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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tecnologia para um mundo sustentável: Brasil possui recursos naturais e humanos para desenvolver soluções que ajudem a proteger o meio ambiente]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>10.5935/2317-6660.20220071 REPORTAGEM</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tecnologia para um mundo sustent&aacute;vel: Brasil possui recursos naturais e humanos para desenvolver solu&ccedil;&otilde;es que ajudem a proteger o meio ambiente</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Chris Bueno</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Jornalista, escritora, divulgadora de ci&ecirc;ncias, editora-executiva da revista Ci&ecirc;ncia &amp; Cultura, e m&atilde;e apaixonada por escrever (especialmente sobre ci&ecirc;ncia)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Perda de biodiversidade, desmatamento, polui&ccedil;&atilde;o, crise h&iacute;drica, mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, superpopula&ccedil;&atilde;o, desperd&iacute;cio. Os problemas ambientais atuais n&atilde;o s&atilde;o poucos. Tanto que entidades como a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) v&ecirc;m alertando que estamos nos aproximando velozmente do "ponto de n&atilde;o retorno" - ou seja, um determinado limite ou situa&ccedil;&atilde;o em que um sistema perde sua capacidade de regenera&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o mais conseguindo retornar ao estado anterior.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A tecnologia pode ser a chave para reverter essa situa&ccedil;&atilde;o e alcan&ccedil;ar um futuro melhor. "<i>Quando um pa&iacute;s vive uma crise, o principal caminho &eacute; ampliar o investimento em ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o (CT&amp;I). E se quisermos atingir uma sustentabilidade, tamb&eacute;m &eacute; atrav&eacute;s de investimentos em CT&amp;I</i>", afirma Luciana Gomes Barbosa, professora do Departamento de Fitotecnia e Ci&ecirc;ncias Ambientais (DFCA) da Universidade Federal da Para&iacute;ba (UFPB) e Coordenadora do GT Meio Ambiente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci&ecirc;ncia (SBPC). Para a pesquisadora, a CT&amp;I &eacute; fundamental para enfrentar a degrada&ccedil;&atilde;o ambiental, as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, a escassez de alimentos, o gerenciamento de res&iacute;duos e outros desafios globais urgentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto os pesquisadores alertam que n&atilde;o existe uma solu&ccedil;&atilde;o "m&aacute;gica" para as quest&otilde;es ambientais globais, eles concordam que &eacute; preciso impulsionar a sustentabilidade usando uma combina&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es de alta e baixa tecnologia. Al&eacute;m disso, &eacute; essencial usar a CT&amp;I para engajar e capacitar governos, empresas e cidad&atilde;os a adotar pr&aacute;ticas, pol&iacute;ticas e modelos de neg&oacute;cios ambientalmente sustent&aacute;veis.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tend&ecirc;ncia mundial</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No in&iacute;cio deste ano, a Gartner - empresa de consultoria norte-americana - publicou um relat&oacute;rio apontando que iniciativas ambientais, sociais e de governan&ccedil;a s&atilde;o agora uma das tr&ecirc;s principais prioridades para os investidores, depois de lucro e receita. O documento comprova uma tend&ecirc;ncia que vem crescendo globalmente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A sustentabilidade tamb&eacute;m se tornou um diferencial competitivo. Muitos empres&aacute;rios est&atilde;o investindo em tecnologia sustent&aacute;vel n&atilde;o apenas para refor&ccedil;ar sua marca, mas tamb&eacute;m para fornecer novas &aacute;reas de crescimento. Por exemplo, a empresa de transporte japonesa <i>Mitsui O.S.K. A Lines</i> usa modelos com intelig&ecirc;ncia artificial para melhorar a efici&ecirc;ncia do transporte no setor mar&iacute;timo. E concession&aacute;rias como a <i>Dubai Electricity &amp; Water Authority </i>(DEWA), usam a "internet das coisas" (<i>Internet of Things - IoT</i>) e g&ecirc;meos digitais (uma c&oacute;pia virtual de um sistema que simula como ele se comporta) para criar solu&ccedil;&otilde;es inteligentes de gerenciamento de edif&iacute;cios que usam 50% menos &aacute;gua.