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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Mudanças climáticas: caminhos para o Brasil: a construção de uma sociedade minimamente sustentável requer esforços da sociedade com colaboração entre a ciência e os formuladores de políticas públicas]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>10.5935/2317-6660.20220067 OPINI&Atilde;O</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas: caminhos para o Brasil: a constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade minimamente sustent&aacute;vel requer esfor&ccedil;os da sociedade com colabora&ccedil;&atilde;o entre a ci&ecirc;ncia e os formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Paulo Artaxo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professor titular do Departamento de F&iacute;sica Aplicada do Instituto de F&iacute;sica da USP. &Eacute; vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC), coordenador do Programa FAPESP de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas Globais e membro do Painel Intergovernamental de Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC) e do INCT Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas. Trabalhou na NASA (Estados Unidos), Universidades de Antu&eacute;rpia (B&eacute;lgica), Lund (Su&eacute;cia) e Harvard (Estados Unidos)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas constituem um dos maiores desafios da humanidade. &Eacute; urgente entendermos como os ecossistemas brasileiros, a economia, a infraestrutura, as cadeias produtivas, a biodiversidade, a sa&uacute;de, entre outros aspectos, est&atilde;o sendo afetados por elas. O Brasil &eacute; o s&eacute;timo maior emissor de gases de efeito estufa (GEE) do planeta e o quarto em emiss&otilde;es per capita. Historicamente, desde a revolu&ccedil;&atilde;o industrial, o Brasil &eacute; o sexto maior emissor global de GEE, o que faz de nosso pa&iacute;s um dos maiores respons&aacute;veis pela crise clim&aacute;tica. O Brasil tem vantagens estrat&eacute;gicas enormes, como a possibilidade de reduzir fortemente as emiss&otilde;es de gases de efeito estufa, com ganhos importantes para a sociedade. Temos um potencial de gera&ccedil;&atilde;o de energia solar e e&oacute;lica que nenhum outro pa&iacute;s possui. Mas tamb&eacute;m temos vulnerabilidades, como um agroneg&oacute;cio dependente do clima e a gera&ccedil;&atilde;o de hidroeletricidade dependente da chuva. Ainda, temos tamb&eacute;m 8.500km de &aacute;reas costeiras sens&iacute;veis ao aumento do n&iacute;vel do mar, e &aacute;reas urbanas vulner&aacute;veis a eventos clim&aacute;ticos extremos. Precisamos construir uma socioeconomia mais justa e com menos desigualdades, com clima e meio ambiente integrados de modo sustent&aacute;vel &agrave;s nossas atividades socioecon&ocirc;micas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia n&atilde;o tem d&uacute;vidas quanto ao fato de que as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas est&atilde;o gerando impactos significativos para o Brasil e para o planeta como um todo &#91;1&#93;. Seja com o aumento gradual de temperatura, ou de eventos clim&aacute;ticos extremos, como secas e inunda&ccedil;&otilde;es, a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica j&aacute; est&aacute; conosco o tempo todo e agora trazem impactos importantes em nosso sistema socioecon&ocirc;mico. As perspectivas que a ci&ecirc;ncia coloca para nossa sociedade &eacute; de que podemos ter um aquecimento planet&aacute;rio m&eacute;dio da ordem de 3ºC a 4ºC at&eacute; 2100. Em &aacute;reas continentais, a estimativa &eacute; de um aquecimento de 4 a 5ºC &#91;1&#93;. Isso poder&aacute; comprometer o funcionamento de muitos ecossistemas, bem como o nosso pr&oacute;prio sistema produtivo e infraestrutura, inclusive com dificuldades importantes para alimentar 10 bilh&otilde;es de pessoas em 2050 em um clima menos favor&aacute;vel. &Eacute; urgente entender claramente como os ecossistemas brasileiros, a economia, a infraestrutura, as cadeias produtivas, a biodiversidade, a sa&uacute;de, entre outros aspectos, est&atilde;o sendo afetados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aumentar a resili&ecirc;ncia socioambiental &eacute; muito importante. Para al&eacute;m do potencial impacto nos ecossistemas, com boa vontade e governan&ccedil;a colaborativa, as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas podem ser vistas como uma oportunidade para transforma&ccedil;&otilde;es socioecon&ocirc;micas significativas e para agilizar o desenvolvimento tecnol&oacute;gico em diversos setores, incluindo ind&uacute;stria, agroneg&oacute;cio, sistemas de energia, transportes, etc., buscando a transi&ccedil;&atilde;o para uma sociedade mais sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil est&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es de ser competitivo em uma economia de baixo carbono, desde que explore as possibilidades de transformar sua matriz energ&eacute;tica com o uso de energias renov&aacute;veis, eliminando o desmatamento e reduzindo as emiss&otilde;es de gases de efeito estufa (GEE) provenientes do setor agropecu&aacute;rio. Tamb&eacute;m &eacute; necess&aacute;rio estimular, ao mesmo tempo, medidas como a restaura&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica e a conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade em todos os biomas brasileiros. Isso pode ser alcan&ccedil;ado sem comprometer o crescimento econ&ocirc;mico e promovendo a redu&ccedil;&atilde;o da desigualdade social, devido a algumas vantagens estrat&eacute;gicas que temos no nosso pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil mostra vulnerabilidades importantes nas &aacute;reas ambiental e clim&aacute;tica &#91;2&#93;. O observado aumento da frequ&ecirc;ncia e intensidade de eventos clim&aacute;ticos extremos tem impactado sobremaneira nossa popula&ccedil;&atilde;o, a economia, o funcionamento dos ecossistemas, a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, a infraestrutura costeira, a disponibilidade de recursos h&iacute;dricos, entre muitos outros efeitos. Particularmente nas cidades costeiras, a alta densidade populacional, defici&ecirc;ncias infraestruturais, altos n&iacute;veis de polui&ccedil;&atilde;o, degrada&ccedil;&atilde;o de rios e &aacute;reas &uacute;midas, combinados com os efeitos negativos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, como eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar e ocorr&ecirc;ncia de eventos extremos, amea&ccedil;am importantes atividades socioecon&ocirc;micas dependentes dos oceanos, como turismo, pesca e com&eacute;rcio internacional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outras vulnerabilidades importantes s&atilde;o um agroneg&oacute;cio e a gera&ccedil;&atilde;o de hidroeletricidade dependentes de chuva e clima, e algumas regi&otilde;es, principalmente o Nordeste, em processo de desertifica&ccedil;&atilde;o. As previs&otilde;es de redu&ccedil;&atilde;o nas precipita&ccedil;&otilde;es sobre o territ&oacute;rio brasileiro, particularmente no Nordeste, Brasil central e Amaz&ocirc;nia, devem ser motivos de preocupa&ccedil;&atilde;o sobre como poderemos nos adaptar ao novo clima.