. Soares morreu em 1748 em Goi&aacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A produ&ccedil;&atilde;o final da expedi&ccedil;&atilde;o de 19 anos foi o Novo Atlas da Am&eacute;rica Portuguesa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>O Mapa das Cortes (1749)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Este &eacute; o nome abreviado do "Mapa dos confins do Brazil com as terras da Coroa de Espanha na America Meridional" &#91;22&#93; utilizado pela Espanha e Portugal na assinatura do Tratado de Madri. O mapa foi encomendado por Alexandre de Gusm&atilde;o. Um estudo foi realizado &#91;23&#93;, mostrando que esse mapa resultou de uma colabora&ccedil;&atilde;o entre o embaixador portugu&ecirc;s D. Lu&iacute;s da Cunha (1662-1749) e o cart&oacute;grafo franc&ecirc;s Jean-Baptiste Bourguignon D'Anville (1697-1782). Deveria ser produzido intencionalmente um mapa, desta vez n&atilde;o tanto para retratar o territ&oacute;rio com precis&atilde;o, mas sobretudo para convencer os interlocutores espanh&oacute;is nas futuras negocia&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas. Foi o primeiro mapa da Am&eacute;rica meridional que deu ao Brasil os contornos bem semelhantes aos atuais, ou seja, foi o mapa que configurou o Brasil. D. Lu&iacute;s da Cunha era o embaixador de Portugal na Fran&ccedil;a, sob D. Jo&atilde;o V. Tendo defendido os interesses de Portugal no Tratado de Utrecht, contatou D'Anville que, como cart&oacute;grafo se destacou pela precis&atilde;o dos mapas e embasamento em cuidadosas pesquisas hist&oacute;ricas. Cunha, na qualidade de embaixador de Portugal, encomendou o Mapa das Cortes a D'Anville, que este desenhou com as informa&ccedil;&otilde;es que lhe foram fornecidas. Na elabora&ccedil;&atilde;o do Mapa das Cortes ele mirou mais o sucesso na esfera diplom&aacute;tica e valorizou mais a hist&oacute;ria dos tratados do que a precis&atilde;o cartogr&aacute;fica &#91;24&#93;, seu tra&ccedil;o caracter&iacute;stico. D'Anville foi um ge&oacute;grafo de gabinete, n&atilde;o de campo. Para fazer os mapas, recebia informa&ccedil;&otilde;es originais de viajantes, mas, usando seu filtro cr&iacute;tico selecionava os dados com os quais produzia mapas "de sua autoria".</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">N&atilde;o foi trivial a elabora&ccedil;&atilde;o desse mapa. Apenas para exemplificar, em 1747 Jos&eacute; Gon&ccedil;alves da Fonseca, secret&aacute;rio do Governo do Estado do Maranh&atilde;o e Gr&atilde;o-Par&aacute;, desenhou um mapa do rio Madeira (Carta Hidrogr&aacute;fica) com base nas informa&ccedil;&otilde;es recolhidas pelo sertanista Palheta. Esse mapa foi remetido a Alexandre de Gusm&atilde;o que, depois, solicitaria ao governador do Estado informa&ccedil;&otilde;es mais precisas sobre o Madeira e a sua conex&atilde;o com as minas do Mato Grosso &#91;25&#93;. As grandes diferen&ccedil;as notadas por Gusm&atilde;o entre a Carta Hidrogr&aacute;fica de 1747 de Jos&eacute; Gon&ccedil;alves da Fonseca e o Mapa das Cortes, causaram grande perplexidade aos respons&aacute;veis pol&iacute;ticos portugueses, antes de darem in&iacute;cio &agrave;s demarca&ccedil;&otilde;es de limites acordadas com a coroa espanhola no Tratado de Madri de 1750, e fizeram Gusm&atilde;o solicitar informa&ccedil;&otilde;es mais precisas. Estava em jogo a defini&ccedil;&atilde;o da linha demarcadora no extremo oeste do Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Uma nova expedi&ccedil;&atilde;o foi enviada de Bel&eacute;m do Par&aacute; em 1749, para explorar a comunica&ccedil;&atilde;o fluvial entre o Estado do Maranh&atilde;o e Gr&atilde;o-Par&aacute; e o Mato Grosso atrav&eacute;s da rota formada pelos rios Madeira, Mamor&eacute; e Guapor&eacute;. Ap&oacute;s nove meses de viagem, a expedi&ccedil;&atilde;o chegou ao Mato Grosso. O regresso foi mais r&aacute;pido: tendo partido em setembro de 1750, chegaram a Bel&eacute;m tr&ecirc;s meses depois. O resultado da expedi&ccedil;&atilde;o foi a produ&ccedil;&atilde;o de uma nova Carta Hidrogr&aacute;fica da regi&atilde;o que tamb&eacute;m n&atilde;o resolveu as disparidades que preocuparam Gusm&atilde;o. Isto serve para ilustrar qu&atilde;o dif&iacute;cil era cartografar certas regi&otilde;es. Como se n&atilde;o bastasse o emaranhado fluvial natural, as cartas eram feitas a v&aacute;rias m&atilde;os, informa&ccedil;&otilde;es adicionais vinham em di&aacute;rios que acompanhavam as cartas, muitas delas obtidas de habitantes locais (<a href="/img/revistas/cic/v74n3/a05-fig02.jpg">Figura 2</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Foi realizada uma an&aacute;lise cartogr&aacute;fica do Mapa das Cortes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Tratado de Madri (1750)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O Tratado de Madri, assinado em 1750 nessa cidade pelos representantes de Espanha e Portugal, foi aceito, mas ainda passaria por v&aacute;rias reviravoltas. Foi o &uacute;ltimo feito diplom&aacute;tico do reinado de D. Jo&atilde;o V. Sete meses ap&oacute;s a assinatura do tratado, D. Jo&atilde;o V faleceu e foi sucedido por seu filho D. Jos&eacute; I. Com a troca de poder, um novo homem forte surgiu na Corte Lusitana: o Marqu&ecirc;s de Pombal, que se tornaria um dos maiores cr&iacute;ticos dos trabalhos realizados por Gusm&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O Tratado de Madri estabeleceu que os padres jesu&iacute;tas espanh&oacute;is e os &iacute;ndios deveriam sair da regi&atilde;o dos Sete Povos, pois essas terras tinham se tornado portuguesas, abandonando todos os seus bens, exceto os de uso pessoal. Os padres e tamb&eacute;m os guaranis se sentiram tra&iacute;dos pela Espanha, na&ccedil;&atilde;o a que sempre tinham jurado fidelidade. Por isso decidiram que n&atilde;o arredariam o p&eacute; das redu&ccedil;&otilde;es, entendendo os guaranis que aquelas terras n&atilde;o eram portuguesas nem espanholas, mas deles. Tiveram in&iacute;cio as Guerras Guaran&iacute;ticas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"As meras abordagens litor&acirc;neas no rec&eacute;mnascido Brasil por navegadores, exploradores e piratas j&aacute; possibilitaram mapear, ainda que precariamente, os contornos do litoral oriental do nosso Brasil."</b></styled-content></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Devido &agrave;s Guerras Guaran&iacute;ticas, o Tratado de El Pardo (El Pardo &eacute; um pal&aacute;cio real nos arredores de Madri) foi assinado em 1761 pelos representantes de Carlos III da Espanha e D. Jos&eacute; I de Portugal, anulando o Tratado de Madri por n&atilde;o ter produzido a almejada paz. Mas esse tratado nem chegou a ser implementado.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Per&iacute;odo pombalino</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Assim que ascendeu ao trono de Portugal, D. Jos&eacute; I nomeou o lisboeta Sebasti&atilde;o Jos&eacute; de Carvalho e Melo (1699-1782), o Marqu&ecirc;s de Pombal (desde 1769), Primeiro-ministro at&eacute; a sua morte em 1777. Pombal era nobre e tinha sido diplomata na Inglaterra. Como Primeiro-ministro de Portugal promoveu v&aacute;rias mudan&ccedil;as dr&aacute;sticas e impactantes no reino e no Brasil, baixando decretos, alvar&aacute;s e leis.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Abordaremos apenas as a&ccedil;&otilde;es mais relacionadas com a demarca&ccedil;&atilde;o de fronteiras e a pol&iacute;tica indigenista no Brasil e a influ&ecirc;ncia da Reforma da Universidade de Coimbra nos conimbricenses brasileiros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Demarca&ccedil;&atilde;o de fronteiras no Sul (1752-1756)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Por ser imediatamente posterior &agrave; assinatura do Tratado de Madri, foi no per&iacute;odo pombalino que come&ccedil;aram os envios de comiss&otilde;es demarcadoras das fronteiras ao Brasil, para estabelecer com precis&atilde;o os limites nos termos desse tratado. Com ele foram definidos novos limites entre as possess&otilde;es portuguesas e espanholas, favorecendo as pretens&otilde;es de Portugal na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, Centro-Oeste e Sul, sobre territ&oacute;rios conquistados pelos colonizadores portugueses. A Espanha, por sua vez, tinha interesse em obter todo o territ&oacute;rio da Col&ocirc;nia do Sacramento &#91;26&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Com a transfer&ecirc;ncia da sede do reino de Lisboa para o Rio de Janeiro, a seguran&ccedil;a territorial e aus&ecirc;ncia de pessoal qualificado na agora ex-col&ocirc;nia eram as preocupa&ccedil;&otilde;es que demandavam a&ccedil;&otilde;es imediatas. A seguran&ccedil;a territorial implicava no conhecimento dos limites do territ&oacute;rio Brasil e na constitui&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as militares capazes de defend&ecirc;-lo da cobi&ccedil;a de estados estrangeiros."