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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As contribuições dos povos indígenas para o desenvolvimento da ciência no Brasil: os povos originários colaboram de diversas formas com a sociedade brasileira desde a chegada dos portugueses até os dias de hoje]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>As contribui&ccedil;&otilde;es dos povos ind&iacute;genas para o desenvolvimento da ci&ecirc;ncia no Brasil: os povos origin&aacute;rios colaboram de diversas formas com a sociedade brasileira desde a chegada dos portugueses at&eacute; os dias de hoje</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Gersem Baniwa</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Ind&iacute;gena do povo Baniwa da Terra Ind&iacute;gena Alto Rio Negro, S&atilde;o Gabriel da Cachoeira (AM). &Eacute; professor associado do Departamento de Antropologia da Universidade de Bras&iacute;lia. Foi coordenador geral de Educa&ccedil;&atilde;o Escolar Ind&iacute;gena da Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o Continuada, Alfabetiza&ccedil;&atilde;o e Diversidade (Secad) do Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o (MEC), diretor-presidente do Centro Ind&iacute;gena de Estudos e Pesquisa (CINEP) e professor do curso de Licenciatura Espec&iacute;fica Forma&ccedil;&atilde;o de Professores Ind&iacute;genas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">No territ&oacute;rio hoje conhecido como Brasil estima-se que viviam mais de 12 milh&otilde;es de ind&iacute;genas, de mais de 1.600 povos ou etnias e mais de 1.400 l&iacute;nguas faladas. S&atilde;o sociedades aut&oacute;ctones das Am&eacute;ricas que desenvolveram e continuam desenvolvendo civiliza&ccedil;&otilde;es complexas, aut&ocirc;nomas e altamente sustent&aacute;veis, cujas hist&oacute;rias n&atilde;o acabaram, porque continuam vivas e cada vez mais enraizadas na sociedade de hoje.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As identidades e culturas ind&iacute;genas t&ecirc;m conservado suas singularidades em meio ao mundo globalizado, sem isolamento. Conservam o papel socializador e educador da fam&iacute;lia, da comunidade, do povo, dos anci&atilde;os. Valorizam, transmitem e aplicam suas sabedorias e valores ancestrais, respeitando a natureza. As culturas ind&iacute;genas tamb&eacute;m expressam os grandes valores universais. Nas solenidades das festas e dos rituais, no refinamento e beleza das vestimentas, na pintura corporal, na educa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria dos filhos, na concep&ccedil;&atilde;o sagrada do territ&oacute;rio, da natureza e do cosmos, elas manifestam a consci&ecirc;ncia ancestral, hist&oacute;rica, moral, est&eacute;tica, &eacute;tica, religiosa e social. A diversidade de vis&otilde;es de mundo e dos modos de organiza&ccedil;&atilde;o da vida s&atilde;o transmitidos de pais para filhos e de gera&ccedil;&atilde;o para gera&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Da perspectiva dos povos origin&aacute;rios da Am&eacute;rica, a hist&oacute;ria contada oficialmente sobre os 522 anos de Brasil est&aacute; baseada em muitas inverdades criadas pelos colonizadores para atender seus interesses geopol&iacute;ticos e de acordo com suas cosmovis&otilde;es. Para os povos origin&aacute;rios, o que aconteceu em 22 de abril de 1500, na regi&atilde;o de Porto Seguro, na Bahia, foi uma invas&atilde;o portuguesa aos seus territ&oacute;rios, seguido de declara&ccedil;&atilde;o de guerra com fins de exterm&iacute;nio que ainda n&atilde;o acabou.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Quando Pedro &Aacute;lvares Cabral desembarcou nas Terras dos Tupi e dos Guarani, estes estavam habitando o litoral e se beneficiando de um nicho ecol&oacute;gico abundante de peixes, tartarugas, moluscos, crust&aacute;ceos e sal, prote&iacute;nas imprescind&iacute;veis para a alimenta&ccedil;&atilde;o. Em 1500, os Tupi ocupavam uma parte importante da zona costeira compreendida atualmente entre o Cear&aacute; e a Cananeia (S&atilde;o Paulo) e os Guarani dominavam a faixa litor&acirc;nea entre a ilha de Cananeia e a Lagoa dos Patos no Rio Grande do Sul, al&eacute;m de importantes regi&otilde;es no interior &#91;1&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Para os povos origin&aacute;rios, o que aconteceu em 22 de abril de 1500, na regi&atilde;o de Porto Seguro, na Bahia, foi uma invas&atilde;o portuguesa aos seus territ&oacute;rios, seguido de declara&ccedil;&atilde;o de guerra com fins de exterm&iacute;nio que ainda n&atilde;o acabou."