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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A neurociência em nosso cotidiano: área se destaca pela importância de sua colaboração ao avanço da ciência e pelo impacto de seu progresso na vida das pessoas]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Neurociência]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>10.5935/2317-6660.20220058 ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A neuroci&ecirc;ncia em nosso: &aacute;rea se destaca pela import&acirc;ncia de sua colabora&ccedil;&atilde;o ao avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia e pelo impacto de seu progresso na vida das pessoas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Carlos Alexandre Netto</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor de Bioqu&iacute;mica no Instituto de Ci&ecirc;ncias B&aacute;sicas da Sa&uacute;de da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). &Eacute; membro titular da Academia Brasileira de Ci&ecirc;ncias (ABC). Participou de diretorias da Sociedade Brasileira de Neuroci&ecirc;ncias e Comportamento (SBNEC), da Sociedade Brasileira de Bioqu&iacute;mica e Biologia Molecular (SBBq) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC). Foi reitor da UFRGS por dois mandatos (2008-2016)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A neuroci&ecirc;ncia &eacute; uma &aacute;rea multidisciplinar de pesquisa dedicada a desvendar a a&ccedil;&atilde;o complexa de v&aacute;rias estruturas do sistema nervoso respons&aacute;veis pela modula&ccedil;&atilde;o do comportamento e das rea&ccedil;&otilde;es do indiv&iacute;duo ao ambiente externo e interno. Apesar de ser uma das &aacute;reas mais recentes das ci&ecirc;ncias da vida, a neuroci&ecirc;ncia se destaca pelo impacto que seu progresso traz para a vida das pessoas, tanto pelo entendimento das fun&ccedil;&otilde;es neurais superiores, normal e patol&oacute;gica, como pelo desenvolvimento de terap&ecirc;uticas para doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas e psiqui&aacute;tricas. Neste artigo, destacamos algumas contribui&ccedil;&otilde;es da neuroci&ecirc;ncia do comportamento para o entendimento e o tratamento da doen&ccedil;a de Alzheimer, da depress&atilde;o e da ansiedade social, com foco em estudos de neuroimagem e da medita&ccedil;&atilde;o de aten&ccedil;&atilde;o plena como ferramenta terap&ecirc;utica e preventiva de fatores de risco para dem&ecirc;ncias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Neuroci&ecirc;ncia; Neuroimagem; Doen&ccedil;a de Alzheimer; Depress&atilde;o; Ansiedade; Medita&ccedil;&atilde;o.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A neuroci&ecirc;ncia &eacute; uma das &aacute;reas mais vibrantes da pesquisa cient&iacute;fica, tanto pela multiplicidade de olhares como pelo impacto que as descobertas trazem para a vida e o bem-estar das pessoas. De caracter&iacute;stica multidisciplinar, o estudo do sistema nervoso desvenda a a&ccedil;&atilde;o complexa de v&aacute;rias estruturas que modulam o comportamento e as rea&ccedil;&otilde;es do indiv&iacute;duo ao ambiente, envolvendo disciplinas b&aacute;sicas (morfologia, fisiologia, bioqu&iacute;mica, gen&eacute;tica) e cl&iacute;nicas (neurologia e psiquiatria), e outras aparentemente mais distantes (como f&iacute;sica, matem&aacute;tica e computa&ccedil;&atilde;o).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estabelecida como uma das mais recentes &aacute;reas das ci&ecirc;ncias da vida, seu in&iacute;cio pode ser definido a partir dos trabalhos seminais de Santiago Ramon y Cajal e Camillo Golgi, que identificaram a estrutura celular e a conectividade do sistema nervoso, e de Ivan Pavlov, que demonstrou o papel do sistema nervoso na modula&ccedil;&atilde;o do comportamento alimentar, todos na transi&ccedil;&atilde;o entre os s&eacute;culos XIX e XX &#91;1&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de sua juventude, a neuroci&ecirc;ncia &eacute; destaque pela import&acirc;ncia de sua colabora&ccedil;&atilde;o ao avan&ccedil;o da ci&ecirc;ncia, materializada, por exemplo, no Pr&ecirc;mio Nobel de Medicina e Fisiologia, que teve sua primeira edi&ccedil;&atilde;o em 1901 e j&aacute; contemplou mais de 50 cientistas que tiveram como objeto de pesquisa o sistema nervoso &#91;1&#93;.