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"<i>Vivemos em um mundo essencialmente capitalista e as din&acirc;micas de mercado ditam como as coisas funcionam</i>", explica Gustavo Doubek, professor da Faculdade de Engenharia Qu&iacute;mica (FEQ) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e  pesquisador no Centro de Inova&ccedil;&atilde;o em Novas Energias (CINE). "<i>Quando temos grandes tomadores de decis&atilde;o (Am&eacute;rica do Norte, Uni&atilde;o Europeia) dizendo que precisamos reduzir os efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, diminuir as emiss&otilde;es de carbono, isso cria uma press&atilde;o muito grande sobre o resto do mundo. N&oacute;s teremos que nos adequar a isso, ou corremos o risco de 'ficar de fora' desse mercado</i>". </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tecnologia amiga do ambiente</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Seguindo essa tend&ecirc;ncia, cada vez mais empresas no mundo vem buscando solu&ccedil;&otilde;es sustent&aacute;veis atrav&eacute;s de tecnologias amigas do ambiente. No Brasil, por&eacute;m, esse avan&ccedil;o est&aacute; sendo insatisfat&oacute;rio. Segundo dados do Relat&oacute;rio Luz 2022, elaborado pelo Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para a Agenda 2030, o pa&iacute;s n&atilde;o apresentou progresso em nenhuma das 169 metas dos 17 objetivos de desenvolvimento sustent&aacute;vel (ODS) da Agenda 2030, estabelecida pela Assembleia-Geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (AGNU). O levantamento revela que das 168 metas dos ODS analisadas, 80,35% est&atilde;o em retrocesso, amea&ccedil;adas ou estagnadas no pa&iacute;s e 14,28% tiveram progresso insuficiente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se por um lado a implementa&ccedil;&atilde;o dessas tecnologias encontra uma s&eacute;rie de desafios no Brasil, por outro o pa&iacute;s tem demonstrado ter recursos (tanto naturais quando humanos) para mudar esse quadro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A &aacute;gua &eacute; uma das principais preocupa&ccedil;&otilde;es quando se fala em sustentabilidade. O aumento da demanda global exige solu&ccedil;&otilde;es urgentes - e inteligentes. Em 2016, engenheiros do Centro de Empreendedorismo e Incuba&ccedil;&atilde;o da Universidade Federal do Goi&aacute;s (UFG) desenvolveram um rob&ocirc; capaz de inspecionar tubula&ccedil;&otilde;es de &aacute;gua, esgoto e dutos de g&aacute;s, evitando acidentes, contamina&ccedil;&otilde;es e desperd&iacute;cio. O equipamento nacional &eacute; uma esp&eacute;cie de carro mec&acirc;nico dotado de c&acirc;meras de v&iacute;deo e pode ser de 75% a 80% mais barato que os modelos similares da Europa e dos Estados Unidos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma solu&ccedil;&atilde;o inteligente para o reuso de &aacute;gua foi desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria (Embrapa), que criou uma fossa s&eacute;ptica biodigestora. A fossa trata o esgoto do vaso sanit&aacute;rio, produzindo um efluente que pode ser utilizado como fertilizante. O sistema consiste em tr&ecirc;s caixas interligadas que recebem mensalmente uma mistura de &aacute;gua e esterco bovino fresco - o que fornece as bact&eacute;rias que estimulam a biodigest&atilde;o dos dejetos, transformando-os em adubo org&acirc;nico. Al&eacute;m de ter baixo custo e f&aacute;cil instala&ccedil;&atilde;o, a fossa n&atilde;o gera odores desagrad&aacute;veis. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra vantagem do sistema &eacute; que, al&eacute;m de adubo, ele tamb&eacute;m pode fornecer energia. A Companhia de Saneamento B&aacute;sico do Estado de S&atilde;o Paulo (Sabesp) inaugurou em 2018, na cidade de Franca (SP), uma planta de biometano para uso veicular. O biometano prov&eacute;m de uma s&eacute;rie de filtragens do biog&aacute;s que resulta dos res&iacute;duos s&oacute;lidos processados na fossa biodigestora. Com o tratamento desse biog&aacute;s, estima-se que a planta possa produzir 1.500Nm<sup>3</sup> de biometano por dia, o equivalente energ&eacute;tico a 1.500 litros de gasolina comum.