</b></styled-content></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A necessidade de encontrar justificativas civilizat&oacute;rias, morais e religiosas para exterminar os nativos levou os colonizadores a instrumentalizarem fundamentos crist&atilde;os etnoc&ecirc;ntricos, ora os desumanizando, ora inferiorizando suas culturas, l&iacute;nguas e saberes, propagando ideias preconceituosas de pr&aacute;ticas que seriam b&aacute;rbaras e anticrist&atilde;s, tais como pag&atilde;os, antrop&oacute;fagos, canibais, degredados, degenerados e outras. Tais estere&oacute;tipos passaram a justificar a escravid&atilde;o, as "guerras justas", os massacres, o genoc&iacute;dio de milh&otilde;es de pessoas.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Com a Independ&ecirc;ncia do Brasil em 1822, as elites iniciaram a constru&ccedil;&atilde;o das bases de um Estado Nacional, marcado pelo nacionalismo e pela afirma&ccedil;&atilde;o da soberania pol&iacute;tica nacional. O ind&iacute;gena, filho origin&aacute;rio da terra, tornou-se leg&iacute;timo representante simb&oacute;lico da nacionalidade, pelo menos no plano liter&aacute;rio rom&acirc;ntico. Eleito como s&iacute;mbolo da nacionalidade, express&atilde;o do patriotismo, o ind&iacute;gena foi representado na Literatura, nas Artes Pl&aacute;sticas, nos discursos pol&iacute;ticos e de intelectuais &#91;2&#93;. Cantados e exaltados, os ind&iacute;genas tiveram suas l&iacute;nguas estudadas at&eacute; pelo Imperador D. Pedro II. O pr&oacute;prio manto do Imperador era um trabalho ind&iacute;gena, confeccionado com penas de papos de tucanos &#91;3&#93;, exaltando a bravura ind&iacute;gena, a resist&ecirc;ncia e a morte heroica.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nos s&eacute;culos XVIII e XIX duas imagens contradit&oacute;rias sobre os ind&iacute;genas predominavam no imagin&aacute;rio da sociedade brasileira. Por um lado, uma imagem   positiva e rom&acirc;ntica que considerava o ind&iacute;gena como "bom selvagem", s&iacute;mbolo de pureza ou de ingenuidade e protetor da natureza, e, por outro lado, uma vis&atilde;o negativa que considerava o ind&iacute;gena como "mau selvagem", "atrasado", "b&aacute;rbaro" que deveria progredir aos padr&otilde;es da civiliza&ccedil;&atilde;o europeia ou deveria ser eliminado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O modelo de pol&iacute;tica indigenista no Brasil sofre desde sua origem profundas contradi&ccedil;&otilde;es: enquanto se propunha a respeitar as terras e a cultura ind&iacute;gena, agia buscando integrar e assimilar os ind&iacute;genas, transferindo e liberando seus territ&oacute;rios para coloniza&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo em que reprimia pr&aacute;ticas tradicionais, as l&iacute;nguas ind&iacute;genas e impunha uma pedagogia racista que devorou saberes, culturas e valores ind&iacute;genas. Em 1973 foi criado o Estatuto do &Iacute;ndio atrav&eacute;s da Lei n<sup>o</sup> 6.001 que passou a regular a situa&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica dos ind&iacute;genas, reafirmando a ideologia civilizacionalista e assimilacionista. As pol&iacute;ticas adotadas pelo Servi&ccedil;o de Prote&ccedil;&atilde;o aos &Iacute;ndios (SPI) e pela Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio (Funai) foram fortemente marcadas pela ideia de incapacidade dos &iacute;ndios.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Ao mesmo tempo em que o Estado reafirmava a incapacidade ind&iacute;gena, surgiam tentativas de extin&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndios para fins de apropria&ccedil;&atilde;o de suas terras. O Estado brasileiro buscou v&aacute;rias artimanhas para perseguir este objetivo. Uma das mais conhecidas foi a tentativa de defini&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios de indianidade para estabelecer quem era &iacute;ndio e quem deveria deixar de ser &iacute;ndio atrav&eacute;s de um procedimento administrativo. Houve agentes p&uacute;blicos e intelectuais que tentaram realizar exames de sangue para definirem o grau de acultura&ccedil;&atilde;o ou integra&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"A concep&ccedil;&atilde;o desenvolvimentista que v&ecirc; os &iacute;ndios como estorvo, empecilho e obst&aacute;culo permanece viva."