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Neuroci&ecirc;ncia do comportamento</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos fundadores da neuroci&ecirc;ncia do comportamento foi Pavlov, que no discurso da cerim&ocirc;nia do Pr&ecirc;mio Nobel, em 1901, afirmou que</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"... apenas um    <br>   aspecto da vida    <br>   nos interessa: nossa    <br>   constitui&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica,    <br>   cujo mecanismo est&aacute;    <br>   envolto em escurid&atilde;o.    <br>   Todo o empenho    <br>   humano &eacute; empregado    <br>   para trazer luz, como    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   a arte, a religi&atilde;o, a    <br>   literatura e a filosofia.    <br>   Mas o homem    <br>   tem agora outro    <br>   potente instrumento,    <br>   a ci&ecirc;ncia natural    <br>   com seus m&eacute;todos    <br>   objetivos." &#91;2&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando a complexidade da &aacute;rea de pesquisa e o crescimento exponencial do n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es, especialmente a partir da &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XX, decidimos empregar estudos bibliom&eacute;tricos para selecionar alguns temas cient&iacute;ficos com maior relev&acirc;ncia para a sociedade. Os estudos bibliom&eacute;tricos identificam as contribui&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas publicadas em jornais especializados de ampla circula&ccedil;&atilde;o internacional, todos previamente revisados por pares, com os maiores n&uacute;meros de cita&ccedil;&otilde;es por outros autores/artigos. Isto significa que a comunidade especializada reconhece a relev&acirc;ncia dos artigos e baseia novas hip&oacute;teses e estudos nas ideias e conceitos veiculados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O rigoroso estudo de Andy Yeung e colegas &#91;3&#93; identificou os 100 artigos mais citados em neuroci&ecirc;ncias at&eacute; o ano 2016. O conjunto de artigos listados atingiu a impressionante m&eacute;dia de tr&ecirc;s mil cita&ccedil;&otilde;es e podem ser classificados em cinco grandes t&oacute;picos, com destaque para doen&ccedil;as neurol&oacute;gicas, circuitos moduladores das emo&ccedil;&otilde;es e neurobiologia do comportamento. A doen&ccedil;a mais estudada foi (e ainda &eacute;) a doen&ccedil;a de Alzheimer.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b> "O imageamento     cerebral é fruto     do tremendo     avanço científico     e tecnológico das     últimas décadas."</b></styled-content> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tratamento eficaz para a doen&ccedil;a de Alzheimer?</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A doen&ccedil;a de Alzheimer (DA) &eacute; uma das principais causas de dem&ecirc;ncia e figura entre os 10 mais importantes causas de morte e morbidade neurol&oacute;gica no mundo. Ela &eacute; definida como doen&ccedil;a neurodegenerativa progressiva que leva &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o irrevers&iacute;vel de neur&ocirc;nios, o que causa d&eacute;ficits cognitivos e de mem&oacute;ria; com a evolu&ccedil;&atilde;o do quadro os pacientes perdem a independ&ecirc;ncia e a pr&oacute;pria identidade. Sua incid&ecirc;ncia cresce com o aumento da expectativa de vida da popula&ccedil;&atilde;o, e proje&ccedil;&otilde;es estat&iacute;sticas estimam que quase 50% das pessoas com mais de 80 anos desenvolver&atilde;o DA (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a04fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os primeiros estudos identificaram a perda de neur&ocirc;nios colin&eacute;rgicos no prosenc&eacute;falo basal, regi&atilde;o do c&eacute;rebro envolvida na modula&ccedil;&atilde;o da mem&oacute;ria, em pacientes com a DA, no in&iacute;cio dos anos 