</b></styled-content></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O engenheiro italiano natural de P&aacute;dua, Miguel Ant&oacute;nio Ciera (-1782) era um dos estrangeiros que veio para Lisboa em 1751, contratados pela corte lusa para integrar a Terceira Partida do Sul, da comiss&atilde;o demarcadora dos limites das possess&otilde;es portuguesas na Am&eacute;rica. Por ordem da coroa de Portugal, deveria esse grupo percorrer o interior da Am&eacute;rica Meridional entre 1752-1756. Na fun&ccedil;&atilde;o de astr&ocirc;nomo e cosm&oacute;grafo da equipe demarcadora, Ciera subiu o rio Paraguai at&eacute; alcan&ccedil;ar o Jauru no atual estado de Mato Grosso onde, com seus companheiros, fixou um marco divis&oacute;rio de limites nos termos do Tratado de Madri. Durante essa viagem Ciera colheu informa&ccedil;&otilde;es para construir o seu mapa cobrindo os rios da Prata, Paran&aacute; e Paraguai, desde a Col&ocirc;nia de Sacramento at&eacute; a conflu&ecirc;ncia dos rios Paraguai com o Jauru, com que presenteou D. Jos&eacute; I em 1758. Hoje esse mapa encontra-se no acervo cartogr&aacute;fico da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Nesse mapa, al&eacute;m de precisas cartas geogr&aacute;ficas, Ciera registrou a l&aacute;pis e a aquarela elementos da fauna, nativos e paisagens, criando o primeiro conjunto iconogr&aacute;fico da regi&atilde;o hoje conhecida como Pantanal &#91;27&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O marco divis&oacute;rio plantado por Ciera e seus companheiros em 1754, conhecido como o Marco do Jauru, permaneceu no mesmo lugar perto da foz desse rio at&eacute; 1883, quando foi transferido para C&aacute;ceres (MT) &agrave; margem do rio Paraguai, na Pra&ccedil;a da Matriz. Apesar de outros pequenos translados pela cidade, encontra-se no local inicial, hoje em frente &agrave; catedral. Em 2009 um marco simb&oacute;lico em madeira entalhada foi colocado no local do marco original &#91;28&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Quando Ciera estava come&ccedil;ando seus trabalhos no sul do Brasil, por perto estava, tamb&eacute;m a servi&ccedil;o de D. Jos&eacute; I outro grupo. O Governador do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade, era o comiss&aacute;rio do lado portugu&ecirc;s, das tr&ecirc;s partidas para a delimita&ccedil;&atilde;o das fronteiras da regi&atilde;o Sul. A primeira partida deveria atuar na regi&atilde;o compreendida entre Castilhos Grandes no litoral atl&acirc;ntico do Uruguai e o rio Ibicu&iacute;, afluente do rio Uruguai e que corta o estado do Rio Grande do Sul de leste para oeste. Os jesu&iacute;tas astr&ocirc;nomos Bartolomeu Panigai e Bartholomeu Pinceti, e Estev&atilde;o Bramieri foram nomeados por D. Jos&eacute; I para comporem essa partida. Para essa regi&atilde;o eles foram enviados em 1753. A atua&ccedil;&atilde;o dessa partida &eacute; tratada em &#91;29&#93; descrevendo com &ecirc;nfase os instrumentos astron&ocirc;micos e os livros cient&iacute;ficos utilizados em campo para as tarefas de demarca&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Ap&oacute;s realizar a demarca&ccedil;&atilde;o que lhe competia, Ciera ofereceu seus pr&eacute;stimos a Gomes Freire de Andrade, que Ciera acompanhou quando esse general comandou as tropas lusas que se dirigiam &agrave;s miss&otilde;es jesu&iacute;ticas, em campanha contra os &iacute;ndios, na Guerra Guaran&iacute;tica. Assim Ciera testemunhou o terr&iacute;vel massacre pelas tropas luso-castelhanas de dois mil &iacute;ndios que defendiam o seu territ&oacute;rio. Nesse combate foi morto o l&iacute;der Sep&eacute; Tiaraj&uacute; em 1756.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nesse mesmo ano Ciera j&aacute; estava de volta a Lisboa, onde relatou esse massacre &agrave; corte. Depois ele foi contratado para administrar o Real Col&eacute;gio dos Nobres, fundado em 1761. A&iacute; um dos colaboradores dele foi o padre bolonh&ecirc;s Giovanni Angelo Brunelli, que tamb&eacute;m estivera antes no Brasil (ver adiante), para lecionar Matem&aacute;tica. Mas durou pouco esse Col&eacute;gio.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em 1772 foi incumbido de ensinar Astronomia na reformada Universidade de Coimbra. Nesse mesmo ano tornou-se doutor em Matem&aacute;tica com o padre Jos&eacute; Monteiro da Rocha (ver adiante), com quem colaborou para a cria&ccedil;&atilde;o da Faculdade de Matem&aacute;tica, na reforma daquela universidade. Ciera foi professor do mineiro de Mariana, Antonio Pires da Silva Pontes (1750-1805) e do paulistano Francisco Jos&eacute; de Lacerda e Almeida (1753-1798), futuros demarcadores de limites no p&oacute;s-Tratado de Santo Ildefonso. Mas em 1780, Ciera voltou &agrave; Lisboa para estabelecer a Real Academia da Marinha, onde ensinou Trigonometria Esf&eacute;rica e Arte da Navega&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica e pr&aacute;tica, at&eacute; o seu falecimento em 1782. Parte dessa Academia veio com D. Jo&atilde;o VI para o Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Diret&oacute;rio dos &Iacute;ndios (1757)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No Brasil persistia o problema dos ind&iacute;genas que antagonizava os colonizadores e os jesu&iacute;tas. Pombal alterou drasticamente a pol&iacute;tica indigenista, implantando o seu Diret&oacute;rio dos &Iacute;ndios. Para implantar essa pol&iacute;tica e todas as outras mudan&ccedil;as, Pombal nomeou seu meio-irm&atilde;o, Francisco Xavier de Mendon&ccedil;a Furtado. Mas Furtado n&atilde;o era a pessoa certa para essa fun&ccedil;&atilde;o. O Diret&oacute;rio foi aplicado em todo o Brasil, mas, recebendo den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o e abuso das autoridades respons&aacute;veis, foi extinto em 1798.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Demarca&ccedil;&atilde;o de fronteiras no Norte (1754)</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Furtado foi nomeado comiss&aacute;rio portugu&ecirc;s da expedi&ccedil;&atilde;o que estabeleceria a fronteira luso-espanhola na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica. Para exercer essa fun&ccedil;&atilde;o, logo recebeu uma equipe de engenheiros, matem&aacute;ticos e astr&ocirc;nomos que realizariam as tarefas especializadas da expedi&ccedil;&atilde;o. Mas os jesu&iacute;tas reagiram contra a forma de Furtado conduzir essa demarca&ccedil;&atilde;o que, planejada para 1754, resultou num fracasso devido &agrave; prepara&ccedil;&atilde;o e condu&ccedil;&atilde;o inepta de Furtado. Este n&atilde;o conseguia obter canoas, nem mantimentos para a expedi&ccedil;&atilde;o, nem &iacute;ndios para remar e auxiliar nas tarefas comuns. Para conseguir &iacute;ndios, os padres faziam oposi&ccedil;&atilde;o como protesto pelos maus tratos infligidos por Furtado aos nativos. Estes, que eram os verdadeiros conhecedores da regi&atilde;o e deveriam atuar com guias, n&atilde;o foram inclu&iacute;dos na expedi&ccedil;&atilde;o para essa fun&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A comiss&atilde;o brasileira de demarca&ccedil;&atilde;o tinha entre os seus membros, dois padres astr&ocirc;nomos: o jesu&iacute;ta croata Ign&aacute;cio Szentm&aacute;rtonyi (1718-1793) e o cl&eacute;rigo bolonh&ecirc;s Giovanni Angelo Brunelli (1722-1804) que tinham chegado em Bel&eacute;m (PA), em 1753.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Brunelli foi admitido como membro da comiss&atilde;o demarcadora, por n&atilde;o ter aparecido um candidato jesu&iacute;ta. A coroa preferia jesu&iacute;tas italianos ou alem&atilde;es. Al&eacute;m disso, Brunelli era arrogante e muito cioso da posi&ccedil;&atilde;o hier&aacute;rquica dentro da comiss&atilde;o. Com a anula&ccedil;&atilde;o das fronteiras definidas pelo Tratado de Madri, que fora revogado pelo Tratado de El Pardo em 1761, e tamb&eacute;m pagando um desagravo ao governador Mendon&ccedil;a, Brunelli voltou nesse ano para Lisboa por ordem do rei, onde deu continuidade &agrave; sua carreira de cart&oacute;grafo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Expuls&atilde;o dos jesu&iacute;tas (1759)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Foi no tr&aacute;gico Terremoto de Lisboa de 1755 que o jesu&iacute;ta italiano Gabriel Malagrida (1689-1751), sacerdote influente na corte, mas que fora mission&aacute;rio no norte e nordeste do Brasil a maior parte de sua vida, publicou um livro interpretando esse desastre como um castigo divino. Isso suscitou a ira de Pombal. Malagrida foi depois acusado de ter colaborado no atentado contra a vida de D. Jos&eacute; I em 1758 e preso. Foi ainda denunciado &agrave; Inquisi&ccedil;&atilde;o pelo pr&oacute;prio Pombal de heresia e condenado pelo Santo Of&iacute;cio &agrave; morte lenta no garrote vil e &agrave; queima em fogueira no dia seguinte, num auto de f&eacute; em 1761 na Pra&ccedil;a do Rossio, em Lisboa. Isso ocorreu j&aacute; na fase do chamado Terror Pombalino. O &oacute;dio de Pombal crescia e seu despotismo crescia. Para ele ainda faltava extirpar os jesu&iacute;tas conspiradores. Foi o que aconteceu em Portugal e nas col&ocirc;nias em 1758.