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Intera&ccedil;&otilde;es entre as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e os impactos socioecon&ocirc;micos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo o Intergovernamental <i>Panel on Climate Change</i> (IPCC), as emiss&otilde;es globais de gases de efeito estufa devem cair pelo menos 7% ao ano, entre 2021 e 2030, e zerar as emiss&otilde;es em 2050, para afastar a chance de colapso clim&aacute;tico, estabilizando o aquecimento global em 1,5ºC. Entretanto, as emiss&otilde;es, ao longo dos &uacute;ltimos anos, est&atilde;o, na verdade, aumentando globalmente cerca de 2% a 4% ao ano. As mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas interagem com m&uacute;ltiplos estressores sociais e ambientais, intensificando seus impactos sociais e econ&ocirc;micos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Popula&ccedil;&otilde;es vulner&aacute;veis vivendo em encostas, que podem perder a vida em uma &uacute;nica chuva forte, s&atilde;o apenas um dos muitos exemplos. O agricultor que tem sua pequena propriedade familiar e &eacute; obrigado a abandonar as poucas cabe&ccedil;as de gado e a ro&ccedil;a devido a uma seca prolongada tamb&eacute;m corre o risco de ser afetado. Muitas dessas dimens&otilde;es das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e suas intera&ccedil;&otilde;es sociais precisam ser mais bem compreendidas por meio de uma estreita colabora&ccedil;&atilde;o entre diversas &aacute;reas de pesquisa na academia e de m&uacute;ltiplos atores sociais, incluindo lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas, organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, grupos sociais, comunidades e minorias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os tr&ecirc;s relat&oacute;rios mais recentes do IPCC, lan&ccedil;ados em 2021 e 2022, mostram o quanto o Brasil, particularmente, &eacute; vulner&aacute;vel &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. O aquecimento m&eacute;dio observado no pa&iacute;s, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, &eacute; significativamente maior do que o aquecimento m&eacute;dio do planeta, pois as &aacute;reas continentais se aquecem mais do que as &aacute;reas oce&acirc;nicas, que est&atilde;o inclu&iacute;das na m&eacute;dia mundial. Nos &uacute;ltimos vinte anos, extremos clim&aacute;ticos registrados em todas as regi&otilde;es brasileiras enfatizaram a necessidade de solu&ccedil;&otilde;es para minimizar os problemas socioecon&ocirc;micos decorrentes de secas fortes e frequentes e inunda&ccedil;&otilde;es em grandes &aacute;reas, inclusive &aacute;reas urbanas. </font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"O observado aumento da frequ&ecirc;ncia e intensidade de eventos clim&aacute;ticos extremos tem impactado sobremaneira nossa popula&ccedil;&atilde;o, a economia, o funcionamento dos ecossistemas, a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, a infraestrutura costeira, a disponibilidade de recursos h&iacute;dricos, entre muitos outros efeitos."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O nosso modelo econ&ocirc;mico, baseado no agroneg&oacute;cio, tamb&eacute;m &eacute; particularmente vulner&aacute;vel a altera&ccedil;&otilde;es nos padr&otilde;es pluviom&eacute;tricos e nos padr&otilde;es e aumento dos extremos clim&aacute;ticos. Quanto e quando chove &eacute; fundamental para a produtividade agr&iacute;cola, podendo trazer inseguran&ccedil;a alimentar e instabilidade econ&ocirc;mica para a popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Vale ressaltar que nosso pa&iacute;s tamb&eacute;m apresenta inseguran&ccedil;a energ&eacute;tica dada a vulnerabilidade da gera&ccedil;&atilde;o de energia hidrel&eacute;trica aos padr&otilde;es de chuva. Observamos que a seca no Brasil central em 2021 afetou o custo da eletricidade, pois v&aacute;rias termel&eacute;tricas foram ativadas e estas geram eletricidade com custo mais alto que as hidroel&eacute;tricas. O Brasil tem 8.500km de &aacute;reas costeiras, incluindo v&aacute;rias grandes cidades, tornando-o vulner&aacute;vel &agrave; eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar e &agrave; acidifica&ccedil;&atilde;o marinha, que afetam a economia baseada em recursos pesqueiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; fundamental ajudar o pa&iacute;s a desenvolver estrat&eacute;gias baseadas na ci&ecirc;ncia para que o Brasil possa cumprir suas obriga&ccedil;&otilde;es internacionais (como as Contribui&ccedil;&otilde;es Nacionalmente Determinadas - NDC) associadas ao Acordo de Paris e &agrave; Agenda 2030. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS) da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), ilustrados na <a href="#fig1">Figura 1</a>, fornecem um arcabou&ccedil;o de como nossa sociedade pode se tornar mais sustent&aacute;vel, e ao mesmo tempo, mais justa e resiliente. A a&ccedil;&atilde;o contra a mudan&ccedil;a do clima &eacute; o ODS 13, mas muitos dos demais ODS s&atilde;o imposs&iacute;veis de serem cumpridos sem um clima est&aacute;vel e previs&iacute;vel, al&eacute;m de dependerem de um sistema econ&ocirc;mico mais justo que respeite os limites propiciados pelos recursos naturais finitos, e que considere a quest&atilde;o da justi&ccedil;a clim&aacute;tica.</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a13fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Os compromissos brasileiros na agenda clim&aacute;tica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 2016, o Brasil ratificou o Acordo de Paris, comprometendo-se a reduzir suas emiss&otilde;es de gases de efeito estufa em 37% at&eacute; 2025, e 43% at&eacute; 2030, em compara&ccedil;&atilde;o com emiss&otilde;es verificadas em 2005, e eliminar o desmatamento ilegal da Amaz&ocirc;nia. O pa&iacute;s tamb&eacute;m se comprometeu a aumentar a participa&ccedil;&atilde;o da bioenergia na sua matriz energ&eacute;tica para 18% at&eacute; 2030, restaurar e reflorestar 12 milh&otilde;es de hectares de florestas, bem como alcan&ccedil;ar uma participa&ccedil;&atilde;o de 45% de energias renov&aacute;veis na composi&ccedil;&atilde;o da matriz energ&eacute;tica em 2030, al&eacute;m de uma redu&ccedil;&atilde;o em 10% do consumo de eletricidade (105TWh em 2030). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tornar-se neutro em emiss&otilde;es de carbono em 2050 tamb&eacute;m &eacute; um dos nossos compromissos, assim como recuperar uma &aacute;rea de 15 milh&otilde;es de hectares de pastagens degradadas por meio do manejo adequado e aduba&ccedil;&atilde;o. S&atilde;o metas que exigir&atilde;o esfor&ccedil;os consider&aacute;veis da ci&ecirc;ncia e da sociedade brasileira. Na COP-26, em Glasgow, em 2021, o Brasil adicionalmente se comprometeu a reduzir suas emiss&otilde;es de metano em 30% at&eacute; 2030, e eliminar o desmatamento da Amaz&ocirc;nia at&eacute; 2030.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Importante salientar que esses compromissos da agenda clim&aacute;tica v&atilde;o na dire&ccedil;&atilde;o de alcan&ccedil;armos os 17 ODS e trabalhar na dire&ccedil;&atilde;o da preserva&ccedil;&atilde;o de nossa biodiversidade. Eles s&atilde;o essenciais na constru&ccedil;&atilde;o de um novo Brasil, mais sustent&aacute;vel e justo. Todos os ODS podem atingidos, mas precisamos da governan&ccedil;a necess&aacute;ria para implementar essas medidas. Em particular, voltarmos a ter &oacute;rg&atilde;os fiscalizadores efetivos, e uma maior regula&ccedil;&atilde;o do sistema fundi&aacute;rio e das atividades agropecu&aacute;rias.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Integrando a prote&ccedil;&atilde;o da biodiversidade &agrave; mitiga&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estamos em plena era do Antropoceno, na qual o homem &eacute; um dos principais agentes transformadores. O crescimento da popula&ccedil;&atilde;o humana mundial, que poder&aacute; alcan&ccedil;ar entre 9 e 10 bilh&otilde;es de pessoas em 2050, nos coloca frente a um dos maiores desafios do s&eacute;culo XXI: manter a provis&atilde;o da qualidade ambiental e possibilitar acesso justo a recursos b&aacute;sicos, como &aacute;gua, alimentos e energia, garantindo a seguran&ccedil;a e equidade em um cen&aacute;rio de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e desigualdades sociais. Esta quest&atilde;o &eacute; bem trabalhada no &uacute;ltimo relat&oacute;rio do <i>Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services</i> (IPBES) &#91;3&#93;, que coloca o colapso dos servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos na agenda ambiental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos englobam todos os materiais que consumimos providos pelos ecossistemas, sejam alimentos (frutos, ra&iacute;zes, animais, mel, vegetais), mat&eacute;rias-primas para constru&ccedil;&atilde;o e combust&iacute;vel (madeira, biomassa, &oacute;leos de plantas), &aacute;gua pot&aacute;vel (qualidade e quantidade) e recursos gen&eacute;ticos, entre outros. A resili&ecirc;ncia dos ecossistemas e sua capacidade de reagir a mudan&ccedil;as est&atilde;o sujeitos, em grande parte, &agrave; sua biodiversidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As altera&ccedil;&otilde;es observadas na temperatura e na chuva j&aacute; est&atilde;o impactando o funcionamento dos ecossistemas em praticamente todas as regi&otilde;es do nosso planeta. Mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas podem, por exemplo, levar a desencontros entre a &eacute;poca da flora&ccedil;&atilde;o e a atividade dos polinizadores, afetando a produtividade de culturas e de ecossistemas naturais, com consequ&ecirc;ncias ainda imprevistas para a manuten&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e da produ&ccedil;&atilde;o de alimentos. Tamb&eacute;m perturbam os padr&otilde;es ecossist&ecirc;micos da fotoss&iacute;ntese e da produtividade, podendo modificar os ciclos hidrol&oacute;gicos e a din&acirc;mica do ciclo do carbono. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os efeitos sin&eacute;rgicos da mudan&ccedil;a do uso da terra, incluindo a fragmenta&ccedil;&atilde;o e redu&ccedil;&atilde;o de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa e mudan&ccedil;as do clima, podem aumentar a a&ccedil;&atilde;o de pragas, reduzindo os polinizadores e exigindo medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o ou adapta&ccedil;&atilde;o para garantir a produtividade de muitas culturas alimentares no Brasil e ao redor do mundo. A vulnerabilidade da nossa biota e ecossistemas aumenta significativamente e, consequentemente, reduz a biodiversidade e os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos associados, vitais para nosso pa&iacute;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Amaz&ocirc;nia, o aumento da produ&ccedil;&atilde;o de biomassa, acelera&ccedil;&atilde;o do ciclo de vida das &aacute;rvores, altera&ccedil;&otilde;es na distribui&ccedil;&atilde;o e abund&acirc;ncia de esp&eacute;cies est&atilde;o entre as mudan&ccedil;as relacionadas ao efeito fisiol&oacute;gico da eleva&ccedil;&atilde;o de CO<sub>2</sub> atmosf&eacute;rico, tamb&eacute;m influenciadas pela disponibilidade de nutrientes nos solos, em particular o f&oacute;sforo. Em nossa vasta plataforma continental oce&acirc;nica, nosso conhecimento &eacute; ainda mais restrito em decorr&ecirc;ncia da falta de programas de monitoramento, e das especificidades dos estudos nesse ambiente. No ambiente marinho, o aquecimento da &aacute;gua tem promovido a migra&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies e estoques pesqueiros para maiores latitudes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para melhorar a detec&ccedil;&atilde;o e atribui&ccedil;&atilde;o dos efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas na biodiversidade e ecossistemas brasileiros, &eacute; fundamental melhorar nosso entendimento dos servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos relacionados, e analisar poss&iacute;veis respostas a cen&aacute;rios futuros de aquecimento, prevendo e sugerindo medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o e procedimentos de remedia&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Os desafios brasileiros em setores chaves nesta transforma&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil tem um perfil de emiss&atilde;o de GEE muito peculiar e diferente da maior parte dos pa&iacute;ses desenvolvidos. O Sistema de Estimativas de Emiss&otilde;es de Gases de Efeito Estufa do Observat&oacute;rio do Clima (SEEG) mostra que os setores que mais emitiram GEE s&atilde;o: mudan&ccedil;a de uso do solo (46%), agropecu&aacute;ria (27%), energia (18%), processos industriais (5%) e res&iacute;duos (4%). O setor de transporte est&aacute; inclu&iacute;do na componente de energia. Na maior parte dos pa&iacute;ses, as emiss&otilde;es s&atilde;o dominadas pela queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis para gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade e no setor de transporte. O total das emiss&otilde;es brasileiras atingiu em 2021 cerca de 2,16 bilh&otilde;es de toneladas de CO<sub>2</sub> equivalentes. A <a href="/img/revistas/cic/v74n4/a13fig02.jpg">Figura 2</a> apresenta a s&eacute;rie hist&oacute;rica das emiss&otilde;es de gases de efeito estufa do Brasil, de 1990 a 2021, por cada setor econ&ocirc;mico. Nota-se que desde 2011, temos emiss&otilde;es crescentes, apesar do compromisso brasileiro de reduzir emiss&otilde;es de gases de efeito estufa.</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a13fig02.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A quest&atilde;o energ&eacute;tica</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na escala planet&aacute;ria, cerca de 75% das emiss&otilde;es globais de GEE est&atilde;o associados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de energia e ao setor de transporte. Os desafios cient&iacute;ficos e tecnol&oacute;gicos para reduzir emiss&otilde;es e manter o aquecimento global m&aacute;ximo em 2ºC, como estabelecido pelos pa&iacute;ses signat&aacute;rios do Acordo de Paris, implicam grandes transforma&ccedil;&otilde;es globais na produ&ccedil;&atilde;o e uso de energia, em particular nos setores de gera&ccedil;&atilde;o de eletricidade por termel&eacute;tricas e em transportes. O Brasil tem importantes vantagens estrat&eacute;gicas na &aacute;rea energ&eacute;tica, pois uma parcela significativa de nossa matriz energ&eacute;tica vem de fontes renov&aacute;veis, como a hidroeletricidade e biocombust&iacute;veis, e possu&iacute;mos grande potencial de utiliza&ccedil;&atilde;o das energias e&oacute;lica (<i>onshore</i> e <i>offshore</i>) e solar. Entretanto, as emiss&otilde;es de GEE do setor energ&eacute;tico brasileiro dobraram de 1990 a 2019, devido ao aumento da queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, para gera&ccedil;&atilde;o por termel&eacute;tricas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Incorporar o potencial de redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es ao atual sistema energ&eacute;tico nacional requer desenvolvimento de novos modelos de gera&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e tarifa&ccedil;&atilde;o de energia, e incentivos para que o uso de energia renov&aacute;vel seja ampliado, em especial para a gera&ccedil;&atilde;o e&oacute;lica e solar. Novas oportunidades de cria&ccedil;&atilde;o de empregos, novos neg&oacute;cios e novas cadeias de suprimento com novas tecnologias poder&atilde;o surgir. Ao mesmo tempo e na dire&ccedil;&atilde;o oposta, h&aacute; interesse crescente na incorpora&ccedil;&atilde;o de novas parcelas de combust&iacute;veis f&oacute;sseis, especialmente de g&aacute;s natural e petr&oacute;leo oriundos da explora&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-sal. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aparente contradi&ccedil;&atilde;o entre a evolu&ccedil;&atilde;o para as energias renov&aacute;veis e a explora&ccedil;&atilde;o do pr&eacute;-sal pode ser resolvida por meio de estrat&eacute;gias de utiliza&ccedil;&atilde;o do g&aacute;s natural como um combust&iacute;vel de transi&ccedil;&atilde;o, possibilitando a inser&ccedil;&atilde;o gradativa de grandes blocos de energia intermitente. S&atilde;o necess&aacute;rios esfor&ccedil;os para melhor compreens&atilde;o dos impactos de mudan&ccedil;as em tecnologias e pol&iacute;ticas energ&eacute;ticas no que se refere &agrave; maior resili&ecirc;ncia da economia brasileira e, ao mesmo tempo, reduzir as emiss&otilde;es de GEE da gera&ccedil;&atilde;o el&eacute;trica.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Mudan&ccedil;as de uso do solo e agropecu&aacute;ria</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o do desmatamento da Amaz&ocirc;nia e sua liga&ccedil;&atilde;o com a expans&atilde;o da agropecu&aacute;ria s&atilde;o quest&otilde;es centrais para o Brasil. Depreende-se da an&aacute;lise dos dados do SEEG que a atividade rural ainda responde pela imensa maioria das emiss&otilde;es do Brasil. Quando se soma o total emitido por mudan&ccedil;a de uso da terra e as emiss&otilde;es totais da agropecu&aacute;ria, a maioria delas do rebanho bovino, conclui-se que 73% das emiss&otilde;es nacionais est&atilde;o diretas ou indiretamente ligadas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o rural e ao desmatamento da Amaz&ocirc;nia. A <a href="/img/revistas/cic/v74n4/a13fig03.jpg">Figura 3</a> apresenta as taxas anuais de desmatamento da floresta amaz&ocirc;nica, produzidas pelo sistema de monitoramento Programa de Desmatamento (Prodes) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). </font></p>     <p><a name="fig3"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a13fig03.