1980; na d&eacute;cada seguinte foi identificado um biomarcador para a forma familiar e a evolu&ccedil;&atilde;o neuropatol&oacute;gica da doen&ccedil;a foi estabelecida a partir de duas caracter&iacute;sticas fundamentais: os emaranhados neurofibrilares, que correspondem a uma disfun&ccedil;&atilde;o do esqueleto celular de neur&ocirc;nios em regi&otilde;es cerebrais afetadas, e a deposi&ccedil;&atilde;o de placas beta-amiloides no par&ecirc;nquima cerebral, isto &eacute;, no espa&ccedil;o entre as c&eacute;lulas neurais &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A evolu&ccedil;&atilde;o de pesquisa, utilizando v&aacute;rios modelos experimentais (sobretudo em roedores, muitas vezes geneticamente modificados) revelou que uma mol&eacute;cula precursora amiloide faz parte das membranas neuronais saud&aacute;veis. Esta prote&iacute;na precursora pode ser quebrada em dois pontos por enzimas espec&iacute;ficas; o pept&iacute;deo beta-amiloide &eacute; o que se acumula na doen&ccedil;a de Alzheimer. Todos teremos algumas placas amiloides com no decorrer do envelhecimento, mas na DA os dep&oacute;sitos amiloides s&atilde;o muito mais volumosos e atingem muitas &aacute;reas do c&eacute;rebro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Partindo da hip&oacute;tese que a deposi&ccedil;&atilde;o amiloide &eacute; um dos fatores causais da doen&ccedil;a, pesquisadores desenvolveram anticorpos monoclonais contra as placas amiloides, na esperan&ccedil;a de que a destrui&ccedil;&atilde;o das placas pelos anticorpos pudesse interromper ou reverter o avan&ccedil;o dos sintomas. Apesar dos resultados pouco animadores em ensaios cl&iacute;nicos, o anticorpo foi aprovado para uso pelo &oacute;rg&atilde;o regulador norte-americano (Food and Drug Administration - FDA), decis&atilde;o que gerou muitas cr&iacute;ticas de cientistas e cl&iacute;nicos &#91;4&#93;. Hoje, est&atilde;o em desenvolvimento novos anticorpos contra os olig&ocirc;meros beta-amiloides, que s&atilde;o os pequenos pept&iacute;deos que se agregam para compor a placa amiloide, com resultados experimentais animadores. A terap&ecirc;utica imunobiol&oacute;gica inaugurou um novo tempo para o tratamento da DA, 20 anos ap&oacute;s a aprova&ccedil;&atilde;o dos f&aacute;rmacos hoje largamente utilizados e com alguma efici&ecirc;ncia nas fases iniciais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Imageamento cerebral nas doen&ccedil;as psiqui&aacute;tricas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra &aacute;rea de grande interesse cient&iacute;fico e da sociedade &eacute; o estudo das doen&ccedil;as psiqui&aacute;tricas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O diagn&oacute;stico e o tratamento dos transtornos psiqui&aacute;tricos dependem da avalia&ccedil;&atilde;o dos sintomas psicol&oacute;gicos e do comportamento dos pacientes. Apesar dos manuais e escalas utilizados na rotina de atendimento, cl&iacute;nicos e pesquisadores concordam sobre a necessidade de buscar biomarcadores confi&aacute;veis para elucidar os mecanismos neurobiol&oacute;gicos envolvidos na etiologia das doen&ccedil;as e na express&atilde;o dos sintomas para o desenvolvimento de melhores estrat&eacute;gias de tratamento. Desde os anos 1980, estudos de neuroimagem v&ecirc;m sendo realizados com esta finalidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O imageamento cerebral &eacute; fruto do tremendo avan&ccedil;o cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico das &uacute;ltimas d&eacute;cadas. O uso da tomografia computadorizada causou forte impacto na psiquiatria biol&oacute;gica ao demonstrar o alargamento dos ventr&iacute;culos cerebrais em pacientes com esquizofrenia, i.e., foi a primeira evid&ecirc;ncia de que uma doen&ccedil;a psiqui&aacute;trica poderia estar ligada a altera&ccedil;&otilde;es na estrutura, e talvez na fun&ccedil;&atilde;o, do c&eacute;rebro. As novas tecnologias, Tomografia por Emiss&atilde;o de P&oacute;sitrons (TEP), Resson&acirc;ncia Nuclear Magn&eacute;tica (RNM) estrutural e funcional, v&ecirc;m proporcionando aumento vertiginoso do