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<article-id pub-id-type="doi">10.5935/2317-6660.20220061</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Nanotecnologia a favor da saúde: os inúmeros dispositivos eletrônicos utilizados no dia a dia são exemplos da presença da nanotecnologia em nossa vida. Mas ela também pode ser utilizada na agricultura e na saúde humana]]></article-title>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Nanotecnologia]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>10.5935/2317-6660.20220061 ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Nanotecnologia a favor da sa&uacute;de: os in&uacute;meros dispositivos eletr&ocirc;nicos utilizados no dia a dia s&atilde;o exemplos da presen&ccedil;a da nanotecnologia em nossa vida. Mas ela tamb&eacute;m pode ser utilizada na agricultura e na sa&uacute;de humana</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Andr&eacute; Farias de Moura</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor do Departamento de Qu&iacute;mica da Universidade Federal de S&atilde;o Carlos (UFSCar), dedicando-se ao estudo computacional de materiais funcionais auto-organizados, com &ecirc;nfase para o c&aacute;lculo de propriedades quir&oacute;pticas e para os mecanismos de reconhecimento quiral, e como tais propriedades podem levar a aplica&ccedil;&otilde;es. Atua tamb&eacute;m na divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, apresentando os seus resultados de pesquisa na m&iacute;dia e nas redes sociais</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A nanotecnologia foi pensada pela primeira vez h&aacute; pouco mais de sessenta anos como um conjunto de estrat&eacute;gias para levar a miniaturiza&ccedil;&atilde;o de dispositivos &agrave; escala at&ocirc;mica. Nesse curto per&iacute;odo, a nanotecnologia se estabeleceu como uma das bases tecnol&oacute;gicas da sociedade atual, com presen&ccedil;a marcante nas tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e com promessas que beiram a fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, como as nanom&aacute;quinas. O uso de nanotecnologia especificamente na &aacute;rea da sa&uacute;de &eacute; crescente e promissor, focando principalmente no desenvolvimento de nanomateriais funcionais bioinspirados e/ou biomim&eacute;ticos, os quais t&ecirc;m propriedades ajustadas para cada uso espec&iacute;fico, com &ecirc;nfase para a sua biocompatibilidade. Os exemplos apresentados nessa perspectiva servem para ilustrar os princ&iacute;pios gerais que norteiam o desenvolvimento dos nanomateriais para uso em sistemas biol&oacute;gicos e tamb&eacute;m quais s&atilde;o as principais aplica&ccedil;&otilde;es para as quais eles t&ecirc;m sido orientados na &aacute;rea de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Nanotecnologia; Materiais Bioinspirados; Materiais Biomim&eacute;ticos; Materiais Funcionais; Nanomedicina.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A presen&ccedil;a da nanotecnologia na sociedade moderna &eacute; generalizada, sendo mais &oacute;bvia nos in&uacute;meros dispositivos eletr&ocirc;nicos que utilizamos como ferramentas de produtividade ou para entretenimento, mas tamb&eacute;m se encontra em &aacute;reas menos &oacute;bvias, como na agricultura ou na sa&uacute;de humana. Como o mesmo nanomaterial pode ter v&aacute;rias aplica&ccedil;&otilde;es, conv&eacute;m apresentar primeiro um breve hist&oacute;rico da nanotecnologia e das bases cient&iacute;ficas que permitem hoje o desenho racional de novos materiais e suas aplica&ccedil;&otilde;es, com &ecirc;nfase para a &aacute;rea de sa&uacute;de.