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Energia &eacute; um ponto crucial quando se discute sustentabilidade. Isso porque a produ&ccedil;&atilde;o sustent&aacute;vel de energia diminui a depend&ecirc;ncia dos combust&iacute;veis f&oacute;sseis e outros tipos de poluentes. Para Barbosa, investir em energia limpa &eacute; essencial para preservar o meio ambiente e mitigar os efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas. A pesquisadora ainda afirma que o Brasil tem uma grande vantagem nessa &aacute;rea, pois conta com diversos recursos naturais que tornam poss&iacute;veis a explora&ccedil;&atilde;o dessas tecnologias. "<i>Aqui no Nordeste temos um fotoper&iacute;odo amplo, que &eacute; excelente para ado&ccedil;&atilde;o da energia solar. Al&eacute;m disso, O Brasil &eacute; o maior produtor de cana-de-a&ccedil;&uacute;car, principal mat&eacute;ria-prima utilizada no pa&iacute;s para produ&ccedil;&atilde;o do etanol</i>" (<a href="#fig1">Figura 1</a>).</font></p>     <p><a name="fig1"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a17fig01.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O etanol, ali&aacute;s, &eacute; outra grande vantagem na produ&ccedil;&atilde;o de energia natural e limpa. Al&eacute;m de ser uma fonte renov&aacute;vel, sua produ&ccedil;&atilde;o a partir da cana apresenta um balan&ccedil;o nulo de produ&ccedil;&atilde;o de CO<sub>2</sub>. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Doubek, o etanol &eacute; uma grande aposta na produ&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica. O pesquisador lidera um laborat&oacute;rio na Unicamp voltado para o desenvolvimento de baterias, supercapacitores e c&eacute;lulas a combust&iacute;vel. "<i>Eu enxergo as c&eacute;lulas a combust&iacute;vel, principalmente as que chamamos de alta temperatura, como um dos grandes caminhos que o Brasil pode tomar. Isso porque elas permitem utilizar o etanol como combust&iacute;vel</i>", aponta. Para Doubek, essa nova tecnologia deve ganhar espa&ccedil;o para uso em ve&iacute;culos e esta&ccedil;&otilde;es geradoras de energia em resid&ecirc;ncias, hospitais e pequenas ind&uacute;strias. O pesquisador explica que principal fonte de combust&iacute;vel dessas c&eacute;lulas &eacute; o hidrog&ecirc;nio. "<i>N&oacute;s podemos tirar esse hidrog&ecirc;nio de mol&eacute;culas biol&oacute;gicas, como o etanol, que possui seis &aacute;tomos de hidrog&ecirc;nios. O que significa que &eacute; poss&iacute;vel substituir uma bateria de 500kg ou 600kg por uma c&eacute;lula a combust&iacute;vel que vai pesar 200kg ou 300kg. Isso diminui muito o consumo de materiais</i>". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra pesquisa envolvendo o desenvolvimento de baterias est&aacute; sendo realizada por um grupo do Departamento de Qu&iacute;mica da Universidade Federal do Paran&aacute; (UFPR). Os pesquisadores utilizaram o grafeno (uma das formas cristalinas do carbono) para criar filmes finos de nanoparti&#769;culas combinadas que substituem as baterias de i&#769;on-li&#769;tio (que dependem de reservas cada vez mais escassas de l&iacute;tio, cobalto e n&iacute;quel). Isso permite o desenvolvimento de baterias mais sustent&aacute;veis, capazes de gerar e armazenar energia e sem perdas por atrito. Al&eacute;m de ter grande capacidade de armazenamento, esse nanofilme tamb&eacute;m funciona em meio aquoso - o que significa que pode ser utilizado em c&eacute;lulas fotovoltaicas, usadas para converter energia solar em el&eacute;trica, por exemplo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como o Brasil &eacute; o maior produtor de cana-de-a&ccedil;&uacute;car do mundo, &eacute; tamb&eacute;m o maior produtor de baga&ccedil;os. E essa enorme quantidade de res&iacute;duo costuma ser queimada, causando ainda mais polui&ccedil;&atilde;o. Por&eacute;m, h&aacute; um destino mais ecol&oacute;gico e econ&ocirc;mico