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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>10.5935/2317-6660.20220066 OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Colocar a democracia no cora&ccedil;&atilde;o das decis&otilde;es econ&ocirc;micas: impactos das decis&otilde;es econ&ocirc;micas sobre a natureza e a sociedade devem ser repensados para se atingir uma sociedade mais justa</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ricardo Abramovay</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor titular da C&aacute;tedra Josu&eacute; de Castro e professor s&ecirc;nior do Instituto de Energia e Ambiente da USP. Autor de "Infraestrutura para o desenvolvimento sustent&aacute;vel da Amaz&ocirc;nia" (S&atilde;o Paulo, Ed. Elefante, 2022). <a href="http://www.ricardoabramovay.com" target="_blank">www.ricardoabramovay.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amartya Sem<a name="1b"></a><sup>&#91;</sup><a href="#1a"><sup>i</sup></a><sup>&#93;</sup> tinha 10 anos e se lembra at&eacute; hoje dos gritos cont&iacute;nuos de gente pedindo ajuda, por falta de comida. Em sua rec&eacute;m-publicada autobiografia, ele relata a cena chocante, 77 anos atr&aacute;s, de um homem, no p&aacute;tio de sua escola, em Santiniketan (um bairro da cidade de Bolpur em Bengala Ocidental, &Iacute;ndia), totalmente fora de si e que, pelo que os alunos descobriram, estava sem comer havia um m&ecirc;s. A cidade fica a apenas 150 quil&ocirc;metros de Calcut&aacute;, cidade portu&aacute;ria por onde as exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas indianas transitavam, sob o incentivo do aumento dos pre&ccedil;os, no auge da Segunda Guerra Mundial. O alimento existia, mas era inacess&iacute;vel aos que dele necessitavam. A famosa fome de Bengala de 1942/43 matou entre dois e tr&ecirc;s milh&otilde;es de pessoas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este paradoxo da fome em plena abund&acirc;ncia nunca lhe saiu da cabe&ccedil;a e quando, nos anos 1970, j&aacute; economista, Amartya Sen, se debru&ccedil;ou sobre o tema, sua conclus&atilde;o foi inequ&iacute;voca: "<i>era mais importante dar mais aten&ccedil;&atilde;o ao direito aos alimentos e n&atilde;o &agrave; disponibilidade deles</i>". A frase singela resume o esp&iacute;rito do conjunto da obra deste pr&ecirc;mio Nobel de Economia, conquistado em 1988, por sua contribui&ccedil;&atilde;o a um ramo da ci&ecirc;ncia econ&ocirc;mica chamado economia do bem-estar. E nada resume melhor sua posi&ccedil;&atilde;o neste campo t&atilde;o t&eacute;cnico e matematizado da microeconomia que sua defini&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento. Para Amartya Sen, desenvolvimento n&atilde;o se refere ao poder de aumentar a produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os, &agrave;s tecnologias ou &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o social voltada a esta finalidade. Sua defini&ccedil;&atilde;o, que deu origem ao t&iacute;tulo do livro que publicou no ano em que foi contemplado com o Nobel, vai muito al&eacute;m: desenvolvimento &eacute; o processo permanente de expans&atilde;o das liberdades substantivas dos seres humanos. O importante n&atilde;o s&atilde;o as coisas e sim o que as pessoas fazem com as coisas e como sua produ&ccedil;&atilde;o incide em suas vidas. Entre os benef&iacute;cios potenciais que um bem econ&ocirc;mico e, mais ainda, o crescimento econ&ocirc;mico poderiam trazer e seus efeitos reais sobre a vida das pessoas, a dist&acirc;ncia pode ser quilom&eacute;trica (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a12fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em Bengala, as pessoas tinham a liberdade de produzir e de comprar alimentos. Mas essa liberdade era puramente formal, n&atilde;o era substantiva. A &Iacute;ndia era uma col&ocirc;nia brit&acirc;nica &agrave; &eacute;poca, e Amartya Sen mostra que nem o Parlamento Brit&acirc;nico, nem a imprensa indiana, sob forte censura, veiculavam a trag&eacute;dia que n&atilde;o escapava aos olhos de uma crian&ccedil;a de 10 anos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A natureza econ&ocirc;mica dos alimentos, o fato de eles serem produzidos, distribu&iacute;dos e consumidos no &acirc;mbito de uma economia de mercado, n&atilde;o pode escamotear o direito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o. Em outras palavras, a efici&ecirc;ncia na aloca&ccedil;&atilde;o dos recursos e os incentivos que os mercados oferecem aos agentes econ&ocirc;micos s&atilde;o importantes, mas n&atilde;o garantem uma alimenta&ccedil;&atilde;o suficiente e saud&aacute;vel para todos. O "direito aos alimentos" n&atilde;o pode ser puramente formal e abstrato. Se o pre&ccedil;o dos alimentos est&aacute; muito acima do que os pobres podem pagar, seu "direito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o" est&aacute; irremediavelmente comprometido, mesmo que os alimentos existam e, em tese, possam ser comprados.