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando Richard Feynman proferiu sua palestra intitulada "<i>There's Plenty of Room at the Bottom</i>" durante a reuni&atilde;o anual da Associa&ccedil;&atilde;o Americana de F&iacute;sica de 1959 &#91;1&#93;, realizada no CalTech, ele tinha plena consci&ecirc;ncia de estar criando uma nova &aacute;rea do conhecimento, ao propor a manipula&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria em escala at&ocirc;mica, o que chamamos de nanotecnologia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A nanotecnologia est&aacute; presente em situa&ccedil;&otilde;es corriqueiras. Por exemplo, ao ler este texto em um dispositivo com tela de LED, voc&ecirc; est&aacute; usando uma combina&ccedil;&atilde;o de nanopart&iacute;culas bem pequenas de materiais cer&acirc;micos, chamadas de pontos qu&acirc;nticos (<i>quantum dots</i>, em ingl&ecirc;s), as quais transformam eletricidade em luz com cores bem definidas. E como fazemos para obter as diferentes cores? Controlamos a composi&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica de cada cer&acirc;mica e a forma e tamanho das nanopart&iacute;culas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro exemplo muito pr&oacute;ximo da realidade cotidiana s&atilde;o os catalisadores de uso obrigat&oacute;rio no sistema de escapamento de ve&iacute;culos com motor de combust&atilde;o. Dentro do tal dispositivo catalisador encontramos uma combina&ccedil;&atilde;o de nanopart&iacute;culas, que podem ser met&aacute;licas ou de cer&acirc;micas, ou uma combina&ccedil;&atilde;o de ambos os materiais, e que facilitam a convers&atilde;o de gases altamente poluentes em outros de menor impacto ambiental. E por que as nanopart&iacute;culas funcionam? Novamente a resposta remete ao controle preciso de composi&ccedil;&atilde;o, forma e tamanho das estruturas nanom&eacute;tricas.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"A presen&ccedil;a da nanotecnologia na sociedade moderna &eacute; generalizada, sendo mais &oacute;bvia nos in&uacute;meros dispositivos eletr&ocirc;nicos que utilizamos como ferramentas de produtividade ou para entretenimento, mas tamb&eacute;m se encontra em &aacute;reas menos &oacute;bvias, como na agricultura ou na sa&uacute;de humana."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em sua palestra, Feynman j&aacute; tinha uma percep&ccedil;&atilde;o clara de que a miniaturiza&ccedil;&atilde;o controlada e precisa de materiais em escala at&ocirc;mica seria a porta de entrada para aplica&ccedil;&otilde;es at&eacute; ent&atilde;o impens&aacute;veis, como no exerc&iacute;cio mental em que ele discutiu a possibilidade de se colocar todo o conte&uacute;do da <i>Encyclopaedia Brittanica</i> na cabe&ccedil;a de um alfinete - uma ideia que ent&atilde;o foi altamente disruptiva e que hoje considerar&iacute;amos algo at&eacute; corriqueiro (um <i>pendrive</i> moderno comportaria pelo menos mil vezes esse volume de dados em um pequeno chip). Na verdade, ele foi prof&eacute;tico, pois a <i>Encyclopaedia Brittanica</i> deixou de ser publicada em forma impressa a partir de 2011, existindo hoje apenas em sua forma digital, gravada em chips de nanomateriais &#91;2&#93;.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que todas as aplica&ccedil;&otilde;es mencionadas e muitas outras t&ecirc;m em comum &eacute; a necessidade de gravar informa&ccedil;&atilde;o nas nanoestruturas, sendo a informa&ccedil;&atilde;o impressa no material, o que lhe confere funcionalidade. Ent&atilde;o a quest&atilde;o que se coloca &eacute;: quais seriam as informa&ccedil;&otilde;es que dever&iacute;amos gravar em nanomateriais para torn&aacute;-los &uacute;teis em aplica&ccedil;&otilde;es na &aacute;rea de sa&uacute;de?