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil, com um forte agroneg&oacute;cio e taxas altas de desmatamento da Amaz&ocirc;nia e Cerrado, est&aacute; no centro da quest&atilde;o de redu&ccedil;&atilde;o do desmatamento. Por outro lado, o das vulnerabilidades, o clima &eacute; um fator significativo na produtividade agr&iacute;cola, e um dos setores que podem ser muito impactados &eacute; exatamente a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e a pecu&aacute;ria. Temos um potencial de perdas de produtividade agr&iacute;cola devido &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es no regime de chuvas e aumento de temperatura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As implica&ccedil;&otilde;es para o manejo e renda de propriedades agr&iacute;colas dependem de combina&ccedil;&otilde;es de adapta&ccedil;&otilde;es incrementais (agricultura de precis&atilde;o, sensoriamento remoto, etc.), adapta&ccedil;&atilde;o sist&ecirc;mica (conserva&ccedil;&atilde;o de solo e &aacute;gua, diversidade gen&eacute;tica, etc.) e adapta&ccedil;&otilde;es transformativas (sistemas agr&iacute;colas complexos, agroecologia, agroflorestal, etc.). Em todos os casos, efeitos ben&eacute;ficos ou delet&eacute;rios podem existir, o que requer estudos comparativos em v&aacute;rias escalas. Um dos desafios &eacute; desenvolver uma agricultura mais eficiente e resiliente, reduzindo drasticamente novas expans&otilde;es sobre &aacute;reas de vegeta&ccedil;&atilde;o nativa, como a Amaz&ocirc;nia e o Cerrado, e, ao mesmo tempo, reduzir as emiss&otilde;es. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A&ccedil;&otilde;es para a redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es do &oacute;xido nitroso (N<sup>2</sup>O) e metano (CH<sup>4</sup>) no setor agropecu&aacute;rio constituem uma quest&atilde;o primordial. A Embrapa est&aacute; liderando um grande projeto de desenvolvimento de agricultura de baixo carbono, o chamado Programa ABC, que inclui ampliar a utiliza&ccedil;&atilde;o do Sistema Plantio Direto (SPD) em 8 milh&otilde;es de hectares, e aumentar a ado&ccedil;&atilde;o de sistemas de Integra&ccedil;&atilde;o Lavoura-Pecu&aacute;ria-Floresta (iLPF) e de Sistemas Agroflorestais (SAFs) em 4 milh&otilde;es de hectares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho nessa &aacute;rea deve contemplar pesquisas interdisciplinares, ressaltando os aspectos da busca integrada do equil&iacute;brio em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria e conserva&ccedil;&atilde;o ambiental. Por exemplo, para os pequenos produtores, esses impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas podem representar uma quest&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia, enquanto para os grandes produtores os impactos se reverter&atilde;o em perdas econ&ocirc;micas que reverberam pelo sistema socioecon&ocirc;mico do pa&iacute;s. Essas duas situa&ccedil;&otilde;es demandam olhares diferentes de pesquisa/investiga&ccedil;&atilde;o. O sistema MapBiomas de mapeamento da cobertura do solo de nosso pa&iacute;s &eacute; um excelente exemplo de esfor&ccedil;os em tornar transparente e com f&aacute;cil acesso &agrave; sociedade o impacto das mudan&ccedil;as do uso do solo para todo o territ&oacute;rio nacional.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil precisa manter a alta produtividade agr&iacute;cola em um clima em r&aacute;pida mudan&ccedil;a, e esta tarefa n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil. Isso inclui avalia&ccedil;&atilde;o da resili&ecirc;ncia, da plasticidade e da capacidade de coexist&ecirc;ncia entre ecossistemas nativos e de sistemas de produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;rios e florestais. As pesquisas devem buscar: 1) Novas tecnologias (incluindo melhoramento gen&eacute;tico), aprimorando a agricultura, considerando as din&acirc;micas relacionadas ao cont&iacute;nuo &aacute;gua-solo-atmosfera, incluindo resili&ecirc;ncia das zonas cr&iacute;ticas; 2) Desenvolvimento de sistemas avan&ccedil;ados de apoio &agrave; tomada de decis&atilde;o, incluindo modelagem num&eacute;rica de tempo, clima e ambiental, plataformas avan&ccedil;adas de informa&ccedil;&atilde;o, e integra&ccedil;&atilde;o da modelagem biof&iacute;sica aos modelos socioecon&ocirc;micos; 3) M&eacute;todos avan&ccedil;ados de implementa&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias visando o incremento da produtividade agropecu&aacute;ria com melhores pr&aacute;ticas de manejo do solo e da produ&ccedil;&atilde;o, e agricultura de baixo carbono; 4) Analisar a evolu&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de uso do solo, incluindo padr&otilde;es de desmatamento e verifica&ccedil;&atilde;o do cumprimento das NDC do Acordo de Paris; 5) Pesquisas sobre os impactos na agricultura, incluindo perspectivas em paisagens multifuncionais, voltadas a solu&ccedil;&otilde;es sustent&aacute;veis ao setor produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Impactos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas na sa&uacute;de</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil apresenta uma complexa heterogeneidade nas suas regi&otilde;es, com variada distribui&ccedil;&atilde;o espacial e temporal de determinadas doen&ccedil;as e grande diversidade social, cultural, ecol&oacute;gica e clim&aacute;tica que impactam na resili&ecirc;ncia individual e coletiva das popula&ccedil;&otilde;es expostas &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Os impactos na sa&uacute;de resultantes das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas globais depender&atilde;o do estado geral de sa&uacute;de das popula&ccedil;&otilde;es expostas que, por sua vez, dependem de condi&ccedil;&otilde;es dos determinantes sociais da sa&uacute;de, como a cobertura de sa&uacute;de universal, a governan&ccedil;a socioambiental, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e os rumos do modelo de desenvolvimento do pa&iacute;s. O clima tropical e as altera&ccedil;&otilde;es ecossist&ecirc;micas favorecem o desenvolvimento de pat&oacute;genos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m caracteriza nosso pa&iacute;s uma grande diversidade de animais silvestres que, por sua vez, hospedam m&uacute;ltiplos e diferentes microrganismos, muitos destes considerados agentes etiol&oacute;gicos de doen&ccedil;as, tanto para os animais quanto para o homem. Como parte do ciclo de transmiss&atilde;o de in&uacute;meros parasitas, a sa&uacute;de humana est&aacute; intimamente ligada &agrave; sa&uacute;de dos animais silvestres. As altera&ccedil;&otilde;es ambientais, incluindo as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e a perda da biodiversidade, s&atilde;o fatores determinantes para a emerg&ecirc;ncia de doen&ccedil;as oriundas de animais silvestres. Em geral, doen&ccedil;as infecciosas crescem em incid&ecirc;ncia com maiores temperaturas. Os ecossistemas preservados e em equil&iacute;brio t&ecirc;m um papel importante para a din&acirc;mica e controle de doen&ccedil;as zoon&oacute;ticas e infec&ccedil;&otilde;es transmitidas por vetores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cerca de 60% das doen&ccedil;as infecciosas circulam entre animais e humanos (zoonoses) e estima-se que 72% dessas sejam causadas por pat&oacute;genos com origem na vida silvestre. &Eacute; de amplo conhecimento que a diversidade de v&iacute;rus (incluindo coronav&iacute;rus), bact&eacute;rias e outros agentes pat&oacute;genos segue o mesmo padr&atilde;o espacial da diversidade de plantas e animais, fazendo do Brasil o maior reposit&oacute;rio desses seres vivos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As mudan&ccedil;as ambientais globais t&ecirc;m consequ&ecirc;ncias diretas para o avan&ccedil;o dos pat&oacute;genos que geram impactos tanto para a sa&uacute;de p&uacute;blica quanto para a conserva&ccedil;&atilde;o de fauna. Dentre eles, podem ser apontados os agentes etiol&oacute;gicos da mal&aacute;ria, febre-amarela, tuberculose, toxoplasmose, leptospirose, febres hemorr&aacute;gicas, raiva, brucelose, doen&ccedil;a de Chagas, das doen&ccedil;as causadas pelos v&iacute;rus oropouche, Mayaro, ebola, e os coronav&iacute;rus SARS-CoV-2 dentre tantos outros. As doen&ccedil;as arbovirais, como dengue, zika, chikungunya e febre-amarela, s&atilde;o as principais amea&ccedil;as das mudan&ccedil;as globais &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&atilde;o tamb&eacute;m observados impactos de fungos, com micoses descritas em climas tropicais passando a ocorrer em climas temperados. H&aacute; tamb&eacute;m o impacto do calor na maior prolifera&ccedil;&atilde;o e crescimento de larvas de insetos vetores de doen&ccedil;as virais que causam febres hemorr&aacute;gicas. A maior temperatura favorece o desenvolvimento de fungos que afetam tanto a sa&uacute;de quanto a seguran&ccedil;a alimentar, no armazenamento e transporte de alimentos. Esses agentes patog&ecirc;nicos, entre outros, provocam impactos importantes na sa&uacute;de e socioeconomia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS) estruturou o conceito "One World, One Health", que integra pol&iacute;ticas de sa&uacute;de humana, animal e ambiental. Tem o objetivo de ampliar a vis&atilde;o e as a&ccedil;&otilde;es para o enfrentamento dos desafios da preven&ccedil;&atilde;o de epidemias e epizootias e manuten&ccedil;&atilde;o da integridade ecossist&ecirc;mica em benef&iacute;cio humano e da biodiversidade que os suportam. A pandemia de covid-19 causada pelo coronav&iacute;rus SARS-CoV-2 mostrou a relev&acirc;ncia dessa abordagem.