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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Centenários modernistas: Ulysses e a Terra Devastada]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>10.5935/2317-6660.20220065 ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Centen&aacute;rios modernistas: Ulysses e a Terra Devastada</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Caetano W. Galindo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor do curso de letras da Universidade Federal do Paran&aacute;. &Eacute; autor de "Sim, eu digo sim: uma visita guiada ao Ulysses de James Joyce" (2016) e de "Latim em p&oacute;: um passeio pela forma&ccedil;&atilde;o do nosso portugu&ecirc;s" (2022) al&eacute;m de tradutor da obra de Joyce e de Eliot, em livros lan&ccedil;ados a partir de 2012 pela Companhia das Letras</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo apresenta um breve hist&oacute;rico da publica&ccedil;&atilde;o do "Ulysses" de James Joyce (1882-1941) e do poema "A Terra Devastada" ("The Waste Land"), de T. S. Eliot (1888-1965), que apareceram pela primeira vez cem anos atr&aacute;s, entre fevereiro e outubro de 1922. Depois disso, o artigo pretende ainda discutir o que singularizava essa produ&ccedil;&atilde;o do alto modernismo e em que medida ela ainda &eacute; presente e relevante para leitores do s&eacute;culo XXI.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Modernismo; Inova&ccedil;&atilde;o; C&acirc;none.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No dia 2 de fevereiro de 1922, logo cedo, James Joyce recebeu em m&atilde;os o primeiro exemplar de seu "<i>Ulysses</i>". O livro vinha sendo preparado a toque de caixa, justamente para ser publicado no dia do anivers&aacute;rio de quarenta anos do autor. E claro que isso acarretou sua dose de tens&atilde;o: al&eacute;m daquele exemplar, s&oacute; um outro volume ficou pronto naquele dia, e foi logo colocado na vitrine da livraria <i>Shakespeare and Company</i> para acalmar os &acirc;nimos (embora tenha tido o efeito oposto) das pessoas que haviam assinado a edi&ccedil;&atilde;o para bancar seus custos. O restante da tiragem inicial de mil exemplares chegaria aos poucos semanas seguintes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A americana Sylvia Beach, propriet&aacute;ria da livraria, foi a &uacute;nica pessoa a encarar o desafio de publicar aquele livro que levantava sobrancelhas, torcia narizes e acabou censurado e proibido. Era a primeira vez que a corajosa Beach tentava editar um romance, e ela quase certamente sabia que estava fazendo hist&oacute;ria.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Joyce, de sua parte, n&atilde;o teria qualquer d&uacute;vida. Naquele momento ele j&aacute; era uma voz importante, com um livro de poesia ("<i>R&eacute;cita Privada</i>", 1907) e uma pe&ccedil;a de teatro ("<i>Ex&iacute;lios</i>", 1918). Mas foram seus dois volumes de prosa ("Dublinenses", contos, 1914, e "Um retrato do artista quando jovem", romance, 1916) os respons&aacute;veis pelo estabelecimento do jovem que se autoexilou no continente europeu como um nome em que se devia prestar aten&ccedil;&atilde;o. S&oacute; que em 1918, com o in&iacute;cio da publica&ccedil;&atilde;o serializada do "<i>Ulysses</i>" no peri&oacute;dico <i>The Little Review</i>, ele veria explodir a expectativa em torno do que se anunciava como um projeto que pretendia reformular o romance como g&ecirc;nero e como possibilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa publica&ccedil;&atilde;o seguiu apenas at&eacute; 1920, sendo interrompida por uma acusa&ccedil;&atilde;o de obscenidade, o que pode at&eacute; ter dificultado o processo de se encontrar um editor (o livro foi recusado at&eacute; pela editora que pertencia a Virginia Woolf e seu marido Leonard), mas ajudou tamb&eacute;m a gerar um suspense ainda maior. Muita gente esperava curiosa a publica&ccedil;&atilde;o