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa pergunta tem v&aacute;rias respostas, a come&ccedil;ar pelo tamanho dos nanomateriais, cujas dimens&otilde;es v&atilde;o de poucos nan&ocirc;metros at&eacute; algumas centenas de nan&ocirc;metros, compar&aacute;veis &agrave;s de estruturas biol&oacute;gicas, que v&atilde;o desde biomol&eacute;culas, como prote&iacute;nas e DNA, at&eacute; organelas celulares ou v&iacute;rus. Para cada alvo biol&oacute;gico, um tamanho de nanoestrutura &eacute; mais adequado. Por exemplo, em um trabalho recente mostramos que o v&iacute;rus mosaico do tabaco, que ataca plantas da fam&iacute;lia das solan&aacute;ceas, como a batata, o tomate e o pr&oacute;prio tabaco, pode ser inativado por uma nanopart&iacute;cula de sulfeto de cobre, um tipo de cer&acirc;mica, desde que o tamanho da nanopart&iacute;cula seja de cerca de 4 nan&ocirc;metros &#91;3&#93;.<sup> </sup>O v&iacute;rus em si &eacute; muito maior do que esse tamanho, mas esse &eacute; o di&acirc;metro aproximado de um poro que percorre o interior do v&iacute;rus de ponta a ponta, ent&atilde;o a nanopart&iacute;cula consegue entrar no poro e promover a inativa&ccedil;&atilde;o do v&iacute;rus.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Al&eacute;m das aplica&ccedil;&otilde;es em diagn&oacute;stico, os nanomateriais tamb&eacute;m tem uso potencial no tratamento de diversas doen&ccedil;as."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cabe abrir um par&ecirc;ntese: se o tema aqui &eacute; o uso da nanotecnologia para a sa&uacute;de, por que falar de um v&iacute;rus de planta? Primeiramente, h&aacute; que se reconhecer que a sa&uacute;de humana depende criticamente da alimenta&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o o uso da nanotecnologia para aumentar a produ&ccedil;&atilde;o de alimentos impacta positivamente a sa&uacute;de humana. Al&eacute;m disso, as ideias gerais de um estudo como esse lan&ccedil;am as bases para o desenvolvimento de novas tecnologias para atacar outros problemas semelhantes, ent&atilde;o esta pesquisa mais b&aacute;sica nos ensina como devemos desenhar um nanomaterial para aplica&ccedil;&otilde;es em sistemas biol&oacute;gicos em geral.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fechamos o par&ecirc;ntese e voltamos &agrave; quest&atilde;o da nanopart&iacute;cula que inativa o v&iacute;rus: al&eacute;m de um tamanho espec&iacute;fico, quais outras caracter&iacute;sticas deve ter para funcionar nessa aplica&ccedil;&atilde;o? A mais &oacute;bvia &eacute; a sua biocompatibilidade, ou seja, a sua capacidade de atacar o seu alvo espec&iacute;fico sem prejudicar o hospedeiro e sem causar contamina&ccedil;&atilde;o no ambiente. Ambos os aspectos se relacionam com a toxicidade de uma subst&acirc;ncia em compara&ccedil;&atilde;o com a sua atividade, ou seja, n&atilde;o h&aacute; como se especificar um valor absoluto, sendo necess&aacute;rio fazer uma an&aacute;lise de riscos e benef&iacute;cios. Essa ideia remonta pelo menos a Paracelso (m&eacute;dico, alquimista e fil&oacute;sofo su&iacute;&ccedil;o), que no s&eacute;culo XVI prescrevia um derivado de merc&uacute;rio chamado calomelano para tratar a s&iacute;filis, mesmo sabendo que se tratava de subst&acirc;ncia t&oacute;xica, atribu&iacute;da ao cientista a no&ccedil;&atilde;o de que o que separa o rem&eacute;dio do veneno &eacute; a dose. De fato, calomelano e outros derivados desse elemento qu&iacute;mico t&atilde;o t&oacute;xico foram usados at&eacute; o final do s&eacute;culo XIX para tratar s&iacute;filis e uma grande variedade de outras doen&ccedil;as, mas hoje fazemos antecipadamente a avalia&ccedil;&atilde;o de toxicidade nas etapas de sele&ccedil;&atilde;o de subst&acirc;ncias candidatas a f&aacute;rmacos. &Eacute; importante se ressaltar que a toxicidade n&atilde;o &eacute; definida apenas pela presen&ccedil;a de elementos qu&iacute;micos sabidamente