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"A natureza econ&ocirc;mica dos alimentos, o fato de eles serem produzidos, distribu&iacute;dos e consumidos no &acirc;mbito de uma economia de mercado, n&atilde;o pode escamotear o direito &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foi isso que o Betinho<a name="2b"></a><sup>&#91;</sup><a href="#2a"><sup>ii</sup></a><sup>&#93;</sup> percebeu nos anos 1990, e esta &eacute; a raz&atilde;o pela qual os governos democr&aacute;ticos brasileiros, sob press&atilde;o da sociedade civil organizada e de campanhas memor&aacute;veis, implantaram, ao longo de duas d&eacute;cadas, organiza&ccedil;&otilde;es estatais e iniciativas que permitiram ao Pa&iacute;s sair do mapa da fome em 2014. Essas organiza&ccedil;&otilde;es e iniciativas foram discutidas no Congresso, mas, sobretudo, foram concebidas, implementadas e avaliadas por conselhos com forte participa&ccedil;&atilde;o cidad&atilde;. Parcela t&atilde;o importante da vida econ&ocirc;mica do Pa&iacute;s (a alimenta&ccedil;&atilde;o de sua popula&ccedil;&atilde;o) era pautada por um conjunto de organiza&ccedil;&otilde;es que tinham voz ativa na organiza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas alimentares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O corpo das pessoas &eacute; um marcador social incontorn&aacute;vel: 22% das crian&ccedil;as do Nordeste de at&eacute; cinco anos, em 1996, tinham uma estatura que revelava sua car&ecirc;ncia nutricional cr&ocirc;nica. Em 2006, este total caiu para 6% &#91;1&#93;. &Eacute; claro que o aumento na oferta alimentar resultou no barateamento da comida e contribuiu para esse resultado. Mas ele n&atilde;o teria sido alcan&ccedil;ado sem um conjunto de medidas p&uacute;blicas voltadas a dotar as popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis dos meios que lhes permitissem satisfazer suas necessidades &#91;2&#93;. A constru&ccedil;&atilde;o de cisternas, que possibilitaram a conviv&ecirc;ncia com a seca, a decis&atilde;o de melhorar a composi&ccedil;&atilde;o da merenda escolar com a aquisi&ccedil;&atilde;o de alimentos vindos da agricultura familiar, o aumento gradual do sal&aacute;rio-m&iacute;nimo e as transfer&ecirc;ncias diretas de renda foram essenciais para que o aumento da produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria se traduzisse substantivamente em redu&ccedil;&atilde;o da fome. Este &eacute; um exemplo de amplia&ccedil;&atilde;o das liberdades substantivas dos seres humanos (a liberdade de ter uma alimenta&ccedil;&atilde;o que permita um crescimento saud&aacute;vel) sem as quais &eacute; gigantesco o risco de que o crescimento econ&ocirc;mico se afaste da satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades sociais (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a12fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas a influ&ecirc;ncia da organiza&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica sobre a vida social n&atilde;o pode limitar-se a suas dimens&otilde;es distributivas. O crescimento econ&ocirc;mico contempor&acirc;neo vem sacrificando os tecidos socioambientais nos quais ele at&eacute; aqui se apoiou. A destrui&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos dos quais depende a oferta de bens e servi&ccedil;os &eacute; muito mais r&aacute;pida que a capacidade de a natureza se recuperar da guerra que o sistema econ&ocirc;mico trava sistematicamente contra ela &#91;3&#93;. A oferta alimentar contempor&acirc;nea depende de um pequeno n&uacute;mero de produtos, cuja oferta concentra-se em algumas poucas regi&otilde;es do mundo &#91;4&#93;. Por um lado, a monotonia das paisagens agr&iacute;colas e a