de um livro que iria de certa forma ressurgir depois de dois anos se desenvolvendo longe dos olhos do p&uacute;blico. O que acabou chegando &agrave;s m&atilde;os dos assinantes em 1922 era ainda mais espantoso, mais original e mais "livre" do que os epis&oacute;dios que j&aacute; tinham circulado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma das caracter&iacute;sticas do livro &eacute; o fato de que seu estilo evolui a cada epis&oacute;dio, adequando-se sempre ao conte&uacute;do de cada momento e ao hor&aacute;rio do dia. Isso, de maneira geral, contribui para tornar o texto cada vez mais "estranho" e fascinante. Quem tivesse lido os epis&oacute;dios publicados at&eacute; 1920 j&aacute; sabia disso; mas pouca gente teria sido capaz de imaginar at&eacute; onde iriam a ousadia e a criatividade de Joyce nos epis&oacute;dios finais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os exemplares daquela primeira edi&ccedil;&atilde;o est&atilde;o hoje entre as preciosidades do com&eacute;rcio de livros antigos, e s&atilde;o vendidos por pequenas fortunas. O "Ulysses" quase imediatamente se transformou no modelo da literatura modernista: inovadora, contestadora, complexa, revolucion&aacute;ria, e hoje goza de um status quase inquestion&aacute;vel de cl&aacute;ssico. Mas isso tudo est&aacute; longe de querer dizer que o livro foi de alguma maneira absorvido, e muito menos superado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">* * *</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se o ano liter&aacute;rio de 1922 &eacute; de certa forma aberto pela publica&ccedil;&atilde;o do romance mais importante do modernismo, ser&aacute; encerrado pelo aparecimento do poema mais famoso do per&iacute;odo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em outubro, no primeiro n&uacute;mero de uma revista liter&aacute;ria criada e editada por ele mesmo, The Criterion, outro exilado na Europa, o americano T. S. Eliot estreia seu "<i>A Terra Devastada</i>". A essa publica&ccedil;&atilde;o inglesa ainda se seguiriam uma primeira vers&atilde;o nos Estados Unidos e, pouco depois, duas publica&ccedil;&otilde;es em livro, tanto na Inglaterra quanto na Am&eacute;rica, onde aparecer&atilde;o pela primeira vez as famosas "notas" que o autor acrescenta ao poema.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Seria extremamente arriscado, e at&eacute; irrespons&aacute;vel, tentar dizer em poucas palavras por que esses textos continuam atraindo as mentes mais criativas (de leitores e de outros criadores), e continuam demonstrando que permanecem &agrave; nossa frente."</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar desse calend&aacute;rio apertado, em que a obra de Eliot vem a p&uacute;blico pouco mais de seis meses depois do romance de Joyce, estava claro para o p&uacute;blico leitor bem-informado que o verdadeiro motor da tentativa eliotiana de elaborar uma obra que desse conta do cen&aacute;rio do mundo p&oacute;s-guerra de uma maneira completamente nova era de fato a vontade de seu autor de responder ao desafio joyceano, levando a poesia &agrave;quele mesmo patamar de coragem e de inven&ccedil;&atilde;o. Eliot ainda viria a receber o pr&ecirc;mio Nobel de literatura, em 1948, e al&eacute;m de se tornar n&atilde;o s&oacute; um dos maiores poetas da l&iacute;ngua inglesa, deixaria tamb&eacute;m seu nome em qualquer lista dos grandes cr&iacute;ticos e editores do s&eacute;culo XX. Mas nem ele teria elaborado aquele poema em seis meses.