</b></styled-content></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As d&eacute;cadas de 1960 e 1970 ficaram marcadas pela amea&ccedil;a eminente de desaparecimento dos povos ind&iacute;genas no Brasil, quando a popula&ccedil;&atilde;o chegou a menos de 70 mil pessoas, dos mais de 12 milh&otilde;es encontrados pelos portugueses em 1500. O primeiro contato dos ind&iacute;genas com os europeus ocasionou imensa mortalidade por ser a barreira imunol&oacute;gica desfavor&aacute;vel aos &iacute;ndios. As epidemias trazidas e propagadas pelos europeus entre os nativos foram mortais, associadas &agrave; fome nas populosas aldeias jesu&iacute;ticas &#91;4&#93;. Outros milhares de ind&iacute;genas foram dizimados pelas guerras.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">A partir dos anos 1970 os povos ind&iacute;genas come&ccedil;am a ser vistos por outra perspectiva, como sujeitos e protagonistas de suas hist&oacute;rias, destinos e direitos. Em 2000, dados do Censo Demogr&aacute;fico surpreenderam a todos, revelando uma popula&ccedil;&atilde;o de 734.127 autodeclarados ind&iacute;genas, mais do que o dobro identificado em 1991, de 294.131 &#91;5&#93;. Em 2020 a popula&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena havia alcan&ccedil;ado 1.100 mil pessoas. Mas quanto a isso, Carneiro da Cunha afirma que nunca se voltar&aacute; &agrave; situa&ccedil;&atilde;o de 1500, quando a densidade demogr&aacute;fica da v&aacute;rzea amaz&ocirc;nica era compar&aacute;vel &agrave; da pen&iacute;nsula ib&eacute;rica: 14,6 habitantes por km<sup>2</sup> na v&aacute;rzea amaz&ocirc;nica &#91;6&#93; contra 17 habitantes por km<sup>2</sup> na Espanha e Portugal &#91;7&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Mas a concep&ccedil;&atilde;o desenvolvimentista que v&ecirc; os &iacute;ndios como estorvo, empecilho e obst&aacute;culo permanece viva. Os argumentos praticamente s&atilde;o os mesmos: a necessidade de garantir o dom&iacute;nio sobre as terras e suas riquezas e levar o progresso e a civiliza&ccedil;&atilde;o aos povos ind&iacute;genas considerados sem civiliza&ccedil;&atilde;o e sem cultura. Aqueles que resistem em abandonar suas terras ou que contrap&otilde;em aos interesses do governo devem ser removidos, porque os interesses da na&ccedil;&atilde;o est&atilde;o acima de todos &#91;8&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Crescem amea&ccedil;as institucionais no Congresso Nacional, por meio de projetos de leis denominados de "pacote da morte". S&atilde;o dois projetos de leis, um que trata do Marco Temporal paras as demarca&ccedil;&otilde;es de terras ind&iacute;genas e outro que trata da abertura de terras ind&iacute;genas para a explora&ccedil;&atilde;o mineral. O marco temporal p&otilde;e em jogo o reconhecimento do mais fundamental dos direitos humanos dos povos ind&iacute;genas: o direito &agrave; terra. De um lado, a chamada tese do Indigenato, uma tradi&ccedil;&atilde;o legislativa que vem desde o per&iacute;odo colonial, reconhece o direito dos povos ind&iacute;genas sobre suas terras como um direito origin&aacute;rio, ou seja, anterior ao pr&oacute;prio Estado. A Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 segue essa tradi&ccedil;&atilde;o e garante aos ind&iacute;genas "os direitos origin&aacute;rios sobre as terras que tradicionalmente ocupam". Do outro lado, h&aacute; uma proposta restritiva que pretende limitar os direitos dos povos ind&iacute;genas &agrave;s suas terras ao reinterpretar a Constitui&ccedil;&atilde;o com base na tese do "marco temporal", afirmando que os povos ind&iacute;genas s&oacute; teriam direito &agrave; demarca&ccedil;&atilde;o das terras que estivessem sob suas posses no dia 05 de outubro de 1988 (dia da promulga&ccedil;&atilde;o da atual Constitui&ccedil;&atilde;o Federal), ou que naquela data estivessem sob disputa f&iacute;sica ou judicial comprovada.