uniformidade das cria&ccedil;&otilde;es animais ampliam os riscos de colapso: segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC) nos &uacute;ltimos 30 anos epis&oacute;dios de severa seca (como a que se abateu sobre as regi&otilde;es produtoras de gr&atilde;os no Brasil este ano) atingiram 75% da &aacute;rea plantada. Por outro lado, a gigantesca biodiversidade que poderia estar na base dos sistemas alimentares &eacute; desperdi&ccedil;ada. Segundo o relat&oacute;rio da organiza&ccedil;&atilde;o brit&acirc;nica Kew Royal Botanic Garden &#91;5&#93;, h&aacute; mais de 7.000 plantas comest&iacute;veis no mundo, das quais mais de 450 podem ser cultivadas. No entanto, 60% da humanidade depende de quatro culturas: soja, trigo, milho e arroz. As cria&ccedil;&otilde;es concentracion&aacute;rias (e geneticamente homog&ecirc;neas) de animais s&oacute; n&atilde;o resultam em contamina&ccedil;&atilde;o viral e bacteriana em larga escala em virtude do consumo de antibi&oacute;ticos em que estas tecnologias se apoiam. 70% dos antibi&oacute;ticos produzidos hoje destinam-se a animais e boa parte destes materiais escapam para o solo e os cursos d'&aacute;gua, resultando em preocupante avan&ccedil;o da resist&ecirc;ncia antibacteriana &#91;6&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"A transi&ccedil;&atilde;o para sistemas agroalimentares saud&aacute;veis e sustent&aacute;veis depende de forte participa&ccedil;&atilde;o social e de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas voltadas &agrave; difus&atilde;o de padr&otilde;es alimentares e culin&aacute;rios saud&aacute;veis, mas tamb&eacute;m da descentraliza&ccedil;&atilde;o de iniciativas capazes de desconcentrar a oferta alimentar e de promover a diversidade nos cultivos, nas cria&ccedil;&otilde;es animais e nas pr&aacute;ticas culin&aacute;rias."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O paradoxo da fome em meio &agrave; abund&acirc;ncia tomou uma nova fei&ccedil;&atilde;o no Brasil: nosso sistema agroalimentar &eacute; o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do mundo e, no entanto, a fome e a desnutri&ccedil;&atilde;o cresceram exatamente &agrave; medida que estas emiss&otilde;es aumentavam. A hospitaliza&ccedil;&atilde;o infantil por desnutri&ccedil;&atilde;o atingiu, em 2022, o pior &iacute;ndice dos &uacute;ltimos catorze anos, como mostra pesquisa da Fiocruz &#91;7&#93;.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"Neste momento de recupera&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es brasileiras, da mesma forma, &eacute; fundamental "colocar a economia em democracia" e deixar de trat&aacute;-la como se fosse uma esfera aut&ocirc;noma da vida social."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; indispens&aacute;vel que a democracia atinja o cerne das decis&otilde;es e das iniciativas econ&ocirc;micas e n&atilde;o esteja presente apenas nos mecanismos voltados &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o da riqueza. &Eacute; cada vez mais evidente, por exemplo, o contraste entre as reais necessidades alimentares das pessoas e aquilo que o sistema agroalimentar lhes oferece, mesmo nas sociedades mais ricas do planeta. Os guias alimentares, que v&ecirc;m sendo publicados em todo o mundo (tema em que a pesquisa brasileira exerce forte lideran&ccedil;a global) &#91;8&#93;, sinalizam a urg&ecirc;ncia de que se aumente o consumo de verduras, hortali&ccedil;as e folhas, reduzindo-se a quase nada a entrada de ultraprocessados na dieta e diminuindo tamb&eacute;m de forma importante o consumo de carnes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se depender estritamente do punhado de grandes empresas que dominam o setor agroalimentar, esta mudan&ccedil;a n&atilde;o ocorrer&aacute;. A transi&ccedil;&atilde;o para sistemas agroalimentares saud&aacute;veis e sustent&aacute;veis depende de forte participa&ccedil;&atilde;o social e de institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas voltadas &agrave; difus&atilde;o de padr&otilde;es alimentares e culin&aacute;rios saud&aacute;veis, mas tamb&eacute;m da descentraliza&ccedil;&atilde;o de iniciativas capazes de desconcentrar a oferta alimentar e de promover a diversidade nos cultivos, nas cria&ccedil;&otilde;es animais e nas pr&aacute;ticas culin&aacute;rias. As diferentes formas de agricultura urbana e periurbana &#91;9&#93; que, no mundo todo, ganham import&acirc;ncia em terrenos vazios das cidades, por iniciativas de movimentos sociais, s&atilde;o um exemplo neste sentido.