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Cabo do Norte</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Quanto ao Cabo do Norte, a Fran&ccedil;a, no Tratado de Utrecht de 1713, tinha concordado que o rio Oiapoque era a fronteira divis&oacute;ria entre a Guiana Francesa e o Brasil. Mas depois ela contestou alegando que o rio Oiapoque n&atilde;o era o mesmo que o rio Vicente Pinz&oacute;n citado no tratado, e passou a reivindicar a parte em que hoje est&aacute; Cal&ccedil;oene. As reivindica&ccedil;&otilde;es eram antigas, mas recrudesceram quando ouro foi encontrado l&aacute; em 1893.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A demarca&ccedil;&atilde;o territorial no Cabo do Norte<u> </u>foi uma das mais demoradas e s&oacute; se resolveu no in&iacute;cio do s&eacute;culo 20.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Ilustra&ccedil;&atilde;o pombalina</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Pombal teve contato com as novas ideias do Iluminismo que proliferava nos meios eruditos europeus e, como um portugu&ecirc;s "estrangeirado", termo da &eacute;poca, ajudou a implantar a Ilustra&ccedil;&atilde;o Lusitana, uma vers&atilde;o local de uma modernidade "para ingl&ecirc;s ver" sem expurgar perversidades ancestrais, em que se tentava mesclar elementos contradit&oacute;rios como teocentrismo e antropocentrismo, absolutismo de estado, despotismo e livre-arb&iacute;trio, onde velhas estruturas da nobreza antagonizavam com produtores e mercadores. A ilustra&ccedil;&atilde;o pombalina manteve a escravid&atilde;o dos negros e o Pacto Colonial.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Por outro lado, o d&eacute;spota esclarecido Pombal, por lei v&aacute;lida em todo o Estado do Brasil, aboliu a escravid&atilde;o dos ind&iacute;genas de forma definitiva em 1758; elevou o Brasil a vice-reino de Portugal, quando o Rio de Janeiro passou a ser a capital do Brasil em substitui&ccedil;&atilde;o a Salvador em 1763. Em 1773 aboliu a distin&ccedil;&atilde;o entre crist&atilde;os-novos e crist&atilde;os-velhos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Atrav&eacute;s de um alvar&aacute; de 1761, Pombal encaminhou a aboli&ccedil;&atilde;o do tr&aacute;fico e escravid&atilde;o de negros em Portugal. Ficava proibido transportar negros de qualquer rinc&atilde;o do imp&eacute;rio, fosse na &Aacute;frica, &Aacute;sia ou Am&eacute;rica para o Reino. Uma nova lei de 1773 concedeu liberdade geral aos negros cativos em Portugal e Algarve. Esses dispositivos legais cuidadosamente protegiam a liberdade dos negros e o seu tr&aacute;fico na Metr&oacute;pole, mas n&atilde;o nas col&ocirc;nias &#91;30&#93;. Isso criou o contingente de desertores que iam a Portugal para l&aacute; obterem a liberdade, caso de negros marinheiros. Foram dispositivos legais especiosos que permitiram o tr&aacute;fico e a escravid&atilde;o no Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Reforma da Universidade de Coimbra (1772)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No campo educacional Pombal foi influenciado pelo padre portugu&ecirc;s oratoriano, te&oacute;logo e pedagogo Lu&iacute;s Ant&oacute;nio Verney (1713-1792), considerado um dos mais veementes estrangeirados do Iluminismo. Verney foi autor da famosa obra, "Verdadeiro M&eacute;todo de Estudar, para ser &uacute;til &agrave; Rep&uacute;blica e &agrave; Igreja: proporcionado ao estilo, e necessidade de Portugal" (1746). Criticava no ensino que era dominado pelos jesu&iacute;tas, a perman&ecirc;ncia no aristotelismo ensinado nos moldes da Segunda Escol&aacute;stica, formatada pelo jesu&iacute;ta espanhol, fil&oacute;sofo, te&oacute;logo e jurista Francisco Su&aacute;rez (1548-1617), j&aacute; que a Primeira Escol&aacute;stica era a do dominicano italiano Tom&aacute;s de Aquino (1225-1274). Su&aacute;rez passou os &uacute;ltimos anos de sua vida em Portugal, onde morreu. Verney apregoava uma educa&ccedil;&atilde;o que privilegiasse as ci&ecirc;ncias naturais e a experimenta&ccedil;&atilde;o, com o objetivo de formar uma elite cultural aberta ao pensamento racional e emp&iacute;rico.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Com essa inspira&ccedil;&atilde;o Pombal promoveu a c&eacute;lebre reforma da Universidade de Coimbra em 1772.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>P. Jos&eacute; Monteiro da Rocha (1734-1819)</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Um ex-jesu&iacute;ta educado no Col&eacute;gio da Bahia, talentoso matem&aacute;tico e astr&ocirc;nomo, colaborou com Pombal na reforma da Universidade de Coimbra.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Determina&ccedil;&atilde;o precisa da longitude</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No tocante &agrave; Astronomia, a determina&ccedil;&atilde;o precisa da longitude se tornou uma demanda premente no fim do s&eacute;culo 17 para os empreendedores privados, como tamb&eacute;m para os estados. Acidentes por desconhecer a localiza&ccedil;&atilde;o correta no mar, causavam mortes e grandes preju&iacute;zos pela perda de cargas e embarca&ccedil;&otilde;es. Os estados decidiram fundar observat&oacute;rios nacionais como o de Paris (1667) e o de Greenwich (1675), que se tornaram institui&ccedil;&otilde;es de longa dura&ccedil;&atilde;o, tanto que existem at&eacute; hoje. Tamb&eacute;m come&ccedil;aram a ser oferecidas recompensas e pr&ecirc;mios por casas reais, como da Espanha e Inglaterra, companhias de com&eacute;rcio e mercadores. Podendo fazer melhor aplica&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;todos de sat&eacute;lites de J&uacute;piter, de dist&acirc;ncias lunares e de eclipses lunares utilizando melhores instrumentos de observa&ccedil;&atilde;o e de controle da hora local, os erros de longitude se tornaram &lt;1º em 1720 em terra firme. A melhoria continuaria com uso do tel&eacute;grafo a partir de 1850, com o advento do r&aacute;dio, do rel&oacute;gio de quartzo, do rel&oacute;gio at&ocirc;mico e do GPS nos dias de hoje.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Como refer&ecirc;ncia, foi ainda no per&iacute;odo pombalino que em 1759 o relojoeiro ingl&ecirc;s John Harrison (1693-1776) entregou o famoso cron&ocirc;metro n&aacute;utico H4 &agrave; comiss&atilde;o julgadora que, finalmente, o considerou satisfat&oacute;rio. O erro dos rel&oacute;gios mec&acirc;nicos port&aacute;teis nos tempos de Newton era da ordem de 2 a 3 minutos por dia. Os rel&oacute;gios de p&ecirc;ndulo se tornaram bastante precisos em meados do s&eacute;culo 17 (precis&atilde;o de at&eacute; 10s por dia), mas n&atilde;o podiam ser usados em alto mar. A&iacute; surgiu, depois de muitas tentativas, o cron&ocirc;metro n&aacute;utico H4 de Harrison que, submetido a teste numa longa viagem mar&iacute;tima, atendeu aos requisitos de um rel&oacute;gio port&aacute;til, capaz de manter a hora certa do local de partida, no caso Greenwich, com precis&atilde;o de 1s em um m&ecirc;s. Hoje os rel&oacute;gios at&ocirc;micos de &uacute;ltima gera&ccedil;&atilde;o mant&ecirc;m a hora certa com precis&atilde;o de 1s em 100 milh&otilde;es de anos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Com instrumentos &oacute;pticos de precis&atilde;o, com a publica&ccedil;&atilde;o de efem&eacute;rides precisas na Fran&ccedil;a a partir de 1761 e na Inglaterra a partir de 1767 ("<i>The Nautical Almanac and Astronomical Ephemeris"</i>), o problema foi considerado solucionado para as necessidades da &eacute;poca, embora ainda pudesse ser melhorado. O m&eacute;todo de determina&ccedil;&atilde;o da longitude pela dist&acirc;ncia lunar j&aacute; era cogitado e at&eacute; tentado desde a viagem de Fern&atilde;o de Magalh&atilde;es. Mas s&oacute; em meados do s&eacute;culo 18 se tornou pratic&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>D. Maria I</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Assim que seu pai D. Jos&eacute; I faleceu em 1777, D. Maria I (1734-1816) se tornou rainha de Portugal at&eacute; 1816. Na verdade, a partir de 1792 seu filho D. Jo&atilde;o (D. Jo&atilde;o VI da fuga da Fam&iacute;lia Real para o Brasil) assumiu a reg&ecirc;ncia em seu lugar porque D. Maria teve problema mental.