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A quest&atilde;o urbana e as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cerca de 84% de nossa popula&ccedil;&atilde;o vive em &aacute;reas urbanas em 2022. Muitas de nossas cidades concentram &aacute;reas altamente suscet&iacute;veis aos impactos mais severos das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, como eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel m&eacute;dio do mar (em cidades costeiras) e eventos extremos de precipita&ccedil;&atilde;o (inunda&ccedil;&otilde;es) e intensifica&ccedil;&atilde;o do aumento da temperatura pela ilha de calor urbana. Epis&oacute;dios recentes relacionados a esses eventos evidenciam que as altera&ccedil;&otilde;es na distribui&ccedil;&atilde;o, intensidade e frequ&ecirc;ncia geogr&aacute;fica dos riscos relacionados &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es meteorol&oacute;gicas amea&ccedil;am exceder as capacidades das cidades brasileiras de absorverem perdas e recuperarem-se dos impactos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses impactos tendem a exacerbar os riscos comumente existentes nas cidades brasileiras, bem como as inadequa&ccedil;&otilde;es nas capacidades dos governos locais para tratarem da infraestrutura inadequada e no oferecimento de servi&ccedil;os b&aacute;sicos necess&aacute;rios, agravando as condi&ccedil;&otilde;es de vulnerabilidade de determinados grupos sociais e comunidades. Assim, as estrat&eacute;gias de mitiga&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o nos centros urbanos devem considerar aspectos como habitabilidade, conforto t&eacute;rmico, sa&uacute;de, mobilidade, planejamento urbano, transportes, acesso &agrave; &aacute;gua e energia, entre outros aspectos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nas &aacute;reas urbanas, o uso do solo e as emiss&otilde;es antropog&ecirc;nicas de gases e part&iacute;culas alteram o clima local. Esse entendimento &eacute; ainda mais cr&iacute;tico considerando o crescimento r&aacute;pido dos assentamentos urbanos e o pr&oacute;prio processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o desordenada que caracteriza, em geral, a maioria das cidades brasileiras. Ainda que apresentem suas especificidades, em comum os munic&iacute;pios s&atilde;o marcados por uma legisla&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica ainda muito descolada das din&acirc;micas urbanas e da produ&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o urbano, e pela desarticula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas setoriais, como as relacionadas &agrave; preserva&ccedil;&atilde;o e qualidade ambiental e habita&ccedil;&atilde;o, o que dificulta a qualifica&ccedil;&atilde;o integrada do espa&ccedil;o urbano, tornando o processo de atualiza&ccedil;&atilde;o e/ou adapta&ccedil;&atilde;o complexo e lento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial tamb&eacute;m &eacute; outra caracter&iacute;stica marcante, sobretudo nos grandes centros urbanos. Somam-se a esses problemas os epis&oacute;dios de alagamentos e efeitos da ilha de calor, ambos associados &agrave; redu&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas verdes e &agrave; expans&atilde;o hist&oacute;rica das &aacute;reas urbanizadas, agravados nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas pelas mudan&ccedil;as do clima, tornando esses eventos cada vez mais frequentes.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"As consequ&ecirc;ncias do descaso com a infraestrutura associada &agrave; cobertura vegetal e recursos h&iacute;dricos, que modulam o clima urbano, tendem a agravar epis&oacute;dios recorrentes de inunda&ccedil;&otilde;es e alagamentos severos, ondas de calor e baixa qualidade do ar, trazendo s&eacute;rios danos &agrave; qualidade de vida e bem-estar dos indiv&iacute;duos."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As consequ&ecirc;ncias do descaso com a infraestrutura associada &agrave; cobertura vegetal e recursos h&iacute;dricos, que modulam o clima urbano, tendem a agravar epis&oacute;dios recorrentes de inunda&ccedil;&otilde;es e alagamentos severos, ondas de calor e baixa qualidade do ar, trazendo s&eacute;rios danos &agrave; qualidade de vida e bem-estar dos indiv&iacute;duos. O n&uacute;mero de pessoas vulner&aacute;veis &agrave;s consequ&ecirc;ncias das ondas de calor e chuvas extremas aumentou significativamente no Brasil. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A polui&ccedil;&atilde;o do ar nas grandes cidades pela frota veicular e emiss&otilde;es industriais trazem impactos negativos na sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o. A redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es de gases de efeito estufa tamb&eacute;m reduziria os n&iacute;veis de poluentes atmosf&eacute;ricos em &aacute;reas urbanas em efeito sin&eacute;rgico com o aquecimento global. S&atilde;o necess&aacute;rias, assim, mudan&ccedil;as profundas na mobilidade urbana, como viagens intermodais, corredores de &ocirc;nibus de baixas emiss&otilde;es, sistemas de transportes de massa extensos, eletrifica&ccedil;&atilde;o da frota veicular, compartilhamento de ve&iacute;culos, entre outras propostas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A quest&atilde;o amaz&ocirc;nica &eacute; crucial para nosso pa&iacute;s.</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Amaz&ocirc;nia &eacute; um ecossistema cr&iacute;tico para a manuten&ccedil;&atilde;o do clima global e regional, em especial na quest&atilde;o do ciclo do carbono, ciclo hidrol&oacute;gico e manuten&ccedil;&atilde;o da biodiversidade. O desmatamento na Amaz&ocirc;nia n&atilde;o derruba somente &aacute;rvores, ele tamb&eacute;m destr&oacute;i a biodiversidade, desorganiza o regime de chuvas, desequilibra o microclima local e o clima global, aprofunda as desigualdades sociais, agrava a viol&ecirc;ncia e n&atilde;o gera prosperidade, como se v&ecirc; pelos indicadores socioecon&ocirc;micos da regi&atilde;o, inferiores aos do restante do Brasil. As a&ccedil;&otilde;es associadas ao desmatamento v&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o oposta &agrave; implementa&ccedil;&atilde;o dos ODS da ONU, dos quais o Brasil &eacute; um dos signat&aacute;rios. Por uma s&eacute;rie de raz&otilde;es, a Amaz&ocirc;nia &eacute; uma regi&atilde;o estrat&eacute;gica para o planeta e para o Brasil &#91;4,5&#93;. Contempla a maior floresta tropical do mundo, com uma &aacute;rea aproximada de 6,7 milh&otilde;es de km<sup>2</sup>, dos quais 5,5 milh&otilde;es de km<sup>2 </sup>est&atilde;o em territ&oacute;rio brasileiro; sua bacia hidrogr&aacute;fica &eacute; o maior sistema fluvial do planeta, e a floresta est&aacute; distribu&iacute;da entre nove pa&iacute;ses (Brasil, Bol&iacute;via, Col&ocirc;mbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela). A Amaz&ocirc;nia tamb&eacute;m hospeda uma gigantesca e complexa biodiversidade. Desenha papel fundamental na provis&atilde;o de produtos e servi&ccedil;os ambientais, no ciclo do carbono e na regula&ccedil;&atilde;o do clima. &Eacute; o maior reservat&oacute;rio de carbono em regi&otilde;es continentais, contendo cerca de 120 bilh&otilde;es de toneladas de carbono, ou o equivalente a 10 anos de toda a queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis. Presta servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos essenciais para a sociedade e a economia brasileira. Tem uma vasta popula&ccedil;&atilde;o tradicional e ind&iacute;gena, detentora de ativos de valores inestim&aacute;veis como conhecimento, l&iacute;nguas e cultura nos povos ind&iacute;genas e comunidades tradicionais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Apesar de sua import&acirc;ncia, o ecossistema est&aacute; sendo destru&iacute;do rapidamente, devido ao desmatamento e ao impacto das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas no ecossistema &#91;6&#93;. O INPE, por meio do sistema de monitoramento do desmatamento amaz&ocirc;nico, observou em 2021 a convers&atilde;o de mais de 13.000km<sup>2</sup> de florestas. As emiss&otilde;es de di&oacute;xido de carbono e metano associadas ao desmatamento e queimadas evidenciam o processo destrutivo recente sobre a Amaz&ocirc;nia, de acordo com relat&oacute;rio do SEEG de 2022. Como resultado desse processo, o ciclo hidrol&oacute;gico est&aacute; sendo alterado em vastas &aacute;reas, com realimenta&ccedil;&otilde;es sobre o pr&oacute;prio ecossistema e sobre o clima de vastas regi&otilde;es da Am&eacute;rica do Sul.