conhecimento sobre altera&ccedil;&otilde;es funcionais nos mais diversos quadros psiqui&aacute;tricos e contribuindo para o desenvolvimento de abordagens terap&ecirc;uticas. Um estudo bibliom&eacute;trico recente &#91;5&#93; identificou os 100 artigos mais citados em neuroimagem nas doen&ccedil;as psiqui&aacute;tricas, seguindo a mesma metodologia do estudo anteriormente referenciado &#91;3&#93;. Dentre as patologias mais estudadas est&atilde;o justamente aquelas de maior incid&ecirc;ncia na popula&ccedil;&atilde;o, como depress&atilde;o, transtornos de ansiedade e esquizofrenia, bem como outras que afetam pacientes ainda em pleno desenvolvimento, como os transtornos do espectro autista e de hiperatividade e d&eacute;ficit de aten&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Estimula&ccedil;&atilde;o cerebral em depress&atilde;o resistente ao tratamento</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A depress&atilde;o &eacute; o transtorno psiqui&aacute;trico mais comum e uma das principais causas de incapacidade no mundo. O uso adequado de psicofarmacologia e de t&eacute;cnicas psicoterap&ecirc;uticas oferece aos pacientes tratamento efetivo, com al&iacute;vio dos sintomas e ajustamento socioafetivo. Contudo, parcela de at&eacute; 20%, dos pacientes n&atilde;o responde aos tratamentos convencionais e, ap&oacute;s o uso de m&uacute;ltiplos tratamentos, ser&atilde;o diagnosticados com depress&atilde;o resistente ao tratamento (DRT).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho de Helen Mayberg e colegas, publicado na revista Neuron, em 2005 &#91;6&#93;, foi o mais citado na &aacute;rea, somando mais de 1780 cita&ccedil;&otilde;es. O grupo de pesquisa investigou o uso de estimula&ccedil;&atilde;o cerebral profunda (ECP) num ensaio cl&iacute;nico em pacientes com DRT. Este tipo de estimula&ccedil;&atilde;o foi desenvolvido para pacientes da doen&ccedil;a de Parkinson, e consiste em procedimento neurocir&uacute;rgico para a coloca&ccedil;&atilde;o de eletrodos em regi&otilde;es cerebrais sabidamente envolvidas na doen&ccedil;a para estimula&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica (semelhante ao que acontece em pacientes com marca-passo card&iacute;aco). No estudo, os eletrodos foram implantados numa &aacute;rea que apresenta hiperatividade (regi&atilde;o subgenual do c&iacute;ngulo, conhecida como &aacute;rea BA25) em pacientes com sintomas depressivos graves, pois a efic&aacute;cia terap&ecirc;utica (medicamentos antidepressivos, terapia eletroconvulsiva, estimula&ccedil;&atilde;o magn&eacute;tica transcraneana) parece estar associada a uma diminui&ccedil;&atilde;o de atividade nesta mesma regi&atilde;o. Seis pacientes com DRT foram selecionados e tiveram os eletrodos implantados. Ap&oacute;s dois meses de estimula&ccedil;&atilde;o, eles foram avaliados atrav&eacute;s de escalas padronizadas de depress&atilde;o e testagem neuropsicol&oacute;gica. Os resultados demonstraram remiss&atilde;o sustentada da depress&atilde;o, com in&iacute;cio aos dois meses e mantida seis meses ap&oacute;s o procedimento, em quatro dos seis pacientes estudados. Os efeitos antidepressivos foram associados a redu&ccedil;&atilde;o marcante do fluxo sangu&iacute;neo cerebral na &aacute;rea BA25, bem como em outras &aacute;reas corticais e l&iacute;mbicas associadas, medido por TEP. Este foi o estudo pioneiro a sugerir que a interrup&ccedil;&atilde;o da atividade patol&oacute;gica focal em circuito l&iacute;mbico-cortical pela estimula&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica, provavelmente pela ativa&ccedil;&atilde;o de neur&ocirc;nios inibit&oacute;rios, pode efetivamente reverter os sintomas em pacientes com DRT.