t&oacute;xicos, como merc&uacute;rio, c&aacute;dmio e chumbo, podendo ser tamb&eacute;m aumentada ou diminu&iacute;da a partir de modifica&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas (essa afirma&ccedil;&atilde;o vale para mol&eacute;culas usadas em f&aacute;rmacos convencionais e tamb&eacute;m para os nanomateriais aqui discutidos). No exemplo da nanopart&iacute;cula de sulfeto de cobre, ensaios <i>in vitro</i> e <i>in vivo</i> determinaram que as plantas toleram o material sem grandes efeitos adversos. Esse &eacute; um resultado interessante, pois o cobre sabidamente tem efeitos t&oacute;xicos ao n&iacute;vel celular, mas o material nanoestruturado &eacute; eficaz contra os v&iacute;rus em uma dose t&atilde;o baixa que n&atilde;o produz resposta citot&oacute;xica significativa. Por exemplo, a dose ativa das nanopart&iacute;culas de sulfeto de cobre foi 10.000 vezes menor do que a concentra&ccedil;&atilde;o de cobre em uma calda bordalesa, um tradicional fungicida de amplo uso na agricultura, sendo compar&aacute;vel ao teor de cobre encontrado na &aacute;gua de sistemas residenciais de aquecimento solar e dentro do que a legisla&ccedil;&atilde;o brasileira aceita como toler&aacute;vel em &aacute;gua para consumo humano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa maior efici&ecirc;ncia do cobre na forma de nanopart&iacute;culas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua forma coloidal convencional na calda bordalesa &eacute; em parte devida ao controle de tamanho, mas isso por si s&oacute; n&atilde;o explica uma diferen&ccedil;a t&atilde;o grande, o que nos leva ao terceiro fator que define a efici&ecirc;ncia de um nanomaterial para aplica&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas em geral e m&eacute;dicas em particular: a capacidade de reconhecer alvos espec&iacute;ficos, sejam de pat&oacute;genos externos ou de c&eacute;lulas doentes, como aquelas presentes em tumores ou doen&ccedil;as degenerativas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aqui cabe lembrar que a vida na biosfera terrestre &eacute; caracterizada por ser homoquiral - do grego,<i> quiral </i>significa m&atilde;o e ser<i> quiral </i>significa que essa classe de subst&acirc;ncias pode existir na forma de m&atilde;o direita ou de m&atilde;o esquerda, sendo id&ecirc;nticas em todos os aspectos como nossas m&atilde;os, exceto por terem esse senso de orienta&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o (olhe para suas m&atilde;os e se conven&ccedil;a que os seus ded&otilde;es apontam em dire&ccedil;&otilde;es diferentes se voc&ecirc; as olha com as palmas voltadas em sua dire&ccedil;&atilde;o). N&atilde;o cabe aqui uma an&aacute;lise muito aprofundada desse car&aacute;ter de m&atilde;o direita e m&atilde;o esquerda das mol&eacute;culas biol&oacute;gicas, mas &eacute; importante salientar que o fato de todas as prote&iacute;nas serem formadas por mol&eacute;culas de m&atilde;o esquerda e todos os a&ccedil;&uacute;cares por mol&eacute;culas de m&atilde;o direita &eacute; a base para que essas mol&eacute;culas sejam capazes de se reconhecer com alto grau de especificidade, sendo usual se referir a esse processo como um mecanismo do tipo chave-fechadura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seria poss&iacute;vel imitar esse comportamento dos sistemas biol&oacute;gicos em nanomateriais artificiais? A resposta &eacute; sim, e nos referimos aos materiais assim preparados como sendo biomim&eacute;ticos ou bioinspirados. Os nanomateriais mais comuns s&atilde;o cristais de metais ou de cer&acirc;micas, que n&atilde;o s&atilde;o quirais por si s&oacute;, ent&atilde;o a estrat&eacute;gia &eacute; imprimir informa&ccedil;&atilde;o<i> quiral </i>nas nanoestruturas, imitando biomol&eacute;culas