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os povos ind&iacute;genas consideram a tese injusta e perversa, pois legaliza e legitima as viol&ecirc;ncias a que foram submetidos at&eacute; a promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, em especial durante a ditadura militar e que suas hist&oacute;rias, vidas e exist&ecirc;ncias n&atilde;o come&ccedil;am em 1988. A tese ignora o fato que at&eacute; 1988 os povos ind&iacute;genas eram tutelados do Estado e n&atilde;o tinham autonomia para lutar juridicamente por seus direitos. O pr&oacute;prio Estado aplicou artimanhas de press&atilde;o, opress&atilde;o e viol&ecirc;ncia para expulsar e deslocar povos ind&iacute;genas de suas terras tradicionais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">O PL 191/2020 visa regulamentar a explora&ccedil;&atilde;o mineral, madeireira, h&iacute;drica e agropecu&aacute;ria em terras ind&iacute;genas. Atualmente, mesmo com a minera&ccedil;&atilde;o proibida em terras ind&iacute;genas em muitas delas, h&aacute; in&uacute;meras invas&otilde;es de garimpeiros que praticam atividades de minera&ccedil;&atilde;o de forma ilegal, violenta e criminosa, sob a omiss&atilde;o, coniv&ecirc;ncia ou mesmo apoio e incentivo expl&iacute;cito do governo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>As contribui&ccedil;&otilde;es dos povos ind&iacute;genas &agrave; sociedade brasileira</b></font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">As contribui&ccedil;&otilde;es dos povos ind&iacute;genas &agrave; sociedade brasileira tiveram in&iacute;cio logo ap&oacute;s a chegada dos portugueses &agrave;s terras brasileiras. Os &iacute;ndios ensinaram as t&eacute;cnicas de sobreviv&ecirc;ncia na selva e como lidar com v&aacute;rias situa&ccedil;&otilde;es perigosas nas florestas ou como se orientar nas expedi&ccedil;&otilde;es realizadas. Em todas as expedi&ccedil;&otilde;es empreendidas pelos colonizadores estavam os nativos como guias e prestadores de servi&ccedil;os, assim como aliados na expuls&atilde;o de outros invasores estrangeiros ou como m&atilde;o de obra nas frentes de expans&atilde;o agr&iacute;cola ou extractivista (<a href="/img/revistas/cic/v74n3/a11-fig01.jpg">Figura 1</a>) &#91;9&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XVI os ind&iacute;genas j&aacute; trocavam o pau-brasil, madeira corante valorizada na Europa, por mercadorias com os colonizadores portugueses. Milhares de toras foram transportadas para Portugal. Os ind&iacute;genas tornaram-se tamb&eacute;m a principal m&atilde;o de obra na edifica&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;dios e igrejas. Mesmo em meados do s&eacute;culo XVII, quando a m&atilde;o de obra negra j&aacute; predominava nos engenhos, os ind&iacute;genas passaram &agrave; pr&aacute;tica de cultivo de alimentos nos arredores dos engenhos.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Hoje &eacute; aceito oficialmente o fato que o povo brasileiro &eacute; formado pela jun&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s ra&ccedil;as: a ind&iacute;gena, a branca e a negra. Mas n&atilde;o foi somente no aspecto biol&oacute;gico que os &iacute;ndios contribu&iacute;ram para a forma&ccedil;&atilde;o do povo brasileiro, mas principalmente do ponto de vista cultural e epist&ecirc;mico, come&ccedil;ando com a pr&oacute;pria l&iacute;ngua portuguesa, que acabou incorporando v&aacute;rias palavras, conceitos e express&otilde;es de l&iacute;nguas ind&iacute;genas. H&aacute; centenas de nomes de lugares (Igua&ccedil;u, Itaquaquecetuba, Paranapanema), de cidades (Manaus, Curitiba, Cuiab&aacute;) de pessoas (Ubiratan, Tupinamb&aacute;, Raoni), de ruas e at&eacute; de empresas (Avia&ccedil;&atilde;o Xavante, Empresa Xingu).