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O primeiro ato de D. Maria I foi demitir o Marqu&ecirc;s de Pombal e instaurar a conhecida "viradeira". Ela queria restituir a influ&ecirc;ncia da igreja e da alta nobreza sobre o Estado, libertar os perseguidos de Pombal que enchiam as pris&otilde;es e viviam em estado lastim&aacute;vel e dedicar-se a a&ccedil;&otilde;es caritativas a favor de pobres e &oacute;rf&atilde;os. Importante para Portugal, ela assinou o Tratado de Santo Ildefonso e, no campo da cultura e educa&ccedil;&atilde;o criou a Biblioteca Nacional e a Academia Real das Ci&ecirc;ncias.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Os astr&ocirc;nomos Sanches Dorta e Oliveira Barbosa no Brasil</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Ambos eram formados em Matem&aacute;tica pela j&aacute; reformada Universidade de Coimbra. Sanches Dorta era portugu&ecirc;s, s&oacute;cio correspondente da rec&eacute;m-fundada Academia Real das Ci&ecirc;ncias de Lisboa e Oliveira Barbosa era nascido no Rio de Janeiro. Eles foram enviados pela rainha D. Maria I como astr&ocirc;nomos reais para atuarem na demarca&ccedil;&atilde;o de fronteiras no sul do Brasil, conforme o Tratado de Santo Ildefonso. Na verdade, eles acabaram n&atilde;o realizando os trabalhos demarcat&oacute;rios, mas realizaram observa&ccedil;&otilde;es astron&ocirc;micas, meteorol&oacute;gicas e magn&eacute;ticas com bons instrumentos e com exemplar sistematicidade num observat&oacute;rio que instalaram no Morro do Castelo, no Rio de Janeiro e, depois, realizaram observa&ccedil;&otilde;es astron&ocirc;micas em S&atilde;o Paulo e prestaram servi&ccedil;os ao Governador da Capitania de S&atilde;o Paulo, como an&aacute;lise da qualidade da &aacute;gua dos rios e fontes da cidade de S&atilde;o Paulo, observa&ccedil;&otilde;es astron&ocirc;micas no interesse da movimenta&ccedil;&atilde;o de navios no porto de Santos, etc. Outros dois conimbricenses brasileiros tamb&eacute;m realizaram trabalhos demarcat&oacute;rios p&oacute;s-Tratado de Santo Ildefonso a servi&ccedil;o da coroa portuguesa nas regi&otilde;es norte e oeste do Brasil.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Vinda da fam&iacute;lia real</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Desde 1792, D. Jo&atilde;o, filho de D. Maria I, era o regente de Portugal. Em 1807 ele ordenou a vinda da fam&iacute;lia real para o Brasil para evitar a sua captura pelas tropas francesas. Portanto, a vinda da fam&iacute;lia foi uma fuga do temido Napole&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Esse evento era um desdobramento da crise entre Portugal e Fran&ccedil;a. Esta disputava hegemonia com a Inglaterra, a grande pot&ecirc;ncia mar&iacute;tima. Para derrot&aacute;-la, tendo j&aacute; levado a pior em 1705 na Batalha de Trafalgar (Cabo Trafalgar no Atl&acirc;ntico, perto do Gibraltar), Napole&atilde;o decretou o Bloqueio Continental. Mas Portugal, na&ccedil;&atilde;o tradicionalmente aliada da Inglaterra, terrivelmente endividada com ela, n&atilde;o participou do bloqueio. Da&iacute; o temor de D. Jo&atilde;o de ser retaliado. Ocorria tamb&eacute;m a ocupa&ccedil;&atilde;o das tropas francesas na Espanha, o que fez as col&ocirc;nias da Am&eacute;rica hisp&acirc;nica se aproveitarem para proclamar a independ&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A fuga feita com escolta brit&acirc;nica, acabou sendo boa para o Brasil, pois a vinda da Fam&iacute;lia Real para o Rio de Janeiro representou a transfer&ecirc;ncia de toda a Corte e administra&ccedil;&atilde;o do Reino para o Brasil. Este passou a ser a sede do governo portugu&ecirc;s e isso mudou a sociedade colonial. V&aacute;rias provid&ecirc;ncias foram tomadas por D. Jo&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao com&eacute;rcio, economia, administra&ccedil;&atilde;o, cultura e ci&ecirc;ncia. Decretou a abertura dos portos brasileiros ao com&eacute;rcio exterior, a permiss&atilde;o de manufatura revogando a proibi&ccedil;&atilde;o de D. Maria I de estabelecimento de f&aacute;bricas no Brasil. Foi criada uma escola de cirurgia na Bahia e outra no Rio de Janeiro. Tamb&eacute;m institui&ccedil;&otilde;es foram trazidas de Portugal melhorando o ensino, as ci&ecirc;ncias e a cultura.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No que concerne &agrave; Astronomia, foi transferida para o Rio de Janeiro a Academia Real dos Guardas-Marinhas (unidade da Real Academia da Marinha criada em Lisboa por Miguel Ciera em 1780), para formar oficiais da Marinha para servirem a Coroa portuguesa em tarefas de cartografia e navega&ccedil;&atilde;o. Para a navega&ccedil;&atilde;o os conhecimentos astron&ocirc;micos eram indispens&aacute;veis, pois atrav&eacute;s das posi&ccedil;&otilde;es dos astros se conhecia a posi&ccedil;&atilde;o do navio no mar. <i>"Com a transfer&ecirc;ncia da sede do reino de Lisboa para o Rio de Janeiro, a seguran&ccedil;a territorial e aus&ecirc;ncia de pessoal qualificado na agora ex-col&ocirc;nia eram as preocupa&ccedil;&otilde;es que demandavam a&ccedil;&otilde;es imediatas. A seguran&ccedil;a territorial implicava no conhecimento dos limites do territ&oacute;rio Brasil e na constitui&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as militares capazes de defend&ecirc;-lo da cobi&ccedil;a de estados estrangeiros. Havia falta de oficiais e de engenheiros, reflexo de pol&iacute;tica equivocada das cortes portuguesas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; col&ocirc;nia</i>" &#91;31&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Na transfer&ecirc;ncia da Academia Real dos Guardas-Marinhas de Lisboa para o Rio de Janeiro, al&eacute;m de todo o material did&aacute;tico e instrumental da Academia, veio tamb&eacute;m um rico acervo de mapas, plantas e documentos ligados aos hist&oacute;ricos tratados territoriais que ficaram depositados no Real Archivo Militar criado por D. Jo&atilde;o VI, do qual o Arquivo Hist&oacute;rico do Ex&eacute;rcito, no Rio de Janeiro, &eacute; sucessor direto.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A Academia Real dos Guardas-Marinhas foi a primeira institui&ccedil;&atilde;o oficial de ensino da Astronomia no Brasil que, de forma ininterrupta se conecta ao atual Observat&oacute;rio do Valongo, unidade acad&ecirc;mica do Centro de Ci&ecirc;ncias Matem&aacute;ticas e da Natureza da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O Observat&oacute;rio encontra-se no Morro da Concei&ccedil;&atilde;o, no bairro da Sa&uacute;de, no centro velho do Rio de Janeiro, e sedia cursos de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Astronomia.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">D. Jo&atilde;o fundou tamb&eacute;m o Jardim Bot&acirc;nico, o Museu Nacional, a Biblioteca Real, a Imprensa R&eacute;gia e a Academia de Belas Artes. Membros desta &uacute;ltima foram convidados por D. Jo&atilde;o VI a virem ao Brasil, pois queriam deixar a Fran&ccedil;a ap&oacute;s o ex&iacute;lio de Napole&atilde;o em 1814.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No dia 17 de dezembro de 1815, o Brasil foi elevado &agrave; categoria de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, deixando nominalmente de ser col&ocirc;nia de Portugal. D. Jo&atilde;o VI s&oacute; foi coroado rei de Portugal no dia 6 de fevereiro de 1818, ap&oacute;s a morte de sua m&atilde;e, D. Maria I.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Independ&ecirc;ncia do Brasil</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Enquanto D. Jo&atilde;o VI esteve fugido no Brasil, Portugal foi ocupado pelas tropas napole&ocirc;nicas at&eacute; 1810, quando os ingleses derrotaram o ex&eacute;rcito napole&ocirc;nico. Mas, a partir da&iacute; Portugal ficou sob comando brit&acirc;nico. A abertura dos portos no Brasil, decretada por D. Jo&atilde;o VI beneficiava o Brasil, mas prejudicava Portugal economicamente.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em 1820 a Revolu&ccedil;&atilde;o Liberal do Porto se radicalizou. Pediam a volta de D. Jo&atilde;o VI a Portugal, a forma&ccedil;&atilde;o de uma monarquia constitucional acabando com o absolutismo e retrocedendo o Brasil ao status de col&ocirc;nia de Portugal.