como prote&iacute;nas ou o DNA. Essa estrat&eacute;gia de imitar as biomol&eacute;culas faz muito sentido se considerarmos que elas s&atilde;o o produto de centenas de milh&otilde;es de anos de sele&ccedil;&atilde;o natural e como tal s&atilde;o sistemas com funcionalidades altamente otimizadas. Em termos pr&aacute;ticos, a estrat&eacute;gia que se consolidou nas &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas foi o uso de amino&aacute;cidos, que s&atilde;o os blocos constituintes das prote&iacute;nas, para modificar as superf&iacute;cies das nanoestruturas. Dos 20 amino&aacute;cidos naturais, alguns s&atilde;o particularmente adequados para realizar essa modifica&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica, com destaque para a ciste&iacute;na, com um &aacute;tomo de enxofre em sua cadeia lateral, sendo esse &aacute;tomo respons&aacute;vel pela grande afinidade deste amino&aacute;cido em rela&ccedil;&atilde;o tanto a metais, como ouro, prata e cobre, ou em rela&ccedil;&atilde;o a cer&acirc;micas, em que o &aacute;tomo de enxofre da ciste&iacute;na entra na estrutura cristalina substituindo algum &aacute;tomo quimicamente semelhante, como oxig&ecirc;nio ou mesmo um enxofre do cristal.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"As nanopart&iacute;culas tamb&eacute;m podem ser utilizadas na produ&ccedil;&atilde;o de adjuvantes para vacinas. Os adjuvantes ativam uma resposta imune inata no local da aplica&ccedil;&atilde;o da vacina que aumenta a resposta imune espec&iacute;fica, produzindo os anticorpos para a doen&ccedil;a em si que se deseja</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Finalmente, cabe falar de um &uacute;ltimo aspecto sobre os nanomateriais que afeta tanto a sua s&iacute;ntese como a sua aplica&ccedil;&atilde;o: a intera&ccedil;&atilde;o com a luz. O tamanho na escala de nan&ocirc;metros privilegia a intera&ccedil;&atilde;o nesses materiais com a luz na regi&atilde;o vis&iacute;vel, com contribui&ccedil;&otilde;es relevantes tamb&eacute;m nas regi&otilde;es do infravermelho e do ultravioleta. Al&eacute;m de relevantes para definir a cor do material, como &eacute; o caso das nanopart&iacute;culas cer&acirc;micas que fazem uma tela de LED funcionar, em aplica&ccedil;&otilde;es biol&oacute;gicas essa intera&ccedil;&atilde;o com a luz &eacute; uma ferramenta muito poderosa, pois permite ligar e desligar certas propriedades do material. Por exemplo, a nanopart&iacute;cula de sulfeto de cobre somente inativa o v&iacute;rus mosaico do tabaco quando &eacute; irradiada com luz vis&iacute;vel, ou seja, a sua atividade como catalisador espec&iacute;fico contra o v&iacute;rus pode ser ligada com luz e &eacute; desligada se paramos de irradiar o material.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este pano de fundo mais hist&oacute;rico mostra o estado de maturidade das estrat&eacute;gias de desenvolvimento de materiais funcionais, mas vale lembrar que estas s&atilde;o estrat&eacute;gias gerais e ainda temos de fazer uma sele&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica de materiais de partida e suas modifica&ccedil;&otilde;es para cada nova aplica&ccedil;&atilde;o. Assim, os exemplos dados a seguir sobre nanomateriais aplicados &agrave; sa&uacute;de devem ser vistos sob essa &oacute;ptica, de uma busca emp&iacute;rica norteada por princ&iacute;pios gerais de ajustes das propriedades do material.