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por outro lado, algumas regi&otilde;es da Amaz&ocirc;nia tiveram aumento expressivo de temperatura (maior que 2,2ºC), redu&ccedil;&atilde;o da precipita&ccedil;&atilde;o (cerca de 20%) e aumento dos fen&ocirc;menos clim&aacute;ticos extremos como grandes secas e inunda&ccedil;&otilde;es. Como resultado, est&aacute; sendo observado em v&aacute;rios estudos, uma degrada&ccedil;&atilde;o florestal pronunciada na floresta, com perda de carbono e biomassa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; consenso, para a ci&ecirc;ncia, que a preserva&ccedil;&atilde;o da floresta &eacute; fundamental para a sustentabilidade do planeta. O bioma amaz&ocirc;nico &eacute; rico em diversidade cultural, lingu&iacute;stica, biol&oacute;gica e geol&oacute;gica, e investimentos em ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o, em pesquisas b&aacute;sicas e aplicadas s&atilde;o estrat&eacute;gicos para a sua compreens&atilde;o e sua sustentabilidade. No entanto, apesar de ser caracterizada como a regi&atilde;o que hospeda a maior biodiversidade natural do pa&iacute;s, o seu desenvolvimento socioecon&ocirc;mico em torno de atividades relacionadas &agrave; floresta ainda n&atilde;o alcan&ccedil;ou escala de proje&ccedil;&atilde;o em todo o seu potencial. H&aacute; um gigantesco desafio no &acirc;mbito da regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria, e faltam planos concretos de crescimento econ&ocirc;mico inclusivo e sustent&aacute;vel.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; necess&aacute;ria a formula&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia de transi&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica sustent&aacute;vel atrav&eacute;s da sociobiodiversidade. Esta formula&ccedil;&atilde;o envolve quest&otilde;es territoriais, ligadas a quest&otilde;es fundi&aacute;rias no ambiente rural e urbano. &Eacute; importante tamb&eacute;m desenvolver cadeias de valor e sociobiodiversidade que mudem as atuais pr&aacute;ticas e modelos econ&ocirc;micos atuais para um novo conjunto de iniciativas econ&ocirc;micas, baseadas na floresta em p&eacute;. Esta nova economia deve ser estruturada na prote&ccedil;&atilde;o e uso sustent&aacute;vel dos recursos naturais, rompendo com o atual modelo de desenvolvimento predat&oacute;rio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro aspecto importante do desenvolvimento recente na Amaz&ocirc;nia &eacute; a domina&ccedil;&atilde;o de atividades criminosas, como invas&atilde;o de terras ind&iacute;genas, contrabando de madeira, ocupa&ccedil;&atilde;o ilegal de terras p&uacute;blicas, tr&aacute;fico de drogas e outras atividades il&iacute;citas. Certamente a implementa&ccedil;&atilde;o de um novo modelo econ&ocirc;mico para a Amaz&ocirc;nia ter&aacute; que superar a criminalidade que impera hoje na regi&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desmatamento e a degrada&ccedil;&atilde;o da floresta, associadas a mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas globais e, em especial, o aumento da frequ&ecirc;ncia e intensidade de queimadas e da ocorr&ecirc;ncia de secas extremas, aproximam a Amaz&ocirc;nia de um ponto de n&atilde;o-retorno. Ou seja, uma mudan&ccedil;a abrupta nos estados e funcionamento da floresta, que ter&aacute; impactos importantes sobre o clima do Brasil e do planeta. A ci&ecirc;ncia n&atilde;o conhece exatamente onde est&atilde;o estes chamados "tipping points", mas podemos j&aacute; estar a meio caminho destes pontos de n&atilde;o retorno, e todo o cuidado &eacute; necess&aacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que a ci&ecirc;ncia destaca, em conson&acirc;ncia com o conhecimento de povos origin&aacute;rios da regi&atilde;o, &eacute; que a conserva&ccedil;&atilde;o dos ambientes terrestres e aqu&aacute;ticos &eacute; que ser&aacute; o pilar do desenvolvimento humano e econ&ocirc;mico sustent&aacute;vel da Amaz&ocirc;nia. O objetivo &eacute; manter os processos de funcionamento do planeta, e ao mesmo tempo dar uma vida digna aos brasileiros que vivem na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica. Temos clareza de que, se a floresta influencia processos ecol&oacute;gicos e econ&ocirc;micos al&eacute;m de suas fronteiras, as mudan&ccedil;as globais representam um risco crescente que atua em sinergia com as mudan&ccedil;as locais, acelerando a degrada&ccedil;&atilde;o e a perda de resili&ecirc;ncia do ecossistema amaz&ocirc;nico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>A adapta&ccedil;&atilde;o do Brasil ao novo clima</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A localiza&ccedil;&atilde;o tropical, a estrutura socioecon&ocirc;mica fortemente dependente do regime de chuvas, as inadequa&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas e enormes iniquidades sociais fazem do Brasil um pa&iacute;s singular, ambientalmente falando. No contexto das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, esfor&ccedil;os de adapta&ccedil;&atilde;o podem gerar v&aacute;rios benef&iacute;cios adicionais, como melhoria da produtividade agr&iacute;cola, inova&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e bem-estar, seguran&ccedil;a alimentar, conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade, bem como redu&ccedil;&atilde;o de riscos e danos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As a&ccedil;&otilde;es de adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica - compreendida como processos de ajustamentos para antecipar impactos adversos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas que resultam na redu&ccedil;&atilde;o da vulnerabilidade - tendem a ser mais facilmente implementadas e organizadas quando buscam sinergias com pol&iacute;ticas, recursos e outras medidas j&aacute; existentes, incluindo a&ccedil;&otilde;es visando &agrave; sustentabilidade, qualidade de vida e melhoria de infraestrutura.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"No contexto das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, esfor&ccedil;os de adapta&ccedil;&atilde;o podem gerar v&aacute;rios benef&iacute;cios adicionais, como melhoria da produtividade agr&iacute;cola, inova&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e bem-estar, seguran&ccedil;a alimentar, conserva&ccedil;&atilde;o da biodiversidade, bem como redu&ccedil;&atilde;o de riscos e danos."