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os estudos com ECP para a depress&atilde;o continuam, com o objetivo de estabelecer as &aacute;reas cerebrais e os melhores protocolos de estimula&ccedil;&atilde;o, uma vez que a doen&ccedil;a est&aacute; associada a sistemas, vias, cerebrais disfuncionais, e n&atilde;o a uma falha generalizada de um ou mais tipos de neurotransmissores (as subst&acirc;ncias respons&aacute;veis pela comunica&ccedil;&atilde;o entre os neur&ocirc;nios). Aqui &eacute; interessante recuperar a vis&atilde;o de Arvid Carlsson, brilhante neurofarmacologista que recebeu o Pr&ecirc;mio Nobel em 2000 pela demonstra&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a e da fun&ccedil;&atilde;o dos neurotransmissores no c&eacute;rebro. Ele foi um dos cientistas que defendeu, e demonstrou, a ideia de que os dist&uacute;rbios do comportamento s&atilde;o provavelmente causados por disfun&ccedil;&otilde;es neurais, uma vez que os tratamentos eficazes modulam a a&ccedil;&atilde;o de neurotransmissores cerebrais. Apesar de ter-se dedicado ao estudo da dopamina, seu laborat&oacute;rio desenvolveu o prot&oacute;tipo dos inibidores de recapta&ccedil;&atilde;o seletiva de serotonina para uso em depress&atilde;o. Hoje esta classe de farmacol&oacute;gica &eacute; a primeira escolha no tratamento da depress&atilde;o. Em seu discurso na cerim&ocirc;nia do Nobel, afirmou:</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"...as novas t&eacute;cnicas    <br>   de imagem, m&eacute;todos    <br>   de an&aacute;lises de    <br>   imagem... ser&atilde;o muito    <br>   &uacute;teis para reduzir as    <br>   diferen&ccedil;as entre os    <br>   estudos animais e    <br>   humanos. Pelo menos,    <br>   estas abordagens    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   contribuir&atilde;o para    <br>   revelar nossa enorme    <br>   ignor&acirc;ncia sobre o    <br>   c&eacute;rebro humano." &#91;7&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Felizmente, sua longevidade (faleceu em 2018, aos 95 anos) permitiu-lhe acompanhar parte desta nova caminhada da neuroci&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Medita&ccedil;&atilde;o para redu&ccedil;&atilde;o do estresse em pacientes com ansiedade social</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ansiedade &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o humana cada vez mais comum. O entendimento de suas bases biol&oacute;gicas iniciou com Darwin, ao comparar as respostas de medo em animais com aquelas de seres humanos. Respostas de medo s&atilde;o elicitadas sempre que o indiv&iacute;duo se percebe em situa&ccedil;&atilde;o de perigo, e o estudo em animais experimentais j&aacute; desvendou boa parte das vias neurais e dos neurotransmissores envolvidos. H&aacute; um repert&oacute;rio mais amplo de respostas a situa&ccedil;&otilde;es de estresse, definidas como o conjunto de rea&ccedil;&otilde;es a circunst&acirc;ncias s&uacute;bitas ou amea&ccedil;adoras, nem sempre reais, que ativam um eixo nervoso que inclui hipocampo, hipot&aacute;lamo, hip&oacute;fise e c&oacute;rtex suprarrenal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estudos experimentais sobre o medo condicionado (quando o animal aprende a emitir respostas de medo a um est&iacute;mulo anteriormente neutro, como um som) revelaram que a am&iacute;gdala, uma estrutura bilateral subcortical formada por uma dezena de n&uacute;cleos neurais com in&uacute;meras conex&otilde;es, tem papel central no processamento das emo&ccedil;&otilde;es e da ansiedade. Importante revis&atilde;o, publicada por Joe LeDoux, em 2000 &#91;8&#93;, apontou como os achados em animais podem ser aplicados ao estudo das emo&ccedil;&otilde;es em humanos, especialmente os transtornos de ansiedade e na depress&atilde;o. Este &eacute; um dos artigos mais citados em neuroci&ecirc;ncia b&aacute;sica, com mais de quatro mil cita&ccedil;&otilde;es &#91;3&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O termo medita&ccedil;&atilde;o abarca ampla variedade de pr&aacute;ticas, algumas delas milenares. Os estudos cient&iacute;ficos usualmente empregam a medita&ccedil;&atilde;o baseada em aten&ccedil;&atilde;o plena (MAP, mindfulness em ingl&ecirc;s), que consiste no cultivo de consci&ecirc;ncia vigilante dos pensamentos, a&ccedil;&otilde;es, emo&ccedil;&otilde;es e motiva&ccedil;&otilde;es, especialmente da respira&ccedil;&atilde;o, bem como de aten&ccedil;&atilde;o dirigida e de habilidades de