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dos materiais que encontra mais uso na medicina s&atilde;o as nanopart&iacute;culas de ouro. Por exemplo, nanopart&iacute;culas de ouro funcionalizadas com anticorpos foram usadas para identificar dois marcadores da doen&ccedil;a de Alzheimer &#91;4&#93;, permitindo detectar a presen&ccedil;a das prote&iacute;nas clusterina e fetu&iacute;na B em n&iacute;veis muito baixos, da ordem de 1 nanomol por litro, o que &eacute; uma concentra&ccedil;&atilde;o muito baixa e, portanto, deve permitir o diagn&oacute;stico precoce da doen&ccedil;a. Os anticorpos garantem que a resposta seja espec&iacute;fica para estes dois biomarcadores e a combina&ccedil;&atilde;o com a nanopart&iacute;cula de ouro confere grande sensibilidade ao dispositivo, por produzir uma r&aacute;pida mudan&ccedil;a de cor do incolor para o rosa. Trata-se tamb&eacute;m de tecnologia barata, estimando-se que os testes r&aacute;pidos custar&atilde;o em torno de R$10,00.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro exemplo do uso de nanomateriais &agrave; base de ouro para fins diagn&oacute;sticos &eacute; a modifica&ccedil;&atilde;o de nanobast&otilde;es de ouro com um horm&ocirc;nio humano chamado amilina ou pept&iacute;deo ilhota amiloide (hIAPP) &#91;5&#93;, que tem uma fun&ccedil;&atilde;o fisiol&oacute;gica no metabolismo saud&aacute;vel, mas em v&aacute;rias patologias perde a sua funcionalidade ao formar fibras insol&uacute;veis que se acumulam no corpo. Entre as patologias que se caracterizam pela forma&ccedil;&atilde;o de fibras amiloides, podemos citar o diabetes tipo 2, o c&acirc;ncer de p&acirc;ncreas, a doen&ccedil;a de Parkinson e a doen&ccedil;a de Alzheimer. Assim, essas doen&ccedil;as podem ser diagnosticadas pela identifica&ccedil;&atilde;o de dep&oacute;sitos amiloides e parte do tratamento consiste em se descobrirem novas drogas capazes de impedir a agrega&ccedil;&atilde;o do hIAPP. Os nanobast&otilde;es de ouro modificados com hIAPP permitem que ambas as tarefas sejam executadas, pois a presen&ccedil;a de fibras amiloides faz com que luz polarizada sofra uma rota&ccedil;&atilde;o caracter&iacute;stica na regi&atilde;o da cor vermelha, sendo poss&iacute;vel se detectar a sua presen&ccedil;a com um par de polarizadores cruzados, um dispositivo simples e barato - se for observado um brilho vermelho passando pelo segundo polarizador, o diagn&oacute;stico &eacute; positivo para a forma do hIAPP associada &agrave;s doen&ccedil;as. Na busca por novas drogas capazes de prevenir a forma&ccedil;&atilde;o das placas amiloides, o teste segue o mesmo princ&iacute;pio: se a luz vermelha cruzar o par de polarizadores significa que a subst&acirc;ncia candidata a f&aacute;rmaco falhou e deve ser descartada. Al&eacute;m de sens&iacute;vel, este procedimento de sele&ccedil;&atilde;o de candidatos a f&aacute;rmaco &eacute; mais r&aacute;pido do que os protocolos usuais, pois os nanobast&otilde;es funcionalizados com hIAPP aceleram a forma&ccedil;&atilde;o das fibras <i>in vitro</i>, reduzindo a dura&ccedil;&atilde;o de cada teste de 1-2 semanas para apenas 10 horas - um ganho em tempo e em recursos investidos (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a07fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m das aplica&ccedil;&otilde;es em diagn&oacute;stico, os nanomateriais tamb&eacute;m tem uso potencial no tratamento de diversas doen&ccedil;as. Por exemplo, c&eacute;lulas de tumores s&oacute;lidos podem ser tratadas com uma combina&ccedil;&atilde;o de agentes quimioter&aacute;picos e nanobast&otilde;es de ouro &#91;6&#93;, ambos encapsulados em uma estrutura de lip&iacute;dios chamada ves&iacute;cula, que se rompe apenas no local onde a droga deve ser liberada mediante o uso de um laser que emite na regi&atilde;o do infravermelho. O uso dessa regi&atilde;o do espectro eletromagn&eacute;tico &eacute; importante por sua capacidade de penetra&ccedil;&atilde;o em tecidos vivos e assim as nanoestruturas de ouro se tornam escolhas naturais por terem uma banda de absor&ccedil;&atilde;o nesta regi&atilde;o. A absor&ccedil;&atilde;o da