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Brasil tem um plano de adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica (PNA), lan&ccedil;ado em 2016, que visa orientar iniciativas para gest&atilde;o e redu&ccedil;&atilde;o dos riscos provenientes dos efeitos adversos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas no m&eacute;dio e nos longos prazos, nas dimens&otilde;es social, econ&ocirc;mica e ambiental. Todavia, at&eacute; o momento, um planejamento de longo prazo voltado &agrave; adapta&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica ainda n&atilde;o ganhou proje&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s como um todo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entre as raz&otilde;es para esse atraso est&atilde;o a pr&oacute;pria complexidade envolvida na adapta&ccedil;&atilde;o, as limita&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, institucionais e pol&iacute;ticas e, em particular nas cidades, as rela&ccedil;&otilde;es de interdepend&ecirc;ncia entre mudan&ccedil;as do clima, din&acirc;micas do planejamento urbano e quest&otilde;es pol&iacute;ticas. Recentemente, o Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&otilde;es (MCTI) e o Inpe lan&ccedil;aram a plataforma Adapta Brasil, que sugere uma s&eacute;rie de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas a serem implementadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora melhorias nos n&iacute;veis de renda, educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de e outros indicadores socioecon&ocirc;micos sejam importantes para reduzir a vulnerabilidade &agrave;s mudan&ccedil;as do clima em geral, considerando o conjunto de riscos espec&iacute;ficos que as altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas representam em particular para as cidades (por exemplo, inunda&ccedil;&otilde;es, secas, aumento do n&iacute;vel do mar, ilhas de calor), h&aacute; tamb&eacute;m uma necessidade urgente de considerar as capacidades espec&iacute;ficas necess&aacute;rias para superar e se recuperar desses estressores, incluindo, por exemplo, mapeamentos de &aacute;reas de risco, sistemas de alerta precoce e planejamento de enfrentamento a desastres naturais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A falta de dados e informa&ccedil;&otilde;es &uacute;teis e utiliz&aacute;veis, que possam ser mobilizados para subsidiar gest&atilde;o, planejamento e governan&ccedil;a, &eacute; frequentemente identificada como uma das principais barreiras para o avan&ccedil;o da adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, traduzindo-se em paralisia e ina&ccedil;&atilde;o por parte dos tomadores de decis&atilde;o. Nesse contexto, t&atilde;o importante quanto a capacidade de produzir informa&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-cient&iacute;fica que seja facilmente convertida em estrat&eacute;gias, pol&iacute;ticas e a&ccedil;&otilde;es de adapta&ccedil;&atilde;o, &eacute; promover maior envolvimento dos usu&aacute;rios da informa&ccedil;&atilde;o (os atores institucionais, por exemplo) na produ&ccedil;&atilde;o e circula&ccedil;&atilde;o do conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A produ&ccedil;&atilde;o e disponibiliza&ccedil;&atilde;o desses dados, que incluam m&eacute;tricas robustas e possam ser atualizados periodicamente e que estejam conectados &agrave;s especificidades da realidade brasileira, considerando um conjunto de vari&aacute;veis que refletem na capacidade adaptativa, podem impulsionar a&ccedil;&otilde;es e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de adapta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse cen&aacute;rio, as pesquisas tamb&eacute;m devem buscar compreender melhor as respostas sociais e individuais &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, considerando que os governos, embora cumpram papel importante no planejamento efetivo de adapta&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&atilde;o capazes, sozinhos, de resolver a crise clim&aacute;tica dada sua complexidade e multidimensionalidade. Ademais, &eacute; preciso entender que adapta&ccedil;&atilde;o requer parcerias, alian&ccedil;as estrat&eacute;gicas e outras formas de colabora&ccedil;&atilde;o entre diferentes setores e organiza&ccedil;&otilde;es. Pesquisas sobre as melhores estrat&eacute;gias de adapta&ccedil;&atilde;o s&atilde;o essenciais, pois estas, em geral, envolvem solu&ccedil;&otilde;es locais ou regionais.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Conclus&otilde;es</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nosso pa&iacute;s tem not&aacute;veis vantagens estrat&eacute;gicas para enfrentar estes desafios. Mas tamb&eacute;m tem vulnerabilidades importantes, pela sua vasta &aacute;rea costeira, vulner&aacute;vel ao aumento do n&iacute;vel do mar, e pela sua localiza&ccedil;&atilde;o tropical, fortemente afetada pelo aumento global de temperatura. As previs&otilde;es de redu&ccedil;&atilde;o nas precipita&ccedil;&otilde;es sobre o territ&oacute;rio brasileiro, particularmente no Nordeste, Brasil central e Amaz&ocirc;nia, devem ser motivos de preocupa&ccedil;&atilde;o, pelos seus impactos nos ecossistemas e na socioeconomia &#91;7&#93;. Importante salientar que nossa economia baseada na produ&ccedil;&atilde;o agropecu&aacute;ria pode n&atilde;o ter a mesma produtividade em um cen&aacute;rio de redu&ccedil;&atilde;o de chuvas ao logo das pr&oacute;ximas d&eacute;cadas. Nossas cidades n&atilde;o est&atilde;o preparadas para o aumento dos eventos clim&aacute;ticos extremos, e a constru&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas urbanas mais sustent&aacute;veis deve ser uma de nossas prioridades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade minimamente sustent&aacute;vel requerer&aacute; grandes esfor&ccedil;os da sociedade, em todos os setores, com forte colabora&ccedil;&atilde;o entre a ci&ecirc;ncia e os formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas &#91;7,8&#93;. Gera&ccedil;&atilde;o e consumo de energia, produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, transportes, habita&ccedil;&atilde;o, quest&otilde;es urbanas, funcionamento de ecossistemas s&atilde;o somente alguns destas quest&otilde;es que ter&atilde;o aten&ccedil;&atilde;o. &Eacute; evidente a necessidade da constru&ccedil;&atilde;o de uma nova rota de desenvolvimento, que poder&aacute; ser um grande processo de reconstru&ccedil;&atilde;o de nossa sociedade, incluindo o sistema econ&ocirc;mico global. In&uacute;meros relat&oacute;rios internacionais apontam para a necessidade da constru&ccedil;&atilde;o deste novo modelo de desenvolvimento, j&aacute; que este nosso atual modelo econ&ocirc;mico &eacute; insustent&aacute;vel, mesmo a curto prazo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste sentido, alguns t&oacute;picos requerem aten&ccedil;&atilde;o especial: 1) aprimorar proje&ccedil;&otilde;es sobre impacto econ&ocirc;mico direto e indireto de diferentes cen&aacute;rios de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas em diferentes setores produtivos, incluindo impactos sociais de distintas estrat&eacute;gicas futuras de mitiga&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o; 2) ter uma maior compreens&atilde;o da contribui&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da conserva&ccedil;&atilde;o da natureza e dos servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos visando minimizar impactos de mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas para a sociedade; 3) criar oportunidades de inova&ccedil;&otilde;es na economia da biodiversidade, estudando potenciais estrat&eacute;gias de bioeconomia sustent&aacute;vel; 4) desenvolver modelos de economia circular para diferentes setores econ&ocirc;micos, maximizando os benef&iacute;cios &agrave; sociedade como um todo; 5) conhecer os impactos territoriais predat&oacute;rios para orientar pol&iacute;ticas de desenvolvimento que recupere &aacute;reas degradadas e avance na restaura&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica de nossos biomas; 6) criar oportunidades e sinergias para alinhar medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da pobreza e desigualdades sociais; 7) trabalhar com o conceito de "justi&ccedil;a clim&aacute;tica", desenvolvendo estrat&eacute;gias que minimizem os impactos na popula&ccedil;&atilde;o menos favorecida.