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A g&ecirc;nese de "A Terra Devastada", remonta no m&iacute;nimo a 1919<a name="1b"></a><sup>&#91;</sup><a href="#1a"><sup>i</sup></a><sup>&#93;</sup>. &Agrave;quela altura, ele era poeta de um livro s&oacute;: "<i>Prufrock e outras observa&ccedil;&otilde;es</i>" (1917). Os poemas reunidos ali j&aacute; tinham marcadas caracter&iacute;sticas "modernas", lidando com o verso livre e branco em constante tens&atilde;o com formas metrificadas e rimadas, a partir do grande impacto causado pela leitura da obra de Jules Laforgue. Numa hist&oacute;ria de influ&ecirc;ncias, trocas e fertiliza&ccedil;&otilde;es, vale a pena lembrar que o pr&oacute;prio Laforgue, por sua vez, descobrira o interesse das formas livres ao ler Walt Whitman, traduzido por ele para o franc&ecirc;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1919, Eliot j&aacute; estava havia tr&ecirc;s anos em Londres, ap&oacute;s abandonar uma carreira acad&ecirc;mica promissora. Em suas primeiras tentativas de se inserir no meio liter&aacute;rio europeu, ele acabou contando com a ajuda de outro expatriado, seu conterr&acirc;neo Ezra Pound, um articulador central tamb&eacute;m das primeiras publica&ccedil;&otilde;es de Joyce. E foi a Pound que Eliot pediu para ser apresentado ao irland&ecirc;s.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>O privil&eacute;gio de encarar algo encantador que resiste &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o: muito da arte do s&eacute;culo XX deriva dessa ideia.</b></styled-content>   </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1920, de passagem por Paris, Eliot marca um encontro com o autor que j&aacute; admirava, com o pretexto de lhe entregar um par de sapatos usados<a name="2b"></a><sup>&#91;</sup><a href="#2a"><sup>ii</sup></a><sup>&#93;</sup>. Poucos anos antes, o pr&oacute;prio Eliot foi alvo de uma esp&eacute;cie de campanha de financiamento coletivo organizada por Pound. Joyce, por sua vez, s&oacute; conseguiu tirar a fam&iacute;lia de uma situa&ccedil;&atilde;o que muitas vezes beirava a indig&ecirc;ncia depois que a mecenas e editora americana Harriet Shaw Weaver (que conhecera tamb&eacute;m por interm&eacute;dio de Pound) passou a lhe oferecer uma esp&eacute;cie de contribui&ccedil;&atilde;o regular, que durou at&eacute; o fim de sua vida. Botas usadas, vaquinhas, doa&ccedil;&otilde;es: os grandes autores do modernismo ainda estavam longe dos anos de gl&oacute;ria e de pr&ecirc;mios.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a11fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eliot, que logo depois da publica&ccedil;&atilde;o do romance de Joyce escreveria um dos primeiros e mais influentes ensaios sobre o "Ulysses" ("<i>Ulysses, order and myth</i>"), passa depois daquele encontro a ser um dos leitores que recebiam os epis&oacute;dios que Joyce ia completando. &Eacute;, portanto, j&aacute; sob a influ&ecirc;ncia dos primeiros trechos do <i>Ulysses</i>, e do impacto de uma rela&ccedil;&atilde;o pessoal com o autor, que Eliot come&ccedil;a a se dedicar a algo que seria bem diferente dos poemas de seu primeiro livro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O poema que ele elabora enquanto o <i>Ulysses</i> vai sendo finalizado se abria, por exemplo, com uma releitura do epis&oacute;dio em que os personagens principais do romance de Joyce v&atilde;o a um bordel. Fato curioso: esse epis&oacute;dio &eacute; justamente o primeiro a n&atilde;o ter sido publicado pela Little Review. Antes de chegar a sua forma final, no entanto, o poema passaria por uma extensa revis&atilde;o pelas m&atilde;os do mesmo Ezra Pound, que acabaria inclusive por cortar aquela se&ccedil;&atilde;o inicial e mais outras, que inclu&iacute;am um trecho de vi&eacute;s mais escatol&oacute;gico, tamb&eacute;m mais diretamente tribut&aacute;rio do estilo e da liberdade do "<i>Ulysses</i>".