regula&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estudo muito interessante realizado por PR Goldin e colegas estudou o efeito da medita&ccedil;&atilde;o de aten&ccedil;&atilde;o plena na modula&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es em pacientes com ansiedade social &#91;9&#93;. O trabalho examinou se a MAP seria capaz de modular a reatividade emocional em pacientes com transtorno de ansiedade social (AS), caracterizado por um medo irracional de situa&ccedil;&otilde;es sociais e cren&ccedil;as negativas sobre si mesmo que interferem na vida do indiv&iacute;duo. Ensaio cl&iacute;nico com grupo de pacientes (m&eacute;dia de 35 anos de idade) diagnosticados com AS receberam treinamento em programa de MAP durante oito semanas. Ap&oacute;s, foram submetidos e exames de RNM funcional enquanto realizavam testes de rea&ccedil;&atilde;o a emo&ccedil;&otilde;es e cren&ccedil;as negativas. Todos os pacientes apresentaram diminui&ccedil;&atilde;o dos sintomas de ansiedade e depress&atilde;o, e melhora da autoestima (atrav&eacute;s de escalas validadas) ao final do programa. Os exames funcionais revelaram diminui&ccedil;&atilde;o da atividade na am&iacute;gdala e aumento da atividade em &aacute;reas envolvidas no processamento da aten&ccedil;&atilde;o, associados a diminui&ccedil;&atilde;o da reatividade emocional negativa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este &eacute; um dos estudos de neuroimagem em psiquiatria mais citados, pois al&eacute;m de pioneiro, oferece evid&ecirc;ncia da efic&aacute;cia de um tratamento n&atilde;o farmacol&oacute;gico (medita&ccedil;&atilde;o) e de um poss&iacute;vel mecanismo de a&ccedil;&atilde;o, diminui&ccedil;&atilde;o de atividade neural, em estrutura cerebral reconhecidamente importante para a regula&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es, a am&iacute;gdala.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Medita&ccedil;&atilde;o para preven&ccedil;&atilde;o e bem-estar no envelhecimento</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O aumento da expectativa m&eacute;dia de vida da popula&ccedil;&atilde;o traz consigo a maior incid&ecirc;ncia de doen&ccedil;as associadas ao envelhecimento, com destaque para as dem&ecirc;ncias. Muito se tem pesquisado sobre estrat&eacute;gias para preven&ccedil;&atilde;o das dem&ecirc;ncias e interven&ccedil;&otilde;es sobre mudan&ccedil;as no estilo de vida, como dieta e atividade f&iacute;sica, revelam-se promissoras (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a04fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um estudo piloto realizado na Fran&ccedil;a comparou estrutura e fun&ccedil;&atilde;o de algumas &aacute;reas cerebrais entre meditadores Budistas (entre 60 e 70 anos de idade, com mais de 15.000 horas de pr&aacute;tica) e adultos que n&atilde;o meditavam &#91;10&#93;. As an&aacute;lises dos exames de RNM estrutural e de TEP para an&aacute;lise do metabolismo demonstrou que os meditadores apresentavam maior volume de subst&acirc;ncia cinzenta e do metabolismo da glicose nas &aacute;reas corticais pr&eacute;-frontal, cingulado anterior e posterior, e na &iacute;nsula. Tais &aacute;reas est&atilde;o envolvidas justamente no processamento das emo&ccedil;&otilde;es e da aten&ccedil;&atilde;o, e se apresentam reduzidas com o envelhecimento &#91;10&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"A ciência é a maior     aventura do espírito     humano e base do     desenvolvimento     social e econômico     dos povos."