para o baga&ccedil;o de cana. Dessa biomassa &eacute; poss&iacute;vel extrair a nanocelulose, um biopol&iacute;mero resistente, renov&aacute;vel, biodegrad&aacute;vel e abundante, com toxicidade baixa ou nula. Pesquisadores do Laborat&oacute;rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano) do Centro Nacional  de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) desenvolveram um gel de nanocelulose que substitui aditivos qu&iacute;micos, de maneira natural, sustent&aacute;vel e at&oacute;xica. Uma de suas aplica&ccedil;&otilde;es &eacute; como espessante, muito utilizado pela ind&uacute;stria de alimentos, medicamentos e cosm&eacute;ticos. Agora, a equipe almeja utilizar a nanocelulose para resolver um grande problema ambiental: a polui&ccedil;&atilde;o por pl&aacute;stico. Substituir o pl&aacute;stico por biopol&iacute;meros reduziria drasticamente o impacto dos descartes no meio ambiente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra equipe do LNNano tamb&eacute;m vem investigando como usar a nanocelulose para combater a polui&ccedil;&atilde;o. Uma de suas principais descobertas foi a "<i>espuma verde</i>". Feita &agrave; base de nanocelulose e l&aacute;tex de borracha natural, a espuma pode contribuir em a&ccedil;&otilde;es de despolui&ccedil;&atilde;o da &aacute;gua, pois "<i>suga</i>" em poucos segundo grandes quantidades de &oacute;leos, combust&iacute;veis, solventes e outras subst&acirc;ncias. Al&eacute;m disso, &eacute; totalmente natural e reutiliz&aacute;vel. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Bio-riqueza</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando se fala em recursos naturais, o Brasil sai na frente. Isso porque o pa&iacute;s possui a maior biodiversidade do planeta, com mais de 116.000 esp&eacute;cies animais e mais de 46.000 esp&eacute;cies vegetais conhecidas. Tudo isso espalhado pelos seis biomas terrestres e tr&ecirc;s grandes ecossistemas marinhos, segundo o Minist&eacute;rio do Meio Ambiente (MMA) (<a href="#fig2">Figura 2</a>).</font></p>     <p><a name="fig2"></a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cic/v74n4/a17fig02.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As aplica&ccedil;&otilde;es oriundas dessas esp&eacute;cies vegetais s&atilde;o in&uacute;meras: alimenta&ccedil;&atilde;o, medicina, vestu&aacute;rio, constru&ccedil;&atilde;o civil, m&oacute;veis; fabrica&ccedil;&atilde;o de tecidos e papel; produ&ccedil;&atilde;o de perfumes, inseticidas e outras. "<i>Temos que pensar que nossa biodiversidade abriga uma biodiversidade qu&iacute;mica muito grande do metabolismo das plantas e dos animais. Nessa biodiversidade qu&iacute;mica podemos achar mol&eacute;culas que tenham import&acirc;ncia econ&ocirc;mica tanto para defensivos agr&iacute;colas como para a ind&uacute;stria de cosm&eacute;tico e medicamentos, e muito mais</i>", explica Carlos Alfredo Joly, professor do Departamento de Biologia Vegetal do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp e um dos idealizadores do Programa Biota da Fapesp. Segundo o professor, h&aacute; um laborat&oacute;rio de medicamentos escondidos na mata e nos saberes tradicionais de ind&iacute;genas, ribeirinhos e quilombolas, assim como no ambiente marinho, onde algas, fungos e bact&eacute;rias s&atilde;o fonte para novos medicamentos. "<i>Mais de 50% de nossos medicamentos t&ecirc;m origem em mol&eacute;culas da natureza</i>", diz.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, toda essa riqueza est&aacute; amea&ccedil;ada. Polui&ccedil;&atilde;o, desmatamento, mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, introdu&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies ex&oacute;ticas e explora&ccedil;&atilde;o exagerada dos recursos naturais vem colocando a biodiversidade nacional em risco. O pa&iacute;s tem 1.249 esp&eacute;cies e subesp&eacute;cies da fauna amea&ccedil;adas de extin&ccedil;&atilde;o segundo a Lista de Esp&eacute;cies da Fauna Brasileira Amea&ccedil;adas de Extin&ccedil;&atilde;o atualizada este ano e coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conserva&ccedil;&atilde;o da Biodiversidade (ICMBio). Quanto &agrave; flora, a estimativa do MMA &eacute; de que cerca de 1.974 plantas em extin&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s (1.772 s&atilde;o end&ecirc;micas do Brasil, ou seja, s&oacute; ocorrem no territ&oacute;rio nacional). Mas esse n&uacute;mero pode ser bem pior, com o desmatamento batendo uma s&eacute;rie de recordes em todo o pa&iacute;s. Dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz&ocirc;nia (Imazon) apontam que, de janeiro a setembro deste ano, a &aacute;rea de floresta derrubada na Amaz&ocirc;nia Legal atingiu 9.069km&sup2;. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"<i>Na Amaz&ocirc;nia, ocorrem 17% da fotoss&iacute;ntese do planeta, a floresta tem mais de 10% da biodiversidade do planeta e cont&eacute;m cerca de 120 bilh&otilde;es de toneladas de carbono, ou o equivalente a cerca de dez anos de toda a queima de combust&iacute;veis f&oacute;sseis mundiais. Esses n&uacute;meros superlativos d&atilde;o uma ideia do desafio que &eacute; entender o funcionamento e a din&acirc;mica desse fant&aacute;stico sistema, e de desenvolver estrat&eacute;gias sustent&aacute;veis</i>", alerta Paulo Artaxo, professor do Instituto de F&iacute;sica da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e do <i>Research Center of Greenhouse Gas Innovation</i> da Poli-USP, e vice-presidente da SBPC, em artigo para o Jornal da USP. O pesquisador tamb&eacute;m ressalta que a preserva&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia, assim como de outros ecossistemas, &eacute; vital para combater os efeitos das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"<i>Chegou a hora de realmente repensarmos o uso de recursos. Por exemplo, o desmatamento da Amaz&ocirc;nia - a floresta vale muito mais em p&eacute; do que desmatada</i>", alerta Barbosa. "<i>&Eacute; importante trazer as comunidades tradicionais e seus conhecimentos para essa discuss&atilde;o - eles mostram como &eacute; poss&iacute;vel retirar recursos sem afetar sua capacidade de composi&ccedil;&atilde;o, ou seja, de maneira sustent&aacute;vel</i>". </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Pol&iacute;tica baseada em evid&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como aproveitar toda essa riqueza sem prejudicar esses recursos valiosos? Os pesquisadores s&atilde;o un&acirc;nimes: &eacute; preciso investir em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que contribuam n&atilde;o apenas para a preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, mas tamb&eacute;m para o desenvolvimento de tecnologias verdes e para o manejo sustent&aacute;vel da biodiversidade. Mas eles tamb&eacute;m s&atilde;o un&acirc;nimes ao afirmar que isso s&oacute; ser&aacute; poss&iacute;vel atrav&eacute;s da constru&ccedil;&atilde;o de um di&aacute;logo entre pol&iacute;ticos, cientistas e sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"<i>Precisamos fazer uma ponte com a C&acirc;mara e com o Senado. Assim, come&ccedil;amos tamb&eacute;m a ouvir quem est&aacute; do outro lado. Eu vejo que tanto os pol&iacute;ticos quanto a sociedade precisam de maior acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. Ent&atilde;o precisamos estabelecer essas pontes e ter dentro da C&acirc;mara e do Senado comit&ecirc;s em que estejam presentes a ci&ecirc;ncia e a sociedade</i>", aponta Barbosa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, o problema n&atilde;o &eacute; apenas a cria&ccedil;&atilde;o de leis, mas tamb&eacute;m sua implementa&ccedil;&atilde;o e seu cumprimento. O Brasil possui um marco legal aprimorado e uma Constitui&ccedil;&atilde;o que protege o meio ambiente, por&eacute;m falta fiscaliza&ccedil;&atilde;o - 94% do desmatamento amaz&ocirc;nico prov&ecirc;m de atividades ilegais, segundo documento elaborado em colabora&ccedil;&atilde;o entre o Instituto Centro de Vida (ICV), o Instituto de Manejo e Certifica&ccedil;&atilde;o Florestal e Agr&iacute;cola (Imaflora) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com apoio do WWF-Brasil. Al&eacute;m disso, n&atilde;o basta parar a destrui&ccedil;&atilde;o: &eacute; preciso tamb&eacute;m focar na restaura&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas destru&iacute;das - o que &eacute; um processo complexo, que deve respeitar a biodiversidade local. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"As aplica&ccedil;&otilde;es oriundas das esp&eacute;cies vegetais brasileiras s&atilde;o in&uacute;meras: alimenta&ccedil;&atilde;o, medicina, vestu&aacute;rio, constru&ccedil;&atilde;o civil, m&oacute;veis; fabrica&ccedil;&atilde;o de tecidos e papel; produ&ccedil;&atilde;o de perfumes, inseticidas e outras."</b></styled-content> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">"<i>Vamos precisar adaptar nossa legisla&ccedil;&atilde;o aos compromissos internacionais que temos. O que precisamos &eacute; que as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas sejam baseadas no conhecimento. E o conhecimento tradicional pode trazer contribui&ccedil;&otilde;es muito importantes, especialmente referente &agrave; sustentabilidade</i>", afirma Joly.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas &eacute; preciso ir al&eacute;m. A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; a base para se conseguir qualquer mudan&ccedil;a. "<i>&Eacute; importante frisar a import&acirc;ncia de se investir em educa&ccedil;&atilde;o. Sem educa&ccedil;&atilde;o nada acontece. Como voc&ecirc; vai deixar a sociedade mais consciente e enxergando mais valor para a sustentabilidade? Como vai desenvolver tecnologias e inovar? Tudo passa pela educa&ccedil;&atilde;o</i>", enfatiza Doubek.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental para envolver a sociedade civil em um di&aacute;logo com a comunidade cient&iacute;fica e com os pol&iacute;ticos. &Eacute; tamb&eacute;m essencial para fazer com que a popula&ccedil;&atilde;o perceba que a preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente tem impacto direto em suas vidas - e que ela &eacute; um ator em todo esse processo. "<i>&Eacute; necess&aacute;rio um processo profundo de educa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o, que come&ccedil;a desde cedo, para ela compreender que faz parte do processo de conserva&ccedil;&atilde;o</i>", afirma Barbosa. A pesquisadora cita o projeto de lei (PL) nº 5604/2016, que obriga a inclus&atilde;o da disciplina de educa&ccedil;&atilde;o ambiental no curr&iacute;culo escolar. No entanto, o projeto est&aacute; parado na C&acirc;mara dos Deputados. "<i>S&atilde;o iniciativas assim que v&atilde;o ampliando o nosso acesso &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e o acesso da popula&ccedil;&atilde;o ao conhecimento</i>". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O ano de 2022 &eacute; marcante para a quest&atilde;o do meio ambiente. H&aacute; 50 anos foi realizada a Confer&ecirc;ncia de Estocolmo, primeira grande reuni&atilde;o de chefes de estado organizada pela ONU para tratar das quest&otilde;es relacionadas &agrave; degrada&ccedil;&atilde;o do meio. E h&aacute; 20 anos foram realizadas a Eco 92 e a Rio+20, ambas no Rio de Janeiro (RJ), discutindo a renova&ccedil;&atilde;o do compromisso pol&iacute;tico com o desenvolvimento sustent&aacute;vel e demonstrando o papel central que o Brasil j&aacute; ocupou nas discuss&otilde;es ambientais - e que precisa ser recuperado. "<i>H&aacute; um outro modelo de desenvolvimento, baseado na sustentabilidade. N&atilde;o &eacute; preciso destruir ecossistemas e a biodiversidade para resolver os problemas atuais. Ali&aacute;s, isso s&oacute; vai agrav&aacute;-los. Al&eacute;m disso, &eacute; preciso entender que a conserva&ccedil;&atilde;o e o uso sustent&aacute;vel da biodiversidade est&atilde;o na base da redu&ccedil;&atilde;o da pobreza</i>", finaliza Joly.</font></p>     <p align="center"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">   <styled-content style="color:#890e10"><b>"&Eacute; preciso investir em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que contribuam n&atilde;o apenas para a preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, mas tamb&eacute;m para o desenvolvimento de tecnologias verdes e para o manejo sustent&aacute;vel da biodiversidade."</b></styled-content> </font></p>      ]]></body>
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