</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">* * *</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A maioria das pessoas que hoje se aproximam do "Ulysses" chega sabendo certas coisas sobre o livro: que sua a&ccedil;&atilde;o se passa num s&oacute; dia (16 de junho de 1904), que ele se dedica a uma explora&ccedil;&atilde;o minucios&iacute;ssima da vida de pessoas comuns, e que se apresenta como uma esp&eacute;cie de rescrita da "Odisseia", de Homero. S&oacute; que, aqui, ao inv&eacute;s de acompanharmos o longo trajeto do retorno do rei de &Iacute;taca, depois do cerco e da tomada de Troia (narrados na "Il&iacute;ada"), seguimos passo a passo o dia de um camarada, Leopold Bloom, que sai de casa de manh&atilde;, enfrenta um dia de afazeres na cidade e retorna de madrugada, n&atilde;o para os bra&ccedil;os de Pen&eacute;lope, modelo de fidelidade e de const&acirc;ncia, mas para a cama onde sua esposa, Molly, cometeu adult&eacute;rio naquele dia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas quando Joyce decide tirar de cada um dos epis&oacute;dios os t&iacute;tulos que remetiam a Homero, a rela&ccedil;&atilde;o entre seu relato e a narrativa das aventuras de Odisseu passa a depender (ao menos numa primeira leitura) apenas do t&iacute;tulo do romance: a vers&atilde;o latina do nome do her&oacute;i grego. O pr&oacute;prio Joyce trabalharia para garantir que esse dado n&atilde;o passasse em branco nas leituras cr&iacute;ticas do romance. Ele forneceu informa&ccedil;&otilde;es e at&eacute; livros para que Stuart Gilbert pudesse publicar em 1930 seu livro "James Joyce's Ulysses", que explorava detalhadamente esse paralelo<a name="3b"></a><sup>&#91;</sup><a href="#3a"><sup>iii</sup></a><sup>&#93;</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas, j&aacute; em 1923, o texto de Eliot expunha o quanto o fato de Joyce ter estruturado assim sua odisseia da vida moderna era importante e talvez definitivo para uma nova literatura, baseada numa rela&ccedil;&atilde;o mais f&eacute;rtil, menos engessada e mais criativa com o passado. Para Eliot, o movimento "duplo" que permitia que os atos de Bloom fossem como que elevados ao serem vistos como reencena&ccedil;&otilde;es das perip&eacute;cias de Odisseu e, ao mesmo tempo, rebaixava o her&oacute;i hom&eacute;rico, agora comparado a um marido tra&iacute;do, frustrado, empobrecido e vilipendiado, era a chave para a cria&ccedil;&atilde;o de todo um novo "m&eacute;todo" liter&aacute;rio, fornecendo uma estrutura pr&eacute;via sobre a qual a modernidade poderia se implementar, construindo seu futuro a partir dessas ru&iacute;nas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a11fig02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa ideia aparece inclusive nos versos finais de "A Terra Devastada", que, na verdade, d&aacute; um passo al&eacute;m ao evitar uma simples repeti&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo de Joyce, por se ancorar em uma infinidade de textos diferentes, provindos de tradi&ccedil;&otilde;es variadas (especialmente da &Iacute;ndia), e tamb&eacute;m por eleger como sua refer&ecirc;ncia cl&aacute;ssica a figura ainda mais amb&iacute;gua e m&uacute;ltipla do adivinho Tir&eacute;sias, humano dotado do conhecimento do futuro, clarividente cego, homem que se viu transformado em mulher e voltou a ser homem ("velho de tetas rugosas", no poema)<a name="4b"></a><sup>&#91;</sup><a href="#4a"><sup>iv</sup></a><sup>&#93;</sup>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; claro que essa leitura &eacute; simplificadora. Joyce, no "Ulysses", tamb&eacute;m se apoia em v&aacute;rios outros monumentos liter&aacute;rios (o "Hamlet" e o "Don Giovanni" talvez sejam os mais evidentes) e tamb&eacute;m se serve de refer&ecirc;ncias orientais (Bloom adormece numa posi&ccedil;&atilde;o que sua esposa compara &agrave; de uma est&aacute;tua que, apesar de eles n&atilde;o saberem, representa o momento da morte do Buda). Eliot, por sua vez, fez em "A Terra Devastada" muito mais do que reaplicar e sofisticar os m&eacute;todos e estrat&eacute;gias de Joyce. Mas ainda assim &eacute; relevante o fato de que esses dois colossos do alto modernismo de l&iacute;ngua inglesa nascem e se desenvolvem numa esp&eacute;cie de di&aacute;logo, de fertiliza&ccedil;&atilde;o cruzada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A luz que o "Ulysses" e "A Terra Devastada" projetaram sobre a literatura dos &uacute;ltimos cem anos &eacute; de certa maneira ainda mais intensa por causa dessa rela&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">* * *</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas de que maneira essas obras nos iluminam hoje?