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A crise socioambiental contempor&acirc;nea exige que se amplie o escopo daquilo que a ci&ecirc;ncia econ&ocirc;mica considerou at&eacute; aqui pertencer ao dom&iacute;nio dos bens p&uacute;blicos. T&atilde;o importantes quanto as pra&ccedil;as, as estradas, o sistema de &aacute;gua e esgoto e a internet s&atilde;o os impactos das decis&otilde;es econ&ocirc;micas sobre a natureza e a sociedade. Esses impactos n&atilde;o podem mais ser tratados como "externalidades". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O rec&eacute;m-falecido soci&oacute;logo Bruno Latour escreveu uma d&eacute;cada atr&aacute;s um livro em que prop&otilde;e a derrubada da Torre de Marfim da vida acad&ecirc;mica e tem como subt&iacute;tulo a proposta de "colocar as ci&ecirc;ncias em democracia" &#91;10&#93;. Neste momento de recupera&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es brasileiras, da mesma forma, &eacute; fundamental "colocar a economia em democracia" e deixar de trat&aacute;-la como se fosse uma esfera aut&ocirc;noma da vida social.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. BRASIL. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. <i>Pesquisa Nacional de Demografia e Sa&uacute;de da crian&ccedil;a e da mulher (PNDS)</i>. Bras&iacute;lia (DF): Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. MONTEIRO, C. A.; BENICIO, M. H. D.; KONNO, S. C.; SILVA, A. C. F.; LIMA, A. L. L.; CONDE, W. L. Causas do decl&iacute;nio da desnutri&ccedil;&atilde;o no Brasil, 1996-2007. <i>Revista de Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>, 43(1), 1-8, 2009.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. DASGUPTA, P. <i>The economics of biodiversity: the Dasgupta review</i>. London: HM Treasury, 2021.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. WOETZEL, J.; PINNER, D.; SAMANDARI, H.; ENGEL, H.; KRISHNAN, M.; DENIS, N.; MELZER, T. <i>Will the word's breadbaskets become less reliable? Case study</i>. Washington, DC: McKinsey Global Institute, 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. KEW ROYAL BOTANIC GARDEN (KEW). <i>State of the world's plants and fungi</i>. London: Kew Royal Botanic Garden, 2020.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. UN Environment. <i>Frontiers 2017: emerging issues of environmental concern</i>. Washington, DC: UN Environment Programme, 2017.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. ESTAD&Atilde;O. <i>Hospitaliza&ccedil;&atilde;o de beb&ecirc;s por desnutri&ccedil;&atilde;o atinge pior &iacute;ndice em 14 anos</i>. Estad&atilde;o, 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. BRASIL. Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. <i>Guia alimentar da popula&ccedil;&atilde;o brasileira</i>. Bras&iacute;lia (DF): Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, 2014.    </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. AGRICULTURA METROPOLE - ESCOLHAS. <i>Mais perto do que se imagina: os desafios da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos na metr&oacute;pole de S&atilde;o Paulo</i>. Agricultura Metropole - Escolhas, 2018.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">10. LATOUR, B. <i>Politiques de la nature Comment faire entrer les sciences en d&eacute;mocratie</i>. Paris: La D&eacute;couverte, 2021.    </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b>    <br>   <a name="1a"></a>&#91;<a href="#1b">i</a>&#93; Amartya Sem: &eacute; professor de economia e filosofia da c&aacute;tedra Thomas W. Lamont na Universidade Harvard. Anteriormente, foi professor de Economia na Universidade Jadavpur de Calcut&aacute;, na Escola de Economia de Delhi e na London School of Economics, e Drummond, assim como, Professor de Economia Pol&iacute;tica na Universidade de Oxford.    <br>   <a name="2a"></a>&#91;<a href="#2b">ii</a>&#93; Herbert Jos&eacute; de Sousa foi um soci&oacute;logo e ativista dos direitos humanos brasileiro. Concebeu e dedicou-se ao projeto A&ccedil;&atilde;o da Cidadania contra a Fome, a Mis&eacute;ria e pela Vida.</font></p>      ]]></body><back>
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