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em 1821 D. Jo&atilde;o VI volta com a corte para Portugal. No final desse ano, as Cortes Portuguesas exigiram tamb&eacute;m a volta de D. Pedro de Alc&acirc;ntara, j&aacute; nomeado pr&iacute;ncipe regente do Brasil por seu pai, dias antes de embarcar de volta para Portugal. D. Jo&atilde;o VI mantinha assim um v&iacute;nculo entre Portugal e Brasil. Mas no in&iacute;cio de 1822, no dia que ficou conhecido como o Dia do Fico, D. Pedro j&aacute; articulado com a elite pol&iacute;tica local, decidiu contrariar as Cortes e se recusou a voltar. Havia insatisfa&ccedil;&atilde;o no Brasil pelos impostos que eram cobrados por Portugal, mas tamb&eacute;m havia por parte das Cortes intransig&ecirc;ncia, autoritarismo e desprezo pelo Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No governo do pr&iacute;ncipe-regente D. Pedro, Jos&eacute; Bonif&aacute;cio assumiu o Minist&eacute;rio do Reino e iniciou o processo eleitoral para uma Assembleia Constituinte. Nesse &iacute;nterim, no dia 7 de setembro de 1822 numa viagem a S&atilde;o Paulo, D. Pedro proclamou a Independ&ecirc;ncia do Brasil. De volta ao Rio de Janeiro foi coroado imperador do Brasil, D. Pedro I. Como o Brasil j&aacute; era Reino Unido a Portugal e Algarves, na Independ&ecirc;ncia foi formalizada a separa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica entre o Brasil e Portugal.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nascia o Brasil como monarquia, a &uacute;nica na Am&eacute;rica, diferente dos vizinhos republicanos. Nascia n&atilde;o com uma formalizada separa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, ou rompimento com a Metr&oacute;pole, mas com v&iacute;nculo entre pai e filho de heran&ccedil;a de d&iacute;vida. Segundo o Tratado de Paz e Alian&ccedil;a entre Portugal e Inglaterra, de 29 de agosto de 1825, a emancipa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do Brasil deveria ser paga pelo Brasil a Portugal no valor de 2 milh&otilde;es de libras esterlinas &#91;32,33&#93;. O pagamento, sim, daria a Independ&ecirc;ncia. Na negocia&ccedil;&atilde;o o Brasil teve que pagar tamb&eacute;m a d&iacute;vida que Portugal j&aacute; tinha com a Inglaterra, cerca de 85% dos 2 milh&otilde;es de libras, sendo o total pago com juros de 5% ao ano. Esse dinheiro o Brasil n&atilde;o tinha, logo teve que obter empr&eacute;stimo da Inglaterra que negociou esse tratado. Conclus&atilde;o: o Brasil j&aacute; nasceu devendo e continuou um pa&iacute;s agr&iacute;cola e monocultural.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Do ponto de vista pol&iacute;tico, o imperador brasileiro usou de sua autoridade para obstar uma constituinte livre e representativa, mantendo uma monarquia absolutista. A corte absolutista se manteve aliada &agrave; aristocracia agr&aacute;ria e escravista e a uma classe burocr&aacute;tica privilegiada, sufocando ideais libert&aacute;rios que espocavam aqui e ali.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Com uma elite pol&iacute;tica cooptada pela corte, aristocracia e classe burocr&aacute;tica privilegiadas, desigualdade social vincada numa escravid&atilde;o mal resolvida, a independ&ecirc;ncia foi boa, mas n&atilde;o para todos os brasileiros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Avan&ccedil;os cient&iacute;ficos</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Para a Ci&ecirc;ncia, em especial para a Astronomia, esse foi um per&iacute;odo auspicioso. Em 1822 a Igreja revogou a proibi&ccedil;&atilde;o ao ensino da teoria de Cop&eacute;rnico. Nesse mesmo ano, o "Di&aacute;logo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo" de Galileu, foi retirado do <i>Index</i>. Em 1823 o alem&atilde;o especialista em &oacute;ptica, Joseph von Fraunhofer (1787-1826), de Munique, depois de investigar as linhas escuras do espectro solar, descobriu-as tamb&eacute;m no espectro de estrelas. Espectro &eacute; o resultado da dispers&atilde;o da luz em suas v&aacute;rias cores, que se obt&eacute;m, por exemplo, quando o feixe de luz atravessa um prisma e se decomp&otilde;e, como num arco-&iacute;ris. A presen&ccedil;a de finas linhas escuras interrompendo o espectro do Sol e das estrelas, constitui a base observacional para o desenvolvimento da Astrof&iacute;sica (ramo da Astronomia que aplica conceitos e leis da F&iacute;sica para o estudo dos astros e do Universo), pois essas linhas s&atilde;o produzidas por &aacute;tomos e mol&eacute;culas, e elas permitem inferir a natureza e o comportamento f&iacute;sico dos astros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Evolu&ccedil;&atilde;o da astronomia no Brasil</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Houve uma impressionante evolu&ccedil;&atilde;o na Astronomia brasileira desde que D. Jo&atilde;o VI implantou aqui a Real Academia dos Guardas Marinhas, onde a Astronomia era ensinada para a forma&ccedil;&atilde;o e treinamento de oficiais da Marinha para uso na navega&ccedil;&atilde;o e no levantamento cartogr&aacute;fico. Em 1810 foi criada a Real Academia Militar onde a Astronomia tamb&eacute;m era ensinada, mas para a forma&ccedil;&atilde;o de oficiais do Ex&eacute;rcito para a defesa dos nossos dom&iacute;nios. Em 1827 foi criado o Imperial Observat&oacute;rio do Rio de Janeiro que, em 1871 se desligou da Escola Central, portanto da administra&ccedil;&atilde;o militar. Mas a Escola Central deu lugar &agrave; cria&ccedil;&atilde;o da Escola Polit&eacute;cnica do Rio de Janeiro, bra&ccedil;o civil dessa institui&ccedil;&atilde;o, germe da atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O Observat&oacute;rio, quando se desligou da administra&ccedil;&atilde;o militar por desejo do astr&ocirc;nomo franc&ecirc;s Emmanuel Liais (1826-1900), com endosso do imperador D. Pedro II, passou a desenvolver pesquisa pura, sem descontinuar os servi&ccedil;os de fornecimento da Hora Certa, de Meteorologia e de Geof&iacute;sica. Entenda-se aqui por pesquisa pura, aquela que &eacute; desenvolvida pela curiosidade, com mero intuito de ampliar o conhecimento, sem objetivar aplica&ccedil;&otilde;es pr&aacute;ticas, utilidade ou lucro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Na Astronomia, o objeto desse conhecimento desinteressado &eacute; o <i>Umwelt</i> (termo alem&atilde;o que significa meio ambiente) denotando a nossa voca&ccedil;&atilde;o mais prim&aacute;ria, a biol&oacute;gica, que confere o mais b&aacute;sico dos significados ao nosso di&aacute;logo com o mundo &#91;34&#93;. Em suma, para o astr&ocirc;nomo o meio ambiente &eacute; o Cosmo. Na pr&aacute;tica, &eacute; desse conhecimento desinteressado sobre o meio que nos envolve, que tem brotado a ci&ecirc;ncia geradora de novas tecnologias para fazermos frente aos desafios que v&atilde;o aparecendo, enfim para sobrevivermos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No Brasil, a Astronomia, com outras ci&ecirc;ncias, foi impulsionada com a cria&ccedil;&atilde;o da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias em 1916 com a denomina&ccedil;&atilde;o "Sociedade Brasileira de Sciencias". Na d&eacute;cada de 1960, os poucos astr&ocirc;nomos brasileiros daquela &eacute;poca, de repente viram-se reunidos por ocasi&atilde;o de um eclipse total do Sol em Bag&eacute; (RS), em 1966. A&iacute; eles se deram conta de que j&aacute; constitu&iacute;am uma comunidade incipiente. "No in&iacute;cio de 1952 o Brasil contava com os seguintes observat&oacute;rios astron&ocirc;micos oficiais: o Observat&oacute;rio Nacional (ON) do Minist&eacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o e Cultura (MEC), fundado em 1827; o Observat&oacute;rio do Morro Valongo (OV) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fundado em 1881; o Instituto Astron&ocirc;mico da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fundado em 1906 e inaugurado em 24 de janeiro de 1908, e o Observat&oacute;rio de S&atilde;o Paulo do Instituto Astron&ocirc;mico e Geof&iacute;sico da Universidade de S&atilde;o Paulo (IAG/USP), criado em 1927" &#91;35&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">J&aacute; estava fundada em 1948 a institui&ccedil;&atilde;o representativa da classe cient&iacute;fica, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), assim como as institui&ccedil;&otilde;es oficiais para o fomento da pesquisa (Conselho Nacional de Pesquisas, hoje Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico, CNPq) em 1951 e da forma&ccedil;&atilde;o de pessoal (Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior, CAPES) nesse mesmo ano. Houve institucionaliza&ccedil;&atilde;o da atividade astron&ocirc;mica e da forma&ccedil;&atilde;o de astr&ocirc;nomos sob uma tutela program&aacute;tica do Estado. Os astr&ocirc;nomos surfaram nessa onda e conseguiram rapidamente resultados cient&iacute;ficos palp&aacute;veis. Se em 1966 eles eram contados nos dedos, hoje (29/3/2022) s&atilde;o 577 s&oacute;cios efetivos (com titula&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica completa) filiados &agrave; Sociedade Astron&ocirc;mica Brasileira (SAB). Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o brasileira s&atilde;o 27 astr&ocirc;nomos profissionais por 10 milh&otilde;es de brasileiros. Dif&iacute;cil julgar o verdadeiro significado desse n&uacute;mero. Mas podemos estabelecer uma compara&ccedil;&atilde;o com outros pa&iacute;ses. Para isso, utilizemos o n&uacute;mero de astr&ocirc;nomos de diferentes pa&iacute;ses filiados &agrave; Uni&atilde;o Astron&ocirc;mica Internacional. Mantendo o n&uacute;mero de astr&ocirc;nomos por 10 milh&otilde;es de habitantes de cada pa&iacute;s, temos: 9,55 para o Brasil, mas, para a Su&eacute;cia (onde esse n&uacute;mero &eacute; m&aacute;ximo) temos 180,21, seguindo-se a Dinamarca e Austr&aacute;lia. Acima do Brasil entre os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina est&atilde;o Argentina, M&eacute;xico e Uruguai, nessa ordem. O que se pode dizer &eacute; que n&atilde;o seria descabido termos 19 vezes mais astr&ocirc;nomos brasileiros, ou 11 mil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Deixemos de lado o crescimento quantitativo e falemos agora de evolu&ccedil;&atilde;o qualitativa. As atuais modalidades de atividades astron&ocirc;micas se multiplicaram significativamente em termos de servi&ccedil;os e subdisciplinas, claro em boa parte pela diversifica&ccedil;&atilde;o universal, mas tamb&eacute;m pela diversifica&ccedil;&atilde;o na qualifica&ccedil;&atilde;o profissional das pessoas que comp&otilde;em a comunidade astron&ocirc;mica brasileira. As atuais atividades e subdisciplinas s&atilde;o: Servi&ccedil;o da Hora, Olimp&iacute;adas de Astronomia, Ensino b&aacute;sico de Astronomia, Divulga&ccedil;&atilde;o e Ensino n&atilde;o-formal na Astronomia (museus e planet&aacute;rios), Astronomia Amadora, Populariza&ccedil;&atilde;o da Astronomia, Gradua&ccedil;&atilde;o e P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Astronomia, Hist&oacute;ria da Astronomia, Arqueoastronomia e Etnoastronomia Brasileira, Astronomia Din&acirc;mica, Astrof&iacute;sica, Raios C&oacute;smicos, Radioastronomia, Cosmologia, Ondas Gravitacionais, Instrumenta&ccedil;&atilde;o Astron&ocirc;mica, Cons&oacute;rcios Astron&ocirc;micos Internacionais, Grandes Mapeamentos, Astronomia Espacial para Altas Energias e Meteor&iacute;tica &#91;36&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"No Brasil que n&atilde;o s&oacute; &eacute; extenso territorialmente, mas abriga a maior parte da Amaz&ocirc;nia, meio ambiente &eacute; tema prescrito originariamente. Aqui foram e continuam sendo desenvolvidas pesquisas sobre a nossa Astronomia nativa e inclusive sobre a Etnoastronomia de ra&iacute;zes africanas. Nesta mat&eacute;ria j&aacute; foram apurados interessantes conte&uacute;dos astron&ocirc;micos que podem enriquecer o ensino da hist&oacute;ria e cultura ind&iacute;gena e afro-brasileira."</b></styled-content></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Merece aqui uma nota a Arqueoastronomia e Etnoastronomia Brasileira. A comunidade astron&ocirc;mica brasileira respondeu rapidamente ao apelo da UNESCO de 2001, que lan&ccedil;ou uma linha de a&ccedil;&atilde;o sobre diversidade cultural para promover a prote&ccedil;&atilde;o e o respeito aos conhecimentos tradicionais, reconhecendo a sua contribui&ccedil;&atilde;o para o manejo e gest&atilde;o do meio ambiente. No Brasil que n&atilde;o s&oacute; &eacute; extenso territorialmente, mas abriga a maior parte da Amaz&ocirc;nia, meio ambiente &eacute; tema prescrito originariamente. Aqui foram e continuam sendo desenvolvidas pesquisas sobre a nossa Astronomia nativa e inclusive sobre a Etnoastronomia de ra&iacute;zes africanas. Nesta mat&eacute;ria j&aacute; foram apurados interessantes conte&uacute;dos astron&ocirc;micos que podem enriquecer o ensino da hist&oacute;ria e cultura ind&iacute;gena e afro-brasileira, tornado obrigat&oacute;rio desde 2008 por for&ccedil;a de lei (<a href="/img/revistas/cic/v74n3/a05-fig03.jpg">Figura 3</a>).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Mas um indicador objetivo da evolu&ccedil;&atilde;o da Astronomia brasileira &eacute; que ela se internacionalizou e se tornou competitiva. Uma breve sondagem foi feita sobre a evolu&ccedil;&atilde;o dos projetos brasileiros mais recentes nos &uacute;ltimos oito anos, com o intuito de atualizar as informa&ccedil;&otilde;es levantadas em 2013 &#91;37&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Conclui-se que a performance dos astr&ocirc;nomos brasileiros &eacute; satisfat&oacute;ria. O engajamento e o prest&iacute;gio internacional alcan&ccedil;ado &eacute; s&oacute;lido e irrevers&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Por&eacute;m, n&atilde;o podemos fechar os olhos para o contexto. A educa&ccedil;&atilde;o de toda sociedade ainda &eacute; sofr&iacute;vel. Evitando dados enviesados pela pandemia da COVID-19: em 2019 o analfabetismo entre maiores de 15 anos ainda atingia 6,6% da popula&ccedil;&atilde;o (11 milh&otilde;es de brasileiros); somente 46,6% da popula&ccedil;&atilde;o com mais de 25 anos tinha cursado n&iacute;vel fundamental completo; 27,4% o ensino m&eacute;dio completo e 17,4% o n&iacute;vel superior completo.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Em 2020 a pobreza atingiu 24,1% da popula&ccedil;&atilde;o e, em 2021, a pobreza extrema atingiu 5,7%. O &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano (IDH) &eacute; um indicador m&eacute;dio da qualidade de vida de um pa&iacute;s, baseado na sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e renda. O IDH corrigido para desmascarar a desigualdade na distribui&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento humano na popula&ccedil;&atilde;o de um pa&iacute;s &eacute; o IDHAD (&Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano Ajustado &agrave; Desigualdade). Para 2018 o maior IDHAD foi 0,889 para a Noruega e o menor, 0,222 para a Rep&uacute;blica Centro-Africana. Na lista de IDHAD decrescente com 150 pa&iacute;ses, o Brasil ocupa o 85º lugar com o &iacute;ndice 0,574. A Argentina est&aacute; na frente do Brasil no 45º lugar com &iacute;ndice 0,714, assim como a Venezuela no 75º lugar com &iacute;ndice 0,6. O Paraguai ocupa o 88º lugar com &iacute;ndice 0,562 e o Haiti, o 140º lugar com &iacute;ndice 0,299.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Diante desse pano de fundo vexaminoso, o &ecirc;xito acima verificado da Astronomia brasileira &eacute; mais uma anomalia, fruto do talento e empenho extraordin&aacute;rio de indiv&iacute;duos extraordin&aacute;rios numa sociedade terrivelmente desigual, que abriga bols&otilde;es de mis&eacute;ria e atraso. Para olhos atentos, o bom desempenho da Astronomia destaca mais a profunda desigualdade social, do que uma sociedade justa e equilibrada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Ainda hoje emergem com diferentes roupagens, mas com for&ccedil;a, as velhas heran&ccedil;as culturais acima apontadas: escravismo, pacto colonial, inferioridade intelectual impingida ou assumida. Segundo um precioso estudo baseado em antigos documentos universit&aacute;rios, houve nega&ccedil;&atilde;o a pedidos de cria&ccedil;&atilde;o de uma universidade aut&ocirc;noma no Brasil desde 1542! Mesmo com "soberania" de quase um s&eacute;culo, a primeira universidade federal brasileira foi criada s&oacute; em 1920. Os pedidos acima foram feitos pela Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro e S&atilde;o Paulo e tinham justifica&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida: n&iacute;vel de ensino compar&aacute;vel ao de Coimbra; pouparia gastos de envio de estudantes para o exterior. Mas, do outro lado, os argumentos para indeferir essas demandas foram sempre burocr&aacute;ticos, nunca examinando o m&eacute;rito. As negativas explicitavam o medo de competir com a col&ocirc;nia, alegavam desavergonhadamente que a solicita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o interessava para a Coroa, nem para a comunidade acad&ecirc;mica de Portugal e nem para setores da elite letrada brasileira. Afirmavam ainda que a fun&ccedil;&atilde;o dos nativos do Brasil era cuidar exclusivamente da produtividade da col&ocirc;nia para o bem da Metr&oacute;pole. Havia ainda uma vis&atilde;o elitista do acad&ecirc;mico, sobreposta a uma presumida m&aacute;-f&eacute; do brasileiro que