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cem anos &eacute; bastante tempo. A imensa maioria dos leitores das tradu&ccedil;&otilde;es que eu mesmo publiquei dessas obras nasceu d&eacute;cadas depois da morte dos autores. Ser&atilde;o pe&ccedil;as de museu essas obras? Cultuadas por causa da relev&acirc;ncia que teriam tido para autores que influenciaram autores que influenciaram autores? Pouco poderia estar mais distante da verdade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a11fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses textos est&atilde;o vivos. Eles ainda incomodam e ainda iluminam. Apenas para ficarmos com dois exemplos curiosos, o lindo filme "Roma" (2018), de Alfonso Cuar&oacute;n, se encerra com uma cita&ccedil;&atilde;o de "A Terra Devastada" e o divertido filme "Shrek" (2001) se abre com uma par&oacute;dia enviesada do "Ulysses". Seria extremamente arriscado, e at&eacute; irrespons&aacute;vel, tentar dizer em poucas palavras por que esses textos continuam atraindo as mentes mais criativas (de leitores e de outros criadores), e continuam demonstrando que permanecem &agrave; nossa frente. Mas uma coisa que se pode dizer com certa tranquilidade &eacute; que um dos primeiros impactos causados por essas obras ainda se mant&eacute;m: e deriva de sua pura e simples complexidade.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"De um lado, a percep&ccedil;&atilde;o de que existiam camadas da experi&ecirc;ncia humana que n&atilde;o podiam ser investigadas e expostas com o emprego dos m&eacute;todos que a literatura at&eacute; ali vinha utilizando; de outro lado, a disposi&ccedil;&atilde;o para empregar quaisquer meios, antiquados, novos ou in&eacute;ditos, para possibilitar esse acesso, para dar a ver aos seus leitores algo que at&eacute; ali n&atilde;o era vis&iacute;vel."</b></styled-content>   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a11fig04.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em mar&ccedil;o de 1923, o primeiro n&uacute;mero da revista Time inclu&iacute;a um artigo sobre a publica&ccedil;&atilde;o de "A Terra Devastada", que mencionava tamb&eacute;m a publica&ccedil;&atilde;o do Ulysses. A primeira frase desse artigo ficou famosa: "h&aacute; um novo tipo de literatura &agrave; solta pelo mundo, cujo &uacute;nico defeito evidente &eacute; sua incompreensibilidade". Meses antes, o pr&oacute;prio Joyce tinha sido confrontado com essa quest&atilde;o quando, numa festa, uma conhecida lhe disse que tinha achado bonito o poema de Eliot, mas que receava n&atilde;o ter sido capaz de compreend&ecirc;-lo; ao que Joyce teria respondido: "e voc&ecirc; precisa entender?"</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Poemas sempre dan&ccedil;aram no limite entre a compreens&atilde;o direta e a alus&atilde;o. Romances, no entanto, por mais que fossem "complexos", raramente teriam sido caracterizados como "incompreens&iacute;veis". Mas "A Terra Devastada", em sua jun&ccedil;&atilde;o de idiomas e estilos, na justaposi&ccedil;&atilde;o selvagem de fragmentos recortados e abortados, ia muito al&eacute;m da dificuldade mesmo dos poemas mais densos at&eacute; ali. E o "Ulysses" era simplesmente um grau novo de estranhamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse dado, essa mera abertura ao dif&iacute;cil, a levar os leitores a encarar uma obra que insinue seus significados e aponte a necessidade de um conv&iacute;vio mais intenso e mais duradouro (releituras, estudo, aprofundamento) j&aacute; foi um legado important&iacute;ssimo daquele 1922. Se hoje podemos ouvir o pop de uma cantora como Lucrecia