</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os &iacute;ndios, atrav&eacute;s de sua forte liga&ccedil;&atilde;o com a floresta, descobriram nela uma variedade de alimentos, como a mandioca (e suas varia&ccedil;&otilde;es como a farinha, o pir&atilde;o, a tapioca, o beiju e o mingau), o caju e o guaran&aacute;, utilizados at&eacute; hoje na alimenta&ccedil;&atilde;o. Esse conhecimento em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s esp&eacute;cies nativas &eacute; fruto de milhares de anos de conhecimento da floresta. Desenvolveram o cultivo de centenas de esp&eacute;cies como o milho, a batata-doce, o car&aacute;, o feij&atilde;o, o tomate, o amendoim, o tabaco, a ab&oacute;bora, o abacaxi, o mam&atilde;o, a erva-mate, o guaran&aacute; e outros. Os conhecimentos culin&aacute;rios dos povos ind&iacute;genas est&atilde;o presentes na vida dos brasileiros.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Outro legado dos povos ind&iacute;genas s&atilde;o os seus milenares conhecimentos medicinais. Alguns estudiosos estimam que os &iacute;ndios do Brasil j&aacute; chegaram a dominar uma cifra de mais de 200.000 esp&eacute;cies de plantas medicinais. Foram os ind&iacute;genas da Am&eacute;rica que dominaram, ao longo de s&eacute;culos ou mesmo de mil&ecirc;nios, conhecimentos sobre os produtos anest&eacute;sicos, que hoje s&atilde;o fundamentais para os processos cir&uacute;rgicos praticados pela medicina moderna. A medicina tradicional possui um valor incalcul&aacute;vel com potenciais para novas descobertas sobre os mist&eacute;rios da natureza e da vida e que podem representar solu&ccedil;&otilde;es para muitos males que hoje afligem a humanidade e os homens da ci&ecirc;ncia moderna.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Existem tamb&eacute;m as riquezas estrat&eacute;gicas que se encontram nos territ&oacute;rios ind&iacute;genas, dos quais eles s&atilde;o guardi&otilde;es e defensores. A principal delas &eacute; a megabiodiversidade existente em suas terras, que representam 13% do territ&oacute;rio brasileiro preservado. Fotos de sat&eacute;lite mostram que as terras ind&iacute;genas s&atilde;o ilhas de florestas verdes rodeadas por pastos e cultivos de monoculturas. Esta   n&atilde;o &eacute; apenas uma riqueza dos &iacute;ndios, mas de todos os brasileiros, na medida em que s&atilde;o florestas que contribuem para amenizar os desequil&iacute;brios ambientais do planeta nos tempos atuais.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os &iacute;ndios sempre foram considerados aptos para trabalhos militares, muitos sendo arregimentados pelas For&ccedil;as Armadas para participar de in&uacute;meros combates, como foi contra o Paraguai. Em algumas regi&otilde;es da fronteira amaz&ocirc;nica, jovens ind&iacute;genas formam maioria nas corpora&ccedil;&otilde;es militares, elogiados e reconhecidos pelos seus comandantes por suas habilidades diferenciadas nas tarefas e exerc&iacute;cios di&aacute;rios. Os povos ind&iacute;genas contribu&iacute;ram para a conforma&ccedil;&atilde;o e defesa das fronteiras do Brasil. &Eacute; o caso dos povos Macuxi e Wapichana, chamados no s&eacute;culo XVIII de "muralhas do sert&atilde;o". O Bar&atilde;o de Rio Branco e Joaquim Nabuco fundamentaram na presen&ccedil;a destes povos e nas suas rela&ccedil;&otilde;es com os portugueses a reivindica&ccedil;&atilde;o brasileira   na disputa de limites com a ent&atilde;o Guiana inglesa. Manuela Carneiro da Cunha reconhece que, da perspectiva da justi&ccedil;a hist&oacute;rica, &eacute; vergonhoso se contestar a conveni&ecirc;ncia de povos ind&iacute;genas povoarem as fronteiras amaz&ocirc;nicas que eles ajudaram a conquistar, consolidar e das quais continuam sendo guardi&otilde;es &#91;4&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Os povos ind&iacute;genas brasileiros constituem ainda uma riqueza cultural invej&aacute;vel para muitos pa&iacute;ses e continentes do mundo. S&atilde;o 305 povos &eacute;tnicos falando 275 l&iacute;nguas. 305 povos &eacute; bem mais que as 234 etnias existentes em todo o continente europeu. S&atilde;o poucos os pa&iacute;ses que possuem tamanha diversidade sociocultural e &eacute;tnica. Os povos ind&iacute;genas, al&eacute;m de herdeiros de hist&oacute;rias e de civiliza&ccedil;&otilde;es milenares, ajudaram e continuam ajudando a escrever e a construir a hist&oacute;ria do Brasil.