pretendesse ser um acad&ecirc;mico: "os servi&ccedil;os suaves" das atividades acad&ecirc;micas serviriam de pretexto para que as verdadeiras responsabilidades dos nascidos no Brasil deixassem de ser cumpridas. A "verdadeira responsabilidade" dos brasileiros, na concep&ccedil;&atilde;o do tribunal lusitano, era exclusivamente a atividade extrativista. A fun&ccedil;&atilde;o dos naturais do Brasil deveria ser exclusivamente cuidar de seus campos, de seu sert&atilde;o t&atilde;o vasto, sem que o conhecimento pudesse distra&iacute;-los desta &uacute;nica tarefa &#91;38&#93;. Esses dem&ocirc;nios ainda precisam ser esconjurados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Agradecimento</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Agrade&ccedil;o a Ildeu de Castro Moreira pelo convite para escrever este texto, dando-me uma preciosa oportunidade para refletir sobre o passado da nossa Astronomia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"> <b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">1. CINTRA, J. P. C.; PIMENTEL, A. O Dia do Cart&oacute;grafo, a Reforma do Calend&aacute;rio e a Primeira Medi&ccedil;&atilde;o de Latitude no Brasil. <i>Revista Brasileira de Cartografia</i> &#91;online&#93;, v. 72, n. 3, p. 428-444, 2020, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://seer.ufu.br/index.php/revistabrasileiracartografia/article/view/53120" target="_blank">https://seer.ufu.br/index.php/revistabrasileiracartografia/article/view/53120</a>. Acesso em: 18  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">2. SILVA, G. A. O Cruzeiro do Sul na cartografia celeste dos s&eacute;culos XVI e XVII: evid&ecirc;ncias cartogr&aacute;ficas ajudam a derrubar um mito. <i>In:</i> FIOLHAIS, C.; SIM&Otilde;ES, C.; MARTINS, D. (eds.). <i>Hist&oacute;ria da Ci&ecirc;ncia Luso-Brasileira. Coimbra entre Portugal e o Brasil</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2013, p. 9-18.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">3. SILVA, G. A. A difus&atilde;o do Cruzeiro do Sul na cartografia quinhentista. <i>In:</i> MATSUURA, O. T. (org.). <i>Hist&oacute;ria da Astronomia no Brasil (2013)</i> &#91;online&#93;. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, v. 1, cap. 4, p. 132-149, 2014, Dispon&iacute;vel em: <a href="http://site.mast.br/pdf_volume_1/difusao_cruzeiro_sul_cartografia_quinhentista.pdf" target="_blank">http://site.mast.br/pdf_volume_1/difusao_cruzeiro_sul_cartografia_quinhentista.pdf</a>. Acesso em: 10  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">4. DENNEFELD, M. A history of the Magellanic Clouds and the European Exploration of the Southern Hemisphere. <i>The Messenger</i> (ESO), v. 181, p. 37-42, 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">5. FERN&Aacute;NDEZ-ARMESTO, F.<i> Straits: Beyond the Myth of Magellan</i>. Bloomsbury: University of California Press, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">6. KANTOR, I. Os confins &agrave; vista nos mapas Brasil, <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> &#91;online&#93;, v. 74, n. 1, p. 47-56, 2022, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://revistacienciaecultura.org.br/C&amp;C%201a%20edicao.pdf" target="_blank">https://revistacienciaecultura.org.br/C&C%201a%20edicao.pdf</a>. Acesso em: 15  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">7. Lima, F. P.; Barbosa, P. F.; Campos, M. D.; Jafelice, L. C. B. Rela&ccedil;&otilde;es c&eacute;u-terra entre os ind&iacute;genas no Brasil: distintos c&eacute;us, diferentes olhares. <i>In:</i> MATSUURA, O. T. (org.). <i>Hist&oacute;ria da Astronomia no Brasil (2013)</i> &#91;online&#93;. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, v. 1, cap. 3, 2014, Dispon&iacute;vel em: <a href="http://site.mast.br/pdf_volume_1/relacoes_ceu_terra_entre_os_indigenas_no_Brasil.pdf" target="_blank">http://site.mast.br/pdf_volume_1/relacoes_ceu_terra_entre_os_indigenas_no_Brasil.pdf</a>. Acesso em: 18  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">8. MATSUURA, O. T. Posse do rio Amazonas (1637-1639). <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">9. FERREIRA, N. A. M. <i>Lu&iacute;s Serr&atilde;o Pimentel (1613-1679): Cosm&oacute;grafo Mor e Engenheiro Mor de Portugal</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Faculdade de Letras. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2009, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/467/1/21222_ulfl071218_tm.pdf" target="_blank">https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/467/1/21222_ulfl071218_tm.pdf</a>. Acesso em: 17  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">10. CAMENIETZKI, C. Z. Esbo&ccedil;o biogr&aacute;fico de Valentin Stansel (1621-1705), matem&aacute;tico jesu&iacute;ta e mission&aacute;rio na Bahia. <i>Idea&ccedil;&atilde;o</i> &#91;online&#93;, v. 3, p. 159-182, 1999, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://bibliotecaquimicaufmg2010.files.wordpress.com/2012/02/ziller-sobre-estancel.pdf" target="_blank">https://bibliotecaquimicaufmg2010.files.wordpress.com/2012/02/ziller-sobre-estancel.pdf</a>. Acesso em: 17  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">11. STEPANEK, P. Valentin Stansel - um observador tcheco do c&eacute;u brasileiro. <i>Ibero-Americana Pragensia</i> &#91;online&#93;, v. XLI, p. 189-204, 2007, Dispon&iacute;vel em: https://docplayer.com.br/46954934-Valentin-stansel-um-observador-tcheco-do-ceu-brasileiro.html. Acesso em: 18  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">12. J&Uacute;LIO, V. S. C. <i>Uran&oacute;filo, o peregrino celeste: ou os &ecirc;xtases da mente ur&acirc;nica peregrinando pelo mundo celeste</i>. Carlos Ziller Camenietzki (Organiza&ccedil;&atilde;o e Tradu&ccedil;&atilde;o). Belo Horizonte: Fino Tra&ccedil;o Editora, 2021.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">13. SCHAFFER, S. Newton on the beach: the information order of <i>Principia Mathematica</i>. <i>History of Science,</i> v. 47, p. 243-276, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">14. CAMENIETZKI, C. Z. O cometa, o pregador e o cientista. Antonio Vieira e Valentin Stansel observam o c&eacute;u da Bahia no s&eacute;culo XVII, <i>Revista da SBHC</i>, v. 14, p. 37-92, 1995.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">15. SANJAD, N. As fronteiras do ultramar: engenheiros, matem&aacute;ticos, naturalistas e artistas na Amaz&ocirc;nia, 1750-1820, 431-437 &#91;online&#93;. <i>In:</i> Actas, VII Col&oacute;quio Luso-Brasileiro de Hist&oacute;ria da Arte<i>. Artistas e art&iacute;fices e a sua mobilidade no mundo de express&atilde;o portuguesa</i>. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2005, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.academia.edu/1779531/As_fronteiras_do_ultramar_engenheiros_matem%C3%A1ticos_naturalistas_e_artistas_na_Amaz%C3%B4nia_1750_1820" target="_blank">https://www.academia.edu/1779531/As_fronteiras_do_ultramar_engenheiros_matem%C3%A1ticos_naturalistas_e_artistas_na_Amaz%C3%B4nia_1750_1820</a>. Acesso em: 12  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">16. TIRAPICOS, L. A. M. <i>Ci&ecirc;ncia e diplomacia na corte de D. Jo&atilde;o V: a ac&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Baptista Carbone, 1722-1750</i> &#91;online&#93;. Tese de Doutoramento, Faculdade de Ci&ecirc;ncias. Lisboa: Universidade de Lisboa, 2017, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/35028/1/ulsd732232_td_Luis_Tirapicos.pdf" target="_blank">https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/35028/1/ulsd732232_td_Luis_Tirapicos.pdf</a>. Acesso em: 10  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">17. MENEZES, S. L.; RODRIGUES, G. C.; C&Eacute;LIO, J. A Ilustra&ccedil;&atilde;o Portuguesa e a Miss&atilde;o dos Padres Matem&aacute;ticos na Am&eacute;rica. <i>Revista Hist&oacute;ria e Cultura</i> &#91;online&#93;, Franca, v. 3, n. 2, p. 437-454, 2014, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.researchgate.net/publication/290113669_A_Ilustracao_portuguesa_e_a_Missao_dos_Padres_Matematicos_na_America_The_portuguese_Illustration_and_Mission_of_Mathematicians_Priests_in_America/fulltext /5694e90208ae820ff0748386/%20A-Ilustracao-portuguesa-e-a-Missao-dos-Padres-Matematicos-na-America-The-portuguese-Illustration-and-Mission-of-Mathematicians-Priests-in-America.pdf" target="_blank">https://www.researchgate.net/publication/290113669_A_Ilustracao_portuguesa_e_a_Missao_dos_Padres_Matematicos_na_America_The_portuguese_Illustration_and_Mission_of_Mathematicians_Priests_in_America/fulltext /5694e90208ae820ff0748386/%20A-Ilustracao-portuguesa-e-a-Missao-dos-Padres-Matematicos-na-America-The-portuguese-Illustration-and-Mission-of-Mathematicians-Priests-in-America.pdf</a>. Acesso