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<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20220055</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A ciência enquanto arma contra o retrocesso: "a ciência tem muito ainda a dar para a humanidade, e não só para ela - também para a Terra inteira". Confira editorial da Renato Janine Ribeiro para a quarta edição da Ciência & Cultura]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>10.5935/2317-6660.20220055 EDITORIAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A ci&ecirc;ncia enquanto arma contra o retrocesso: "a ci&ecirc;ncia tem muito ainda a dar para a humanidade, e n&atilde;o s&oacute; para ela - tamb&eacute;m para a Terra inteira". Confira editorial da Renato Janine Ribeiro para a quarta edi&ccedil;&atilde;o da <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Renato Janine Ribeiro</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC) e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas da Universidade de S&atilde;o Paulo (FFLCH-USP). Cientista pol&iacute;tico, escritor e colunista, foi ministro da Educa&ccedil;&atilde;o do Brasil no governo de Dilma Rousseff</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vivemos hoje um tempo que jamais poder&iacute;amos imaginar que viesse a ocorrer: uma &eacute;poca em que a ignor&acirc;ncia se tornou arrog&acirc;ncia. Muitas pessoas, inclusive governantes de pa&iacute;ses poderosos, se envaidecem de seu desconhecimento das afirma&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas da ci&ecirc;ncia. Sondagens de opini&atilde;o mostraram que h&aacute; pessoas, nos Estados Unidos como no Brasil, que acreditam que a Terra seja plana. E essa &eacute; apenas a parte emersa de um iceberg muito maior, que inclui a nega&ccedil;&atilde;o da efic&aacute;cia das vacinas, a repulsa ao conhecimento cient&iacute;fico, a prega&ccedil;&atilde;o do &oacute;dio. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este contexto torna urgente a defesa n&atilde;o s&oacute; da ci&ecirc;ncia e do conhecimento rigoroso, que inclui a literatura, as artes e a filosofia, mas tamb&eacute;m a dos valores &eacute;ticos que a humanidade, ap&oacute;s muitas lutas, consagrou nas Declara&ccedil;&otilde;es de Direitos que v&ecirc;m desde a Inglaterra de 1689 at&eacute; as d&eacute;cadas mais recentes. </font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Este contexto torna urgente a defesa n&atilde;o s&oacute; da ci&ecirc;ncia e do conhecimento rigoroso, que inclui a literatura, as artes e a filosofia, mas tamb&eacute;m a dos valores &eacute;ticos que a humanidade, ap&oacute;s muitas lutas, consagrou nas Declara&ccedil;&otilde;es de Direitos que v&ecirc;m desde a Inglaterra de 1689 at&eacute; as d&eacute;cadas mais recentes."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O combate n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, at&eacute; porque o avan&ccedil;o da ignor&acirc;ncia irrequieta (para usar uma express&atilde;o de Antonio Candido) vem junto com a recusa do di&aacute;logo e a nega&ccedil;&atilde;o de descobertas cient&iacute;ficas e de fatos apurados pela imprensa. N&atilde;o por acaso, cientistas e jornalistas se tornaram alvo preferencial do &oacute;dio industrializado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas h&aacute; um caminho, que esta edi&ccedil;&atilde;o de <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i> nos prop&otilde;e trilhar: consiste em mostrar &agrave;s pessoas que tenham ca&iacute;do na cilada do negacionismo que a ci&ecirc;ncia, vale, sim, e muito, e que &eacute; positivo apostar no conhecimento em vez da supersti&ccedil;&atilde;o. Como fazer isso? &Eacute; simples: come&ccedil;ando pelos ganhos, inclusive de conforto, que t&ecirc;m gra&ccedil;as &agrave; ci&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Voc&ecirc; usa um aplicativo de localiza&ccedil;&atilde;o, seja para encontrar uma rota com o carro, seja para saber dentro de quantos minutos chegar&aacute; o &ocirc;nibus? Pois n&atilde;o o teria se a Terra fosse plana. O GPS s&oacute; existe porque o planeta &eacute; (quase, a rigor) redondo. Voc&ecirc; n&atilde;o conhece nenhuma crian&ccedil;a que ande de muletas, condenada a us&aacute;-las pelo resto da vida? Pois conheceria muitas, n&atilde;o fossem as vacinas contra a poliomielite ou paralisia infantil, lembrando que o Brasil, com as campanhas de imuniza&ccedil;&atilde;o utilizando as vacinas Salk e Sabin, foi um dos primeiros pa&iacute;ses a conseguir libertar nossas crian&ccedil;as desse horror. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&atilde;o muitos os casos. Este n&uacute;mero de <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura</i>, gra&ccedil;as &agrave; colabora&ccedil;&atilde;o de not&aacute;veis cientistas, mostra como as pesquisas nas suas &aacute;reas - e muitas vezes as descobertas deles mesmos - melhoraram e continuam melhorando a vida de todos n&oacute;s. E acrescento: este &eacute; apenas um aperitivo. A ci&ecirc;ncia tem muito ainda a dar para a humanidade, e n&atilde;o s&oacute; para ela - tamb&eacute;m para a Terra inteira.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Consiste em mostrar &agrave;s pessoas que tenham ca&iacute;do na cilada do negacionismo que a ci&ecirc;ncia, vale, sim, e muito, e que &eacute; positivo apostar no conhecimento em vez da supersti&ccedil;&atilde;o."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas ainda h&aacute; mais. O negacionismo atual n&atilde;o &eacute; apenas uma recusa do conhecimento rigoroso. Ele tamb&eacute;m &eacute; uma postura de nega&ccedil;&atilde;o dos valores &eacute;ticos que a humanidade lapidou nos &uacute;ltimos s&eacute;culos. Nega a igualdade de direitos, bloqueia a igualdade de oportunidades, dissemina preconceitos, prega o &oacute;dio ao diferente. Pois n&oacute;s, defendendo o conhecimento de qualidade, a pesquisa cient&iacute;fica, o progresso da ci&ecirc;ncia que est&aacute; no nome de nossa sociedade, tamb&eacute;m queremos uma sociedade justa, em que ningu&eacute;m seja discriminado pela pele, sexo, g&ecirc;nero, orienta&ccedil;&atilde;o ou cren&ccedil;as. &Eacute; um s&oacute; combate, o que travamos em defesa do conhecimento e da liberdade. O leitor ver&aacute; neste n&uacute;mero de <i>Ci&ecirc;ncia e Cultura</i> n&atilde;o apenas descobertas cient&iacute;ficas novas, como tamb&eacute;m aplica&ccedil;&otilde;es delas que melhoram a vida de todas as pessoas e contribuem para reduzir a dist&acirc;ncia entre os privilegiados pelo dinheiro e os prejudicados por uma estrutura social in&iacute;qua. Como dissemos, &eacute; um s&oacute; combate o que travamos pela ci&ecirc;ncia e o que envidamos pela justi&ccedil;a.</font></p>      ]]></body>
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