energia do laser pelos nanobast&otilde;es causa um aquecimento localizado, levando &agrave; ruptura das ves&iacute;culas e &agrave; libera&ccedil;&atilde;o do agente quimioter&aacute;pico no local em que deve atuar. Assim, os efeitos colaterais podem ser reduzidos pela libera&ccedil;&atilde;o controlada e localizada do medicamento, que nas partes do corpo que n&atilde;o est&atilde;o sendo irradiadas com o laser dever&aacute; permanecer inativo na sua forma encapsulada na ves&iacute;cula lip&iacute;dica. &Eacute; interessante salientar que a pr&oacute;pria ves&iacute;cula lip&iacute;dica deve ser considerada uma nanoestrutura, formada pela auto-organiza&ccedil;&atilde;o de mol&eacute;culas de lip&iacute;dios, e cuja composi&ccedil;&atilde;o pode ser ajustada para torn&aacute;-la espec&iacute;fica para uma c&eacute;lula-alvo (no exemplo citado, os lip&iacute;dios eram de membrana de c&eacute;lulas tumorais de um tipo c&acirc;ncer de pulm&atilde;o, que era o alvo do tratamento proposto). E tamb&eacute;m se deve frisar que os nanobast&otilde;es de ouro ao se aquecerem, al&eacute;m de permitirem a libera&ccedil;&atilde;o controlada do f&aacute;rmaco, tamb&eacute;m contribuem para a morte da c&eacute;lula cancerosa pelo aquecimento localizado, aumentando a efic&aacute;cia do tratamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra aplica&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel para nanopart&iacute;culas de ouro &eacute; na produ&ccedil;&atilde;o de adjuvantes para vacinas - um t&oacute;pico bastante relevante no contexto da pandemia de COVID-19. Os adjuvantes podem ser de v&aacute;rios tipos, sendo os mais comuns derivados de alum&iacute;nio, como o hidr&oacute;xido de alum&iacute;nio e o fosfato de alum&iacute;nio, presentes na vacina CoronaVac, por exemplo. Resumidamente, os adjuvantes ativam uma resposta imune inata no local da aplica&ccedil;&atilde;o da vacina e essa resposta, embora inespec&iacute;fica, aumenta a resposta imune espec&iacute;fica, que produz os anticorpos para a doen&ccedil;a em si que se deseja combater. Os compostos de alum&iacute;nio utilizados como adjuvantes s&atilde;o semelhantes a cer&acirc;micas em termos de composi&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o de estrutura, por serem amorfos e n&atilde;o cristalinos, ent&atilde;o a primeira hip&oacute;tese de trabalho que adotamos foi a de que a resposta imune seria maior com um material com forma e tamanho bem definidos. Al&eacute;m desse controle de forma e tamanho, tamb&eacute;m consideramos que a quiralidade deveria ser avaliada como vari&aacute;vel capaz de aumentar a resposta imune. De fato, as nanopart&iacute;culas de ouro com quiralidade de m&atilde;o esquerda tiveram uma efic&aacute;cia cerca de 25% maior do que as de m&atilde;o direita quando testadas na vacina contra a gripe H9N2 em camundongos &#91;7&#93;. Embora pare&ccedil;a um tanto frustrante que a vacina testada seja para uma variante de gripe e n&atilde;o para a COVID-19, &eacute; importante registrar que se trata de uma pesquisa de longa dura&ccedil;&atilde;o, iniciada cerca de tr&ecirc;s anos antes da pandemia. Al&eacute;m disso, trata-se de uma prova de conceito e o resultado n&atilde;o depende da vacina espec&iacute;fica usada para demonstr&aacute;-lo, de modo que se espera que o uso de nanomateriais quirais se torne uma op&ccedil;&atilde;o para aumentar a efic&aacute;cia de outras vacinas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ap&oacute;s tantos exemplos de nanomateriais &agrave; base de ouro, cabe aqui indicar que outros tipos de materiais s&atilde;o tamb&eacute;m investigados para aplica&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas, mas com uma aplicabilidade mais limitada devido a poss&iacute;veis efeitos