em: 11  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">18. BICALHO, M. F. B. Sert&atilde;o de estrelas. A delimita&ccedil;&atilde;o das latitudes e das fronteiras na Am&eacute;rica portuguesa. <i>Varia Historia</i> &#91;online&#93;, v. 15, n. 21, p. 73-85, 1999, Dispon&iacute;vel em:  <a href="https://static1.squarespace.com/static/561937b1e4b0ae8c3b97a702/t/572b4c504d088e15d9334b67/1462455376900/5_Bicalho%2C+Maria+Fernanda+Baptista.pdf" target="_blank">https://static1.squarespace.com/static/561937b1e4b0ae8c3b97a702/t/572b4c504d088e15d9334b67/1462455376900/5_Bicalho%2C+Maria+Fernanda+Baptista.pdf</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">19. RODRIGUES, G. M.; SEZINANDO, L. A presen&ccedil;a dos padres matem&aacute;ticos na Am&eacute;rica Portuguesa &#91;online&#93;. <i>In: Anais do VI Congresso Internacional de Hist&oacute;ria</i>, 25-27 de setembro de 2013, Maring&aacute;, PR, 2013, Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.cih.uem.br/anais/2013/trabalhos/486_trabalho.pdf" target="_blank">http://www.cih.uem.br/anais/2013/trabalhos/486_trabalho.pdf</a>. Acesso em: 18  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">20. Hist&oacute;rias e Monumentos. Complexo Jesu&iacute;tico do Morro do Castelo, 2014. Traz um riqu&iacute;ssimo conjunto de mapas, imagens e fotografias da &eacute;poca. <i>Hist&oacute;rias e Monumentos</i> &#91;online&#93;, 2014, Dispon&iacute;vel em: <a href="http://historiasemonumentos.blogspot.com/2014/09/complexo-jesuitico-do-morro-do-castelo.html" target="_blank">http://historiasemonumentos.blogspot.com/2014/09/complexo-jesuitico-do-morro-do-castelo.html</a>. Acesso em: 17  jul. 2022.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">21. MACHADO, M. M. M.; RENGER, F. E. Os prim&oacute;rdios da ocupa&ccedil;&atilde;o de Minas Gerais em mapas, <i>Revista Brasileira de Cartografia</i> &#91;online&#93;, v. 67, n. 4, p. 759-771, 2015, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://seer.ufu.br/index.php/revistabrasileiracartografia/article/view/49119/26209" target="_blank">https://seer.ufu.br/index.php/revistabrasileiracartografia/article/view/49119/26209</a>. Acesso em: 16  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">22. Guia Geogr&aacute;fico - Hist&oacute;ria do Brasil. Brasil em 1749 - Mapa das Cortes. <i>Guia Geogr&aacute;fico - Hist&oacute;ria do Brasil</i> &#91;online&#93;, 2018, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.historia-brasil.com/mapas/seculo-18.htm" target="_blank">https://www.historia-brasil.com/mapas/seculo-18.htm</a>. Acesso em: 18  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">23. FURTADO, J. F. <i>Or&aacute;culos da geografia iluminista: Dom Lu&iacute;s da Cunha e Jean-Baptiste Bourguignon D'Anville na Constru&ccedil;&atilde;o da Cartografia do Brasil.</i> Belo Horizonte: Editora UFMG, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">24. CINTRA, J. P. O Mapa das Cortes: perspectivas cartogr&aacute;ficas. <i>Anais do Museu Paulista</i> &#91;online&#93;, v. 17, n. 2, p. 63-77, 2009, Dispon&iacute;vel em: <a href="http://old.scielo.br/pdf/anaismp/v17n2/05.pdf" target="_blank">http://old.scielo.br/pdf/anaismp/v17n2/05.pdf</a>. Acesso em: 18  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">25. ALMEIDA, A. F. A viagem de Jos&eacute; Gon&ccedil;alves da Fonseca e a cartografia do rio Madeira (1749-1752). <i>Anais do Museu Paulista</i> &#91;online&#93;, v. 17, n. 2, p. 215-235, 2009, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.scielo.br/j/anaismp/a/TVDBxkQzCCtDPf5yt8Df5YN/?format=pdf&amp;lang=pt" target="_blank">https://www.scielo.br/j/anaismp/a/TVDBxkQzCCtDPf5yt8Df5YN/?format=pdf&lang=pt</a>. Acesso em: 15  jul. 2022.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">26. MENDES, I. A. A Astronomia de Ign&aacute;cio Szentm&aacute;rtonyi na Demarca&ccedil;&atilde;o das Fronteiras da Amaz&ocirc;nia no S&eacute;culo XVIII. <i>In:</i> Sociedade Brasileira de Hist&oacute;ria da Matem&aacute;tica (SBHM). <i>Anais do IX Semin&aacute;rio Nacional de Hist&oacute;ria da Matem&aacute;tica</i> &#91;online&#93;, 17-20 abril 2021, Aracaju, SE, Brasil, p. 1-12, 2011, Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.each.usp.br/ixsnhm/Anaisixsnhm/Comunicacoes/1_Mendes_I_A_Astronomia_de_Ign%C3%A1cio_Szentm%C3%A1rtonyi.pdf" target="_blank">http://www.each.usp.br/ixsnhm/Anaisixsnhm/Comunicacoes/1_Mendes_I_A_Astronomia_de_Ign%C3%A1cio_Szentm%C3%A1rtonyi.pdf</a>. Acesso em: 14  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">27. COSTA, M. F. Miguel Ciera: um demarcador de limites no interior sul-americano (1750-1760). <i>Anais do Museu Paulista</i> &#91;online&#93;, v. 17, n. 2, p. 189-214, 2009, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.revistas.usp.br/anaismp/article/view/5519/7049" target="_blank">https://www.revistas.usp.br/anaismp/article/view/5519/7049</a>. Acesso em: 14  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">28. MENDES, L. C. C. Entre mem&oacute;rias esquecimentos: o Marco do Jauru e seus translados pela fronteira oeste &#91;online&#93;. <i>In:</i> GARCIA, D. S. C.; MICELI, P. C. (orgs.). <i>Hist&oacute;ria &amp; Fronteira</i>. C&aacute;ceres: Unemat Editora, p. 97-113, 2014, Dispon&iacute;vel em: http://www.unemat.br/reitoria/editora/downloads/eletronico/historia_e_fronteira.pdf &#91;Acesso em: 13  jul. 2022&#93;    .</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">29. GESTEIRA, H. M. Pr&aacute;ticas astron&ocirc;micas nos confins da Am&eacute;rica: instrumentos e livros cient&iacute;ficos na constru&ccedil;&atilde;o do Brasil (1750-1760) &#91;online&#93;. <i>In:</i> MATSUURA, O. T. (org.). <i>Hist&oacute;ria da Astronomia no Brasil (2013)</i> &#91;online&#93;. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, v. 1, cap. 4, p. 230-247, 2014, Dispon&iacute;vel em: <a href="http://site.mast.br/pdf_volume_1/praticas_astronomicas_confins%20_america.pdf" target="_blank">http://site.mast.br/pdf_volume_1/praticas_astronomicas_confins%20_america.pdf</a>. Acesso em: 10  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">30. SILVA, L. G. "Esperan&ccedil;a de Liberdade". Interpreta&ccedil;&otilde;es populares da aboli&ccedil;&atilde;o ilustrada (1773-1774). <i>Revista de Hist&oacute;ria</i> &#91;online&#93;, v. 144, p. 107-149, 2001, Dispon&iacute;vel em:  <a href="https://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/18912/20975" target="_blank">https://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/18912/20975</a>. Acesso em: 18  jul. 2022.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">31. CAMPOS, J. A. S. O. Observat&oacute;rio do Valongo e a hist&oacute;ria do ensino superior de astronomia no Rio de Janeiro &#91;online&#93;. <i>In:</i> MATSUURA, O. T. (org.). <i>Hist&oacute;ria da Astronomia no Brasil (2013)</i> &#91;online&#93;. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, v. 1, p. 270-297, 2014, Dispon&iacute;vel em: <a href="http://site.mast.br/pdf_volume_1/observatorio_valongo_historia_ensino_superior.pdf" target="_blank">http://site.mast.br/pdf_volume_1/observatorio_valongo_historia_ensino_superior.pdf</a>. Acesso em: 18  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">32. PEREIRA, A. P. <i>Dom&iacute;nios e Imp&eacute;rio: o Tratado de 1825 e a Guerra da Cisplatina na constru&ccedil;&atilde;o do Estado no Brasil</i> &#91;online&#93;. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado em Hist&oacute;ria Social. Niter&oacute;i: Universidade Federal Fluminense, 2007, Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.historia.uff.br/stricto/teses/Dissert-2007_PEREIRA_Aline_Pinto-S.pdf" target="_blank">https://www.historia.uff.br/stricto/teses/Dissert-2007_PEREIRA_Aline_Pinto-S.pdf</a>. Acesso em: 17  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">33. XAVIER, A. A. O.; REVADAM, R. O grito que custou uma d&iacute;vida, <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> &#91;online&#93;, v. 74, n. 1, p. 85-88, 2022, Dispon&iacute;vel em: https://revistacienciaecultura.org.br/C&amp;C%201a%20edicao.pdf. Acesso em: 15  jul. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">34. VIEIRA, J. A. O Universo complexo, <i>Perspicillum,</i> Rio de Janeiro, v. 7, n. 1, p. 25-40, 1993.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">35. SANTOS, P. M. <i>Uma retrospectiva de 50 anos da Astronomia Observacional no Brasil (1952-2002).</i> S&atilde;o Paulo: Instituto de Astronomia, Geof&iacute;sica e Ci&ecirc;ncias Atmosf&eacute;ricas, 2018.    </font></p>     ]]></body>
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