Dalt ou assistir a uma s&eacute;rie como "Twin Peaks", com a consci&ecirc;ncia de que mesmo o "entretenimento" pode nos fascinar antes de ser "entendido" (e talvez sem jamais chegar a s&ecirc;-lo), de alguma maneira ainda surfamos no legado de Joyce, de Eliot e dos demais modernistas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"O privil&eacute;gio de encarar algo encantador que resiste &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o: muito da arte do s&eacute;culo XX deriva dessa ideia." </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas ao criar uma literatura que valorizava o "novo", que encarava de frente a necessidade de se reconstruir como forma de arte diante de tempos novos e de novos problemas, o alto modernismo pode, na verdade, ter gerado um paradigma que vai garantir de modo incontorn&aacute;vel sua constante atualidade. Se obras posteriores quiseram ir al&eacute;m desses monumentos fundadores, por exemplo, estavam apenas buscando resultados melhores num jogo que tinha sido inventado por aqueles primeiros textos. No jogo da inova&ccedil;&atilde;o, supera&ccedil;&atilde;o &eacute; tributo, e a din&acirc;mica de inven&ccedil;&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o que come&ccedil;a ali a tomar um lugar central na reflex&atilde;o art&iacute;stica ainda se mant&eacute;m ativa, e assim garante tamb&eacute;m a sobrevida daqueles primeiros textos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">* * *</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas h&aacute; outro dado que caracteriza o potencial tanto do "Ulysses" quanto de "A Terra Devastada", e que pode ser o que de mais poderoso, atual e relevante eles t&ecirc;m.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos dois casos, a inova&ccedil;&atilde;o acarretou complexidade. Fato. Mas &eacute; fato tamb&eacute;m que isso partia de um primeiro movimento: de um lado, a percep&ccedil;&atilde;o de que existiam camadas da experi&ecirc;ncia humana que n&atilde;o podiam ser investigadas e expostas com o emprego dos m&eacute;todos que a literatura at&eacute; ali vinha utilizando; de outro lado, a disposi&ccedil;&atilde;o para empregar quaisquer meios, antiquados, novos ou in&eacute;ditos, para possibilitar esse acesso, para dar a ver aos seus leitores algo que at&eacute; ali n&atilde;o era vis&iacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diagn&oacute;stico e "terapia".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; como se esses autores (e outros) tivessem percebido que a literatura estivesse perigosamente perto de um tipo de pregui&ccedil;a, em que representar e dar vida aos mesmos tipos de problemas e de situa&ccedil;&otilde;es era cada vez mais f&aacute;cil. E &eacute; como se eles tivessem se dado conta de que havia muito mais a explorar, desde que estivessem dispostos a trocar o kit de ferramentas que empregavam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ideia de que para isso eles tenham primeiro recorrido ao patrim&ocirc;nio liter&aacute;rio grego (origem de toda essa tradi&ccedil;&atilde;o) &eacute; um indicador vigoroso do quanto h&aacute; de permanente no potencial de abordagem de tudo que seja humano pela literatura. Mas sua dedica&ccedil;&atilde;o a encontrar novas maneiras de empregar esse patrim&ocirc;nio, e de ir mais e mais fundo na consci&ecirc;ncia, no sentimento de mundo e na experi&ecirc;ncia de vida de seu tempo &eacute;, por isso mesmo, o que de mais inovador eles tiveram, e o que de mais "tradicional" seu trabalho ter&aacute; para n&oacute;s e para o futuro da literatura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ler o "Ulysses" &eacute; um aprendizado e uma dificuldade. Mas conhecer Leopold Bloom &eacute; uma experi&ecirc;ncia humana insuper&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ler "A Terra Devastada" &eacute; um processo lento e truncado. Mas sentir o efeito de suas tr&ecirc;s palavras finais &eacute;, e sempre ser&aacute;, indiz&iacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. BEACH, S. <i>Shakespeare and Company: uma livraria na Paris do entre-guerras</i>. S&atilde;o Paulo: Casa da Palavra, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121542&pid=S0009-6725202200040001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. BIRMINGHAM, K. <i>The Most Dangerous Book: the battle for James Joyce's Ulysses</i>. Nova York (NY): Penguin, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121544&pid=S0009-6725202200040001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. CRAWFORD, R.<i> Young Eliot: From St. Louis to The Waste Land</i>. Nova York (NY): Farrar, Straus and Giroux, 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121546&pid=S0009-6725202200040001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. CRAWFORD, R. <i>Eliot after The Waste Land</i>. Nova York (NY): Farrar, Straus and Giroux, 2022.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121548&pid=S0009-6725202200040001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. ELIOT, T. S. Poemas. S&atilde;o Paulo: <i>Companhia das Letras</i>, 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121550&pid=S0009-6725202200040001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. ELIOT, V.; HAUGHTON, H. <i>The Letters of T. S. Eliot</i>. Londres: Faber and Faber, 1988, v. 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121552&pid=S0009-6725202200040001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. ELLMANN, R. <i>James Joyce</i>. Oxford: Oxford University Press, 1982.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121554&pid=S0009-6725202200040001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. GALINDO, C. W. <i>Sim, eu digo sim: uma visita guiada ao Ulysses de James Joyce</i>. S&atilde;o Paulo (SP): Companhia das Letras, 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121556&pid=S0009-6725202200040001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. JOYCE, J. <i>Dublinenses</i>. S&atilde;o Paulo (SP): Penguin Companhia, 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121558&pid=S0009-6725202200040001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. JOYCE, J. <i>Ex&iacute;lios e Poemas</i>. S&atilde;o Paulo (SP): Penguin Companhia, 2021.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121560&pid=S0009-6725202200040001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">11. JOYCE, J. <i>Finn's hotel</i>. S&atilde;o Paulo (SP): Penguin Companhia, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121562&pid=S0009-6725202200040001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">12. JOYCE, J. <i>Ulysses</i>. S&atilde;o Paulo (SP): Penguin Companhia, 2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121564&pid=S0009-6725202200040001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">13. JOYCE, J. <i>Um retrato do artista quando jovem</i>. S&atilde;o Paulo (SP): Penguin Companhia, 2016.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=121566&pid=S0009-6725202200040001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Leia tamb&eacute;m:</b>    <br>   The Waste Land, de T. S. Eliot (em ingl&ecirc;s)    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   The Waste Land, de T. S. Eliot (em portugu&ecirc;s)    <br>   Sim, eu digo sim: uma visita guiada ao Ulysses de James Joyce    <br>   <b>Notas:</b>    <br>   <a name="1a"></a>&#91;<a href="#1b">i</a>&#93; cf. Carta de 18 de dezembro de 1919 &agrave; m&atilde;e do poeta, in Eliot, 1988.    <br>   <a name="2a"></a>&#91;<a href="#2b">ii</a>&#93; cf. Crawford, 2015, edi&ccedil;&atilde;o digital sem n&uacute;meros de p&aacute;ginas.    <br>   <a name="3a"></a>&#91;<a href="#3b">ii</a>&#93; cf. Ellmann, p. 616.    <br>   <a name="4a"></a>&#91;<a href="#4b">iv</a>&#93; Eliot, 2018, p. 131.</font></p>      ]]></body>
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