t&oacute;xicos advindos dos elementos qu&iacute;micos constituintes, principalmente daqueles chamados genericamente de metais pesados (essa designa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; muito adequada se considerarmos que o ouro &eacute; um metal pesado e ainda assim apresenta alto grau de biocompatibilidade). Ainda assim, podemos mencionar um exemplo recente utilizando o &oacute;xido de tit&acirc;nio, um material de baixa toxicidade usado em alimentos e produtos de higiene, modificado para incorporar de forma est&aacute;vel uma grande quantidade de radicais per&oacute;xido em sua superf&iacute;cie &#91;8&#93;. Esses radicais livres podem ser gerados de maneira controlada em um local espec&iacute;fico por irradia&ccedil;&atilde;o com luz vis&iacute;vel e podem, por exemplo, eliminar c&eacute;lulas cancerosas de tumores de bexiga sem afetar as c&eacute;lulas saud&aacute;veis (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a07fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; muitos outros exemplos de usos da nanotecnologia a favor da sa&uacute;de, o que est&aacute; al&eacute;m do escopo dessa perspectiva aqui apresentada, mas os princ&iacute;pios gerais seguem de perto a discuss&atilde;o baseada nesses poucos exemplos aqui contidos, esperando-se avan&ccedil;os cont&iacute;nuos nas &aacute;reas de diagn&oacute;stico, preven&ccedil;&atilde;o e cura de doen&ccedil;as diversas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. FEYMAN, P. F. <i>Plenty of room at the bottom</i>. Pasadena: American Physical Society, 1959.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. ENCYCLOPEDIA BRITANNICA. <i>Sobre</i>. Chicago: Encyclop&aelig;dia Britannica, Inc., 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. GAO, R.; XU, L.; SUN, M.; XU, M.; HAO, C.; GUO, X.; COLOMBARI, F. M.; ZHENG, X.; KR&Aacute;L, P.; MOURA, A. F.; XU, C.; YANG, J.; KOTOV, N. A.; KUANG, H. Site-selective proteolytic cleavage of plant viruses by photoactive chiral nanoparticles. <i>Nature Catalysis</i>, 5(8), p. 694-707, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. BRAZACA, L. C.; MORETO, J. R.; MART&Iacute;N, A.; TEHRANI, F.; WANG, J.; ZUCOLOTTO, V. Colorimetric paper-based immunosensor for simultaneous determination of fetuin b and clusterin toward early Alzheimer's diagnosis. <i>ACS Nano</i>, 13(11), p. 13325-13332, 2019.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. LU, J.; XUE, Y.; BERNARDINO, K.; ZHANG, N. N.; GOMES, W. R.; RAMESAR, N. S.; LIU, S.; HU, Z.; SUN, T.; MOURA, A. F.; KOTOV, N. A.; LIU, K. Enhanced optical asymmetry in supramolecular chiroplasmonic assemblies with long-range order. <i>Science</i>, 371(6536), p. 1368-1374, 2021.    </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. MARANGONI, V. S.; BERNARDI, J. C.; REIS, I. B.; F&Aacute;VARO, W. J.; ZUCOLOTTO, V. Photothermia and activated drug release of natural cell membrane coated plasmonic gold nanorods and &beta;-lapachone. <i>ACS Applied Bio Materials</i>, 2(2), p. 728-736, 2019.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. XU, L.; WANG, X.; WANG, W.; SUN, M.; CHOI, W.; KIM, J. Y.; HAO, C.; LI, S.; QU, A.; LU, M.; WU, X.; Colombari, F. M.; GOMES, W. R.; LOZADA-BLANCO, A.; MOURA, A. F.; GUO, X.; KUANG, H.; KOTOV, N. A.; XU, C. Enantiomer-dependent immunological response to chiral nanoparticles. <i>Nature</i>, 601, p. 366-373, 2022.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. ROBELDO, T.; RIBEIRO, L. S.; MANRIQUE, L.; KUBO, A. M.; LONGO, E.; CAMARGO, E. R.; BORRA, R. C. Modified Titanium Dioxide as a Potential Visible-Light-Activated Photosensitizer for Bladder Cancer Treatment. <i>ACS Omega</i>, 7(21), p. 17563-17574, 2022.    </font></p>      ]]></body><back>
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