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal resultado promissor levou um grupo de pesquisa europeu liderado por Gael Chetelat a estudar se a medita&ccedil;&atilde;o introduzida na rotina de adultos saud&aacute;veis poderia preservar sua estrutura cerebral e fun&ccedil;&otilde;es cognitivas no contexto do Projeto Europeu Medit-Aging; os primeiros resultados foram divulgados em 2022 &#91;11&#93;. Seguindo o desenho de um estudo cl&iacute;nico randomizado, adultos com 65 anos ou mais, sem qualquer sintomatologia cognitiva, neurol&oacute;gica ou psiqui&aacute;trica pr&eacute;via, foram aleatoriamente divididos em tr&ecirc;s grupos: treino em medita&ccedil;&atilde;o, treino em l&iacute;ngua n&atilde;o-nativa (ingl&ecirc;s), sem interven&ccedil;&atilde;o. O per&iacute;odo de interven&ccedil;&atilde;o foi de 18 meses, ap&oacute;s o qual exames de neuroimagem para medir poss&iacute;veis altera&ccedil;&otilde;es do volume e de fluxo sangu&iacute;neo (medida indireta do metabolismo) do c&oacute;rtex cingulado anterior e da &iacute;nsula, utilizando RNM e PET, e avalia&ccedil;&atilde;o de regula&ccedil;&atilde;o da aten&ccedil;&atilde;o, capacidades socioemocionais e capacidade de autoconhecimento foram realizados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o foram encontrados efeitos da medita&ccedil;&atilde;o ou da aprendizagem de l&iacute;ngua sobre o volume, ou a perfus&atilde;o nas estruturas cerebrais estudadas, por&eacute;m o grupo que meditou apresentou melhores escores de regula&ccedil;&atilde;o de aten&ccedil;&atilde;o e de capacidades socioemocionais do que os treinados na segunda l&iacute;ngua. A falta de efeito da medita&ccedil;&atilde;o sobre a estrutura cerebral pode indicar que o per&iacute;odo de 18 meses n&atilde;o &eacute; suficiente para produzir tais efeitos nesta faixa et&aacute;ria, uma vez que os efeitos da pr&aacute;tica intensiva por longos per&iacute;odos ou mesmo por 8 semanas em adultos jovens s&atilde;o bem documentados. De qualquer forma, os efeitos positivos sobre as medidas psicoafetivas sugerem claramente que a medita&ccedil;&atilde;o pode ser uma ferramenta &uacute;til para melhorar a qualidade de vida e para a preven&ccedil;&atilde;o de quadros demenciais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Neuroci&ecirc;ncia no cotidiano</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia &eacute; a maior aventura do esp&iacute;rito humano e base do desenvolvimento social e econ&ocirc;mico dos povos. Apesar de ser uma das &aacute;reas mais recentes das ci&ecirc;ncias da vida, a neuroci&ecirc;ncia se destaca pelo impacto de seu progresso na vida das pessoas. Neste artigo, destacamos algumas contribui&ccedil;&otilde;es da neuroci&ecirc;ncia do comportamento para o entendimento e o tratamento de algumas doen&ccedil;as cerebrais, bem como para a ado&ccedil;&atilde;o de novos h&aacute;bitos de vida para o envelhecimento sadio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em seu discurso na cerim&ocirc;nia Nobel em 1906, Cajal afirmou que</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"o conhecimento    <br>   exato da estrutura    <br>   cerebral &eacute; de suprema    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   necessidade para    <br>   o desenvolvimento    <br>   de uma psicologia    <br>   racional." &#91;12&#93;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estamos longe de atingir a meta tra&ccedil;ada pelo genial cientista espanhol, pioneiro e "pai da neuroci&ecirc;ncia", mas a caminhada at&eacute; agora empreendida j&aacute; trouxe enorme conhecimento sobre o funcionamento do c&eacute;rebro e o comportamento humano, e al&iacute;vio para o sofrimento de milh&otilde;es de pessoas.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"As novas     tecnologias vêm     proporcionando     aumento vertiginoso     do conhecimento     sobre alterações     funcionais nos mais     diversos quadros     psiquiátricos e     contribuindo para     o desenvolvimento     de abordagens     terapêuticas."</b></styled-content> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. SOURKES, T. L. Neuroscience in the Nobel perspective. <i>Journal of the History of the Neuroscience</i>, 15(4), 306-17, 2006, DOI: <a href="https://doi.org/10.1080/09647040600550327" target="_blank">https://doi.org/10.1080/09647040600550327</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. PAVLOV, I. <i>Nobel Lecture - Ivan Pavlov - Biographical</i>. Stockolm: Nobel Prize Outreach, 1967. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1904/pavlov/lecture" target="_blank">https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1904/pavlov/lecture</a>. Acesso em: 21 set. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. YEUNG, A. W. K.; GOTO, T. K.; LEUNG, W. K. <i>At the Leading Front of Neuroscience: a bibliometric study of the 100 most-cited articles</i>. Frontiers in Human Neuroscience, 21(11), 363, 2017, DOI: <a href="https://doi.org/10.3389/fnhum.2017.00363" target="_blank">https://doi.org/10.3389/fnhum.2017.00363</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. DUNN, B.; STEIN, P.; CAVAZZONI, P. Approval of aducanumab for Alzheimer disease - the FDA's perspective. <i>JAMA Internal Medicine</i>, 181(10), 1276-1278, 2021 Oct, DOI: <a href="https://doi.org/10.1001/jamainternmed.2021.4607" target="_blank">https://doi.org/10.1001/jamainternmed.2021.4607</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. GONG, B.; NAVEED, S.; HAFEEZ, D. M.; AFZAL, K. I.; MAJEED, S.; ABELE, J.; NICOLAOU, S.; KHOSA, F. Neuroimaging in psychiatric disorders: a bibliometric analysis of the 100 most highly cited articles. <i>Journal of Neuroimaging</i>, 29(1), 14-33, 2019 Jan, DOI: <a href="https://doi.org/10.1111/jon.12570" target="_blank">https://doi.org/10.1111/jon.12570</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. MAYBERG, H. S.; LOZANO, A. M.; VOON, V.; MCNEELY, H. E.; SEMINOWICZ, D.; HAMANI, C.; SCHWALB, J. M.; KENNEDY, S. H. Deep brain stimulation for treatment-resistant depression. <i>Neuron</i>, 45(5), 651-60, 2005 Mar, DOI: <a href="https://doi.org/10.1016/j.neuron.2005.02.014" target="_blank">https://doi.org/10.1016/j.neuron.2005.02.014</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. CARLSSON, A. A half-century of neurotransmitter research: impact on neurology and psychiatry (Nobel lecture). <i>Chembiochem</i>, 2(7-8), 484-93, 2001.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. LEDOUX, J. E. Emotion circuits in the brain. <i>Annual Review of Neuroscience</i>, 23, 155-84, 2000, DOI: <a href="https://doi.org/10.1146/annurev.neuro.23.1.155" target="_blank">https://doi.org/10.1146/annurev.neuro.23.1.155</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. GOLDIN, P. R.; GROSS, J. J. Effects of mindfulness-based stress reduction (MBSR) on emotion regulation in social anxiety disorder. <i>Emotion</i>, 10(1), 83-91, 2010, DOI: <a href="https://doi.org/10.1037/a0018441" target="_blank">https://doi.org/10.1037/a0018441</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. CH&Eacute;TELAT, G.; M&Eacute;ZENGE, F.; TOMADESSO, C.; LANDEAU, B.; ARENAZA-URQUIJO, E.; RAUCHS, G.; ANDR&Eacute;, C.; DE FLORES, R.; EGRET, S.; GONNEAUD, J.; POISNEL, G.; CHOCAT, A.; QUILLARD, A.; DESGRANGES, B.; BLOCH, J. G.; RICARD, M.; LUTZ, A. Reduced age-associated brain changes in expert meditators: a multimodal neuroimaging pilot study. <i>Scientific Reports</i>, 7(1), 10160, 2017, DOI: <a href="https://doi.org/10.1038/s41598-017-07764-x" target="_blank">https://doi.org/10.1038/s41598-017-07764-x</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. CH&Eacute;TELAT, G.; LUTZ, A.; KLIMECKI, O.; FRISON, E.; ASSELINEAU, J.; SCHLOSSER, M.; ARENAZA-URQUIJO, E. M.; M&Eacute;ZENGE, F.; KUHN, E.; MOULINET, I.; TOURON, E.; DAUTRICOURT, S.; ANDR&Eacute;, C.; PALIX, C.; OURRY, V.; FELISATTI, F.; GONNEAUD, J.; LANDEAU, B.; RAUCHS, G.; CHOCAT, A.; QUILLARD, A.; DEVOUGE, E. F.; VUILLEUMIER, P.; DE LA SAYETTE, V.; VIVIEN, D.; COLLETTE, F.; POISNEL, G.; MARCHANT, N. L.; MEDIT-AGEING RESEARCH GROUP. Effect of an 18-month meditation training on regional brain volume and perfusion in older adults: the age-well randomized clinical trial. <i>JAMA Neurology</i>, 10, e223185, 2022, DOI: <a href="https://doi.org/10.1001/jamaneurol.2022.3185" target="_blank">https://doi.org/10.1001/jamaneurol.2022.3185</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. BENTIVOGLIO, M. <i>Nobel Lecture - Santiago Ramon y Cajal Nobel Lecture</i>. Stockolm: Nobel Prize Outreach, 1988. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1906/cajal/article" target="_blank">https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1906/cajal/article</a>. Acesso em: 21 set. 2022.    </font></p>      ]]></body><back>
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