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o ao cr&iacute;tico papel da Amaz&ocirc;nia nas quest&otilde;es relacionadas &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, o recente relat&oacute;rio do <i>Science Panel for Amazon</i> &#91;5&#93; apresentou quatro recomenda&ccedil;&otilde;es-chave para tomadores de decis&atilde;o para mudar a trajet&oacute;ria de desmatamento e degrada&ccedil;&atilde;o no bioma amaz&ocirc;nico: (1) eliminar o desmatamento, degrada&ccedil;&atilde;o e inc&ecirc;ndios na bacia at&eacute; 2030; (2) restaura&ccedil;&atilde;o de ecossistemas aqu&aacute;ticos e terrestres; e (3) promo&ccedil;&atilde;o de uma bioeconomia de "saud&aacute;veis florestas em p&eacute; e rios fluindo" baseada em ci&ecirc;ncia, tecnologia, inova&ccedil;&atilde;o e conhecimentos ind&iacute;genas e de comunidades locais. Equidade, &eacute;tica e justi&ccedil;a moral s&atilde;o centrais na corre&ccedil;&atilde;o de rumos em um processo colaborativo de desenho de alternativas inovadoras e vi&aacute;veis para a regi&atilde;o amaz&ocirc;nica. O panorama de viol&ecirc;ncia, crimes ambientais, degrada&ccedil;&atilde;o e descaso do poder p&uacute;blico que resultou no avan&ccedil;o acentuado do desmatamento e degrada&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos anos ir&aacute; requerer um pacto nacional de reconstru&ccedil;&atilde;o da governan&ccedil;a socioambiental para a Amaz&ocirc;nia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Modelos econ&ocirc;micos de baixa emiss&atilde;o de carbono podem ser geradores de emprego, e podem reduzir as desigualdades sociais. As pol&iacute;ticas de mitiga&ccedil;&atilde;o precisam considerar o efeito da gera&ccedil;&atilde;o de empregos, particularmente para pessoas menos qualificadas e mais vulner&aacute;veis. Analisar processos de fortalecimento territorial de comunidades organizadas na produ&ccedil;&atilde;o da biodiversidade em diversas escalas contribui para a mitiga&ccedil;&atilde;o. A quest&atilde;o da seguran&ccedil;a alimentar em um clima em mudan&ccedil;a tamb&eacute;m &eacute; chave nas dimens&otilde;es sociais, e uma oportunidade para reduzir a fome, e adaptar nosso sistema agropecu&aacute;rio ao clima em mudan&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Importante tamb&eacute;m destacar o delineamento de estrat&eacute;gias para informar adequadamente a sociedade sobre as Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas. A divulga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e ci&ecirc;ncia cidad&atilde; s&atilde;o estrat&eacute;gias efetivas e j&aacute; reconhecidas, que devem ser incentivadas, implementadas e aperfei&ccedil;oadas. Divulgar e informar o p&uacute;blico sobre o aquecimento global, definir, ilustrar, mostrar as tend&ecirc;ncias e padr&otilde;es de dados, explicar os seus efeitos, discutir as informa&ccedil;&otilde;es imprecisas na m&iacute;dia e divulgar os resultados das pesquisas s&atilde;o prerrogativas desta agenda. Nesta estrat&eacute;gia est&aacute; o apoio necess&aacute;rio &agrave; educa&ccedil;&atilde;o ambiental em todos os n&iacute;veis, desenvolvendo ferramentas de educa&ccedil;&atilde;o para a ci&ecirc;ncia e difus&atilde;o do conhecimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Temos como tarefa auxiliar o pa&iacute;s a desenvolver estrat&eacute;gias baseadas em ci&ecirc;ncia para que o Brasil cumpra suas obriga&ccedil;&otilde;es internacionais (as <i>National Determined Contribution</i> - NDC) associadas ao Acordo de Paris. O aux&iacute;lio na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas baseadas em ci&ecirc;ncia em todos os n&iacute;veis (municipal, estadual, nacional e global) &eacute; tarefa fundamental. Estas atividades exigir&atilde;o grande esfor&ccedil;o cient&iacute;fico da academia em parceria com os v&aacute;rios setores da sociedade. A adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas nas diversas regi&otilde;es do nosso pa&iacute;s tamb&eacute;m ir&aacute; requerer o desenvolvimento de ci&ecirc;ncia olhando para as necessidades da sociedade. Os desafios envolvidos na redu&ccedil;&atilde;o do impacto das a&ccedil;&otilde;es humanas no ambiente, alinhados &agrave; necessidade do desenvolvimento sustent&aacute;vel e redu&ccedil;&atilde;o de desigualdades sociais, passam pelo desenvolvimento de s&oacute;lidos resultados cient&iacute;ficos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerando as quest&otilde;es cient&iacute;ficas, de governan&ccedil;a, finan&ccedil;as, e novas tecnologias poderemos construir um futuro mais resiliente, sustent&aacute;vel e justo, preservando os servi&ccedil;os ecossist&ecirc;micos atrav&eacute;s de estrat&eacute;gias adequadas de adapta&ccedil;&atilde;o e mitiga&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es &#91;9&#93;. Este processo est&aacute; associado aos ODS, j&aacute; que temos que atender &agrave;s necessidades b&aacute;sicas da popula&ccedil;&atilde;o (educa&ccedil;&atilde;o, sa&uacute;de, igualdade de g&ecirc;nero, erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza, fome zero, &aacute;gua limpa e outros), e ao mesmo tempo respeitar os limites da disponibilidade dos recursos naturais de nosso planeta. Estas s&atilde;o somente algumas das importantes quest&otilde;es que o Brasil ter&aacute; que enfrentar, e solu&ccedil;&otilde;es baseadas em ci&ecirc;ncia s&oacute;lida certamente t&ecirc;m mais chances de garantir uma trajet&oacute;ria sustent&aacute;vel a nosso pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir de janeiro de 2023, esperamos que o Brasil implemente pol&iacute;ticas que nos permitam alcan&ccedil;ar os 17 ODS, reduzindo a pobreza, eliminando a fome e com isso construir uma sociedade sustent&aacute;vel, social e economicamente. Isso &eacute; poss&iacute;vel, e temos todos os elementos para esta transforma&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. N&atilde;o ser&aacute; feita rapidamente, mas o Brasil redirecionar&aacute; seus grandes recursos humanos e naturais na constru&ccedil;&atilde;o de uma sociedade mais justa e sustent&aacute;vel.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1. Intergovernmental Panel on Climate Chance (IPCC). AR6 WGI. Climate change 2021: the physical science basis. Contribution of Working Group I to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press, 2021. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg1/" target="_blank">https://www.ipcc.ch/report/ar6/wg1/</a>. Acesso em: 11 nov. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2. ARTAXO, P.; HANSSON, H. C.; MACHADO, L. A. T.; RIZZO, L. V. Tropical forests are crucial in regulating the climate on Earth. PLOS Climate, 1(8), e0000054, 2022a, DOI: <a href="https://doi.org/10.1371/journal.pclm.0000054" target="_blank">https://doi.org/10.1371/journal.pclm.0000054</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3. BUSTAMANTE, M. M. C.; et al. The Amazon basin in transition. Nature, 481, 321-328, 2012, DOI: <a href="https://doi.org/10.1038/nature10717" target="_blank">https://doi.org/10.1038/nature10717</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">4. ARTAXO, P.; HANSSON, H. C.; ANDRAE, M. O.; B&Auml;CK, J.; MACHADO, L. A. T.; RIZZO, L. V.; et al. Tropical and Boreal Forest - atmosphere interactions: a review. Tellus B: Chemical and Physical Meteorology, 74, 24-163, 2022b, DOI: <a href="https://doi.org/10.16993/tellusb.34" target="_blank">https://doi.org/10.16993/tellusb.34</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">5. Science Panel for the Amazon (SPA). Executive Summary of the Amazon Assessment Report 2021 - The Amazon we want. US: United Nations Sustainable Development Solutions Network, 2021, DOI: <a href="https://doi.org/10.55161/RWSX6527" target="_blank">https://doi.org/10.55161/RWSX6527</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">6. DAVIDSON, E.; ARA&Uacute;JO, A.; ARTAXO, P.; BALCH, J. K.; BROWN, I. F. Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services (IPBES). Global assessment report of the Intergovernmental Science-Policy Platform on Biodiversity and Ecosystem Services. Bonn: IPBES, 2019. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://ipbes.net/" target="_blank">https://ipbes.net/</a>. Acesso em: 21 nov. 2022.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">7. ARTAXO, P. As tr&ecirc;s emerg&ecirc;ncias que nossa sociedade enfrenta: sa&uacute;de, biodiversidade e mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. Estudos Avan&ccedil;ados, 34(100), 53-66, 2020, DOI: <a href="https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2020.34100.005" target="_blank">https://doi.org/10.1590/s0103-4014.2020.34100.005</a></font><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">8. ARTAXO, P. Break down boundaries in climate research. World View Section, Nature, 481, 239, 2012.    </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">9. ARTAXO, P. Working together for Amazonia. Science, 363(6425), 323, 2019, DOI: <a href="https://doi.org/10.1126/science.aaw6986" target="_blank">https://doi.org/10.1126/science.aaw6986</a></font> ]]></body><back>
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