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas mais de 100 mil ind&iacute;genas ingressaram no ensino superior e passaram a contribuir diretamente com a ci&ecirc;ncia acad&ecirc;mica com suas formas, regimes e sistemas de conhecimento e promovendo a circula&ccedil;&atilde;o e a valida&ccedil;&atilde;o de outros saberes, pautados em outras bases cosmol&oacute;gicas, ontol&oacute;gicas, filos&oacute;ficas e epistemol&oacute;gicas. Os povos ind&iacute;genas compartilham com o mundo, a partir da universidade, seus saberes, seus valores comunit&aacute;rios, suas cosmologias, suas vis&otilde;es de mundo e seus modos de ser, viver e estar no mundo. Assim, os povos ind&iacute;genas est&atilde;o contribuindo na constru&ccedil;&atilde;o de uma universidade que cada vez mais acolhe, agrega, soma, promove e expressa o universo ilimitado e plural de saberes, valores e sujeitos de conhecimentos. Uma universidade capaz de construir pontes, trilhas e horizontes civilizat&oacute;rios que nos entrela&ccedil;am com as nossas diferen&ccedil;as e diversidades de exist&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">Durante s&eacute;culos de contato com os povos europeus, os povos ind&iacute;genas n&atilde;o foram apenas v&iacute;timas da coloniza&ccedil;&atilde;o. Eles tamb&eacute;m colonizaram os colonizadores com suas l&iacute;nguas, culturas, valores, saberes e fazeres e protagonizaram intercasamentos com n&atilde;o ind&iacute;genas. H&aacute; quem acredita (eu acredito) que os povos ind&iacute;genas inspiraram os ideais da Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa com seus modos solid&aacute;rios, igualit&aacute;rios, comunit&aacute;rios, livres e autodeterminados de vida. Os povos ind&iacute;genas s&atilde;o povos com suas hist&oacute;rias e da Hist&oacute;ria que permanentemente (re)afirmam suas contemporaneidades e suas autoctonias em seus territ&oacute;rios e na vida nacional e global.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><styled-content style="color:#890e10"><b>"Os povos ind&iacute;genas brasileiros constituem ainda uma riqueza cultural invej&aacute;vel para muitos pa&iacute;ses e continentes do mundo. S&atilde;o 305 povos &eacute;tnicos falando 275 l&iacute;nguas."</b></styled-content></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">1. COUTO, J. <i>A Constru&ccedil;&atilde;o do Brasil</i>. Lisboa: Editora Cosmos, 1998.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">2. SILVA E PENHA, S. <i>A tem&aacute;tica ind&iacute;gena na sala de aula: reflex&otilde;es para o ensino a partir da Lei  n</i><sup><i>o</i></sup> 11<i>.645/2008</i>. Recife: Ed. Universit&aacute;ria da UFPE, 2013.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">3. AMOROSO, M. R.; SAEZ, O. C. <i>Filhos do Norte: o indigenismo em Gon&ccedil;alves Dias e Capistrano de Abreu</i>. S&atilde;o Paulo, MEC/MARI/UNESCO, 1995.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">4. CUNHA, M. C. O futuro da quest&atilde;o ind&iacute;gena. <i>Estudos Avan&ccedil;ados</i>, v. 8, n. 20, 1994.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">5.  BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE). Coordena&ccedil;&atilde;o de Popula&ccedil;&atilde;o e Indicadores Sociais. <i>Tend&ecirc;ncias demogr&aacute;ficas: uma an&aacute;lise dos ind&iacute;genas com base nos resultados da amostra dos censos demogr&aacute;ficos 1991 e 2000</i>. Rio de Janeiro: IBGE, 2005.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">6. DENEVAN, W. The aboriginal population of Amazonia. <i>In:</i> DENEVAN, W. (ed.) <i>The native population of the Americas</i>. Wisconsin: The University of Wisconsin Press, 1976, p. 205-235.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">7. BRUDEL, F. <i>Civilization materi&eacute;le, &eacute;conomic et capitalisme XV e XVIII e si&eacute;cle. Tome I.</i> Paris: Armand Colin, 1979.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">8. BANIWA, G. <i>Educa&ccedil;&atilde;o escolar ind&iacute;gena no s&eacute;culo XXI: encantos e desencantos</i>. Rio de Janeiro: M&oacute;rula/Laced, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="verdana,arial,helvetica,sans-serif">9. LUCIANO, G. J. S. <i>O &iacute;ndio brasileiro: o que voc&ecirc; precisa saber sobre os povos ind&iacute;genas no Brasil de hoje</i>. Bras&iacute;lia: SECAD/MEC/LACED/Museu Nacional, 2006.    </font></p>      ]]></body><back>
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